por NCSTPR | 21/11/23 | Ultimas Notícias
GABRIELLA SOARES
Com o fim do ano se aproximando, o Congresso entra em semanas de intensa votação para garantir o avanço de medidas ainda em 2023. A partir desta segunda-feira (20), a pauta deve se voltar mais fortemente para projetos econômicos, com a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) deve votar o relatório final da LDO até quarta-feira (22). O relator, deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), já anunciou que o governo Lula não irá alterar a meta fiscal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, conseguiu manter a posição de perseguir a meta de déficit zero em 2024.
Além do Orçamento, os congressistas devem se aprofundar em pautas econômicas, como foi o pedido de Haddad na última semana. Na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) deve definir o futuro da reforma tributária, que retornou para análise dos deputados depois da aprovação dos senadores. No Senado, entre os temas que devem ser analisados está a regulamentação de apostas esportivas.
O texto já passou pela análise da Comissão de Esporte do Senado, mas ainda precisa do aval da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Segundo o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o texto vai para o plenário em seguida, na terça-feira (21).
A CAE deve começar ainda a análise do projeto de taxação de offshores e de fundos exclusivos dos super-ricos. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentará seu parecer, mas os senadores ainda podem pedir mais tempo de análise antes da votação.
Ainda na terça-feira (21), os senadores devem votar em plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita as decisões individuais do Supremo Tribunal Federal (STF). Há a possibilidade de votação em dois turnos no mesmo dia, já que há um clima favorável para aprovar o texto.
A análise de PECs deve continuar no Senado com dois textos – um que proíbe militares da ativa de participar de eleições e outro que coloca a segurança alimentar como um direito fundamental. As análises estão marcadas para quarta-feira (22).
No dia seguinte, quinta-feira (23), os congressistas devem votar os vetos de Lula ao marco temporal. A sessão também deve contar com outros vetos importantes, como os interpostos ao arcabouço fiscal e à lei do Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais).
Os temas são alvo de disputa entre oposição e governo. A derrubada dos vetos do marco temporal é uma demanda da bancada do agro por meio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que negocia com o governo um acordo sobre o tema.
O líder do Governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), afirmou ao Congresso em Foco que serão analisados 44 vetos e todos serão disputados com a oposição.
Ministros no Congresso
Além da análise de PECs, projetos de lei e vetos, os senadores e deputados também devem realizar diferentes reuniões para ouvir ministros. Veja as audiências públicas marcadas:
- o ministro da Justiça, Flávio Dino, na Comissão de Segurança Pública da Câmara, na terça-feira (21), às 9h;
- a ministra da Mulher, Cida Gonçalves, na Comissão de Direitos Humanos, na terça-feira, às 9h;
- a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na CPI das ONGs do Senado, na terça-feira (21), às 11h;
- a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na Comissão de Agricultura da Câmara, na terça-feira (21), às 14h;
- os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da Previdência, Carlos Lupi, na Comissão de Administração e Serviço Público, na terça-feira (21), às 16h;
- o ministro da Educação, Camilo Santana, em reunião conjunta da Comissão de Agricultura, Educação e Fiscalização e Controle, na quarta-feira (22), às 9h30;
- o ministro do Esporte, André Fufuca, na Comissão de Esporte do Senado, na quarta-feira (22), às 10h; e
- a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, na quarta-feira (22), às 15h.
AUTORIA
GABRIELLA SOARES Jornalista formada formada pela Unesp, com experiência na cobertura de política e economia desde 2019. Já passou pelas áreas de edição e reportagem. Trabalhou no Poder360 e foi trainee da Folha de S.Paulo.
por NCSTPR | 21/11/23 | Ultimas Notícias
LUCAS NEIVA
Logo após o anúncio da vitória do candidato de extrema-direita nas eleições presidenciais da Argentina, Javier Milei, da coalizão La Libertad Avanza, líderes do governo brasileiro na Câmara e no Senado desejaram sucesso ao futuro presidente, mas manifestaram receio com posições autoritárias e a possibilidade de o país vizinho se isolar e se afastar do Brasil.
O presidente Lula foi o primeiro chefe de Estado a se pronunciar em suas redes. Sem citar o nome de Milei, parabenizou a Justiça eleitoral da Argentina, ressaltando que “a democracia é a voz do povo, e ela deve ser sempre respeitada”. O mandatário desejou sorte ao novo governo, garantindo que “o Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”.
Alexandre Padilha, secretário de Relações Institucionais do Planalto, somou-se à fala do presidente. “Desejo sucesso e prosperidade para o país sob a nova liderança”, declarou. O líder do PT no Senado, Fabiano Contarato (ES), replicou o gesto, porém demonstrando sua preocupação com os caminhos do país vizinho. “Independentemente do resultado, Javier Milei deve governar para todos e manter o diálogo com todos os países. É o que se espera de um chefe de Estado”, publicou.
A preocupação de Contarato não acontece por acaso. Ao longo de sua campanha, Javier Milei anunciou que romperia relações com países não alinhados à sua pauta, incluindo o Brasil, que é o terceiro maior parceiro comercial da Argentina. O senador acrescentou o desejo de “que as autoridades eleitas considerem sempre o necessário e imperioso compromisso com os Direitos Humanos”.
O senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), líder do governo no Congresso Nacional, foi direto ao expressar o temor quanto às consequências da vitória eleitoral de Milei. “O resultado das eleições argentinas corroboram que o avanço da extrema-direita, potencializado pelas redes, é uma realidade em todo o mundo. (…) Para nós, no Brasil, fica a lição e o alerta. É preciso estar atento e forte!”, afirmou.
A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do PT, também ressaltou o temor a respeito do impacto de Milei sobre os caminhos do Brasil. “Seguiremos solidários no desafio de construir a integração entre nossos países e o fortalecimento do Mercosul. Esperamos que tais esforços não sejam interrompidos pelo novo governo, porque representam a possibilidade de um futuro melhor e mais justo para toda a América do Sul”, disse em seu perfil no Twitter.
O PT deu apoio oficial direto à candidatura do peronista Sergio Massa, tendo inclusive enviado publicitários à Argentina para auxiliar em sua campanha. Gleisi destacou a importância de reconhecer a derrota, manifestando a confiança na força de oposição eleita ao parlamento. “Confiamos que o povo argentino e suas instituições saibam atravessar este novo e duríssimo teste para a sua democracia, representado pela eleição de Milei”.
O cientista político André Pereira César, da consultoria legislativa Hold, explica que a vitória de Milei ao Poder Executivo não foi acompanhada pela formação de maioria em nenhuma das Casas legislativas do país. Além disso, ao contrário do que comumente acontece no Brasil, não há uma ala pragmática expressiva no Congresso argentino, como o Centrão brasileiro. “Javier Milei vai governar com sérias dificuldades, havendo risco de sequer concluir o mandato”, apontou.
Juliano Medeiros, dirigente e ex-presidente do Psol, que foi à Argentina acompanhar a campanha de Sergio Massa, também defendeu que a oposição mantenha a postura firme durante o próximo governo. “Já vivemos tragédia semelhante à que viverão os argentinos com Milei. E sabemos como vencer: resistência, unidade e mobilização. Os irmãos e irmãs argentinas podem contar com os lutadores e lutadoras do Brasil. Derrotar a extrema direita é missão de todos nós”, relembrou.
AUTORIA
LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.
por NCSTPR | 21/11/23 | Ultimas Notícias
CONGRESSO EM FOCO
Allan Titonelli Nunes e Daniel Giotti de Paula *
Byung Chul-Han chama de regime de informação a atual “forma de dominação na qual informações e seu processamento por algoritmos e inteligência artificial determinam decisivamente processos sociais, econômicos e políticos”. Isso é facilmente perceptível, assim como o avanço da digitalização sobre o mundo da vida, que causa uma espécie de “embriaguez de comunicação e informação”. Forças destrutivas afetam os âmbitos políticos, que podem levar a fraturas e disrupções massivas no processo democrático, a ponto de o filósofo sul-coreano sugerir que a democracia se degenera em infocracia, pois:
“A democracia está em perigo onde quer que cidadãos interajam com robôs de opinião, se deixando manipular por eles, onde quer que operadores, cuja procedência e motivos são completamente ocultos, interfiram e se intrometam nos debates públicos. Na campanha eleitoral como guerra de informação, não são os melhores argumentos que prevalecem, mas algoritmos independentes. Nessa infocracia, nessa guerra de informação, não há lugar para o discurso”.
O assunto merece análise jurídica, pois, se as constituições modernas tratam de democracia, sua degeneração é algo a ser combatido institucionalmente.
A infocracia é uma degeneração contemporânea, mas não se pode esquecer que ausência de serviços públicos implica promessas não cumpridas da modernidade, o que também configura uma democracia degenerada.
Isso porque a cidadania se consagra pelo exercício de seus direitos, entre eles o de voto é o mais elementar, pois os direitos foram conquistados pela participação política ativa do cidadão.
Infelizmente, o descolamento dos interesses dos cidadãos e das classes políticas aqui no Brasil tem se intensificado e pode ser aferido pelas últimas pesquisas de avaliação do grau de confiabilidade das instituições, em que os partidos políticos e o Congresso Nacional estão nas duas últimas colocações.
Isso traz riscos, pois gera descrença nas instituições, e a participação cívica ativa garante e fomenta a democracia, nessa relação imbricada entre ela e a cidadania.
Inevitável concluir que é preciso mudar as práticas políticas. Em última análise, poderíamos dizer, que nossa democracia estaria enfrentando uma crise de representatividade e legitimidade.
O fenômeno, porém, é mundial. Francisco Bosco aponta que as populações têm precificado o déficit de democracia, de modo que “entre 1979 e 2014, a média de comparecimento nas eleições que decidiam os representantes do povo no Parlamento europeu caiu vinte pontos, numa baixa recorde de 43%. Em muitos países, apenas uma em cada três pessoas se dispunham a votar. Nos Estados Unidos, até meados dos anos 1960, 70% dos americanos confiavam no seu governo ‘na maior parte do tempo’ ou ‘quase sempre’. Mas por volta da reeleição de Obama, em 2012, esses números despencaram para apenas 22%”.
A necessidade de interação e congruência de interesses entre os cidadãos e a classe política exige acesso à informação, transparência e publicidade, princípios fundamentais para a prestação de contas à sociedade, consistindo em deveres da administração para com o cidadão. Yang e Maxwell abordam sobre a importância do compartilhamento de informação, fazendo referências sobre sua contribuição para a democracia.
Portanto, a tecnologia pode permitir maior interação e comunicação entre os cidadãos e os poderes públicos, de modo que existe uma digitalização que fomenta a democracia, ao invés de levar a que se degenere em infocracia.
Assim, para haver equilíbrio entre o poder da sociedade e o poder do Estado, é preciso que coexista “uma sociedade que tem voz e está vigilante e disposta a se envolver em política e contestar o poder.
Se por um lado se sabe que o regime de dominação da digitalização massiva do mundo da vida pode enfraquecer a democracia, pode-se pensar também a tecnologia como aliada governamental para atender aos reclamos da sociedade, para então servir ao propósito da sociedade civil de conter o poder estatal.
Por exemplo, Barcelona é uma cidade exemplo de integração da tecnologia com um ambiente mais democrático, tendo sido escolhida em 2014 como a Capital Europeia da Inovação.
A cidade digital estratégica (CDE) objetiva melhorar o serviço público disponibilizada ao cidadão, promovendo sua participação, focando em conectividade, disponibilidade de informações, tecnologia, monitoramento e infraestrutura, para alcançar os resultados almejados.
Considerando a revolução na informação provocada pela internet não se pode conceber um governo como democrático se este deixa de cumprir com seus deveres básicos, enfim não há democracia sem informação, alerta esse já feito, muito antes do surgimento da internet, por Albert Einstein “Tecnologia é o que permite a comunicação, e comunicação é fundamental para a democracia”.
Filosoficamente, a transparência, no sentido de que seja imperativo atualmente tudo estar disponível na condição de informação, leva ao paradoxo de que livres são os dados, não as pessoas, aprisionadas nas informações, além do que “a própria transparência nunca é transparente”, pois quem estabelece os algoritmos e quem faz a mineração de dados pode controlar a sociedade.
Entretanto, do ponto de vista institucional, a transparência ajuda a sociedade.
Vale destacar, nesse sentido, alguns aplicativos colaborativos de destaque, os quais se pudessem utilizar de dados abertos dos governos do Brasil em determinadas áreas poderiam evoluir ainda mais. O Primeiro exemplo é o Waze, aplicativo colaborativo de trânsito, que hoje funciona melhor que as agências oficiais destinadas a fazer esse papel, tanto é assim que alguns veículos de comunicação fizeram parcerias com o aplicativo para divulgação de informações sobre o trânsito.
Um outro aplicativo colaborativo de sucesso é o Onde tem Tiro, que se integrasse aos sistemas de segurança pública poderia ser ainda mais eficiente na sua missão de divulgação.
Nesse sentido específico, um Estado transparente fornece liberdades civis e direitos fundamentais indistintamente, devendo ele se valer da tecnologia para fomentar o exercício pleno da cidadania, promovendo essa como fundamento da democracia, uma promessa ainda não totalmente concretizada.
O Brasil tem avançado nesse caminho, tanto assim que alcançou a segunda colocação em ranking de maturidade digital do World Bank, mas ainda há muito o que ser feito.
Inclusive, dada a relevância da temática, o governo da Alemanha tem participado e promovido eventos que tem como escopo a democracia digital, havendo diversos projetos com a Fundação Getúlio Vargas, entre eles o Workshop internacional de digitalização e democracia, palestra proferida pela Ministra das Relações Exteriores da Alemanha sobre Democracia e Digitalização: Desafios da Era Digital e o Projeto sobre democracia digital.
E uma nova etapa dessas discussões foi debatida em outubro deste ano, em um Curso Internacional na Alemanha sobre “Digitalização e Democracia – um Diálogo Brasil-Europa”. Naquela oportunidade, o professor João Carlos Souto, palestrando sobre “Big Data, eleição de Donald Trump (2016) e mecanismos de defesa da democracia – Brasil e EUA, destacou que “a história recente demonstra que eleições democráticas e esfera pública digital no Brasil passaram por ações do STF.”
Da mesma forma, a Escola Superior da Advocacia-Geral da União e o Banco do Brasil promoverão um grande seminário tendo como temática Direito e Tecnologia, que será híbrido e ocorrerá nos dias 21 e 22 de novembro, no Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília, onde os temas aqui enfrentados serão debatidos. Observa-se, assim, a relevância de se construir caminhos democráticos em um Mundo cada vez mais integrado digitalmente.
* Allan Titonelli Nunes é procurador da Fazenda Nacional e desembargador eleitoral substituto do TRE-RJ, mestre em Administração Pública pela FGV, especialista em Direito Tributário, ex-Presidente do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal e do Sinprofaz. Membro da Academia Brasileira de Direito Político e Eleitoral (Abradep).
Daniel Giotti de Paula é doutor em Finanças Públicas, Tributação e Desenvolvimento pela UERJ, procurador da Fazenda Nacional e professor de Direito Financeiro e Tributário.
Referências:
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O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 21/11/23 | Ultimas Notícias
TRT-3
Ficou constatado que a profissional atendia pacientes portadores de doenças infectocontagiosas, e em isolamento, até que fossem recebidos pelo médico responsável do hospital.
Da Redação
A Justiça do Trabalho reconheceu o direito ao adicional de insalubridade em grau máximo a uma técnica de enfermagem que atendia pacientes no interior da ambulância, no transporte de doentes e acidentados ao pronto-atendimento hospitalar. Segundo constatou o juiz Bruno Occhi, no período em que atuou na vara do Trabalho de Teófilo Otoni, ao realizar os atendimentos emergenciais e a remoção das vítimas e pacientes em geral às unidades de saúde, a trabalhadora se expunha a agentes biológicos e doenças infectocontagiosas prejudiciais à saúde.
“O adicional de insalubridade representa uma compensação ao obreiro por prejuízos à sua saúde, pelo labor em locais que contenham agentes nocivos”, ressaltou o magistrado na sentença.
A técnica de enfermagem atuava como empregada do consórcio intermunicipal de saúde, responsável pelo gerenciamento dos serviços de urgência e emergência da macrorregião nordeste/Jequitinhonha do Estado de Minas Gerais. O empregador foi condenado a pagar à trabalhadora as diferenças relativas ao adicional de insalubridade no grau máximo (40%), já que ela recebia a parcela no grau médio ao longo do contrato de trabalho. Quanto à base de cálculo do adicional, determinou-se a utilização do salário da autora (e não do salário mínimo), conforme previsão em plano de cargos e salários dos empregados.
A decisão se baseou em perícia técnica que demonstrou que a técnica de enfermagem, em sua rotina de trabalho, mantinha contato direto com os pacientes, além de manusear objetos de uso pessoal deles, seja no local de atendimento, no interior da ambulância durante o deslocamento dos pacientes, bem como no próprio hospital para onde eles eram conduzidos.
Ficou esclarecido que esse contato ocorria diretamente, de forma habitual e permanente, inclusive com pacientes portadores de doenças contagiosas, como no caso da covid-19, isolados, ou não isolados, já diagnosticados ou não.
Diante das condições de trabalho apuradas, o perito concluiu que a técnica de enfermagem prestou serviços em condição de insalubridade, no grau médio e máximo, por todo o contrato, na forma prevista na NR 15, no anexo 14, que trata dos agentes biológicos nocivos à saúde. Segundo o pontuado, a insalubridade de grau máximo é decorrente do contato com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas, inclusive em isolamento, bem como com objetos do uso pessoal destes.
No caso, ficou constatado que a técnica de enfermagem atendia pacientes nessas condições, até mesmo nas áreas de isolamento do hospital para onde eram conduzidos, tendo em vista que ela prestava cuidados aos pacientes nesses locais, até que fossem recebidos pelo médico responsável do hospital.
No laudo pericial, ficou esclarecido ainda que, diante do grau de agressividade e das características específicas dos agentes biológicos nocivos à saúde humana, os equipamentos de proteção individual não são capazes de eliminar ou neutralizar os riscos presentes na prestação de serviços da técnica de enfermagem.
Ao acolher o pedido da técnica de enfermagem relativo ao adicional de insalubridade em grau máximo, o magistrado ressaltou que nada houve no processo capaz de afastar as conclusões do perito.
Em grau de recurso, os julgadores da 3a turma do TRT da 3a região mantiveram integralmente a sentença.
Processo: 0010230-55.2023.5.03.0077
Informações: TRT-3.
Migalhas: https://www.migalhas.com.br/quentes/397143/tecnica-de-enfermagem-recebera-insalubridade-por-atuar-em-ambulancia