por NCSTPR | 15/08/23 | Ultimas Notícias
Programa criado no governo de Jair Bolsonaro registrou alta inadimplência e agora passa por auditoria do banco
A Caixa devolveu ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) o montante de R$ 1 bilhão relativo aos saldos remanescentes do fundo criado para dar garantias à oferta de microcrédito.
A devolução atende decisão do Conselho Curador do FGTS, que, em junho, determinou que fossem restituídos os valores que não foram usados como garantia. Na época da decisão, porém, o conselho estimou que o valor a ser restituído seria da ordem de R$ 650 milhões a R$ 700 milhões, com correção monetária.
O FGTS aportou R$ 3 bilhões no Fundo Garantidor de Microfinanças (FGM) em 2022, mas R$ 2,4 bilhões foram comprometidos após o calote nos empréstimos da modalidade, cuja inadimplência é de mais de 80%.
A Caixa começou a ofertar o produto a partir de 29 de março de 2022, concedendo, no ano passado, R$ 2,9 bilhões. A linha, já suspensa, possibilitava empréstimos inclusive de negativados, com o programa Sim Digital, com a garantia dos aportes do FGTS.
Em nota, a Caixa afirmou que continua atuando na recuperação dos recursos em contratos inadimplentes, “com o propósito de minimizar os prejuízos ao FGTS”. “Além disso, a presidência da CAIXA determinou a abertura de auditoria interna para apurar os fatos relacionados à operação de microcrédito com garantia do FGTS.”
Na decisão, do Conselho Curador do FGTS, já havia um pedido para que a Caixa produzisse um relatório amplo sobre o programa, considerando a situação atípica de 80% de inadimplência.
O Programa de Simplificação do Microcrédito Digital para Empreendedores (SIM Digital) foi criado pelo Governo Federal por meio da Medida Provisória, referendada na sequência pelo Congresso. A legislação previu o aporte de R$ 3 bilhões do patrimônio líquido do FGTS para aquisição de cotas em fundo garantidor de microfinanças.
O programa, desde o princípio, foi alvo de questionamentos sobre o teor eleitoral da medida em um momento em que o então presidente Jair Bolsonaro tentava renovar seu período como chefe do Executivo. Naquela época, quem comandava a Caixa era seu aliado de primeira hora, Pedro Guimarães, que saiu do banco após denúncias de abuso sexual e moral na instituição.
INFOMONEY
https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/caixa-devolve-r-1-bi-ao-fgts-que-garantiu-oferta-de-microcredito/
por NCSTPR | 15/08/23 | Ultimas Notícias
Índice de atividade calculado pelo BC passou de 145,73 pontos para 146,65 pontos na série dessazonalizada. O resultado é o mais favorável desde abril, quando pontuou 148,78
Agência Estado
A economia brasileira voltou a crescer em junho, conforme o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta segunda-feira (14/8). O indicador subiu 0,63%, na série livre de efeitos sazonais. Em maio, a queda havia sido de 2,05% (dado atualizado hoje).
De maio para junho, o índice de atividade calculado pelo BC passou de 145,73 pontos para 146,65 pontos na série dessazonalizada. O resultado é o mais favorável desde abril, quando pontuou 148,78.
Na comparação entre os meses de junho de 2023 e de 2022, houve crescimento de 2,10% na série sem ajustes sazonais. Esta série registrou 145,67 pontos no sexto mês do ano, o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2003.
Conhecido como uma espécie de “prévia do BC” para o Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br serve mais precisamente como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses.
A projeção atual do BC para a atividade doméstica em 2023 é de crescimento de 2,0%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho. Já a equipe econômica projeta expansão de 2,50%.
IBC-Br sobe 0,43% no 2º trimestre ante o 1º trimestre
Depois da forte surpresa com o crescimento do PIB no primeiro trimestre (1,9%), a economia brasileira fechou mais um trimestre no terreno positivo, conforme o IBC-Br. Na série com ajuste sazonal, o avanço foi de 0,43% ante os três meses anteriores (janeiro a março).
Na comparação com o mesmo período de 2022, a elevação no trimestre foi de 2,65% na série sem ajustes sazonais, informou o BC.
No primeiro semestre de 2023, o resultado do IBC-Br é positivo em 3,42%. Já em 12 meses até junho, o crescimento é de 3,35%.
A projeção atual do BC para a atividade doméstica em 2023 é de crescimento de 2,0%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho. Já a equipe econômica projeta expansão de 2,50%.
Queda do IBC-Br de maio ante abril é revisada, de 2,00% para 2,05%
O BC revisou os dados de seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) na margem, na série com ajuste. O indicador de maio passou de -2,00% para -2,05%. Em relação a abril, o resultado passou de +0,81% para +0,82%.
O IBC-Br de março foi atualizado de -0,27% para -0,28%, enquanto o índice de fevereiro continuou em +2,98%. Em janeiro, o índice passou de +0,23% para +0,22%. Já o resultado de dezembro sofreu revisão de +0,77% para +0,82%.
CORREIO BRAZILIENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/08/5116929-ibc-br-previa-do-pib-sobe-063-em-junho-ante-maio.html
por NCSTPR | 15/08/23 | Ultimas Notícias
Medida é defendida pelos bancos para resolver o problema das altas taxas do crédito rotativo. Mas, segundo o ministro da Fazenda, prejudicaria o comércio e o consumidor. De acordo com ele, 70% das vendas do varejo são feitas na forma parcelada
Edla Lula
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou, nesta segunda-feira (14/8), mudanças nas compras parceladas “sem juros” no cartão de crédito, ao menos por ora. Um grupo de trabalho estuda alternativas para solucionar a inadimplência e as altas taxas cobradas no crédito rotativo, que em junho alcançaram 437,3% ao ano. A ideia do fim do parcelamento seria defendida pelos bancos.
No rotativo, o consumidor pode optar por adiar parte da fatura para o mês seguinte, pagando apenas um valor mínimo. Como os juros são elevados, muita gente acaba não conseguindo quitar a dívida.
“Nosso foco é o crédito rotativo. Tenho o compromisso dos bancos de que essa mesa de negociação tem prazo para terminar”, afirmou Haddad, referindo-se ao grupo de trabalho criado para tratar a questão. Participam do grupo representantes do ministério da Fazenda, do Banco Central, da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IBV).
O grupo estabeleceu o prazo de 90 dias para apresentar uma proposta, que pode incluir o fim do rotativo. As negociações envolvem também o diálogo com o Congresso sobre o assunto, uma vez que existe, na Câmara, um Projeto de Lei tratando do assunto. O grupo de trabalho, segundo Haddad, mantém conversas com tanto com o autor do PL, Elmar Nascimento (União-BA) e com o relator, deputado Alencar Santana (PT-SP).
O tema do parcelamento sem juros foi colocado em público na quinta-feira da semana passada, quando o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, falando em sessão no Senado, afirmou que, além do rotativo, seria necessário resolver o parcelamento em muitas vezes sem juros, que aumenta o risco dos bancos. A ideia, segundo ele, seria criar mecanismos para “desincentivar” o parcelamento sem juros em prazos tão longos.
“A gente tem um parcelado sem juros, que ajuda muito o comércio, que ajuda muito a atividade, mas que tem aumentado muito o número de parcelas, de três para cinco, para sete, para nove, para onze. Hoje, o prazo médio são 13 parcelas. Então, é como se fizessem um financiamento de longo prazo sem juros”, comentou Campos Neto.
Ministro quer separar os assuntos
Nesta segunda-feira, Haddad afirmou que prefere não misturar os dois assuntos. “O rotativo afeta muito a vida das pessoas e o parcelado sem juros responde hoje por 70% das compras feitas no comércio. Então, temos que ter muito cuidado para não afetar as compras no comércio, e não gerar outro problema para resolver o primeiro”, ponderou o ministro. “Nós herdamos uma taxa de juros absurda do rotativo e vamos ter que equacionar, mas isso não passa por prejudicar o consumidor que está pagando as suas contas em dia”, completou o ministro.
Divergências no mercado
A questão do rotativo e do parcelamento divide também entidades do mercado financeiro. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Internet (Abranet) abriram uma polêmica sobre os juros exagerados do cartão de crédito.
Enquanto a Febraban justifica que um dos motivos de os juros do cartão serem tão altos é o parcelamento sem juros — uma “distorção do mercado brasileiro” —, a Abranet defende a operação e ressalta que o parcelamento é responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ontem, Campos Neto teve reunião a porta fechadas com representantes do setor financeiro para tratar do assunto.
Febraban defende “aprimoramento”
Em nota, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirmou que os bancos não têm qualquer pretensão de acabar com as compras parceladas no cartão de crédito, mas defendeu um “redesenho” do rotativo e o “aprimoramento do mecanismo de parcelamento” de compras. “Estudos indicam a necessidade de medidas de reequilíbrio do custo e do risco de crédito. Para tanto, é necessário debater a grande distorção que só no Brasil existe, em que 75% das carteiras dos emissores e 50% das compras são feitas com parcelado sem juros”, destaca o comunicado.
Segundo Sidney, o prazo de financiamento impacta diretamente no custo de capital e no risco de crédito, “e a inadimplência das compras parceladas em longo prazo é bem maior do que na modalidade à vista”.
A Abranet, por sua vez, informou que é contrária à proposta de encarecer e limitar as compras parceladas sem juros no cartão de crédito, porque isso vai prejudicar os lojistas, os consumidores e a economia do país.
Estratégia
“Os grandes bancos já tentaram, no passado, acabar com as compras parceladas, também conhecidas como Parcelado sem Juros (PSJ). Com a reação de comerciantes (principalmente os menores) e de consumidores, o assunto foi abandonado — mas ressurge de tempos em tempos. E para não falar em acabar com o PSJ, a estratégia agora é mais inteligente: encarecer e limitar o PSJ, cobrando mais taxas quanto mais parcelado for o pagamento, e diminuindo a quantidade de parcelas disponíveis para o consumidor. Na prática, significa reduzir e, com o tempo, acabar com o PSJ”, destaca nota da Abranet. (Colaborou Rosana Hessel)
CORREIO BRAZILIENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/08/5117119-haddad-descarta-fim-do-parcelamento-sem-juros-no-cartao.html
por NCSTPR | 15/08/23 | Ultimas Notícias
No Senado, Campos Neto citou um incômodo do BC com o sistema atual de financiamento por cartão de crédito, que permite aos correntistas parcelar compras em até 13 parcelas sem juros.
Por g1
Em audiência no Senado na última quinta-feira (10), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deu declarações sobre um assunto que pode ter grande impacto para o consumidor brasileiro: o parcelamento sem juros no cartão de crédito, mecanismo oferecido, mais comumente, por grandes varejistas nacionais.
Campos Neto citou um incômodo do BC com o sistema atual de financiamento por cartão de crédito, que permite aos correntistas parcelar compras em até 13 parcelas sem juros.
Segundo ele, o BC estuda em criar algum tipo de “tarifa” para desincentivar a compra desenfreada no crédito em uma quantidade muito grande de parcelas – o que, com frequência, leva o comprador a perder o controle da própria fatura.
“Não é proibir o parcelamento sem juros. É simplesmente tentar que fique um pouco mais disciplinado. Não vai afetar o consumo. Lembrando que cartão de crédito é 40% do consumo no Brasil”, explicou Campos Neto.
De acordo com a Agência Brasil, ele afirmou: “A gente tem um parcelado sem juros, que ajuda muito o comércio, que ajuda muito a atividade, mas que tem aumentado muito o número de parcelas, de três para cinco, para sete, para nove, para 11. Hoje, o prazo médio são 13 parcelas”.
“Então, é como se fizessem um financiamento de longo prazo sem juros. A pessoa que toma a decisão de dar os juros não é a mesma que paga pelo risco. Isso gera uma assimetria.”
As medidas já estão em vigor?
Não. As declarações são recentes e foram dadas no Senado, onde Campos Neto esteve para apresentação do Relatório de Inflação e do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. A ideia defendida pelo presidente da instituição, entretanto, ainda não foi formalizada.
Campos Neto disse que uma proposta do Banco Central para o cartão de crédito rotativo deve ser apresentada nas próximas semanas. Segundo ele, há um projeto de lei ligado ao Desenrola, que está refinanciando dívidas de inadimplentes, que tem um prazo de até 90 dias para ser apresentado.
Como funciona uma compra parcelada?
Em uma loja que divide em 12 vezes sem juros, um item de R$ 600 pode ser adquirido em parcelas mínimas de R$ 50.
A prática afeta também o limite do cartão. Se for de R$ 4 mil, por exemplo, seria reduzido para R$ 3,4 mil após uma compra de R$ 600.
O valor total será restabelecido gradativamente, conforme o consumidor for pagando as faturas do cartão.
Qual a diferença entre crédito rotativo e compra parcelada?
Quando o cliente não paga a fatura do cartão na totalidade, o restante entra na modalidade conhecida como crédito rotativo do cartão de crédito.
Se a fatura total é de R$ 5 mil, por exemplo, mas o consumidor paga R$ 4 mil, os juros vão incidir sobre R$ 1 mil.
Em junho, os juros sobre o rotativo chegaram a 440%. Segundo o Banco Central, esse patamar equivale a uma taxa de juros de 15% ao mês.
O que dizem associações do setor?
Veja, abaixo, o que disseram sobre o assunto a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) e a Associação Brasileira de Internet (Abranet). Procurada pelo g1, a Associação Brasileira de Varejo (ABV) não havia retornado até a última atualização desta reportagem.
“A Febraban afirma que não há qualquer pretensão de se acabar com as compras parceladas no cartão de crédito. A entidade participa de grupos multidisciplinares que analisam as causas dos juros praticados e alternativas para um redesenho do rotativo, de um lado, e, de outro, o aprimoramento do mecanismo de parcelamento de compras. Portanto, nenhum dos modelos em discussão pressupõe uma ruptura do produto e de como ele se financia.
Defendemos que o cartão de crédito deve ser mantido como relevante instrumento para o consumo, preservando a saúde financeira das famílias. Isso porque estudos indicam a necessidade de medidas de reequilíbrio do custo e do risco de crédito. Para tanto, é necessário debater a grande distorção que só no Brasil existe, em que 75% das carteiras dos emissores e 50% das compras são feitas com parcelado sem juros.
Os estudos da Febraban mostram, ainda, que o prazo de financiamento impacta diretamente no custo de capital e no risco de crédito, e a inadimplência das compras parceladas em longo prazo é bem maior do que na modalidade à vista, cerca de 2 vezes na média da carteira e 3 vezes para o público de baixa renda.
A Febraban continuará perseguindo uma solução construtiva que passe por uma transição gradual, para que se alcance a convergência que, ao mesmo tempo, beneficie os consumidores e garanta a viabilidade do produto para os elos que atuam na indústria do cartão de crédito, como bandeiras, bancos emissores, adquirentes (maquininhas), lojistas e consumidores”.
Proteste, via Henrique Lian, diretor de relações institucionais e mídia:
“A extinção da modalidade do rotativo do cartão de crédito, cujos juros podem chegar a 440% ao ano, é esperada (ao menos desde a limitação ao prazo máximo de um mês, ocorrida em 2017) e muito bem-vinda, especialmente se o BACEN entende que ela contribui para a melhoria das condições gerais de juros no país. Já a possível extinção dos parcelamentos sem juros, ou à criação de algum tipo de tarifa para desincentivá-lo, parece vir como um indesejado “tradeoff”. Trata-se de uma medida que não corresponde ao conceito de eficiência de mercado, pois piora significativamente a situação de dois agentes importantes: os próprios consumidores, que deixam de dispor dessa modalidade que, na prática, substituiu o clássico “crediário”, e prejudica também o varejo, que conta com essa modalidade, lembrando que as compras no cartão de crédito representam 40% do consumo no Brasil”.
“Como Abranet, cujas empresas associadas, juntas, têm mais de 70 milhões de clientes de serviços financeiros (como conta digital, cartões de crédito, débito e etc.), empresas de maquininha de cartão e que são, em sua maioria, novos entrantes e desafiantes no mercado financeiro, nos causa consternação, estranheza e preocupação, que uma decisão tão importante e impactante para todo o mercado, esteja sendo discutida com apenas uma das partes envolvidas. Prejudicar o modelo de compras parceladas em cartão de crédito no Brasil, que é responsável por 50% do volume de tudo que é transacionando em cartões de crédito, reduzirá drasticamente o consumo e impactará todo o varejo, os lojistas de todos os portes, principalmente os pequenos, as empresas de maquininha de cartão e todo o ecossistema que funciona ao redor desse mercado. É inaceitável que uma solução sobre um assunto desta magnitude e importância esteja sendo discutida de maneira unilateral, pelos grandes bancos que historicamente têm os maiores lucros do país e o maior retorno sobre o capital dos bancos do mundo.
Quando os juros de cartão de crédito, que estão na casa de 440% ao ano, são questionados, os bancos argumentam sobre o parcelado sem juros. Na visão das nossas associadas, estes assuntos não têm relação, e apontam que a inadimplência de quem compra parcelado é menor do que quem compra à vista. Tanto é, que elas oferecem parcelado sem juros, com opção de parcelar em 18 vezes, não apenas 12 vezes como é praxe do mercado.
E se algum banco concluiu que não vale a pena oferecer mais de quatro parcelas sem juros (como cita a matéria), que este banco comunique seus clientes e deixe o livre mercado atuar. Seguramente haverá outros bancos prontos para oferecer cartão com compras parceladas em 12, 18 vezes e receberão estes clientes de braços abertos.
A solução para os altos juros está dentro dos próprios bancos, que nos últimos anos parece que foram mais agressivos do que deveriam na concessão de crédito e que tem políticas como isenção de anuidade combinada com benefícios (milhas, salas vip); e todo este custo precisa ser coberto através dos juros cobrados do rotativo. É o cenário já conhecido da baixa renda subsidiando o benefício da alta renda.
E é ainda mais curioso que, nessa discussão sobre os altos juros, não se faça um único movimento no sentido de gerar ambiente que aumente a competição. Sem prejuízo de alterar a regra do rotativo agora, para reduzir os juros no curto prazo, o que realmente fará estes juros caírem será o aumento da competição. Iniciativas como portabilidade de dívida de cartão, assim como existe nos EUA, onde o cliente consegue facilmente transferir sua dívida de um banco para outra instituição financeira que ofereça melhores condições serão muito eficientes.
por NCSTPR | 15/08/23 | Ultimas Notícias
Ministro da Fazenda disse que declaração não foi ‘crítica’ à atuação da Câmara e destacou que é ‘só elogios’ ao Congresso. Presidente da Câmara rechaçou manifestações ‘enviesadas e descontextualizadas’.
Por Lais Carregosa, Ana Paula Castro e Erick Rianelli, g1, TV Globo e GloboNews — Brasília
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (14) que ligou para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para esclarecer fala, que segundo ele, foi interpretada como uma crítica à Casa.
A declaração veio depois de o ministro afirmar, em entrevista gravada na última sexta (11) e exibida hoje, que a Câmara dos Deputados “está com poder muito grande e não pode usar esse poder para humilhar o Senado e o Executivo”.
Segundo Haddad, o trecho não foi uma crítica à atuação da Câmara.
“As minhas declarações foram tomadas como crítica à atual legislatura. Na verdade, eu estava fazendo uma declaração sobre o fim do chamado presidencialismo de coalizão. […] Eu defendi, durante a entrevista, que essa relação fosse mais harmônica e que pudesse produzir os melhores resultados”, afirmou a jornalistas.
O ministro disse ter acordado a declaração à imprensa em telefonema a Lira. De acordo com Haddad, a conversa com Lira “foi excelente” e afastou o tom crítico à Casa.
“Não vamos fazer disso um cavalo de batalha. Primeira providência que tomei foi ligar para o presidente Arthur Lira e esclarecer o contexto das minhas declarações. Minhas declarações não dizem respeito à atual legislatura. Eu sou só elogios para a Câmara, para o Senado e Judiciário. Nós não teríamos chegado aqui sem a concorrência dos Poderes da República.”
Em publicação nas redes sociais, Arthur Lira afirmou que manifestações “enviesadas e descontextualizadas não contribuem no processo de diálogo e construção de pontes tão necessários para que o país avance”.
Lira disse, ainda, que é “equivocado pressupor” que a articulação para apoio em propostas na Casa “revela a concentração de poder na figura de quem quer que seja”.
“A formação de maioria política é feita com credibilidade e diálogo permanente com os líderes partidários e os integrantes da Casa. Essa missão é do governo, e não do presidente da Câmara, que ainda assim tem se empenhado para que ela aconteça”, escreveu.
Na Câmara, a equipe econômica de Haddad acompanha e espera a conclusão da análise da nova regra fiscal.
O texto já foi aprovado pelos deputados, mas passou por alterações no Senado e voltou para análise da Casa.
A expectativa do governo era aprovar a medida até o fim de agosto, quando termina o prazo para o Executivo apresentar a proposta de Orçamento para 2024, mas ainda não há data para a nova rodada de votação na Câmara.
No início do mês, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), argumentou que falta consenso entre os deputados para confirmar ou rejeitar as mudanças feitas pelo Senado.
A decisão foi tomada a pedido dos parlamentares, após a fala de Haddad.
Em linhas gerais, a nova regra fiscal prevê que as despesas podem crescer acima da inflação, mas respeitando um intervalo fixo de crescimento real: entre 0,6% e 2,5%.
Além disso, o crescimento dos gastos fica limitado a 70% do crescimento da arrecadação do governo. Por exemplo: se a arrecadação subir 2%, a despesa poderá aumentar até 1,4%.
por NCSTPR | 15/08/23 | Ultimas Notícias
Economista Javier Milei, de extrema-direita, recebeu pouco mais de 30% dos votos e liderou as Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias
por André Cintra
As primeiras notícias na manhã desta segunda-feira (14) na Argentina eram previsíveis. Um dia após as caóticas prévias presidenciais realizada neste domingo (13) e marcadas por elevada abstenção (mais de 30% dos eleitores), o mercado era só alvoroço.
O dólar blue – que é uma referência de câmbio paralelo na Argentina – bateu recorde e passou de 605 pesos para 670. Para evitar uma desvalorização ainda maior da moeda, o Banco Central da Argentina fixou a taxa de câmbio oficial em 350 pesos por dólar. A taxa básica de juros disparou 21 pontos, chegando a 118% ao ano. Títulos argentino no “pré-mercado” de Wall Street desabaram 12%.
Tudo porque o economista Javier Milei, da chapa A Liberdade Avança, de extrema-direita, recebeu pouco mais de 30% dos votos e liderou as Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso). A chapa preferida do mercado, a do partido direitista “Juntos pela Mudança”, teve 28,7%, mas sua presidenciável, a ex-ministra de Segurança Patricia Bullrich, não passou de 16,98% dos votos gerais.
Já os peronistas, representados na chapa União Pela Pátria, alcançou 27,27% dos votos, um pouco mais que seu presidenciável, o atual ministro da Economia, Sergio Massa, que ficou com 21,41%. Foi o pior resultado do peronismo desde a adoção das prévias na Argentina, em 2011.
Os números podem aparentar certo equilíbrio, uma quase empate – 30,04%, 28,7% e 27,27% – e os otimistas podem dizer, com alguma razão, que, no fim das contas, a disputa ainda está em aberto. Mas o fato é que a Argentina é o mais novo país sul-americano a ser tragado pela onda ultradireitista.
Fã declarado de Donald Trump e Jair Bolsonaro – e talvez uma versão piorada de ambos –, Milei se vende como um anarcocapitalista, seja lá o que isso queira dizer. Seu projeto, no entanto, tem um inconfundível odor ultraliberal. O presidenciável quer extinguir o Banco Central, dolarizar integralmente a economia argentina, privatizar os sistemas de saúde e de educação, além de enxugar a máquina pública.
Podem parecer propostas ao gosto do sistema financeiro, mas a experiência de Bolsonaro no Brasil já serve de lição: gestores imprevisíveis são uma ameaça não apenas para o povo – mas até para o rentismo. Se liderarem governos de destruição com fachada populista, tanto pior.
Milei agradou parte do eleitorado porque, como Bolsonaro em 2018, se apresentou como um outsider, ainda que, tal qual o ex-presidente brasileiro, fosse um deputado inexpressivo e desbocado do baixo clero. Por suspostamente não pertencer ao sistema, seu nome seria mais credenciado para enfrentar as “mesmas velhas coisas que sempre falharam”.
Uma de suas eleitoras, a dona de casa Adriana Alonso, de 42 anos, declarou à agência Reuters que escolheu Milei devido à desilusão com os políticos tradicionais. “A inflação está nos matando e a incerteza do trabalho não permite que você planeje sua vida”, afirmou. Hoje, 19,7 milhões argentinos – 44% da população – vivem em estado de pobreza. Curiosamente, Milei é o candidato mais crítico a programas sociais, especialmente os de distribuição de renda.
Com Milei na Casa Rosada, pode haver, sim, uma política de austeridade fiscal, retomando a experiência neoliberal argentina. Mas tudo ao lado de uma permanente instabilidade política e social, já vislumbrada pela maioria dos analistas e agentes do mercado.
Até domingo, por conta das recentes pesquisas de intenção de voto, o “risco Milei” parecia descartado. Sua candidatura parecia perder fôlego, e a aposta era de que a eleição propriamente dita, em outubro, repetiria o tradicional duelo entre direita e esquerda – Patricia Bullrich versus Sergio Massa.
Esta era a tacada do mercado para dar as cartas na economia argentina, depois de apoiar, nos dois últimos anos, as nefastas imposições do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao governo de Alberto Fernández e Cristina Kirchner. Nas contas do mercado, a crise abriria caminho para a vitória de Patricia Bullrich, já que Sergio Massa poderia encarnar uma continuidade, e Javier Milei, o caos. Em outras palavras, o mercado pagou para ver (e viu) o avanço extrema-direita, com certa cumplicidade da grande mídia local.
A campanha de Milei foi coordenada por sua irmã Karina, que também é taróloga e a quem o candidato faz consultas para saber, via cartas, se pode ou não pode confiar em algum político. Além do tarô, o presidenciável diz já ter tomado decisões por meio de telepatia. Uma vez eleito, o “Bolsonaro argentino” provavelmente governará por si mesmo – e talvez para si – apenas.
Faltam pouco mais de dois meses para as eleições de 22 de outubro. Como a imagem da polarização do Brasil é exemplar, o peronismo já começou a defender uma frente ampla para impedir a vitória da extrema-direita. “Precisamos do nosso compromisso de que o próximo governo não seja apenas de unidade da nossa coalizão, mas de uma unidade pelo país”, afirmou Massa, ainda no domingo, antes do fim da apuração. A sorte está lançada para os argentinos – inclusive para o mercado.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/08/14/argentina-mercado-pagou-para-ver-e-viu-o-avanco-extrema-direita/