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Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

“A presidente da República peita o Supremo, ao não querer alterar a proposta orçamentária para dar reajuste salarial aos juízes.” Com estas palavras, o vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando da Costa Tourinho Neto, abre nota oficial da entidade, divulgada nesta segunda-feira (26/9). Ele disse que uma possível greve não está descartada caso o governo não atenda as solicitações de reajuste salarial dos magistrados.

Recentemente, a presidente Dilma Rousseff decidiu cortar o reajuste salarial de 14,79% para ministros, juízes e demais servidores do Judiciário, previsto na proposta orçamentária, mesmo depois de o Plenário do Supremo ter deixado claro que a sua proposta deveria ser integralmente incluída no orçamento de 2012, podendo ser reduzida apenas pelo Congresso Nacional.

Na semana passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, enviou ofício à presidente Dilma Rousseff para saber se ela pretendia mesmo ou não incluir no Projeto da Lei Orçamentária Anual o reajuste a juízes e servidores do Judiciário.

Atendendo a requerimento do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus), o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, pediu que a presidente Dilma Rousseff se explique sobre sua decisão em cortar o orçamento do Judiciário. A decisão, do dia 16 de setembro, se deu por meio de um Mandado de Segurança, e não tem caráter compulsório. Ou seja, a petista só se pronuncia caso queira. Segundo o sindicato, representado pelo advogado Ibaneis Rocha, o governo desobedeceu a autonomia dos Poderes ao retirar a proposta de aumento.

Também a Federação dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União resolveu comprar a briga do corte do orçamento do Judiciário. Na segunda-feira (19/9), a Fenajufe apresentou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, sob o argumento de que a recusa da presidente da República em acatar o orçamento apresentado pelo Supremo Tribunal Federal, pelos tribunais superiores e pela Procuradoria-Geral da República vai contra o princípio da separação dos poderes. O relator é o ministro Joaquim Barbosa.

De acordo com a ADPF 240, o Executivo está cometendo mais do que um fortuito descumprimento dos preceitos fundamentais. “Existe sim uma firme e consciente decisão de não cumpri-los e de prosseguir descumprindo-os, a exigir a pronta correção por parte do Judiciário, único apto a fazer cessar o desrespeito à Constituição”, argumenta a entidade.

Leia abaixo a nota:

“A presidente da República peita o Supremo, ao não querer alterar a proposta orçamentária para dar reajuste salarial aos juízes.

O advogado-geral da União ameaça ingressar com medida para que não nos seja concedido o auxílio-alimentação, após ter garantido à Ajufe que não faria isso.

Estamos há mais de seis anos sem reajuste salarial. A defasagem já atinge o percentual de 20%.

Já fizemos pedidos administrativos e nada.  A equiparação de direitos e vantagens com o Ministério Público (tivemos, na verdade, de nos humilhar para fazer tal pedido) nos é dada parcialmente e, assim mesmo, a decisão não é cumprida.

O CJF diz que vai fazer o repasse dos recursos para o pagamento do auxílio-alimentação, depois, com receio da ameaça do advogado-geral, e, portanto, da decisão do STF, recua.

Fomos às ruas com o Dia Nacional de Valorização da Magistratura e do Ministério Público, e, apesar da grandiosidade do movimento, o executivo não se sensibiliza. Até quando o Governo abusará de nossa paciência?  *Quousque, tandem abutere, *Dilma, *nostra patientia? Quamdiu etiam iste tuus furor eludet nos? *(Até quando enfim abusarás, Dilma, de nossa paciência? Por quanto tempo ainda este teu rancor zombará de nós?)* *

Vamos nos acomodar? Devemos aceitar este estado de coisas?

Nosso presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, já declarou que, se o Governo não for sensível ao nosso pleito, não está descartada uma futura deliberação pela greve.

É isso mesmo.  Temos de ir à luta! Como disse Kant: “Quem se transforma num verme não pode queixar-se de ser pisado aos pés dos outros”. Nossos direitos não podem ser pisoteados impunemente! O que estão fazendo conosco constitui um desrespeito à nossa dignidade.

Temos de tomar medidas corajosas, drásticas, para valer os nossos direitos; vamos fazer com que a Constituição seja respeitada, demonstrando que vivemos numa ordem de Estado de direito democrático legitimada pelo povo. Temos de ir à greve!”

Fernando da Costa Tourinho Neto
Vice-presidente da Ajufe

Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

Aumenta em 7% a produtividade de juízes do TRT gaúcho

A Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul registrou, entre 1º de janeiro e 31 de agosto deste ano, aumento de 7,5% no número de processos julgados, considerando o primeiro e o segundo graus. Até esta data, a instituição já havia solucionado 135.821 ações, contra 126.333 do mesmo período de 2010. A demanda processual aumentou 11,6%, passando de 125.800 para 140.429 novos processos nos primeiros oito meses do ano. Os dados foram compilados pela Assessoria de Imprensa do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul.

Os números indicam cumprimento de 97% da Meta 3 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina que os órgãos do Judiciário julguem o mesmo número de processos recebidos no ano, mais parcela do estoque. “A instituição está julgando mais, graças ao esforço dos magistrados e a diversas medidas adotadas, como a lotação de dois juízes nas unidades de maior movimento. Por outro lado, o ingresso de novos processos está tendo aumento significativo, o que pode ser causado por diferentes fatores. A situação exige esforço ainda maior para atingirmos 100% da meta”, diz o juiz auxiliar de Gestão Estratégica do TRT-RS, Francisco Rossal de Araújo, um dos gestores das metas na Justiça Trabalhista do Estado.

As estatísticas foram apresentadas em reunião realizada na tarde desta segunda-feira (26/9), no Salão Nobre do TRT-RS, pelo grupo de trabalho responsável pelo acompanhamento das metas. Participaram do encontro os juízes Francisco Rossal e Ricardo Fioreze; o diretor-geral de Coordenação Administrativa, Luiz Fernando Celestino; o diretor-geral de Coordenação Judiciária, Onélio Soares Santos; a assessora da Vice-Presidência, Rejane Corrêa; a assessora da Corregedoria, Denise Pastori; a assessora de Informática da Corregedoria, Cleonice Condotta; além de Tânia Ketzer, da Vice-Corregedoria; a assessora de Planejamento Estratégico, Dalva Ferreira; e Francisco Fetter Furtado, da área de estatística da Assessoria de Planejamento Estratégico (Asseplan). 

Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

Bons? Maus? Não, apenas justos

Chefiar vai além do trabalho burocrático. Significa manter uma relação saudável com os funcionários, sabendo ouvi-los e motivá-los. A gentileza também é característica fundamental

É melhor ser um chefe temido ou amado? Segundo os especialistas, nem um, nem outro. O ideal é ser respeitado e, logo, saber respeitar. E eles explicam: com o mercado aquecido, o bom relacionamento dos patrões com a equipe é visto, mais do que nunca, como uma arma para garantir um desempenho satisfatório da organização. A ideia é que, com uma melhor comunicação entre os diferentes níveis hierárquicos, a produtividade aumenta e a rotatividade de funcionários cai. Assim, os estudiosos de liderança alertam: para ser um gestor competente nos dias de hoje, não basta saber executar com maestria as tarefas técnicas e burocráticas, é necessário ter inteligência no trato com os subordinados.

De acordo com a mais recente pesquisa da corporação de recrutamento Robert Half, realizada com executivos de 11 países, entre eles o Brasil, as grandes reclamações dos profissionais sobre o ambiente de trabalho têm íntima relação com a chefia. Quando questionados sobre os principais motivos de estresse na companhia, 44% dos colaboradores falaram de pressões desnecessárias e 34% se disseram insatisfeitos com a capacidade de gestão do superior. Quanto às queixas, a gerente da divisão de finanças e contabilidade da empresa, Marcela Esteves, detalha: “Os erros dos chefes apontados por esses números são pedir algo com urgência sem necessidade, tratar mal as pessoas de modo a deixar a convivência ruim, colocar as coisas de maneira negativa e não saber motivar o grupo”.

Além dos problemas mostrados pelo levantamento, a especialista em liderança e psicologia do trabalho e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Damáris Vieira ressalta que muitos patrões pecam por não ouvir o que a equipe tem a dizer, não preparar um substituto, não deixar as ordens de maneira clara e não saber delegar atividades. “Algumas pessoas têm medo de distribuir as tarefas, outras gostam mesmo de fazer tudo do seu jeito, mas isso é um erro. O bom gestor tem que planejar o trabalho, indicar a direção e preparar os empregados para que assumam funções”, assegura. Por outro lado, a gerente de capacitação empresarial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequena Empresas (Sebrae), Mirela Malvestiti, frisa que abusar da autoridade e tolher a criatividade dos funcionários são também falhas graves. “É importante não ser intolerante ao erro, é preciso dar liberdade para os colaboradores testarem novas possibilidades”, defende.

Evitar as falhas relatadas e seguir essa indicação da gerente do Sebrae já é um passo importante para ser não só um chefe, mas um líder. Além disso, a superintendente do shopping Iguatemi de Brasília Daniela Vallejo, 40 anos, que coordena uma equipe de 250 pessoas, diz ser essencial saber dar feedback aos colaboradores da maneira correta. E, quanto à prática, ela pondera: “Devemos ouvir o que a pessoa tem a dizer, ressaltar os pontos fortes dela e apresentar os caminhos para que seja ainda melhor. E a chave é nunca usar a palavra ‘mas’, por exemplo, ‘você é ótimo, mas…’”. Daniela salienta que o patrão não deve apenas fazer comentários sobre o trabalho dos funcionários, ele precisa também ouvir o que os outros pensam a seu respeito. “Sempre peço esse retorno da minha equipe. Já ouvi coisas não muito confortáveis de se escutar, mas elas me fizeram mudar muito”, lembra.

Com formação em publicidade e direito e duas pós no currículo, a superintendente não se contenta com o conhecimento técnico para exercer seu posto. Ela também faz acompanhamento constante com um coach profissional, a fim de trabalhar o lado de relacionamentos. Tudo isso e a larga experiência com gestão — Daniela já chegou a liderar um grupo de 450 pessoas — ajudam a profissional a ser hoje uma referência para seu time. E sempre com muito respeito, garante. “Tento fazer com os outros o que eu gostaria que fizessem comigo. Procuro servir minha equipe e não ser servida por ela”, atesta a paulista, que se diz uma supervisora “democrática”.

Essa atenção que a superintendente dedica aos funcionários é uma prática recomendada pelos especialistas. Mas as sugestões para ser um bom chefe não param por aí: manter as promessas realizadas, ser gentil, nunca levantar a voz, interagir frequentemente com o grupo, envolver a equipe na tomada de decisões e fazer críticas no particular e elogios em público também são recomendações válidas. Segundo a professora Damáris Vieira, porém, uma dica merece especial atenção: ser flexível. “O melhor estilo de liderança é aquele que se adapta ao funcionário”, comenta.

Para reter talentos

Com um mercado carente de mão de obra, a relação sadia entre patrão e empregados tem se tornado uma necessidade na construção civil. É o que observa o engenheiro civil e supervisor da SIG Engenharia no DF, Eduardo Dutra, 43 anos. “Está muito difícil encontrar gente qualificada para trabalhar no canteiro de obras. Às vezes, levamos anos e investimos muito para formar um trabalhador. Não podemos perdê-lo por um motivo banal, por um atrito com o chefe”, relata.

Quanto à receita utilizada por ele para encabeçar os 150 trabalhadores que coordena, Dutra revela: “Minha preocupação é organizar as tarefas, diagnosticar e resolver os problemas com rapidez, respeitar as diferenças existentes no meu grupo e sempre deixar claro quais são os meus valores”. A atenção com o conforto, a segurança, a locomoção e mesmo a alimentação dos empregados também figura entre as atribuições do engenheiro. “É importante cuidar de tudo e assim deixar o trabalhador feliz por estar com a gente”, explica o brasiliense, que completa: “Precisamos valorizar todos os nossos colaboradores para termos sempre uma equipe focada no mesmo objetivo”.

Palavra de especialista
Diferentes, mas complementares

Líder e chefe são posições diferentes. Liderança é uma concessão de autoridade a uma pessoa devido a determinadas características que ela detém. Já a chefia é uma função burocrática. Mas o ideal é que essas duas coisas andem juntas. Equipes que não são bem lideradas têm dificuldade de relacionamento, ficam desmotivadas e apresentam baixa produtividade. Alguns erros clássicos dos chefes são a incapacidade de ouvir os seus colaboradores, a impotência e a falta de habilidade para interagir com o grupo. Assim, para ser um bom chefe, é importante manter o foco nas tarefas e nas pessoas, tratar todos com humanidade e construir com o time uma visão de integração.

Homero Reis, coach organizacional

Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

À flor da pele

O estresse no trabalho pode levar ao colapso físico e mental, com a necessidade de ajuda médica e, às vezes, de uma licença para tratar o problema. Há formas de evitá-lo

Alta competitividade no mercado e prazos curtos para conclusão de trabalhos. Instabilidade no cargo e falta de perspectivas. Metas inatingíveis. Rotinas que superam oito horas diárias no trabalho, muitas vezes sem pausas. Falta de privacidade no ambiente profissional. Desentendimentos com colegas e assédio moral. Insatisfação com salários. Pressão exercida por chefes. São vários os fatores que levam a circunstâncias consideradas estressantes no ambiente corporativo.

O que poucas pessoas sabem é o que o estresse realmente significa. A psicóloga especialista no assunto e presidente da Isma-BR, filial brasileira da associação de prevenção e tratamento do estresse (International Stress Management Association), Ana Maria Rossi, explica: “É um conjunto de reações do corpo a situações inesperadas, que podem ser boas ou ruins, sendo que as maléficas tendem a se prolongar”. Nos casos de prolongamento, surgem os problemas (leia Palavra de especialista). Especialmente no local de trabalho. Segundo um estudo da Isma-BR, 70% da população economicamente ativa do país vive sob a influência do estresse.

Por causa de prejuízos à saúde relacionados a esse mal, 28 mil pessoas tiraram licença médica no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de janeiro a agosto deste ano — um crescimento de 20% em relação aos oito primeiros meses de 2010. A dentista Letícia*, 55, está entre os profissionais que recorreram ao auxílio-doença. Ela ficou quatro meses afastada do serviço. “A demanda por odontólogos que atuam na rede pública é muito grande. Desenvolvi LER (lesão por esforço repetitivo) e a dor atrapalhou meu sono. Sem dormir direito e trabalhando sob pressão, explodi”, recorda.

Para se recuperar, a dentista procurou ajuda psiquiátrica, tomou remédios controlados, fez terapia e fisioterapia e desenvolveu um hobby — atitude recomendada por especialistas (leia quadro). “Comecei a fazer caminhadas diárias, que me ajudaram bastante a acalmar. Consegui voltar ao trabalho e passei por uma readaptação funcional, desenvolvendo atividades administrativas”, relata.

Outra maneira de controlar o estresse no ambiente profissional é tirar períodos de repouso durante o turno. É o que faz Neivaldo José Silva, 48 anos, 25 deles dedicados à profissão de controlador de voo. Sua jornada diária é de oito horas, mas ele aponta a importância do descanso. “O controlador deve trabalhar, no máximo, duas horas ininterruptas. O nível de atenção é muito alto. Controlamos o tráfego aéreo em um aparelho que parece um videogame. Neste jogo, estão envolvidas muitas vidas, não podemos nos desconcentrar”, explica o funcionário, que atua como chefe de controle de aproximação no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta). No ambiente em que Neivaldo trabalha, há uma sala com poltronas reclináveis, copa e televisão para as pausas periódicas.

A secretária Marilene Carvalho, 48 anos, também usa o próprio ambiente organizacional para relaxar. Duas vezes por semana, ela pratica ginástica laboral supervisionada por um educador físico. “Isso prepara a equipe para o trabalho e integra pessoas de diferentes áreas da empresa”, diz. Além disso, a secretária divide suas manhãs em idas à academia e corridas no parque. “Faço o máximo possível de exercícios físicos para esfriar a cabeça”, sintetiza.

Há casos em que uma mudança de ares é necessária. Assim como Marilene, o advogado trabalhista Gustavo Varela, 37 anos, faz atividades esportivas para “liberar a energia”. Duas vezes por semana, joga futebol com amigos. Só isso não foi suficiente. Ele conta que também foi preciso mudar de serviço — desistiu de um cargo comissionado no Executivo para abrir o próprio escritório de advocacia — para perceber uma redução no estresse.

Gustavo diz que várias razões influenciam para sua nova função ser mais agradável. “Atuo de oito a dez horas por dia, como no velho emprego, mas o meu novo cargo é mais satisfatório. Em primeiro lugar, não tenho chefe. Segundo, minha função no serviço público não garantia estabilidade. Por último, meu trabalho dá mais resultados e toda a minha remuneração é fruto dele”, enumera.

Sintomas
A pesquisa realizada pela Isma-BR também constatou que 86% das pessoas estressadas têm tensão muscular e 38% delas apresentam problemas gastrointestinais. Na parte psicológica, 81% sofrem de ansiedade e 73% vivem preocupadas. “Quando os sintomas físicos e emocionais aumentam demais, as pessoas têm que reagir de alguma forma. Infelizmente, 57% recorrem ao álcool e a drogas ilícitas”, afirma Ana Maria Rossi.

A presidente da associação internacional ainda atenta para a queda de rendimento do trabalhador. “Nos casos mais agudos, os profissionais entram em um estado chamado de síndrome de burnout. No fim das contas, é uma perda para a própria pessoa e para a empresa”, observa, apontando que 92% dos que sofrem da síndrome se sentem incapacitados para trabalhar, mas continuam frequentando o trabalho por medo de demissão.

* Nome fictício utilizado para preservar a identidade da entrevistada

Dicas para ficar zen

» Tente, se possível, identificar e resolver, ou evitar, o fator desencadeante
» Identifique se a sua reação ao fato não está sendo desproporcional
» Faça regularmente uma atividade física, que promove a liberação de substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar (endorfinas)
» Busque técnicas de relaxamento (ioga, meditação, alongamento)
» Saia com amigos
» Tire férias regularmente
» Evite consumo exagerado de álcool, fumo e comidas gordurosas

Palavra de especialista
Emocional e físico

Geralmente, quando nos referimos ao estresse, levamos em consideração o mal psíquico, causado por dor moral. Mas existe também o estresse que resulta de lesões agudas no organismo devido a traumas físicos. Nessas situações, aumenta a secreção das substâncias cortisol, adrenalina e noradrenalina, na tentativa de proporcionar ao corpo uma forma de lidar e resolver a situação causadora. O cortisol provoca um aumento no nível de açúcar do sangue (glicemia) e uma inibição da síntese de anticorpos (mecanismos de defesa do organismo), o que eleva a chance de surgimento de reações infecciosas. Por sua vez, a adrenalina e a noradrenalina geram alterações nos sistemas cardiovascular e pulmonar. Angústia e depressão são manifestações comuns no estresse crônico. Se a fonte de estresse se prolonga, essas reações geram processos adaptativos do organismo, que se caracterizam pelo desenvolvimento de vários tipos de doenças.

Lúcia Teixeira, médica ortomolecular

Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

Até agosto, geração de empregos no PR é a 5ª melhor desde 1992

O Paraná está apresentando no ano de 2011 um bom desempenho na geração de empregos formais, sendo superando apenas pelos anos de 2008, 2010, 2004 e 2007. Sem considerar as declarações entregues fora do prazo e os acertos de movimentação, o saldo de empregos formais nos 8 primeiros meses de 2011 foi de 116.166 empregos, sendo o quinto melhor saldo para o período desde o início da série em 1992, atrás dos anos de 2008 (137.492 vagas), 2010 (135.108 vagas), 2004 (125.263 vagas) e 2007 (117.319 vagas). Considerando as declarações entregues fora do prazo e os acertos de janeiro a julho de 2011 (7.229 empregos) o nível de emprego formal cresceu 5,17% nos primeiros 8 meses de 2011, com saldo de 123.395 vagas.

No mês de agosto ocorreu um aumento do nível de emprego formal (0,57%) inferior ao verificado em agosto de 2010 (0,92%), sendo o quinto melhor saldo positivo de empregos para o mês de agosto desde 1992, os melhores ocorreram em agosto de 2010 (21.397 empregos) e 2004 (18.952 empregos).

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED/Ministério do Trabalho e Emprego e divulgados pelo DIEESE, em agosto o nível de emprego formal no Paraná registrou alta de 0,57%, superior ao desempenho nacional (0,51%), correspondendo a um saldo (admissões menos os desligamentos) de 14.251 empregos. O Interior apresentou aumento de 0,55% no nível de emprego e a RMC de 0,59%.

Com o resultado de agosto, o número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Paraná é de aproximadamente 2,508 milhões, considerando os ajustes. 

Nos 8 primeiros meses de 2011 foram criados 123.395 empregos, considerando os ajustes, registrando um crescimento de 5,17%. Regionalmente a RMC apresentou no período um aumento no nível de emprego de 4,55%, com a geração de 44.962 empregos, ou seja, 36,4% dos empregos gerados no Estado. No Interior do Estado observou-se um crescimento do nível de emprego de 5,44%, com a geração de 78.433 postos de trabalho, respondendo a 63,6% dos empregos gerados no Estado.

Neste período observamos que todos os setores apresentaram aumento no nível de emprego. Os setores que apresentaram os maiores crescimentos percentuais foram a Construção Civil (10,82%, 13.837 empregos); o Setor de Serviços (5,63%, 46.494 empregos) com destaque para os subsetores de Outros Serviços (15.750 empregos), Hotéis e Restaurantes (10.752 empregos), Transporte e Comunicação (10.002 empregos) e Ensino (5.722 empregos); a Indústria de Transformação (5,43% 36.123 empregos) com destaque para os subsetores da Ind. de Alimentos, Bebidas e Álcool (9.645 empregos), Ind. Química (7.078 empregos), Ind. Têxtil e do Vestuário (4.476 empregos) e a Ind. de Material Elétrico e de Comunicação (4.252 empregos); e Agropecuária (4,83%, 5.123 empregos).

Juízes cogitam greve caso governo não garanta reajuste

Trabalhador sofre com burocracia do INSS

O operador de guilhotinas de uma gráfica em Mauá José Luiz da Silva, 57 anos, sofreu duas tromboses – a primeira há seis anos e a segunda em 2009, e está descoberto de auxílio-doença e mesmo invalidez desde março, quando parou de receber. Não tem condições de ir ao trabalho, tampouco de operar a máquina, tamanho o problema na perna, garantem ele e laudos médicos obtidos pela equipe do Diário.

Desde a última internação travou sucessivas batalhas com a Previdência Social pelos benefícios. Perdeu em todas. A realidade dele não difere da de muitos brasileiros, cuja via-sacra parece não ter fim a cada laudo feito por peritos do INSS, rejeitados os afastamentos do trabalho por conta dos problemas de saúde.

“Estou com o joelho todo preto por causa da trombose, formando coágulos”, diz Silva. Solidarizado com o funcionário, o patrão o mantém contratado – senão, poderia ser demitido por abandono de trabalho. Ele está há três anos na gráfica. Médicos do hospital Nardini e Mario Covas já o afastaram diversas vezes. Da última, deveria ficar em casa por seis meses; tempo necessário para o tratamento, segundo um dos laudos. Período que deveria receber, a pedido do atestado médico, o auxílio-doença. “O médico me afasta, pois não estou em condições de trabalhar. Eu sinto dores nas pernas porque meu trabalho exigia que eu ficasse em pé, operando a guilhotina. Mas sempre vem um indeferimento do INSS.”

Se fosse diabético, já teria perdido a perna. Toma até hoje benzetacil para evitar novas complicações. A reconsideração do laudo da previdência seria feita no dia 22, mas acabou adiada para o dia 4. Por enquanto, ele vive com a ajuda da irmã.

MOVIMENTAÇÃO – Não há dados atuais sobre essas reclamações, mas a certeza é de que continuam recorrentes entre contribuintes do INSS. É o que afirmam advogados previdenciários ouvidos pela equipe do Diário. Entre eles, a advogada da Associação dos Metalúrgicos Aposentados, Dulce Orlando Costa. “Tem-se encontrado dificuldades para se conseguir auxílios mais frequentemente que em anos anteriores. Médicos do setor público ou privado atestam as condições e o perito, muitas vezes, nem olha no rosto do paciente e já indefere, sequer se dão ao trabalho de examinar.”

Outro advogado, especializado em atendimento previdenciário, Murilo Aith, enfatiza que a realidade já está desgastada. Nesses casos, a saída é enveredar pela seara judicial. “É imprescindível que se procure advogado para conseguir comprovar a doença, por meio dos laudos, conseguindo um mandado de segurança”, afirma.

Nessa alternativa, uma decisão que obrigue a previdência a conceder o benefício sai rápido, garante o especialista. “Questão de menos de um mês.” Diz ainda que os relatórios negativos são feitos mesmo que o trabalhador esteja visivelmente inapto a retornar. Procurado para comentar o caso do operador Silva, o INSS não retornou até o fechamento desta edição.

Sindicato vai estudar dificuldade para afastamentos

A Federação dos Sindicatos Metalúrgicos de São Paulo, como resposta às reclamações crescentes dos trabalhadores, estuda pesquisar os casos parecidos ao de José Luiz da Silva, da gráfica de Mauá, para destrinchar como anda, entre os 250 mil funcionários da base estadual, a situação dos que não acham saída junto ao INSS.

Está prevista para outubro a segunda rodada de discussões entre representantes da FEM e da Previdência. O objetivo é esclarecer como melhorar o modelo de avaliação das perícias médicas, que está previsto para entrar em vigor em 2012.

Pelo menos foi o que prometeram a diretora de saúde do trabalhador e das perícias médicas do INSS, Filomena Gomes Bastos, e o diretor de saúde ocupacional da Previdência, Remigio Todeschini, no primeiro encontro com os metalúrgicos, no fim de agosto, sobre a alta programada. Esta analisa a doença do trabalhador como comum, e não como resultado do trabalho – gerando transtornos aos trabalhadores que precisam ficar em casa, segurados com benefícios. “Isso acontece também no Grande ABC”, diz a federação.

Na reformulação, os peritos irão visitar o local de trabalho, atestando os motivos pelos quais o afastamento é necessário. A partir do laudo detalhado do estado laboral do funcionário, poderá diminuir o problema ao trabalhador. Fato que gera jogo de empurra entre trabalhadores e previdência. “Não se consegue nem a aposentadoria, tampouco o afastamento”, diz a advogada Dulce Orlando Costa.

O secretário-geral de saúde do trabalhador e meio ambiente da FEM, Nilson Coutinho, acrescenta outro problema: empresas dizem que muitas vezes remanejar o funcionário é impossível – o que é comum quando recebem alta do INSS.

Sem condições de continuar na mesma atividade, o funcionário acaba na rua, demitido por abandono de trabalho.