por NCSTPR | 10/05/23 | Ultimas Notícias
Graças às novas tecnologias – e, sobretudo, à inteligência artificial –, a transição no mundo do trabalho é mais acelerada do que o previsto
por André Cintra
A nova edição do Relatório sobre o Futuro dos Trabalhos (The Future of Jobs Report 2023), divulgado neste mês pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), mostra que muitos trabalhos estão sem futuro. Graças às novas tecnologias – e, sobretudo, à inteligência artificial –, a transição no mundo do trabalho é mais acelerada do que o previsto.
Outros fatores, como a ampliação do acesso à internet e a desaceleração do crescimento da economia global, também ditam o ritmo das mudanças. A isso se soma a tão esperada atenuação da pandemia de Covid-19. Não é de estranhar que, logo após a apresentação do relatório do FEM, a OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou o fim da emergência de saúde pública global relacionada ao novo coronavírus.
Com base na realidade de 45 países, o Fórum Econômico Mundial recorre à palavra da moda – “disrupção” – para traduzir, sinteticamente, o sentido de tamanhas transformações. A imensa popularidade do ChatGPT, lançado no final de 2022, já sinalizava que os impactos da inteligência artificial estavam na ordem do dia.
Uma das áreas mais afetadas é o atendimento presencial ao cliente nos mais diversos locais, como agências bancárias, postos dos Correios, supermercado e lojas. É o exemplo de emprego ou função que, conforme o Fórum Econômico Mundial, estão com os dias contados. A demanda para caixas de bancos, funcionários relacionados e atendentes de serviços postais cairá 40% em cinco anos, diz o Relatório. Para operadores de caixa de supermercado e outros tipos de varejo, a queda será de 37%.
Neste prazo de cinco anos, duas outras áreas terão declínio considerável: trabalhos como os de digitadores de dados (36%) e secretário executivo e administrativo (34%). A crer nos cálculos da OIT (Organização Internacional do Trabalho), todas essas profissões “em risco” representam nada menos que 673 milhões de trabalhadores em todo o mundo.
O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2027, 23% dos postos de trabalho atuais se modifiquem – parcial ou totalmente. “Muitos deles vão ser substituídos por soluções, por algoritmos que automatizam essas funções, ou por autosserviço”, diz o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, parceira da pesquisa. “É o caso do caixa do supermercado ou caixa do banco – que vai ser substituído por uma máquina e que vai atender bem, atender às necessidades do cliente.”
Estima-se que, no Brasil, surjam 13 milhões de vagas e se percam 16 milhões. Isso quer dizer que viveremos uma era de desemprego em massa? Nada disso.
Conforme o Relatório sobre o Futuro dos Trabalhos, a transição energética será capaz de, sozinha, gerar 30 milhões de trabalhos até 2030 no mundo – “em energia limpa, eficiência energética e tecnologias de baixa emissão”. Por regra, cada transição do gênero resulta em novas demandas e força outras mudanças.
No livro A Quarta Revolução Industrial, de 2016, Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, já dizia que a nova era no mundo do trabalho estava em curso. “Começou na virada deste século e teve como fundamento a revolução digital. É caracterizada por uma Internet muito mais móvel e global, por sensores menores e mais poderosos e por inteligência artificial e machine learning”, escreveu Schwab.
Este “admirável mundo novo” já é realidade. Diz o autor: “de fato, trabalhadores que atuam com inteligência artificial, aprendizagem de máquina, big data e segurança da informação serão mais demandados, assim como aqueles que trabalham com energia renovável, como a solar”.
Assim, há uma lista grande de funções que devem surgir ou ganhar força nos próximos anos, estimulado a geração de postos de trabalho: são os especialistas em inteligência artificial, aprendizagem de máquina ou sustentabilidade; analistas em Inteligência de Negócios e Segurança da Informação; cientistas e analistas de dados; especialistas em Big Data e transformação digital; entre outros. Os empregos não vão acabar, mas é bom já nos prepararmos para este futuro que, a cada dia, parece mais próximo.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/05/09/futuro-do-trabalho-as-profissoes-que-estao-com-os-dias-contados/
por NCSTPR | 10/05/23 | Ultimas Notícias
Ministro do Trabalho reúne informações para atualizar legislação e reverter retrocessos aprovados por Temer e Bolsonaro; expectativa é votar no Congresso ainda em 2023
por Redação
Desde o final de 2017 os trabalhadores passaram a ter os seus direitos aviltados pela aprovação da Reforma Trabalhista no governo Michel Temer (MDB). Com Jair Bolsonaro não foi diferente: houve diminuição de valores de arrecadação das empresas para os trabalhadores (FGTS) e alteração de Normas Regulamentadoras (NRs) que causaram o aumento de acidentes de trabalho.
Estudo divulgado pela Lagom Data comprova isto ao apontar que a maior onda de ataques à CLT ocorreu nos seis anos pós-golpe de 2016, sob os governos ultraliberais de Temer (MDB, 2016-2018) e Bolsonaro (PL, 2019-2022). Juntos responderam por 1.397 das 3.946 alterações – o equivalente a 35%. Já a ditadura militar – que durou 21 anos (1964-1985) – foi responsável por 1.286 mudanças.
Como forma de reverter os retrocessos aprovados no período e atualizar a legislação trabalhista, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em entrevista à Agência Brasil, relatou que o governo trabalha para que as novas propostas sejam apresentadas até o final de julho. As discussões quanto a esta revisão são debatidas em grupos de trabalho tripartites em que participam governo, trabalhadores e empregadores.
Com as informações sistematizadas pelos grupos, Marinho pretende apresentar uma versão final e entende que as propostas possam ser votadas no Congresso Nacional ainda em 2023.
De acordo com o ministro, a atuação do governo é apenas de intermediação nos grupos: “O propósito do governo é mais de coordenar as partes, de provocar, para que as partes construam o entendimento. É evidente que o governo tem um posicionamento, mas desejamos que as partes construam esse entendimento porque, seguramente, isso será melhor para a tramitação no Congresso Nacional”, explicou Marinho.
Um dos temas que será trabalhado em termos de atualização da legislação trabalhista é o da regulação que envolve trabalhadores por aplicativos, como Uber, Ifood, Rappi e 99.
“O que as famosas plataformas estão fazendo no Brasil e no mundo é ir transformando os trabalhadores quase que em escravos dos algoritmos. Precisamos reagir para criar condições para que os trabalhadores sejam respeitados”, afirmou o ministro que espera que as plataformas digitais “venham para a mesa no propósito de construção”.
Leia também: CLT sofreu 4 mil alterações em 80 anos; era Temer-Bolsonaro foi a pior
*Com informações Agência Brasil
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/05/10/governo-deve-apresentar-revisao-da-reforma-trabalhista-ate-junho/
por NCSTPR | 10/05/23 | Ultimas Notícias
CAIO LUIZ
Assinada pelo presidente Lula, a medida provisória (MP) que reduz a alíquota de dedução do Imposto de Renda (IR) deve atingir cerca de 40% do total de contribuintes que declararam o tributo neste ano. Serão quase 14 milhões pessoas que, a partir de 2024, não terão de pagar o imposto na fonte, assim como não precisará fazer a declaração anual.
Para passar a valer, contudo, a precisa ser apreciada pelo Congresso Nacional. Ela institui o aumento de faixa de isenção do Imposto de Renda das Pessoas Físicas em até R$ 2.112. A tabela do Imposto de Renda foi reajustada pela última vez em 2016 e acumulava uma defasagem de aproximadamente 150%.
De acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, um desconto direto na fonte de R$ 528 será aplicado, o que totaliza R$ 2.640 para atingir dois salários e chegar ao novo valor de reajuste do salário mínimo, anunciado pelo governo também no domingo. De R$ 1.302, o salário mínimo passa a valer R$ 1.320.
A ampliação da faixa de isenção é vista como o primeiro passo de uma promessa de campanha do presidente Lula, que divulgou que ao longo da gestão aumentaria a isenção para até R$ 5 mil.
Pacote de medidas da Fazenda
Dados do Ministério da Fazenda afirmam que em relação à atualização dos valores da tabela mensal do IRPF, estima-se uma redução de receitas em 2023 da ordem de R$ 3,20 bilhões referente restante do ano. Em 2024, a ordem é de R$ 5,88 bilhões e, em 2025, de R$ 6,27 bilhões.
Para compensar a situação, o ministério da Fazenda anunciou um pacote de medidas referente à MP 1171/23 na segunda do feriado com potencial de arrecadação de R$ 3,25 bilhões para o ano de 2023. Para 2024, o valor chega a R$ 3,59 bilhões e de R$ 6,75 bilhões para o ano seguinte.
O pacote de medidas institui uma nova regra geral de tributação de rendimentos de capital aplicado no exterior com um tabela separada de alíquotas progressivas de 0% a 22,5%; disciplina a tributação de ativos financeiros no exterior detidos por pessoa física e implementa a opção para o contribuinte atualizar o valor de bens e direitos no exterior para o valor de mercado em 31 de dezembro de 2022, tributando a diferença para o custo de aquisição (ganho de capital) pela alíquota definitiva de 10%, desde que haja o pagamento do imposto dentro do ano de 2023.
O objetivo é tributar mais de um R$ 1 trilhão em ativos de pessoas físicas no exterior que não pagam IRPF sobre rendas passivas e também visa taxar residente brasileiros que utilizam paraísos fiscais para evitar tributação.
“O Brasil passa a adotar a regra já utilizada pela maioria do países desenvolvidos, como Alemanha (desde 1972), Canadá (1975), Japão (1978), França (1980), Reino Unido (1984), China (2008), entre outros. A medida é amplamente recomendada pela OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico]”, informou o ministério.,
CAIO LUIZ
por NCSTPR | 10/05/23 | Ultimas Notícias
CONGRESSO EM FOCO
Em audiência da Comissão de Segurança Pública realizada do Senado Federal na terça-feira (9), o ministro da Justiça, Flávio Dino, rebateu acusações de senadores ao afirmar que nunca recebeu relatório da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) antes dos atos golpistas de 8 de janeiro. Também disse que a Força Nacional não foi dispensada na data, que ele próprio não estava presente na Praça dos Três Poderes durante a depredação e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também não sabia dos atos antes de terem acontecido.
O senador e ministro compareceu à audiência para prestar informações sobre os planos e a agenda estratégica do Ministério da Justiça e Segurança Pública para os próximos anos, sob requerimento do senador Magno Malta (PL-ES). Dino retorna ao Congresso após uma sucessão de convites da oposição, que buscou associá-lo ao crime organizado por ter visitado o complexo da Maré, no RJ, acusá-lo de omissão nos atos golpistas.
O senador Marcos do Val (PODE-ES) exibiu uma entrevista concedida por Dino e defendeu a prisão de ministro. Disse que ele foi omisso no dia 8 de janeiro da mesma forma que Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, preso desde 14 de janeiro por omissão e suspeita de articular um golpe de Estado.
“Não há contradições existentes mesmo nos trechos do vídeo utilizado pelo senhor”, disse o ministro, em resposta ao senador, ao explicar detalhes sobre 8 de janeiro. “[Suas acusações] são construções mentais singulares sem suporte nos fatos, com um olhar agressivo, difamatório e obsessivo. Estou disposto a enfrentar esse debate de qualquer forma. Sou ministro e senador. Se o senhor é da Swat, eu sou dos Vingadores. O senhor conhece o Capitão América, o Homem-Aranha?”, ironizou.
Fake News
Em resposta ao senador Magno Malta, o ministro disse que a imensa maioria dos CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) não comete crimes, mas uma parcela deles provocou caos ao se associarem a práticas criminosas. Dino citou que 6.168 armas de uso restrito não foram recadastradas e foram parar na mão de milícias e do crime organizado.
Sobre a regulação da internet proposta no PL das Fake News, o ministro disse que liberdade de expressão é um valor institucional regrado e que a internet também precisa de regulamentação. “Regulação do espaço da internet, do rádio, da TV, da farmácia, todas as atividades humanas têm regulação jurídica. Quem deu imunidade para cinco empresas, que querem chantagear poderes políticos e ter monopólio da arte e cultura? Essas plataformas precisam de regulação.”
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 10/05/23 | Ultimas Notícias
CAIO LUIZ
O presidente Lula começa nesta quarta-feira (10) uma série de reuniões com líderes da Câmara, do Senado e de partidos que possuem cargos em ministérios para realinhar a base do governo após derrotas consideradas importantes em votações no Congresso ao longo da semana passada. O responsável por organizar a agenda de encontros é o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
Após a Câmara derrubar dois decretos do Executivo que versam sobre o novo marco do saneamento e adiar a votação do PL das Fake News, Padilha sofreu críticas pelo descompasso da base em relação a pautas do governo, uma vez que é o principal articulador entre Planalto e Congresso.
Padilha afirmou que as reuniões com os partidos vão discutir o calendário de propostas do governo para o primeiro semestre. A primeira conversa será com o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, o PSB. Em seguida, Lula se reunirá com representantes do MDB, do PSD e do União Brasil. Esses partidos receberam três ministérios cada. Apenas o PT, com nove, ocupa espaço maior na Esplanada.
O presidente deve cobrar maior fidelidade dos parlamentares dessas legendas em votações consideradas prioritárias pelo governo, como o novo arcabouço fiscal, a reforma tributária e o PL das Fake News. Também deve pedir empenho no controle das ações da CPI mista das Fake News. Lula se reuniu nessa segunda-feira (8) com os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, e com lideranças do governo na Câmara e no Senado para definir os encontros com as legendas.
CAIO LUIZ
por NCSTPR | 10/05/23 | Ultimas Notícias
LUCAS NEIVA
A empresa russa Telegram se juntou à campanha das demais big techs em oposição ao PL das Fake News na Câmara dos Deputados. A companhia encaminhou, na tarde desta terça-feira (9), uma mensagem diretamente na caixa de entrada de seus usuários em que se refere ao projeto como “uma das legislações mais perigosas já consideradas no Brasil”. O relator, Orlando Silva (PCdoB-SP), repudiou imediatamente a postura da empresa.
“O Brasil está prestes a aprovar uma lei que irá acabar com a liberdade de expressão. O PL 2630/2020 dá ao governo poderes de censura sem supervisão judicial prévia. Para os direitos humanos fundamentais, esse projeto de lei é uma das legislações mais perigosas já consideradas no Brasil”, declarou a plataforma aos usuários. O suposto poder de censura, porém, não existe no texto do projeto.
Ao tomar conhecimento da mensagem publicada pelo Telegram, Orlando Silva foi a plenário para se pronunciar a respeito. “O Telegram mente, e de modo vil, tenta intervir no debate que o Parlamento faz. Esta casa tem legitimidade popular para decidir o que quiser acerca de temas que fortaleçam a democracia. Que acabem com fake news, que acabem com desinformação, que impeçam que a internet continue sendo um lugar para perpetrar crimes contra a criança, crimes contra a democracia”, exclamou. O deputado ainda anunciou que acionará a justiça contra a plataforma.
Ao sair do plenário, Orlando Silva chamou atenção para a postura potencialmente abusiva da plataforma. “É inaceitável essa declaração do Telegram, que mente ao dizer que o Brasil está às vésperas de aprovar uma proposta que poderia cercear a democracia ou a liberdade de expressão.(…) O Telegram abusa do seu poder para disseminar mentiras, atacar o parlamento, intimidar o debate que é legítimo”, afirmou.
Outras big techs, como Google e Meta, já se posicionaram de forma crítica sobre o projeto. Orlando Silva, porém, avalia que há uma grande diferença na forma como o Telegram se posicionou quando comparado com as demais. “Qualquer empresa pode participar do debate público no Brasil, mas não pode acontecer o abuso do poder econômico: o uso de suas estruturas para distorcer o debate público, para mentir sobre temas que estão em exame do Congresso Nacional”, defendeu.
O Telegram acumula um longo histórico de confronto com a justiça brasileira. Em abril, se recusou a fornecer à Polícia Federal os números de celular de usuários que utilizavam a plataforma como meio de comunicação em uma célula neonazista envolvida no planejamento do atentado escolar que deixou quatro crianças mortas em Aracruz (ES).
O aplicativo também foi utilizado pelos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro no planejamento e execução do ataque, utilizando-se dos canais para angariar apoio em massa para a manifestação que resultou nas invasões. Os acampamentos montados em frente aos quartéis exigindo um golpe militar após as invasões também foram articulados por meio do Telegram.
Fora do Brasil, o aplicativo também é amplamente utilizado por grupos terroristas, que se aproveitam da facilidade de uso acompanhada do sigilo de seus usuários. No leste europeu, companhias mercenárias dos dois lados da guerra da Ucrânia: o Batalhão Azov e o Wagner Group, ambos de orientação neonazista, utilizam o Telegram como meio de recrutamento.
LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.
CONGRESSO EM FOCO