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Ministério da Fazenda estuda substituir crédito consignado ligado ao FGTS

Ministério da Fazenda estuda substituir crédito consignado ligado ao FGTS

A substituição desse tipo de empréstimo faz parte do novo pacote de medidas voltadas para o crédito anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda

Por Estevão Taiar, Valor — Brasília

O Ministério da Fazenda já estuda quais instrumentos poderão substituir o crédito consignado ligado ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

 

A substituição desse tipo de empréstimo faz parte do novo pacote de medidas voltadas para o crédito anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na última quinta-feira (27), depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele afirmou a jornalistas que o governo federal prepara “algumas” novas medidas na área.

A extinção do consignado ligado ao FGTS é defendida pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, como forma de preservar os recursos do fundo. Por causa da proximidade entre Lula e Marinho, a modalidade já é tratada no Ministério da Fazenda como “uma coisa fadada a acabar”, segundo uma fonte da pasta. Mas, por enquanto, os técnicos apenas estudam o que “deve ser criado para colocar no lugar”, sem decisões tomadas.

VALOR INVESTE

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Ministério da Fazenda estuda substituir crédito consignado ligado ao FGTS

Sob críticas, Campos Neto pode costurar consenso

O Banco Central está sob intensa crítica pela manutenção dos juros em 13,75% ao ano, e o próprio Campos Neto passou a ser alvo inclusive da oposição. O presidente do BC tem um bom apoio, mas nas últimas semanas o teor das críticas aumentou dada a conjuntura favorável à queda.

Integrantes do mercado com quem o blog conversou não descartam uma ação interna do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nos últimos dias, para evitar que haja divergências na reunião do Copom que começa hoje.

Essa é considerada uma missão complicada porque além de dois diretores considerados mais conservadores na composição do órgão, essa reunião será a primeira com os novos diretores indicados do governo, Aílton Aquino (Fiscalização) e Gabriel Galípolo (Política Monetária).

A expectativa é a de que os novos diretores se coloquem favoráveis a uma queda de, pelo menos, 0,5 ponto porcentual.

Na última reunião do banco, em junho, já houve divergência interna (não sobre a manutenção da taxa, mas sobre o posicionamento futuro). Hoje, com a nova composição do BC, dois diretores são considerados mais conservadores e poderiam, inclusive, manifestar um posicionamento mais reativo à queda dos juros que o próprio Campos Neto – ou ao porcentual de queda: Fernanda Guardado (diretora de Assuntos Internacionais) e Renato Dias de Brito Gomes (diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução).

Outra questão é como votará Diogo Guillen (diretor de Política Econômica). Dos nove diretores, ele é considerado o mais alinhado a Campos Neto. Há dúvidas se ele avançaria nos 0,5 ou adotaria os 0,25, caso de fato haja divergência. Muita gente no mercado acha improvável que ele e Campos Neto sigam caminhos distintos.

Para integrantes do mercado, Campos Neto pode ter feito um corpo-a-corpo junto aos diretores para tentar montar um consenso em torno do patamar da queda dos juros, diminuindo assim as críticas ao órgão – e no limite a ele mesmo. Isso significaria convencer os diretores mais conservadores a votar favoravelmente a uma queda maior, já que, para parte expressiva de economistas e do mercado, já há elementos técnicos para isso, e, ao mesmo tempo, evitar que os novos diretores abram discussão sobre uma queda maior que 0,5.

O Banco Central está sob intensa crítica pela manutenção dos juros em 13,75% ao ano, e o próprio Campos Neto passou a ser alvo inclusive da oposição. O presidente do BC tem um bom apoio entre os senadores, responsáveis por votar um eventual pedido de exoneração, principalmente entre os do PSD, maior bancada da casa, mas nas últimas semanas o teor das críticas aumentou dada a conjuntura favorável à queda.

O mercado está bem dividido entre corte de 0,25 e 0,50. “Há neste ano ainda mais três reuniões. Se o BC cortar os juros em 0,5 em cada reunião, contando com a desta semana, o ano terminará ainda assim com uma taxa de 11,75% para um IPCA esperado para o próximo ano de 3,8%”, disse um economista chefe de um banco ao blog.

“Isso significa uma taxa de juros real no final do ano de perto de 8%, o que seria ainda uma taxa de juros real muito alta e no terreno restritivo. Ou seja, na minha opinião e de vários ex-diretores do BC, há fundamentos técnicos para começar com o corte de 50 bps.”

Os que defendem um corte de 0,25 argumentam que a expectativa de inflação de 2025 e 2026 ainda está em 3,5%, acima portanto do centro da meta de 3% e que seria mais prudente começar com o corte de 0,25 e ao longo do tempo BC poderia acelerar os cortes.

G1

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Banco Central deve baixar juros nesta quarta pela primeira vez em três anos; veja efeitos na prática

Corte da taxa no Brasil tende a ser repassada aos clientes e, com isso, favorece crescimento da economia. Também melhora o perfil das contas públicas, pois gastos com juros recuam.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (2) e deve iniciar o ciclo de corte nos juros básicos da economia brasileira. A decisão será anunciada após as 18h.

Se confirmado, esse será o primeiro corte dos juros em três anos. A última queda aconteceu em agosto de 2020, em meio à fase mais aguda da pandemia da Covid-19, quando a taxa Selic caiu de 2,5% para 2% ao ano (o nível mais baixo da história).

Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, o maior nível em seis anos e meio.

A expectativa da maior parte do mercado financeiro, em pesquisa realizada pelo BC com mais de 100 bancos na semana passada, é de um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano. Mas há analistas que projetam uma redução maior, de 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano.

Desde o início do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do seu governo vêm criticando o BC por manter a taxa em 13,75%. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, argumenta que a manutenção da taxa foi importante para conter a inflação. Campos Neto tem autonomia, ou seja, não pode ser demitido por Lula.

A queda da inflação nos últimos meses pode ser um fator que leve à redução dos juros nesta quarta.

Em maio, a inflação oficial desacelerou para 0,23% de alta. E, em junho, foi registrada deflação, ou seja, queda de preços, de 0,08%.

Consequências de juros menores

De acordo com especialistas, a redução da taxa de juros no Brasil terá várias consequências para a economia. Veja abaixo algumas delas:

Redução das taxas bancárias: a tendência é que os cortes de juros sejam repassados aos clientes. Em junho, antes mesmo do início do ciclo de corte da Selic pelo BC brasileiro, os juros médios dos bancos já começaram a recuar. Foi a primeira queda neste ano.

Maior nível de atividade: Com juros mais baixos, a expectativa é de que comece a haver um comportamento melhor do consumo da população e, também, melhora dos investimentos produtivos, impactando positivamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda.

“No momento que a taxa de juros cai, gera-se um incentivo para o empresário e a indústria faz mais investimentos no seu negócio. Ter uma taxa de juros mais baixa vai fazer com que a população busque financiamentos e que as empresas destravem e façam investimentos necessários”, afirmou Rodrigo Azevedo, economista e sócio-fundador da GT Capital.

Melhora das contas públicas: as reduções de juros também favorecem as contas públicas, pois diminuem as despesas com juros da dívida pública. Em 2022, a despesa com juros somou R$ 586 bilhões. Na porcentagem do PIB (5,96%), foi o maior patamar desde 2017.

Com o recuo dos juros, haverá uma pressão menor de despesas, o que favorece o perfil do endividamento brasileiro.

No fim do mês passado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, calculou que se a taxa básica de juros estivesse em 10% ao ano, em vez dos atuais 13,75%, a economia nos gastos com juros da dívida pública permitiria o pagamento anual de quase um Bolsa Família.

Impacto nas aplicações financeiras: investimentos em renda fixa, como no Tesouro Direto e em debêntures, porém, tendem a ter um rendimento menor do que teriam com juros mais elevados.

De acordo com análise do Paraná Banco Investimentos, entretanto, a renda fixa ainda é um bom investimento. Nesse caso, os papéis pré-fixados são os mais recomendados quando tem início um ciclo de queda nos juros.

“Quanto aos investimentos de longo prazo, os títulos indexados à inflação são uma opção interessante para garantir um ganho real”, acrescentou a instituição.

Juros lá fora

A reunião do Copom acontece em um momento no qual os bancos centrais de países desenvolvidos ainda estão elevando a taxa de juros – para conter pressões inflacionárias – ou mantendo-as estáveis.

  • O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aumentou os juros do país no fim de julho em 0,25 ponto percentual, para uma faixa de 5,25% a 5,50% ao ano — marcando o maior nível das taxas desde 2001.
  • O Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de juros da zona do Euro em 0,25 ponto percentual na última semana, de 3,5% para 3,75% ao ano. A presidente do BCE, Christine Lagarde, sinalizou que pode haver uma pausa no ciclo de aumento dos juros.
  • O Banco Central do Canadá subiu sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em meados de julho, para 5% ao ano.
  • O Banco Central da Suíça aumentou a taxa de juros pela quinta vez seguida no final de junho, para 1,75% ao ano.
  • O Banco Central do Reino Unido elevou sua taxa básica de juros, também no final de junho, em 0,5 ponto percentual, para 5% ao ano.

A redução da taxa básica de juros no Brasil deve acontecer nesta quarta-feira após pressão de Lula e, também, da queda da inflação nos últimos meses.

“Consideramos que essa abordagem proativa de política monetária [definição da Selic para conter a inflação], que levou a taxa básica de juros a um território significativamente restritivo [alto], foi oportuno. Note-se que que essa estratégia começa a dar resultado. A inflação no Brasil começou a diminuir significativamente mais cedo em comparação a outros países em desenvolvimento”, disse Campos Neto, na ocasião.

Como as decisões são tomadas

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, no sistema de metas de inflação, o BC olha para frente.

Neste momento, a instituição já está mirando na meta do ano que vem, e também para o início de 2025 (em doze meses). Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

Isso aconteceu porque os juros do mercado futuro, pactuados entre as instituições financeiras com base nas expectativas para a economia brasileira, já começaram a recuar (antecipando o corte da Sellic).

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/08/02/banco-central-deve-baixar-juros-nesta-quarta-pela-primeira-vez-em-tres-anos-veja-efeitos-na-pratica.ghtml

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STF retoma julgamento que pode descriminalizar porte de drogas para consumo pessoal

Quase oito anos depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) volta a debater a possibilidade de descriminalização do porte de drogas para consumo próprio. A retomada do julgamento está marcada para esta quarta-feira (2) e reacendeu a discussão sobre o tema no Senado.

O julgamento será reiniciado já com três votos defendendo a inconstitucionalidade do trecho da Lei de Drogas que trata sobre o assunto, mas com divergências sobre a adoção de um critério objetivo para diferenciar um usuário de um traficante.

A ação que está sendo julgada questiona a constitucionalidade do artigo 28 da Lei de Drogas, de 2006, que estabelece ser crime “adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”.

A Defensoria Pública de São Paulo recorreu de uma decisão do Colégio Recursal do Juizado Especial Cível de Diadema, em São Paulo, que manteve a condenação de um homem à pena de dois meses de prestação de serviços comunitários pelo crime de porte de drogas para consumo pessoal. A Defensoria argumenta que o ato não afronta a saúde pública e que o dispositivo contraria o princípio da intimidade e da vida privada.

Na terça-feira (1º), véspera do julgamento, alguns senadores e deputados organizaram no Senado o “Ato de Enfrentamento às Drogas: O Brasil unido por um país livre das drogas”.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse que o STF estaria “usurpando o papel do Congresso” e que os parlamentares já se manifestaram e decidiram sobre o assunto em duas ocasiões recentes: durante as discussões da Lei Antidrogas (Lei 11.343, de 2006) e ao longo dos debates da Lei 13.840 de 2019, que alterou diversos pontos do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad).

“Todos estão atônitos com essa insistência do Supremo Tribunal Federal em usurpar algo que nós deliberamos e votamos duas vezes. Esse assunto foi extremamente discutido dentro do Congresso Nacional. Tanto no governo lá atrás como agora no governo anterior. Ambos mantiveram a Lei antidrogas no Brasil. Fizemos avanços em relação ao enfrentamento. A minha preocupação é como é que vai ficar. A pessoa pode andar com droga e aí vai comprar onde? Isso vai fortalecer o tráfico”, apontou o senador.

A mesma preocupação foi manifestada pelo senador Magno Malta (PL-ES), que também participou do ato realizado na sala de uma das comissões da Casa.

“O Brasil amanhã pode abrir as portas para legalizar todas as drogas. Essa conversa de que é maconha medicinal é uma desculpa esfarrapada para legalizar o uso recreativo. Vai aumentar o crime”, disse Magno Malta.

A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) ressaltou que o julgamento no Supremo não pode ser confundido com a legalização das drogas.

“O tráfico de drogas continua sendo crime. Preocupa-me esta discussão neste momento, quando ainda não temos regulamentado o uso da cannabis para fins medicinais. Esta deveria ser a prioridade de hoje. É a saúde dos brasileiros que está em evidência. Contudo, essa discussão no STF se faz necessária também, afinal, a legislação atual não estabelece critérios objetivos para distinguir quem é usuário e quem é traficante no Brasil. É preciso adotar critérios claros para disciplinar o uso próprio, como ocorre em inúmeros  países.”

AUTORIA

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Câmara tenta, pela segunda vez, instalar comissão da PEC que anistia partidos políticos

Nesta quarta-feira (2), a Câmara dos Deputados retoma o esforço para dar início à comissão especial encarregada de apreciar a PEC 9/2023, conhecida como PEC da anistia partidária. Ela prevê a anistia às multas destinadas aos partidos que não cumpriram suas cotas de gênero e raça nas eleições de 2022. Essa primeira reunião serve também para a eleição do presidente e relator do colegiado.

A PEC da anistia foi uma das primeiras emendas apresentadas na atual legislatura. De autoria do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), ela conta com amplo apoio tanto entre partidos da oposição quanto partidos do governo, e recebeu votos favoráveis dos dois lados quando foi votada na Comissão de Constituição e Justiça, em meados de maio. A comissão deve ser presidida pelo deputado Diego Coronel (PSD-BA). A relatoria deve ficar com Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP).

Apesar do apoio político, a PEC é duramente criticada por diversos setores da sociedade civil, que enxergam em seu texto a repetição de uma prática recorrente após as eleições de impedir a aplicação das normas que definem as cotas de candidaturas e orçamento para mulheres, negros e indígenas. Movimentos de combate à corrupção também apontam para o mecanismo da proposta que prevê o perdão aos partidos cujas contas foram rejeitadas pela justiça eleitoral, podendo representar a maior anistia partidária da história do Brasil.

O argumento levantado pelo autor para justificar a PEC é o de que a lei que estabelece a cota orçamentária de gênero é de maio de 2022, e que muitos partidos não puderam ter tempo para se adaptar à nova norma. Em entrevista ao Roda Viva na segunda-feira (31), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que, ao longo da tramitação, o texto tende a tratar somente das multas sobre valores que vão além do estabelecido para as cotas antes de 2022.

A comissão estava originalmente programada para abrir os trabalhos no dia 12 de julho. A falta de quórum e a proximidade do recesso legislativo, porém, resultaram no adiamento.

AUTORIA

Lucas Neiva

LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.

CONGRESSO EM FOCO
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Brasileiros gastam mais de 50% do salário mínimo para comprar cesta básica

cesta básica é um conjunto de alimentos essenciais para a sobrevivência de milhões de brasileiros e que ajuda a garantir que as pessoas tenham acesso a uma alimentação de qualidade e em quantidade suficiente para suprir as necessidades nutricionais básicas.

A reportagem é de Melisa Murialdo, contadora e editora, enviada pela autora ao Instituto Humanitas Unisinos — IHU.

Uma família que ganha um salário mínimo precisa gastar cerca de 60% do rendimento apenas para adquirir os alimentos básicos.

Composta por itens como arroz, feijão, carne, entre outros, a cesta básica, para muitos brasileiros de baixa renda, representa uma parte significativa do orçamento familiar.

No ano de 2022 a cesta básica registrou um preço médio de aproximadamente R$ 705,55, quando avaliadas todas as 17 capitais brasileiras que foram alvo de um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As cidades envolvidas no levantamento foram Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

Quando se fala em custos essenciais de uma população, é importante traçar um paralelo com a renda das pessoas, para entender mais a respeito do poder de compra dos trabalhadores em um país. Portanto, em 2022, o salário mínimo no Brasil era de R$ R$ 1.212,00, enquanto o valor médio da cesta básica entre as capitais foi de R$ 705,55. Isso significa que uma família que ganha um salário mínimo precisa gastar cerca de 58,1% do rendimento apenas para adquirir os alimentos básicos necessários para a subsistência. Em 2021, no país, essa relação era de 33,1%.

Neste cenário em que uma família utiliza mais da metade da renda apenas para comprar a cesta básica, é provável que outros gastos importantes do orçamento fiquem comprometidos. Esses custos incluem, por exemplo, o pagamento de aluguel, contas de água, luz e telefone e prestações da casa própria, além das despesas com saúde e educação. Com dificuldades para organizar o orçamento, a família pode precisar, muitas vezes, escolher entre arcar com as contas básicas ou adquirir outros produtos e serviços essenciais para a alimentação no dia a dia.

Com o baixo salário e alto custo da cesta básica no país, muitas famílias acabam recorrendo a algumas medidas para conseguir pagar a “sobrevivência” ao longo do mês. Uma das alternativas utilizadas para quem tem dificuldades em adquirir a cesta básica é obter crédito através da contratação de um empréstimo pessoal de emergência. Contudo, essa pode não ser uma opção viável para muitos brasileiros, sobretudo para aqueles de baixa renda. Isso porque o empréstimo realizado sem programação por parte do contratante pode aumentar ainda mais o endividamento das famílias, devido aos juros praticados ao longo dos meses.

Se por um lado os custos da cesta básica podem parecer altos, por outro, o impacto desse valor pago na vida dessas famílias é significativo. Isso porque esses alimentos são essenciais para combater a fome e a desnutrição, que ainda são problemas graves no Brasil. Em 2022, mais de 33 milhões de brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar grave, de acordo com o Segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19.

Cesta básica na pandemia

Apesar do esforço do governo em manter o valor da cesta básica acessível, muitas famílias ainda têm dificuldade em adquiri-la devido à falta de renda suficiente. Esse problema foi agravado ainda mais pela crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, que aumentou os índices de desemprego e inflação. Em 2022, Goiânia registrou o maior aumento no valor dos alimentos essenciais e a cesta básica teve alta de 17,9% em relação ao ano anterior. A segunda maior alta aconteceu em Brasília, 17,2%, seguida de Campo Grande (16%) e Belo Horizonte (15%).

Com o aumento no valor dos alimentos, é comum ver famílias que optam por substituir alguns alimentos tradicionalmente consumidos por outros mais baratos.

Poder público pode ajudar?

Diante desse cenário, é importante que o governo continue investindo em políticas públicas para garantir o acesso à cesta básica e melhorar a qualidade dos alimentos oferecidos. No Brasil, medidas como o Programa Bolsa Família, por exemplo, oferecem um auxílio financeiro a famílias de baixa renda para garantir sua subsistência, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar garante uma alimentação saudável e nutritiva para alunos da rede pública de ensino.

É importante que o governo promova políticas que ajudem a reduzir o valor da cesta básica e, com isso, a necessidade do endividamento das famílias para garantir o acesso à alimentação básica e essencial para a vida.

Brasil passou da 35ª para a 52ª posição em dois anos no ranking mundial de custos da cesta básica

De acordo com o ranking desenvolvido pela plataforma de e-commerce Picodi que faz a relação de porcentagem entre o valor da cesta básica e o salário mínimo, o Brasil ocupava a 35ª posição dentre os 56 países estudados em 2021.

(Fonte: Picodi)

Uma nova pesquisa realizada pela mesma plataforma, no ano de 2023, mostra que a cesta básica compromete uma porcentagem ainda maior do salário do brasileiro após dois anos. Se em 2021 o levantamento apontava que 33,1% do salário era comprometido com a cesta básica, o novo estudo mostra que, em 2023, 37,8% dos rendimentos formais do trabalhador são utilizados para arcar com os alimentos básicos.

Neste cenário, o Brasil passa a ocupar o 52º lugar no ranking de países, ficando à frente da Ucrânia, com 42,8%, Rússia (45,5%) e Indonésia (50,8%). O Reino Unido, Irlanda e Austrália seguem liderando o ranking, com o menor comprometimento de salário para pagar a cesta básica mensal.

Grã-Bretanha, Austrália e Irlanda são os três países que se destacam no levantamento, com a cesta básica custando menos de 8% do salário mínimo da população. Do outro lado, o salário mínimo na Nigéria não consegue comprar a cesta básica, exigindo mais de 100% dele para poder acessar o básico.

(Fonte: Picodi)

Fontes de informação

Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

Ministério da Previdência Social

Blog de empréstimos OMT

Senado Federal

Picodi

IHU-UNISINOS

https://www.ihu.unisinos.br/631041-brasileiros-gastam-mais-de-50-do-salario-minimo-para-comprar-cesta-basica