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Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

PRÁTICA TRABALHISTA

Por Ricardo Calcini e Leandro Bocchi de Moraes

A data anual de 2 de abril é mais conhecida pelo Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo e que tem por propósito, para além da divulgação da própria informação para a população sobre o assunto, reprimir a discriminação e o preconceito que atingem tais pessoas [1].

 

 

O transtorno do espectro autista (TEA) “se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva” [2], de modo que tal pessoa pode necessitar de cuidados e atenção especiais.

 

Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, em todo o mundo, uma a cada 100 crianças tenha autismo [3]. Contudo, impende destacar que outras pesquisas apontam que esse número poderá ser ainda mais elevado, porquanto há certo desconhecimento em países de baixa e média renda [4].

 

 

Entrementes, de acordo com as estatísticas do órgão de saúde Center for Disease Control and Prevention (CDC), no ano de 2020, nos Estados Unidos, houve um aumento gigantesco de casos oficiais registrados, sendo um caso de transtorno a cada 36 crianças, ao passo que no ano 2000 o registro era de um caso a cada 150 crianças observadas [5].

 

Neste ano de 2023, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, em mensagem, informou que o objetivo era de progredir nos direitos e promover a inclusão social das pessoas que vivem com autismo [6], ressaltando, inclusive, o significativo papel das famílias.

 

Por certo, dada a importância do assunto, notadamente no mês que se celebra e busca a conscientização de toda a sociedade, a temática foi indicada por você, leitor(a), para o artigo da semana na coluna Prática Trabalhista, da Revista Consultor Jurídico (ConJur) [7], razão pela qual agradecemos o contato.

 

Com efeito, sabe-se que as pessoas com deficiência encontram uma enorme dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Entretanto, tal adversidade se estende também aos seus familiares, dada a necessidade de cuidados especiais que, muitas das vezes, se tornam indispensáveis.

 

De um lado, a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012 [8], instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, estabelecendo como uma de suas diretrizes, no inciso V do seu artigo 2º, o estímulo à inserção dessa pessoa no mercado de trabalho. Lado outro, o Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência [9]. Ainda, a Lei nº 13.146, de 06 de julho de 2015, instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) [10].

 

A propósito, no ano de 2022, o Conselho Nacional de Justiça, por meio da Portaria nº 315, instituiu Grupo de Trabalho para a realização de estudos e elaboração de material destinado à orientação e treinamento no atendimento e atuação diante de pessoas com transtorno do espectro autista no Poder Judiciário [11].

 

Frise-se, por oportuno, que, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 85% das pessoas com transtorno do espectro autista não trabalham formalmente, não obstante a existência de legislação sobre o tema, assim como divulgação de práticas afirmativas de inclusão [12]. E, mais, um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que no setor privado a inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência ocupa pouco mais da metade das vagas abertas, sendo que no setor público a situação é ainda pior [13].

 

Acerca da temática, oportunos os ensinamentos de Rozi Engelke [14]:

 

“As ações afirmativas são, assim, medidas que visam à implantação de providências obrigatórias ou facultativas, oriundas de órgãos públicos ou privados, cuja finalidade é a de promover a inclusão de grupos notoriamente discriminados, possibilitando-lhes o acesso aos espaços sociais e a fruição de direitos fundamentais, com vistas à realização da efetiva igualdade constitucional. Podem, portanto, decorrer da lei que institua cotas ou que promova incentivos fiscais, descontos de tarifas; podem advir de decisões judiciais que também determinem a observância de cotas percentuais, mas sempre em favor de grupos, porque o momento histórico da criação das medidas afirmativas foi o da transcendência da individualidade e da igualdade formal de índole liberal e também da mera observância coletiva dos direitos sociais genéricos, que implicavam uma ação estatal universal, buscando compensação social em favor dos hipossuficientes social e econômico. As ações afirmativas representam um corte de observação da realidade que incide na maioria desvalida, mas observa as peculiaridades das minorias que a compõem, tendo-se em vista a insuficiência das ações genéricas em si mesmas.”

 

De mais a mais, não obstante o enorme estigma que as pessoas com deficiência já enfrentam no dia a dia, os seus familiares, de igual sorte, nem sempre conseguem conciliar o trabalho com as suas responsabilidades no que tange ao cuidado com a pessoa deficiente.

 

Nesse sentido, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já foi provocado a emitir um juízo de valor em um caso envolvendo o pedido de redução de jornada de uma trabalhadora, sem alteração de salário, tendo em vista a necessidade de cuidados especiais de seu filho e ausência de apoio do pai biológico [15]. Em seu voto, o ministro relator ponderou:

 

“Depreende-se, desse modo, ser fundamental a participação direta de pessoa da família no tratamento para evolução e melhora do dependente, que, para tanto, necessitará de tempo não só para a realização de tais ocupações, mas também para manutenção de sua saúde física e mental, através da prática do autocuidado.”

 

Sob esta perspectiva, em um caso semelhante, o TST também autorizou a redução de jornada, sem redução de salário, para que fosse possível o acompanhamento da filha menor diagnosticada com transtorno do espectro autista. Ao proferir o seu voto, o ministro relator destacou:

 

“Dessa forma, mesmo que ausente nas normas internas da empresa, ou na legislação celetista, o direito à redução da jornada no caso dos autos, impõe-se resguardar a máxima proteção à dependente da empregada, portadora espectro autista, em homenagem aos princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção da pessoa com deficiência e da “absoluta prioridade” na salvaguarda do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária da criança e do adolescente.” [16]

 

Nesse diapasão, nota-se que, para além da importância da inclusão da pessoa deficiente ao mercado do trabalho, é preciso outrossim que em situações justificadoras seja garantida ao familiar a possibilidade de uma maior flexibilidade no contrato de trabalho, para o fim de prestar os cuidados necessários à pessoa sob a sua dependência.

 

Aliás, é importante relembrar ser dever de toda a sociedade contribuir com políticas afirmativas de inclusão, garantindo ao familiar em situação justificadora um meio ambiente do trabalho saudável e de respeito aos princípios e às garantias constitucionais fundamentais.

 

Outrossim, vale lembrar que o desenvolvimento sustentável, em observância a Agenda 2030 [17] da Organização das Nações Unidas, tem por objetivo 10 [18] a redução da desigualdade dentro dos países, promovendo e empoderando a inclusão, ao passo que o objetivo 16 [19] visa promover sociedades pacíficas e inclusivas.

 

Em arremate, é forçoso uma mudança de cultura e de hábitos para que seja possível a promoção de uma educação abrangedora, garantindo efetiva igualdade real e material às pessoas que exijam um cuidado diferenciado, evitando-se um tratamento discriminatório. Frise-se que tal medida não se trata de um benefício concedido aos familiares que cuidem de pessoas com autismo, mas sim de um mecanismo de respeito à dignidade da pessoa humana, assim como de erradicação das desigualdades e sobretudo de boas práticas empresariais de ESG [20].


[6]Disponível em  https://news.un.org/pt/story/2023/04/1812107. Acesso em 04.04.2023.

[7] Se você deseja que algum tema em especial seja objeto de análise pela coluna Prática Trabalhista, entre em contato diretamente com os colunistas e traga sua sugestão para a próxima semana.

[11] Disponível em https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/4736 . Acesso em 04.04.2023.

[14] PRINCÍPIO DA IGUALDADE – PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA. Cadernos da Escola Judicial do TRT da 4ª Região – nº 08-2014. Página 53.

[17] Disponível em https://portal.stf.jus.br/hotsites/agenda-2030/. Acesso em 04.04.2023.

[18] Disponível em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/10. Acesso em 04.04.2023.

[19] Disponível em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/16. Acesso em 04.04.2023.

[20] Para melhor conhecimento e aprofundamento da temática, indicamos a leitura da obra ESG: A Referência da Responsabilidade Social Empresarial (Editora Mizuno), da qual o professor Ricardo Calcini é um dos organizadores. Disponível em: https://www.editoramizuno.com.br/livro-sobre-esg-e-responsabilidade-social-empresarial.html. Acesso em 4.4.2023.


 é professor sócio consultor de Chiode e Minicucci Advogados | Littler Global. Parecerista e advogado na Área Empresarial Trabalhista Estratégica. Atuação especializada nos Tribunais (TRTs, TST e STF). Docente da pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Coordenador Trabalhista da Editora Mizuno. Membro do Comitê Técnico da Revista Síntese Trabalhista e Previdenciária. Membro e Pesquisador do Grupo de Estudos de Direito Contemporâneo do Trabalho e da Seguridade Social, da Universidade de São Paulo (Getrab-USP), do Gedtrab-FDRP/USP e da Ceilo Laboral.

 é pós-graduado lato sensu em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Escola Paulista de Direito (EPD), pós-graduado lato sensu em Direito Contratual pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), pós-graduado em Diretos Humanos e Governança Econômica pela Universidade de Castilla-La Mancha, pós-graduando em Direitos Humanos pelo Centro de Direitos Humanos (IGC/Ius Gentium Coninbrigae) da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, membro da Comissão Especial da Advocacia Trabalhista da OAB-SP, auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Judô e pesquisador do núcleo O Trabalho Além do Direito do Trabalho, da Universidade de São Paulo (NTADT/USP).

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2023-abr-06/pratica-trabalhista-autismo-familiares-protecao-inclusao-mercado-trabalho

Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

Mercado financeiro eleva estimativa de inflação para 5,96% neste ano

Expectativa de inflação dos investidores supera o teto da meta definido pelo CMN para este ano, que é de até 4,75%. Números foram divulgados pelo Banco Central.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro elevaram estimativa de inflação deste ano de 5,93% para 5,96%.

A informação constam do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada sobre as projeções para a economia.

Para este ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

 

Se confirmado, esse será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário acompanhe esse crescimento.

 

Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro permaneceu em 4,13% na semana passada. Essa foi a segunda alta seguida do indicador.

 

A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a inflação, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

PIB

 

Para o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, a expectativa do mercado financeiro continuou em 0,9% na última semana.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

 

Já para 2024, a previsão de crescimento avançou de 1,40% para 1,48%.

 

  • No começo de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB avançou 2,9% em 2022, contra uma alta de 5% no ano anterior.

 

Taxa de juros

 

O mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, estável em 12,75% ao ano para o fim de 2023.

 

 

Com isso, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros neste ano.

 

Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável em 10% ao ano.

Outras estimativas

 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 permaneceu em R$ 5,25. Para o fim de 2024, ficou estável em R$ 5,30.

  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção continuou em US$ 55 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo ficou estável em US$ 52,4 bilhões.

  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso continuou também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/04/03/mercado-financeiro-eleva-estimativa-de-inflacao-para-596percent-neste-ano.ghtml

Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

Feriado esvazia Congresso, e novo arcabouço fiscal só deve ser enviado na próxima semana

Prazo máximo para envio da proposta é 14 de abril, segundo líder do governo. Na segunda (3), em entrevista à GloboNews, ministro Fernando Haddad também deu a entender que envio seria adiado.

Por Camila Bomfim, GloboNews — Brasília

O governo deve adiar para a semana que vem o envio da proposta do novo arcabouço fiscal ao Congresso. O texto com as regras para as contas públicas, em substituição ao atual teto de gastos, estava previsto para chegar aos parlamentares esta semana. Mas, em razão do feriado, líderes do governo e ministros do Planalto entendem que o parlamento estará esvaziado.

 

O plano é aproveitar esse tempo extra para finalizar detalhes da proposta. “Esta semana está praticamente inviável. O projeto das novas regras fiscais deve ser entregue até dia 14 de abril, dia 14 é o teto, a data máxima”, diz o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues.

A GloboNews apurou que, no Planalto e no Ministério da Fazenda, a tendência também é essa. Para integrantes do governo, com o Congresso esvaziado, o projeto “perde potência”.

Na segunda-feira (3), em entrevista ao “Estúdio i”, da GloboNews, o ministro da Fazenda Fernando Haddad também deu a entender que a finalização arcabouço seria adiada.

 

“A Fazenda, o Planejamento e a Casa Civil precisam ajustar a redação. São três equipes de trabalho para ajustar essa redação”, respondeu. “Esta semana nem tem sessão no Congresso Nacional. Vamos aproveitar que não tem sessão e fazer um negócio mais bem pensado, inclusive ouvindo as dúvidas.”

 

O ministro também afirmou que precisa ampliar a receita do governo em um montante entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhões para viabilizar as metas contidas na proposta de arcabouço fiscal.

 

As medidas previstas inicialmente para alcançar esse resultado são:

 

 

  • taxação de e-commerces que driblam as regras da Receita Federal, não pagando impostos, o que o ministro chamou de “contrabando”. A previsão é arrecadar de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões.

 

  • proibição de que empresas com incentivos fiscais concedidos por estados, via ICMS, possam abater esse crédito da base de cálculo de impostos federais. O crédito só poderá ser abatido se for destinado a investimentos, e não a custeio. Medida pode render de R$ 85 bilhões a R$ 90 bilhões.

Comissões mistas

 

A semana esvaziada no Congresso, em razão do feriado, também adiou a instalação das comissões mistas para análise de medidas provisórias, outra prioridade para o governo.

A sessão para instalação do colegiado que vai analisar a MP da reestruturação do governo, primeira editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a ser marcada para esta terça-feira (4). No entanto, ficou para a semana que vem, no dia 11 de abril.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/04/04/feriado-esvazia-congresso-e-novo-arcabouco-fiscal-so-deve-ser-enviado-na-proxima-semana.ghtml

Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

Torres se complica após suspeita de tentar sabotar eleição

Inquérito vai apurar suspeita de que ex-ministro de Bolsonaro tentou impedir o comparecimento de eleitores de Lula no Nordeste, no segundo turno,

por Iram Alfaia

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso no 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) acusado por omissão e conivência com os atos golpistas do 8/1, também está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) por tentar sabotar o segundo turno das eleições presidenciais.

De acordo com a coluna de Malu Gaspar, de O Globo, a PF apura uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), planejada pelo ex-ministro, para impedir o comparecimento às urnas dos eleitores de Lula no Nordeste.

O inquérito tenta reconstituir, segundo a colunista, a forma como o governo Bolsonaro se preparou para sabotar o adversário petista no segundo turno.

Essa investigação somada a minuta do golpe encontrada na residência do ex-ministro deixa a situação de Torres ainda mais complicada.

Interlocutores não descartam a possibilidade dele de fazer uma deleção premiada contra Bolsonaro. O ex-ministro, inclusive, afastou da sua defesa advogado ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A PF já apurou que, no final da manhã da quarta-feira 26 de outubro, Torres e seus assessores se reuniram com o superintendente da Polícia Federal na Bahia, Leandro Almada, e seus dois assessores diretos, os delegados Flávio Marcio Albergaria Silva e Marcelo Werner Derschum Filho.

Na reunião, o ex-ministro pediu que a PF ajudasse a PRF na operação que parariam todos os veículos que transportassem eleitores. Ele disse que sua pasta havia recebido muitas denúncias de compras de voto por petistas no Nordeste.

“Para ele, só isso explicava a grande diferença entre a votação de Lula e a de Bolsonaro no primeiro turno. Na Bahia, Lula tinha tido 5,8 milhões de votos (69,73%), contra 2 milhões (24,31%) do então presidente”, diz a coluna.

O plano não deu resultado por causa da ação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que após intensa movimentação da PRF, intimou o “diretor-geral da corporação a interrompê-la, sob pena de multa e afastamento do cargo”. A PF da Bahia também não se empenhou no plano.

Repercussão

Para a líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (RJ), o ministro tem muito a se explicar. “As novas descobertas da Polícia Federal mostram que o ex-ministro de Bolsonaro, que foi preso após os ataques golpistas de 8 de janeiro, também é suspeito de tentar sabotar, com a operação da PRF, os eleitores de Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Anderson Torres, que já tinha muito o que explicar, agora precisa dar mais essa justificativa à Justiça e à sociedade”, afirmou a líder.

“Mais uma semana começa e mais crimes do esquema bolsonarista são revelados. Fizeram de tudo para impedir a manifestação soberana do povo, utilizaram a máquina pública criminosamente. Punição exemplar pra esse bando de golpistas”, cobrou o deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA).

“Fora a minuta do golpe, Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro, tinha mapa das votações e foi à Bahia organizar bloqueios da PRF pra impedir eleitores de votar no 2o turno. Aí a gente vê a dimensão da vitória de Lula. Anderson tá preso, falta o chefe. Sem anistia pra golpistas”, disse a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) considerou mais um caso grave. “A PRF tentou impedir a população de votar e a ação tinha como objetivo favorecer Bolsonaro. A PF descobriu documento de inteligência produzido por Anderson Torres com mapa detalhado dos locais onde Lula venceu no primeiro turno. Tá passando da hora de prenderem Bolsonaro!”, reagiu.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/04/03/ex-ministro-de-bolsonaro-se-complica-apos-suspeita-de-tentar-sabotar-eleicao/

Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

Para Congresso, Lula acerta na promoção da democracia e derrapa na economia

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O Brasil sob o comando do presidente Lula é um país que promove a democracia e a harmonia entre os poderes. Mas que deve na recuperação da economia e nas melhoras de um modo geral do país. Essa é a atual impressão do Congresso Nacional com relação ao atual governo, conforme demonstra a última rodada do Painel do Poder, pesquisa trimestral que o Congresso em Foco Análise faz com que 70 dos principais líderes políticos da Câmara e do Senado.

É possível contratar o Painel do Poder e receber o relatório completo. Veja aqui como fazer

O Painel do Poder pediu aos deputados e senadores pesquisados que avaliassem, dando uma nota de 1 a 5, a atuação do governo Lula em oito áreas. Os quesitos são mantidos os mesmos a cada rodada da pesquisa, para que haja a possibilidade de comparação quanto à evolução das respostas.

O levantamento mostra que os parlamentares avaliam como sendo o ponto que mais sobressai no governo Lula após os seus três primeiros meses a relação do poder Executivo com o Poder Judiciário. Em média, esse quesito recebeu dos parlamentares a nota 4,1. Em seguida, veio a promoção da democracia, com nota média 3,29.

Em contrapartida, as piores notas médias foram dadas para a melhoria geral do país e a retomada da economia. No primeiro quesito, a média foi 2,77. E para a economia, 2,66.

Abaixo, vêm na ordem da média das notas, a promoção da saúde (3,15), o relacionamento com o Congresso (3,1), educação (2,87) e combate à corrupção (2,8). A presença do relacionamento com o Legislativo numa posição intermediária, bem abaixo do relacionamento com o Judiciário, mostra no caso a existência de turbulências resultantes do fato de o eleitor ter escolhido um governo comandado por um partido de esquerda e um Congresso e perfil bem mais conservador, dominado, especialmente na Câmara, pelo Centrão do presidente Arthur Lira (PP-AL).

“Na estreia de sua avaliação, o governo Lula se sai melhor no Relacionamento com o Judiciário (média 4,1), justamente o quesito em que o governo Bolsonaro se saia pior, em todas as últimas sondagens. Tal avaliação pode ser resultante do distensionamento do ambiente, particularmente estressado durante o período eleitoral e pós-eleitoral”, observa o relatório da pesquisa.

“A segunda melhor avaliação é com relação à promoção da democracia (média de 3,29), seguida pela do Relacionamento com o Congresso (média de 3,1). Tomadas em conjunto, essas percepções podem ser atribuídas, de fato, à própria mudança de governo em si. O governo Bolsonaro marcou-se por discursos antidemocráticos e pela constante pressão na institucionalidade. O novo governo, embora ainda em seus primórdios, dá sinais de um retorno à operação institucional mais ‘normal’, ou, melhor, mais em consonância com a tradição histórica nacional”, continua o texto.

8 de janeiro

O início do governo Lula ficou marcado pelos atos de vandalismo e violência na tentativa de golpe ocorrida no dia 8 de janeiro. E um ato simbólico ocorrido logo depois fica como marca que parece ter percebida pelos parlamentares na avaliação. Como resposta aos atos, Lula desceu a rampa do Palácio do Planalto cercado por todos os governadores e os presidentes dos demais poderes.

A avaliação acima da média no quesito saúde parece também estar relacionada à comparação com o governo anterior, que negava a gravidade da pandemia da covid-19.

“Em termos de áreas operacionais, o governo Lula é mais bem avaliado na Saúde (média 3,15). De fato, o Ministério da Saúde tem sido protagonista de medidas efetivas e mais imediatas, como a retomada das campanhas de vacinação, a instalação do programa Mais Médicos, etc. Segue-se Educação (média de 2,87), área em que as ações e os resultados demoram mais para aparecer”, considera o relatório.

Economia

No caso da percepção sobre a melhoria geral do país, a avaliação dos parlamentares sobre o governo Lula ficou abaixo da média, que seria 3.

“No quesito Economia, um dos itens em que o governo Bolsonaro foi sistematicamente mais bem avaliado do que os demais (o que não significa que tenha sido sempre avaliado acima da média), o governo Lula foi avaliado com 2,66, sua pior média. Avaliação também sintomática e digna de ser acompanhada durante as próximas sondagens”, observa o relatório.

Muito melhor

Apesar do perfil conservador do Congresso e do grande número de parlamentares que foram eleitos por partidos que fizeram oposição a Lula nas eleições do ano passado, o que o Painel do Poder mostra, porém, é que, na maioria, a percepção dos parlamentares é de melhora na situação do país na comparação com o governo anterior de Jair Bolsonaro.

A maior parte dos deputados e senadores respondeu à pesquisa considerando que o atual governo, nos seus três primeiros meses, é “muito melhor” que o governo anterior. Essa é a percepção de 47% dos deputados e senadores entrevistados. Para outros 30%, o governo é “muito pior”. Na avaliação de 12, “um pouco melhor”. “Um pouco pior” para 3%. E “nem melhor nem pior” para 8%.

“Evidentemente, uma questão dessa natureza despertaria a polarização entre os respondentes”, considera o texto do relatório. “De todo modo, pode-se afirmar que há uma expectativa mais favorável do que negativa em relação ao governo Lula. Os que consideram que o governo será pouco melhor ou muito melhor em relação ao governo anterior são 59,09%. Os que consideram que será muito pior ou pouco pior são 33,33%”, conclui.

AUTORIA

Rudolfo Lago

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

Ricardo de João Braga

RICARDO DE JOÃO BRAGA Economista e cientista político. Graduado na Unesp, tem mestrado pela Universidade de Siegen (Alemanha) mestrado e doutorado em Ciência Política (UnB e UERJ). Coordenador do Congresso em Foco Análise e professor do curso de Mestrado em Poder Legislativo da Câmara dos Deputados.

André Sathler

ANDRÉ SATHLER Doutor em Filosofia, mestre em Informática e em Comunicação. Consultor do MEC, da Capes, do Ministério da Justiça e coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Parlamento Digital. Coordenador do Congresso em Foco Análise.

CONGRESSO EM FOCO
Autismo e familiares: proteção e inclusão no mercado de trabalho

“Vamos crescer mais do que os pessimistas estão prevendo”, diz Lula

O presidente Lula criticou nesta segunda-feira (3) as previsões de que a economia não crescerá significativamente este ano. Na abertura de reunião com ministros dos setores produtivo e institucional do governo, Lula disse que a “obsessão” do governo é “voltar a fazer este país crescer”.

“Eu acho que a gente vai crescer mais do que os pessimistas estão prevendo. Vai acontecer mais coisa no Brasil do que as pessoas estão esperando. E vai depender muito, mas muito, da disposição do governo. Vai depender muito da disposição e do discurso do pessoal da área econômica, da disposição e do discurso do setor da área produtiva, porque se a gente ficar apenas lamentando aquilo que a gente acha que não vai acontecer… Ninguém vai investir em cavalo que não corre. Se você está em uma corrida de cavalo dizendo que seu cavalo é pangaré, que está cansado, ninguém vai fazer nenhuma aposta. Então nosso papel é apostar que esse país vai dar certo e vai produzir mais do que aquilo que algumas pessoas esperam”, declarou.

Segundo ele, o país dará um salto de qualidade quando a chamada micro, pequena e média economia “começar a acontecer nos rincões deste país”. “Eu ainda não vou dizer aquilo que eu disse em 2005, que foi motivo de muita chacota por parte da imprensa, quando eu disse ‘o milagre do crescimento’, quando a economia brasileira cresceu 5,8% e a imprensa especializada achava que não ia crescer”, afirmou.

Ele também citou o otimismo dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, com a receptividade do arcabouço fiscal, e da Agricultura, Carlos Fávaro, que retornou de visita à China.

“Se você olhar para a cara do ministro Fávaro, que voltou da China agora com empresários, você vai perceber que ele é 150% de otimismo. Se você olhar para a cara do Haddad depois do marco regulatório que ele fez, olha a cara dele de felicidade, significa que ele está acreditando que vai passar. Nós estamos acreditando que vai passar nossa tão sonhada nova política tributária, estamos achando que vai acontecer tudo aquilo que a gente anunciou de investimento em bolsas de estudo no nosso Ministério da Ciência e Tecnologia, no Ministério da Educação”, disse.

De acordo com Lula, o governo vai trabalhar para o país voltar a crescer e a gerar emprego. “A obsessão do governo agora tem que ser fazer investimentos, criar condições. Estou muito otimista com a proposta de PPP [parceria pública-privada] que vamos colocar em discussão. Temos que ter como obsessão fazer esse país voltar a crescer, porque o país crescendo vai gerar emprego, o emprego vai gerar salário, o salário vai gerar aumento de consumo e aí a roda gigante da economia volta a funcionar”.

Na próxima segunda-feira (10), o governo Lula completa seus primeiros 100 dias. Segundo Lula, até lá, todos os programas destruídos por Jair Bolsonaro terão sido relançados.

“O objetivo dessa reunião é fazer um levantamento de como está cada ministério nesse momento, como está preparando suas atividades. Porque na segunda-feira próxima, dia 10, nós vamos ter a reunião dos 100 dias de governo, em que a gente vai não só fazer a avaliação daquilo que nós conseguimos recuperar para colocar em funcionamento – e nem tudo está ainda 100% funcionando, porque quando você decide fazer uma política pública às vezes ela demora para acontecer. Mas nós já recuperamos quase todas as políticas sociais que existiam nesse país e que tinham sido desmontadas pelo governo anterior”, declarou o presidente. Entre os programas que ainda serão relançados estão o Água para Todo e o Luz para Todos.

CONGRESSO EM FOCO