O programa “Sua Vez, Sua Voz!” estreou recentemente em sua versão adaptada para as redes sociais, depois de mais de 10 anos de sucesso no rádio. Comandado pelo líder sindical e ativista dos direitos trabalhistas Denílson Pestana, o programa é dedicado a discutir e compartilhar informações sobre o mundo do trabalho.
Em sua edição de estreia, Pestana apresentou a festa em comemoração ao dia dos trabalhadores na sede campestre do Sintracom Londrina e a manifestação dos trabalhadores em Memória as vítimas por acidente de trabalho, realizada no dia 28/04/2023. O programa abordará temas como a luta por melhores condições de trabalho, direitos dos trabalhadores, igualdade de gênero e raça no ambiente de trabalho, entre outros assuntos relevantes para quem busca se informar sobre o universo do trabalho.
Sua vez, sua voz trará entrevistas com profissionais de diversas áreas, líderes sindicais e especialistas em assuntos relacionados ao mundo do trabalho. Essas conversas ofereceram insights valiosos e informações relevantes para quem deseja se manter atualizado sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores e as lutas por melhores condições de trabalho.
Com a adaptação do programa para as redes sociais, é possível que um número ainda maior de pessoas se engaje na conversa sobre o futuro do mundo do trabalho. Através de uma abordagem acessível e informativa, o programa busca trazer luz a questões importantes que afetam a vida dos trabalhadores e suas famílias.
Ao se inscrever no canal do programa, os espectadores podem se juntar à conversa e participar de uma comunidade engajada em discutir questões importantes relacionadas ao mundo do trabalho. Com a experiência de Pestana e a participação de profissionais e especialistas em diferentes áreas, “Sua Vez, Sua Voz!” promete ser uma fonte confiável e valiosa de informações para quem busca se informar sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores atualmente.
O SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE GUARAPUAVA, realiza durante os dias 10 e 11 de maio de 2023, eleições para renovação da diretoria (2023/2027).
A chapa é encabeçada pelo companheiro CÉSAR DE OLIVEIRA.
Número veio apenas 0,1 ponto percentual acima da mediana das apostas
Por Lucianne Carneiro, Valor — Rio
Após recuo em janeiro e fevereiro, a produção da indústria brasileira cresceu 1,1% em março ante fevereiro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em fevereiro, o indicador caiu 0,2% e em janeiro, 0,3%, considerando a série frente ao mês imediatamente anterior. Por um problema no site do IBGE, o dado não estava disponível ao público até a publicação desta nota e foi encaminhado aos jornalistas com atraso.
O desempenho de março foi alinhado às expectativas. Ficou levemente acima da mediana das apostas de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta de 1%, livre dos efeitos sazonais. As projeções iam de alta de 0,3% a 3,3%.
Na comparação com igual mês em 2022, a produção industrial subiu 0,9% em março. Por essa base de comparação, a expectativa mediana do mercado era de que o indicador tivesse avançado 0,7% conforme levantamento do Valor. As projeções iam de queda de 1% a alta de 3,4%.
A indústria ficou estável no resultado acumulado nos últimos 12 meses. No primeiro trimestre do ano, há queda de 0,4% frente a igual período de 2022.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, diz que a regulação de serviços por aplicativos como o Uber é fundamental não apenas para garantir “proteção para uma empresa em relação à outra” e evitar a “concorrência desleal”. Segundo Marinho, é também uma forma de combater a “uberização” do trabalho nessas modalidades, hoje marcadas pela precarização.
Em entrevista ao Poder360, ele diz não acreditar que empresas abandonem o Brasil em caso de regulação. “Não tememos isso porque está crescente o trabalho de novas empresas nesse processo. A própria Uber me disse o seguinte: ‘Olha, o mercado número 1 da Uber no mundo está no território brasileiro’”, disse Marinho. “Então é impensável falar que a Uber pode sair do Brasil, igual foi aventado. Isso não existe em absoluto.”
Para o ministro, melhorar as condições de trabalho é dever dessas plataformas. “A história da ‘uberização’ – virou até sinônimo, é uma empresa – é exatamente a lógica da precarização, da superexploração das pessoas em relação a uma nova tecnologia. Isso é um absurdo, é inaceitável”, afirmou. “O que precisamos é que as tecnologias estejam à disposição da humanidade, favorecendo maior remuneração, maior conforto.”
Ele acrescentou “não ter nada contra as empresas”, mas, sim, contra a uberização. “Não está proibida a rentabilidade, não está proibida a palavra lucro. O que tem que estar proibido é a exploração”, resumiu. “É preciso garantir seguridade social, ou seja, Previdência Social para esses profissionais, mas é preciso ir além. É preciso falar de jornada, para não ter jornada extenuante, para evitar acidente, doença e ter um ambiente saudável nesse trabalho.”
A nova edição do Relatório sobre o Futuro dos Trabalhos (The Future of Jobs Report 2023), divulgado neste mês pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), mostra que muitos trabalhos estão sem futuro. Graças às novas tecnologias – e, sobretudo, à inteligência artificial –, a transição no mundo do trabalho é mais acelerada do que o previsto.
Outros fatores, como a ampliação do acesso à internet e a desaceleração do crescimento da economia global, também ditam o ritmo das mudanças. A isso se soma a tão esperada atenuação da pandemia de Covid-19. Não é de estranhar que, logo após a apresentação do relatório do FEM, a OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou o fim da emergência de saúde pública global relacionada ao novo coronavírus.
Com base na realidade de 45 países, o Fórum Econômico Mundial recorre à palavra da moda – “disrupção” – para traduzir, sinteticamente, o sentido de tamanhas transformações. A imensa popularidade do ChatGPT, lançado no final de 2022, já sinalizava que os impactos da inteligência artificial estavam na ordem do dia.
Uma das áreas mais afetadas é o atendimento presencial ao cliente nos mais diversos locais, como agências bancárias, postos dos Correios, supermercado e lojas. É o exemplo de emprego ou função que, conforme o Fórum Econômico Mundial, estão com os dias contados. A demanda para caixas de bancos, funcionários relacionados e atendentes de serviços postais cairá 40% em cinco anos, diz o Relatório. Para operadores de caixa de supermercado e outros tipos de varejo, a queda será de 37%.
Neste prazo de cinco anos, duas outras áreas terão declínio considerável: trabalhos como os de digitadores de dados (36%) e secretário executivo e administrativo (34%). A crer nos cálculos da OIT (Organização Internacional do Trabalho), todas essas profissões “em risco” representam nada menos que 673 milhões de trabalhadores em todo o mundo.
O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2027, 23% dos postos de trabalho atuais se modifiquem – parcial ou totalmente. “Muitos deles vão ser substituídos por soluções, por algoritmos que automatizam essas funções, ou por autosserviço”, diz o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, parceira da pesquisa. “É o caso do caixa do supermercado ou caixa do banco – que vai ser substituído por uma máquina e que vai atender bem, atender às necessidades do cliente.”
Estima-se que, no Brasil, surjam 13 milhões de vagas e se percam 16 milhões. Isso quer dizer que viveremos uma era de desemprego em massa? Nada disso.
Conforme o Relatório sobre o Futuro dos Trabalhos, a transição energética será capaz de, sozinha, gerar 30 milhões de trabalhos até 2030 no mundo – “em energia limpa, eficiência energética e tecnologias de baixa emissão”. Por regra, cada transição do gênero resulta em novas demandas e força outras mudanças.
No livro A Quarta Revolução Industrial, de 2016, Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, já dizia que a nova era no mundo do trabalho estava em curso. “Começou na virada deste século e teve como fundamento a revolução digital. É caracterizada por uma Internet muito mais móvel e global, por sensores menores e mais poderosos e por inteligência artificial e machine learning”, escreveu Schwab.
Este “admirável mundo novo” já é realidade. Diz o autor: “de fato, trabalhadores que atuam com inteligência artificial, aprendizagem de máquina, big data e segurança da informação serão mais demandados, assim como aqueles que trabalham com energia renovável, como a solar”.
Assim, há uma lista grande de funções que devem surgir ou ganhar força nos próximos anos, estimulado a geração de postos de trabalho: são os especialistas em inteligência artificial, aprendizagem de máquina ou sustentabilidade; analistas em Inteligência de Negócios e Segurança da Informação; cientistas e analistas de dados; especialistas em Big Data e transformação digital; entre outros. Os empregos não vão acabar, mas é bom já nos prepararmos para este futuro que, a cada dia, parece mais próximo.
Ministro do Trabalho reúne informações para atualizar legislação e reverter retrocessos aprovados por Temer e Bolsonaro; expectativa é votar no Congresso ainda em 2023
Estudo divulgado pela Lagom Data comprova isto ao apontar que a maior onda de ataques à CLT ocorreu nos seis anos pós-golpe de 2016, sob os governos ultraliberais de Temer (MDB, 2016-2018) e Bolsonaro (PL, 2019-2022). Juntos responderam por 1.397 das 3.946 alterações – o equivalente a 35%. Já a ditadura militar – que durou 21 anos (1964-1985) – foi responsável por 1.286 mudanças.
Como forma de reverter os retrocessos aprovados no período e atualizar a legislação trabalhista, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em entrevista à Agência Brasil, relatou que o governo trabalha para que as novas propostas sejam apresentadas até o final de julho. As discussões quanto a esta revisão são debatidas em grupos de trabalho tripartites em que participam governo, trabalhadores e empregadores.
Com as informações sistematizadas pelos grupos, Marinho pretende apresentar uma versão final e entende que as propostas possam ser votadas no Congresso Nacional ainda em 2023.
De acordo com o ministro, a atuação do governo é apenas de intermediação nos grupos: “O propósito do governo é mais de coordenar as partes, de provocar, para que as partes construam o entendimento. É evidente que o governo tem um posicionamento, mas desejamos que as partes construam esse entendimento porque, seguramente, isso será melhor para a tramitação no Congresso Nacional”, explicou Marinho.
Um dos temas que será trabalhado em termos de atualização da legislação trabalhista é o da regulação que envolve trabalhadores por aplicativos, como Uber, Ifood, Rappi e 99.
“O que as famosas plataformas estão fazendo no Brasil e no mundo é ir transformando os trabalhadores quase que em escravos dos algoritmos. Precisamos reagir para criar condições para que os trabalhadores sejam respeitados”, afirmou o ministro que espera que as plataformas digitais “venham para a mesa no propósito de construção”.