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DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Elas também cuidam do canteiro de obras

Elas também cuidam do canteiro de obras

Salários mais altos e a possibilidade de aprender uma profissão motivam trabalhadoras da construção civil .Comprometimento anima os empresários
 
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que a presença das mulheres na mão-de-obra utilizada na construção civil tem crescido nos últimos anos. Entre 2002 e 2008, a participação feminina nos postos de trabalho relacionados com a construção civil cresceu cerca de 40,9%, contra 34,5% dos homens. A estimativa é que, no Brasil, 12% de operários desse setor sejam mulheres. No Paraná, entre os 136 mil empregados, cerca de 6% são mulheres, de acordo com levantamento do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon).

Além de mostrar que elas estão presentes nos canteiros de obras, os números refletem o otimismo do setor, que, por meio de ações pú­­­­blicas e crédito facilitado, está aquecido. “O mercado está animado e isso incide diretamente na es­­cassez de mão-de-obra. Há postos de trabalho à disposição e as mulheres precisam do emprego”, avalia Maira Mat­­­­tana, vice-diretora de responsabilidade social do Sindicato da Inústria da Construção Civil (Sinduscon), que engloba construtoras e incorporadoras.

Além da necessidade do setor, o cotidiano dos canteiros tem mostrado que homens e mulheres podem executar os mesmos serviços. “Se antes elas ficavam na limpeza e com serviços mais ‘leves’, como pintura e rejunte, agora participam de todas as etapas da obra”, comenta Maira. Para ela, a mudança no cenário da construção civil ajudou a desmistificar as profissões ligadas ao chão de obra. “Antes, não passava pela cabeça de uma mulher que ela poderia ocupar uma dessas funções, mas acreditamos que essa fase de preconceito já passou”, diz.
 
 / Equipe da construtora AM5: as 60 trabalhadoras contratadas colecionam resultados positivos para a empresa
Equipe da construtora AM5: as 60 trabalhadoras contratadas colecionam resultados positivos para a empresa
Motivação
 
De acordo com ela, todos os cursos de formação para mulheres feitos em parceria com o Sindus­­con-PR tiveram 100% de aproveitamento. “Os construtores não têm mais nenhum tipo de preconceito e já percebem que contratar mu­­lheres pode até ser mais vantajoso”, comenta. “As mulheres são mais comprometidas com horário, faltam menos e estão dispostas a aprender”, afirma Getúlio Gon­­çal­­ves Torres, mestre-de-obras de um canteiro onde um terço dos tra­­balhadores são mulheres. “Elas não possuem experiência na área, então aceitam, com mais facilidade, críticas ou sugestão de mudanças”, diz.
 
“As mulheres compensam qualquer diferença ergonômica pela vontade de trabalhar. Elas estão animadas e motivadas”, reitera Miguel Murad, proprietário da construtora AM5, que emprega cerca de 60 mulheres. De acordo com ele, a experiência da contratação de mulheres tem sido positiva. “A produtividade delas não é sempre a mesma que a do homem, mas, pelo ótimo desempenho, vale a pena contratá-las”, comenta.
 
Cuidados
 
De acordo com ele, está nos planos da empresa poder especializar as mulheres ao ponto de programar uma obra, em terreno mais confinado, onde apenas mulheres trabalhem. No canteiro de obras do Parque Iguaçu – que terá mais de 1200 unidades residenciais – onde trabalham as 60 funcionárias da AM5, uma estrutura especial teve de ser construída. Refeitó­­rios, banheiros e local para descanso são exclusivos para as mulheres. “Tomamos esse cuidado de ‘segregar’ a obra para impossibilitar qualquer situação de assédio. Ainda estamos em uma sociedade machista, então as mu­­lheres também são orientadas a nunca andar sozinhas pela obra”, diz Murad.
 
Segundo ele, o custo para instalação exclusiva não chega a criar ônus significativo, mas só é possível montar essa estrutura em grandes canteiros. “Aqui, a quantidade de funcionárias compensa o investimento. Mas em uma obra menor, como a de um prédio, por exemplo, preparar essa estrutura fica mais complicado”, aponta. Por isso é que a capacitação de mulheres em todos os níveis, de servente a mestre-de-obras, vai possibilitar equipes exclusivamente femininas, para obras mais confinadas, de acordo com o engenheiro.
 
Trabalho é pesado, mas compensa
 
As trabalhadoras da construção civil mostram que é possível conviver em ambientes predominantemente masculinos, inclusive fazendo as mesmas funções. Carregar baldes de cimento e preparar a massa não fazia parte do cotidiano de algumas mulheres, que estavam acostumadas com panos e produtos de higiene. “Eu sempre trabalhei com limpeza, mas aqui vi uma oportunidade de evoluir, de aprender uma profissão”, assegura Fabia­­na Alves de Assis, de 29 anos. Ela diz se sentir em uma escola. “Faz três meses que estou aqui e o que aprendo levo para casa. Estamos conseguindo começar a reformar alguns cômodos”, conta.
 
Além do aprendizado, as mulheres da obra se sentem valorizadas por causa da remuneração. A maioria delas é oriunda de funções que envolviam serviços de limpeza e a remuneração girava em torno de R$ 500. Agora, recebem cerca de R$ 900 e estão animadas com a possibilidade de crescimento. “O serviço é mais cansativo, mas podemos até crescer na carreira e quem sabe chegar a mestre-de-obras”, comemora Maria Lúcia de Novaes, de 38 anos.

Elas também cuidam do canteiro de obras

Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

A dívida líquida do setor público chegou a R$ 1,508 trilhão em dezembro de 2011, informou hoje (31) o Banco Central (BC). Esse resultado representou 36,5% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB). Em relação a novembro, houve redução de 0,2 ponto percentual. No ano, a relação entre a dívida e o PIB apresentou redução de 2,7 pontos percentuais.
 
A dívida bruta do governo geral (governo federal, Previdência Social, governos estaduais e municipais) alcançou R$ 2,243 trilhões, o que representou 54,3% do PIB, em dezembro, com redução de 0,3 ponto percentual em relação a novembro.
Elas também cuidam do canteiro de obras

Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

A dívida líquida do setor público chegou a R$ 1,508 trilhão em dezembro de 2011, informou hoje (31) o Banco Central (BC). Esse resultado representou 36,5% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB). Em relação a novembro, houve redução de 0,2 ponto percentual. No ano, a relação entre a dívida e o PIB apresentou redução de 2,7 pontos percentuais.
 
A dívida bruta do governo geral (governo federal, Previdência Social, governos estaduais e municipais) alcançou R$ 2,243 trilhões, o que representou 54,3% do PIB, em dezembro, com redução de 0,3 ponto percentual em relação a novembro.
Elas também cuidam do canteiro de obras

Após 2011 fraco, indústria deve ter recuperação gradual

PERSPECTIVAS

Produção nacional cresceu apenas 0,3% no ano passado. Mas, para analistas, o pior momento ficou para trás

A produção industrial deve ter recuperação gradual em 2012, após o fraco crescimento de 0,3% em 2011. O resultado ficou bem abaixo da expansão de 10,5% em 2010. Para analistas, a indústria já deixou para trás seu pior momento, mas a manutenção de fatores que vêm afetando negativamente o setor – como o real apreciado e a crise na Europa – continuarão dificultando uma retomada expressiva.

A expectativa é de que o setor seja puxado pela demanda doméstica a partir do segundo semestre, impulsionada pelos efeitos da redução dos juros e de medidas governamentais de estímulo ao consumo. Apesar de ter apresentado sinais positivos nos últimos meses de 2011, com alta de 0,9% em dezembro, a indústria nacional fechou o ano com produção 3,5% abaixo do patamar de março daquele ano, nível mais elevado da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Empresário ficou mais confiante em janeiro

O Índice de Confiança da In­­dústria (ICI) aumentou 0,5% em janeiro deste ano ante dezembro de 2011, ao passar de 101,8 para 102,3 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador inicia o ano acima dos quatro últimos meses de 2011, mas abaixo da média histórica de 103,9 pontos.

O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 0,6%, para 103,0 pontos, o maior patamar desde agosto de 2011 (103,5). O Índice de Expecta­tivas (IE) cresceu pelo quarto mês consecutivo, com avanço de 0,6% em janeiro, ao passar para 101,7 pontos. De acordo com a FGV, a combinação de resultados sinaliza que a atividade industrial segue em recuperação lenta e gradual no curto prazo.

Estoques

O item que mede os estoques na indústria exerceu a maior influência sobre o ISA em janeiro: a parcela de empresas considerando o nível de estoques atual como excessivo diminuiu de 10,2% em dezembro para 6,3% em janeiro, o menor porcentual desde junho de 2011 (5,3%). Por outro lado, houve recuo na proporção das empresas que avaliam o estoque como insuficiente, de 2,2% para 1,2%.

Segundo o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, a conjugação de medidas de cunho fiscal para segmentos específicos da indústria de transformação com a redução da taxa Selic foi determinante para a diminuição dos estoques

Emprego

O índice relativo ao emprego subiu em janeiro, atingindo 111,4 pontos, patamar mais alto desde julho do ano passado (113,8). Das 1.204 empresas consultadas em janeiro, 21,2% pretendem ampliar o efetivo de mão de obra no trimestre de janeiro a março de 2012 (ante 19,4% em dezembro), enquanto 9,8% preveem diminuí-lo (ante 9,9%).

Capacidade

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) aumentou para 83,7% em janeiro, ante 83,4% em dezembro, atingindo o patamar mais alto desde julho de 2011 (84,1%) e superior à média histórica desde 2003, de 83,3%.

A indústria chegou a crescer no primeiro trimestre do ano passado, mas na sequência houve quedas seguidas no ritmo de produção, culminando com queda de 1,4% no quarto trimestre. O segmento de bens de consumo foi o destaque negativo (-0,7%) do ano, pressionado pela redução de 7,8% da produção de automóveis, a pior desde 1999 (-10,7%).

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza, destaca a alta de 3,3% da produção de bens de capital em 2011 como um sinal positivo para os investimentos neste ano, por estar disseminado entre equipamentos de transporte, para construção e para a indústria. A maior preocupação do Iedi é quanto à evolução da produção de bens intermediários (insumos e matérias-primas), que cresceu só 0,3% em 2011.

“Os intermediários são um termômetro porque representam as compras da indústria e têm o maior peso no setor. E continuarão sendo afetados pelo aumento das importações e perda de competitividade”, disse Souza. O mesmo vale para setores tradicionais e intensivos em mão de obra, como têxtil, vestuário e calçados, que, combalidos pela competição chinesa, amargaram quedas acentuadas no ano passado.

As medidas de estímulo à indústria deverão contribuir para o aumento da produção a partir do meio do ano, mas têm efeito limitado. “A redução de IPI, por exemplo, deve ter efeito menor que na crise de 2009 , já que os bens duráveis têm ciclo de vida maior”, disse Thovan Tucakov, economista da LCA Consultores. Na análise dos economistas, as propostas da União – como o plano Brasil Maior – são pontuais e atacam setores específicos, em lugar de problemas estruturais como a pesada carga tributária.
 

FGV prevê crescimento de até 2,8% neste ano

A produção da indústria deverá crescer, num cenário otimista, de 2,5% a 2,8% em 2012. A previsão é do coordenador da Sondagem Conjuntural da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. A previsão de Campelo é ligeiramente inferior à expectativa média do mercado, que prevê alta de 3% para a produção industrial neste ano. “Temos de lembrar que estamos com uma série de medidas extraordinárias. A redução de IPI para produtos da linha branca irá vigorar até março e, para os automóveis, deve permanecer ao longo deste ano”, ponderou Campello, para quem, se novas medidas forem adotadas, o crescimento da produção da indústria poderá ser ainda maior – o governo federal tem mantido reuniões com alguns setores com o objetivo de estimular o crescimento da economia.
 



Elas também cuidam do canteiro de obras

Após 2011 fraco, indústria deve ter recuperação gradual

PERSPECTIVAS

Produção nacional cresceu apenas 0,3% no ano passado. Mas, para analistas, o pior momento ficou para trás

A produção industrial deve ter recuperação gradual em 2012, após o fraco crescimento de 0,3% em 2011. O resultado ficou bem abaixo da expansão de 10,5% em 2010. Para analistas, a indústria já deixou para trás seu pior momento, mas a manutenção de fatores que vêm afetando negativamente o setor – como o real apreciado e a crise na Europa – continuarão dificultando uma retomada expressiva.

A expectativa é de que o setor seja puxado pela demanda doméstica a partir do segundo semestre, impulsionada pelos efeitos da redução dos juros e de medidas governamentais de estímulo ao consumo. Apesar de ter apresentado sinais positivos nos últimos meses de 2011, com alta de 0,9% em dezembro, a indústria nacional fechou o ano com produção 3,5% abaixo do patamar de março daquele ano, nível mais elevado da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Empresário ficou mais confiante em janeiro

O Índice de Confiança da In­­dústria (ICI) aumentou 0,5% em janeiro deste ano ante dezembro de 2011, ao passar de 101,8 para 102,3 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador inicia o ano acima dos quatro últimos meses de 2011, mas abaixo da média histórica de 103,9 pontos.

O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 0,6%, para 103,0 pontos, o maior patamar desde agosto de 2011 (103,5). O Índice de Expecta­tivas (IE) cresceu pelo quarto mês consecutivo, com avanço de 0,6% em janeiro, ao passar para 101,7 pontos. De acordo com a FGV, a combinação de resultados sinaliza que a atividade industrial segue em recuperação lenta e gradual no curto prazo.

Estoques

O item que mede os estoques na indústria exerceu a maior influência sobre o ISA em janeiro: a parcela de empresas considerando o nível de estoques atual como excessivo diminuiu de 10,2% em dezembro para 6,3% em janeiro, o menor porcentual desde junho de 2011 (5,3%). Por outro lado, houve recuo na proporção das empresas que avaliam o estoque como insuficiente, de 2,2% para 1,2%.

Segundo o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, a conjugação de medidas de cunho fiscal para segmentos específicos da indústria de transformação com a redução da taxa Selic foi determinante para a diminuição dos estoques

Emprego

O índice relativo ao emprego subiu em janeiro, atingindo 111,4 pontos, patamar mais alto desde julho do ano passado (113,8). Das 1.204 empresas consultadas em janeiro, 21,2% pretendem ampliar o efetivo de mão de obra no trimestre de janeiro a março de 2012 (ante 19,4% em dezembro), enquanto 9,8% preveem diminuí-lo (ante 9,9%).

Capacidade

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) aumentou para 83,7% em janeiro, ante 83,4% em dezembro, atingindo o patamar mais alto desde julho de 2011 (84,1%) e superior à média histórica desde 2003, de 83,3%.

A indústria chegou a crescer no primeiro trimestre do ano passado, mas na sequência houve quedas seguidas no ritmo de produção, culminando com queda de 1,4% no quarto trimestre. O segmento de bens de consumo foi o destaque negativo (-0,7%) do ano, pressionado pela redução de 7,8% da produção de automóveis, a pior desde 1999 (-10,7%).

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza, destaca a alta de 3,3% da produção de bens de capital em 2011 como um sinal positivo para os investimentos neste ano, por estar disseminado entre equipamentos de transporte, para construção e para a indústria. A maior preocupação do Iedi é quanto à evolução da produção de bens intermediários (insumos e matérias-primas), que cresceu só 0,3% em 2011.

“Os intermediários são um termômetro porque representam as compras da indústria e têm o maior peso no setor. E continuarão sendo afetados pelo aumento das importações e perda de competitividade”, disse Souza. O mesmo vale para setores tradicionais e intensivos em mão de obra, como têxtil, vestuário e calçados, que, combalidos pela competição chinesa, amargaram quedas acentuadas no ano passado.

As medidas de estímulo à indústria deverão contribuir para o aumento da produção a partir do meio do ano, mas têm efeito limitado. “A redução de IPI, por exemplo, deve ter efeito menor que na crise de 2009 , já que os bens duráveis têm ciclo de vida maior”, disse Thovan Tucakov, economista da LCA Consultores. Na análise dos economistas, as propostas da União – como o plano Brasil Maior – são pontuais e atacam setores específicos, em lugar de problemas estruturais como a pesada carga tributária.
 

FGV prevê crescimento de até 2,8% neste ano

A produção da indústria deverá crescer, num cenário otimista, de 2,5% a 2,8% em 2012. A previsão é do coordenador da Sondagem Conjuntural da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. A previsão de Campelo é ligeiramente inferior à expectativa média do mercado, que prevê alta de 3% para a produção industrial neste ano. “Temos de lembrar que estamos com uma série de medidas extraordinárias. A redução de IPI para produtos da linha branca irá vigorar até março e, para os automóveis, deve permanecer ao longo deste ano”, ponderou Campello, para quem, se novas medidas forem adotadas, o crescimento da produção da indústria poderá ser ainda maior – o governo federal tem mantido reuniões com alguns setores com o objetivo de estimular o crescimento da economia.
 



Elas também cuidam do canteiro de obras

Brasil: país emergente com custo de vida elevado

Logo no início do ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou que, entre os países emergentes (eufemismo para “economicamente dependentes”), o Brasil é o único em que o custo de vida é mais elevado que nos EUA (Estados Unidos da América).

por Waldemar Rossi*

E nosso povo, em “férias de começo de ano”, não deu bolas para tal informação. Porém, continua a pagar um preço muito elevado para viver ou mesmo para sobreviver – caso de mais de 40% da população que está situada abaixo da linha da pobreza.

Outra notícia veiculada nos fins de 2011 foi quanto ao preço dos carros em nosso país: os mais caros de todo o planeta Terra, embora tenhamos os salários mais modestos que os de todos os países desenvolvidos. Há os que julgam maravilhoso que o Brasil tenha 14 fábricas de veículos motores, esquecendo que nenhuma dessas fábricas é de capital e tecnologia nacional. Todas alienígenas, exploradoras da mão de obra barata e dos incentivos que oferecemos. E poluidoras também.

Outros setores importantes estão também nas mãos do capital externo, uns mais outros menos, como o financeiro, o siderúrgico, o químico-farmacêutico, a telefonia, a energia elétrica, a tecelagem, a produção de etanol, a indústria alimentícia, os supermercados e, agora, cada vez mais, com as concessões, a exploração do petróleo. Ainda contamos com empresas que vão, literalmente, nos envenenando, como a Monsanto, e tantas outras produtoras dos agrotóxicos que infestam nossa agricultura, obrigando-nos a ingerir, via alimentos contaminados, mais de cinco quilos de agrotóxicos anuais por pessoa. Depois se pergunta por que a cada dia surgem novas doenças gastrointestinais, pneumônicas e circulatórias, entre outras ainda de origens desconhecidas!

É certo que ainda há setores da economia que são considerados como nacionais. Neste caso se destacam as empreiteiras, os tradicionais latifundiários, setores da produção industrial subsidiária. A pergunta é até quando restarão brasileiras, já que inúmeras delas estão associadas a grandes empresas internacionais.

Tais dados estão à disposição de todo e qualquer interessado. Basta averiguar, buscando as fontes oficiais, ou acompanhar atentamente as informações que a mídia burguesa nos oferece a cada dia. Portanto, se o custo de vida aqui é mais elevado que nos Estados Unidos e a economia é majoritariamente dominada pelo capital estrangeiro, não é difícil perceber por que no Brasil há tanta gente na linha da pobreza e abaixo dela; não é difícil perceber por que há tantos mendigos, moradores de rua, miseráveis que sobrevivem da cata do lixo. Torna-se fácil perceber quem ganha tanto à custa do povo trabalhador. Se há destaque para o capital que vem de fora, por meio da criminosa remessa de lucros, há também os exploradores internos que não vacilam em obter lucros e mais lucros, sugando ao máximo as parcas economias pessoais de quem depende do trabalho.

Para que isto continue a acontecer, o capital conta com todo o apoio do sistema político que permite o crescimento incontrolado dessa exploração, baseada na falácia da “livre concorrência” e do “livre mercado”. Além dessa permissividade econômica, a maioria dos nossos políticos tem suas campanhas eleitorais patrocinadas por essas mesmas empresas e empresários (nacionais e estrangeiros), que, em troca, exigem dos eleitos a defesa dos seus interesses escusos como retorno do que investiram nas campanhas eleitorais. O retorno dessa corrupção eleitoral se efetua pelas concessões de terras públicas, por protecionismos por intermédio de pseudos incentivos fiscais, de contratos fraudulentos, de empréstimos oficiais com juros baixíssimos e a longos prazo, com a renegociação frequente das dívidas com o Estado, e assim por diante.

Outro jeito de se apropriar da economia popular é exigir dos nossos governantes investimentos em obras faraônicas, tais como estádios de futebol, pontes e viadutos vistosos – nem sempre eficientes e necessários –, em barragens gigantescas, em transposições como a do Rio São Francisco, em estradas de rodagem, avenidas e túneis para escoamento de veículos poluidores, obras que beneficiarão direta e indiretamente o grande e todo poderoso capital. Porém, tais investimentos exigem muito dinheiro público, porque não trazem retorno imediato nem em médio prazo, como exigem os investimentos capitalistas. Essa dinheirama toda vem dos impostos e taxas que o povo paga compulsoriamente e que deveria, portanto, retornar para o povo em forma de serviços públicos como saúde, educação, transporte coletivo de qualidade, saneamento básico (água potável e esgoto tratado), reforma agrária, moradias populares decentes, preservação do meio ambiente, energia elétrica e telefonia a preços populares. Enfim, deveria retornar em função da vida do povo.

Em síntese, os governantes não podem servir a dois senhores. Ou servem ao povo, com os votos de quem se elegeram, ou servem ao capital, que os corrompe pelo financiamento de suas campanhas eleitorais. E os eleitos não hesitam em ficar com seus financiadores. Até o dia em que o povo compreenda isto e resolva assumir as rédeas da política nacional.

* Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.