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Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Engels nasceu em 28 de novembro de 1820 e tinha apenas 22 anos quando conheceu Marx. Em 1844, escreveu seu “Esboço para uma crítica da economia política,”

por Theófilo Rodrigues

Em 1905, Paul Lafargue publicou na Die Neue Zeit – revista da socialdemocracia alemã – um interessante texto sobre as memórias que guardava de Friedrich Engels. Nessas recordações, o genro de Karl Marx registrou que “Marx não deixava de se admirar dos conhecimentos universais de Engels, a extraordinária agilidade de sua inteligência que lhe permitia passar facilmente de um tema a outro”. Dizia ainda Lafargue: “Engels amava o estudo por ele mesmo: ele se interessava por todos os domínios do conhecimento” (1).

Engels nasceu em 28 de novembro de 1820. Tinha, portanto, apenas 22 anos quando conheceu Marx rapidamente na redação da Gazeta Renana em 1842. Dois anos depois, em 1844, escreveu seu Esboço para uma crítica da economia política, texto que foi publicado por Marx nos Anais Franco-Alemães. Marx descreveu anos mais tarde esse texto de Engels como um “genial esboço de uma crítica das categorias econômicas” (2). Engels era um gênio da economia.

Com 25 anos, em 1845, foi a vez de publicar A situação a classe trabalhadora na Inglaterra. Esse clássico da literatura marxista mostra em detalhes os efeitos cruéis do desenvolvimento industrial capitalista sobre os trabalhadores e as trabalhadoras de Manchester. Trata-se de um trabalho pioneiro de sociologia urbana, de sociologia do trabalho e de etnografia. Engels era um gênio da sociologia e da antropologia.

Em 1847, quando ainda tinha 27 anos, Engels formulou os Princípios do comunismo. Esse texto foi a base para o Manifesto Comunista que viria a ser escrito em parceria com Marx no ano seguinte. Engels era um gênio do movimento comunista.

Ao completar 30 anos de idade, em 1850, dedicou-se a escrever As guerras camponesas na Alemanha. A partir de uma análise das revoltas alemães do século XVI, Engels estabeleceu de modo muito original algumas relações entre as religiões e as classes sociais. Engels era um gênio da sociologia da religião.

No campo da filosofia e das ciências da natureza o revolucionário também deixou suas marcas, em particular em obras como Dialética da natureza e Anti-Duhring. Engels era um gênio da filosofia e da física.

Sua obra de maturidade, A origem da família, da propriedade privada e do Estado, publicada em 1884, pode ser lida ao lado de clássicos da teoria política como Hobbes, Locke e Rousseau, bem como pela sociologia de gênero contemporânea. Pois Engels era um gênio da teoria do Estado e da sociologia de gênero.

Nesses anos finais de vida, escreveu em parceria com Karl Kautsky o ensaio O socialismo jurídico, texto clássico da teoria marxista em que estabelece a relação entre o direito e o capitalismo. Pois Engels era também um gênio da teoria marxista do direito.

Mas Engels não era só um genial teórico. Ele participou ativamente da 1ª. Internacional ao lado de Marx, em particular após 1870. Após a morte de Marx, coube a ele a iniciativa de organizar a 2ª. Internacional em 1889, no ano das comemorações do centenário da Revolução Francesa. Engels era um genial político.

Engels faleceu em 5 de agosto de 1895. Naquela ocasião, o jovem Vladimir Ilitch Lenin redigiu um obituário sobre a morte do fundador do marxismo. Nas palavras de Lênin, “Engels foi o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado” (3). Reconhecer a genialidade desse senhor de 203 anos é manter vivo o seu legado.

Theófilo Rodrigues é cientista político com pós-doutorado em ciências sociais realizado na UERJ. Autor de Engels 200 anos: ensaios de teoria social e política (Anita Garibaldi, 2020).

Notas:

1 – LAFARGUE, Paul. Recordações pessoais sobre Friedrich Engels. Disponível em: https://grabois.org.br/2023/11/28/paul-lafargue-recordacoes-pessoais-sobre-friedrich-engels/

2 – MARX, Karl. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX, Karl. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 130.

3 – LENIN, Vladimir Ilitch. Friedrich Engels. Disponível em: https://grabois.org.br/2023/08/04/a-morte-de-friedrich-engels-nas-palavras-de-lenin/

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/11/28/friedrich-engels-a-genialidade-de-um-senhor-de-203-anos/

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Brasil supera projeção do mercado e tem saldo de 190 mil vagas de emprego

Resultado fica acima da expectativa do mercado e representa salto 18,76% sobre outubro de 2022. Em 2023, mais de 1,7 milhão de vagas de emprego formal foram geradas

por Priscila Lobregatte

No mês de outubro, o país teve um saldo positivo de 190.336 postos de trabalho com carteira assinada, salto de 18,76% em relação a 2022. Em todo ano até agora, foram geradas 1.784.695 vagas de emprego. Os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nesta terça-feira (28).

O saldo obtido no mês passado é resultante de 1.941.281 admissões e 1.750.915 desligamentos, com a maioria dos empregos formais criados principalmente no setor de serviços (109.939) e no comércio (49.647).

Segundo informado durante a coletiva de imprensa em que as informações foram apresentadas, o mês ficou entre os seis melhores outubros da série histórica desde 2002. Além disso, conforme apontado, os números indicam que será possível alcançar ou ficar muito próximo à meta de 2 milhões de empregos gerados neste ano, projetada pelo governo.

O número de vagas verificado em outubro foi superior ao estimado pelo mercado, conforme dito pela pasta. As projeções, segundo o Valor Data, do jornal Valor Econômico, ficavam entre 100 mil e 175 mil.

Segmentação dos dados

O saldo foi positivo foi registrado em cinco grupamentos econômicos, bem como nas 27 Unidades da Federação. O maior crescimento foi no setor de serviços, com um saldo de 109.939 postos, com destaque para informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com mais de 65 mil empregos.

A segunda maior geração ocorreu no comércio, com 49.647 postos de trabalho gerados no mês, principalmente no comércio varejista de mercadorias, com predominância para de supermercados (+6.307 e Hipermercados (+1.925), além dos artigos de vestuário +5.026).

A indústria teve o terceiro maior crescimento do emprego no mês, com saldo positivo de quase 21 mil 20.954 postos, com destaque para o setor de fabricação de açúcar em bruto (+1.500) e fabricação de móveis, com saldo de +1.330.

A construção civil teve saldo positivo de 11.480 empregos e a agropecuária, o único setor que gerou saldo negativo, perdeu 1.656 empregos no mês.

Entre os estados, tiveram o maior saldo São Paulo, com geração de 69.442 postos (+0,5%); Rio de Janeiro, geração de 18.803 postos (+0,5%) e Paraná, com saldo positivo de 14.945 postos (+0,5%).

Conforme o MTE, o salário médio de admissão em outubro foi de R$ 2.029, apresentando estabilidade com pequeno decréscimo de 0,3% em comparação com o valor de setembro (R$ 2.034). Em relação ao mesmo mês do ano passado, o ganho real foi de R$ 16,34, crescimento de 0,8%.

Em outubro, o saldo ficou positivo para as mulheres, geração de 90.696 postos e para também para os homens (99.671). Para os pardos, a geração foi de 110.240, para brancos (64.660), pretos (22.300), amarelos (15.395) e indígenas (652). No que se refere às Pessoas com Deficiência, o saldo positivo foi de 1.699 postos de trabalho no mês.

Desoneração da folha

Questionado sobre o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia, o ministro Luiz Marinho afirmou não ter “nada contra desoneração”, mas disse não acreditar em desoneração setorial.

“É preciso pensar o peso da carga tributária na produção, no consumo, na folha de pagamento. Mas é preciso pensar também na receita do Estado para manter e fazer crescer as políticas públicas existentes e as que precisam ser implantadas. E isso se resolve não na desoneração de setores da economia, mas na reforma tributária”, defendeu.

Marinho ponderou que o Congresso “está concretizando um plano de reforma tributária e acho que é um contrassenso falar de desoneração de setores. É preciso, na reforma tributária, buscar planejar de tal forma que traga solução para o conjunto da economia”. Para o ministro, “desoneração só de alguns setores não gera empregos, como alguns defendem. O que gera emprego é a economia crescendo de forma perene”.

Mensagem publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (23) para justificar o veto do presidente da República aponta que “a proposição legislativa padece de vício de inconstitucionalidade e contraria o interesse público, tendo em vista que cria renúncia de receita sem apresentar demonstrativo de impacto orçamentário-financeiro para o ano corrente e os dois seguintes, com memória de cálculo, e sem indicar as medidas de compensação”.

O projeto apresentado previa que os setores beneficiados pagassem para a Previdência Social entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta, até 2027, ao invés de 20% sobre a folha salarial. Para 2023, a Receita Federal estimou em R$ 9,4 bilhões o valor que o governo deixará de arrecadar com a renúncia.

Com informações do MTE

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/11/28/brasil-supera-projecao-do-mercado-e-tem-saldo-de-190-mil-vagas-de-emprego/

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Flávio Dino faz “rota natural” para o STF, na qual Moro naufragou

Ex-juizes federais, eleitos para o Senado em 2022 e titulares do Ministério da Justiça. Os caminhos do maranhense Flávio Dino (PSB) e do paranaense Sergio Moro (União Brasil) vão se cruzar novamente no próximo dia 13, quando o primeiro será sabatinado pelo segundo e pelos demais integrantes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Indicado ao Supremo Tribunal Federal nessa segunda-feira (27) pelo presidente Lula, Dino segue aquela que se tornou uma rota natural e segura para quem comanda o Ministério da Justiça e ambiciona atravessar a Praça dos Três Poderes em direção ao Palácio do Supremo Tribunal Federal.

Desde a redemocratização, outros cinco ministros da Justiça foram alçados ao Supremo após terem seus nomes aprovados pelo Senado: Paulo Brossard e Maurício Correia (falecidos), Nelson Jobim (aposentado) e os atuais Alexandre de Moraes e André Mendonça – esse indicado ao fazer uma parada na Advocacia-Geral da União.

Coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, Sergio Moro também fez a mesma aposta e poderia constar da lista no lugar de Mendonça. A passagem pelo Ministério da Justiça, no início do governo Jair Bolsonaro, era considerada por ele próprio uma escala natural no meio político em Brasília antes de chegar ao topo do Judiciário. Mas as divergências com Bolsonaro, ainda na primeira metade do mandato, não só o desalojaram da Esplanada dos Ministérios como o desviaram completamente da rota originalmente traçada. Sua volta a Brasília se deu pelo Senado, onde desde o início enfrenta a desconfiança dos demais colegas políticos por conta da conduta que adotou durante e após a Lava Jato – objeto de ações por arbitrariedade e outras ilegalidades atribuídas a ele que resultaram na anulação de condenações como a imposta ao ex-presidente Lula.

Embora seja o ministro do governo Lula mais atacado pela oposição, Dino confia em um prognóstico favorável para ser aprovado no Senado. Para isso, depende do apoio de 41 dos 81 senadores em votação secreta. Desde a redemocratização, em 1985, os senadores aprovaram todos os 28 indicados ao Supremo Tribunal Federal. Dentre eles, o que teve mais dificuldade foi André Mendonça, cuja condução foi aprovada por 47 votos a 32. O último deles, Cristiano Zanin, escolhido por Lula, de quem foi advogado na Lava Jato, recebeu 58 votos favoráveis e 18 contrários. Luiz Fux foi o que passou com mais tranquilidade: 68 votos a dois em 2011.

Triturado

Na visão de um jurista com trânsito livre no Congresso e na cúpula do Judiciário, Moro subdimensionou as dificuldades que enfrentaria. “Depois da eleição de 2018, Moro foi até a casa do Bolsonaro. E lá, Bolsonaro perguntou se ele queria ser ministro do Supremo ou da Justiça. Pouco depois, aparece Moro reaparece dizendo que vai renunciar à magistratura para ser ministro. Isso significa que ele optou pelos dois. Foi um exagero. Ele não mediu o próprio tamanho efetivamente”, diz o magistrado, na condição de anonimato. “Ao querer os dois, ele se expôs no domínio da política. Um território que não era o dele. Em determinado momento ele se encantou com a ideia de ser presidente da República. Acabou triturado e expulso do governo Bolsonaro sem a menor condição de chegar ao Supremo”, acrescenta.

O observador da cena jurídica e política em Brasília enxerga aí um corte profundo em relação à forma com que Lula e Dino se portaram na condução do processo. “Flávio Dino é um nome político por si só e tão grande que é presidenciável por natureza. Não quer dizer que esse seja o momento dele, mas ainda é jovem e tem uma aliança saudável com Lula, o que é bem diferente do que houve entre Moro e Bolsonaro, que não tinham relação”, destaca. “Moro teve o azar de ser quem era num governo cujo presidente era quem era”, ironiza.

Moro deixou o Ministério da Justiça em agosto de 2020, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, então sob sua alçada, para proteger aliados políticos, a começar pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à época investigado por se apropriar ilegalmente de parte dos salários de seus servidores na Assembleia Legislativa. Depois de cair atirando, Moro virou alvo de artilharia pesada dos bolsonaristas, que o acusaram de traição. Sem conseguir decolar com a candidatura presidencial, trocou o Podemos pelo União Brasil horas antes do prazo final para troca de filiação. No novo partido, teve de trocar a disputa ao Planalto pela corrida ao Senado, derrotando na reta final seu padrinho político, o ex-senador Alvaro Dias (Podemos-PR). A sua vitória ao Senado também foi caracterizada pela reaproximação com o bolsonarismo, a ponto de aparecer como um dos instrutores de Bolsonaro em debate com Lula na TV.

Enquanto Dino se aproxima do Supremo, Moro tem o futuro político em aberto. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná julga duas ações movidas pelo PT e pelo PL que pedem a cassação de seu mandato e sua inelegibilidade por oito anos. O senador é acusado das práticas de abuso do poder econômico, caixa dois e uso indevido dos meios de comunicação e irregularidades em contratos. Moro alega inocência e perseguição política.

As ações alegam que as contas da campanha do ex-juiz para o Senado são irregulares por não incluírem os valores gastos em sua pré-campanha à Presidência. De acordo com o PL e o PT, o Podemos gastou mais de R$ 18 milhões para preparar a sua candidatura à Presidência da República. Caso seja condenado, poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, seus adversários – à esquerda e à direita – já se movimentam à espera de uma eleição fora de época para suprir a eventual cassação de sua chapa. O julgamento deve ficar para 2024.

Flávio Dino e Sergio Moro já estiveram frente a frente em maio durante audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado. Na ocasião, o titular da pasta disse ao senador que “foi-se o tempo em que se rasgava a lei, que se jogava a lei fora no Brasil” e que nunca teve uma sentença anulada – em alusão às anulações das condenações de Lula e outros réus da Lava Jato. O ex-juiz interrompeu a fala do ministro, alegando que estava sendo tratado com deboche. “Eu conheço muito bem a lei, eu sei que na minha gestão no Ministério da Justiça a gente reduziu os assassinatos em 20%, coisa que eu não vi ainda”, disse Moro.

Dino negou agir com deboche. “Eu fui juiz, nunca fiz conluio com o Ministério Público. Nunca tive sentença anulada. Por ter sido um juiz honesto, por ter sido um governador honesto, é que eu não admito que ninguém venha dizer que eu tenho que ser preso, isso é desrespeito”, afirmou Dino. “Ninguém vai me impedir de defender a minha honra”, completou.

“Vingadores”

Apesar do cenário favorável, Dino não deverá encontrar clima ameno no Senado. A lista de desafetos na Casa é grande. “Se o senhor é da SWAT, eu sou dos Vingadores”, disse o ministro ao senador Marcos do Val (Podemos-ES) durante uma audiência pública no Congresso, ao melhor estilo de quem não foge de uma briga. Por esse tipo de comportamento, já foi chamado de “cínico”, “ideológico” e “desrespeitoso” pela oposição. O ministro, no entanto, é reconhecido até mesmo pelos adversários pela habilidade política com que costura suas alianças nos três poderes. Juiz federal por 12 anos, presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e foi o primeiro secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) antes de renunciar à magistratura para entrar na vida política em 2006, quando se elegeu deputado federal. Na Câmara, chegou a apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) prevendo mandato de 11 anos para ministros do STF.

Depois de fracassar na disputa à prefeitura de São Luís, em 2008, e ao governo do Maranhão, em 2010, Dino se reacomodou em Brasília como presidente da Embratur na gestão Dilma Rousseff. Em 2014, elegeu-se para o primeiro de seus dois mandatos como governador. Ainda pelo PCdoB, impondo derrota histórica ao clã Sarney no estado.

Em 2022, Flávio Dino foi eleito senador, desta vez pelo PSB, seu atual partido. Apesar da vitória eleitoral, nunca chegou a exercer o cargo: logo ao assumir seu terceiro mandato, o presidente Lula o nomeou como ministro da Justiça. Sua cadeira no Senado, desde então, é ocupada pela suplente Ana Paula Lobato (PSB-MA), que poderá se tornar titular caso o ministro seja aprovado na sabatina.

Como ministro da Justiça, Dino se destacou pelo discurso antiarmamentista, tendo desde janeiro editado uma série de medidas para restringir o armamento civil no país, contrapondo-se à política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse posicionamento o tornou alvo de oposição ferrenha da bancada do PL e de demais parlamentares bolsonaristas na Câmara e Senado. Se dentre partidários de direita, Dino se tornou alvo constante de ataques, na esquerda, o ministro se tornou um símbolo de enfrentamento ao bolsonarismo. Sua provável ida para o Supremo agrada aos petistas, que viam nele um eventual postulante à Presidência da República em 2026. Ao menos para a próxima eleição, esse risco parece afastado.

AUTORIA

Edson Sardinha

EDSON SARDINHA Diretor de redação. Formado em Jornalismo pela UFG, foi assessor de imprensa do governo de Goiás. É um dos autores da série de reportagens sobre a farra das passagens, vencedora do prêmio Embratel de Jornalismo Investigativo em 2009. Ganhou duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog. Está no site desde sua criação, em 2004.

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Pauta econômica do governo avança pelo Senado e deve render R$ 22 bi

Mesmo sem a presença em plenário do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o Senado deve avançar com a apreciação das pautas econômicas consideradas prioritárias pelo governo do presidente Lula. Nesta terça-feira (28), a expectativa é que o Senado aprove o projeto de lei (PL) que taxa fundos exclusivos e offshore. na quarta (29), a votação deve se dar em torno do PL das apostas esportivas. Juntas, as duas medidas podem render cerca de R$ 22 bilhões aos cofres públicos.

A expectativa é que a taxação das apostas esportivas traga R$ 700 milhões para os cofres públicos em 2024. Deve ser o primeiro projeto econômico aprovado depois do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pedir esforço concentrado para a pauta econômica.

Segundo o parecer aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), serão cobrados 18% sobre a receita obtida com os jogos, descontando os prêmios pagos aos ganhadores de apostas. Já os prêmios em si terão imposto de 30%.

O texto estabelece que a Fazenda irá conceder autorização para agentes atuarem no setor de apostas esportivas. Essas autorizações terão prazo de cinco anos, custarão R$ 30 milhões e só poderão ser emitidas para empresas.

O projeto regulamenta e taxa as apostas de cota-fixa, também chamadas de “bets”. As apostas poderão ser feitas somente para “eventos reais de temática esportiva”, segundo o relatório atual.

Já o projeto de offshore chega ao plenário com urgência constitucional. O relator da taxação de super-ricos, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), manteve o texto aprovado na Câmara para o projeto. Se não houver mudança em plenário, a proposta seguirá diretamente para a sanção presidencial.

A taxação de super-ricos foi uma promessa de campanha do governo Lula (PT), que busca meios de taxar grandes fortunas. Além disso, o projeto aumenta a arrecadação e é uma das formas de perseguir a meta de déficit zero do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

CONGRESSO EM FOCO

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Presidente do Senado apresenta projeto que regulamenta inteligência artificial

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) apresentou, em maio, o PL (Projeto de Lei) 2.338/23, que regulamenta o uso da IA (Inteligência Artificial). O texto estabelece normas gerais para o desenvolvimento e implementação responsável de sistemas seguros das ferramentas que envolvem a tecnologia no Brasil, com o objetivo de proteger direitos fundamentais.

A proposta é resultado de relatório apresentado em dezembro de 2022 por comissão de juristas instalada no Senado, chefiada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O projeto de lei tem 5 pilares: princípios, direitos dos afetados, classificação de riscos, obrigações e requisitos de governança, e supervisão e responsabilização.

Há a previsão, por exemplo, da necessidade de informação prévia sobre interações com sistemas de inteligência artificial e de explicação sobre decisões ou recomendações tomadas por esses, com o direito de contestá-las e solicitar intervenção humana.

O texto também estabelece que as pessoas não podem ser discriminadas por sistemas de IA.

Proibições
São proibidos, segundo o projeto, o uso e a implementação de sistemas de IA que busquem induzir atitudes perigosas ou prejudiciais à saúde ou à segurança. Os sistemas também não podem explorar vulnerabilidades de grupos específicos, como idosos e pessoas com deficiência, nem “avaliar, classificar ou ranquear as pessoas”, com base em comportamentos.

Pelo texto, o uso de sistemas de identificação biométrica à distância, de forma contínua e em espaços públicos, só pode ocorrer quando houver previsão legal específica e autorização judicial relacionada à persecução penal individualizada, para crimes com pena máxima superior a 2 anos, delitos em flagrante ou buscas de vítimas e pessoas desaparecidas.

Sistemas considerados de alto risco
O projeto lista ainda os sistemas de IA considerados de alto risco. Nesses casos, as regras de uso são mais restritas — tornam-se obrigatórias a avaliação de impacto algorítimico e a adoção de outras medidas de governança previstas no texto, que envolvem principalmente transparência e gestão de dados.

A proposta ainda trata da responsabilidade civil pelos sistemas de IA. Conforme o texto, o fornecedor ou operador “que cause dano patrimonial, moral, individual ou coletivo é obrigado a repará-lo integralmente, independentemente do grau de autonomia do sistema”.

A supervisão e fiscalização das regras ficará a cargo de alguma autoridade ainda não definida, a ser designada pelo Executivo federal. O projeto traz também diversas possibilidades de sanções, que vão desde advertência até proibição total.

De acordo com Laura Schertel Mendes, professora de Direito Civil e relatora da comissão responsável pelo projeto, “quando se fala em regulação de inteligência artificial, é fundamental pensarmos em uma abordagem de riscos, e ao mesmo tempo estabelecer um modelo que garanta direitos, de modo que se possa mitigar os riscos comumente apresentados por esses sistemas, como os riscos de discriminação, falta de transparência e incorreções dos resultados ou da base de dados utilizada.”

O que é IA
IA, segundo o Cambridge, está relacionado ao desenvolvimento de sistemas de computador capazes de realizar tarefas que exigem inteligência humana, como percepção visual, reconhecimento de fala, tomada de decisão e tradução entre idiomas.

IA envolve a criação de algoritmos e modelos que permitem que as máquinas processem informações, aprendam com dados, tomem decisões, resolvam problemas e interajam com o ambiente de maneira inteligente.

Tramitação
Projeto está em discussão na Ctia (Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial no Brasil) do Senado, que tem realizado audiências públicas para discussão da matéria. Já foram realizadas 14 reuniões. A mais recente foi dia 1º de novembro. O relator da proposta é o senador Eduardo Gomes (PL-TO).

Nota das centrais em apoio ao projeto
As centrais sindicais, por meio de nota pública, “declaram seu apoio à iniciativa e à aprovação” do projeto de lei.

“Consideração necessária sobre o Projeto de Lei 2338 de 2023 é que uma regulamentação geral sobre a utilização da Inteligência Artificial é importante e fundamental”, está escrito na nota.

“Não é possível garantir uma sociedade em que haja um grau razoável de autonomia pessoal, compatível com as garantias fundamentais expressas na Constituição Federal, sem que esses sistemas se subordinem a determinados princípios garantidores da segurança, transparência, rastreabilidade, não discriminação e, especialmente, supervisão e possibilidade de revisão humana”, acrescenta.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/no

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

82,1% das negociações salariais de outubro resultaram em ganhos reais, segundo Dieese

Análise das negociações de outubro, registradas no Mediador até 5 de novembro, mostra que 82,1% dos reajustes resultaram em ganhos reais acima do INPC-IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Outros 4,5% resultaram apenas na recomposição das perdas dos últimos 12 meses, e 13,4% ficaram abaixo da inflação no período. Os dados são do boletim “De Olho nas Negociações” do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), de novembro de 2023.

Nova queda na variação real média
Em outubro, houve nova queda na variação real média, que se mantém positiva, agora em 0,75% acima do INPC, aproximando-se dos valores apurados nas 3 primeiras datas-bases de 2023.

O valor do reajuste necessário para as categorias com data-base em novembro é de 4,14%, segundo o INPC-IBGE, o que mostra leve inflexão no movimento de alta observado nas últimas datas-bases e indica certa estabilização das taxas inflacionárias.

Após redução do percentual de negociações com reajustes parcelados em setembro, na comparação com agosto, a taxa voltou a subir em outubro, atingindo 4,5% do total na data-base. É, no momento, a segunda maior marca no ano, atrás apenas de agosto. Por outro lado, o percentual ainda é menor do que o observado em outubro de 2022.

Reajustes escalonados e negociações salariais
Reajustes escalonados — aqueles em valores diferentes segundo faixa salarial ou tamanho da empresa —, foram registrados em 6% das negociações de outubro, o menor percentual em todo o período considerado — Gráfico 5.

O quadro atual das negociações de janeiro a outubro de 2023 mostra reajustes acima do INPC em 78,3% dos instrumentos coletivos analisados; resultados iguais à inflação, em 16,4%; e abaixo dessa, em 5,4%.

A variação real média no ano é, no momento, igual a 1,13% acima do INPC. Foram analisados, até o momento, 15.822 reajustes salariais de 2023.

Por setor, nota-se maior frequência de ganhos reais na indústria (83,1% dos reajustes do segmento) e, depois, nos serviços (80,3%).

No comércio, o percentual de resultados acima do INPC é menor (57,9%). No entanto, a presença significativa de correções iguais à inflação nesse setor (37,2%) faz com que o percentual de reajustes abaixo do INPC seja próximo ao da indústria, que foi o menor entre os 3. Importante frisar que a análise levou em conta somente esses 3 segmentos.

Resultado por região
Cerca de 82% das negociações do Sudeste registraram ganhos reais, entre janeiro e outubro de 2023 — o maior percentual entre as regiões geográficas.

O menor percentual de resultados acima da inflação foi observado no Nordeste (71,2%). Em relação aos reajustes abaixo da inflação, a menor frequência continua no Sul (1,6%); e a maior, no Norte (10,3%).

Cerca de 2/3 dos resultados analisados em 2023, até outubro, foram definidos em acordos coletivos; os demais, em convenções coletivas. Nos acordos, 80,5% dos reajustes resultaram em ganhos acima do INPC; 14% em valores iguais ao índice inflacionário; e 5,5% ficaram abaixo da inflação.

Nas convenções, o percentual de negociações com ganhos reais é cerca de 7 p.p. (pontos percentuais), (menor do que nos acordos (73,6%); e o de reajustes iguais ao INPC, 7 p.p. maior. Reajustes abaixo da inflação estão presentes em 5,1% das convenções coletivas.

Pisos salariais
Os valores dos pisos salariais são apresentados, a seguir, em 2 indicadores:

1) valor médio, equivalente à soma dos valores de todos os pisos, dividida pelo número de pisos observados; e

2) valor mediano, correspondente ao valor abaixo do qual está a metade dos pisos analisados. A vantagem da apresentação do valor mediano é que esse sofre menos a influência dos valores extremos da série, indicando melhor a distribuição dos pisos.

De janeiro a outubro de 2023, o valor médio dos 15.864 pisos salariais analisados foi de R$ 1.638,85; e o valor mediano, de R$ 1.531,36. Na comparação entre os setores, o maior valor médio foi observado nos serviços (R$ 1.676,01); e o menor, no setor rural (R$ 1.558,60).

Quanto aos valores medianos, o maior foi registrado na indústria (R$ 1.573); e o menor, no comércio (R$ 1.505,05).

No recorte geográfico, os maiores pisos salariais médios e medianos negociados de janeiro a outubro de 2023 são os do Sul, respectivamente, R$ 1.705,52 e R$ 1.648,27; e os menores, os do Nordeste, respectivamente, R$ 1.501,79 e R$ 1.369,43.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/91615-82-1-das-negociacoes-salariais-de-outubro-resultaram-em-ganhos-reais-segundo-dieese