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Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho acolheu recurso interposto pelo espólio de um ex-empregado do Banco Bradesco S/A e restabeleceu sentença que condenou o banco a pagar indenização pelo exercício da atividade de transporte de valores. Para a Turma, ao desempenhar essa tarefa em carro próprio e sem treinamento adequado, o trabalhador foi submetido a riscos.

A ação trabalhista foi ajuizada pela esposa do trabalhador alguns meses depois da sua morte, em acidente de trânsito durante uma viagem de serviço. O ex-empregado foi admitido no Bradesco em janeiro de 2001 como escriturário, exerceu a função de caixa e, por último, de chefe de serviço. O término do vínculo ocorreu em 14/09/2005, com seu falecimento. Embora não fosse sua atribuição, transportava documentos e malotes para o banco com valores de R$ 30 mil, em média, para várias localidades da região de Cascavel (PR).

Apesar dos riscos inerentes à atividade, o transporte não era acompanhado por seguranças. Segundo a inicial da reclamação trabalhista, no dia do acidente, aceitou com relutância a ordem de buscar malote com dinheiro e documentos, mas, ao invés de sair pela manhã, como sempre fazia, saiu no final da tarde. No retorno, à noite, dirigindo com muita chuva numa estrada perigosa, a PR 180, perdeu a direção do carro numa curva e colidiu com uma árvore. Mesmo socorrido e levado para uma UTI, veio a falecer com 28 anos de idade.

Ainda de acordo com a inicial, o Bradesco não informou à família sobre o acidente nem prestou qualquer assistência na liberação do corpo e no funeral. A viúva, então, buscou a condenação do banco ao pagamento de pensão mensal para ela e a filha menor de idade em valor correspondente à ultima remuneração do marido (R$ 1.897,65) até que ele completasse 70 anos de idade e indenização por danos morais correspondente a 700 vezes o salário à época da morte. Apenas parte do pedidos foram acolhidos pela Segunda Vara do Trabalho de Cascavel (PR), que concedeu a indenização por transporte de valores, mas rejeitou a indenização por danos materiais e morais.

O Bradesco não se conformou e recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR). O TRT entendeu que, apesar de a Lei nº 7.102/1983 prever que a vigilância ostensiva e o transporte de valores devem ser executados por empresa especializada ou por pessoal próprio, aprovado em curso de formação de vigilante autorizado pelo Ministério da Justiça, a violação desse dispositivo não implicaria o pagamento da indenização, e sim a aplicação das penalidades previstas na lei em questão. Assim, reformou a sentença para excluir da condenação a referida indenização.

Ao analisar o recurso da viúva, a ministra Maria de Assis Calsing disse que as Turmas do TST têm entendido, em casos semelhantes, que a Lei nº 7.102/83 justifica o recebimento de indenização pelo empregado que desempenhe essa tarefa, pelo risco a que foi submetido. Citando precedentes das Turmas nesse sentido, a ministra acolheu o recurso e restabeleceu a sentença quanto a condenação ao pagamento da indenização.

(Lourdes Côrtes/CF)

Processo: RO-228900-15.2006.5.09.0069

Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

Copel é condenada a indenizar ex-empregado envolvido em escândalo de corrupção

Um ex-funcionário da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) receberá R$100 mil de indenização por danos morais por determinação da Justiça do Trabalho. Ele será recompensado pelo sofrimento e a humilhação que sofreu ao ser preso dentro da empresa acusado de envolvimento em crimes de formação de quadrilha, peculato e fraudes.

O escândalo, conhecido por “Copel/Olvepar”, revelou ao público em 2003 uma suposta operação irregular de transferência de créditos de ICMS entre as duas empresas no valor de R$45 milhões. Na ocasião, o então assessor jurídico da presidência da Copel recebeu ordem de prisão dentro da empresa, na frente dos colegas e de profissionais da imprensa.

Em seguida, o funcionário, com 27 anos de carreira na companhia, foi demitido por justa causa – ato depois convertido em dispensa sem justa causa em outra ação trabalhista. Com a exposição do seu nome e imagem nos noticiários dos principais veículos de comunicação do país, o ex-empregado, apesar de inocentado no caso, sentiu-se marcado pelo escândalo, e nunca mais advogou.

Na 10ª Vara do Trabalho de Curitiba (PR), a Copel foi condenada a pagar ao ex-empregado R$100 mil de indenização por danos morais. O Tribunal Regional do Trabalho do 9ª Região (PR) manteve a condenação por entender que os mandados de prisão preventiva dos acusados na operação seriam cumpridos nas residências dos envolvidos, o que não ocorreu com o empregado, que, mesmo de férias, foi chamado pela nova administração da empresa a prestar esclarecimentos a representantes do Ministério Público na sede da companhia, quando ocorreu a prisão. Para o TRT, a empresa abusou do seu poder de direção ao favorecer a prisão do trabalhador naquelas condições e ao exigir a sua anuência em contratos irregulares.

Os recursos ao TST

Esse resultado não agradou à empresa nem ao empregado. No recurso de revista que apresentou ao TST, a Copel alegou que a prisão ocorrera por determinação judicial, a requerimento do Ministério Público, e que, portanto, a empresa não poderia causar embaraços ao cumprimento da ordem judicial, tampouco coibir o trabalho de divulgação da imprensa. Pediu a reforma da obrigação de indenizar o ex-empregado ou, pelo menos, a redução do valor arbitrado.

Entretanto, o relator do processo na Sexta Turma, ministro Maurício Godinho Delgado, não conheceu do recurso da empresa, pois considerou que as provas dos autos foram bem apreciadas pelo Regional: o TRT concluiu que o empregado sofrera dano moral com a prisão dentro do estabelecimento em que trabalhava e na frente dos colegas sob a acusação de improbidade. Para decidir de forma diferente, explicou o relator, seria necessário o reexame das provas, o que não é possível no âmbito do TST.

Em relação ao valor de R$100 mil fixado na sentença de origem e mantido pelo TRT, o ministro Godinho observou que a decisão respeitou os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Os demais integrantes da Turma acompanharam o entendimento do relator.

Já a defesa do trabalhador requereu o aumento da indenização de R$100 mil, equivalente a oito salários do empregado na época do desligamento, para duzentas vezes o salário, tendo em vista o nível cultural do profissional e a gravidade da lesão e sua repercussão. Mais uma vez, o relator rejeitou o recurso – decisão que foi unânime na Sexta Turma.

Segundo o ministro Godinho, não há na legislação em vigor definição de valores a serem pagos em situações de dano moral, cabendo ao julgador fixar a quantia, levando em conta, entre outros fatores, a equivalência entre a gravidade da lesão e o valor monetário da indenização. O relator ponderou que o TST costuma rever a quantia fixada nas instâncias ordinárias a título de indenizações apenas para reprimir valores muito altos ou irrisórios, diferentemente do caso em discussão. Ele ressaltou que o padrão norte-americano de “indenizações estratosféricas” é diferente do padrão dos tribunais brasileiros, e que o valor estava proporcional. “Nesta Turma, o valor (de R$100mil) é alto”, afirmou.

Durante julgamento, o presidente da Turma, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, destacou que quem mandou prender o trabalhador não foi o empregador. “Tivemos prisões midiáticas das mais contestadas no Brasil”, acrescentou. Também integrante da Sexta Turma, o ministro Augusto César Leite de Carvalho não tem dúvida de que o ex-empregado da Copel viveu um drama, mas declarou que não possuía elementos para dizer que o valor fixado era desproporcional, pois o TRT apontou parcial responsabilidade do advogado nos fatos que conduziram à atuação policial.

(Lilian Fonseca/CF)

Processo: RR-1586700-25.2005.5.09.0010

Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

Padaria indenizará grávida obrigada a esperar horas para receber salários

A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu do recurso de uma panificadora, e dessa forma, manteve condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) ao pagamento de danos morais no valor de R$ 7 mil a uma empregada que, durante a gravidez, era obrigada a ficar por horas esperando do lado de fora da empresa para entregar os atestados médicos. Logo após o nascimento de seu filho e, portanto durante o período de licença- maternidade, a panificadora continuou a dispensar o mesmo tratamento à empregada quando ela ia receber seu salário.

Para o relator, ministro Lelio Bentes Corrêa, “acertadamente a empregada se sentia humilhada” por estar apenas cumprindo o que determina a lei, justamente durante o período na vida de uma mulher em que “a sensibilidade aflora e os efeitos da humilhação são sentidos de forma mais veemente.” O ministro observou que este é mais um dos exemplos de como a conduta empresarial viola os direitos da personalidade dos trabalhadores.

No recurso de revista analisado na Turma, a panificadora buscava reformar a decisão regional, que havia elevado de R$ 2,5 mil para R$ 7 mil o valor do dano moral fixado pela Vara do Trabalho. Ainda segundo o relator, a decisão regional foi razoável, pois levou em conta a capacidade financeira do ofensor.

A Turma, por unanimidade, não aceitou os argumentos da panificadora de que o valor deveria ser revisto pois fugia aos limites da proporcionalidade e razoabilidade, por se tratar de “empresa familiar de pequeno porte”. Considerou ainda inservíveis as decisões supostamente divergentes apresentadas para confronto de tese, pois tinham como origem Turmas do TST, em discordância com o disposto no artigo 896, alínea “a”, da CLT, que exige divergência com decisões de Tribunais Regionais.

(Dirceu Arcoverde/CF)

Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

Ascensão financeira abrange 71,9% das famílias brasileiras, divulga Ipea

O Índice de Expectativa das Famílias (IEF) divulgado, na última segunda-feira (10), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que em setembro, 71,9% das famílias brasileiras indicaram estar melhor financeiramente hoje do que há um ano, percentual ligeiramente inferior ao apresentado no mês anterior (73,8%). Esta queda é verificada no aumento da proporção de famílias que acreditam terem piorado financeiramente, de 22,7% para 23,7%.

A região Centro-Oeste manteve-se a mais otimista no aspecto de melhoria financeira em relação ao ano anterior (83,5%), com quase 10 pontos percentuais a mais em relação à segunda maior, a região Sudeste (73,8%). Enquanto o Centro-Oeste apresentou uma elevação de quase 4 pontos percentuais frente ao mês de agosto, a região Sudeste caiu de 79,2% para 73,8%.

No quesito expectativa sobre a situação financeira das famílias para o próximo ano, a região Norte é a que se mantém mais otimista (92,7%), apesar de uma leve queda em relação aos dados de setembro de 2010 (94,7%).

A pesquisa indica ainda que, nesse mesmo período, o Centro-Oeste, que em outras variáveis vem se mostrando a região mais otimista, demonstrou um salto considerável de expectativas positivas quanto à situação financeira das famílias para os próximos 12 meses, passando de 71,6% para 92,6% entre setembro de 2010 e setembro de 2011.

A média nacional em relação à situação das famílias para o próximo ano (77,8%) e as taxas das regiões Sul (70,3%), Sudeste (75,2%) e Nordeste (77,4%) apresentaram quedas em relação ao mês anterior. A redução mais expressiva foi de 6,2 pontos percentuais, registrada na região Sudeste. A região Sul manteve-se como a menos otimista quanto à situação financeira das famílias para os próximos 12 meses, diz o estudo.

Produzido pelo Ipea desde agosto do ano passado, o IEF revela a percepção das famílias brasileiras em relação à situação socioeconômica do país para os próximos 12 meses e para os cinco anos seguintes. A pesquisa aborda temas como situação econômica nacional; condição financeira passada e futura; decisões de consumo; endividamento e condições de quitação de dívidas e contas atrasadas; mercado de trabalho, especialmente nos quesitos segurança na ocupação e sentimento futuro de melhora profissional.

O IEF é uma pesquisa estatística mensal por amostragem, realizada em 3.810 domicílios de mais de 200 municípios de todo o país, com margem de erro de 5%. A escala de pontuação de expectativas das famílias vai de 0 a 100 e segue as seguintes indicações: grande pessimismo, de 0 a 20 pontos; pessimismo, de 20 a 40 pontos; moderação, de 40 a 60 pontos; otimismo, de 60 a 80 pontos; grande otimismo, de 80 a 100 pontos.

Fator socioeconômico

Os brasileiros permanecem otimistas em relação à situação socioeconômica do país, aponta a pesquisa. Apesar de o índice apurado em setembro (63,1 pontos) ser 2,1 pontos inferior ao apurado no mês de agosto, a avaliação é de que o brasileiro continua otimista.

A ligeira queda da média nacional (2,1 pontos) refletiu a diminuição dos índices regionais em relação a agosto no Norte, Nordeste e Sudeste. A região Norte apresentou uma diminuição de 4,1 pontos, com 57,1 pontos em setembro, a menor média registrada desde a criação do índice, marcando o retorno do grau de expectativa das famílias de otimista para moderadamente otimista, similar ao ocorrido em julho.

Enquanto isso, as regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram elevação do otimismo. A região Sul obteve uma elevação de 4,3 pontos em relação ao mês anterior e volta a demonstrar índice acima de 60 pontos, passando de moderadamente otimista para otimista. O Centro-Oeste continua sendo a região em que as famílias têm expectativas mais otimistas, com 74,9 pontos, 1,9 ponto a mais que em agosto.

Renda e escolaridade

O otimismo sobre o futuro do Brasil é uma característica geral, apesar de algumas variações de acordo com renda e escolaridade. De acordo com o estudo, o grupo com renda de quatro a cinco salários mínimos é o mais confiante sobre as expectativas econômicas do Brasil pelos próximos 12 meses (63,03%). Por sua vez, a faixa da população com renda até um salário mínimo tem a menor expectativa positiva para os próximos 12 meses (55,53%). Apesar disso, em setembro, essa porcentagem subiu 1,73 ponto percentual em relação ao mês de agosto (53,8%).

Quanto à escolaridade, nota-se maior otimismo na faixa da população com ensino médio incompleto (67,58%). Aqueles que não possuem escolaridade ou que têm nível superior ou pós-graduação apresentam, aproximadamente, 37% de expectativas negativas para os próximos 12 meses.

Observa-se uma queda de aproximadamente 7 e 5 pontos percentuais para os grupos sem escolaridade e com fundamental incompleto, respectivamente. Assim como a expectativa sobre a situação econômica financeira para os próximos 12 meses, a população com ensino médio incompleto apresentou a expectativa mais otimista para a situação financeira da família daqui a um ano, com 83,33%.

A pesquisa mostra que, em setembro, as expectativas otimistas aumentaram na proporção em que o salário era mais elevado, apresentando o seu menor índice (69,42%) entre aqueles que ganham até 1 salário mínimo e o mais alto (87,14%) entre aqueles que recebem mais de 10 salários mínimos.

Bens duráveis

A pesquisa aponta que 53,5% das famílias brasileiras afirmam que o momento é propício para compra de bens duráveis, contra 41,1% que acham que o momento não é o ideal, de acordo com dados do IEF. As regiões Norte e Sul apresentam expectativas pessimistas maiores do que as otimistas sobre o momento para comprar bens duráveis, com índices de 63,3% e 54,1%, respectivamente para cada região.

O Nordeste é a região com maior percentual de otimismo (62,4%), seguida da Centro-Oeste (56,8%) e Sudeste (56,1%). O índice de otimismo na região Norte (32,7%) ainda é menor do que o registrado entre aqueles que consideram um mau momento para a compra de bens duráveis no Nordeste (34,9%).

A menor diferença entre opiniões otimistas e pessimistas encontra-se na média nacional, 12,4 pontos percentuais. Na região Centro-Oeste, os otimistas apresentam uma diferença de 30,1 pontos percentuais frente àqueles que consideram um mau momento.

A pesquisa sobre o grau de endividamento frente à renda familiar manteve-se praticamente igual ao mês anterior, com 9% considerando-se muito endividados e 52,4% declarando não possuir dívidas. A região Centro-Oeste tem a maior proporção de famílias sem dívidas a pagar (82,1%), seguida da Sudeste (62,2%) e da Sul (47,6%).

A região Norte tem uma situação razoavelmente equilibrada entre os grupos que afirmam não possuir dívidas (35,3%), ser pouco endividado (20,3%) e ser “mais ou menos” endividados (32,7%). A região Nordeste possui o maior índice de famílias que estão com dívidas, com 13,6% entre as muito endividadas, quase 4 pontos percentuais acima da média nacional.

Aproximadamente 15,2% das famílias brasileiras afirmam que, embora tenham contas atrasadas, terão condições de quitá-las totalmente e 54,9% poderão quitá-las parcialmente. Das famílias entrevistadas, 28,7% dizem não ter condições de pagar suas contas atrasadas. A região com maior percentual de famílias que não terão tais condições é a Norte, com 40,4%, seguida pela Sudeste, com 31,4%.

A pesquisa constatou ainda que 6,6% das famílias entrevistadas planejavam tomar empréstimo ou financiamento para adquirir algum bem nos próximos três meses – valor ligeiramente maior do que o do mês de agosto.

A proporção de famílias que esperam tomar empréstimos é maior no Nordeste (9,7%), sendo 3 pontos percentuais maior que a região Sul (6,7%) – a segunda maior proporção – e 7 pontos percentuais maior que a região Norte (2,7%), que tem a menor inclinação para tomar financiamento ou empréstimo pelos próximos três meses. 

 

Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

Fim do fator previdenciário exigirá mobilização, diz ministro da Previdência

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho afirmou, na última terça-feira (11), que o governo só conseguirá encontrar uma saída para o fim do fator previdenciário com a ajuda de parlamentares, sindicatos de aposentados e centrais sindicais.

“Enquanto estiver como ministro da Previdência, não sossegarei até pôr fim ao fator previdenciário”, disse. Segundo ele, é essencial encontrar uma alternativa para o atual dispositivo – que gerou, até hoje, uma economia de R$ 31 bilhões para a Previdência.

Garibaldi Alves participou da sessão solene em homenagem aos 26 anos da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap).

O fator previdenciário é uma fórmula usada para calcular o valor das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e tem o objetivo de evitar que trabalhadores se aposentem cedo.

Os parlamentares presentes à sessão fizeram coro sobre a necessidade do fim do fator e cobraram a aprovação do PL 3.299/08, do senador Paulo Paim (PT-RS), que trata sobre o tema. Segundo Faria de Sá, a Câmara não tem se preocupado em votar a medida. “Quero cobrar desta Casa: tenha vergonha, respeite os aposentados e pensionistas deste país”, disse.

Paim afirmou que o fator previdenciário é um crime contra os mais pobres. “Se conseguirmos nos mobilizar, vamos garantir o fim do fator e o reajuste real dos aposentados”, disse.

O deputado Assis Melo (PCdoB-RS) também defendeu o fim do dispositivo. “Do ponto de vista do movimento sindical, temos que acabar com o fator previdenciário e depois buscar uma alternativa para ele. A ideia de que para usar um direito, o trabalhador tem de abrir mão de outro, e para se aposentar, tem de abrir mão de parte do salário, é um absurdo que só acontece aqui no Brasil. É por isso que estamos nessa luta”.

Recomposição das aposentadorias

Outra cobrança dos deputados foi a aprovação do PL 4.434/08, também de Paim. A proposta cria um índice de correção previdenciária para garantir o reajuste dos benefícios da Previdência de acordo com o aumento do valor mínimo.

Segundo dados da Cobap, de 1991 a 2010, cerca de 4,6 milhões de aposentados tiveram perdas salariais que reduziram o valor recebido para um salário mínimo.

Marçal Filho afirmou que a redução salarial é uma “tremenda crueldade” contra quem recolheu determinado número de salários e agora recebe bem menos. De acordo com ele, é necessário entender que os aposentados e pensionistas não podem esperar “indefinidamente” pela mudança na legislação.

Quarta Turma reconhece risco em transporte de valores

Aviso prévio de 90 dias: empresários avaliaram que perda poderia ser maior

Matéria publicada na revista Istoé Dinheiro, edição 729, de 23 de setembro, assinada pela jornalista Denize Bacoccina explicita os bastidores do debate que levou a Câmara a aprovar, em tempo recorde, projeto de lei do ano de 1989 sobre a regulamentação do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.

“Essa decisão não era a ideal, mas, dentro das circunstâncias, era a que melhor se ajustava aos interesses do empresariado”, avaliou o gerente-executivo da área jurídica da CNI, Cássio Borges. “O receio era de que o Supremo poderia decidir algo muito pior”, completa.

“O ministro Marco Aurélio Mello sugeriu dez dias adicionais para cada ano de trabalho, o que daria um total de 300 dias para quem fosse demitido depois de 30 anos de casa. Diante do risco, os empresários foram ao Congresso pressionar pela regulamentação do artigo constitucional, que prevê um mínimo de 30 dias de aviso-prévio. Com a mudança, que só depende de sanção presidencial, empresas que já pagam 102,6% sobre a folha de pagamento em impostos, encargos e tributos terão custos maiores”, acrescenta a matéria da revista.

Leia a íntegra da matéria publicada na revista Istoé Dinheiro:

A quem interessa o aviso-prévio de 90 dias?

Nº edição: 729 | 23.SET.11 – 21:00

Com a situação de pleno emprego no País, o poder está nas mãos dos trabalhadores.
A Vale ofereceu mais 1,7 salário a quem ficar na empresa nos próximos dois anos.

por Denize Bacoccina

A Câmara aprovou na noite da quarta-feira 21 uma extensão para até 90 dias do aviso-prévio em caso de demissão sem justa causa. Além dos 30 dias pelo primeiro ano de trabalho, o aviso-prévio aumenta três dias para cada ano trabalhado, até o limite de 90 dias para quem ficou mais de 20 anos na mesma empresa. Mas por que um projeto que foi aprovado no Senado em 1989 e estava parado na Câmara desde 1995 sai de repente da gaveta?

A resposta está na atuação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que, temerosa de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu por uma contenção de perdas com uma decisão mais amena no Congresso. “Essa decisão não era a ideal, mas, dentro das circunstâncias, era a que melhor se ajustava aos interesses do empresariado”, avaliou o gerente-executivo da área jurídica da CNI, Cássio Borges. “O receio era de que o Supremo poderia decidir algo muito pior”, completa.

O Supremo está votando um pedido de indenização de quatro funcionários da Vale que foram demitidos – mas deixou claro que essa decisão, na ausência da regulamentação da Constituição, valeria também para os demais trabalhadores. As primeiras manifestações dos ministros, em junho, apavoraram os industriais. O ministro Luiz Fux citou a legislação de vários países europeus, com aviso-prévio de até seis meses, dependendo da duração do contrato de trabalho e da idade do funcionário.

O ministro Marco Aurélio Mello sugeriu dez dias adicionais para cada ano de trabalho, o que daria um total de 300 dias para quem fosse demitido depois de 30 anos de casa. Diante do risco, os empresários foram ao Congresso pressionar pela regulamentação do artigo constitucional, que prevê um mínimo de 30 dias de aviso-prévio. Com a mudança, que só depende de sanção presidencial, empresas que já pagam 102,6% sobre a folha de pagamento em impostos, encargos e tributos terão custos maiores.

Na prática, a medida vai incidir sobre uma parcela pequena do mercado. Um estudo da Confederação Nacional das Instituições Financeiras mostra que 62,7% dos trabalhadores desligados em 2009 tinham menos de um ano de casa e 42,7% tinham menos de seis meses.

O prazo máximo, de 90 dias, só seria aplicado para poucos. Em geral, trabalhadores demitidos têm pouco tempo no emprego e os mais

antigos costumam sair por causa de uma oferta melhor de trabalho. É esse o dilema vivido pelo Brasil atualmente. Num momento em que o desemprego se consolida em 6% – ou seja, pleno emprego -, o poder está nas mãos dos trabalhadores.

Não é à toa que a Vale está oferecendo 1,7 salário a quem concordar em permanecer na empresa por dois anos. Vários setores têm dificuldade em contratar, e empresas aceitam pagar mais para manter funcionários já treinados. O aviso-prévio mais longo não é uma obrigação apenas das empresas, mas também dos trabalhadores. Será que interessa a quem arrumou um novo emprego demorar dois ou três meses no antigo?

“É uma via de mão dupla. Um profissional que deseje mudar de empresa pode ser obrigado a cumprir um aviso-prévio muito longo e acabar perdendo a nova oportunidade ou ter de pagar um valor maior à empresa”, alertou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. O que surpreende é que um dirigente empresarial tenha alertado para o efeito colateral de uma medida que supostamente protegeria os trabalhadores.