por NCSTPR | 20/03/23 | Ultimas Notícias
Pesquisa Quaest só confirma o que previu Nelson Rodrigues: “Quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá, jamais, o Brasil dos nossos dias”
por André Cintra
Na década de 1960, Nelson Rodrigues (1912-1980) dedicou algumas de suas crônicas no jornal O Globo para falar da “ascensão dos idiotas”. Segundo o autor de O Óbvio Ululante – que reuniu parte desses textos –, “o idiota é a grande e obsessiva figura do século XX”.
“Claro que os idiotas são de todos os tempos. Sempre existiram. Mas, no vasto passado humano, o idiota como tal se comportava”, escreveu Rodrigues na crônica Os Idiotas sem Modéstia. “E, de repente, tudo muda. Os idiotas perderam a modéstia, a humildade de vários milênios. Eles estão por toda parte. São os que mais berram (…). Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhore que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.”
Um gênio pode ter, sim, lances de idiotice, assim como há idiotas com um ou outro talento específico. Em 1887, o médico britânico John Langdon Down os classificou como idiot savant (idiotas sábios). Eram pessoas que, a despeito do QI baixíssimo, eram verdadeiros prodígios em habilidades como a resolução do cubo mágico.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo me disse, certa vez, que a economia brasileira estava dominada por idiots savants. Isso foi em 2008, antes da eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República. “Sabe o que é um idiot savant? É um cara que tem esquemas na cabeça”, explicou Belluzzo. “O Roberto Campos não tinha – ele fez uma tese sobre ciclos econômicos e tinha uma noção muito clara do capitalismo. O Mário Henrique Simonsen, não. Ele tinha esses esquemas ruins de macroeconomia – coisa que não funciona”.
Nelson Rodrigues não viveu o suficiente para ver a financeirização do capitalismo atingir uma escala global e profunda, que provocou essa nova “ascensão dos idiotas”. É a turma que, em nome da banca, ignora ameaças à democracia, o aumento da desigualdade ou o avanço da fome, porque, em seus esquemas, a única coisa que importa é a aplicação da cartilha ultraliberal na economia. Eis o esquema na cabeça!
Esses idiots savants do século 21 entraram no radar da Quaest, que os entrevistou de 10 a 13 de março para uma pesquisa contratada pela Genial Investimentos. O levantamento, batizado de “O que pensa o mercado financeiro”, ouviu 82 gestores, economistas, analistas e tomadores de decisão, que atuam em fundos de investimentos em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O resultado da sondagem surpreende menos pelas respostas em si – mas, como diria Caetano, “pelo fato de poder ter sempre estado oculto, quando terá sido o óbvio”. É improvável que haja um segmento menos previsível e mais homogêneo em todo o País. Alguns dados:
– 98% dizem que a política econômica está indo na direção errada sob o governo Lula;
– 94% acham que, nos próximos 12 meses, a economia ou vai piorar e ou vai ficar do mesmo jeito;
– 90% avaliam como negativa a relação do governo Lula com a diretoria do Banco Central;
– 92% afirmam que essa relação vai piorar ou ficar igual nos próximos seis meses;
– 95% concordam com a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75%;
– 90% declaram que a política fiscal do governo não vai gerar a sustentabilidade da dívida pública;
– 90% reprovam o governo Lula;
– 94% dizem confiar pouco ou nada em Lula como líder político.
Não era preciso investir numa pesquisa desse porte para detectar que o mercado está contra Lula – e, no limite, contra o Brasil. Para além de definições como “bons” ou “maus”, idiots savants encarnam um tipo de gente amoral, alheia à realidade, absolutamente insensível à destruição do País nos últimos anos. Com um pensamento tão unilateral quanto óbvio, destacam-se, no entanto, como executivos do rentismo.
Nelson Rodrigues talvez esteja errado. A vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2022, na contramão do mercado, mostra que a emergência dos idiotas tem limites. Ainda assim, a pesquisa Quaest só confirma o que previu o dramaturgo: “Quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá, jamais, o Brasil dos nossos dias”. E pior: “Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores”. A grande mídia, porta-voz cada vez menos enrustida do mercado, que o diga.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/03/17/o-mercado-contra-lula-dados-da-nova-ascensao-dos-idiotas/
por NCSTPR | 20/03/23 | Ultimas Notícias
RUDOLFO LAGO
Pegue estudos incompletos e de fontes pouco confiáveis. Se necessário, ainda distorça as suas conclusões. Ignore retificações. Tempere suas declarações com termos técnicos que pareçam dar legitimidade ao que está sendo dito. Finalmente, arregimente uma multidão de pessoas nas redes sociais para compartilhar o que está sendo dito. A partir dessa receita, parlamentares negacionistas aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiram vencer a batalha digital durante a CPI da Covid, em 2021.
É a conclusão a que chega o estúdio de inteligência Lagom Data, no estudo “Evidências em Debate”, financiado pelo Instituto Serrapilheira, ao qual o Congresso em Foco teve acesso. O estudo mostra que, mesmo tendo durado seis meses, levado uma série de autoridades e pesquisadores para depor, com suas sessões assistidas por milhares de pessoas, culminando com graves denúncias, imputação de diversos crimes e indiciamentos, a CPI passou longe do embasamento científico.
A CPI teve amplo domínio dos parlamentares que faziam oposição ao governo Bolsonaro. Foi proposta pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que se tornou seu vice-presidente. Foi presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM). Seu relator foi Renan Calheiros (MDB-AL). E destacaram-se nomes como Otto Alencar (PSD-BA). A formação de uma bancada informal de mulheres (já que oficialmente não havia mulheres na composição da comissão) destacou também Simone Tebet (MDB-MS) e Soraya Thronicke (União Brasil-MS). Todos nomes de oposição. Apesar disso, porém, o estudo mostra que foi a tropa de choque governista que ganhou os debates nas redes sociais. E, por incrível que pareça, foi o discurso negacionista da tropa de choque o que mais citou artigos científicos e pesquisadores.
Mais correto seria classificar como estudos pseudocientíficos. Estudos falhos, contestados, de fontes duvidosas. Mas que, embalados por um discurso recheado de termos técnicos para lhe garantir um véu de credibilidade, ganhavam as redes sociais turbinados pela militância bolsonarista.
“Praticamente só os estudos falhos foram debatidos, passando ao largo de quase toda a melhor produção científica sobre a Covid já feita no Brasil”, lamenta Marcelo Soares, editor do relatório e diretor da Lagom Data.
“Com o apoio de um grupo de Whatsapp de médicos governistas, a “tropa de choque” governista metralhou a comissão com referências enviesadas de estudos, vocabulário científico fora de contexto e demandas de credenciais, tudo usado como argumento de autoridade. Esse tipo de argumentação é um clássico usado pelos ‘mercadores da dúvida’ para confundir o ambiente de informação”, diz o texto.
O estudo observa que cientistas convidados para depor na CPI para reforçar as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre os riscos da pandemia, a necessidade de uso de máscaras e das vacinas, que refutaram a eficácia do chamado “tratamento precoce” com o uso de cloroquina e outros remédios foram mais “didáticos” em seus depoimentos, fazendo menos citações de estudos e textos científicos. “Do lado governista, havia um grupo que municiava depoentes e senadores com vocabulário e referências que, apresentadas como argumento de autoridade, corroborariam as ações tomadas. Do lado da ciência, faltou esse tipo de mobilização”, constata o estudo.
Três milhões de palavras
Foram três milhões de palavras ditas em 91 mil falas ininterruptas durante 69 sessões. O estudo constatou que, embora a ampla maioria dos parlamentares envolvidos não tivesse alinhamento com o governo, o mesmo não se deu com relação aos depoimentos. Houve mais depoentes bolsonaristas que não alinhados ao governo.

E esse foi o ponto inicial a partir do qual as sessões eram ilustradas com citações científicas, que eram fornecidas por um grupo de médicos e técnicos negacionistas, que forneciam o material a partir de um grupo de whatsapp.
O resultado é que “referências científicas” eram mais citadas pelos bolsonaristas.

O negacionismo de Heinze
E o senador que mais fez citações “científicas” foi Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que nem titular da CPI era, mas suplente. Mas Heinze seguiu à risca a cartilha que os professores Daniel Duarte, da Universidade de São Paulo (USP), e Pedro Benetti, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) apontam para a construção do discurso negacionista: “a identificação de conspirações; o uso de falsos experts; a seletividade ou ênfase em pesquisas que contrariam o consenso científico; a criação de expectativas impossíveis para as pesquisas, e o uso de falácias lógicas e deturpações”.
Das 110 referências científicas feitas durante a CPI, 42 (39,3%) vieram de Heinze. Ao final da CPI, Heinze apresentou um relatório paralelo para defender o governo citando dezenas de estudos. A maioria eram o que o jargão científico chama de “preprints”, não passaram pela revisão de outros pares científicos.
Heinze citou com frequência, por exemplo, um estudo do médico francês Didier Raoult que evidenciaria a eficácia da cloroquina a partir do acompanhamento de 42 pacientes. O senador gaúcho ignorava, porém, que o próprio Raoult mais tarde admitiria que seu estudo tinha falhas e se retratou dos resultados.
Mia Khalifa
Heinze chegou a citar como verdadeiro um meme da internet, onde uma moça de óculos era identificada como uma médica brasileira responsável por estudos favoráveis ao uso da cloroquina. Na verdade, tratava-se da ex-atriz pornô libanesa Mia Khalifa. Quando constatou o equívoco, Heinze disse que se tratava de uma estratégia para difamar o medicamento.
Mas a principal estratégia de Heinze era metralhar as sessões com referências de difícil verificação. Em uma das falas , citou a pesquisa de “um moço, brasileiro”. Em outra fala, disse ter acesso a 284 pesquisas positivas sobre os efeitos da hidroxicloroquina e 137 sobre a ivermectina. Em outras sessões , Heinze perguntava aos convocados qual era o seu índice H – métrica utilizada para quantificar a o impacto de cientistas a partir de seus artigos mais citados”
Segundo o estudo, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) também adotou estratégia semelhante. O resultado disso é que os parlamentares conseguiam assim fazer reverberar nas redes sociais, especialmente nos grupos bolsonaristas, a psdeudociência que muito contribuiu para agravar a pandemia no Brasil. No Brasil, a covid-19 matou mais de 700 mil pessoas.
Veja abaixo a íntegra do estudo:
RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.
https://congressoemfoco.uol.com.br/projeto-bula/reportagem/estudo-mostra-como-a-pseudociencia-venceu-a-ciencia-na-cpi-da-covid/
por NCSTPR | 20/03/23 | Ultimas Notícias
BRUNA SOUZA
O presidente da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP), defende o novo programa do governo que planeja vender passagem aérea mais barata para estudantes, servidores e aposentados, desde que o processo seja realizado sem subsídio do governo.
“Eu acho que o projeto tem que envolver uma política ampla para o setor aéreo, não subsídios do governo para essa questão, até porque ao fazer isso, quem não usa vai estar pagando”, disse o deputado ao Congresso em Foco.
Na terça-feira (14), foi realizado o lançamento da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, no qual o projeto foi comentado pelo Ministro Márcio França, que apontou o apoio das empresas aéreas ao novo programa. Segundo o deputado Pau
“As companhias aéreas já aceitaram participar, a Gol e Azul tinham aceito e ontem ele (Ministro Márcio França) falou do interesse manifestado pela Latam de participar. Então, pelas informações, esse programa deve ser lançado neste semestre, o primeiro semestre, e que ele possa entrar em funcionamento no segundo”, apontou.
Para o parlamentar, o programa “tem que ser feito para reduzir e democratizar o acesso”, visto que as passagens aéreas hoje estão com tarifas bastante altas, o que dificulta que boa parte da população usufrua do serviço.
“Hoje, algumas empresas já oferecem alguns trechos nesse patamar de valor de R$200. Então não é algo impossível de ser feito, cabe ao governo colocar todos a mesa, agregar, organizar e executar. E obviamente no que tange a sua responsabilidade, poder promover os incentivos que são relevantes, que são importantes para o setor aéreo”, afirmou Paulo Alexandre.
Apesar do anúncio, o programa não foi oficializado e ainda não há um consenso entre o governo e as companhias aéreas, o que rendeu uma bronca pública do presidente Lula (PT) sobre “não querer propostas de ministros e sim de governo”. As companhias abertas demonstraram disposição para o diálogo, mas ainda há um longo caminho a percorrer antes de implementar o programa.
Passagens a R$ 200: o que se sabe sobre o plano do governo
BRUNA SOUZA Estagiária. Graduanda em Jornalismo na Universidade de Brasília, trabalhou no Correio Braziliense, na Agência Nacional de Aviação Civil e no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 20/03/23 | Ultimas Notícias
EDSON SARDINHA
O presidente Lula vai lançar na próxima segunda-feira (20), no Palácio do Planalto, a nova versão do programa “Mais Médicos“, que passará a se chamar “Mais Saúde para o Brasil”. De acordo com o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, o atendimento será ampliado para profissionais como enfermeiros, assistentes sociais e cirurgião dentista, entre outros. A iniciativa é voltada principalmente para municípios que têm dificuldade de atrair médicos.
Em publicação nas redes sociais neste sábado, Pimenta disse que o “Mais Saúde para o Brasil”, diferentemente do “Mais Médicos”, priorizará a contratação de brasileiros. O antigo programa, lançado pela ex-presidente Dilma Rousseff, causou grande atrito entre a categoria e o governo, com desgaste inclusive eleitoral para o PT, ao incentivar a vinda de médicos estrangeiros, sobretudo cubanos.
Segundo Pimenta, o novo programa também prevê investimentos para construção e reformas de unidades básicas de saúde (UBSs) e incentivo para a permanência de profissionais em municípios.
Em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro extinguiu o “Mais Médicos” e lançou o “Médicos pelo Brasil”, que, diferentemente do seu antecessor, só aceitava profissionais com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) brasileiro. O programa do governo Bolsonaro também exigia formação em Medicina de Família nos primeiros dois anos de adesão. Para entrar no projeto, o profissional tinha de passar por um processo seletivo feito com critérios técnicos. Esses pontos também o diferenciavam do “Mais Médicos”.
EDSON SARDINHA Diretor de redação. Formado em Jornalismo pela UFG, foi assessor de imprensa do governo de Goiás. É um dos autores da série de reportagens sobre a farra das passagens, vencedora do prêmio Embratel de Jornalismo Investigativo em 2009. Ganhou duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog. Está no site desde sua criação, em 2004.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 20/03/23 | Ultimas Notícias
CONGRESSO EM FOCO
Pesquisa Ipec divulgada neste domingo (19) pelo jornal O Globo revela que o presidente Lula começou o seu terceiro mandato com avaliação superior à alcançada, no mesmo período, pelo seu antecessor, Jair Bolsonaro, mas inferior à atingida por ele à mesma altura de suas duas primeiras gestões.
Segundo o Ipec, 41% dos brasileiros consideram a administração de Lula boa ou ótima. Outros 24% dizem que ela é ruim ou péssima, enquanto 30% consideram o início do governo regular. O instituto é comandado por ex-diretores do Ibope.
Em março de 2019, Bolsonaro era avaliado positivamente por 34% da população, sete pontos percentuais a menos do que Lula. Outros 24% reprovavam o então presidente. O melhor momento de Bolsonaro foi em seu primeiro mês de mandato, em janeiro de 2019, quando tinha a aprovação de 49%.
Depois disso, o máximo que atingiu foi o patamar de 40% de avaliações positivas, em setembro de 2020, fruto direto do auxílio emergencial pago na pandemia.
Em março de 2003, no início de seu primeiro mandato, Lula alcançou 51% de ótimo e bom. A reprovação, na ocasião, era de apenas 7%. No terceiro mês de seu segundo governo, em 2007, o petista tinha a aprovação de 49% da população, contra 16% que o achavam ruim ou péssimo.
A CEO do Ipec, Márcia Cavallari, disse ao jornal carioca que o patamar de avaliações positivas de Lula pode ser considerado satisfatório, sobretudo quando se observa o percentual dos que consideram a atual gestão regular. Dentre os 30% que têm essa percepção, metade diz aprovar a maneira como Lula governa, enquanto 37% não concordam com os métodos do petista.
“A pesquisa mostra que a polarização política continua. Considerando esse cenário, que é distinto do que o Lula encontrou nos outros mandatos, ele começa num bom patamar”, disse Márcio. “Os segmentos que aprovam o governo são os mesmos nos quais Lula tinha uma intenção de voto maior: as pessoas que estudaram só até o ensino fundamental, os moradores do Nordeste, aqueles com renda de até um salário mínimo por mês e os católicos”, acrescentou.
Entre os que declararam ao instituto ter votado em Jair Bolsonaro em outubro de 2022, 36% avaliam agora a gestão do petista como regular, e 54% a reprovam. Já entre os que votaram em Lula, 77% veem o governo como bom ou ótimo, e 22% o classificam como regular.
A maior aprovação a Lula vem do Norte (53%). O Centro-Oeste e o Norte são as regiões em que ele tem pior avaliação: 31% reprovam a atual administração. No Sudeste, 36% consideram positivo o atual governo, ante 26% que o avaliam negativamente.
Ainda de acordo com o Ipec, 57% dos brasileiros aprovam o modo de governar do presidente. Outros 35% não concordam com o jeito como Lula administra o país. Ao deixar a Presidência, Bolsonaro tinha a maneira de governar aprovada por 46%, e 50% discordavam de seus métodos de gestão.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 20/03/23 | Ultimas Notícias
CAIO MATOS
Criado em 2017 pela Lei 13.415, o Novo Ensino Médio (NEM) foi alvo de inúmeros protestos e mobilizações nesta semana por todo o país. As novas diretrizes de ensino são criticadas, principalmente, por não levarem em conta a situação das escolas públicas brasileiras, o que amplia as disparidades entre o ensino público e o privado, além de prejudicar o acesso dos alunos ao ensino superior.
Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz afirma que é preciso abrir “novos diálogos” para se definir o futuro do ensino médio, mais alinhado aos interesses e realidade dos estudantes e do corpo docente. “O Novo Ensino Médio não está conectado ao século 21 e traz um aumento na desigualdade entre público e privado. Oferece um ensino técnico para os mais pobres e mais científico para os mais ricos”, afirmou Bruna ao Congresso em Foco.
Um dos principais pontos do NEM é a flexibilização do que o estudante aprende na escola, formado por uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — onde os alunos estudam matérias básicas como Português e Matemática — que é complementada por um itinerário composto por outras disciplinas com ênfases em áreas de linguagem, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico. No entanto, a oferta dessas outras matérias depende da disponibilidade de cada escola, o que exige recursos e equipe.
“O NEM não prepara o aluno para entrar no ensino superior. Os estudantes têm dificuldade para acessar o itinerário completo. Às vezes, tem que mudar de escola, mudar de bairro, para conseguir estudar o que precisa. Os professores dentro desse NEM também tem um trabalho cada vez mais precarizado”, reforçou a presidente da UNE.
A reforma do ensino médio não veio acompanhada por uma mudança na maneira que os estudantes são avaliados para entrar no ensino superior, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares, que continuam apresentando questões multidisciplinares e de diversos assuntos, ao contrário do que é disponibilizado pelo NEM.
Na avaliação de Bruna, esse é um dos pontos mais urgentes que precisam ser revistos nas novas diretrizes. A entidade estudantil também defende a revogação completa do NEM, para então um novo modelo ser construído conjuntamente entre governo, alunos e profissionais.
O Ministério da Educação (MEC) abriu na semana passada uma consulta pública válida por 90 dias para avaliar e reestruturar a política nacional de ensino médio. A abertura do processo sinaliza que o governo pretende fazer um aperfeiçoamento no NEM, ao invés de seguir para uma revogação completa, como defende a UNE.
Com a consulta, o MEC espera dialogar com a sociedade civil, a comunidade escolar, os profissionais do magistério, as equipes técnicas dos sistemas de ensino, os estudantes, os pesquisadores e os especialistas do campo da educação para tomar decisões quanto ao futuro do NEM.
“Eu acho que tem condições da gente fazer uma boa conversa com o MEC. Nesse primeiro ano, o foco é diminuir algumas crises que acontecem nas escolas”, destacou Bruna. “A gente deve resolver as pautas emergenciais e dar esse próximo passo para construir a viabilidade de revogação. Essa deve ser uma pauta nossa para que o MEC entenda que a reforma da reforma não vai resolver o problema”, concluiu.
Em nota, o MEC afirmou que qualquer tomada de decisão e reavaliação quanto ao Novo Ensino Médio terá como base o “diálogo amplo e democrático” e que a prioridade é a oferta de um “ensino médio público de qualidade”. O ministério reforçou o papel da consulta pública aberta na semana passada, destacando o objetivo de “ampliar e qualificar o debate público”.
O ministério também informou que editará uma portaria para recompor o Fundo Nacional da Educação (FNE), reintegrando as entidades e movimentos populares nos processos de discussão, inclusive no que envolve o NEM.
“O MEC segue aberto ao debate com estudantes, comunidade escolar, profissionais do magistério, equipes técnicas dos sistemas de ensino, pesquisadores, especialistas do campo da educação e toda a sociedade”, destacou o ministério.
CAIO MATOS Repórter. Formado em jornalismo pela Universidade Paulista (Unip). Trabalhou na Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) e nas assessorias de comunicação da Casa Civil da Presidência da República e da Codeplan.
CONGRESSO EM FOCO