NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

Preocupado com impacto fiscal, governo busca diálogo com ministros. Mudança acrscentaria despesa de R$ 8,6 bi em quatro anos

Por Guilherme Pimenta, Valor — Brasília

A equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corre para evitar uma despesa primária de até R$ 8,6 bilhões nos próximos quatro anos para remunerar as contas vinculadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) caso prevaleça o voto do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), em ação que discute o índice de correção do fundo.

A expectativa é que os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Cidades, Jader Filho, se dirijam ao Supremo nesta semana para apresentar os novos cálculos e argumentos do governo. Além do impacto fiscal, o Executivo avalia que a decisão pode inviabilizar o financiamento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

A corte pautou para esta semana o julgamento que discute a aplicação da Taxa Referencial (TR) como índice de correção dos saldos das contas vinculadas do FGTS. Barroso, relator da ação, votou para afastar a TR e aplicar uma taxa de correção que não seja inferior à da caderneta de poupança.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/10/16/fgts-tera-rendimento-igual-a-poupanca-supremo-ira-decidir.ghtml

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

“Contribuição a sindicato é responsabilidade de todos que se beneficiam de conquistas”, afirma ministro

O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho defendeu, na última segunda-feira (9), a necessidade de se garantir que as entidades representativas dos trabalhadores tenham estrutura e autonomia para defender suas pautas, beneficiando filiados e não filiados. A declaração foi feita durante debate na Comissão de Direitos Humanos no Senado Federal. No Hora do Povo

luiz marinho mte gt

Ministro salienta que os trabalhadores, associados ou não, se beneficiam das conquistas dos sindicatos e, portanto, precisam contribuir com a categoria | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

“No Brasil, um acordo fechado vale para trabalhadores associados e não-associados. Não é justo que os não-associados participem do resultado e não deem nenhuma contribuição”, afirmou Marinho.

De acordo com Marinho, o governo não defende o retorno da contribuição como era antes da “reforma” trabalhista, mas que é preciso criar mecanismo de financiamento dos sindicatos, definido por meio de assembleia de cada categoria.

O ministro salienta que os trabalhadores, associados ou não, se beneficiam das conquistas dos sindicatos e, portanto, precisam contribuir com a categoria.

“O síndico vem e diz que precisa fazer uma melhoria e reúne a assembleia. A assembleia aprova ou não aprova o investimento. Se aprovar, tem rateio. ‘Ah, mas eu não quero, não vou pagar, sou contra’ [um morador pode dizer]. Ele pode não pagar? Não pode”, disse.

Acordo é coletivo e não individual
Para Marinho, é preciso entender a questão como “acordo coletivo”, e não individual. Todos os trabalhadores terão a opção de se opor aos valores propostos pelos sindicatos nas assembleias promovidas pelas centrais sindicais.

A “reforma” trabalhista aprovada no governo de Michel Temer, em 2017, além de destruir os direitos trabalhistas, também enfraqueceu as estruturas de luta dos trabalhadores ao tentar pôr fim nas entidades sindicais por meio de inanição financeira.

O resultado da reforma foi desgraça para a organização sindical, com a falência dos sindicatos, federações, confederações e centrais como entidades autônomas. O ataque resultou na queda da arrecadação das entidades laborais de R$ 1,47 bilhão para R$ 12,5 milhões (-98%).

Gestão do “Sistema S”
Enquanto os sindicatos dos trabalhadores perdem a capacidade de organização, os patronais arrecadam, via Receita Federal, R$ 13,5 bilhões por meio do “Sistema S”.

Para o ministro, quem é contra os trabalhadores que defendam essa posição, quem quer os “trabalhadores massacrados, com as entidades fracas, que não conseguem representar? Quem é contra [os trabalhadores] têm que assumir essa posição. Para mim esse é o debate”, declarou.

Durante reunião do Grupo de Trabalho formado para discutir a reforma sindical, realizada no último dia 5, Marinho, defendeu que uma das possibilidades é que as entidades patronais, que hoje comandam o “Sistema S”, que poderem dividam a gestão e os recursos que recebem com sindicatos.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/91548-contribuicao-a-sindicato-e-responsabilidade-de-todos-que-se-beneficiam-de-conquistas-afirma-ministro

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

O mercado de trabalho no Brasil: estamos próximos do pleno emprego?

Recentemente, foi divulgada nova pesquisa da Pnad Contínua mostrando que a taxa de desocupação no Brasil chegou a 7,8% da força de trabalho, o menor número verificado na série desde fevereiro de 2015, no início do segundo mandato da presidente Dilma Rouseff.

José Luis Oreiro*

oreiro banco de imagens camara dos deputados

Considerando que entre fevereiro de 2016 e abril de 2022, ou seja, por período superior a 6 anos, a taxa de desocupação ficou acima dos 10% da força de trabalho, trata-se, sem sombra de dúvida, de bom resultado.

No entanto, devemos ter certa cautela na interpretação desse resultado. Taxa de desocupação de menos de 2 dígitos não significa, necessariamente, que o mercado de trabalho está aquecido. Isso porque, em primeiro lugar, devemos analisar o que aconteceu com a taxa de participação no mesmo período para saber se a redução observada do desemprego decorreu de aumento dos empregos ou por redução das pessoas que procuram emprego.

No primeiro caso, postos de trabalho estarão sendo criados porque as empresas estarão produzindo e vendendo mais bens e serviços de forma que irão necessitar de mais trabalhadores. No segundo caso, a redução do desemprego terá sido o resultado de pessoas que simplesmente desistiram de procurar emprego e se retiraram da força de trabalho. Nesse caso, temos aumento dos trabalhadores desalentados, os quais não aparecem nas estatísticas oficiais de desocupação.

A figura abaixo, apresenta a média móvel em 12 meses da taxa de desocupação e da taxa de participação na força de trabalho no período compreendido entre dezembro de 2012 e agosto de 2023.

desocupacao oreiro

Após atingir pico de 63,67%, em janeiro de 2020, a taxa de participação declina para o valor mínimo da série de 58,43% em fevereiro de 2021, devido às medidas de distanciamento social combinadas com o auxílio emergencial no contexto da pandemia do covid-19.

O avanço da vacinação contra a covid-19 ao longo de todo o ano de 2021 e no primeiro semestre de 2022 permitiu o gradual relaxamento das medidas de distanciamento social com a reabertura do setor de serviços, o que permitiu aumento da média móvel da taxa de participação para 62,48% da força de trabalho em dezembro de 2022.

No mesmo período, a taxa de desocupação caiu de 14,28% da força de trabalho — fevereiro de 2021 — para 9,17% da força de trabalho em dezembro de 2022. A redução do desemprego foi, portanto, acompanhada por aumento da taxa de participação, o que mostra que foram gerados postos de trabalho em volume mais do que suficiente para absorver os trabalhadores, que haviam saído da força de trabalho durante o período da pandemia.

O que soa estranho, contudo, é que após ter atingido pico em dezembro de 2022, num patamar inferior ao verificado no período pré-pandemia, a média móvel da taxa de participação começa novamente a cair, atingindo nível de 61,77% em agosto de 2023, valor 1,9 p.p mais baixo do que o verificado em janeiro de 2020 e 0,71 p.p mais baixo do que em dezembro de 2022.

Entre dezembro de 2022 e agosto de 2023, a média móvel da taxa de desocupação cai de 9,17 % da força de trabalho para 8,23%, ou seja, redução de 0,94 p.p. Dessa forma, 75,5% da redução da taxa de desocupação observado nesse período se deu pelo movimento de saída de pessoas da força de trabalho, e menos de 25% se deveu a criação de novos empregos.

Esses dados nos mostram que o mercado de trabalho não está tão aquecido como se poderia vislumbrar à primeira vista. Se a taxa de participação voltasse instantaneamente ao nível verificado pré-pandemia, a taxa de desocupação estaria próxima de 10% da força de trabalho, número similar à média da taxa de desocupação verificada entre março de 2012 e agosto de 2023.

Daqui se segue que o Brasil ainda possui grande contingente de mão de obra desocupada, que só poderá ser empregada no setor moderno da economia brasileira — empregos com carteira de trabalho — se o ritmo de crescimento econômico for mantido em torno de 3 a 3,5% ao ano, nos próximos anos.

Para tanto é necessário que o Banco Central acelere o passo no ritmo de redução da taxa Selic, vez que, em 2024 (1) dificilmente poderemos contar com aumento significativo da produção de grãos, tal como ocorrido em 2023, devido ao fenômeno climático do El niño e (2) a implantação do Novo Arcabouço Fiscal, que deverá produzir política fiscal neutra do ponto de vista da demanda agregada, ou seja, situação em que o impulso fiscal será, no melhor cenário igual a zero, quando não negativo.

(*) Economista e professor universitário (UnB). Atua na área de macroeconomia e crescimento econômico, participa ativamente do debate econômico no Brasil

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/91552-o-mercado-de-trabalho-no-brasil-estamos-proximos-do-pleno-emprego

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

Acidentes de trabalho matam 4 crianças por mês no Brasil

Levantamento da Fiocruz considerou dados da última década. Especialistas pedem mais campanhas de conscientização e fim da romantização do trabalho infantil.

A reportagem é de Edison Veiga, publicado por Deutsche Welle, 16-10-2023.

Entre 2011 e 2020, o Brasil registrou 24.909 casos de acidentes de trabalho e 466 mortes de menores de 18 anos em situações ligadas ao trabalho. Isso significa uma média de 3,9 crianças e adolescentes mortos por mês enquanto trabalhavam. E 207 acidentados — muitos, com consequências que vão durar a vida toda, como amputações de membros.

Os números são do levantamento realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicado nesta sexta-feira (13/10) na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Para o estudo, foram utilizados dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), considerando informações sobre trabalhadores de 5 a 17 anos.

Do total de acidentes de trabalho reportados no período, 792 vitimaram menores de 14 anos — que, segundo a legislação brasileira, não poderiam trabalhar de forma alguma. No Brasil, menores de idade podem trabalhar a partir de 14 anos apenas como aprendizes e entre 16 e 18 anos de forma protegida, longe de quaisquer atividades que possam representar perigo.

Para a médica Élida Azevedo Hennington, uma das autoras da pesquisa, é preciso lembrar que certamente há subnotificação para tais casos. “Como podemos aceitar tantas crianças e adolescentes trabalhando, vítimas de acidentes, e, o que é pior, morrendo por acidentes de trabalho?”, indigna-se ela.

Segundo os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 1,8 milhão de crianças e adolescentes brasileiros estavam em situação de trabalho infantil em 2019.

“Nossas crianças e adolescentes precisam ser cuidados. Eles são o nosso futuro e a nossa esperança de dias melhores, de uma sociedade mais justa. Não é aceitável que nossos filhos possam frequentar a escola, brincar e se divertir, e desenvolver todo o seu potencial, enquanto outras crianças, principalmente negras e pobres, não têm direitos nem oportunidades e vivem nos grotões ou nas periferias das grandes cidades, moram em habitações precárias, são obrigadas a trabalhar desde cedo porque passam fome e outras necessidades, correm riscos nas ruas, sofrem violências”, diz a médica. “Precisamos nos indignar a respeito.”

Casos subnotificados

Especialistas ouvidos pela DW concordam que os casos são subnotificados, acreditam que os dados da PNAD estão defasados e dizem que são necessárias mais campanhas de conscientização e até mesmo uma nova legislação para coibir o trabalho infantil. Além disso, eles não acreditam que o Brasil conseguirá cumprir o compromisso internacional firmado com a ONU de erradicar todas as formas de trabalho infantil até 2025.

“A criança e o adolescente são pessoas em condição peculiar de desenvolvimento e, por isso, ainda não estão totalmente preparados para desenvolver trabalho”, argumenta a jornalista Bruna Ribeiro, autora do livro-reportagem Meninos Malabares: Retratos do Trabalho Infantil no Brasil, e ex-gestora do projeto Criança Livre de Trabalho Infantil.

“Não me surpreendem os dados. Pois vivemos ouvindo que é melhor trabalhar do que roubar, que trabalhar não mata ninguém. Mas essa pesquisa mostra que infelizmente são muitos acidentes gravíssimos envolvendo menores de idade em situação de trabalho”, afirma o desembargador do Trabalho João Batista Martins César, presidente do Comitê de Erradicação do Trabalho Infantil de seu tribunal e integrante da Comissão Nacional de Combate ao Trabalho Infantil. “E os dados mostram que com a pandemia o número de crianças e adolescentes trabalhando no Brasil aumentou muito dos 1,8 milhão [da última PNAD]. Tem estudos que indicam que esse número pode ter sido multiplicado por sete.”

Ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e ex-secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o advogado Ariel de Castro Alves diz que “esse número alto de acidentes” envolvendo menores de idade em situação de trabalho infantil “serve como argumento contra aqueles que legitimam tais casos”.

“Esses acidentes ocorrem porque há a certeza da impunidade”, comenta ele. “Impunidade daqueles que empregam esses adolescentes em condições clandestinas, sem garantir qualquer tipo de proteção, de dignidade.”

Violência que precisa ser tipificada

Embora seja proibido, o trabalho infantil não é considerado crime no Brasil. Autora do livro Crianças Invisíveis: Trabalho Infantil nas Ruas e Racismo no Brasil, a procuradora do trabalho Elisiane Santos explica: quando não está associado a uma “conduta ilícita na esfera penal”, a situação de trabalho infantil denunciada acaba fazendo com que quem a explora seja obrigado a responder na esfera civil e trabalhista, além de obrigado “a cessar imediatamente a conduta” e “pagar os direitos devidos”.

Alves lembra que, na maior parte dos casos, é possível enquadrar o empregador pelo crime de maus tratos, previsto no código penal. “Seria uma forma de punição”, salienta. “Mas é uma lacuna a falta de tipificação do crime de exploração do trabalho infantil. Precisamos avançar na legislação.”

Santos ressalta que trabalho infantil “é uma violência que não pode ser vista com olhar de admiração, condescendência nem tolerância” e que o “olhar de proteção” não pode “se resumir às infâncias privilegiadas” do país.

Em comum, todos os especialistas citam a necessidade de mais campanhas de conscientização, não só esclarecendo para crianças e seus familiares seus direitos como também mostrando aos empregadores que é errado contratar menores nessas condições.

“Precisamos de campanhas informativas para demonstrar, para quem emprega irregularmente, os danos causados pelas atitudes deles, pela exploração do trabalho infantil”, destaca Alves.

IHU-UNISINOS

https://www.ihu.unisinos.br/633284-acidentes-de-trabalho-matam-4-criancas-por-mes-no-brasil

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

Tropa bolsonarista usa guerra para livrar ex-presidente da prisão

Vale tudo para encobrir com o véu do esquecimento e da impunidade as danações golpistas e os atos de corrupção atribuídos ao ex-presidente

Acuado como nunca dantes na história — sob acusação inclusive de terrorismo antes e durante o 8 de janeiro —, a tropa do capitão Bolsonaro usa e abusa da tragédia da guerra Israel/Hamas na tentativa de conseguir uma sobrevida política para o seu “mito”. Tem obtido algum sucesso na manobra.

Em fogo morto desde a notícia de delação do ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, a usina de fake new da extrema-direita também voltou a acender a sua fornalha em larguíssima produção. Foram-se os anéis, os rolexs, as joias das Arábias e outros objetos de desejos escandalosos das manchetes; voltaram os “memes” e notícias falsas dos mesmos produtores da folclórica mamadeira de piroca e do uso obrigatório do banheiro unissex nas escolas.

Fora da mira do noticiário desde o início do conflito no Oriente Médio, o ex-presidente experimenta uma trégua inédita desde a fuga para a Flórida (EUA), dias antes de terminar o mandato cargo, no final do ano passado. O alívio permitiu até que desfilasse em um evento oficial em São Paulo, onde recebeu, nesta segunda-feira (16), uma medalha da Polícia Militar oferecida pelo amigo e governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Mesmo inelegível, Bolsonaro consegue enfraquecer a cobrança pública da esquerda pela sua prisão — um temor que parece um pouco mais suave depois de um ano da derrota nas urnas para o presidente Lula.

Com o ídolo da extrema-direita fora do foco, o bolsonarismo ainda vivo nas redes sociais manipula as informações sobre as desgraças da guerra. A mesma turma que armou um caminhão-bomba para explodir o aeroporto de Brasília, na véspera do Natal de 2022, agora tenta atribuir a políticos do PT ligações fictícias com o terrorismo do grupo Hamas.

Vale tudo para encobrir com o véu do esquecimento e da impunidade as danações golpistas e os atos de corrupção atribuídos ao ex-presidente. Para quem ainda não foi sequer indiciado, como costuma alertar o jurista Lenio Streck (nosso bravo colega de ICL Notícias), Bolsonaro vai adiando de forma triunfal, à sua maneira ensaboada e manipuladora, a possível temporada no cárcere. Dá tempo de folga para receber todas as condecorações e medalhas de honra, como a comenda especial ofertada esta semana pelo governador bandeirante.

Xico Sá
Xico Sá

Escritor e jornalista, faz parte da equipe de apresentadores do ICL Notícias. Com passagem por diversas redações e emissoras de tv, ganhou os prêmios Esso, Folha, Abril e Comunique-se. Participou de programas como Notícias MTV, Cartão Verde (Cultura), Redação Sportv, Papo de Segunda (GNT) e Amor & Sexo (Globo). É autor de Big Jato (Companhia das Letras) e A Falta (Planeta), entre outros livros. O colunista nasceu no Crato, na região do Cariri cearense, e iniciou sua trajetória profissional no Recife.

ICL NOTÍCIAS

https://iclnoticias.com.br/tropa-bolsonarista-usa-guerra-para-livrar-ex-presidente-da-prisao/

FGTS terá rendimento igual à poupança? Supremo irá decidir

O perigo do ‘amiguismo’ e a desleitura da democracia

O “amiguismo” é tão profundo e difuso que o governo não está se dando conta de nada disso

A palavra-chave do título – amiguismo – é do Liszt Vieria, do artigo “Conselho Tutelar – Os evangélicos no Poder”, publicado no site A Terra é Redonda.

Eu usei desde o início a expressão “passapanismo” para explicar o fenômeno da desleitura e desidratação da gravidade da tentativa de golpe de 8 de janeiro e o efetivo papel dos militares e membros do governo Bolsonaro.

Tentam desler o que ocorreu. Até o ministro da defesa aparece nesse difuso processo. Chegou a minimizar diretamente o 8 de janeiro. O que, inclusive, é uma ofensa ao Supremo Tribunal Federal que processa mais de 100 pessoas envolvidas na tentativa de golpe.

O “manifesto” dos três comandantes militares, datado de 11 de novembro, sem dúvida colocou vitamina no ânimo dos golpistas. Digamos que o golpe necessitava do povão na rua e na invasão, enquanto a cúpula tratava de cuidar da logística “intelectual” do golpe – basta ver a minuta do golpe e da reunião dos três chefes militares com Bolsonaro.

Há uma sucessão de delitos ainda por punir. Aliás, há uma sucessão de crimes e criminosos por indiciar. Os líderes do putsch sequer foram indiciados. Dos três chefes militares dois deles cometeram no mínimo prevaricação; o terceiro aderiu ao putsch. E, surpreendentemente (ou por amiguismo), nada há ainda sobre isso. O grande ausente parece ser o Ministério Público. Que, aliás, foi contra a priscai de Silvinei, que agora recebe medida favorável no STF para que não se quebre seu sigilo. Ele, Silvinei, que participou efusivamente das tentativas (algumas exitosas) de impedir eleitores de irem às urnas. Isso tem nome: crime contra o Estado Democrático de Direito.

Outro fato grave é o próprio manifesto de 11 de novembro, se bem examinado. Insisto: se bem lido e bem examinado. A tese de que os atos espalhados Brasil afora se enquadravam no parágrafo do artigo 358 do Código Penal (Lei de Defesa) é tão falsa quanto uma nota de três reais. Chamei a isso, em janeiro, no jornal O Globo, de “hermenêuticas criminosas”. Porque a malta, depois de ler o “manifesto”, acreditou que estava agindo dentro do direito. Afinal, os chefes militares assim o disseram.

Misture-se tudo isso ao backlash (bumerangue, o efeito reverso de decisões) do parlamento contra o STF e te(re)mos uma tempestade perfeita. Isso, paradoxalmente, é uma cortina de fumaça para criar um “diálogo típico da antecipação das elites brasileiras quando em dificuldades”.

Parece que não nos livramos do fantasma da tutela militar. Bom, pelo menos eles pensam isso até hoje, bastando ver o modo como esgrimiram, mormente pelo presidente Bolsonaro, do artigo 142 da CF – outra hermenêutica delinquencial.

Enquanto vemos uma tentativa – difusa, é verdade – de tentar passar pano e institucionalizar o “amiguismo”, louvadamente a polícia federal descobre que havia militares das forças especiais infiltrados no putsch de 8 de janeiro. Sim, militares de forças especiais. Por que, será, que estavam lá?

E ainda tem gente que diz que nada houve dia 8. Até o ministro da Defesa do governo vítima do putsch “desleu” os atos. Ou está “deslendo”.

A história é professora. Ela é a Ave de Minerva. Os alemães cometeram o erro do “fator amiguismo”. Hitler tentou o golpe em 1923 e o MP e Poder judiciário fizeram o passapanismo. Deveria ser condenado a muitos e muitos anos e ter sido expulso do país – era estrangeiro. A lei era clara. Cumpriu 6 meses em um castelo e escreveu o Mein Kampf. E quase destruiu o mundo. Ah, a história é professora.

O “amiguismo” é tão profundo e difuso que o governo não está se dando conta de nada disso. Ingenuidade na questão da segurança pública, arrogância em alguns temas e vai deixando a boiada passar. Ah: Silas Malafaia nadou de braçada na eleição dos conselhos tutelares. E o Parlamento se assanha cada vez mais. Agora, além dos projetos “backlash” contra o Supremo, passarão os projetos das polícias. E outros.

Bingo.

ICL NOTÍCIAS

https://iclnoticias.com.br/o-perigo-do-amiguismo-e-a-desleitura-da-democracia/