NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Copom deve definir nesta quarta (22) a taxa básica de juros brasileira, que atualmente é a maior do mundo e foi definida por vencedor do Nobel de Economia como uma ‘pena de morte’ a qual o país vem sobrevivendo.

Por g1

O Comitê de Política Monetária (Copom) começou uma reunião na terça (21) e deve definir nesta quarta (22) a taxa básica de juros, a Selic. O encontro ocorre em meio a pressões do presidente Lula pela redução dos juros na economia brasileira, que hoje é de 13,75% ao ano – a maior do mundo, descontada a inflação.

 

A alta do juros é motivo de paralisação nas principais montadoras do país. Também foi definida pelo ganhador do Nobel de Economia Joseph Stiglitz como uma “pena de morte” a qual o Brasil vem sobrevivendo.

 

Em entrevista a Natuza Nery, o consultor da FGV Robson Gonçalves analisa a fala do economista norte-americano.

“A taxa de juros pode ser entendida como um remédio contra a inflação”, explica Gonçalves. “Mas ela é um remédio contra um tipo de inflação, portanto uma manifestação dessa doença econômica que é a inflação de demanda. Como todo remédio, a taxa de juros tem seus efeitos colaterais no curto prazo: ela freia o crescimento econômico e reduz a demanda por bens e serviços.”

A inflação mundial, detalha o economista, é puxada pelo preço das commodities por causa das incertezas causadas pela guerra na Ucrânia.

 

“Nessa condição, a taxa de juros se torna um medicamento muito ineficaz: a gente só fica com o efeito colateral. É como se o paciente estivesse morrendo sem ter o benefício da cura simplesmente porque o remédio é inadequado para o tipo de doença que a economia está enfrentando.”

Enquanto, no Brasil, a taxa de juros permanece o dobro da inflação, países como os Estados Unidos oscilam em uma faixa de 4,5% a 4,75% ao ano, abaixo da inflação.

 

No episódio #925 do podcast O Assunto, o economista aposta em uma divergência na decisão sobre a taxa de juros brasileira, mas concorda com a análise de Stiglitz e destaca que a redução é importante para auxiliar os 62,5 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza.

“A manutenção de uma taxa de juros muito elevada é mortal no sentido de que ela contém o crescimento econômico e diminui a geração de empregos…Para tirar as pessoas da linha da pobreza, é preciso empregá-las antes de mais nada.”

Ouça a entrevista completa no podcast O Assunto.

O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Tiago Aguiar, Gabriel de Campos, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski, Eto Osclighter e Nayara Fernandes. Apresentação: Natuza Nery.

G1

https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2023/03/22/taxa-de-juros-e-remedio-ineficaz-contra-o-tipo-de-doenca-que-economia-enfrenta-avalia-consultor-da-fgv.ghtml

Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Em meio a turbulências no sistema bancário global, BC deve manter juro em 13,75% ao ano nesta quarta

Mesmo com taxa estável, mercado aguarda comunicado e ata do Copom em busca de possível sinalização de cortes futuros de juros. Tensões no sistema financeiro mundial ampliam ansiedade.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (22) e deve manter a taxa básica de juros da economia estável em 13,75% ao ano, segundo a projeção de economistas do mercado financeiro.

 

Esse é o maior patamar desde novembro de 2016, ou seja, em pouco mais de seis anos. Se confirmada, essa será a quinta manutenção da taxa Selic nesse nível. A decisão será anunciada por volta das 18h30.

 

A reunião do Copom desta semana acontece em meio a tensões no sistema financeiro global, com a quebra de bancos, e de pressões por parte do governo federal para redução dos juros (veja mais abaixo nessa reportagem).

Como o BC define os juros

 

Para definir o nível dos juros, o Banco Central se baseia no sistema de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central pode reduzir o juro básico da economia.

 

Neste momento, o BC já está ajustando a taxa Selic para tentar atingir a meta de inflação do próximo ano, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

  • Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.
  • A meta de inflação do próximo ano é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

Em doze meses até fevereiro, a inflação oficial somou 5,60%, ainda acima das metas. O grande peso para o resultado do IPCA do mês passado foi o grupo de Educação.

 

Para os anos de 2023 e 2024, o mercado estima que o IPCA somará 5,95% e 4,11%.

Em análise divulgada, a XP avaliou que as perspectivas para a inflação continuam desafiadoras.

“As leituras recentes do IPCA mostraram núcleos de inflação ainda elevados e resistentes; o mercado de trabalho continua apertado, apesar de alguma acomodação recente; e as expectativas de inflação de médio prazo estão em alta, se afastando das metas”, informou.

 

A expectativa do mercado financeiro é de que a taxa de juros comece a recuar somente em novembro deste ano, quando passaria para 13,25% ao ano. A projeção é de que a Selic termine 2023 em 12,75% ao ano.

Cenário

 

A reunião do Copom dessa semana acontece em meio a tensões no sistema financeiro global, com a quebra de bancos nos Estados Unidos, como o SVB e o Signature Bank, além da forte crise com o Credit Suisse — que foi comprado pelo grupo suíço UBS Group por US$ 3,2 bilhões.

 

A turbulência no mercado financeiro, com risco de que a crise se espalhe pelo mundo, gerou uma discussão nos bancos centrais sobre os recentes aumentos nas taxas de juros. A avaliação é que juros altos estão gerando problemas de liquidez nas instituições financeiras.

 

Segundo o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews e colunista do g1, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que, além da nova regra para as contas públicas, que está em fase final, a crise no mercado financeiro mundial pode antecipar a queda da taxa de juros no Brasil.

Além da crise bancária, o encontro do Copom ocorre novamente diante da pressão por parte do governo federal para que a autarquia, responsável por conter a inflação, comece a baixar a taxa de juros.

 

O BC autônomo, comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, foi novamente alvo de ataques nesta semana do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também foi acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

O que dizem analistas

 

Em meio a esse cenário, o mercado financeiro acredita em manutenção dos juros, mas a expectativa maior é pelo comunicado que será divulgado no dia da decisão e, também, pela ata da reunião dessa semana – que sairá na próxima terça-feira (28).

 

A ansiedade é sobre as indicações que o BC dará sobre os próximos passos da taxa básica de juros, ou seja, se haverá sinalização de que poderá cortar a taxa Selic nos próximos meses.

 

Até então, o BC tem informado em documentos oficiais que se manterá “vigilante”, indicando que deve manter os juros elevados por um “período suficientemente prolongado” de tempo para conter a inflação. E não afastou, até o momento, a possibilidade de voltar a subir a taxa Selic.

 

Segundo o economista André Perfeito, o BC não deve sinalizar corte de juros “em breve” mesmo com a crise bancária, o que pode indicar aumento das tensões com o governo.

 

“Não precisa ser um grande estrategista político para saber o que o Planalto e o PT irão colocar toda sua artilharia sobre o BCB e aqui temos o grande problema”, avaliou, em comunicado.

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, avalia que a inflação segue pressionada, com os núcleos do IPCA (que excluem choques temporários) oscilando ao redor de 8%, acima dos EUA e Europa, por conta principalmente do aumento de gastos públicos da gestão petista.

 

Ele lembrou que, em 2022, houve um superávit primário nas contas do governo (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida) de R$ 54 bilhões, ou cerca de 0,5% do PIB. E que, para este ano, deve ser registrado um déficit ao redor de 1,5% do PIB, equivalente a R$ 150 bilhões. Ou seja, um aumento de recursos na economia de cerca de R$ 200 bilhões de um ano para o outro.

“A gente está com inflação na casa de 8% ao ano [núcleos de inflação], está com a economia rodando próxima ao pleno emprego. Em cima disso tudo jogam um caminhão de demanda de politica fiscal [aumento de gastos]. Quer que a política monetária [definição dos juros pelo BC para conter a inflação] faça o que”, questionou Alexandre Schwartsman.

Consequências de juros altos

De acordo com especialistas, juros elevados têm vários reflexos na economia, entre os quais:

 

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/03/22/em-meio-a-turbulencias-no-sistema-bancario-global-bc-deve-manter-juro-em-1375percent-ao-ano-nesta-quarta.ghtml

Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Pesquisa: O “fantasma” do comunismo está entre nós. Mas qual comunismo?

Pesquisa Ipec é uma amostra da divisão na sociedade brasileira: 45% dizem que o País “corre o risco” de virar comunista, enquanto 48% discordam.

por André Cintra

Faz pouco mais de 175 anos que dois jovens filósofos e ativistas europeus – Karl Marx, de 29 anos, e Friedrich Engels, de 27 – entregaram à Liga dos Comunistas os originais de um manifesto político-ideológico. Os dois autores entendiam que, se todas as “potências da velha Europa” haviam se aliado para combater o “espectro do comunismo”, duas conclusões se impunham.

A primeira é que essas potências já reconheciam o comunismo como uma potência também. Não por acaso, a “santa aliança” anticomunista reunia todas as grandes representações do Antigo Regime – das burguesias aos governos, das forças policiais ao papa.

A segunda conclusão é que os comunistas precisavam se contrapor “à lenda do espectro do comunismo”. Numa época ainda sem mídias eletrônicas, em que jornais e panfletos eram os principais meios de comunicação de massa, a campanha anticomunista dava a tônica do noticiário, à base não de fatos, mas de distorções e inverdades.

Para Marx e Engels, já era “mais do que tempo de os comunistas exporem abertamente perante o mundo inteiro o seu modo de ver, os seus objetivos, as suas tendências”. Assim nasceu a ideia daquele que talvez seja o mais conhecido dos manifestos em todos os tempos – o Manifesto do Partido Comunista, ou só Manifesto Comunista, lançado em fevereiro de 1848.

De tempos em tempos, os herdeiros daquela pioneira “santa aliança” anticomunista anunciam a morte definitiva do mal. Foi o que ocorreu em maio de 1871, quando o povo francês “assaltou os céus” e instituiu a Comuna de Paris, o primeiro governo proletário já visto. “Agora, o comunismo morreu para sempre”, arriscou-se a dizer, no calor da hora, o chefe da burguesia francesa, Louis Adolphe Thiers.

Nada mais falso. Marx, de imediato, acertou na avaliação: “A Paris operária, com sua Comuna, será sempre celebrada como o arauto glorioso de uma nova sociedade”. Mais tarde, Lênin, o líder da Revolução Russa, concluiu que “a Comuna de Paris foi um passo prático bem mais importante do que centenas de programas e teorias”.

No século seguinte, foi a vez de o filósofo norte-americano Francis Fukuyama proclamar não apenas a morte do comunismo – mas também “o fim da História”. Ante a debacle da União Soviética, Fukuyama vaticinou um mundo unipolar, uma ordem permanente, hegemonizada pelos Estados Unidos. A democracia liberal burguesia seria, segundo ele, uma forma final de governo – o ponto culminante da História.

Não foi preciso esperar mais do que alguns anos para ver que as predições de Fukuyama estavam mais para vontades pessoais do que deduções científicas. O comunismo não está morto nem como ideia, nem como prática. O legado da União Soviética segue vivo especialmente entre os russos – pesquisadores usam o termo “nostalgia soviética” para denominar o fenômeno.

Além disso, a acelerada emergência da China como potência econômica e geopolítica, sob a liderança do Partido Comunista, mostra que há alternativas viáveis ao capitalismo neoliberal. Com relação à promessa de estabilidade, os ataques terroristas de 11 de Setembro, em 2001, e as crises do capitalismo – notadamente a iniciada em 2007/2008 – são apenas alguns dos muitos episódios que mostram a História em constante trepidação.

Mas, volta e meia, a extrema-direita, no Brasil e no mundo, ressuscita a “lenda do espectro do comunismo”. Seu porta-voz internacional mais conhecido é Steve Bannon, ex-estrategista do governo Donald Trump e um dos ideólogos da família Bolsonaro. Para Bannon, o Partido Comunista Chinês encarna “a ameaça existencial contra os Estados Unidos” – e, por efeito, contra o Ocidente.

O discurso anticomunista é parte do ideário propagado por muitos líderes ultradireitistas que ascenderam ao poder nos últimos anos. É o caso de Viktor Orbán na Hungria, Rodrigo Duterte nas Filipinas, Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsonaro no Brasil.

A pregação tem como base o medo. Políticos “vermelhos”, com suposto apoio da grande mídia, de empresários e até do Judiciário, estariam sempre prestes a implantar um regime autoritário, que calaria a população e imporia o caos econômico. Para simplificar ao extremo, a ameaça é de que o Brasil vire Cuba, Venezuela ou Nicarágua.

A adesão ao anticomunismo parece ser maior em cenários de crise política e econômica. Embora o receituário de presidentes de extrema-direita não tenha levado crescimento ou prosperidade em país nenhum, uma das bases de sustentação desses governos é se vender como mantenedor da ordem ou de qualquer outra esperança irrealizável, já que pautada pela desinformação e por falsas guerras culturais.

É uma fórmula que ganhou vigor nos Estados Unidos, com Trumpo, e se espalhou mundo afora, incluindo no Brasil. Segundo o professor e pesquisador Pedro Abelin, da Universidade de Maryland, a direita brasileira “muitas vezes importa a retórica, a gramática e as estratégias” da direita norte-americana. Se Trump ainda desponta como um presidenciável competitivo, é porque seu discurso continua a influenciar amplas bases, ainda que minoritárias.

No Brasil, a disputadíssima eleição presidencial entre Lula e Bolsonaro mostra que a desinformação avançou nos últimos anos, transformando fake news como o “fantasma” do comunismo em receios concretos. Nem Lula nem seu governo são comunistas, mas a cantilena da extrema-direita “colou” para muitos segmentos do eleitorado brasileiro.

Basta ver a pesquisa Ipec divulgada no domingo (19). O próprio instituto absorve parte da pauta ultradireitista ao questionar os eleitores se “o Brasil corre o risco de virar um país comunista”. Risco? Que tipo de pergunta mais enviesada é esta? Será que o Ipec indagaria aos cubanos ou aos chineses se seus países correm o “risco” de se tornarem capitalistas?

O resultado da sondagem, para todos os efeitos, é uma amostra da divisão na sociedade brasileira: 45% concordam que, sim, o País pode virar comunista, enquanto 48% discordam. A voz da nova “santa aliança” anticomunista foi longe demais e por pouco não nos custou a vitória nas eleições 2022 – Lula superou Bolsonaro por margem pequena: 50,90% a 49,10%.

Um governo à altura do que os brasileiros esperam e precisam é a receita mais óbvia para o atual presidente conquistar (ou reconquistar) parte dos eleitores que optaram pelo bolsonarismo. É consenso que erros como a negligência no combate à pandemia de Covid-19 foram decisivos para o fracasso de Bolsonaro na tentativa de reeleição.

Com relação ao “espectro do comunismo”, que não seja o temor do desconhecido. “Os comunistas se recusam a dissimular suas visões e seus propósitos”, enfatizaram Marx e Engels no Manifesto. A extrema-direita insistirá em desvirtuar o marxismo-leninismo, associando-o maliciosamente a práticas controversas e até criminosas. Cabe uma contranarrativa contundente, que esclareça e mobilize. O Manifesto Comunista é só o ponto de partida.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/03/21/o-fantasma-do-comunismo-esta-entre-nos-mas-qual-comunismo/

Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Governo Lula: em que ponto estamos?

Há de se olhar para três frentes a fim de compreender onde estamos em relação ao governo: os compromissos imediatos de campanha, a montagem política do governo e a condução da economia.

Lula dirigiu uma campanha eleitoral em que a promessa de melhora de vida do cidadão mais pobre foi central. Com a PEC da Transição, Lula conseguiu um primeiro acordo político que lhe permitiu reestruturar o Bolsa Família – atacar a fila de espera e manter o valor em R$ 600,00 –, acenar com a retomada do Minha Casa, Minha Vida, dar algum alento para ações sociais que andavam esquecidas em ministérios anteriormente negligenciados e principalmente conferir os aumentos reais do salário mínimo.

Esse acordo político inicial, consubstanciado na PEC da Transição, deu o fôlego necessário para Lula iniciar seu governo “pagando” compromissos que seriam rapidamente cobrados.

A relação com o Congresso hoje ainda se ajusta. Ministérios foram distribuídos entre aliados; e aparentemente distribuídos de forma adequada, pois não se teve tanta concentração de cargos no PT como se viu em 2003. Contudo, há bastante a se arrumar. Arthur Lira, por exemplo, ator político com enorme poder atualmente, ainda se acomoda no governo – já exigiu cargos durante a transição, esteve no centro da discussão do orçamento secreto e lançou um sintomático aviso dias atrás a quem quisesse ouvir: o governo ainda não tem base consistente para enfrentar votações importantes. Não por acaso, dia 14 surgiu a notícia de que nomeações de segundo escalão foram liberadas por Lula. No jargão político, é o caminhão de melancias avançando na estrada e acomodando sua carga.

Por fim, a economia. O PIB brasileiro avança fraco e o cenário externo não se mostra favorável. Assim, caberá aos ajustes e reformas domésticos desanuviar o horizonte. Na lista, dois gigantes: o novo arranjo fiscal e a reforma tributária. Se o governo acertar em ambos, podemos dizer que o futuro está garantido, mas poderia se beneficiar ainda de reformas microeconômicas que desde a saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda andam sem brilho.

Contudo, a economia é fonte de aflições e o presidente da República arbitra forças antagônicas. A famosa ala política do governo propõe mais gastos, cortes de impostos, novos programas para prover tais ou quais serviços. Ações como essas geram ganhos identificáveis e localizados e prejuízo difuso. Da soma dessas pequenas iniciativas, meritórias que sejam, colhe-se mais desarranjo fiscal e o travamento da economia como um todo.

De outro lado, o Ministério da Fazenda, ladeado pelo Ministério do Planejamento e, ainda a conferir, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Tais atores encarregam-se de olhar a economia como grande sistema e tentam convencer seus colegas que um pouco de paciência e comedimento nos gastos e iniciativas estatais permitem que as finanças se ajustem e deem espaço para o setor privado atuar, investir e fazer a economia crescer.

Se Lula tiver paciência e firmeza para esperar os frutos de um ajuste macroeconômico, a caminhada dos próximos anos torna-se sustentada e mais virtuosa. Caso contrário, virão necessariamente os solavancos de sucessivas crises e soluções pirotécnicas insustentáveis. Se me permito uma aposta, creio que fatores hoje ainda não vistos determinarão o rumo de Lula. Ala política e ala econômica parecem-me em equilíbrio. As novidades no caminho é que determinarão as reações do presidente.

Por fim, não nos enganemos. Melhoras substanciais na vida do povo exigem a reestruturação das políticas sociais com desenvolvimento econômico. Sem acertos na política econômica, as ações imediatas no Bolsa Família, salário mínimo, Minha Casa, Minha Vida e outros irão por água abaixo. Esperamos que a sociedade consiga deixar clara essa lição ao sistema político, e que sobretudo Lula consiga ter paciência e firmeza.

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.

Mais artigos do autor

RICARDO DE JOÃO BRAGA Economista e cientista político. Graduado na Unesp, tem mestrado pela Universidade de Siegen (Alemanha) mestrado e doutorado em Ciência Política (UnB e UERJ). Coordenador do Congresso em Foco Análise e professor do curso de Mestrado em Poder Legislativo da Câmara dos Deputados.

CONGRESSO EM FOCO
Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Varejo sofre o impacto da falta de crédito

Estamos vivenciando dias difíceis no varejo, especialmente nos setores não alimentares, dada a retração no consumo, especialmente fragilizado pela perda de renda da população. As grandes e médias empresas estão sendo impactadas como um todo em função desta crise e, com isso, há retração ao acesso do crédito. Se voltarmos há 3 anos, o segmento acabava de entrar numa pandemia que afetou gravemente a saúde financeira das empresas.

Ricardo Patah*

ricardo patah ugt

O evento inesperado das Lojas Americanas levantou suspeitas em relação ao setor de varejo como um todo no Brasil. Com isso, o humor do mercado tem sido bastante negativo, gerando repercussão ruim em todo o setor.

Como resultado desta crise, ocorreu contrarreação do setor bancário e financeiro, que resulta num fechamento praticamente total do acesso à crédito. O estrangulamento dos varejistas asfixia de forma severa a totalidade da cadeia.

Percebemos no Sindicato dos Comerciários de São Paulo, com intensidade, piora rápida na condição de pagamento das empresas, que não conseguem rolar as dívidas e se veem com dificuldade de honrar os compromissos com fornecedores. Isso pode sinalizar risco de não pagamento de seus trabalhadores.

Este impacto no varejo tem feito o governo demonstrar preocupação com o nível da taxa de juros básica da economia, que encarece de forma exponencial, em termos reais, o custo financeiro das operações de capital de giro simples para as empresas.

As instituições financeiras já sugeriram ao BNDES que haja funding do banco de desenvolvimento ou garantias do Tesouro Nacional para manter o crédito à cadeia de fornecedores das grandes varejistas. A sugestão foi feita no fim de fevereiro em reunião entre dirigentes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o BNDES, representado no encontro por Aloizio Mercadante, como um dos associados.

O fato é que o setor de varejo é muito grande. Especificamente, o de vestuário, calçados e têxtil conta com 130 mil lojas e emprega 775 mil funcionários. A cadeia de fornecimento conta com 3.800 fornecedores diretos e subcontratados e emprega 425 mil funcionários, de acordo com a Associação Brasileira do Varejo Textil. O estrangulamento dos varejistas asfixia de forma severa a totalidade da cadeia e eventual crise generalizada no setor pode trazer consequências inesperadas. O governo, infelizmente, não consegue agir e sair rapidamente do imobilismo. Não é fácil mesmo.

Trago aqui uma ideia talvez mais rápida para ser estruturada: oxigenar o setor e fornecedores por meio da disponibilização de linhas de capital de giro pelos bancos públicos federais e estaduais, mediante constituição de garantias com lastro em créditos fiscais, em nível federal e estadual, em processos já transitados em julgado, no âmbito do Judiciário.

Para finalizar, urge que o governo tome medidas para acabar com a concorrência desleal imposta pela “isenção tributária” que ocorre na prática na nacionalização de produtos importados via comercio eletrônico, no segmento varejista de vestuário, calçados e têxtil.

Isso pode ser feito pela aplicação correta da legislação em vigor, quebrando a inércia irresponsável do governo anterior. Não se trata de proibir a importação, mas de promover equidade no tratamento tributário. Isentam-se todos ou taxam-se todos, de forma igual. Tanto os produtos importados quanto os fabricados no Brasil deveriam ter o mesmo tratamento tributário. Isentar apenas os importados é promover a exportação injustificada de empregos.

Fato é que nenhuma empresa quer fechar, nenhuma empresa quer falir e, junto aos mecanismos econômicos e de gestão, se faz necessário unir esforços para a reconstrução deste setor tão importante para o desenvolvimento do País e para a geração de renda do povo brasileiro. Vamos evitar a perda desnecessária de empregos e de arrecadação de impostos!

(*) Presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores). Publicado originalmente no jornal O Globo, na seção opinião.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/91292-varejo-sofre-o-impacto-da-falta-de-credito

Taxa de juros é remédio ineficaz contra o tipo de doença que economia enfrenta, avalia consultor da FGV

Com ou sem Bolsonaro, bolsonarismo será competitivo nas eleições de 2026

Evento realizado pela Fundação FHC trouxe dados de pesquisa inédita do economista Maurício Moura sobre a força do bolsonarismo no país após a derrota do ex-presidente em 2022.

As informação são da Assessoria de Imprensa FFHC, 20-03-2023.

A Fundação FHC (FFHC) realizou na última terça-feira, 15 de março, o webinar “O bolsonarismo depois da derrota de Bolsonaro”. O debate trouxe dados inéditos de uma pesquisa recém-concluída pelo fundador do Instituto IDEIA, Mauricio Moura, que estarão no livro “Por que Bolsonaro perdeu?”, com lançamento previsto para junho. No evento online, essas informações foram complementadas por descobertas de pesquisas qualitativas conduzidas pela antropóloga Isabela Kalil, que é professora da FESPSP e coordenadora do Núcleo de Etnografia Urbana/Laboratório de Etnografia Digital (NEU/LED) e do Observatório da Extrema Direita (OED Brasil).

Os principais pontos abordados no webinar apontam na direção de que, com ou sem Bolsonaro, o bolsonarismo veio para ficar e será uma força política competitiva nas próximas eleições presidenciais. O presidente Lula, diante deste cenário, deverá enfrentar dificuldades, de acordo com os pesquisadores, para ampliar de maneira expressiva a sua aprovação como governante pela população brasileira – e assim aumentar seu potencial eleitoral nos próximos anos.

O debate também apontou a possibilidade de que o bolsonarismo possa assumir uma roupagem menos radical que a do ex-presidente Bolsonaro e seu núcleo familiar. Em caso de inelegibilidade de Bolsonaro, os governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais, já contam com importante simpatia do eleitorado de direita e despontam como nomes fortes para os próximos pleitos eleitorais.

As seguidas dificuldades e escândalos envolvendo Bolsonaro desde sua derrota – tais como seu afastamento voluntário do país, a depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, e o mais recente caso das joias sauditas – não trouxeram maiores prejuízos ao bolsonarismo.

Em um cenário de persistente polarização política, teses conspiratórias e mentirosas continuam fortes nas redes sociais dos bolsonaristas e afetam sua interpretação dos fatos. Não há indícios de que essa parcela da população brasileira, já habituada a consumir esses conteúdos, mudará de comportamento no curto prazo.

Para ter acesso integral às informações e assistir ao webinar na íntegra, acesse o link.

Sobre a Fundação FHC – A Fundação Fernando Henrique Cardoso é um think tank brasileiro apartidário e sem fins lucrativos, inaugurado em 2004, que têm um duplo propósito: produzir e disseminar conhecimento sobre os desafios do desenvolvimento e da democracia no país em sua relação com o mundo; e preservar e disponibilizar os arquivos de Ruth e Fernando Henrique Cardoso, além de outros familiares e amigos do casal, contribuindo, assim, com a documentação de parte da história da vida política e intelectual nacional.

Contatos para a Imprensa: imprensa@fundacaofhc.org.br, com Otávio Dias e Benedito Sverberi.

IHU-UNISINOS

https://www.ihu.unisinos.br/627228-com-ou-sem-bolsonaro-bolsonarismo-sera-competitivo-nas-eleicoes-de-2026