NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

OPINIÃO

Por Alberto Bastos Balazeiro, Evandro Valadão, Afonso de Paula Pinheiro Rocha e Raquel Leite da Silva Santana

No dia 3 de agosto, encerrou-se na sede do Tribunal Superior do Trabalho, com roda de conversa após reexibição do filme Pureza, o Seminário Internacional Trabalho Decente, realizado pela corte como parte do lançamento de uma agenda institucional de promoção do trabalho digno [1].

Aberto com palestra proferida por ninguém menos que o prêmio Nobel da Paz de 2014, Kailash Satyarthi, o evento reuniu iniciativas dos dois programas de fomento a políticas públicas mais eloquentes sob a condução do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Promoção da Aprendizagem e Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, Programa Trabalho Seguro (PTS).

Em um período em que se discutem teses alarmistas de fim do emprego ou do trabalho ou de uma invasão tecnológica que relegue à obsolescência a própria natureza do trabalho humano, as palestras e premiações do seminário permitiram a coleta de informações e mensagens sobre a importância de uma sociedade que precisa agir, devendo almejar um mundo laboral que assegure mínimas condições de dignidade a todas e todos.

Afinal, como diria a intelectual e ativista guianense Andaiye, “o importante é transformar o mundo” [2]. Mas como isso seria possível? Kailash Satyarthi e Felipe Caetano, este último jovem inspirador e ativista no combate ao trabalho infantil, ofereceram a todos nós instigantes caminhos: o primeiro passo é poder garantir especialmente às nossas crianças o direito de sonhar. Sonhar e acreditar que viver em um mundo melhor é uma opção para todos e todas.

Portanto, garantir o direito de sonhar é fazer justiça social. Sem justiça social — secularmente almejada por nosso principal organismo internacional trabalhista, nossa sociedade permanecerá desigual e dividida entre os que podem sonhar desde a infância e os que precisam se submeter ao trabalho infantil para sobreviver.

Não é sem razão que a data de 12 de junho foi eleita como o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. Neste ano de 2023, a Organização Internacional do Trabalho elegeu como um dos temas prioritários da 111ª Conferência Internacional do Trabalho, ancorando-se na ideia de “Justiça social para todos: acabar com o trabalho infantil”.

Em discurso sobre a data, o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, enfatizou que pela primeira vez em 20 anos os números relativos à deflagração de trabalho infantil aumentaram em escala global: em um universo de 160 milhões de crianças, quase um em cada 10 em todo o mundo, estão em situação de trabalho infantil, dentre as quais 80 milhões figuram na lista das formas mais perigosas de trabalho infantil [3].

Somando-se às propostas oferecidas por Kailash Satyarthi e Felipe Caetano, o diretor-geral da OIT sinalizou não só que o trabalho infantil é uma das várias consequências da pobreza e das desigualdades sociais, como também que o trabalho decente para os adultos é o antídoto para o combate ao trabalho infantil.

A criação de postos de trabalho juridicamente protegidos e a atuação da Justiça do Trabalho voltada à promoção do trabalho decente são alguns dos caminhos para evitar que nossas crianças tenham um contato precoce com a experiência do mundo do trabalho.

Com efeito, é necessário perceber que as crianças e adolescentes são particularmente vitimados com as diversas formas de trabalho proibido, particularmente aqueles considerados como priores formas. Torna-se necessário reconhecer que as importantes Políticas Institucionais do Poder Judiciário de Atenção e Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais deve ser progressivamente implementada, refinada e mesmo complementada diante de outras situações de grave violação a direitos humanos, como ocorre no caso da frustração do projeto de sociedade que se pretende para a juventude.

Cumpre destacar que o trabalho decente é reconhecido como mecanismo de resgate da dignidade em casos de violações graves. Assim, é preciso entender que o compromisso constitucional com a infância, também demanda postura ativa de todos os atores sociais e institucionais, notadamente em políticas públicas.

Nesse particular, o Tribunal Superior do Trabalho, por exemplo, já pontou que a conscientização sobre a importância e a implementação sistemática da aprendizagem é medida essencial a ser adotada mediante práticas de processo estrutural [4] como forma de se efetivar a doutrina da Proteção Integral.

Importante ver como o Poder Judiciário nacional tem se posicionado para adoção de medidas concretas de apoio a vítimas em situação de vulnerabilidade, como evidenciado na recente Resolução CNJ n. 497/2023, que instituiu, com força de resolução, a reserva de vagas de trabalho para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade no Poder Judiciário. Assim, é oportuno considerar exatamente o desenvolvimento da aprendizagem profissional no âmbito do próprio Poder Judiciário e com atenção especial aos grupos mais vulneráveis como, por exemplo, os jovens no sistema socioeducativo.

Nesse ponto, a própria existência, no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem, é um exemplo de como as instituições devem alinhar suas ações para a promoção da proteção integral, bem como serve de exemplo para outros tribunais desenvolverem ações concretas de promoção de ações estruturais.

Nossos jovens e crianças devem ter o direito de serem vistas e reconhecidas como sujeitos de direito, o que demanda o pleno acesso à educação, saúde e alimentação. E mais, requer uma escuta ativa e preparada desses sujeitos, que devem ser, tanto quanto possível, partícipes do processo de construção de uma voltada às suas necessidades.

No Brasil há jovens brilhantes que se empenham na transformação da vida das pessoas por meio de suas atuações, como Txai Suruí, Felipe Caetano da Cunha e Aira Beatriz Cardoso, que, tal como Kailash Satyarthi, foram homenageados durante o Seminário Internacional Trabalho Decente no dia 3 de agosto.

Conforme afirmamos em outra oportunidade, a erradicação do trabalho infantil exige inquebrantável compromisso de toda sociedade, que é responsável pela criação e manutenção de redes de proteção à infância e à juventude.

Assim como nos advertiu Felipe Caetano, não há mais espaço para que as únicas oportunidades oferecidas para a grande maioria das crianças brasileiras, negras e pobres, sejam a marginalidade ou o trabalho infantil [5].

Nesse sentido, ter acesso a uma vida digna não pode figurar no sonho de muitos — da imensa maioria de brasileiros e brasileiras — e ser a realidade de poucos: é necessário romper com os ciclos intergeracionais de trabalho infantil e pobreza, que alimentam as desigualdades de gênero, raça e classe de nosso país, cujos únicos beneficiados pertencem à elite brasileira, que perpetua outro ciclo, o da riqueza e do bem-viver, geração após geração.

A Justiça do Trabalho tem um compromisso inarredável na luta entoada por Felipe Caetano e Kailash Satyarthi para que todas as crianças e adolescentes possam ter o direito de sonhar com um mundo diferente. Mas, norteada pela Constituição Federal, essa justiça especializada possui ferramentas para ir adiante a fim de possibilitar que o direito ao trabalho decente, enquanto um dos mecanismos eficazes para erradicação do trabalho infantil, seja garantido a todos os trabalhadores e trabalhadoras.

Para isso, aliados à técnica jurídica — que, como consta na Resolução 492/2023 do CNJ (Protocolo para julgamento com perspectiva de gênero), também reflete a visão de mundo dos operadores do direito — é oportuno que os integrantes do judiciário tenham compaixão, na forma sugerida por Kailash Satyarthi.

De acordo com ele, quando sentimos compaixão pelo problema das outras pessoas, ajudamos a solucioná-lo. Isso, por sua vez, conduz ao entusiasmo e ao otimismo, os quais contagiam não só a nós mesmos, mas àqueles que estão ao nosso redor.

A proposta de Kailash Satyarthi reflete outro tipo de ciclo, cuja essência, essa sim, almejamos seja transmitida às nossas crianças, geração após geração.


[2] O Importante é Transformar o Mundo: textos escolhidos de Andaiye. Organização Alissa Trotz. Tradução de Dane Melo. Editora Funilaria. 2022.

[4] RRAg-597-15.2020.5.06.0021, 3ª Turma, rel. ministro Alberto Bastos Balazeiro, DEJT 30/6/2023.


 é ministro do Tribunal Superior do Trabalho, doutorando em Direito (IDP), mestre em Direito (UCB, 2017) e coordenador do Comitê Gestor Nacional do Programa Trabalho Seguro.

 é ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), coordenador do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo a Aprendizagem da Justiça do Trabalho e MBA em Administração Judiciária pela FGV.

Afonso de Paula Pinheiro Rocha é procurador do Trabalho, doutor em Direito Unifor, MBA em Direito Empresarial (FGV/Rio), pós-graduado em Controle na Administração Pública (ESMPU) e secretário jurídico adjunto do MPT.

Raquel Leite da Silva Santana é assessora de ministro do TST e mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília.

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2023-ago-24/opiniao-direito-sonhar-erradicacao-trabalho-infantil

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

Juiz das garantias é constitucional e deve ser implantado em até 2 anos, decide STF

DEBATE ENCERRADO

Por Tiago Angelo

O juiz das garantias assegura o respeito aos direitos fundamentais dos investigados, em concordância com o que foi consagrado pela Constituição Federal, e reduz o risco de parcialidade nos julgamentos. Sua criação é uma legítima opção feita pelo Congresso e deve ser implementada em todo o território brasileiro de forma obrigatória.

Com base nesse entendimento, o Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (23/8) pela implantação obrigatória do juiz das garantias em até 12 meses, com a possibilidade de uma única prorrogação por igual período. Na prática, portanto, a novidade deve funcionar em todo o país em no máximo dois anos.

Após dez sessões de discussão sobre o tema, venceu a divergência aberta pelo ministro Dias Toffoli. O relator do caso, ministro Luiz Fux, entendeu que cada tribunal pode optar por criar ou não a figura do juiz das garantias, mas não foi acompanhado por nenhum colega quanto a esse ponto, embora tenha vencido em outros. O resultado será proclamado na sessão desta quinta (24/8), já que falta a definição de alguns pontos.

“A instituição do juiz das garantias veio a reforçar o modelo de processo penal preconizado pela Constituição de 1988. A nova ordem passou a exigir que o processo não fosse mais conduzido prioritariamente como veículo de aplicação da sanção penal, mas que se transformasse em instrumento de garantias do indivíduo em face do Estado”, disse Toffoli em seu voto.

“Mostra-se formalmente legítima, sob a ótica constitucional, a opção do legislador por instituir no sistema processual penal brasileiro a figura do juiz das garantias. Trata-se de uma legítima opção feita pelo Congresso Nacional no exercício de sua liberdade de conformação, que, sancionada pelo presidente da República, de modo algum afeta o necessário combate à criminalidade”, prosseguiu o magistrado.

O tribunal também analisou outros pontos da lei “anticrime” (Lei 13.964/2019). Os ministros entenderam, por exemplo, que a competência do juiz das garantias acaba no oferecimento da denúncia, e não em sua recepção, ao contrário do que foi estabelecido na norma analisada.

O Plenário estabeleceu ainda a necessidade de o Ministério Público informar ao juiz competente sobre a existência de todo tipo de investigação criminal, e também o entendimento de que o juiz das garantias deve atuar junto em casos criminais de competência da Justiça Eleitoral.

Os magistrados também decidiram pela inconstitucionalidade da previsão segundo a qual, em comarcas com apenas um juiz, os tribunais deveriam criar um sistema de rodízio entre magistrados, para que juízes que atuam na fase pré-processual não atuem no julgamento, e vice-versa. Para os ministros, o trecho violou o poder de auto-organização dos tribunais.

Ao propor o prazo de 12 meses para a implantação da novidade, a contar da data de publicação da ata do julgamento, e conforme diretrizes do Conselho Nacional de Justiça, Toffoli afirmou que a possibilidade de prorrogação depende de haver justificativa por parte dos tribunais, e que ela seja aceita pelo CNJ.

As decisões foram construídas em intensos diálogos entre os ministros. Fux e Toffoli, por exemplo, ajustaram ou alteraram diversos pontos de seus votos durante o julgamento, a partir de posicionamentos levantados por outros colegas no decorrer de suas manifestações.

A atuação do juiz das garantias em processos criminais de competência da Justiça Eleitoral, por exemplo, foi um ponto levantado pelo ministro Alexandre de Moraes e posteriormente incluído nos votos dos demais magistrados.

O mesmo ocorreu com o prazo de 12 meses, proposto por Toffoli. De início, Alexandre, por exemplo, propôs o prazo de 18 meses. Posteriormente, acabou acompanhando Toffoli.

Ao criar o juiz das garantias, a lei “anticrime” buscou reduzir o risco de parcialidade nos julgamentos. Com a medida, esse magistrado fica responsável pela fase investigatória.

Entre as suas atribuições está decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar e sobre a homologação de acordo de colaboração premiada.

Voto do relator
O caso começou a ser analisado pelo Plenário do Supremo em 22 de junho, antes do recesso, portanto. A conclusão do voto do relator, no entanto, só ocorreu no dia 28 daquele mês. Na ocasião, Fux se manifestou pela inconstitucionalidade do juiz das garantias.

Para ele, o modelo presume, sem base empírica, a parcialidade do magistrado que atuou durante a investigação para julgar a ação penal. Dessa maneira, viola o princípio da proporcionalidade. Além disso, o mecanismo interfere na estrutura do Judiciário e sua criação só poderia ter sido proposta por tal poder.

Sob o prisma formal, o ministro afirmou que a criação do mecanismo violou o pacto federativo. Segundo ele, o inquérito tem natureza jurídica de procedimento, não de processo penal. Assim, é matéria de competência concorrente da União e dos estados, conforme o artigo 24, XI, da Constituição Federal.

Ao regular extensivamente a aplicação do instituto, diz o ministro, a lei “anticrime” invadiu a competência dos estados para dispor sobre suas Justiças, sem atenção às diferenças regionais e de tecnologia.

O magistrado também entendeu que a norma desrespeitou a reserva de iniciativa do Judiciário para dispor sobre a competência e o funcionamento dos órgãos jurisdicionais e a criação de novas varas (artigo 96, I, “a” e “d”, da Constituição).

Tal regra busca proteger o princípio da separação dos poderes, ressaltou Fux. Com esse fundamento, mencionou ele, o STF barrou a Emenda Constitucional 73/2013, que criava quatro Tribunais Regionais Federais.

Imparcialidade
Na sessão desta quarta-feira, votaram os ministros Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Rosa Weber, presidente da corte. Para Barroso, apesar de o juiz das garantias não ser, em sua opinião, a solução para os problemas do sistema penal brasileiro, é uma alternativa legítima do Legislativo.

“Gostando ou não, foi uma decisão legítima do Poder Legislativo, de modo que, não havendo incompatibilidade com a Constituição Federal, o nosso papel é acatar a vontade do legislador”, afirmou ele.

Cármen Lúcia disse que o instituto é benéfico, no sentido de que “busca o aperfeiçoamento de um processo que precisa ser aperfeiçoado e tem de se colocar ao aperfeiçoamento permanente”.

Gilmar Mendes citou o conluio entre procuradores da “lava jato” de Curitiba e o ex-juiz Sergio Moro ao defender o juiz das garantias. Também falou da “operação ouvidos moucos”, que levou ao suicídio do ex-reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier.

“Quem acha que tudo isso é normal e que não são necessárias reformas estruturantes para evitar a repetição desses escândalos, certamente não está lendo a Constituição e nem conhece o nosso Código de Processo Penal”, afirmou o decano do STF.

Ainda segundo o ministro, a criação do juiz das garantias assegura “mecanismos indutores da imparcialidade do magistrado, favorecendo a paridade de armas, a presunção da inocência, o controle da ilegalidade dos atos investigativos invasivos, contribuindo para uma maior integridade do sistema de Justiça”.

ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305


 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2023-ago-23/stf-decide-implantacao-juiz-garantias-anos

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

FGTS Digital entra em teste neste sábado; pagamento será via pix a partir de 2024

O mecanismo reunirá contribuições de várias competências em um único documento, reduzindo custos operacionais e tempo gasto nas atividades

Agência Estado

As empresas terão uma nova forma de pagar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de seus funcionários a partir de janeiro de 2024. O processo será totalmente digital e apenas via pix. A fase de testes do novo sistema começa a partir deste sábado, 19. O mecanismo reunirá contribuições de várias competências em um único documento, reduzindo custos operacionais e tempo gasto nas atividades.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a mudança é positiva para as empresas, pois amplia a data de recolhimento do FGTS do dia 7 para o dia 20, além de dar mais segurança, por conta da unificação dos sistemas, e tornar mais rápido o fluxo de caixa. A fase de testes acaba em 10 de novembro.

“Teremos muito mais controle e liberdade, pois tudo é feito em um único portal, de maneira mais fácil. O fluxo de caixa das empresas será mais dinâmico, porque o tempo de processamento com o pix é menor. Veio para modernizar”, afirma o coordenador de Departamento Pessoal da BHub, Felipe Figueiredo. A BHub é uma startup que presta serviços de contabilidade para empresas.

Com a adoção do pix como método de pagamento, a transferência do fundo de garantia que demorava de três a cinco dias úteis, segundo Figueiredo, passa a ser instantânea. O cálculo dos juros também passa a ser feito automaticamente.

Desde 2019, o governo federal tenta digitalizar o sistema do FGTS. A primeira resolução sobre o tema foi publicada em maio daquele ano e, desde então, foram destinados R$ 99,5 milhões para essa mudança. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, servirá para combater a inadimplência, acabar com a burocracia e dar mais transparência.

O novo sistema possibilita a geração de guias no mesmo local, em substituição aos sistemas SEFIP e GFIP. Segundo a Caixa Econômica Federal, o FGTS Digital “tem como objetivo aperfeiçoar a arrecadação, a prestação de informações aos trabalhadores e empregadores, a apuração, o lançamento e a cobrança dos recursos do FGTS”.

Como a base de dados será a mesma do e-Social, os advogados recomendam que as empresas devem ter ainda mais cuidado ao enviar as informações dos funcionários. “Os empregadores deverão buscar preparar o seu sistema para ter a disponibilidade dessas guias via pix e cadastrar novos procuradores, que não serão migrados automaticamente”, aconselha o advogado André de Melo Ribeiro, especialista em Direito do Trabalho e sócio do Dias Carneiro Advogados.

Essa migração do FGTS para um mesmo sistema vai ainda facilitar a fiscalização do governo em relação a possíveis infrações, sonegação ou erros de cálculo no recolhimento, segundo o advogado. “A centralização das informações vai facilitar o trabalho dos auditores fiscais para apurarem irregularidades e autuar empregadores que deixam de cumprir suas obrigações legais”, conclui Ribeiro.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/08/5118314-fgts-digital-entra-em-teste-neste-sabado-pagamento-sera-via-pix-a-partir-de-2024.html

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

Após reajuste de combustíveis, mercado sobe estimativa de inflação para 4,9% em 2023

Estimativa de inflação para este ano ainda supera teto da meta definido pelo governo, que é de 4,75%. Números foram divulgados nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Após o reajuste de combustíveis anunciado pela Petrobras na semana passada, os analistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação deste ano de 4,84% para 4,9%.

 

A informação consta no relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, sobre as projeções para a economia.

 

De acordo com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o impacto total do reajuste na inflação desse ano deverá ser de 0,40 ponto percentual. Com isso, as projeções do mercado para o IPCA desse ano poderão sofrer novos aumentos nas próximas semanas.

 

  • A estimativa dos analistas para a inflação de 2023 se distanciou na última semana do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

 

  • A meta central de inflação é de 3,25% neste ano, e será considerada formalmente cumprida se o índice oscilar entre 1,75% e 4,75% neste ano.

De acordo com a pesquisa do BC, o mercado financeiro manteve em 3,86% sua estimativa para a inflação do próximo ano. Para 2024, a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem e no objetivo, em 12 meses, para o início de 2025.

Se a projeção do mercado financeiro se confirmar, este será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo governo. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

 

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.

Crescimento da economia

 

Para o crescimento do PIB deste ano, a projeção do mercado financeiro ficou estável em 2,29% na última semana.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

 

Já para 2024, a previsão de crescimento do mercado financeiro avançou de 1,30% para 1,33%.

Taxa de juros

 

Os economistas do mercado financeiro mantiveram as estimativas para a taxa básica de juros da economia brasileira para o final deste ano e de 2024.

 

  • Para o fim de 2023, o mercado financeiro manteve a projeção para a taxa Selic em 11,75% ao ano.

 

  • Para o fechamento de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia seguiu 9% ao ano.

Outras estimativas

 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 subiu de R$ 4,93 para R$ 4,95. Para o fim de 2024, ficou estável em R$ 5.

  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção subiu de US$ 70 bilhões para US$ 71,7 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo permaneceu em US$ 60 bilhões.

  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano continuou em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a

  • estimativa de ingresso ficou estável também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/08/21/apos-reajuste-de-combustiveis-mercado-sobe-estimativa-de-inflacao-para-490percent-em-2023.ghtml

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

Após cinco anos, LGPD virou escudo para poderosos, diz especialista

Com os cinco anos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e todas as mudanças políticas e sociais que foram cenário para a implementação da legislação, o Brasil vive hoje um “momento muito perigoso” no qual a legislação protege quem já detém poder e instiga um cenário ainda mais desigual. Essa é a avaliação do pesquisador Fabiano Angélico, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lugano (USI), na Suíça. Especialista na área de transparência, Fabiano é um defensor da lei – que agora completa meia década de sanção -, mas um crítico da forma com que ela tem sido usada no Brasil.

Fabiano Angélico: “LGPD está sendo usada para proteger os poderosos. É uma inversão da função da lei”. Foto: Arquivo pessoal

 

“A impressão que eu tenho é que muita gente poderosa da política e do setor empresarial acabou se protegendo com a LGPD, muita informação como dados de filiação partidária, que, em minha percepção, não são dados sensíveis, não estão mais disponíveis para acesso”, afirma o pesquisador da Universidade de Lugano.

Para o pesquisador, as discussões sobre dados pessoais suscitadas pela LGPD foram usadas pelo governo Bolsonaro para distorcer outra importante norma de transparência do país, a Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez uso desse expediente para se blindar politicamente, ao determinar, por exemplo, sigilo de cem anos ao seu cartão de vacinação.

Segundo o pesquisador, além de questões políticas, há também o aspecto da exclusão social causada pela forma em que os dados são coletados. O mundo, cada vez mais globalizado, ainda não consegue ser inclusivo e a coleta de informações está ligada diretamente ao acesso às tecnologias que servem de canal para isso. “Então, por exemplo, vocês têm muitos dados a respeito de certas populações e populações mais marginalizadas não se tem, não tem um recorte de gênero. A própria forma de produzir dados não é muito fidedigna. Quando as aplicações de inteligência artificial recolhem esses dados de forma tendenciosa acaba que pode gerar outputs também tendenciosas”, explica Fabiano.

Polêmica mesmo sendo ainda pouco conhecida, a legislação acompanhou uma pandemia, um Brasil completamente polarizado, a troca de governo e o avanço da tecnologia de Inteligência Artificial, que altera a forma com que a sociedade produz e enxerga conteúdos. A norma, sancionada em 14 de agosto de 2018, entrou em vigência aos poucos, primeiramente em dezembro daquele mesmo ano, com a criação do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade e da Autoridade Nacional de Criação de Dados (ANPD), que fiscaliza o cumprimento da lei e só foi devidamente estruturada em 2020, transformada em autarquia federal dois anos depois, em 2022.

Com a pandemia de covid-19, o governo tentou adiar o início da vigência do restante da lei, que foi determinado pelo Senado para setembro de 2020. Em meio a um mercado desestabilizado, uma população assustada e uma imprensa dominada por informações sobre o vírus, uma lei que afetava a todos entrou discretamente em vigor.

Três anos depois do início de sua vigência, a população apenas aceita os usos de cookies e concorda com os termos de uso sem mesmo ler. O assunto, pouco abordado nos jornais, escolas e nas conversas de almoço de família, acabou sendo dominado por quem tem poder, muitas vezes protegidos pela etiqueta de “dados sensíveis”.

“Eu não sou muito otimista nesse sentido, acho que quem detém poder político e econômico acaba ditando a agenda e consegue colocar suas demandas de maneira mais forte”, conta. Segundo o pesquisador, é preciso que a aplicação da lei seja aperfeiçoada e que se leve em conta o seu possível uso por autoridades em desfavor do cidadão comum. “Toda vez que você fica só na letra da lei, no juridiquês, você não percebe o jogo de poder. A LGPD foi pensada para proteger o cidadão comum dos poderosos, agora no Brasil e talvez em outros países, a LGPD está sendo usada para proteger os poderosos. É uma inversão da função da lei”, explica o pesquisador.

BRUNA PAUXIS Estagiária. Graduanda em Jornalismo na Universidade de Brasília, trabalhou no Correio Braziliense, na Agência Nacional de Aviação Civil e no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

O direito de sonhar como mecanismo de erradicação do trabalho infantil

Ação dos EUA impediu golpe no Brasil, diz ex-chanceler mexicano

O ex-chanceler do México Jorge Castañeda disse em comentário ao canal CNN internacional (assista aqui em inglês) que os Estados Unidos tiveram participação importante em evitar um golpe de Estado no Brasil em 8 de janeiro de 2023. Segundo o cientista político, os EUA foram responsáveis em “persuadir” as Forças Armadas brasileiras a não aderir aos atos golpistas.

O comentário foi feito em uma transmissão da emissora que foi ao ar no sábado (19). Questionado sobre a importância da gestão do presidente norte-americano Joe Biden na manuntenção de democracias na América Latina, Castañeda avalia a atuação do democrata como “decepcionante”, mas destaca o Brasil como uma exceção:

“Com a exceção do Brasil, os Estados Unidos não foram uma fonte de força para a democracia na América Latina, em um momento que ela estava enfraquecida por todos esses eventos que nós vinhamos falando. No caso do Brasil, sim, os Estados Unidos convenceram, persuadiram as Forças Armadas brasileiras a não perseguir um golpe militar contra o presidente Lula, que foi eleito no final do último ano e tomou posse em primeiro de janeiro, e foi quase deposto em um golpe com grande participação militar em 8 de janeiro. Os EUA tiveram um importante papel em fazer com que isso não tivesse sucesso. Mas no caso do México, no caso de El Salvador e no caso de outros países, os Estados Unidos não vêm sendo uma presença forte pelo fortalecimento da democracia na América Latina.”

Castañeda foi secretário das Relações Exteriores do México de 2000 a 2003, durante a presidência de Vicente Fox. Cientista político e economista, escreveu livros sobre os movimentos de esquerda na América Latina, incluindo uma biografia sobre o revolucionário Che Guevara. Hoje é analista político de referência a respeito da América Latina.

Os atos golpistas de 8 de janeiro em Brasília são hoje objeto de investigação por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional, além de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, manifestantes foram à Esplanada dos Ministérios e depredaram os prédios-sede dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na capital federal, com saques de objetos de valor histórico.

Ainda resta determinar a exata relação das Forças Armadas com o episódio. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI, chegou a declarar que, em sua avaliação, as FAs impediram um golpe de Estado. Os manifestantes, no entanto, pediam intervenção militar – e estiveram instalados por meses em frente ao Quartel General do Exército em Brasília antes do 8 de janeiro. Os acampamentos só foram desmontados após os ataques.

CONGRESSO EM FOCO