NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

Dados mostram que a economia chinesa está se recuperando e pode atingir a meta de crescimento anual do país, de 5%.

Por g1


A China, segunda maior economia do mundo, cresceu 4,9% no terceiro trimestre, superando a previsão de 4,5% de analistas, mas desacelerou em relação ao crescimento de 6,3% no trimestre anterior, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (18).

Nos primeiros nove meses do ano, a economia da China cresceu 5,2% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os dados mostram que a economia chinesa está se recuperando e pode ser suficiente para atingir a meta de crescimento anual do país, de 5%.

A produção industrial em setembro cresceu 4,5% em relação ao ano anterior, mais forte do que o esperado, mas o ritmo foi o mesmo de agosto, segundo os dados.

O crescimento das vendas no varejo, um indicador do consumo, também superou as expectativas, subindo 5,5% no mês passado e acelerando em relação a um aumento de 4,6% em agosto.

Já o investimento em capital fixo cresceu 3,1% nos primeiros nove meses de 2023 em relação ao mesmo período do ano anterior.

No início deste ano, o crescimento foi impulsionado à medida que as pessoas voltavam aos centros comerciais e restaurantes, depois de quase três anos de restrições por causa da pandemia da Covid.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/10/18/pib-da-china-cresce-49percent-no-terceiro-trimestre.ghtml

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

Possível vitória de Milei na Argentina preocupa Brasil, diz Haddad

Economista Javier Milei é candidato à presidência em chapa de extrema-direita e venceu as eleições primárias da Argentina, realizadas em agosto. Haddad deu declaração à Reuters.

Por g1 — Brasília

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu que uma eventual vitória de Javier Milei – o candidato radical de extrema-direita que concorre à presidência na Argentina – preocupa o governo brasileiro.

“É natural que eu esteja (preocupado). Uma pessoa que tem como uma bandeira romper com o Brasil, uma relação construída ao longo de séculos, preocupa. É natural isso. Preocuparia qualquer um… Porque em geral nas relações internacionais você não ideologiza a relação”, disse Haddad em entrevista à agência Reuters.

Javier Milei é um economista argentino formado pela Universidade de Belgrano, tem 52 anos e é natural de Buenos Aires. Milei venceu as eleições primárias da Argentina, realizadas em agosto.

As primárias na Argentina são uma votação obrigatória para definir os candidatos que concorrerão às eleições presidenciais, marcadas para este domingo (22).

Por lei, todos os partidos são obrigados a fazer prévias — mesmo que haja um único candidato e isso seja só uma formalidade —, e todas as frentes políticas passam pelas primárias no mesmo dia.

De acordo com o ministro Haddad, “não se transpõe para as relações internacionais as questões internas”.

“Mesmo quando você tem preferências, manifestas ou não”, disse Haddad à Reuters, relembrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém relações amigáveis com chefes de Estado de várias vertentes políticas.

“É um vizinho do Brasil, principal parceiro na América do Sul. Então preocupa quando um candidato diz que vai romper com o Brasil. Você fez o quê para merecer esse tipo de tratamento”, questionou o ministro Haddad.

O jornal “El País” descreve Milei como um economista ultraliberal, que se declara “anarcocapitalista”. O argentino é contra o aborto, a favor do casamento homoafetivo, considera as mudanças climáticas “uma farsa” da esquerda e se identifica com a extrema direita do Vox na Espanha, também segundo o jornal.

“Estamos propondo um sistema bancário e a reforma monetária que acabará levando à extinção do Banco Central, onde os argentinos podem escolher sua moeda e não serem obrigados a suportar a moeda emitida pelos políticos argentinos”, disse Milei em entrevista à agência Reuters em maio de 2022.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/10/19/possivel-vitoria-de-milei-na-argentina-preocupa-brasil-diz-haddad.ghtml

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

Brasil resgata maior número de trabalho escravo da última década

Reflexo da herança escravagista, 2.592 pessoas foram encontradas nessa condição de janeiro a outubro deste ano. Desde 1995, foram mais de 60 mil

por Priscila Lobregatte

Em meio à luta contra uma chaga secular, o Brasil resgatou, de janeiro até outubro deste ano, o maior número de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão dos últimos dez anos, num total de 2.592 pessoas, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Os dados demonstram que, em pleno século 21, parte da população ainda é vítima desse tipo de crime, naturalizado pela tradição escravocrata brasileira. Por outro lado, apontam para um aumento nas operações de combate, fundamentais para pôr fim a essa vergonhosa marca.

“Este número sinaliza à sociedade brasileira que o trabalho escravo contemporâneo ainda é um problema importante no Brasil e que, por outro lado, o governo federal vem atuando de forma muito intensa e firme no combate a esse crime com um trabalho que vem mostrando resultados claros para a sociedade”, disse Matheus Viana, chefe da Divisão de  Fiscalização e Combate ao Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os dados acumulados desde 1995 mostram o quanto ao país ainda precisa avançar para garantir dignidade a toda a classe trabalhadora e erradicar definitivamente a “escravidão moderna”. Desde aquele ano até hoje, 61.711 pessoas foram encontradas nessas condições pela Inspeção do Trabalho. Nesse universo, os três municípios com o maior número de autos de infração registrados foram São Felix do Xingu (1.170), São Paulo (1.018) e Marabá (575). Nos últimos 10 anos, 85% dos trabalhadores resgatados eram do campo, com destaque para as culturas de café e cana de açúcar.

Segundo os dados de 2022, quando foram encontradas 2.587 pessoas exercendo trabalho análogo à escravidão, a grande maioria, 92%, era de homens. Destes, 83% se autodeclararam negros ou pardos, 15% brancos e 2% indígenas. Além disso, 51% residiam na região Nordeste e outros 58% eram naturais dessa região. O aumento da fome e da pobreza nos últimos anos contribuiu diretamente para a piora no quadro.

Trabalho doméstico

No Brasil, segundo dados do Dieese, em 2021 existiam cerca de seis milhões de pessoas exercendo o trabalho doméstico, das quais 91% são mulheres e 65% negras. Entre 2021 e 2022, uma em cada quatro não tinha carteira assinada, apesar de haver lei garantindo esse direito. Neste universo encontra-se o trabalho escravo doméstico.

Matheus Viana chama atenção para o crescimento nas ocorrências desse tipo de exploração. Ele argumenta que este é “um fenômeno que vem aumentando bastante nos últimos anos”, apesar de ser numericamente menor em termos absolutos — no ano passado, foram registrados 31 casos. Isso pode ter relação com diversos fatores, entre eles o fato de que numa ação de combate ao trabalho escravo doméstico, geralmente resgata-se uma trabalhadora.

Além disso, o tratamento dado às trabalhadoras domésticas muitas vezes não é visto como uma condição análoga à escravidão, o que dificulta a denúncia inclusive por parte delas. Ainda compõe esse ambiente de exploração velada as relações supostamente familiares que se desenvolvem entre o patrões e a trabalhadora. “Temos que chegar ao ponto de acharmos inaceitável o trabalho escravo doméstico e, mais ainda, a exploração do homem pelo homem. Essa é a minha esperança”, disse o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania,  Silvio Almeida, durante lançamento, em abril, de campanha contra esse tipo de exploração que, entre outras ferramentas, disponibiliza do Disque 100 para denúncias.

Ao Jornal da USP, a professora Vera Lúcia Navarro, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP/USP), destacou que “a história dos trabalhadores brasileiros está marcada por esse tipo de situação, o País não rompeu com o seu passado escravocrata. Debater esse tema é importantíssimo.”

Enfrentamento

O enfrentamento à degradação do trabalho tem sido um dos pontos centrais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre outras iniciativas, no final de setembro, os presidentes do Brasil e dos EUA, Joe Biden, lançaram um manifesto intitulado “Coalizão Global pelo Trabalho”, resultante de uma parceria inédita para promover a dignidade da classe trabalhadora.

O documento elenca cinco desafios urgentes a serem enfrentados. De maneira resumida, estes pontos destacam a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores, conforme as convenções OIT, oferecendo capacitação e acabando com a exploração, incluindo os trabalhos forçados e infantil; promover o trabalho seguro, saudável e decente; promover abordagens centradas nos trabalhadores para as transições digitais e de energia limpa; aproveitar a tecnologia para o benefício de todos e combater a discriminação no local de trabalho, especialmente para mulheres, pessoas LGBTQI e grupos raciais e étnicos marginalizados.

Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, “nossa missão não é simplesmente resgatar trabalhadores em condição análoga à escravidão ou da exploração de mão de obra de trabalho infantil. Nossa missão é anterior a isso, é evitar que aconteça. Mas isso não acabará se a sociedade não se envolver. Se não conseguirmos convencer o empresariado a fazer diferente”.

Marinho completou salientando: “nós desejamos ser um país moderno, um país que produz direitos com garantias. E não se tem garantias degradando a condição de trabalho. O ambiente hostil do trabalho leva à doença mental, acidente, infelicidade, absenteísmo brutal. Um ambiente acolhedor evita esse conjunto de questões”.

Com agências

https://vermelho.org.br/2023/10/19/brasil-tem-maior-numero-de-resgatados-em-trabalhado-escravo-da-ultima-decada/

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

TST reconhece vínculo empregatício entre entregador e Uber Eats

Trabalhador recorreu ao TST após ter seus direitos negados nas primeiras instâncias. Para relatora, plataformas usam processo de “gamificação” na rotina de trabalho

por Redação

Por decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), um trabalhador de São José dos Pinhais (PR) teve reconhecido seu vínculo de emprego com a empresa Uber Eats. Ao decidir em favor do entregador, a relatora do caso, desembargadora Margareth Rodrigues Costa, apontou que esse modelo de trabalho se orienta pelo processo de “gamificação” (uma referência aos videogames), que estimula ou desestimula os trabalhadores pela possibilidade de melhorar seus ganhos ou de receber punições indiretas.

Para a magistrada, esse processo nada mais é do que um exercício “repaginado” de subordinação jurídica, por meio do algoritmo. Além disso, no que diz respeito ao poder diretivo da empresa, ela lembrou a prerrogativa de descadastramento do trabalhador caso este desatendesse as condições exigidas, a remuneração determinada pela empresa e a inserção do trabalho na dinâmica da atividade econômica desenvolvida pela empresa.

Por outro lado, apontou, o entregador tinha de ficar conectado à plataforma, era avaliado e sofria bloqueios conforme as avaliações. “A empresa, de forma totalmente discricionária, decidia sobre a oferta de trabalho, o rendimento e até pela manutenção ou não do reclamante na plataforma. O que é isso se não o poder diretivo?”, questionou.

Ela salientou, ainda, que “o direito do trabalho e seus princípios protetores devem abranger os entregadores de aplicativos, visto que nada há de incongruente entre os seus pressupostos e o modelo de negócios das empresas que prestam serviços e que controlam trabalhadores apenas por meio de plataformas digitais, cabendo ao poder judiciário a constante releitura das normas trabalhistas em face desses novos arranjos produtivos, mas sempre em compasso com o horizonte constitucional da dignidade humana e do trabalho protegido por um sistema público de proteção social”.

Na ação, julgada pelo TST no começo deste mês, o entregador argumentou que prestara serviços para a Uber entre maio e julho de 2021, sem registro na carteira de trabalho, até ser descredenciado. Para requerer o vínculo de emprego, apresentou prints (imagens) dos registros diários de corridas, trajetos, horários e valores recebidos, obtidos a partir da plataforma digital da própria empresa.

O vínculo foi negado em primeiro grau e pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que consideraram que a relação era de parceria, e não de subordinação.

Com informações do TST

(PL)

https://vermelho.org.br/2023/10/19/tst-reconhece-vinculo-empregaticio-entre-entregador-e-uber-eats/

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

“Democracia venceu o fascismo”, diz Eliziane depois de aprovação do relatório da CPMI

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI dos Atos Golpistas, afirmou nesta quarta-feira (18) que a aprovação de seu relatório é um marco. O parecer apresentado pela congressista foi aprovado por 20 votos a 11.

“Hoje é um dia simbólico para o Brasil e para o mundo. O Brasil, e sobretudo o Congresso Nacional, dá uma resposta de intolerância a atos antidemocráticos. É uma demonstração de que a democracia venceu o fascismo, a barbárie e que a democracia e as instituições brasileiras, mais do que nunca, são fortes”, disse Eliziane.

Em seu relatório, Eliziane aponta Jair Bolsonaro (PL) como o “mentor moral e intelectual” dos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo ela, o ex-presidente tentou dar um golpe de Estado. O ex-presidente e outras 60 pessoas são alvos de pedidos de indiciamento. Metade delas, militares.

Veja a íntegra do relatório da senadora

A relatora e os integrantes governistas deixaram o auditório da CPMI e foram em caminhada, juntos, até a Praça dos Três Poderes. Segundo o grupo, é um ato simbólico para reocupar “o centro do poder” no Brasil, que foi palco dos atos golpistas no 8 de janeiro.

O presidente da CPMI, deputado Arthur Maia (União Brasil-BA), elogiou o fim dos trabalhos e afirmou que sentimento de “valorização da democracia” é o que marca o resultado do colegiado.

“Nós não podemos admitir nunca mais que se fale contra a democracia. Não podemos admitir nunca mais, independente se tivemos ou não tivemos uma tentativa de golpe de Estado”, disse o presidente da CPMI.

Para Arthur, só seria uma tentativa de golpe de Estado com uma força militar para impor a ação. O deputado elogiou o Exército por não se deixar “levar pelo canto da sereia” de uma intervenção militar.

Com a aprovação do relatório de Eliziane, os pareceres paralelos apresentados pela oposição perdeu sentido e não chegou a ser votado. Nele, os congressistas pediam o indiciamento de Lula por prevaricação.

GABRIELLA SOARES

PIB da China cresce 4,9% no terceiro trimestre

Os donos do poder estão brincando com fogo

“À medida que seu poderio como superpotência mundial declina, os Estados Unidos estão cada dia mais, e com mais empenho, a estimular conflitos religiosos, ideológicos, geográficos, etc., pelo mundo. Esses donos da guerra, e seus asseclas das potências regionais, estão, porém, a brincar com fogo”.

O artigo é de André Márcio Neves Soares, doutorando em Políticas Sociais e Cidadania pela UCSAL – Universidade Católica do Salvador.

Eis o artigo.

Os donos do poder estão brincando com fogo. E não é de hoje!

Com efeito, no início do verão europeu, antes de estourar a Primeira Guerra Mundial, nas tradicionais férias de julho de 1914, os principais líderes das grandes potências fizeram o de sempre: saíram de férias. Mesmo as décadas anteriores tendo sido marcadas por uma escalada, sem precedentes, na corrida armamentista mundo afora, ninguém apostava em uma guerra que viria a envolver o planeta nos quatro anos seguintes, com graves e extensas consequências.

Do mesmo modo, a Segunda Guerra Mundial – hoje vista como uma extensão da primeira – não era desejada por ninguém, salvo a Alemanha. Contudo, mesmo Hitler ascendeu ao poder alemão pelas vias democráticas, depois de uma tentativa de golpe de Estado fracassada alguns anos antes. Naquele momento, os líderes das principais potências vencedoras do bloco ocidental ainda acreditavam que podiam controlar Hitler através de concessões econômicas e territoriais. Todos sabemos como tudo acabou…

Mas o que temos de concreto, ao final, é que os últimos 80 anos foram afetados, em maior ou menor medida, pelas duas grandes guerras que o século passado nos legou.

Feita essa breve digressão, é imperioso acender o alerta para as atitudes inconsequentes dos atuais líderes mundiais nesses últimos anos, quiçá décadas. Bem de ver, se já não bastasse o grande desafio que precisamos enfrentar, resultante das profundas mudanças climáticas já sentidas em todo o globo, fruto das ações irresponsáveis de grupos políticos incrustados no poder das maiores potências mundiais, agora estamos diante de um tipo de fogo que já deveríamos ter extinguido definitivamente: uma Guerra Mundial, a Terceira.

Nesse contexto, se o conflito bélico envolvendo a Rússia e a Ucrânia já denotava um potencial devastador para as pretensões de paz mundial – na medida em que a OTAN tem fornecido toda a ajuda possível para aquele segundo país, sob as ordens expressas dos Estados Unidos –, o estouro do novo e mais intenso conflito das últimas décadas entre o Hamas e Israel pode levar o mundo ao colapso.

Veja bem, caro leitor, nos dois conflitos mencionados acima, é preciso ir além da vã filosofia midiática, que tenta sempre tratar um dos lados como vilão e o outro como vítima. Em tempos de pós-modernidade líquida, é certo que as notícias e as verdadeiras informações estão tão disponíveis quanto as “fake news”. Por conseguinte, quem quiser entender melhor o momento singular em que vivemos, deve avançar nas buscas por informações que tenham credibilidade, para tentar elaborar suas próprias conclusões, com base nos fatos apresentados.

Destarte, apresento aqui a minha conclusão, de maneira sucinta, com o objetivo de estimular o debate e a crítica fundamentada: os dois principais conflitos que estão atualmente em destaque na mídia – posto que existem vários outros “esquecidos” por ela – não são, de forma alguma, dois fatos isolados, mas duas faces de uma mesma moeda, ainda que possuam especificidades regionais diferentes.

Para quem possa duvidar, vamos enumerar algumas considerações que embasam esse argumento.

Em primeiro lugar, nem no conflito Rússia x Ucrânia, nem nesse mais recente entre Israel x Hamas existe um “mocinho”, ou seja, todos esses atores são culpados por tudo que vem ocorrendo em suas regiões.

No conflito Rússia x Ucrânia, apesar da Rússia ser a agressora e ser responsável pela submissão da população civil do país invadido a atrocidades, ela não atacou de súbito, por uma mera vontade sanguinária do seu atual governante, um ditador. Mesmo se considerarmos as impressões digitais de uma Rússia expansionista, pelo menos regionalmente falando, a verdade é que os Estados Unidos violaram sistematicamente o acordo firmado entre o então presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, e o então secretário de Estado norte-americano, James Baker, que estabeleceu que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não avançaria “nem uma polegada em direção ao Leste da Europa”. Isso em pleno 1991. Não há como ignorar, pois, que os Estados Unidos, e o seu braço armado denominado OTAN, sabiam das consequências de trazer para o seu lado países do leste europeu, mediante inclusão na referida organização. O esfacelamento da URSS, e seu correspondente braço armado, a saber o Pacto de Varsóvia, ofereceu aos Estados Unidos a possibilidade de agregar às suas fileiras antigos países que orbitavam na “cortina de ferro”. Todavia, a Rússia deixou bem claro que alguns países eram “inegociáveis”, como a Bielo-Rússia, a Geórgia e a própria Ucrânia.

Em relação ao conflito que agora nos escandaliza, e apesar do Hamas ter procedido de maneira brutal e animalesca, uma ignomínia para com o povo palestino, a verdade é que a Faixa de Gaza é, hoje, a maior prisão a céu aberto do planeta. Ora, será que todos os palestinos que lá vivem, ou viviam antes dessa catástrofe estourar, são terroristas? Todos são fundamentalistas radicais pertencentes ao Hamas ou a maioria é constituída de pessoas normais que buscam diariamente viver, honestamente, sob o signo da opressão imposta por uma potência militar do calibre de Israel? Eu, particularmente, acredito nessa segunda opção. Logo, ver Israel responder desproporcionalmente ao ataque infame do Hamas, matando milhares de civis em fuga, que nada têm a ver com a contenda em questão, me parece, sem dúvida, uma atrocidade. Mais que isso: é um genocídio que marcará as próximas gerações de palestinos, que sofrem hoje com a perda de entes queridos, a grande maioria deles de forma inocente. Ou será que alguém em sã consciência acha que as mais de 6.000 bombas já lançadas por Israel em apenas 8 dias, num território minúsculo que abriga aproximadamente 2 milhões de pessoas, estão a cair cirurgicamente apenas nas cabeças dos integrantes do Hamas?

O segundo ponto de semelhança entre esses dois conflitos são os interesses geopolíticos de cada um dos 4 atores envolvidos, assim também das grandes potências por trás deles (hoje não mais tão atrás assim).

Com efeito, se no conflito Rússia x Ucrânia está em jogo a apropriação de vastos recursos naturais pela Rússia, as chamadas “commodities”, e todas as melhores rotas de evacuação delas, para a Ucrânia, de forte inclinação histórica fascista, a oportunidade de sair da órbita de influência russa e, por consequência, minar ainda mais as bases de sustentação da vontade imperial de sua algoz, sob o beneplácito da maior potência mundial, os Estados Unidos, parecia boa demais para ser ignorada. Não por acaso, as negociações para a entrada da Ucrânia na OTAN ocorriam sem grandes alardes na grande mídia e sem pressa, talvez para pegar a Rússia desprevenida. Mas os Estados Unidos estavam atuando sorrateiramente, como mostrou o golpe de Estado contra o presidente eleito ucraniano Viktor Janucovich, no início de 2014.

Já no conflito Israel x Hamas, a questão se complica um pouco mais, porque só existe um Estado, que é Israel. O Hamas é uma milícia fundamentalista xiita que possui até um rival entre os palestinos, que é a Autoridade Palestina. Portanto, à primeira vista, não existe comparação em termos de interesses geopolíticos entre Israel e o Hamas. Mas isso é só à primeira vista, visto que o Hamas sofre influência direta do seu primo mais poderoso, o Hezbollah, que é visceralmente ligado ao Irã. Os acontecimentos mais recentes na região do Oriente Médio dão conta de uma aproximação entre Israel e alguns países da região, notadamente os Emirados Árabes, Bahrein e Marrocos, e um possível acordo com o maior deles, a Arábia Saudita, mesmo que ainda incerto, e o regime teocrático do Irã não vê com bons olhos essa aproximação. Nessa toada, a situação vexatória que Israel impõe aos palestinos principalmente na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia, serve de pretexto para que o Irã tente barrar acordos que o deixariam praticamente isolado na região.

Uma terceira consideração precisa ainda ser analisada brevemente. Com toda certeza, impera nos dois conflitos bélicos a lógica econômica da acumulação capitalista através da guerra. Isso não é novo. Ainda que o mundo todo não esteja envolvido (nem pode estar, sob pena de vivenciarmos o fim da aventura humana na terra), todas as guerras travadas ao longo da história do animal humano tiveram, pelo menos na sombra, o interesse econômico. O que existe de novo nesses conflitos é, mais do que pode acontecer com as escaladas de ambos, a confirmação da teoria de Arrighi (1996), de que, enfim, o capitalismo de corporações americano encontra-se no seu crepúsculo.

Realmente, se para o referido autor a guerra reproduz um padrão repetitivo da economia mundial capitalista (Arrighi, 1996, pág. 283), ou seja, a guerra age como um motor capitalista, a gestão desse capitalismo histórico de longa duração exigiu da superpotência americana a formação de blocos cada vez mais poderosos de organizações governamentais e empresariais “como principais agentes da acumulação de capital em escala mundial”. (Arrighi, 1996, pág. 309, grifo meu) Assim, sob a égide da “financeirização” do capital promovida pela expansão tecnológica aparentemente sem limites, os Estados Unidos repetiram o padrão dos efeitos polarizadores da “financeirização” apontados por Arrighi (1996, caput 2, págs. 87 a 162), no século da Florença renascentista. O saldo que está sendo cobrado agora de forma mais impactante, já apontado por ele desde a década de 1970, está consoante à dupla tese de Schumpeter (1984), segundo a qual o capitalismo é tão forte que não se pode ter ideia do seu desmoronamento, ao mesmo tempo em que o seu próprio sucesso crias as condições ideais para que ele não possa sobreviver.

Ora, os Estados Unidos sabem que não podem mais com todos os imbróglios que existem no mundo. Sabem, antes de mais nada, que já vai longe a própria “Belle Époque” dos anos Reagan. Nesta terceira década do século XXI, pela primeira vez em quase um século os Estados Unidos veem pelo seu retrovisor a rápida aproximação de uma grande potência: a China. Mas não só dela, pois a Índia também chegará, ainda que tardiamente. Em outras palavras, os Estados Unidos sabem que o eixo da supremacia econômica e financeira se deslocará para o Oriente, talvez ainda nesse século. Daí sua desesperada e derradeira tentativa de envolver a todos em guerras regionais, que elas sejam prolongadas e mortíferas o máximo possível, cuidando, porém, para que não assumam proporções globais. Os Estados Unidos sabem que sem a destruição causada pelas guerras regionais, a demandar a reconstrução, que somente eles são capazes de oferecer no mundo todo, eles serão varridos pela história, como foram todas as outras potências mundiais das épocas passadas.

O risco de queda existe e, para infortúnio dos Estados Unidos, eles podem ser derrubados por duas frentes diversas: internamente, ao estilo romano, pelos imigrantes predominantemente latinos que tanto odeiam; externamente, pelas hordas chinesas e indianas que, juntas, somarão ainda neste século XXI mais de 3 bilhões de pessoas. Contudo, como a própria história ensina, os Estados Unidos não cairão (se é que cairão) sem lutar. Nenhuma potência mundial caiu sem infringir sérios danos à nova ordem que se anunciava. E é justamente por isso que se deve ter todo o cuidado com as atuais guerras por procuração. À medida que seu poderio como superpotência mundial declina, os Estados Unidos estão cada dia mais, e com mais empenho, a estimular conflitos religiosos, ideológicos, geográficos, etc., pelo mundo. Esses donos da guerra, e seus asseclas das potências regionais, estão, porém, a brincar com fogo. Um fogo de grandes proporções, com quilômetros de altura e largura, e capaz de produzir calor suficiente para derreter o planeta milhares de vezes…

IHU-UNISINOS

https://www.ihu.unisinos.br/633369-os-donos-do-poder-estao-brincando-com-fogo