por master | 20/10/11 | Ultimas Notícias
Menos pessoas estão interessadas em fazer parte da força de trabalho neste ano. Nos oito primeiros meses de 2011, a População Economicamente Ativa (PEA) – soma das pessoas ocupadas e à busca de emprego – avançou apenas 1,2% sobre igual período de 2010, considerando-se a média dos dois intervalos analisados, chegando a 24,1 milhões de pessoas em agosto passado nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2010, a PEA havia se expandido 2% em igual ordem, segundo cálculos da LCA Consultores feitos a pedido do Valor com base na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
O crescimento deste ano é o menor desde 2006, com exceção do ano de 2009, com o qual praticamente empata – é apenas 0,1 ponto percentual acima do verificado há dois anos na mesma comparação.
As fracas variações de 2009 e 2011, no entanto, são causadas por motivos diferentes, explicam analistas. Há dois anos, o pessimismo em relação à situação econômica do país desestimulava a busca por emprego – os desempregados viam poucas chances de conseguir uma ocupação. Agora, o aumento da renda familiar faz parecer desnecessário aos olhos dos jovens a entrada no mercado de trabalho.
O bom momento vivido pelos trabalhadores pode ser mensurado pelo chamado desemprego pelo desalento, contingente contabilizado nas pesquisas como pessoas que precisam trabalhar, mas que desistiram de procurar emprego por um certo período, motivadas pela descrença em conseguir uma vaga, ou por algum outro impedimento que foge de seu controle.
Em agosto passado, 185 mil estavam nessa condição no total das sete regiões pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em igual mês de 2009, esse número era de 338 mil, após ter atingido o pico em março daquele ano (368 mil). O cálculo do Dieese leva em conta pessoas que buscam trabalho com poucas interrupções nos últimos 12 meses.
Assim como os “desalentados”, também está diminuindo a participação de jovens que têm como preocupação encontrar um emprego para ajudar a família durante a faculdade. A parcela de componentes da PEA com idade entre 18 e 24 anos, que chegou a ser de 19,3% em agosto de 2003, caiu para 14,9% em igual mês deste ano, segundo dados do IBGE. Também diminuiu, ainda que em ritmo mais brando, a participação do grupo de 15 a 17 anos na PEA, de 3% em agosto de 2003 para 1,8% no mesmo mês de 2011.
Pelo seu perfil, a redução no ritmo de crescimento da PEA não preocupa a economista Lúcia Garcia, coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese. “Por enquanto, a expectativa formada pelos trabalhadores é de uma economia robusta”. Segundo ela, o movimento atual da PEA é um ajuste após a recuperação do nível de renda e do emprego, e não há risco de um retrocesso à situação do mercado de trabalho do fim dos anos 90.
“A renda está em um patamar de crescimento real importante, o que pode impedir que mais membros da família procurem um emprego”, observa o economista Fábio Romão, da LCA. Após três meses seguidos subindo 4% na comparação anual, o rendimento médio real dos trabalhadores diminuiu o avanço nessa base para 3,2% em agosto, percentual ainda significativo. A projeção da consultoria é que o rendimento médio real encerre 2011 com expansão de 3,4% sobre 2010, quando o crescimento foi de 3,8%.
Essa “bonança”, no entanto, não deve dificultar a contratação de mão de obra temporária no fim do ano, diz Romão, já que, em sua opinião, a desaceleração da atividade econômica em curso deve diminuir a demanda dos setores por esse tipo de trabalhador.
Ele cita como sinal de procura mais fraca por funcionários temporários o comportamento da indústria, cujas contratações feitas em função das festas de fim de ano começam em agosto.
Em agosto deste ano o saldo de vagas nas fábricas foi de 37,9 mil, frente os 72,1 mil postos criados em igual mês de 2010. “O número deste ano é fraco para a contratação da indústria no mês”, sustenta o economista.
Para Lúcia, os setores que precisam de mão de obra temporária terão que oferecer um incentivo a mais para recrutar pessoal neste ano. “Para abrir mão de trabalhar menos, é preciso que a pessoa enxergue uma oportunidade como uma renda maior, e esse será um grande mecanismo de ajuste daqui para frente”, opina. “O mercado mostra para o trabalhador que a renda deve cair. Em um momento de estabilidade da PEA, é preciso sinalizar que a renda vai aumentar.”
por master | 20/10/11 | Ultimas Notícias
Levantamento trimestral feito pela consultoria Grant Thornton mostra que 74% dos empresários brasileiros pretendem aumentar os salários de seus funcionários nos próximos doze meses. O índice é 12 pontos percentuais menor do que o dado apurado na pesquisa realizada no segundo trimestre. Porém, está bem acima da média global (62%) entre os 39 países avaliados periodicamente pela consultoria.
No entanto, dos entrevistados que pretendem elevar os salários, apenas 30% disseram que o aumento deve ser acima da inflação. Ainda assim, o índice é 10 pontos superior ao do último trimestre.
Em comparação com outros países, 35% das empresas na Austrália vão aumentar salários acima da inflação, 33% na Índia e 29% na África do Sul. Por outro lado, nenhuma das empresas irlandesas, gregas e armênias dará aumento maior que a inflação.
“Há muita incerteza por conta de crise na zona do euro e nos Estados Unidos. O impacto na economia brasileira é ainda limitado e os especialistas veem menor expansão econômica do país. Ainda assim, salários justos são prioridade para os empresários brasileiros, um excelente sinal para o consumo interno”, avalia Javier Martínez, responsável pelo do International Business Report (IBR) da Grant Thornton na América Latina.
Argentina, Austrália Chile, Bélgica, Canadá, Tailândia e Turquia são destaques, todos com 92% dos empresários dizendo que devem elevar a remuneração de seus funcionários para os próximos meses. Os países onde menos empresários pretendem reajustar os salários são Irlanda (14%), Japão (15%) e Grécia (20%).
Regionalmente, os países Nórdicos e a América Latina e (87% e 86%, respectivamente) apresentam o maior percentual de empresários que devem elevar os salários nos próximos doze meses. Em seguida aparece a Ásia (84%) e América do Norte (72%).
por master | 20/10/11 | Ultimas Notícias
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o Ministério Público do Trabalho, juntamente com outras entidades locais, estão liderando um movimento para banir completamente o uso do amianto no estado. A fibra mineral, considerada cancerígena, põe em risco a saúde dos trabalhadores das indústrias que lidam com o produto. Quando o pó de amianto é aspirado, há chance de desenvolver doenças pulmonares.
Também conhecido como asbesto, o mineral é empregado na fabricação de telhas de fibrocimento, em roupas resistentes ao fogo e em lonas de freios de veículos – só para citar alguns exemplos. Atualmente, o Paraná tem três grandes indústrias que utilizam o amianto. Outros estados, como São Paulo, já o proibiram. “As fábricas estão concentradas aqui. Viramos exportadores de amianto, ou seja, viramos ‘produtores de morte’”, disparou o procurador de Justiça Saint Clair Honorato Santos, um dos coordenadores da campanha contra a substância.
Ontem, em Curitiba, a Comissão Interinstitucional pelo Banimento do Amianto no Estado organizou dois eventos para discutir a questão. Pela manhã, houve uma audiência pública no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). À tarde, na sede do MP-PR, ocorreu o seminário “Por um Paraná sem amianto”. Em ambos os eventos, médicos, políticos e promotores palestraram sobre o tema.
Durante a audiência pública, empregados do setor de fibrocimento compareceram ao plenário da Alep, mas o uso da palavra lhes foi negado. De acordo com Saint Clair, são as empresas do setor que patrocinam as manifestações. Durante o seminário, um grupo de sindicalistas participou do evento, defendendo o uso seguro do amianto e não simplesmente seu banimento.
Adilson Santana, vice-presidente da Comissão Nacional dos Trabalhadores de Amianto, porém, diz que o risco de desenvolver doenças pelo uso da substância diminuiu bastante graças à modernidade das fábricas. “O Brasil hoje exporta tecnologia no uso controlado do amianto”, reiterou.
por master | 20/10/11 | Ultimas Notícias
Em decisão já esperada, o Copom reduziu Selic a 11,5%, o menor nível desde janeiro. Mercado espera nova redução no mês que vem
Sem surpresas, o Banco Central cortou ontem o juro básico da economia em 0,50 ponto porcentual, para 11,5% ao ano. De olho no cenário externo, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir pela segunda vez consecutiva a taxa Selic para amenizar os efeitos gerados por “um ambiente global mais restritivo”.
Apoiado pelo Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda, o BC acredita que a inflação deve cair nos próximos meses, o que abre espaço para tentar impedir que a economia sofra com uma parada brusca. No comunicado divulgado após a decisão, os diretores do BC afirmaram que o corte foi “moderado” e “é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012”. O novo patamar da taxa básica de juro é o menor desde janeiro, quando a Selic estava em 11,25%.
A aposta de mais uma redução do juro prevalecia entre os economistas e foi consolidada no início do mês após indicação dada pelo próprio presidente do BC, Alexandre Tombini. Há duas semanas, ele defendeu que reduções “moderadas” do juro, como a realizada em agosto, são suficientes para levar a inflação ao centro da meta no próximo ano. Para o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno, o comunicado do BC após a reunião dá a entender que haverá um novo corte de 0,5 ponto na próxima reunião, no fim de novembro.
Após a surpresa generalizada com a diminuição da taxa em 0,50 ponto em agosto, economistas passaram por um gradual processo de compreensão do chamado “novo BC” capitaneado por Tombini. Ao longo dos últimos 49 dias, o mercado entendeu que o Banco Central do governo de Dilma Rousseff trabalha com certa ousadia ao aceitar um pouco mais de inflação para não prejudicar muito a atividade econômica. Por isso, o mercado acredita que os cortes continuarão até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2012.
O BC aposta que a inflação cairá pelo menos 2 pontos porcentuais nos próximos meses porque a economia vai crescer menos, o que reduzirá a demanda interna e os preços de commodities.
Apesar de o mercado seguir preocupado com a inflação – o IPCA, índice oficial, acumula alta de 7,31% nos últimos 12 meses, bem acima do teto de 6,5% –, cresce entre os analistas a mesma percepção do governo de que a atividade econômica já está em ritmo lento.
CDB rende menos
O corte da Selic tornou um pouco menos atraentes aplicações muito comuns entre pequenos investidores, os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e fundos DI (pós-fixados). Simulação no site www.comdinheiro.com.br mostra que o rendimento de um fundo DI com taxa de administração de 2% ao ano vai encolher dos atuais 9,80% ao ano, com a Selic a 12%, para 9,31% ao ano. Esse retorno calculado não desconta o Imposto de Renda (IR), que varia de 15% a 22,5% ao ano.
No caso dos CDBs, muito oferecidos nas agências bancárias, uma aplicação de R$ 15 mil, que renderia R$ 1.246,40 no prazo de um ano, passa a render agora R$ 1.194,90. E quanto maior o prazo da aplicação, mais sensível fica o corte da Selic no retorno.
por master | 20/10/11 | Ultimas Notícias
Acordo com o Secovi não tem força de lei
DE SÃO PAULO
O Secovi (sindicato da habitação) assinou um acordo com o Ministério Público de São Paulo para orientar as construtoras a colocar, em contrato, cláusulas de indenização aos clientes em caso de atraso nas obras de imóveis comprados na planta.
Entre elas, o pagamento, se houver demora maior do que seis meses, de indenização de 2% sobre o valor do imóvel já pago pelo consumidor. E multa de 0,5% ao mês, sobre o mesmo valor, a partir do fim do prazo de tolerância. A lei prevê, em favor das construtoras, tolerância de seis meses para a entrega.
O acordo, no entanto, não tem força de lei. Trata-se de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Por isso, afirma o Secovi, o documento não pode obrigar as companhias ao pagamento -nem o sindicato tem poder para isso. “Nosso papel é estimular, nas empresas, boas práticas, mas não temos papel de fiscalização”, disse João Crestana, presidente do Secovi.
“O TAC não é lei, mas, sem dúvida, é um forte argumento em favor dos consumidores. E acredito que as empresas adotem as novas práticas”, diz Roberto Senise Lisboa, promotor de Justiça do Consumidor de São Paulo. Lisboa disse ainda que há construtoras investigadas por descumprimento da lei, mas não revelou nomes. “Nesses casos, as companhias serão chamadas a assinar TACs individualmente.”
(CAROLINA MATOS)
por master | 20/10/11 | Ultimas Notícias
TRE determina perda de mandato por acusação de ocultação de recursos de campanha; filho de Belinati deve assumir a vaga
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) cassou ontem o mandato do deputado estadual Bernardo Carli (PSDB) ao concluir que houve “caixa dois” na campanha do parlamentar nas eleições 2010. A decisão dos seis juízes do TRE foi unânime.
O deputado pode recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante o julgamento do recurso, Carli permanece em seu mandato. O deputado teve 33.645 votos e se elegeu segundo suplente de sua coligação. Ele assumiu uma cadeira na Assembleia em março, na vaga do deputado Osmar Bertoldi (DEM), que pediu licença médica. Em agosto, Bertoldi assumiu a Secretaria de Habitação da prefeitura de Curitiba.
O deputado cassado é filho do prefeito de Guarapuava, Fernando Carli (PP), e irmão do ex-deputado Fernando Carli Filho, que teve de renunciar ao seu mandato em 2009 depois de causar um acidente de trânsito em que duas pessoas morreram.
O processo de cassação de Carli nasceu de uma denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE), após análise das contas de campanha do deputado. Segundo o processo, Carli contratou e pagou em dinheiro 36 cabos eleitorais na cidade de Guarapuava. Porém, em sua prestação de contas, declarou que o trabalho teria sido voluntário. O MPE ouviu os cabos eleitorais e pelo menos dez confirmaram ter recebido dinheiro.
“Essa prática leva à conclusão de que o representado [Bernardo Carli] utilizou-se de ‘caixa dois’ em sua campanha”, disse o relator do processo, juiz Marcelo Malucelli. O MPE encaminhou ontem ao TRE requerimento pedindo imediata execução da decisão e que a Assembleia Legislativa seja oficiada com urgência para que emposse o próximo suplente da coligação.
Caso o TSE confirme a cassação de Carli, sua cadeira fica para o terceiro suplente da coligação, Antonio Carlos Belinati (PP), atual diretor comercial da Sanepar e filho do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati.
Outro lado
Ontem à tarde, o deputado Bernado Carli, estava em Guarapuava, sua base eleitoral na região central do estado, acompanhando o governador Beto Richa (PSDB) e outros líderes políticos da região em uma cerimônia oficial quando foi informado do resultado do julgamento. Ele não quis falar com a reportagem.
Segundo o advogado do parlamentar, Júlio Brotto, a decisão é injusta e a pena desproporcional ao delito de que tucano foi acusado. De acordo com Brotto, quem pagou os cabos eleitorais não foi Carli e sim a direção de um comitê eleitoral que abrigava outros cinco candidatos. O advogado não soube dizer quem eram estes candidatos.
“Respeitamos a decisão do TRE, mas não concordamos. Mesmo se fosse verdade, a gravidade do ato não justifica a cassação do mandato”, afirmou Brotto. Segundo o advogado, os valores gastos (cerca de R$ 15 mil, segundo o MPE) não teriam influenciado o resultado da campanha. Brotto afirmou também que vai aguardar a publicação do acórdão para decidir qual o recurso apropriado à defesa de Carli.
Segundo cassado
Carli é o segundo deputado estadual que perde o mandato no Paraná em menos de uma semana. Na última sexta-feira, o deputado Rasca Rodrigues (PV) teve a perda de mandato determinada pela Justiça Federal por irregularidades na concessão de licença ambiental para a construção da hidrelétrica de Mauá, no Rio Tibagi, quando ainda era presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Rasca está recorrendo da decisão. Se os tribunais superiores confirmarem a cassação, quem assume é o ex-secretário de saúde de Palmas, Dr. Kosmos (PV).