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Bolsonaristas fracassam na CPI do MST e anunciam fim da linha para a farsa

Bolsonaristas fracassam na CPI do MST e anunciam fim da linha para a farsa

Ministro do STF suspendeu depoimento e presidente do colegiado anunciou que a CPI só voltará a ser reunir para votar relatório

por Iram Alfaia

Última trincheira dos bolsonaristas na Câmara dos Deputados, a CPI do MST fracassou no propósito de criminalizar as ações de um dos mais importantes movimentos sociais do país.

Depois do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender os depoimentos mercados para a sessão desta segunda-feira (4), o presidente do colegiado, deputado Coronel Zucco (Republicanos-RS) jogou de vez a toalha.

Ele disse que o colegiado só voltará a se reunir para votar o relatório final do deputado Ricardo Salles (PL-SP), previsto para o dia 14 deste mês.

Para fúria do presidente e relator, Barroso considerou que o colegiado ultrapassou sua competência ao convocar gestores do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas.

A resposta veio por meio da Secretaria da CPI: “Por determinação do Presidente, Deputado Zucco, informo que tendo em vista as recentes medidas regimentais e judiciais que inviabilizaram a continuidade das ações, depoimentos, quebras de sigilo e outras providências necessárias ao esclarecimento dos fatos relacionados à indústria de invasões de terras no Brasil, esta Presidência informa aos Senhores e Senhoras Parlamentares integrantes desta Comissão Parlamentar de Inquérito que não haverá nenhuma outra reunião ou audiência até a oportuna apreciação do relatório final.”

A deputada Daina Santos (PCdoB-RS) considerou uma “grande vitória” a derrota dos bolsonaristas no colegiado.

“Aquilo que questionávamos e denunciávamos como um ataque aos movimentos sociais e ao MST, agora fica muito evidente a partir do momento em que o presidente retira e cancela as últimas sessões”, disse a deputada.

Na avaliação dela, a dificuldade deles é pelo fato de não haver objeto definido. “Nós tivemos aí muitos e muitos depoimentos que não foram de forma alguma utilizados porque não conseguem se sustentar. O MST é um grande produtor de orgânico e da agricultura familiar”, defendeu.

Daiana disse que continuará atuante e atenta diante do relatório que está por vir. “Sem dúvida alguma vamos seguir nessas bases, trazendo a verdade como parte da nossa atuação, seguindo e acompanhando, porque aonde há luta existe a bancada do PCdoB”, afirmou.

“Lógico, a gente avisou que essa CPI estava fadada ao fracasso. Cometeram abusos e ilegalidades regimentais e jurídicas e achavam que ia ficar por isso mesmo. Acabou o palco para os bolsonaristas mentirem ao vivo”, afirmou a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) considerou mais uma derrota para Zuco e Salles.

“Agora é reta finalíssima. Dia 14 é o último dia. Bolsonaristas insistem, mas não têm força para prorrogar a comissão nem para aprovar o relatório. Vamos enterrar de vez essa CPI!”, postou a deputada na sua rede social.

Vice-líder do governo na Câmara, a deputada Adriana Accorsi (PT-GO) criticou a fala do presidente da CPI que determinou o fim das atividades dizendo que “os trabalhos foram inviabilizados”.

“Todo mundo sabia que a tentativa de criminalizar o MST ia fracassar e que eles estavam lá para promover mentiras. Não colou! MST é gigante!”, disse a líder.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/09/06/bolsonaristas-fracassam-na-cpi-do-mst-e-anunciam-fim-da-linha-para-a-farsa/

Bolsonaristas fracassam na CPI do MST e anunciam fim da linha para a farsa

Uma reflexão sobre a desigualdade

A nossa reflexão parte do tema “Debate sobre Desigualdade”, livro de James K. Galbraith, Inequality: What Everyone Needs to Know; Oxford University Press, 2016. Faremos um breve resumo e, em seguida, direcionaremos a reflexão sobre uma questão específica, com o olhar voltado para o Brasil.

O autor, Galbraith, detalhou diferentes pensamentos de diversos pensadores, filósofos e economistas quanto ao que originaria a desigualdade, ao longo da história. Compartilharemos alguns deles com vocês:

No século 18, segundo Jean J. Rousseau, em “Discurso sobre a origem da Desigualdade” (1755), a mesma nasceria com os direitos de propriedade, em choque contra as leis da natureza. Porém, para Adam Smith, desigualdades são produto da criação de privilégios legais e sociais como proteções, subsídios e poder de monopólio. Em “Uma Investigação sobre a Natureza e a Causa da Riqueza das Nações” Smith (1776), defende que ela ocorre dentro do funcionamento do mercado, diferentemente de Rousseau, segundo o qual a desigualdade se origina de acordo com as leis da natureza, em sintonia com ideal igualitário da competição de mercado.

No século 19, Thomas Robert Malthus destacou a Lei de Ferro dos salários nas suas publicações entre 1798 e 1826, ao passo em que David Ricardo, em 1815, desenvolveu a Teoria da Renda da Terra, que era diferente da Teoria dos Lucros; para ele, a renda da terra era dependente de fatores específicos: a produtividade, o diferencial do solo e o preço do produto final. Karl Marx, com a obra “O Capital”, 1867–1883, desenvolveu a Teoria da Exploração do Trabalho, conhecida como mais-valia, que alguns chamam atualmente de mais-valor, onde destacou a desigualdade e os conflitos de classes como características inevitáveis do sistema capitalista e preconizou o ideal de igualdade social. De acordo com Marx, a desigualdade é produto do capitalismo, por meio de um processo de exploração, extraindo mais-valia das massas trabalhadoras. Marx vê ainda o processo de crise no capitalismo pela falta de demanda, ou seja, se a classe trabalhadora não consome porque está apertada, oprimida, se desenvolve crises no capitalismo e conflitos de classe gerado pelo processo de acumulação.

Já no século 20, John Maynard Keynes discorreu sobre a distribuição desigual da riqueza nas sociedades capitalistas. Segundo ele, a classe trabalhadora fica sempre com a menor fatia do bolo e a maior fatia vai para os capitalistas. Na visão de Keynes, observamos a influência da era vitoriana e como ele percebeu o risco e as incertezas do sistema capitalista e seu papel. Destacou ainda o Animal Sprint ou Spiritus Animale: segundo Keynes, é um dos fatores que provoca as oscilações no ciclo econômico, baseado em crenças e otimismo – quando está presente nas decisões dos agentes, públicos ou privados, a economia cresce, ao passo em que quando está ausente a economia enfrentaria problemas. Keynes aborda ainda o papel do Estado no desenvolvimento econômico: muitos inclusive, acreditam na falácia de que Keynes teria aformado que o Estado teria que “gastar, gastar, gastar”. Mas ele nunca disse isso.

Neste mesmo século, Thorstein Veblen, em 1899, ficou conhecido pela Teoria da Classe Ociosa; segundo ele, esta classe resolveria o problema do consumo; destacou em sua economia institucionalista a importância do foco nas regras informais de conduta das quatro classes ociosas, masculinas e motivadas pelo prestígio.

Ainda no século 20, destacamos a visão de Joseph Schumpeter, para quem as desigualdades são essenciais, e são produto da mudança e inovação tecnológica, que por sua vez premiaria os promotores dessa mudança: é a chamada destruição criativa ou criadora. Para ele, o problema da desigualdade é a interferência do Estado, o qual encarnaria o leviatã.

Finalmente, merece destaque no mesmo período o autor Kuznets, vencedor do Nobel de Economia em 1971, tratando do tema da desigualdade versus crescimento econômico. Ele procurou entender a força por trás das desigualdades. Para ele, existiam as “desigualdades categóricas”, com características específicas relacionadas à raça, gênero, nacionalidade e status legal, destacando que separação, segregação e práticas discriminatórias reforçam desigualdades econômicas e analisando o gênero como uma construção social. Segundo Kuznets, onde há desigualdades categóricas institucionalizadas, não há democracia; esse autor descarta que a renda seria uma maneira adequada de estudar desigualdades categóricas. Aqui, chamamos a atenção para o debate essencial, que é o da interseccionalidade, que trata do cruzamento de várias desigualdades.

Em que pese todo o levantamento teórico-histórico e de dados que resgatam as questões relativas à desigualdade no mundo, Galbraith, nesta obra que estamos analisando, acaba focando no caso dos Estados Unidos para aprofundar o debate ao qual se propõe. Mas antes, alertamos que, quando se fala em desigualdade, é necessário ter em mente de qual desigualdade estamos falando – social, econômica, cultural ou educacional, e em que contexto, no mínimo histórico e geográfico, a mesma está sendo abordada. Além disso, é preciso cuidado ao pensar sobre o nível de desigualdade, que pode, na visão de alguns ser aceitável como a existente em uma “pressão arterial” desejável; porém, cabe lembrar que uma medição de pressão muito alta ou muito baixa pode levar o indivíduo à morte.

Lamentavelmente, essa pressão tem aumentado no mundo inteiro de tal forma que tem se tornado cada vez mais desigual e as consequências têm explodido em questões sociais, alterando o próprio sentido de justiça internamente e entre as nações. Esse problema, quando agravado, por exemplo, ao ponto de se desdobrar em desigualdades categóricas de uma maneira institucionalizada em uma nação, implica na incompatibilidade de convivência com a própria democracia; ou no mínimo, onde houver discriminação categórica, mesmo informal, a democracia não funcionará de maneira plena.

Pensando sobre a situação dos países mais ricos do mundo, o autor faz também algumas reflexões que são vistas por alguns como dilemas não resolvidos: foi a riqueza quem trouxe a redução das desigualdades ou foi a redução das desigualdades quem trouxe a riqueza? O autor fala ainda ao final de um dos capítulos que a desigualdade é importante dentro de limites; mas, nesse caso, questionamos: que limites? Galbraith, considerando que as desigualdades sejam um problema, aponta as principais discussões a respeito de possíveis medidas para redução das mesmas, tais como: política antitruste, pelo fim de monopólios, impérios industriais construídos e mantidos em benefício de uma pequena plutocracia; livre comercio; imposto sobre operações financeiras; sindicatos e salários mínimos fortes em relação à produtividade média do país; educação e formação profissional; impostos de renda progressivos; seguro social e de saúde. Ao final do texto, contribuiremos com mais algumas sugestões de acordo com a nossa visão/opinião.

Conforme anunciamos anteriormente, direcionaremos a reflexão para o Brasil contemporâneo. A nossa contribuição se dará especificamente em relação a um tópico que nos chamou bastante atenção, especialmente no que diz respeito a uma colocação do autor sobre:

“se as desigualdades têm efeitos bons ou ruins sobre o desempenho econômico e social geral de um sistema econômico. Todos concordamos que algum grau de desigualdade é essencial – e, sendo assim, é praticamente inevitável que alguns grupos tenham persistentemente renda e riqueza mais altas, em média, do que outros”. (Galbraith, 2016, p. 7)

Coincide que, dias antes de ler esse livro sobre desigualdades, nos deparamos com matéria jornalística com o título “Empresário bolsonarista diz que precisamos de mais desigualdade”, a qual reproduziremos abaixo:

No momento em que o governo turbina benefício social às vésperas da eleição com o argumento de que é preciso enfrentar a fome, o empresário bolsonarista Winston Ling foi às redes sociais defender que “nós precisamos de mais desigualdade, não menos”. Para sustentar o argumento, compartilhou um texto do instituto Mises, think tank de difusão de ideias liberais: “a desigualdade impulsionada pelo mercado é fonte de progresso”. “As atividades dos indivíduos talentosos desencadeiam mudanças econômicas e tecnológicas que impulsionam o crescimento econômico a longo prazo e criam oportunidades para as pessoas medianas ingressarem nos círculos da elite”. Dentre as ideias defendidas, o autor afirma que pessoas mais talentosas seriam responsáveis por criar um padrão de vida melhor para cidadãos medianos. O mercado, por sua vez, agiria como um “observador imparcial do valor”. (Cunha et al, 2022, grifo nosso).

Ora, chocados nós já estávamos por ver a olho nu, o reflexo gritante dos números das desigualdades no Brasil, traduzido e materializado nas ruas de todo o país: pessoas dormindo, morando e às vezes, quando possível, comendo nas ruas, tudo isso aos milhares. Daí nos deparamos com essa matéria acima e em seguida com o texto, objeto dessa resenha crítica. A sensação era a de um nó na mente: será possível que a desigualdade é realmente necessária?
No caso brasileiro, quando se pensa nas razoes para as desigualdades, em geral nos deparamos com uma teoria hegemônica: a desigualdade é parte de um processo natural e o remédio que se utiliza para tratar é à base de políticas públicas, especialmente as sociais. Os recentes dados da Oxfam Brasil/Datafolha (2022), ilustrados nos gráficos abaixo, mostram o apoio crescente da população à tributação de impostos em geral para financiar políticas sociais com o objetivo de combater a pobreza. Apoio maior ainda quando o questionamento se dá em relação à tributação dos mais ricos:

Se considerarmos o que foi dito por Galbraith, “a desigualdade é importante dentro de limites”, devemos no mínimo perguntar, dentro de que limites, pois os atuais números apresentados pelo Brasil são desumanos e inaceitáveis. Segundo dados do World Inequality Lab – Laboratório das Desigualdades Mundiais – que integra a Escola de Economia de Paris e é codirigido pelo economista francês Thomas Piketty:

“O Brasil permanece um dos países com maior desigualdade social e de renda do mundo”; Os 10% mais ricos no Brasil ganham quase 59% da renda nacional total; Os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos do que os 10% mais ricos; A metade mais pobre no Brasil possui menos de 1% da riqueza do país; e o 1% mais rico possui quase a metade da fortuna patrimonial brasileira”. (Fernandes, 2021)

Os dados são corroborados pela sequência de pesquisas da Oxfam Brasil, que inclusive captam a percepção dos brasileiros sobre o tema, em parceria com o Instituto Datafolha, e trazem informações sobre a questão da relação entre a interseccionalidade e a desigualdade, mostrando tendência consolidada inclusive em relação às diferenças de oportunidades e realidades vivenciadas por mulheres e homens e pessoas brancas e negras, conforme ilustrado no gráfico abaixo pela Oxfam Brasil/Datafolha (2022):

De acordo com Oxfam Brasil/Datafolha, na visão dos pesquisados, sem redução de desigualdades não há progresso: 85% creem que o progresso do Brasil está condicionado à redução de desigualdade entre pobres e ricos e 87% concordam que é obrigação dos governos diminuir a diferença entre muito ricos e muito pobres (85% em 2021). Por outro lado, para 69% o fato de ser mulher impacta a renda (67% em 2021) e 59% concordam que negros ganham menos (58% em 2021); temos ainda que para 75% a cor da pele influencia na contratação por empresas (em 2021, eram 76%) e 86% acreditam que a cor da pele influencia a decisão de uma abordagem policial (em 2021, eram 84%). Mais ainda: 79% concordam que a Justiça é mais dura com negros (78% em 2021).

Para concluir, considerando a obra de Galbraith, a matéria de Cunha e os dados obtidos em Fernandes e Oxfam Brasil/Datafolha, temos a dizer que: se de algum modo – ainda não nos convencemos – a desigualdade é importante, há um descompasso terrível entre o que seria remédio e veneno no Brasil: a dose por aqui é tão alta, ou seja, a desigualdade em nosso solo é tão gritante, que duela com os maiores índices de desigualdades globais e choca com qualquer possibilidade de experiência real de democracia. No caso do Brasil, responderíamos aos que defendem uma dose de desigualdade – até mais alta da que já temos hoje: “aqui não”!

Em relação ao combate e à redução das desigualdades, especialmente no caso brasileiro, compreendemos que essa é uma tarefa que tem a sua responsabilidade passando pela ação do Estado, não só pelo caminho da implementação de políticas públicas intersetoriais. É urgente reavaliar a ínfima tributação sobre o valor das grandes propriedades de terra, diminuir a cobrança do imposto no consumo – direcionando a cobrança sobre renda e distribuição dos lucros e dividendos das empresas, taxar as grandes fortunas, ampliar o imposto sobre as grandes heranças; e o Banco Central, agora “independente”, não praticar juros abusivos que freiam investimentos no capital produtivo que gera riqueza, emprego e renda de modo mais sustentável em detrimento dos investimentos dos rentistas no capital financeiro especulativo e volátil. Pois, por mais que reclamem, comparado aos demais países do mundo, inclusive ao império capitalista da América do Norte, o Brasil, nesses aspectos, é um paraíso.

SUGESTÕES DE LEITURAS

ROBSON CARVALHO Doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), é apresentador de TV na Band Nordeste e na TVT, de São Paulo.

Bolsonaristas fracassam na CPI do MST e anunciam fim da linha para a farsa

Lula defende que STF mantenha votos dos ministros em sigilo

O presidente Lula (PT) disse ser a favor de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não divulgue como cada um dos seus ministros votou em julgamentos. Segundo o presidente, isso diminuiria a “animosidade” com os integrantes da Corte.

A declaração foi feita na manhã desta terça-feira (5) no programa “Conversa com o Presidente”, transmitido semanalmente na página oficial do presidente da República em redes sociais. Assista à íntegra do programa abaixo (declaração do presidente em 51:35).

https://www.youtube.com/watch?time_continue=3095&v=3Wry0xrXQT4&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fcongressoemfoco.uol.com.br%2Farea%2Fjustica%2Flula-defende-que-stf-mantenha-votos-dos-ministros-em-sigilo%2F&source_ve_path=Mjg2NjY&feature=emb_logo&ab_channel=Lula

No programa, o presidente falava sobre respeito às instituições, dizendo que não cabe ao presidente da República avaliar as decisões da Corte. Lula responde: “Eu, aliás, se eu pudesse dar um conselho, é o seguinte: a sociedade não tem que saber como é que vota um ministro da Suprema Corte. Sabe, eu acho que o cara tem que votar e ninguém precisa saber. Votou a maioria 5 a 4, 6 a 4, 3 a 2. Não precisa ninguém saber – foi o Uchôa que votou, foi o Camilo que votou. Aí cada um que perde fica com raiva, cada um que ganha fica feliz”.

Atualmente, a TV Justiça transmite julgamentos do STF em sessão plenária ao vivo. Além disso, o sistema virtual da Corte arquiva os documentos anexados a cada processo. Algumas das peças ficam disponíveis para download quando se acessa os processos na página oficial da Suprema Corte. Também é possível entrar em contato e requisitar algum documento específico – incluindo votos dos ministros. Não é claro como seria o funcionamento de um sistema que mantivesse os votos em sigilo.

O ministro Cristiano Zanin, indicado por Lula para assumir uma cadeira no Supremo com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, tem sido alvo de críticas na esquerda política depois de dar votos contrários a essa corrente, como quando foi contra a tipificação da homofobia como injúria racial e contra a descriminalização da maconha para uso pessoal. Mas a animosidade com os ministros do STF a que Lula se refere foi uma marca do governo anterior, de Jair Bolsonaro. O ex-presidente fazia declarações frequentes contra os magistrados da Corte, chegando a insultar publicamente os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Flávio Dino relativiza

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, relativizou a declaração de Lula. Segundo ele, a discussão de um novo sistema para o STF é “válida” e não representa menos transparência, apenas “a primazia do colegiado por sobre as vontades individuais”. Também disse, porém, que “não é um debate para agora”.

Dino é um nome noticiado como possível nomeação para o STF, ocupando a vaga da atual presidente da Corte, Rosa Weber, que se aposenta em outubro de 2023. O ministro nega ter a intenção de ocupar uma cadeira no Supremo e costuma dizer que está “muito feliz onde está”.

CONGRESSO EM FOCO

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O lawfare contra o direito ao trabalho digno

Desatendendo à bela orientação do imortal Ariano Suassuna, a expressão inglesa lawfare entrou no vocábulo brasileiro com força irresistível, impactante e importante. Conhecida no mundo jurídico como sendo a guerra e o uso da lei e do Poder Judiciário para destruir direitos, pessoas e biografias, o termo popularizou-se no Brasil após a comprovada prática da Lava-Jato como instrumento judicial ideológico para perseguir, afastar do processo eleitoral e depois prender o presidente Lula e todo o pensamento político por ele representado.

Não é sem razão a preocupação da sociedade e das entidades criadas com a finalidade de combater o mau uso das leis e do Poder Judiciário. Afinal, para os defensores do lawfare pouco importa a destruição da Constituição, do Brasil, da economia, das empresas, dos empregos e das pessoas. O que vale como resultado é o completo aniquilamento do alvo escolhido, ainda que se utilizando de métodos ilegais, controvertidos, preconceituosos ou de puro elitismo de classe. No sistema em que a “ética dos meios” admite todos os meios contestados pela própria ética, não há perspectiva de um resultado justo e aceitável.

Não obstante a clareza dos males do lawfare, ele parece não incomodar quando utilizado para destruir um dos mais importantes direitos conquistados pela humanidade: o direito ao trabalho digno. A expressão criada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) segue não compreendida, vivenciada e rejeitada por várias instituições e personagens que tinham a obrigação de por ela zelar. Basta lembrar que quando o Congresso Nacional rebatizou a octogenária CLT com o nome de “Consolidação das Lesões Trabalhistas”, coisificando a classe trabalhadora, não encontrou resistência de instituições constitucionalmente legitimadas a defender a Justiça Social, a exemplo do STF, da OAB e o do Ministério Público Federal.

Talvez a explicação para a omissão defensiva esteja no planejado afastamento do “Mundo do Direito” do “Mundo do Trabalho”. A famosa Academia e os intelectuais dela derivados sempre desprezaram a Justiça do Trabalho, o Direito do Trabalho e a classe operária como elementos fundantes de uma sociedade justa, livre, igualitária e solidária. Oferta-se poucos créditos para a disciplina Direito do Trabalho, enquanto raras instituições de ensino têm a matéria Direito Sindical ou Direito Coletivo do Trabalho. Ao secundarizarem os dois ramos do direito identificados com o conflito entre o Capital e o Trabalho – verdadeiro motor das mudanças ideológicas, políticas, sociais e comportamentais vividas pela humanidade – produzem-se inúmeros juristas de boa-fé, julgadores sem fé, legisladores com outras fés, políticos enfezados e empregadores felizardos que, juntos ou misturados, oram na mesma cartilha destrutiva do direito ao trabalho digno.

Julgar-se no direito de ter a propriedade do ser humano é peça chave para entender o lawfare contra o direito ao trabalho digno. Talvez seja essa a real explicação para a normalização da “coisificação da pessoa humana”. É que a apropriação do trabalho alheio era – e ainda é – garantia de poder, prestígio e riquezas. Coisificar a pessoa humana é página repetida no avançar dos tempos, desde a opressão-violenta através da matança e do aprisionamento de corpos humanos, passando pela opressão-pacífica através do aniquilamento dos direitos de proteção da classe trabalhadora. Embora ferindo de morte o Estado Democrático de Direito – posto na promessa da Constituição Federal de 1988 – segue a coisificação da pessoa humana viva e ativa na legislação, nas decisões judiciais, nas rodas jurídicas intelectualizadas e no mundo patrimonialista que rejeita o mundo do trabalho. O ter a propriedade da pessoa humana tornou-se, assim, o direito mais protegido no lawfare contra o trabalho digno.

Um bom antídoto ao retorno à servidão da Idade Moderna seria o governo do Partido dos Trabalhadores – fazendo jus ao próprio nome principiológico – combater o lawfare legislativo incrustado na atual legislação trabalhista. Da mesma forma, reforçar a visão protetiva do trabalho digno no preenchimento das vagas abertas para os mais diversos tribunais. E, sobretudo, não permitir que o Mundo do Trabalho seja um lugar estranho e inabitado no “Mundo do Direito”, ainda mais agora que a ministra Rosa Weber, única voz oriunda da Justiça do Trabalho, não mais integrará o quadro permanente do STF. Afinal, como ensinou Gonzaguinha: E sem o seu trabalho, o homem não tem honra. E sem a sua honra, se morre, se mata. Não dá pra ser feliz.

CEZAR BRITTO Advogado e escritor. Foi presidente da OAB e da União dos Advogados da Língua Portuguesa. É membro vitalício do Conselho Federal da Ordem e da Academia Sergipana de Letras Jurídicas.

CONGRESSO EM FOCO
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Câmara aprova limite dos juros do cartão de crédito e cria programa Desenrola

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (5), PL (Projeto de Lei) 2.685/22, do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que remete ao CNM (Conselho Monetário Nacional) a fixação de limites para os juros do cartão de crédito e cria o programa Desenrola Brasil de refinanciamento de dívidas pessoais. A proposta, agora, vai ao exame do Senado Federal.

PL (Projeto de Lei) 2.685/22 remete ao CNM (Conselho Monetário Nacional) a fixação de limites para os juros dos cartões de crédito

O PL 2.685/22, foi aprovado na forma de substitutivo do relator, deputado Alencar Santana (PT-SP). O relator incorporou ao texto a MP (Medida Provisória) 1.176/23, que cria o Programa Desenrola Brasil, com proposito de incentivar a renegociação de dívidas, ofertando garantia para aquelas de pequeno valor — até R$ 5 mil — por pessoa inscrita no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais) ou por quem tenha renda mensal igual ou inferior a 2 salários mínimos — R$ 2.640.

Poderão entrar nessa negociação dívidas com bancos, mas também com fornecedores (como água, luz e telefone) ou com o varejo e até mesmo de crédito pessoal consignado.

Proposta de autorregulação
De acordo com o texto aprovado, os emissores de cartão de crédito e de outros instrumentos de pagamento pós-pagos utilizados em arranjos abertos (cartão de bandeira) ou fechados (cartões de redes varejistas) deverão apresentar ao CMN proposta de autorregulação das taxas de juros e encargos financeiros cobrados no crédito rotativo e no parcelamento de saldo devedor das faturas de cartões de crédito.

Os limites deverão ser anuais e apresentados com fundamento.

Antes, porém, de votar o projeto propriamente dito, o plenário aprovou requerimento de urgência, do deputado Elmar Nascimento, para incluir a proposição na pauta do plenário, por 360 votos. Apenas 18 deputados foram contrários à votação do PL 2.685/22:

• Abilio Brunini (PL-MT)
• Adriana Ventura (Novo-SP)
• Bibo Nunes (PL-RS)
• Daniel Freitas (PL-SC)
• Delegado Ramagem (PL-RJ)
• Filipe Barros (PL-PR)
• Gilson Marques (Novo-SC)
• Gustavo Gayer (PL-GO)
• Julia Zanatta (PL-SC)
• Junio Amaral (PL-MG)
• Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)
• Marcel van Hattem (Novo-RS)
• Marcio Alvino (PL-SP)
• Mauricio Marcon (Podemos-RS)
• Nikolas Ferreira (PL-MG)
• Ricardo Salles (PL-SP)
• Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
• Zucco (Republicanos-RS)

Regulação
Caso esses limites não sejam aprovados pelo conselho no prazo de 90 dias, contados da publicação da futura lei, o total cobrado de juros e encargos não poderá ser superior, em cada caso, ao valor original da dívida.

“Para que não seja acusado o Parlamento de intervir na economia, nós estamos dando um prazo de 90 dias ao setor que emite cartão de crédito, aos bancos e às demais instituições financeiras para que apresentem uma proposta ao Conselho Monetário Nacional”, disse Alencar Santana.

“A média anual de juros rotativos do cartão é de 440%. Isso é um absurdo, a pessoa acaba se enrolando, sem pagar seu compromisso, resultando em um lucro abusivo, sem qualquer parâmetro no mundo”, afirmou.

Ele lembrou que o limite dos juros a 100% da dívida já ocorre na Inglaterra. “Estamos baixando os juros anuais de 440%, na média, para 100%, uma redução de 340%, uma redução significativa e muito importante”, disse o relator. Leia+ (Com informações da Agência Câmara)

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/91510-camara-aprova-limite-dos-juros-do-cartao-de-credito-e-cria-programa-desenrola

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PIB pode crescer 1% e deve gerar 2 mi de novos empregos, com aumento real do mínimo, prevê Dieese

A previsão vai ao encontro da concepção de que a valorização do trabalho não responde apenas ao anseio dos trabalhadores, mas é também e ao mesmo tempo, fonte do desenvolvimento econômico, fortalecimento do mercado interno, redução do desemprego e crescimento do PIB, ao contrário do que supõe a malfadada ideologia neoliberal.

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O salário mínimo estaria hoje, em ao menos, R$ 1.410 se a política de valorização anterior, que vigorou até 2019, que considerava a inflação e a variação do PIB para reajustar o valor, tivesse sido mantida entre 2020 e 2022. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao assumir o mandato, em janeiro de 2019, não renovou a política pública. Ele era contra o aumento real do salário mínino.

A matéria menciona estatísticas do IBGE comprovando que todo ganho salarial nas famílias trabalhadoras é transformado em consumo, aquecendo, portanto, o comércio e a produção.

Por esta razão, como afirma o comerciante Lauro Pimenta na bela e convincente reportagem da jornalista Fernanda Trigueira “o Brasil cresce realmente quando o dinheiro chega” ao bolso dos mais pobres ou “nas ‘classes C e D’, que são as ‘classes’ que consomem ali no seu entorno, no comércio local. Isto faz total diferença”.

Ranking da OCDE
Segundo o ranking da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil possui o segundo menor salário mínimo entre 31 países. O único país com valor menor é o México.

A pesquisa foi feita entre os países membros da OCDE mais Brasil e Rússia e levou em conta dados de 2021. O Brasil possui salário mínimo médio de US$ 2,2 por hora, enquanto o maior valor é de Luxemburgo com US$ 12,9 por hora.

A pesquisa também analisou a carga horária dos trabalhadores. No Brasil, a média é de 39,5 horas trabalhadas por semana. No entanto, devido ao maior tempo gasto na locomoção ao trabalho, os brasileiros têm menos horas livre (14,6 horas), menor que a média de 15 horas fora do trabalho dos países da OCDE.

Veja aqui, o salário mínimo nominal e necessário, segundo Dieese

Vale a pena assistir o vídeo: https://youtu.be/fMIdQsGixC8

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/91509-pib-pode-crescer-1-e-deve-gerar-2-mi-de-novos-empregos-com-aumento-real-do-minimo-preve-dieese