Diferença aumentou em 2022 apesar da recuperação da remuneração média pós-pandemia. Maior avanço na renda ocorreu justamente entre os que recebem mais, enquanto ganhos dos mais pobres estacionaram.
Por André Catto, g1
Mesmo com o avanço da remuneração média em 2022, a desigualdade de renda aumentou nas regiões metropolitanas do Brasil. É o que mostra a 12ª edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles, antecipado com exclusividade ao g1.
De acordo com o estudo, que considera a realidade de três grupos de renda – 40% mais pobres, 50% intermediários e 10% mais ricos –, os mais ricos encerraram 2022 ganhando 31 vezes o salário dos mais pobres nas regiões metropolitanas do país. As médias são:
40% mais pobres: R$ 253,95 per capita;
50% intermediários: R$ 1.530,96 per capita;
10% mais ricos: R$ 7.933,66 per capita;
geral: R$ 1.644 per capita.
O boletim é produzido em parceria por pesquisadores do Observatório das Metrópoles, do Laboratório PUCRS-Data Social e da Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE.
No índice de rendimentos, são considerados os ganhos por meio do trabalho. Não são levados em conta, portanto, recursos recebidos em benefícios como o Auxílio Brasil – adotado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) e substituído pelo novo Bolsa Família em 2023, após Lula (PT) assumir a Presidência da República.
Diferença salarial
A média geral de renda – considerando todos os grupos – chegou a R$ 1.644 em 2022, uma alta de 12,29% em relação a 2021, quando encerrou o ano em R$ 1.464.
O valor representa o retorno dos salários aos níveis pré-pandemia de Covid-19, ficando abaixo apenas dos R$ 1.666 registrados em 2019 – maior registro da série histórica.
A renda está em ritmo de alta desde o primeiro trimestre de 2022, após quedas expressivas entre 2020 e 2021, no pico da pandemia. O avanço, no entanto, é perceptível entre os mais ricos, enquanto os rendimentos dos mais pobres caminharam praticamente de lado no período.
Os aumentos médios na remuneração no último trimestre de 2022 em comparação com a mesma janela de 2021 foram de:
entre os 40% mais pobres: R$ 226,98 para R$ 253,95 – uma alta de 11,88%;
entre os 50% intermediários: R$ 1.363,81 para R$ 1.530,96 – uma alta de 12,25%;
entre os 10% mais ricos: R$ 6.913,40 para R$ 7.933,66 – uma alta de 14,75%.
“Os dados consolidados de 2022 confirmam uma tendência que temos acompanhado ao longo do último ano: a partir de 2022, há um crescimento grande da desigualdade, fruto da pandemia”, diz André Salata, coordenador do estudo e do PUCRS-Data Social.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Ribeiro, também coordenador do estudo, destaca que o grupo dos mais pobres é justamente o mais desprotegido no mercado de trabalho – por estar inserido, em geral, na informalidade –, o que dificulta a recuperação salarial dessa parcela da população.
“Mesmo que tenha ocorrido o aumento de renda, essas pessoas não têm garantias necessárias no mercado de trabalho. É um grupo bastante vulnerável. Inclusive, durante a pandemia, foi o que mais sofreu de forma imediata com essa fragilidade”, explica.
A curva observada na variação da renda dessa população mostra que, desde o fim de 2021, o avanço ocorre a passos lentos. Apesar de retomar nível próximo ao de meados de 2019, os rendimentos mensais seguem bastante defasados em relação ao pico registrado entre 2013 e 2014, quando chegou a R$ 325,76.
“Após a pandemia, foi o primeiro grupo a voltar ao mercado de trabalho, o que possibilitou o aumento de renda. Mas tem sido um crescimento cada vez menor. Então, a capacidade de elevar os ganhos não tem sido tão grande quanto dos outros grupos”, continua Marcelo Ribeiro.
Para o professor André Salata, da PUC-RS, os dados consolidados de 2022 indicam que o processo de recuperação salarial desse grupo está perdendo tração, chegando ao pico.
“A renda dos mais pobres se recupera daquele baque da pandemia, mas volta a um patamar muito baixo. Mesmo antes da Covid-19, já estava em um nível muito ruim. Então, estamos voltando àquele mesmo nível, e parece que a gente está atingindo um teto”, alerta.
Como mudar esse cenário?
Os pesquisadores sugerem que o poder público adote ações que, segundo eles, podem ajudar na retomada da renda dessa população pelo menos ao nível registrado entre 2013 e 2014 – uma meta que, para os professores, é factível. Entre as medidas a serem aplicadas, eles apontam:
Ampliação de investimentos públicos para criação de vagas de emprego – especialmente em áreas que demandem mão de obra menos qualificada, como obras de infraestrutura e construção civil.
Retomada da política de aumento real (ou seja, acima da inflação) do salário mínimo.
“Retomar essas medidas é fundamental para que a gente possa não só aumentar a renda dos mais pobres, mas também reduzir essa desigualdade”, diz Salata, da PUC-RS.
O professor Marcelo Ribeiro, da UFRJ, lembra que, apesar de os dados do estudo se tratarem exclusivamente de rendimentos garantidos por meio do trabalho, as políticas de transferência de renda também trazem efeitos significativos nesse cenário.
Ele explica que esses benefícios incentivam o consumo – o que, em termos simples, é capaz de dinamizar a economia e gerar empregos, melhorando a capacidade de distribuição de renda e, consequentemente, a situação dessa parcela da população.
Desigualdades regionais
O estudo também mostra as discrepâncias macrorregionais brasileiras, com as regiões Norte e Nordeste concentrando os menores níveis de renda média domiciliar per capita do país. Os salários das regiões ficam abaixo da média nacional.
s patamares mais baixos foram registrados nas regiões metropolitanas de:
Maceió (AL): R$ 963
Recife (PE): R$ 979
Fortaleza (CE): R$ 1.001
Manaus (AM): R$ 1.023
São Luís (MA): R$ 1.033
Na outra ponta, com maiores níveis de rendimento médio, ficaram as regiões metropolitanas de:
Valor considera correção apenas inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Governo criou grupo de trabalho para propor valorização acima da inflação.
Por Jéssica Sant’Ana e Alexandro Martello, g1 — Brasília
Pelo PLDO, a correção do salário mínimo em 2024 será feita pela apenas inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
“O salário mínimo estimado para 2024, de R$ 1.389, considera apenas a correção do valor previsto para dezembro de 2023 pelo INPC. Eventuais novas regras de reajuste, que prevejam aumentos reais para o salário mínimo, serão oportunamente incorporadas ao cenário fiscal quando da elaboração da lei orçamentária anual”, diz o Ministério do Planejamento e Orçamento em nota.
De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 60,3 milhões de pessoas no Brasil, das quais 24,8 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O governo criou um grupo de trabalho para elaborar uma política permanente de valorização do salário mínimo.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta semana em uma audiência pública na Câmara que a proposta ficará pronta até o fim de maio.
Ainda segundo Marinho, o Ministério da Fazenda sugeriu que o salário mínimo passe a ser reajustado considerando o Produto Interno Bruto (PIB) per capita (por pessoa).
A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção é adotar uma fórmula que garanta aumentos reais, atrelada ao desempenho da economia.
Como era
O reajuste do salário mínimo apenas pela inflação foi adotado pelo governo Bolsonaro, que acabou com a política de aumentos reais (acima da inflação) que vinha sendo implementada nos últimos anos, proposta pela presidente Dilma Rousseff e aprovada pelo Congresso.
A política de reajustes pela inflação e variação do PIB vigorou entre 2011 e 2019, mas nem sempre o salário mínimo subiu acima da inflação.
Em 2017 e 2018, por exemplo, foi concedido o reajuste somente com base na inflação porque o PIB dos anos anteriores (2015 e 2016) teve retração. Por isso, para cumprir a fórmula proposta, somente a inflação serviu de base para o aumento.
A LDO
O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhado pelo governo estabelece as bases para a elaboração do orçamento do próximo ano.
Já o projeto com o orçamento em si — a Lei Orçamentária Anual (LOA) — é enviado pelo governo ao Congresso até 31 de agosto.
Ambos os projetos precisam ser aprovados pelo Congresso Nacional.
Para o secretário Rogério Ceron, mesmo com índice maior que o previsto pela Fazenda, patamar estará próximo ao de outros países emergentes e será possível recuperar ‘selo de bom pagador’.
Por Alexandro Martello, Jéssica Sant’Ana e Bianca Lima, g1 e GloboNews — Brasília
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, admitiu que a dívida brasileira pode superar o patamar de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) ao fim do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2026.
Por que isso é importante? A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado financeiro, interpretado como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo. Quanto maior a dívida em relação ao PIB, maior o risco de um calote em momentos de crise.
A expectativa de dívida acima de 80% do PIB no fim do mandato de Lula, segundo Ceron, considera projeções do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação – que são piores do que as estimativas feitas pela equipe do Ministério da Fazenda.
“Sem nenhum fechamento [queda] da curva [de juros atual], ela [a dívida] supera [80% do PIB em 2026] e estabiliza em 82%”, afirmou Ceron ao g1 e à GloboNews.
Estimativas dos bancos
O g1 entrou em contato com as cinco instituições financeiras com maior índice de acerto nas projeções para a dívida pública coletadas pela Secretaria de Política Econômica, ligada ao Ministério da Fazenda.
E perguntou aos bancos sobre o patamar esperado para a dívida pública em 2026, após a divulgação do arcabouço fiscal. Somente duas instituições responderam: MUFG Brasil e o banco Modal.
Ambas responderam que não acreditam no atingimento das metas superávit primário proposta no arcabouço fiscal (abaixo), que incluem um retorno ao superávit já no próximo ano.
Quando essa meta fiscal não é cumprida, a proposta de arcabouço estabelece que governo tem de limitar o aumento das despesas a 50% do crescimento das receitas no ano anterior (valor abaixo dos 70% da regra normal).
“No nosso cenário consideramos que o déficit primário sai de 1% do PIB em 2023 e se reduz gradualmente até um déficit de 0,25% do PIB em 2026, o que resulta que a dívida bruta sai de 78,43% do PIB neste ano e encerra em 81,13% do PIB em 2026”, informou o economista-chefe do banco MUFG Brasil, Carlos Pedroso.
Já o banco Modal informou que seu cenário base também não contempla a obtenção da meta de resultado primário estabelecida pelo governo no âmbito do novo arcabouço fiscal, considerada “otimista”. Com isso, informou que a projeção para a dívida em 2026 é de 79,5% do PIB.
Mais tempo para estabilizar
Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, avaliou que, mesmo que as metas fiscais de resultado primário propostas não sejam cumpridas pelo governo (acionando o gatilho de uma alta menor para as despesas), a dívida vai se estabilizar no futuro, mas em um prazo maior de tempo.
“Significa que o processo de estabilização da trajetória da dívida vai ser mais lento [se não cumprir as metas fiscais]. Ele [mercado] pode vir a cobrar mais juros lá na frente, mas estabiliza a trajetória da dívida. Ela estabiliza em qualquer cenário, mesmo não cumprindo o primário”, afirmou.
Nas projeções atuais do governo – que consideram o atingimento das metas de resultado primário – a dívida deixaria de crescer até 2026. Entretanto, se as metas fiscais (de resultado primário) do arcabouço não forem cumpridas, Ceron disse que dívida pode crescer até 2029.
“No pior [cenário] que simulamos, [a dívida] passaria um pouco de 80% [do PIB] e estabilizaria”, declarou o secretário do Tesouro Nacional.
Comparação entre países
Em cerca de 80% do PIB, ou até um pouco abaixo disso, a dívida brasileira estaria mais próxima do patamar da União Europeia, um pouco acima das nações emergentes e bem maior do que o estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a América Latina.
Também estaria mais próxima do nível da Índia, um pouco acima da China e bem maior do que a Rússia – que tem um alto nível de reservas de petróleo e derivados, resultando em baixo endividamento.
Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recomenda que os países da América Latina e Caribe reduzam sua dívida pública para um patamar entre 46% a 55% do PIB. O objetivo seria aumentar a confiança dos investidores e possibilitar a redução da taxa de juros, com efeitos positivos sobre o nível de atividade e sobre o emprego.
Segundo Ceron, a dívida brasileira não precisa estar no mesmo patamar dos emergentes porque há “diferenciais importantes” na economia brasileira, como praticamente ausência de dívida em dólar e mercado financeiro doméstico desenvolvido, entre outros.
“É difícil falar sobre isso, é uma mega discussão. A Índia tem divida maior do que a nossa, é um país também em desenvolvimento. Cresce bastante, tem uma trajetória estável de dívida, e segue o jogo. Comparar o Brasil com a América Latina? O Brasil é mais comparável com a Índia ou com o Peru?”, questionou o secretário.
De acordo com ele, somente a estabilização da dívida pública neste patamar próximo de 80% do PIB já seria suficiente para o Brasil reconquistar o chamado “grau de investimento” nos próximos anos, um tipo de selo de bom pagador concedido pelas agências de classificação de risco.
A obtenção do grau de investimento teria reflexo não só no ingresso de investimentos no país, mas também na redução da taxa de juros cobrada pelo mercado financeiro na compra de títulos públicos.
Sustentabilidade fiscal
Além da relação dívida/PIB, os investidores também prestam atenção no ritmo de crescimento do país e nos resultado das contas públicas, entre outros indicadores, para avaliar a chamada “solvência” das nações.
Se há uma percepção de risco maior nas contas públicas, o mercado costuma reagir cobrando uma taxa maior de juros na rolagem da dívida, ou seja, na emissão de títulos públicos pelo governo para pagar aqueles que estão vencendo. E isso se reflete nas taxas bancárias.
Pelo novo arcabouço fiscal, as despesas do governo poderão crescer entre 0,6% e 2,5% acima da receita do ano anterior em valores reais (corrigidos pela inflação).
Com previsão de ser encaminhado ao Congresso Nacional na próxima semana, o novo arcabouço fiscal substituirá o teto de gastos que vigora desde o fim de 2016. Mas, afinal, qual a diferença entre a futura regra e a atual?
Na última quarta-feira (5), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a União teria de cortar R$ 30 bilhões em despesas obrigatórias em 2024, caso o teto fosse mantido. Segundo ele, os cortes atingiriam não apenas gastos discricionários (não obrigatórios), como água, luz, internet, material de escritório e telefone, mas também afetariam programas sociais.
“Se mantido o teto de gastos, teríamos que fazer corte não mais sobre despesa discricionária. Teríamos de cortar R$ 30 bilhões das despesas obrigatórias se [o teto] fosse mantido a partir de 2024. Para subvencionar custeio?”, explicou o ministro em evento a um banco de investidores.
Para entender o que mudará com o novo arcabouço, é necessário compreender o processo que levou à inviabilidade da continuação do teto de gastos.
Teto de gastos
Promulgado com previsão de durar 20 anos, o teto federal de gastos limita o crescimento dos gastos primários da União pela inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). As despesas executadas em 2016 passaram a ser corrigidas pelo indicador todos os anos, com a inflação sendo aplicada sobre o limite do ano anterior.
A Constituição permite que o teto seja extrapolado em alguns casos: créditos extraordinários (relacionados a gastos emergenciais), capitalização de estatais não dependentes do Tesouro (mecanismo usado para sanear problemas financeiros ou preparar empresas para a privatização), gastos da Justiça Eleitoral com eleições e transferências obrigatórias da União para estados e municípios.
Dentro do limite global, há limites para os Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União, com alguns órgãos dentro dessas categorias também obedecendo a sublimites. Até 2019, o Poder Executivo compensou eventuais estouros dos demais poderes num cronograma de transição.
Segundo o teto de gastos, em 2026 o indexador seria revisto, podendo ser maior que a inflação. Até 2020, a correção era feita tendo como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre julho de dois anos antes e junho do ano anterior. Com a Emenda Constitucional dos Precatórios, promulgada em 2021, o índice passou a considerar a inflação cheia do ano anterior.
Entre janeiro e junho, vale a inflação efetiva do primeiro semestre. De julho a dezembro, vale uma projeção para o IPCA, valor que é compensado quando o índice cheio do ano anterior é divulgado, em janeiro do ano seguinte. Na ocasião, a mudança teve como objetivo liberar R$ 64,9 bilhões no Orçamento de 2022, ano eleitoral.
Diferentemente de outros países, o teto de gastos brasileiro não tem válvulas de escape como exclusão de investimentos (obras públicas e compra de equipamentos) e gastos sociais da regra. Outra possibilidade de escape é a suspensão da regra em momentos de baixo crescimento da economia, como ocorre no Peru.
No país vizinho, país que adota o teto de gastos desde 1999, a despesa não é simplesmente corrigida pela inflação. Os gastos podem ter crescimento real (acima da inflação) de 2% nos primeiros anos e de 4% a partir de 2004.
Emenda Constitucional da Transição
Sem válvulas de escape no Brasil, a Constituição foi modificada várias vezes desde 2019 para permitir furos no teto de gastos, envolvendo R$ 828,41 bilhões fora do limite. Desse total, a maior parte correspondeu ao Orçamento de Guerra para enfrentar a pandemia de covid-19 em 2020. Foram R$ 507,9 bilhões, segundo cálculos do economista Bráulio Borges, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).
Com a liberação de R$ 108,46 bilhões pela Emenda Constitucional dos Precatórios e de mais R$ 41,2 bilhões com a Emenda Constitucional que elevou o Auxílio Brasil para R$ 600 e criou auxílios para taxistas e caminhoneiros, o teto de gastos estouraria em 2023. Para evitar a paralisia do Orçamento deste ano, o governo eleito articulou a aprovação da Emenda Constitucional da Transição.
Promulgada em dezembro do ano passado, a Emenda Constittucional da Transição excluiu até R$ 168 bilhões do teto de gastos em 2023. Desse total, R$ 145 bilhões correspondem ao novo Bolsa Família com valor mínimo de R$ 600, e até R$ 23 bilhões poderão ser gastos em investimentos caso haja excesso de arrecadação.
Em troca da criação de mais um furo no teto de gastos. O texto, no entanto, estabeleceu a obrigatoriedade de o governo enviar – até agosto deste ano – um projeto de lei complementar com um novo arcabouço fiscal ao Congresso. Para permitir que o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 seja enviado até 15 de abril, data estabelecida pela legislação, dentro do novo arcabouço, o governo decidiu antecipar a divulgação das novas regras.
Novo marco fiscal
Apresentado em 30 de março, o novo arcabouço fiscal combina regras de resultado primário (resultado das contas do governo sem os juros da dívida pública) e de controle de gastos. As despesas do governo poderão crescer entre 0,6% e 2,5% acima da receita do ano anterior em valores reais (corrigidos pela inflação).
Dentro dessa banda de 0,6% e 2,5%, os gastos poderão crescer até 70% da variação da receita do ano anterior. Segundo o Tesouro Nacional, o limite considerará a receita líquida, quando são descontados das receitas da União os repasses obrigatórios a estados e municípios.
Embora as despesas estejam submetidas a um limite de crescimento, existem diferenças marcantes em relação ao atual teto de gastos. Primeiramente, os gastos estão atrelados às receitas, o que cria um caráter pró-cíclico para o novo marco fiscal, em que as despesas crescem mais quando o governo arrecada mais e caem quando a arrecadação recua. No Brasil, o teto de gastos é contracíclico, limitando os gastos quando a arrecadação aumenta e, como não tem válvulas de escape, é pró-cíclico em momentos de recessão, porque os gastos também diminuem quando a economia se contrai.
A segunda diferença diz respeito ao crescimento. Com o teto de gastos, as despesas não podiam crescer acima da inflação. Pelo futuro arcabouço fiscal, os gastos sempre crescerão mais que a inflação. Em momentos de recessão ou de baixo crescimento, crescerão menos, mas, ainda assim, acima do IPCA.
Definição
Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento estão definindo o período a ser levado em conta para corrigir a receita. Inicialmente, as duas pastas tinham afirmado que o intervalo consideraria a receita entre agosto do ano anterior e julho do ano atual.
No entanto, posteriormente, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, informou que o intervalo será entre julho do ano anterior e junho do ano atual, para dar tempo ao governo de preparar o projeto do Orçamento do ano seguinte dentro dos novos limites. O período de correção só será conhecido após o envio do texto final ao Congresso
Além do limite para gastos, o novo arcabouço prevê metas de resultado primário que poderão ser fixadas a cada quatro anos em cada mandato presidencial. Com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos, o governo prevê déficit primário de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, resultado zero em 2024 e superávit de 0,5% do PIB em 2025 e de 1% em 2026. Caso o limite inferior da banda seja descumprido, haverá um mecanismo automático de punição, que reduzirá o crescimento de 70% para 50% da variação da receita no ano seguinte.
Telegrama enviado ao Itamaraty revela que governo negociava na Arábia Saudita ativos da Petrobras quando as joias de R$ 16,5 milhões foram presenteadas ao ex-presidente
Documento obtido pelo G1, por meio da Lei de Acesso à Informação, revela que o governo Bolsonaro negociava na Arábia Saudita a venda de ativos da Petrobras e um possível convite para o país integrar a Opep+, uma versão estendida Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
Um detalhe: foi nesse encontro que foram dadas como presentes ao ex-presidente as joias avaliadas no valor de R$ 16,5 milhões.
O portal de notícias teve acesso a um telegrama enviado no dia 15 de novembro de 2021, três semanas depois do encontro, pela embaixada brasileira em Riade, capital da Arábia Saudita, para o Itamaraty.
Nele, o embaixador Marcelo Della Nina descreve o assunto do encontro entre o então ministro das Minas e Energia brasileiro, Bento Albuquerque, e o príncipe Abdulaziz bin Salman bin Abdulaziz Al Saud, o equivalente arábe ao mesmo cargo.
Contudo, o telegrama não relata os presentes milionários dados à família Bolsonaro. A existência das joias de R$ 16,5 milhões, que supostamente seria um presente do governo saudita à então primeira-dama, Michele Bolsonaro, só foi revelado após a apreensão delas pela Receita Federal
Os itens foram encontrados na mochila do militar Marcos André dos Santos Soeiro, que era assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, quando retornavam da viagem oficial ao Oriente Médio. Bolsonaro, sem sucesso, tentou recuperar as joias.
A Polícia Federal (PF) e o Senado, conforme apurou os blogs dos jornalistas Valdo Cruz e Octávio Guedes no G1, já estão investigando para saber se os presentes acabaram sendo uma contrapartida pelos acordos assinados.
Na avalição do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), a nova revelação remete a possível caso de corrupção. “URGENTE!!! A reunião em que Bolsonaro recebeu as joias de mais de 16 milhões como “presente” da Arábia Saudita teve como pauta a VENDA DE ATIVOS DA PETROBRAS e adesão do Brasil a uma ampliação da OPEP. Cara de propina, cheiro de corrupção? Tire suas próprias conclusões”, escreveu o parlamentar no Twitter.
URGENTE!!! A reunião em que Bolsonaro recebeu as joias de mais de 16 milhões como “presente” da Arábia Saudita teve como pauta a VENDA DE ATIVOS DA PETROBRAS e adesão do Brasil a uma ampliação da OPEP.
Cara de propina, cheiro de corrupção? Tire suas próprias conclusões.
Para o deputado Guilherme Boulos (PSOL), o documento complica a situação de Bolsonaro. “Telegrama do Itamaraty mostra que reunião das joias e diamantes milionários da Arábia Saudita para Bolsonaro discutiu a venda de ativos da Petrobras. Quando vamos parar de chamar de ‘presente’ e começar a falar o nome certo: PRO-PI-NA?”, postou.
Presidente do Brasil de 2003 a 2010, Lula já foi considerado uma das pessoas mais influentes do mundo pela Time em 2004 e 2010, voltando agora em seu 3º mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou para a lista de 100 pessoas mais influentes de 2023, promovida pela revista norte-americanaTime. O ranking foi divulgado nesta quinta-feira (13).
A compilação mostra Lula na seção dedicada a líderes onde aparece ao lado de figuras como o presidente dos EUA, Joe Biden, do primeiro-ministro alemão, Olaf Scholz, e do líder da Colômbia, Gustavo Petro, entre outros.
O texto dedicado a Lula foi assinado por Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, empresário e ambientalista. Segundo ele, “Lula prometeu fortalecer a posição do Brasil no mundo – renovando o compromisso do país com a democracia, a justiça e a equidade econômica. Mas em nenhuma outra área ele pode gerar um impacto mais significativo do que nas crises do clima e da biodiversidade”, afirma.
Ainda, segundo Gore, “depois de muitos anos de crescente desmatamento e incêndios florestais, a Amazônia está se transformando de um sumidouro de carbono em uma fonte líquida de emissões. O presidente Lula prometeu proteger a Amazônia , e já o fez antes – reduzindo o desmatamento em 72% em seu mandato anterior. Do combate à perda florestal à aceleração da transição para energia limpa no Brasil, a liderança do presidente Lula será fundamental nesta década decisiva para a ação climática.”
Lula já havia aparecido na lista de mais influentes da Time em outras duas ocasiões – em 2004 e em 2010, seu primeiro e segundo mandatos presidenciais. Na primeira vez, foi chamado de “porta-voz do mundo em desenvolvimento” após integrar uma coalizão de países que abandonou um encontro da Organização Mundial do Comércio para reivindicar a diminuição dos subsídios agrícolas dos EUA e da União Europeia.
Em 2010, o chefe do executivo teve seu perfil escrito pelo documentarista Michael Moore, que o descreveu como “um autêntico filho da classe trabalhadora latino-americana” que buscava guiar o Brasil ao “primeiro mundo”.
Já em 4 de maio de 2022, Lula concedeu entrevista à revista. Na época, ele afirmou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, é tão responsável pela guerra na Europa quanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
“Fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos, sabe? Esse cara é tão responsável quanto o Putin”, afirmou Lula.
Brasileiros na Time
No ano passado, dois brasileiros figuraram na lista da Revista: Sônia Guajajara, líder, ativista indígena e hoje ministra dos Povos Indígenas do governo Lula, e o cientista Tulio de Oliveira, um dos responsáveis por sequenciar a variante ômicron da Covid-19.
A lista é compilada desde 2004, e 15 brasileiros já passaram por ela, veja abaixo.
2023: Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente do Brasil
2022: Sônia Guajajara, líder e ativista indígena; Tulio de Oliveira, cientista
2021: Luiza Helena Trajano, empresária e fundadora do Magazine Luiza
2020: Felipe Neto, youtuber e influenciador digital; Jair Bolsonaro, presidente do Brasil de 2018 a 2022
2019: Jair Bolsonaro, presidente do Brasil de 2018 a 2022
2017: Neymar, jogador de futebol
2016: Sérgio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça
2015: Jorge Paulo Lemann, empresário; Gabriel Medina, surfista
2013: Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2003 e 2014; Alex Atala, chef de cozinha e empresário
2012: Graça Foster, ex-presidente da Petrobras; Eike Batista, empresário; Dilma Rousseff
2011: Dilma Rousseff, presidente do Brasil de 2011 a 2016
2010: Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil entre 2003 a 2010
2004: Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil entre 2003 a 2010