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Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

Pesquisa com 18 produtos

Segundo estudo HORUS/FGV-Ibre, a cesta mais cara em abril continuou sendo a do Rio de Janeiro, com valor de R$ 916,11

O valor médio da cesta de consumo básica de alimentos subiu em abril em relação ao mês anterior em seis das oito capitais analisadas mensalmente pela plataforma Cesta de Consumo, empresa de inteligência de consumo  HORUS em parceria com o FGV/Ibre.

As cidades que registram as maiores altas foram Belo Horizonte e Rio de Janeiro, com 3,0%, e Curitiba (1,7%). Já Manaus e Salvador registraram as maiores quedas, com -2,4% e -1,9% respectivamente.

A cesta mais cara em abril continuou sendo a do Rio de Janeiro (R$ 916,11), seguida pelas de São Paulo (R$ 858,18) e Brasília (R$ 747,69).

Por outro lado, as capitais Belo Horizonte (R$ 631,21), Manaus (R$ 666,76), e Salvador (R$ 706,81) registraram os menores valores.

Nos últimos seis meses, a variação acumulada no valor da cesta básica caiu em 7 das 8 capitais da pesquisa, com reduções que variam de -7,6% a -1,1%. Apenas no Rio de Janeiro foi registrado aumento no período, com alta de 3,3%.

Produtos em destaque

De acordo com a pesquisa, do 18 produtos da cesta básica, três apresentaram aumento de preço em todas as capitais: feijão, leite UHT e farinha de mandioca. Outros produtos que tiveram altas expressivas em diversas capitais foram arroz, ovos, bovinos e suínos.

Segundo o levantamento, a farinha de mandioca continua com tendência de alta por conta das condições climáticas nas principais regiões produtoras e pela redução na área de plantio.

Já a alta do preço dos ovos pelo terceiro mês consecutivo, que ocorreu em quase todas as capitais, tem sido impactada pela elevação no custo de produção e alimentação das aves, em especial, o milho e o farelo de soja nos meses anteriores, o que vem resultando em diminuição na oferta da proteína.

A oferta limitada de leite no campo, devido ao clima adverso e pela saída de produtores da atividade no ano passado, também tem impactado no preço do produto e de seus derivados.

A área de plantio de arroz e feijão teve forte redução nos últimos anos, tendo sido direcionada para as culturas de soja e milho, que são mais rentáveis e voltadas para mercado internacional.

A safra brasileira de arroz deverá ser a menor em 25 anos e a área plantada de feijão, a menor dos últimos 30 anos. O aumento nos custos de produção e a queda na rentabilidade têm desestimulado o plantio desses alimentos no Brasil.

Por outro lado, óleo de soja e frutas foram as categorias que mais apresentaram redução de preço em todas as capitais. Além do açúcar, outros produtos que registraram queda de preço em quase todas as capitais foram legumes e frango.

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/economia/valor-medio-da-cesta-basica-aumentou-em-seis-de-oito-capitais-em-abril-mostra-pesquisa/

Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

Índice da construção civil sobe 0,27% em abril e acumula 8,05% em 12 meses, diz IBGE

Preços acelerando

Custo nacional da construção foi de R$ 1.693,67 por metro quadrado em abril, puxado pela alta de 0,42% em materiais

 

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) variou 0,27% em abril, subindo assim 0,07 ponto percentual (p.p.) na comparação com o mês anterior (0,20%). No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa foi de 8,05%, abaixo dos 9,06% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril do ano passado, o índice foi de 1,21%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo IBGE.

O custo nacional da construção foi de R$ 1.693,67 por metro quadrado em abril, sendo R$ 1.006,82 relativos aos materiais e R$ 686,85 referentes à mão de obra. No mês anterior, o custo havia sido de R$ 1.689,13.

A parcela dos materiais variou 0,42%, um aumento de 0,35 p.p. em relação a março (0,07%). Segundo o IBGE, com essa variação, ocorre um aumento significativo frente à tendência de estabilidade que vinha sendo observada nos índices desde outubro do ano passado. Na comparação com abril de 2022, houve queda de 1,44 p.p.

“Os materiais não estão registrando altas tão grandes quanto as de 2020 e 2021 e, com isso, os indicadores acumulados estão ficando em patamares mais próximos a anos pré-pandemia”, explica em nota Augusto Oliveira, o gerente da pesquisa. No ano, a parcela de materiais acumula alta de 0,56% e em 12 meses, de 6,60%.

“Alguns itens da parcela de materiais vêm apresentando reajustes menores e outros até tiveram deflação em alguns estados, como é o caso do aço”, destaca Oliveira.

A mão de obra (0,05%) recuou 0,35 p.p. em relação ao mês anterior (0,40%). Frente a abril de 2022 (0,24%), houve queda de 0,19 p.p. Com o resultado de abril, a mão de obra acumula alta de 1,30% no ano e de 10,21% em 12 meses.

Nordeste lidera altas

Entre as grandes regiões, o Nordeste registrou a maior variação em abril (0,52%). A região teve alta na parcela dos materiais em sete dos seus nove estados. Além disso, houve a influência do aumento nas categorias profissionais em Sergipe, estado que registrou a maior alta do mês (2,33%).

Depois do Nordeste, a maior variação veio do Sul (0,47%), seguido pelo Sudeste (0,12%).  O Norte (0,07%) e o Centro-Oeste (0,03%) também ficaram no campo positivo.

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/economia/indice-da-construcao-civil-sobe-027-em-abril-e-acumula-805-em-12-meses-diz-ibge/

Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

Desigualdade recua em 2022 ao menor nível da série histórica, com Auxílio Brasil e emprego, diz IBGE

Resultado reflete o aumento do valor do Auxílio Brasil no período e melhora do mercado de trabalho.

Por Valor Online

Com aumento de valor do Auxílio Brasil em ano eleitoral e melhora do mercado de trabalho, a desigualdade de renda caiu no país em 2022 e atingiu o menor nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua – Todos os rendimentos, que começou em 2012.

 

Os dados divulgados nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o chamado índice de Gini do rendimento domiciliar per capita – que é um indicador de desigualdade – caiu de 0,544 em 2021 para 0,518 em 2022.

 

O índice varia de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, maior é a desigualdade de um país. O resultado ficou também abaixo de 2019, antes da pandemia, quando era de 0,544.

“Vimos na passagem entre 2021 e 2022 uma redução importante da desigualdade, mas ainda é um valor bem alto se comparado a outros países”, afirma a analista do IBGE e responsável pela pesquisa, Alessandra Brito.

O indicador reflete o aumento do rendimento médio mensal real domiciliar per capita em quase todas as classes de rendimento: a única exceção foi no grupo dos 1% mais ricos (que teve recuo de 0,3%).

 

O crescimento do rendimento, no entanto, se deu de forma mais intensa nas faixas mais pobres da população, reduzindo, assim, a desigualdade.

 

Entre os 5% mais pobres, a renda média mensal per capita foi de R$ 87 em 2022. A despeito do valor abaixo de R$ 100, esse resultado representa uma expansão de 102,3% em relação aos R$ 43, de 2021 (a preços de 2022).

 

Na faixa seguinte, entre os 5% e os 10% com menores rendimentos, o aumento foi de 47,5%, para R$ 239. O grupo dos que têm renda entre 10% e 20% mais pobres, por sua vez, teve alta de 22,7%, para R$ 378.

 

Na outra ponta, no grupo situado entre os 95% e os 99% mais ricos, o crescimento da renda foi de 0,5%, para R$ 6.882. Na faixa entre 90% e 95% mais ricos, o salto foi de 5,8%, para R$ 3.901. No grupo entre 80% e 90% com maiores rendimentos, houve aumento de 7,4%, para R$ 2.521.

Na média brasileira, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita chegou a R$1.586 em 2022, com alta de 6,9% frente a 2021, quando havia registrado o menor valor (R$ 1.484) da série histórica iniciada em 2012. Com isso, a massa do rendimento mensal real domiciliar per capita subiu 7,7% ante 2021, para R$ 339,6 bilhões.

 

Para explicar esse movimento da renda, a analista da pesquisa ressaltou a importância do aumento do valor do Auxílio Brasil em um ano eleitoral – primeiro para R$ 400 e depois para R$ 600, no segundo semestre.

 

Os valores médios do Bolsa Família, que estava em vigor até 2021, eram bem mais baixos, lembra ela. E também a influência da melhora do mercado de trabalho, com aumento da ocupação – população ocupada cresceu 8,8% – e da massa de rendimentos do trabalho – de 6,6%, para R$ 253,1 bilhões por mês.

 

“A redução da desigualdade foi uma combinação das duas coisas, da melhora do mercado de trabalho e dos programas sociais com valor mais alto. […] Não tem como isolar só o programa social ou só o mercado de trabalho, os dois fatores contribuíram bastante. Tanto que a gente tem o menor Gini da renda do trabalho e o menor Gini da renda domiciliar”, afirma Alessandra Brito.

Ela reconheceu, no entanto, a diferença entre a dinâmica do mercado de trabalho e a dos programas sociais, cujo aumento de valor se dá via decisão de governo.

 

“A gente tem que lembrar que ano passado foi um ano eleitoral, né? Então, para o mercado de trabalho se recuperar é uma coisa mais orgânica e tem a ver com o movimento da economia como um todo. Agora, aumentar o valor de programa social, você pode fazer com projeto de lei ou com medida provisória. São políticas diferentes, com tempo de maturação diferentes. As duas coisas têm um papel importante e a gente tem que observar em 2023 como será a durabilidade delas.”

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/05/11/desigualdade-recua-em-2022-ao-menor-nivel-da-serie-historica-com-auxilio-brasil-e-emprego-diz-ibge.ghtml

Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

Quem recebe mais de dois salários mínimos passará a ganhar R$ 15,60 a mais a partir deste mês; entenda

Aumento acontece por conta da mudança da faixa de isenção do Imposto de Renda, publicada pelo governo federal no começo de maio. Cálculos são dos auditores da Receita Federal.

Por André Catto e Isabela Bolzani, g1

O aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF), definido por meio de uma medida provisória (MP) publicada no final de abril, já terá efeitos nas folhas de pagamentos deste mês.

 

Segundo cálculos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), quem recebe acima de dois salários mínimos – ou seja, mais de R$ 2.640 – terá um acréscimo de R$ 15,60 no pagamento mensal líquido a partir de maio.

 

O cálculo, de acordo com o presidente da Unafisco, Mauro Silva, considera a “sistemática de funcionamento da tabela do IR” e, consequentemente, se reflete na parcela a deduzir.

“Os pagamentos feitos no final desse mês já devem ter essa diferença no valor, porque a medida provisória tem aplicabilidade imediata. Se alguma empresa não se adaptar [a tempo], pode ser que faça uma retenção maior agora e ajuste no mês que vem, mas o correto seria [a mudança] já constar na folha de pagamento de maio”, disse o presidente da associação.

 

Silva explica que a alteração, mesmo sendo apenas na faixa de isenção, causa um efeito cascata, atingindo igualmente todas as faixas. Para ele, no entanto, os efeitos da mudança são muito pequenos. “Um pão na chapa”, exemplifica.

 

Essa mudança já pode ser vista na nova tabela do Imposto de Renda.

Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

IPCA sobe 0,61% em abril, acima das expectativas de mercado

Índice foi puxado pelo preço de medicamentos. País passa a ter uma inflação acumulada de 4,18% na janela de 12 meses.

Por Raphael Martins, g1

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a inflação oficial do país, subiu 0,61% em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Todos os grupos pesquisados tiveram alta no mês, mas o destaque vai para o setor de Saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,49% em abril e teve impacto de 0,19 ponto percentual no índice cheio.

 

Com isso, o país passa a ter uma inflação acumulada de 4,18% na janela de 12 meses.

 

O resultado do IPCA vem na sequência de um avanço de 0,71% em março. No ano, acumula alta de 2,72%. Já em abril de 2022,o índice teve alta de 1,06%.

 

Em abril, o índice veio acima das expectativas de mercado. O Valor Data, do jornal “Valor Econômico”, estimava alta de 0,55% no mês passado, considerando uma mediana de 46 projeções coletadas.

 

Veja o resultado dos nove grupos que compõem o IPCA:

  • Alimentação e bebidas: 0,71%;
  • Habitação: 0,48%;
  • Artigos de residência: 0,17%;
  • Vestuário: 0,79%;
  • Transportes: 0,56%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,49%;
  • Despesas pessoais: 0,18%;
  • Educação: 0,09%;
  • Comunicação: 0,08%.

Medicamentos e alimentação em alta

 

O principal motor da inflação em abril veio dos preços de medicamentos e produtos farmacêuticos, segundo o IBGE. Só entre esses artigos, houve alta de 3,55% constatado no índice, um impacto de 0,12 ponto percentual na inflação.

 

Tradicionalmente, no último dia de março, o governo federal autoriza o reajuste no setor, que impacta diretamente a inflação. Neste ano, os preços dos remédios em todo o país puderam ser reajustados em até 5,6% a partir do dia 31 de março. O limite do reajuste estabelecido pelo governo pode ser repassado pelas farmácias de uma vez ou ao longo do ano.

 

Além dos aumentos nas compras em farmácia, os preços nos planos de saúde também tiveram alta de 1,20%. “Houve incorporação das frações mensais dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023”, diz André Almeida, analista do IBGE.

 

Valor médio da cesta básica aumentou em seis de oito capitais em abril, mostra pesquisa

Entenda o que está por trás do PL das Fake News

O que está em jogo com a votação do PL 2630/2020? Por que as plataformas não querem que ele seja votado agora? Por que as fake news não são mais o eixo central do projeto, mas sim a transparência? O PL 2630/2020 prevê que a publicidade na internet deverá ser “identificada de forma clara, concisa, inequívoca e em tempo real”. Ocorre que a publicidade é a principal fonte de financiamento das plataformas. Hoje essa publicidade não está submetida a nenhum tipo de regra. O mercado publicitário brasileiro, segundo estudo da UFRJ, foi de R$ 46 bilhões em 2022.

Ao falar do PL 2630/2020, não estamos  de internet. Nós estamos falando de Google, ou Alphabet e Facebook, ou Meta. Nós estamos falando das maiores empresas do planeta. O número de usuários passa de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, cada uma das plataformas.  São as empresas que coletam os seus dados. As que usam os seus dados para te oferecer melhores serviços. E as que usam os seus dados para vender publicidade para que você compre produtos e serviços.

Pouca gente sabe disso porque não estamos acostumados a questionar a internet como negócio. Como as empresas funcionam e como elas lidam com o cliente, com os fornecedores e com os anunciantes foi uma decisão delas. Exclusivamente delas.

Com tanta gente envolvida, muitos problemas começaram a surgir, e as plataformas, naturalmente, não conseguiram lidar com isso.

O PL 2630/2020 nasceu daí. A eleição geral de 2018 foi inundada de notícias falsas, houve uma CPI, e o projeto surgiu como uma resposta.

De lá para cá, os problemas aumentaram, as redes sociais cresceram e o impacto dessas redes em nossas vidas, para o bem ou para o mal, também aumentou. Tivemos até uma pandemia, e uma guerra de informações em torno do uso ou não da vacina.

O mundo mudou com a pandemia, e a internet também.

Na Europa, a discussão sobre o poder das big techs já se consolidou. As big techs não são um aparelho de telefone, no qual a gente se comunica com o outro.

Elas são a base de toda a economia globalizada, e decidem hoje o que a gente vê, ouve e lê quando a gente trabalha, estuda e se distrai na rede.

Isso lhes dá mais poder do que todas as emissoras de TV juntas, do que os partidos políticos e do que governos de diversos países.

Para falar de um assunto tão importante, porque afeta a vida de mais de 2,5 bilhões de pessoas, eu convidei o consultor legislativo Guilherme Pinheiro para nos dizer por que a Câmara está pautando a proposta de combate às fake news.

Doutor em Direito e professor, Guilherme é, provavelmente, uma das pessoas que mais conhecem este tema, porque ele acompanhou de perto essas negociações aqui na Câmara:

“O Brasil não está sozinho no debate da regulação da internet. Vários países em discutido o assunto. A internet em âmbito global e os problemas tem repercussões mundiais. No âmbito da União Europeia foi aprovado em 2022 o Digital Service Act, que cria várias obrigações para as plataformas, de transparência, como ela moderna conteúdos, como ela formata, faz vedações de conteúdo, até a obrigada de monitoramento de conteúdos legais, o dever de cuidado das plataformas, que elas seriam obrigadas a remover conteúdo sobre a forma de sanção. Nos Estados Unidos, o debate é sobre as limitações que as plataformas podem fazer para moderar e discutir o alcance do discurso dos cidadãos.”

O projeto de lei é bastante extenso, mas há algo que me chamou a atenção. Ele eleva a lei do consumidor para o mundo da internet. O que isso quer dizer na prática?

Essa é a virada de chave do PL das Fake News. Ele ajuda a Justiça a aplicar o Código de Defesa do Consumidor nas relações na internet. Pode ser um passo importante para transformar mais de 250 milhões de usuários da rede, o que não quer dizer praticamente nada, em consumidor, o que quer dizer muita coisa.

 “O Código de Defesa do Consumidor se aplica na relação entre consumidor e fornecedor. Quando a gente pensa em relação de consumo, a gente pensa em uma relação onerosa, onde alguém paga para um fornecedor. No caso da internet, como os serviços são gratuitos, gera uma dúvida se esses serviços é ou não uma relação de consumo. Os nossos tribunais e a jurisprudência têm se firmado, em casos como Uber, Airbnb, Mercado Livre, de que há sim uma relação de consumo, de que esses intermediários tem uma responsabilidade sobre esses serviços, ainda que não sejam eles que prestam essa serviço. E isso gera muita diferença se considerar que é só uma relação civil. Se existir uma relação de consumo, as responsabilidades e obrigações das plataformas possuem um patamar muito mais elevado. A responsabilidade delas passa a ser objetiva e solidária, ou seja, em vez de processar o terceiro, você consumidor poderia processar diretamente as plataformas.”

O receio sobre o PL 2630/2020 é que ele seja usado para gerar censura. Alguns exemplos seriam limitações ao exercício do mandato parlamentar, a remoção de conteúdo não ofensivo na internet ou o impulsionamento, ou seja, o pagamento de conteúdo extremamente nocivo. São os dois lados da mesma moeda.

“Em relação ao PL das Fake News, os pontos que podem gerar debate em relação à imunidade parlamentar, o artigo 53 da Constituição Federal diz que ele não pode ser processado por determinadas falas do seu mandato, seria estendido às redes sociais. Outra questão é o dever de cuidado, em que a plataformas teriam obrigação de monitorar as redes, como crimes ou atentados de racismo, violência contra a mulher, à saude pública, isso gera receio de limitar a liberdade de expressão. Outra coisa são os conteúdos impulsionados pelas plataformas, que são pagos, que serão de responsabilidade das plataformas caso esses conteúdos causem danos a terceiros.”

O tripé do projeto é transparência, responsabilidade e liberdade de expressão. Se a gente está falando de comunicação, não há como ser mais transparente, há? Se a gente está falando de lei, isso já implica em responsabilidade, ainda que seja a autorregularão. O que há de novo então para envolver tanta comoção em torno do tema?

A internet é, como diria o sociólogo Habermas se vivesse no mundo hoje, o espaço público onde a vida é discutida, debatida, e os espaços de poder são disputados.

A internet é um lugar de disputa. Ela não é uma autoestrada onde os carros circulam, cada um do seu jeito. Ela é um sistema complexo que está promovendo uma revolução nas relações e no consumo. Ela lida com as emoções das pessoas, e não há nada mais importante do que isso.

Olha que interessante: no ano passado, quando tentaram votar o projeto, o Google fez uma campanha, mas uma mega campanha, dizendo que aquilo seria o fim da internet. E a urgência, por mil fatores, não passou.

Ontem, eu ouvi uma publicidade do Google dizendo: precisamos discutir mais.

Olha quanta diferença. O terrorismo do Google virou um convite para o diálogo.

Sabe quem ganha com essa mudança de discurso? O Parlamento. Os políticos brasileiros, que estão sendo ouvidos. E quando os deputados são ouvidos, a sociedade é ouvida.

Simples assim.

Lembrando que, quando a internet nasceu, foi batizada como “rede livre”. Tecnicamente era assim. Já a academia e a sociedade a chamaram de rede libertária.

Agora, a grande pergunta é: qual é o nome que a política vai dar para a internet das redes sociais, como a conhecemos?

Você ainda pode enviar a sua sugestão de tema, crítica ou sugestão para o WhatsApp da Rádio Câmara (61) 99978-9080 ou para o email papodefuturo@camara.leg.br.