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Analistas projetam inflação de 5,65% para este ano

Analistas projetam inflação de 5,65% para este ano

É a oitava vez consecutiva em que as projeções do IPCA são elevadas, segundo as estimativas que constam do Boletim Focus, do Banco Central.

 

por Luciano Nascimento

 

O mercado financeiro aumentou novamente a previsão de inflação para este ano. Segundo projeção do Boletim Focus, divulgado hoje (2) pelo Banco Central, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 5,65%. É a oitava vez consecutiva que o mercado projeta uma elevação no IPCA. Há uma semana, a projeção do mercado era de que a inflação este ano ficasse em 5,6%. Há quatro semanas, a previsão era de 5,44%.

Divulgado semanalmente, o Boletim Focus reúne a projeção de mais de 100 instituições do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Há algumas semanas as estimativas do mercado já estavam apontando para uma inflação este ano acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3,5%, com variação de 1,5 ponto percentual.

Em fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) também mostrou em ata que suas projeções para a inflação estavam acima da meta.

“As projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,4% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 12% a.a. no primeiro semestre de 2022, termina o ano em 11,75% a.a”, diz a ata do Copom.

Para 2023, o mercado manteve a meta da semana passada em relação à evolução do IPCA. Com isso, a projeção desta semana aponta uma inflação de 3,51%. Há quatro semanas, a projeção era de uma inflação de 3,5% no próximo ano.

Para 2024, o mercado também manteve a projeção da semana passada de 3,1%.

PIB

Na projeção dessa semana, o Focus também elevou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) registrada há sete dias. A nova projeção é de PIB de 0,42%, em 2022, ante o 0,3% previsto na semana passada. A elevação ocorre após a divulgação do PIB de 2021, que foi de 4,6%.

Para 2023, o boletim Focus também registrou a mesma expectativa de PIB da semana passada, de 1,5%. Há quatro semanas, a previsão era de que o PIB crescesse 1,53%. Para 2024, ficou estável, em 2%.

Taxa de juros e câmbio

O mercado manteve a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, para 2022. Na projeção divulgada nesta segunda-feira, a Selic deve ficar em 12,25%. Há quatro semanas, a projeção era de que os juros ficassem em 11,75%.

Em fevereiro, além de estimar uma inflação acima da meta, o Copom também aumentou a taxa de juros de 9,25% para 10,75% ao ano. Em comunicado, o comitê indicou que continuará a elevar os juros básicos até que a inflação esteja controlada no médio prazo.

Para o fim de 2023, a estimativa do mercado é que a taxa básica fique em 8,5% ao ano, ante os 8% da semana passada. E para 2024, a previsão também aumentou, passando de 7,25% na semana anterior para 7,38% ao ano.

A expectativa do mercado para a cotação do dólar em 2022 ficou em R$ 5,40, uma redução em relação ao projetado na semana passada, quando o mercado previa um câmbio R$ 5,50. Para o próximo ano, a previsão do mercado também diminuiu, passando de R$ 5,31 para R$ 5,30. Para 2024, a estimativa para a cotação da moeda americana ficou em R$ 5,30, mesmo valor projetado na semana passada.

Fonte: Portal da Agência Brasil

Disponível em: https://vermelho.org.br/2022/03/07/analistas-projetam-inflacao-de-565-para-este-ano/

Analistas projetam inflação de 5,65% para este ano

Confira passo a passo para baixar o programa do Imposto de Renda 2022

O prazo para entregar o Imposto de Renda em 2022 está mais apertado e termina às 23h59 de 29 de abril. Download do programa já está disponível

 

Correio Braziliense

 

A maratona do Imposto de Renda 2022 começou. A Receita Federal começou a disponibilizar, na manhã desta segunda-feira (7/3), o Programa Gerador da Declaração (PGD) que marca o início do período para declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). Desta vez, o prazo está mais apertado e termina às 23h59 de 29 de abril. Segundo especialistas, a antecedência é crucial para evitar erros e a temida malha fina. A expectativa da Receita é de que 34,1 milhões de declarações sejam enviadas — desse total, estima-se que 60% terão valores a restituir.

Devem prestar contas à Receita aqueles que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2021, ou cerca de R$ 2.380 por mês, incluindo salários, aposentadorias, pensões e aluguéis; quem recebeu rendimento isento, não tributável ou tributado exclusivamente na fonte acima de R$ 40 mil (isso inclui o FGTS, seguro-desemprego, doações, heranças e PLR); e quem teve ganho de capital vendendo bens ou direitos sujeitos a pagamento do IR.

Além disso, quem realizou operações na Bolsa de Valores, possuía bens ou direitos acima de R$ 300 mil na data de 31 de dezembro de 2021 ou teve receita de atividade rural acima de R$ 142.798,50 também deverá comunicar o Leão.

Como baixar o programa

Para baixar o programa gerador do Imposto de Renda é bem simples. O download pode ser feito no site da Receita;

Após acessar a página da Receita, o contribuinte deve clicar em Meu Imposto de Renda;

Nesta página, clique em baixar programa.

Também é possível fazer a declaração do IR 2022 por meio de dispositivos móveis (tablets e smartphones) com o aplicativo “Meu Imposto de Renda”. O download do aplicativo pode ser feito nas lojas Google Play, para o sistema operacional Android, ou App Store, para o sistema operacional iOS.

Cronograma de Restituição do Imposto de Renda 2022

A restituição será realizada em 5 lotes, entre maio a setembro de 2022.

  • 1º lote – 31 de maio
  • 2º lote – 30 de junho
  • 3º lote – 29 de julho
  • 4º lote – 31 de agosto
  • 5º lote – 30 de setembro

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/03/4990991-confira-passo-a-passo-para-baixar-o-programa-do-imposto-de-renda-2022.html

Analistas projetam inflação de 5,65% para este ano

Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Dia Internacional da Mulher é hoje uma data marcada por protestos que pedem igualdade de gênero

Muitas pessoas consideram o 8 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativas, ela não foi criada pelo comércio – e tem raízes históricas mais profundas e sérias.

Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20.

Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo – aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

Elas começaram uma campanha dentro do movimento socialista para exigir seus direitos – as condições de trabalho delas eram ainda piores que as dos homens à época.

A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (naa maioria, judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

No entanto, há registros anteriores a esse episódio que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores.

As origens dos Dia Internacional da Mulher

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York.

Marcha das mulheres na Rússia em 1917Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem ao Dia Internacional da Mulher

Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho – na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher” americano.

Enquanto isso, também crescia na Europa o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações.

“Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres”, explicou à BBC News Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

“A situação da mulher era muito diferente e pior que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época”, disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres.

A proposta de Zetkin, segundo os registros que se tem hoje, era de uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.

Protestos das sufragistas pelo direito de votar nos Estados Unidos em 1913Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEm 1913, as mulheres já protestavam pelo direito de votar nos Estados Unidos; nessa época, eram frequentes os protestos também por melhores condições de trabalho

Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.

O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo – 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heróica e trabalhadora”.

Data foi oficializada em 1975

O chamado Dia Internacional da Mulher só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de Ano Internacional da Mulher para lembrar suas conquistas políticas e sociais.

“Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres”, pontuou Eva Blay.

“Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental.”

Marcha das mulheres para celebrar o Dia da Mulher em LondresDireito de imagemEPA
Image captionCartaz em Londres dizendo ‘O futuro é feminino’: mulheres de todo o mundo fazem marchas e protestos por direitos iguais na semana do 8 de Março

No mundo inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto “comercial” em muitos lugares.

O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia, onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião.

Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de Março, conforme é recomendado pelo governo – mas nem todas as empresas seguem essa prática.

Já nos Estados Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.

No Brasil, a data também é marcada por protestos nas principais cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher.

“Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial”, observou Blay.

Segundo ela, mesmo passadas décadas de protestos das mulheres e de celebração do 8 de Março, a evolução ainda foi muito pequena.

“Acho que o que evoluiu é que hoje a gente consegue falar sobre os problemas. Antes, se escondia isso. Tudo ficava entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram mais aceitos, hoje não.”

 

BBC News

https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/08/dia-internacional-da-mulher-a-origem-operaria-do-8-de-marco.ghtml

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A revisão da “vida toda” para aposentadorias concedidas até 2019

OPINIÃO

Por 

 

No último dia 25 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal definiu, por maioria (seis votos favoráveis contra cinco votos contrários), que é cabível a revisão dos valores das aposentadorias concedidas pelo INSS entre novembro de 1999 e novembro de 2019.

O Tema 1.102, de repercussão geral, será aplicado em processos por todo o país, de forma que os aposentados podem conseguir na Justiça a revisão dos valores de suas aposentadorias para buscar uma renda maior.

A revisão da vida toda é uma ação judicial por meio da qual os aposentados requerem que o valor da aposentadoria seja recalculado para considerar a média de todas as contribuições que verteram ao INSS desde o início da sua vida profissional e não apenas aquelas realizadas a partir de julho de 1994 (Plano Real), visando majorar o valor do benefício. Ou seja, ela é viável apenas quando o aposentado tiver direito a um benefício melhor.

Assim, os aposentados que contribuíram com o INSS por vários anos antes de 1994 podem vir a ter alterações significativas do valor das suas aposentadorias, chegando a dobrar esse valor em vários casos.

O que se busca na ação de revisão da vida toda é a aplicação da regra de cálculo trazida pela Lei nº 8.213/91 que foi alterada pela Lei nº 9.876/99, e considerava 80% da média das maiores contribuições vertidas pelo segurado ao INSS durante todo o seu período contributivo para o cálculo da aposentadoria.

A mesma norma trouxe uma regra de transição para quem já contribuía com a Previdência Social e estavam inscritos até 29 de novembro de1999. A aposentadoria deveria ser calculada considerando as contribuições a partir da competência de julho de 1994 (Plano Real).

A revisão da vida toda defende que a regra de transição não pode impor ao segurado que possui mais contribuições pretéritas a esta data e, por vezes em valor mais elevado que as vertidas após julho de 1994, uma situação pior do que a regra nova. Assim, a ação visa incluir no cálculo da aposentadoria todo o período de contribuição do aposentado.

Neste cenário, temos que o STF se posicionou a favor dos segurados nesta tese, ao contrário do que ocorreu no passado com o julgamento da chamada “desaposentação”. Naquela ocasião, havia a desistência da aposentadoria até então recebida e a concessão de um novo benefício. Na revisão da vida toda, permanece o mesmo benefício e o seu valor é apenas revisto e recalculado, quando mais benéfico ao aposentado.

Considerando que a matéria está sendo julgada no Plenário Virtual do STF, os ministros ainda podem realizar pedidos de destaque (embora não seja comum), o que poderia alterar o resultado do julgamento até o dia 9 de março deste mês.

 

 é sócia da área Trabalhista e Previdenciário do FAS Advogados.

Revista Consultor Jurídico
https://www.conjur.com.br/2022-mar-08/valenca-revisao-aposentadorias-concedidas-2019

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Decisões contra ‘lava jato’ servem como lição para a Justiça, diz Zanin

LEGADO NEFASTO

 

O reconhecimento de que agentes públicos agiram com parcialidade na condução da “lava jato” deve ser um ponto de partida para uma reflexão sobre o uso ilegítimo da Justiça, assim como pode servir para o aprimoramento dos órgãos de controle do Poder Judiciário.

Para Zanin, decisões contra a ‘lava jato’ podem ajudar no aprimoramento da Justiça
Reprodução

A avaliação é do advogado Cristiano Zanin, que na última quarta-feira (2/3) obteve no Supremo Tribunal Federal a suspensão, por indícios de suspeição e incompetência de dois procuradores da República, do último processo penal que tramitava contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Zanin, decisões como a da semana passada, além da declaração de suspeição do ex-juiz Sergio Moro, feita pelo STF no ano passado, deveriam servir de lição e podem também inspirar mudanças no controle da magistratura e do Ministério Público.

“Esse conjunto de decisões tomadas no passado mais recente deve servir como uma espécie de alerta e como lição para que a Justiça não mais seja utilizada para a obtenção de fins ilegítimos, sejam eles de natureza política, geopolítica ou comercial, tal como vimos acontecendo na ‘lava jato’ por meio da prática do lawfare. Nós temos de proteger a imagem da Justiça brasileira”, disse Zanin.

“É possível, a partir dessa experiência muito ruim para o Estado de Direito, que possamos também aprimorar alguns mecanismos de defesa. Não estou, de forma alguma, dizendo que não deve haver o combate à criminalidade ou o combate à corrupção, e tampouco que membros do Ministério Público e da magistratura tenham de ser tolhidos em suas iniciativas”, observou o advogado, durante entrevista ao canal de YouTube da Revista Fórum.

Zanin falou também sobre a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski no processo sobre supostas irregularidades na compra de caças suecos para a Aeronáutica, na época em que Lula era presidente.

“Nós mostramos ao Supremo que esse processo estava dentro daquele contexto que a ‘lava jato’ havia programado para mover inúmeras ações contra o ex-presidente Lula a fim de prejudicar sua reputação e também para deixar seus advogados sem tempo para defendê-lo. Os procuradores que fizeram a ação sabiam que o ex-presidente não havia praticado qualquer ilícito”, disse ele.

Zanin avaliou a atuação do ex-juiz e pré-candidato à Presidência Sergio Moro, que tem criticado o entendimento do STF em relação à “lava jato”, enquanto afirma também que suas decisões contra Lula foram confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

“O então juiz Sergio Moro conduziu todo o processo. Então, aquilo que chegou às instâncias superiores é um material produzido pelo próprio Moro, é um material que foi deturpado pela sua parcialidade e foi reconhecido de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal”.

Sobre a relação da imprensa com os protagonistas da “lava jato”, o advogado considera ter lutado contra o poder da “propaganda” feita pela mídia a favor da “força-tarefa”.

“A ‘lava jato’ se desenvolveu também graças a uma enorme propaganda que foi feita por parta da imprensa brasileira, que tomava todas as afirmações como se verdadeiras fossem, deixando de exercer o papel crítico e de fiscalização do poder”, avaliou Zanin.

 

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“Não Olhe Para Cima”. Olhe para o lado

“O realismo capitalista brasileiro consegue ser tão aterrorizante quanto o novo filme da Netflix. Precisamos nos organizar, olhar para o lado e enfrentar, como ensina Mark Fisher e Ailton Krenak, a narrativa imobilizante do fim do mundo”, diz Mariana Bastos em artigo publicado pela Revista Jacobin.

 

por Mariana Bastos

 

“É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”
– Mark Fisher

Fiquei com essa frase na cabeça durante as longas 2h25min que gastei assistindo na Netflix a nova sensação do momento, o filme Não Olhe Para Cima, e sair com uma angústia horrorosa que tirou meu sono a noite. Não fui a única. Depois notei que no Twitter proliferam relatos de que o filme serviu de gatilho para crises de ansiedade em muita gente. Fiquei me perguntando exatamente onde estava a comédia. Não consegui rir de absolutamente nada. Até poderia ser cômico… se não fosse um espelho – glamouroso e suavizado – da nossa trágica realidade. Quão descolada da realidade ou privilegiada eu teria de ser para conseguir rir do desespero diante do negacionismo?

Fiquei pensando na montanha de dinheiro gasta para reunir um elenco estelar, para escrever um roteiro que parece meticulosamente produzido com o auxílio de Big Data e no fim das contas sairmos com uma profunda sensação de imobilismo, de apatia, de que não há absolutamente nada a ser feito diante da estupidez de uma minoria de bilionários e políticos poderosíssimos que nos conduzem ao apocalipse.

 

Fiquei pensando por que raios me dispus a assistir a um filme que se gaba de ser “baseado em eventos realmente possíveis”, quando a realidade denunciada nos telejornais de forma crua e bem menos glamourosa já nos ativa inúmeros gatilhos de desesperança, tristeza e angústia?

Foi então que me lembrei da crise de ansiedade bem similar que experimentei quando acompanhamos uma tenebrosa reunião ministerial conduzida no início da pandemia com Ricardo Salles falando em aproveitar a oportunidade para passar a boiada, Paulo Guedes reconhecendo a admiração por um ministro de Hitler e Bolsonaro demonstrando que sua prioridade não era enfrentar a pandemia, mas armar a população.

Ao lembrar disso, pensei que não há ficção que dê conta de retratar a gravidade do momento. Até os vilões do filme me parecem menos perversos do que os poderosos da nossa dura realidade. Por mais boa atriz que Meryll Streep seja, ela não conseguiu imprimir o terror diário imposto nos jornais por esses agentes do caos que são os líderes de extrema direita. As palavras da presidente ficcional são fichinha perto da perversidade que a gente tem que aguentar diariamente nas telas de TV e dos smartphones. (Aliás, é no mínimo curiosa a escolha do diretor por uma mulher na presidência, assim como ocorreu na série Years and Years. As mulheres também podem ser umas escrotas negacionistas e perversas, mas houve claras demonstrações de que as chefes de Estado conduziram seus países bem melhor do que seus pares masculinos durante a pandemia. E bem,todos os líderes eleitos de extrema direita no mundo são homens).

 

Até o bilionário do filme parece menos abjeto e imbecil do que o bilionário brasileiro, que autorizou o emprego de tratamentos comprovadamente ineficazes na própria mãe só para provar seu negacionismo – e vê-la falecer. É como se a realidade fosse uma caricatura da ficção. Eu deveria rir disso?

Até o cometa parece uma metáfora suavizada do fim do mundo. Se estivéssemos sob a ameaça de choque de algum cometa, haveria alguma justiça no fato de todos serem atingidos ao mesmo tempo, enquanto que no colapso ambiental quem enfrenta o fim do mundo primeiro é quem tem menos grana, vide as principais vitimas das enchentes no sul da Bahia. (Aliás, seria muito interessante comparar o engajamento proporcionado pelo filme nas redes sociais com o engajamento promovido pelos pedidos desesperados por socorro da população baiana, vítima direta da colapso ambiental que o filme diz denunciar).

Realismo capitalista brasileiro

 

Seria Hollywood capaz de empregar uma montanha de dinheiro similar em uma narrativa em que o poder popular se insurgisse coletivamente contra essa minoria que nos leva ao colapso e instituísse uma nova ordem política, social, ambiental e econômica mais justa que nos salvasse do cometa no filme e da crise climática na vida real? Provavelmente muitos dirão que não usando uma pretensa verossimilhança como argumento, justamente porque, com a nossa imaginação amputada pela mentalidade neoliberal, é muito mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo.

É sobre isso que discorre Mark Fisher em seu livro Realismo Capitalista, escrito em 2009. O filósofo britânico usa esse termo para descrever um tipo de ideologia que propaga a sensação generalizada de que não apenas o capitalismo é o único sistema político-econômico viável, como também é impossível imaginar uma alternativa coerente a ele. Na obra, o filósofo britânico cunhou inclusive o termo “impotência reflexiva”, que serve bem para descrever a sensação de apatia coletiva retratada no filme diante de um apocalipse iminente. Trata-se de um fenômeno no qual as pessoas até reconhecem a incapacidade do capitalismo de lidar com os graves problemas sistêmicos que enfrentamos, mesmo assim são incapazes de imaginar mudanças drásticas, apostando apenas em reformar o sistema. Segundo Fisher, essa inação leva a uma profecia autorrealizável, assim como a uma deterioração da saúde mental.

No Brasil, um país que ao longo das últimas décadas tem sido colonizado pelo soft power de Hollywood, o realismo capitalista tem sido especialmente eficiente em criar um espantalho comunista que é evocado sempre que a direita e a extrema direita querem abocanhar o poder. Em recente pesquisa, o Datafolha perguntou sobre o medo da população em relação a uma fantasiosa ameaça comunista após a próxima eleição. 44% dos entrevistados disseram que temem que isso aconteça, mas eu duvido muito que, antes de serem questionados sobre isso, uma parcela grande tenha tido alguma reflexão mais profunda a esse respeito. Curiosamente, o mesmo instituto não se deu ao trabalho de perguntar se a população brasileira teme que o Estado seja amplamente dominado pela milícia, uma realidade bem mais palpável.

 

Capitalizando o anticapitalismo

Ainda de acordo com Fisher, o realismo capitalista capturou tanto o pensamento da população que a ideia de anticapitalismo não atua mais como antítese do capitalismo. Em vez disso, é propagado como forma de reforçá-lo. E isso é feito por meio da cultura de massa, que visa fornecer um meio seguro de consumo de ideias anticapitalistas sem realmente desafiar o sistema. Pensei muito nisso quando soube que Leonardo di Caprio e Jennifer Lawrence arremataram juntos a incrível bolada de US$ 55 milhões (R$ 310 milhões). Para se ter uma ideia, isso corresponde a 73% do orçamento empregado na produção do filme descontados os salários das superestrelas.

Muito provavelmente o filme arrebatará alguns Oscars. Na entrega da premiação, haverá discursos inflamados contra a emergência climática por parte de atores-diretores-produtores que chegarão de jatinhos particulares para o evento multimilionário. Nós compartilharemos seus discursos na esperança de que o andar de cima se sensibilize e promova mudanças. Enquanto isso, o sistema permanecerá intacto. E tal como agora na Bahia, tomada por enchentes, haverá algum fim do mundo ocorrendo em alguma parte do globo, fazendo vitimas sobretudo no Sul Global. Mas vamos estar entretidos demais na esperança de que o astro de Titanic com suas palavras bonitas consiga comover os bilionários e políticos das superpotências a reduzir drasticamente as emissões de carbono. Mas nem Di Caprio deve acreditar nisso. Senão, teria usado a bolada de 30 milhões que ganhou com o filme para investir numa fábrica de guilhotinas ou em movimentos revolucionários anticapitalistas né? Mas preferiu botar a grana numa nova mansão em Beverly Hills.

Muitos provavelmente argumentarão que o filme é importante para uma tomada de consciência coletiva. Mas eu me pergunto se, depois de enfrentarmos na pandemia uma realidade tão ou mais dura que a apresentada no filme, negacionistas podem vir a mudar de ideia. Alias, umas conversas em grupos bolsonaristas atestam que muitos inclusive estão gostando um bocado do filme pois sentem que seria o espelho de uma cultura antivacina que é negligenciada pela mídia mainstream. Veja você onde o delírio interpretativo chegou.

 

Acho curiosa também a escolha pelo título do filme ter sido “não olhe para cima’’, uma vez que havia uma contra-narrativa popular que advogava “olhe para cima’’. Só por essa escolha já dava para antecipar que o lado negacionista sairia vencedor na disputa.

Contra o fim do mundo

Eu aqui, tentando humildemente compartilhar o pouco que tenho com as vítimas das chuvas na Bahia, arrisco dizer que a saída para o colapso definitivamente não virá de quem fecha os olhos para a realidade, nem de quem só olha para o andar de cima buscando salvadores. Talvez a saída seja olhar para o lado, buscando ser solidários com quem enfrenta os fins do mundo todos os dias.

 

E quando eu olho para o lado, felizmente vejo gente como o Ailton Krenak, que ao longo dos últimos anos tem feito um esforço imenso para nos ajudar a imaginar novos mundos possíveis. Destaco abaixo, inclusive, um trecho de uma fala muito importante sua extraída do vídeo “Cartografias para adiar o fim do mundo” que merecia ter mais visibilidade do que esse filme besta.

“Nós não podemos nos render a essa narrativa de fim de mundo. Essa narrativa é para nos fazer desistir de nossos sonhos.”

 

Existem muitas formas de olhar para o lado, seja doando dinheiro para os atingidos pelas chuvas na Bahia ou para alguma iniciativa que ajude a alimentar a metade da populacao brasileira atingida pela inseguranca alimentar. Mas uma forma mais contundente de enfrentar o colapso é doar tempo para se organizar de forma coletiva. Todo tempo doado para a organização coletiva é um tempo roubado do capitalismo. Pense nisso.

Fonte: Portal da Revista Jacobin Brasil

https://vermelho.org.br/2022/01/02/nao-olhe-para-cima-olhe-para-o-lado/