NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

Apesar da alta taxa de desemprego, que caiu de 9,1% em setembro para 9% em outubro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA, alguns setores da economia americana sofrem com falta de mão-de-obra especializada.

Em áreas como tecnologia da informação, mineração, serviços de saúde e indústria manufatureira, empregadores relatam dificuldade em conseguir profissionais com a qualificação necessária.

Uma pesquisa recente feita pela consultoria Deloitte em conjunto com o Manufacturing Institute, entidade que representa o setor manufatureiro, calcula que 600 mil vagas permanecem abertas na indústria manufatureira porque os empregadores não conseguem encontrar funcionários o nível de instrução desejada.

O problema da falta de mão-de-obra especializada não é novo nos Estados Unidos. Mas o fato de que persiste mesmo em um momento em que 13,9 milhões de americanos estão desempregados surpreende alguns analistas.

“Algumas pessoas acham estranha a ideia de que os empregadores possam ter dificuldade em recrutar profissionais especializados em um momento em que há tanto excesso de trabalhadores procurando por empregos”, disse à BBC Brasil a analista Madeleine Sumption, do Migration Policy Institute, em Washington.

“Mas o alto desemprego não significa que certos profissionais especializados não sejam difíceis de encontrar. Há algumas ocupações específicas em que a demanda permanece muito forte”, afirma.

“De certo modo, estamos limitando um recurso enorme com o qual sempre havíamos contado, que é a imigração de engenheiros, cientistas e outros profissionais altamente especializados para se unirem à força de trabalho dos Estados Unidos”

Gary Gereffi, diretor do Centro de Globalização, Governança e Competitividade da Duke University

Imigrantes

Sumption cita dados do setor de saúde, onde a taxa de desemprego para profissionais especializados é de 3%, bem menor que o total de 9%. “Esta é uma economia que ainda está à procura de trabalhadores. Geralmente, profissionais altamente especializados.”

Segundo a analista, diante desse cenário, muitos profissionais de outros países podem pensar em imigrar para os Estados Unidos e aproveitar a oportunidade.

Sumption alerta, no entanto, que profissionais de outros países podem enfrentar dificuldades, como adaptar a licença para exercer a profissão às regras americanas.

Em outros casos, diz Sumption, a capacitação e a experiência dos imigrantes podem não ser as mesmas exigidas pelo mercado americano, o que obrigaria os trabalhadores estrangeiros a investir em nova capacitação.

Outra barreira pode ser o idioma. “Algumas pessoas podem ter o conhecimento técnico necessário, mas se não falam inglês, não conseguirão exercer sua profissão aqui.”

O professor Gary Gereffi, diretor do Centro de Globalização, Governança e Competitividade da Duke University, observa que há também um problema da “fuga de cérebros a contrário” nos Estados Unidos.

O aumento das restrições a vistos para imigrantes após os atentados de 11 de setembro de 2001 fez com que muitos profissionais estrangeiros voltassem a seus países de origem após fazer Mestrado ou Doutorado em universidades americanas.

“De certo modo, estamos limitando um recurso enorme com o qual sempre havíamos contado, que é a imigração de engenheiros, cientistas e outros profissionais altamente especializados para se unirem à força de trabalho dos Estados Unidos”, afirma Gereffi.

Guerra por talentos

De acordo com o professor Arie Lewin, da Fuqua School of Business da Duke University, na Carolina do Norte, as empresas americanas enfrentam uma “guerra por talentos”.

Um estudo conduzido por Lewin concluiu que, quando muitas empresas começaram a demitir engenheiros em 2009, no auge da recessão, provocando um aumento na taxa de desemprego para a categoria, elas na verdade estavam descartando profissionais que não eram considerados os melhores em suas áreas.

“Por um lado, as empresas estão aprendendo a operar com menos engenheiros e a contratar profissionais temporariamente, para projetos específicos. Ao mesmo tempo, elas estão cortando funcionários que são bons, mas não são os melhores”, disse Lewin à BBC Brasil.

A falta de mão-de-obra especializada é também apontada pelo estudo de Lewin como um dos principais motivos que levam muitas empresas a terceirizar suas atividades para outros países.

Lewin observa que até mesmo empresas de médio porte estão aumentando seus investimentos em terceirização e alerta para o risco de que a “guerra por talentos” já tenha se transformado em um problema global.

De acordo com Gereffi, o problema também é de demanda, e não tanto de oferta de mão-de-obra especializada, já que há muitas pessoas com especialização que estão desempregadas ou subempregadas.

“Uma vez que esteja claro onde a demanda estará, onde o governo e as empresas privadas planejam investir, acredito que, com tantas boas instituições acadêmicas, poderemos gerar os talentos necessários”, afirma.

Especialistas temem os efeitos de longo prazo, caso a carência de profissionais especializados se mantenha no mercado de trabalho americano por muito tempo.

“Mais e mais inovação será feita fora dos Estados Unidos”, diz Lewin.

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

Apesar da alta taxa de desemprego, que caiu de 9,1% em setembro para 9% em outubro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA, alguns setores da economia americana sofrem com falta de mão-de-obra especializada.

Em áreas como tecnologia da informação, mineração, serviços de saúde e indústria manufatureira, empregadores relatam dificuldade em conseguir profissionais com a qualificação necessária.

Uma pesquisa recente feita pela consultoria Deloitte em conjunto com o Manufacturing Institute, entidade que representa o setor manufatureiro, calcula que 600 mil vagas permanecem abertas na indústria manufatureira porque os empregadores não conseguem encontrar funcionários o nível de instrução desejada.

O problema da falta de mão-de-obra especializada não é novo nos Estados Unidos. Mas o fato de que persiste mesmo em um momento em que 13,9 milhões de americanos estão desempregados surpreende alguns analistas.

“Algumas pessoas acham estranha a ideia de que os empregadores possam ter dificuldade em recrutar profissionais especializados em um momento em que há tanto excesso de trabalhadores procurando por empregos”, disse à BBC Brasil a analista Madeleine Sumption, do Migration Policy Institute, em Washington.

“Mas o alto desemprego não significa que certos profissionais especializados não sejam difíceis de encontrar. Há algumas ocupações específicas em que a demanda permanece muito forte”, afirma.

“De certo modo, estamos limitando um recurso enorme com o qual sempre havíamos contado, que é a imigração de engenheiros, cientistas e outros profissionais altamente especializados para se unirem à força de trabalho dos Estados Unidos”

Gary Gereffi, diretor do Centro de Globalização, Governança e Competitividade da Duke University

Imigrantes

Sumption cita dados do setor de saúde, onde a taxa de desemprego para profissionais especializados é de 3%, bem menor que o total de 9%. “Esta é uma economia que ainda está à procura de trabalhadores. Geralmente, profissionais altamente especializados.”

Segundo a analista, diante desse cenário, muitos profissionais de outros países podem pensar em imigrar para os Estados Unidos e aproveitar a oportunidade.

Sumption alerta, no entanto, que profissionais de outros países podem enfrentar dificuldades, como adaptar a licença para exercer a profissão às regras americanas.

Em outros casos, diz Sumption, a capacitação e a experiência dos imigrantes podem não ser as mesmas exigidas pelo mercado americano, o que obrigaria os trabalhadores estrangeiros a investir em nova capacitação.

Outra barreira pode ser o idioma. “Algumas pessoas podem ter o conhecimento técnico necessário, mas se não falam inglês, não conseguirão exercer sua profissão aqui.”

O professor Gary Gereffi, diretor do Centro de Globalização, Governança e Competitividade da Duke University, observa que há também um problema da “fuga de cérebros a contrário” nos Estados Unidos.

O aumento das restrições a vistos para imigrantes após os atentados de 11 de setembro de 2001 fez com que muitos profissionais estrangeiros voltassem a seus países de origem após fazer Mestrado ou Doutorado em universidades americanas.

“De certo modo, estamos limitando um recurso enorme com o qual sempre havíamos contado, que é a imigração de engenheiros, cientistas e outros profissionais altamente especializados para se unirem à força de trabalho dos Estados Unidos”, afirma Gereffi.

Guerra por talentos

De acordo com o professor Arie Lewin, da Fuqua School of Business da Duke University, na Carolina do Norte, as empresas americanas enfrentam uma “guerra por talentos”.

Um estudo conduzido por Lewin concluiu que, quando muitas empresas começaram a demitir engenheiros em 2009, no auge da recessão, provocando um aumento na taxa de desemprego para a categoria, elas na verdade estavam descartando profissionais que não eram considerados os melhores em suas áreas.

“Por um lado, as empresas estão aprendendo a operar com menos engenheiros e a contratar profissionais temporariamente, para projetos específicos. Ao mesmo tempo, elas estão cortando funcionários que são bons, mas não são os melhores”, disse Lewin à BBC Brasil.

A falta de mão-de-obra especializada é também apontada pelo estudo de Lewin como um dos principais motivos que levam muitas empresas a terceirizar suas atividades para outros países.

Lewin observa que até mesmo empresas de médio porte estão aumentando seus investimentos em terceirização e alerta para o risco de que a “guerra por talentos” já tenha se transformado em um problema global.

De acordo com Gereffi, o problema também é de demanda, e não tanto de oferta de mão-de-obra especializada, já que há muitas pessoas com especialização que estão desempregadas ou subempregadas.

“Uma vez que esteja claro onde a demanda estará, onde o governo e as empresas privadas planejam investir, acredito que, com tantas boas instituições acadêmicas, poderemos gerar os talentos necessários”, afirma.

Especialistas temem os efeitos de longo prazo, caso a carência de profissionais especializados se mantenha no mercado de trabalho americano por muito tempo.

“Mais e mais inovação será feita fora dos Estados Unidos”, diz Lewin.

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

Mercado de grandes propriedades no Brasil atinge recorde, diz estudo

Um estudo elaborado por uma empresa especializada no mercado imobiliário mundial afirma que o setor brasileiro seguiu “pegando fogo” no terceiro trimestre de 2011, apesar de alguns movimentos de retração no continente americano.

Um relatório divulgado na segunda-feira pela consultoria Real Capital Analytics (RCA), baseada em Nova York, afirma que o volume de vendas de propriedades no Brasil atingiu o recorde de US$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre de 2011.

A pesquisa da RCA analisa vendas de propriedades em 37 países com valores acima de US$ 10 milhões – na maioria, grandes propriedades como terrenos, prédios comerciais, industriais, residenciais e hotéis.

Na região das Américas, o estudo afirma que o volume de vendas de propriedades cresceu 35% no terceiro trimestre do ano na comparação com o mesmo período do ano anterior.

No entanto, o desempenho nos países americanos no terceiro trimestre foi mais fraco do que durante o resto de 2011. O ritmo de crescimento nas vendas de propriedades caiu pela metade no terceiro trimestre.

A desaceleração na região foi provocada por um movimento de baixa no mercado de hipotecas nos Estados Unidos. Já a América Latina e o Brasil permanecem com o mercado aquecido, segundo a RCA.

“A América Latina é o único local [da região] com momento positivo. O Brasil continuou pegando fogo, com o volume no terceiro trimestre atingindo o recorde de US$ 3,5 bilhões, logo atrás do Canadá, que está em desaquecimento”, afirma o relatório da empresa, que também destaca movimentos positivos no Chile e no México.

Estrangeiros na China e no Brasil

De acordo com o levantamento, o volume de vendas de propriedades cresceu 34% em todo o mundo no terceiro trimestre de 2011, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A RCA diz que o volume total de vendas de propriedades em 2011 – US$ 568 bilhões – já é superior a todo o ano de 2008, quando estourou a bolha imobiliária nos Estados Unidos.

O relatório também afirma que o Brasil e a China continuam sendo destinos preferidos de investidores que buscam aplicações em propriedades no exterior.

“Nos ricos dias de 2007, mercados emergentes – especialmente os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) – eram um alvo preferencial de investidores estrangeiros em busca de rentabilidade”, afirma o relatório da RCA. “Mas riscos no exterior, que antes pareciam mínimos, aumentaram com a instabilidade financeira e turbulências políticas.”

“Para os investidores de hoje que investem em propriedades comerciais no exterior, a antiga solidez dos BRICs parece estar se desmanchando. China e Brasil continuam sendo grandes alvos de investimentos, mas investimentos na Índia retraíram, e a Polônia ultrapassou a Rússia como mercado mais atraente na Europa, Oriente Médio e África.”

Segundo a RCA, a predominância do Brasil na América Latina ocorre não só pelo tamanho do seu mercado, mas porque houve “avanços claros nas condições de mercado para os investidores”.

No entanto, a consultoria destaca que a China ainda é o destino favorito de investidores que procuram rentabilidade em propriedades no exterior. Nos últimos 12 meses, o mercado de propriedades do país atraiu US$ 30 bilhões em investimentos externos.

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

Mercado de grandes propriedades no Brasil atinge recorde, diz estudo

Um estudo elaborado por uma empresa especializada no mercado imobiliário mundial afirma que o setor brasileiro seguiu “pegando fogo” no terceiro trimestre de 2011, apesar de alguns movimentos de retração no continente americano.

Um relatório divulgado na segunda-feira pela consultoria Real Capital Analytics (RCA), baseada em Nova York, afirma que o volume de vendas de propriedades no Brasil atingiu o recorde de US$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre de 2011.

A pesquisa da RCA analisa vendas de propriedades em 37 países com valores acima de US$ 10 milhões – na maioria, grandes propriedades como terrenos, prédios comerciais, industriais, residenciais e hotéis.

Na região das Américas, o estudo afirma que o volume de vendas de propriedades cresceu 35% no terceiro trimestre do ano na comparação com o mesmo período do ano anterior.

No entanto, o desempenho nos países americanos no terceiro trimestre foi mais fraco do que durante o resto de 2011. O ritmo de crescimento nas vendas de propriedades caiu pela metade no terceiro trimestre.

A desaceleração na região foi provocada por um movimento de baixa no mercado de hipotecas nos Estados Unidos. Já a América Latina e o Brasil permanecem com o mercado aquecido, segundo a RCA.

“A América Latina é o único local [da região] com momento positivo. O Brasil continuou pegando fogo, com o volume no terceiro trimestre atingindo o recorde de US$ 3,5 bilhões, logo atrás do Canadá, que está em desaquecimento”, afirma o relatório da empresa, que também destaca movimentos positivos no Chile e no México.

Estrangeiros na China e no Brasil

De acordo com o levantamento, o volume de vendas de propriedades cresceu 34% em todo o mundo no terceiro trimestre de 2011, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A RCA diz que o volume total de vendas de propriedades em 2011 – US$ 568 bilhões – já é superior a todo o ano de 2008, quando estourou a bolha imobiliária nos Estados Unidos.

O relatório também afirma que o Brasil e a China continuam sendo destinos preferidos de investidores que buscam aplicações em propriedades no exterior.

“Nos ricos dias de 2007, mercados emergentes – especialmente os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) – eram um alvo preferencial de investidores estrangeiros em busca de rentabilidade”, afirma o relatório da RCA. “Mas riscos no exterior, que antes pareciam mínimos, aumentaram com a instabilidade financeira e turbulências políticas.”

“Para os investidores de hoje que investem em propriedades comerciais no exterior, a antiga solidez dos BRICs parece estar se desmanchando. China e Brasil continuam sendo grandes alvos de investimentos, mas investimentos na Índia retraíram, e a Polônia ultrapassou a Rússia como mercado mais atraente na Europa, Oriente Médio e África.”

Segundo a RCA, a predominância do Brasil na América Latina ocorre não só pelo tamanho do seu mercado, mas porque houve “avanços claros nas condições de mercado para os investidores”.

No entanto, a consultoria destaca que a China ainda é o destino favorito de investidores que procuram rentabilidade em propriedades no exterior. Nos últimos 12 meses, o mercado de propriedades do país atraiu US$ 30 bilhões em investimentos externos.

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

BNDES impulsiona maior presença brasileira na América Latina

Há algo em comum em vários projetos de infraestrutura da América do Sul. Projetos que vão da ampliação do metrô de Caracas à construção da uma estrada na Bolívia, passando pela criação de uma hidroelétrica no Peru. Os três têm financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Ampliando o crédito a empresas brasileiras, o banco vem permitindo uma expansão nunca vista das multinacionais do Brasil na região.

Segundo cifras do BNDES, seus empréstimos para financiar obras de companhias brasileiras na América Latina e Caribe cresceram 1.082% entre 2001 e 2010.

A instituição prevê que este ano seus investimentos na região cheguem a cerca de US$ 860 milhões (um novo aumento em relação ao ano prévio), boa parte deles concentrados na América do Sul.

Além disso, o papel do banco estatal também parece despertar questionamentos. Para alguns, esse papel vai muito além do aspecto comercial ou econômico.

“O BNDES é claramente um instrumento brasileiro para ganhar poder e influência na região”, afirmou o especialista em América Latina Thiago de Aragão, do centro de análises Arko Advide, com sede em Brasília.

Internacionalização

Uma pergunta essencial é sobre a exata estratégia internacional do BNDES.

A questão ganhou relevância diante de polêmicas recentes em torno de alguns projetos regionais de empresas brasileiras financiadas pelo banco.

“O BNDES é claramente um instrumento brasileiros para ganhar poder e influência na região “

Thiago de Aragão, especialista em América Latina do centro de análises Arko Advice

Um deles foi a construção de uma estrada na Bolívia, executada pela empreiteira OAS. O projeto foi interrompido pelo governo de Evo Morales após uma onda de protestos de grupos indígenas, descontentes com o fato de a via passar por uma reserva ambiental.

“Não é um empréstimo direto para os países. Os empréstimos são oferecidos para as empresas brasileiras que se instalam ou têm projetos em outros países”, explicou o embaixador Rubens Barbosa, que preside o conselho do comércio exterior da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo).

A superintendente de Comércio Exterior do BNDES, Luciane Machado, disse que o objetivo é “apoiar a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras na região.”

Em entrevista à BBC, ela afirmou que os negócios que sustentam o banco são feitos respeitando “as soberanias locais e os processos eleitorais dos respectivos governos”.

Mas ela admitiu que a maior inserção das empresas brasileiras em outros países pode dar ao Brasil “mais visibilidade e uma interlocução melhor na região”.

“Agora, não estou de acordo com a ideia de que façamos essas operações para conquistar esse tipo de resultado.”

Chineses

O financiamento do BNDES para exportar bens e serviços brasileiros se realiza a taxas de interesse que muitos vêm como diferenciadas, para dar competitividade às empresas brasileiras.

No entanto, a superintendente da instituição também rechaça essa afirmação, argumentando que “os interesses que cobra o banco se baseiam na taxa Libor” e são ajustados de acordo com o risco da operação.

Na Bolívia, projeto com financiamento do BNDES foi alvo de protestos por parte dos indígenas

“Em alguns casos podem chegar a 7% e em outros podem ser mais, não é uma taxa fixa.”

Um argumento do BNDES é que seu apoio permite às empresas brasileiras competir em licitações com outras multinacionais que também têm respaldo de seus respectivos países.

“Se o Brasil não for capaz de financiar por meio do BNDES as exportações de bens e serviços, os chineses certamente vão fazer isso. Os espanhóis fizeram isso por muito tempo” e “os americanos tradicionalmente com o banco Ex-im”, disse Machado.

O apoio do banco brasileiro costuma significar uma vantagem comparativa para as companhias nacionais frente a outras de países latinoamericanos que precisam de instrumentos similares.

‘Imagem expansionista’

“É lamentável que outros países não tenham um instituto como o BNDES, que é uma importante maneira de alavancar as empresas brasileiras”, afirmou o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso em entrevista à BBC.

“Institucionalmente, o Brasil se programou melhor que os outros países para isso.’

Além disso, alguns questionam o fato de o Estado brasileiro promover empresas privadas do país no exterior.

“Se o Brasil não for capaz de financiar por meio do BNDES as exportações de bens e serviços, os chineses certamente vão fazer isso”

Luciane Machado, superintendente de Comércio Exterior do BNDES

O ex-presidente boliviano Carlos Mesa disse, em julho, que esse “casamento” privado-estatal brasileiro “é perigoso e cria uma imagem expansionista”, de acordo com uma reportagem do jornal Valor Econômico.

O BNDES foi criado em 1952 para apoiar o desenvolvimento do Brasil, mas seus financiamentos a obras de infraestrutura da região são bastante recentes.

Trampolim

O aumento desses empréstimos ocorreu principalmente durante os governos do PT, primeiro com Lula e agora com Dilma Rousseff.

O BNDES possui hoje uma carteira de US$ 17,2 milhões para o financiamento de obras de infraestrutura na América Latina.

Essa capacidade financeira tem servido como trampolim para o crescimento no exterior de empresas nacionais como a Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht.

O banco financia projetos em toda a América Latina, desde gasodutos na Argentina até portos no Pacífico. Além de apoiar empresas brasileiras em Cuba e na República Dominicana e até no continente africano.

Aragão, da Arko Advice, afirma que um requisito básico do BNDES para apoiar projetos é a viabilidade financeira dos mesmos, mas a estratégia por trás é sobre tudo geopolítica.

“O interesse número um do Brasil é se colocar como o país mais influente da região e fazer com que os vizinhos reconheçam o Brasil com um instrumento de desenvolvimento regional. E o BNDES é o instrumento perfeito para isso.”

Economia americana tem falta de mão-de-obra especializada

BNDES impulsiona maior presença brasileira na América Latina

Há algo em comum em vários projetos de infraestrutura da América do Sul. Projetos que vão da ampliação do metrô de Caracas à construção da uma estrada na Bolívia, passando pela criação de uma hidroelétrica no Peru. Os três têm financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Ampliando o crédito a empresas brasileiras, o banco vem permitindo uma expansão nunca vista das multinacionais do Brasil na região.

Segundo cifras do BNDES, seus empréstimos para financiar obras de companhias brasileiras na América Latina e Caribe cresceram 1.082% entre 2001 e 2010.

A instituição prevê que este ano seus investimentos na região cheguem a cerca de US$ 860 milhões (um novo aumento em relação ao ano prévio), boa parte deles concentrados na América do Sul.

Além disso, o papel do banco estatal também parece despertar questionamentos. Para alguns, esse papel vai muito além do aspecto comercial ou econômico.

“O BNDES é claramente um instrumento brasileiro para ganhar poder e influência na região”, afirmou o especialista em América Latina Thiago de Aragão, do centro de análises Arko Advide, com sede em Brasília.

Internacionalização

Uma pergunta essencial é sobre a exata estratégia internacional do BNDES.

A questão ganhou relevância diante de polêmicas recentes em torno de alguns projetos regionais de empresas brasileiras financiadas pelo banco.

“O BNDES é claramente um instrumento brasileiros para ganhar poder e influência na região “

Thiago de Aragão, especialista em América Latina do centro de análises Arko Advice

Um deles foi a construção de uma estrada na Bolívia, executada pela empreiteira OAS. O projeto foi interrompido pelo governo de Evo Morales após uma onda de protestos de grupos indígenas, descontentes com o fato de a via passar por uma reserva ambiental.

“Não é um empréstimo direto para os países. Os empréstimos são oferecidos para as empresas brasileiras que se instalam ou têm projetos em outros países”, explicou o embaixador Rubens Barbosa, que preside o conselho do comércio exterior da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo).

A superintendente de Comércio Exterior do BNDES, Luciane Machado, disse que o objetivo é “apoiar a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras na região.”

Em entrevista à BBC, ela afirmou que os negócios que sustentam o banco são feitos respeitando “as soberanias locais e os processos eleitorais dos respectivos governos”.

Mas ela admitiu que a maior inserção das empresas brasileiras em outros países pode dar ao Brasil “mais visibilidade e uma interlocução melhor na região”.

“Agora, não estou de acordo com a ideia de que façamos essas operações para conquistar esse tipo de resultado.”

Chineses

O financiamento do BNDES para exportar bens e serviços brasileiros se realiza a taxas de interesse que muitos vêm como diferenciadas, para dar competitividade às empresas brasileiras.

No entanto, a superintendente da instituição também rechaça essa afirmação, argumentando que “os interesses que cobra o banco se baseiam na taxa Libor” e são ajustados de acordo com o risco da operação.

Na Bolívia, projeto com financiamento do BNDES foi alvo de protestos por parte dos indígenas

“Em alguns casos podem chegar a 7% e em outros podem ser mais, não é uma taxa fixa.”

Um argumento do BNDES é que seu apoio permite às empresas brasileiras competir em licitações com outras multinacionais que também têm respaldo de seus respectivos países.

“Se o Brasil não for capaz de financiar por meio do BNDES as exportações de bens e serviços, os chineses certamente vão fazer isso. Os espanhóis fizeram isso por muito tempo” e “os americanos tradicionalmente com o banco Ex-im”, disse Machado.

O apoio do banco brasileiro costuma significar uma vantagem comparativa para as companhias nacionais frente a outras de países latinoamericanos que precisam de instrumentos similares.

‘Imagem expansionista’

“É lamentável que outros países não tenham um instituto como o BNDES, que é uma importante maneira de alavancar as empresas brasileiras”, afirmou o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso em entrevista à BBC.

“Institucionalmente, o Brasil se programou melhor que os outros países para isso.’

Além disso, alguns questionam o fato de o Estado brasileiro promover empresas privadas do país no exterior.

“Se o Brasil não for capaz de financiar por meio do BNDES as exportações de bens e serviços, os chineses certamente vão fazer isso”

Luciane Machado, superintendente de Comércio Exterior do BNDES

O ex-presidente boliviano Carlos Mesa disse, em julho, que esse “casamento” privado-estatal brasileiro “é perigoso e cria uma imagem expansionista”, de acordo com uma reportagem do jornal Valor Econômico.

O BNDES foi criado em 1952 para apoiar o desenvolvimento do Brasil, mas seus financiamentos a obras de infraestrutura da região são bastante recentes.

Trampolim

O aumento desses empréstimos ocorreu principalmente durante os governos do PT, primeiro com Lula e agora com Dilma Rousseff.

O BNDES possui hoje uma carteira de US$ 17,2 milhões para o financiamento de obras de infraestrutura na América Latina.

Essa capacidade financeira tem servido como trampolim para o crescimento no exterior de empresas nacionais como a Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht.

O banco financia projetos em toda a América Latina, desde gasodutos na Argentina até portos no Pacífico. Além de apoiar empresas brasileiras em Cuba e na República Dominicana e até no continente africano.

Aragão, da Arko Advice, afirma que um requisito básico do BNDES para apoiar projetos é a viabilidade financeira dos mesmos, mas a estratégia por trás é sobre tudo geopolítica.

“O interesse número um do Brasil é se colocar como o país mais influente da região e fazer com que os vizinhos reconheçam o Brasil com um instrumento de desenvolvimento regional. E o BNDES é o instrumento perfeito para isso.”