por master | 05/12/11 | Ultimas Notícias
Apenas duas semanas após declarar que a pobreza rural havia diminuído em mais de 94 milhões de pessoas em uma década, o governo chinês acrescentou, num canetaço, 100 milhões de pobres às suas próprias estatísticas.
Por Marcelo Justo,
Modificando a definição do limite de pobreza que passaram de 1274 yuans anuais (menos de meio dólar por dia) para 3165 yuans (quase um dólar) o governo quadruplicou as cifras de pobres no campo – onde reside a metade da população – estimada no ano passado em 27 milhões de pessoas.
Esta singular modificação das estatísticas oficiais forma parte da estratégia do presidente Hu Jintao, que prometeu nesta terça-feira que em 2020 estariam garantidas “a educação, a atenção sanitária e a moradia” de toda a população. Graças a esta mudança na medição, os novos pobres terão acesso aos 27 bilhões de yuans que o governo destinará para combater a pobreza com programas de capacitação, créditos suaves, empregos e em investimentos em infraestrutura.
Após os festejos com que foram anunciados, em meados de novembro, os êxitos da última década, o governo se deteve em uma reflexão mais sóbria sobre o verdadeiro estado das coisas. Se há duas semanas a agência oficial Xinhua citava uma declaração na qual o governo se vangloriava de haver resgatado da pobreza uma população equivalente a “toda a França”, agora a mesma agência reconhece que, com sua nova medição, a China está ficando “dentro do padrão internacional mais aceitado”, um dólar diário, o que não é nenhuma maravilha.
Esta nova medição reflete muito melhor a desigualdade que separa os centros urbanos dos rurais como se evidencia no crescimento do coeficiente Gini, que durante o “milagre chinês” passou de 0,28 em 1978 a 0,45 em 2000. A desigualdade se reflete não só nos ingressos – o salário urbano é hoje quatro vezes superior ao rural – mas também nos serviços. Pela noite, quando as cidades iluminam seus arranha-céus para competir com Nova Iorque, muitos povoados rurais penam sem luz elétrica sob um governo que chegou ao poder em 1949 pela mão de uma revolução camponesa.
A atual estratégia de redução da pobreza do presidente Hu Jintao tem dois eixos: um massivo investimento em infraestrutura na atrasada zona oeste do país e a reforma do sistema de saúde, educação e da previdencia. Um dos modelos de investimento massivo se encontra na região autônoma de Xinjiang, que o governo promove como uma zona especial, similar às que dinamizaram o “milagre chinês”, de Shanghai a Guandong, na costa leste.
Esta região, mais conhecida pelos enfrentamentos de 2009 entre a população Han (maioria étnica chinesa) e a uigur (minoria turco-muçulmana), tem fronteiras com oito países (da Índia e Paquistão à Rússia e o Cazaquistão) e está se convertendo em um centro sub-regional. Junto com este plano de desenvolvimentos provinciais, o governo planeja a universalização da cobertura médica para 2015 e da aposentadoria para 2020, como parte de um ambicioso projeto para que seu impressionante crescimento econômico dependa menos das exportações e mais do consumo doméstico.
A complexidade de um projeto desta amplitude choca com um dos pilares mais frágeis da estratégia de Hu Jintao: a situação de aproximadamente 200 milhões de trabalhadores migrantes que não têm pleno acesso à saúde e à educação, porque estes serviços só são garantidos em seu lugar de residência original. A vontade política – e até ideológica – está presente.
Pouco depois de assumir como secretário geral do Partido Comunista em 2002, Hu Jintao surpreendeu com suas visitas a lugares históricos da revolução e sua capacidade de recitar de memória, pela televisão, textos básicos do marxismo e do maoísmo. A redefinição de pobreza e o lançamento de ambiciosos programas sociais para toda a década tentam projetar sua influência para além do próximo ano, quando o Partido Comunista elegerá seu novo secretário geral. Se ele irá conseguir, isso dependerá em grande medida do nome do sucessor e dos obstáculos que representa qualquer transformação que englobe simultaneamente um quinto da humanidade.
por master | 05/12/11 | Ultimas Notícias
Apenas duas semanas após declarar que a pobreza rural havia diminuído em mais de 94 milhões de pessoas em uma década, o governo chinês acrescentou, num canetaço, 100 milhões de pobres às suas próprias estatísticas.
Por Marcelo Justo,
Modificando a definição do limite de pobreza que passaram de 1274 yuans anuais (menos de meio dólar por dia) para 3165 yuans (quase um dólar) o governo quadruplicou as cifras de pobres no campo – onde reside a metade da população – estimada no ano passado em 27 milhões de pessoas.
Esta singular modificação das estatísticas oficiais forma parte da estratégia do presidente Hu Jintao, que prometeu nesta terça-feira que em 2020 estariam garantidas “a educação, a atenção sanitária e a moradia” de toda a população. Graças a esta mudança na medição, os novos pobres terão acesso aos 27 bilhões de yuans que o governo destinará para combater a pobreza com programas de capacitação, créditos suaves, empregos e em investimentos em infraestrutura.
Após os festejos com que foram anunciados, em meados de novembro, os êxitos da última década, o governo se deteve em uma reflexão mais sóbria sobre o verdadeiro estado das coisas. Se há duas semanas a agência oficial Xinhua citava uma declaração na qual o governo se vangloriava de haver resgatado da pobreza uma população equivalente a “toda a França”, agora a mesma agência reconhece que, com sua nova medição, a China está ficando “dentro do padrão internacional mais aceitado”, um dólar diário, o que não é nenhuma maravilha.
Esta nova medição reflete muito melhor a desigualdade que separa os centros urbanos dos rurais como se evidencia no crescimento do coeficiente Gini, que durante o “milagre chinês” passou de 0,28 em 1978 a 0,45 em 2000. A desigualdade se reflete não só nos ingressos – o salário urbano é hoje quatro vezes superior ao rural – mas também nos serviços. Pela noite, quando as cidades iluminam seus arranha-céus para competir com Nova Iorque, muitos povoados rurais penam sem luz elétrica sob um governo que chegou ao poder em 1949 pela mão de uma revolução camponesa.
A atual estratégia de redução da pobreza do presidente Hu Jintao tem dois eixos: um massivo investimento em infraestrutura na atrasada zona oeste do país e a reforma do sistema de saúde, educação e da previdencia. Um dos modelos de investimento massivo se encontra na região autônoma de Xinjiang, que o governo promove como uma zona especial, similar às que dinamizaram o “milagre chinês”, de Shanghai a Guandong, na costa leste.
Esta região, mais conhecida pelos enfrentamentos de 2009 entre a população Han (maioria étnica chinesa) e a uigur (minoria turco-muçulmana), tem fronteiras com oito países (da Índia e Paquistão à Rússia e o Cazaquistão) e está se convertendo em um centro sub-regional. Junto com este plano de desenvolvimentos provinciais, o governo planeja a universalização da cobertura médica para 2015 e da aposentadoria para 2020, como parte de um ambicioso projeto para que seu impressionante crescimento econômico dependa menos das exportações e mais do consumo doméstico.
A complexidade de um projeto desta amplitude choca com um dos pilares mais frágeis da estratégia de Hu Jintao: a situação de aproximadamente 200 milhões de trabalhadores migrantes que não têm pleno acesso à saúde e à educação, porque estes serviços só são garantidos em seu lugar de residência original. A vontade política – e até ideológica – está presente.
Pouco depois de assumir como secretário geral do Partido Comunista em 2002, Hu Jintao surpreendeu com suas visitas a lugares históricos da revolução e sua capacidade de recitar de memória, pela televisão, textos básicos do marxismo e do maoísmo. A redefinição de pobreza e o lançamento de ambiciosos programas sociais para toda a década tentam projetar sua influência para além do próximo ano, quando o Partido Comunista elegerá seu novo secretário geral. Se ele irá conseguir, isso dependerá em grande medida do nome do sucessor e dos obstáculos que representa qualquer transformação que englobe simultaneamente um quinto da humanidade.
por master | 05/12/11 | Ultimas Notícias
Um dos maiores desafios para as mulheres no mercado de trabalho é conciliar a vida profissional com a vida familiar. Para a diretora financeira da construtora A.Yoshii, Simoni Bianchi, mãe de dois filhos, é preciso ter um equilíbrio entre as duas coisas. ”Pessoas que se dedicam totalmente à vida profissional acabam desestruturando suas famílias, por isso procuro exercer meu trabalho com qualidade.
A diretora financeira lida diariamente com 15 pessoas diretamente e outras 30 pessoas indiretamente e precisa absorver a pressão de realizar a análise de caixa e a viabilidade de execução da obra. Para ela, as mulheres são mais perceptivas e sensíveis na hora de analisar os fatos. ”Uma característica pessoal que tenho é ser bastante otimista, mas de maneira conservadora para analisar oportunidades e a viabilidade de executá-las”, reporta.
A gerente de Recursos Humanos da Plaenge, Luciana Siqueira, explica que essa capacidade de executar múltiplas tarefas simultaneamente é uma das características desejáveis que diferenciam homens e mulheres. Para ela, os homens geralmente procuram terminar uma tarefa para começar outra, enquanto as mulheres conseguem lidar com essa situação realizando muitas coisas ao mesmo tempo. (V.O.)
por master | 05/12/11 | Ultimas Notícias
Um dos maiores desafios para as mulheres no mercado de trabalho é conciliar a vida profissional com a vida familiar. Para a diretora financeira da construtora A.Yoshii, Simoni Bianchi, mãe de dois filhos, é preciso ter um equilíbrio entre as duas coisas. ”Pessoas que se dedicam totalmente à vida profissional acabam desestruturando suas famílias, por isso procuro exercer meu trabalho com qualidade.
A diretora financeira lida diariamente com 15 pessoas diretamente e outras 30 pessoas indiretamente e precisa absorver a pressão de realizar a análise de caixa e a viabilidade de execução da obra. Para ela, as mulheres são mais perceptivas e sensíveis na hora de analisar os fatos. ”Uma característica pessoal que tenho é ser bastante otimista, mas de maneira conservadora para analisar oportunidades e a viabilidade de executá-las”, reporta.
A gerente de Recursos Humanos da Plaenge, Luciana Siqueira, explica que essa capacidade de executar múltiplas tarefas simultaneamente é uma das características desejáveis que diferenciam homens e mulheres. Para ela, os homens geralmente procuram terminar uma tarefa para começar outra, enquanto as mulheres conseguem lidar com essa situação realizando muitas coisas ao mesmo tempo. (V.O.)
por master | 05/12/11 | Ultimas Notícias
A exemplo de outras áreas, segmento também registra aumento de mulheres nos cargos de chefia.
A construção civil, área dominada durante muito tempo pelos homens, tem registrado cada vez mais a presença de mulheres. De acordo com o Ministério do Trabalho e do Emprego, entre 2002 e 2008 as mulheres aumentaram a sua participação em postos formais de emprego de 40,9% contra 34,5% dos homens. Na construção civil, há uma década elas eram 83 mil em 1.094.000 de pessoas empregadas; em 2008 esse número passou para 137.969 entre 2 milhões de trabalhadores. Mais do que isso, elas têm assumido cada vez mais cargos de chefia.
Kozue Imai deixou de ser uma dona-de-casa e aos 51 anos assumiu o desafio de se tornar a presidente da construtora da Artenge, uma das empresas responsáveis pela construção do residencial Vista Bela e chegou a comandar mais de mil funcionários. Kozue recebeu o posto apenas uma semana após a morte do marido e afirma que não possuía experiência nenhuma na construção civil. ”Contei com a ajuda de colaboradores de meu marido, que eram pessoas leais e preparadas. De outra forma não teria conseguido”, afirma. Ela destaca que precisou se preparar para assumir tamanha responsabilidade e fez um curso de administração de empresas e passou a frequentar todos os eventos e cursos possíveis para adquirir conhecimento. ”Nunca pensei em desistir e nem em delegar a função a outra pessoa, pois nunca tive um momento de desânimo”, relata. Ela aconselha todas as mulheres a acreditarem em seu potencial, pois todas as mulheres possuem potencial em estado latente que pode aflorar no momento em que é exigido. ”Não desista de aceitar desafios, pois o medo é o pior dos conselheiros”, ressalta.
Na construtora Plaenge as mulheres representam 15% da mão-de-obra contratada pela empresa, totalizando 53 mulheres. É o caso de Alice Mayumi Kasahara, de 33 anos, que foi contratada para uma das funções mais difíceis na construção civil, a operação de gruas, responsável por levar os materiais para mais de 30 pessoas, desde carpinteiros até armadores. A função exige que ela seja firme nas decisões, definindo o que pode ou não ser realizado com a grua. ”Temos que obedecer certos procedimentos e às vezes me pedem coisas que tenho que recusar, caso contrário pode cair toda a carga e resultar em prejuízos materiais e humanos”, relata. A grueira explica que a carga precisa ser amarrada com todo o cuidado. Além disso, a própria montagem do equipamento exige atenção aos detalhes para que nada saia errado. Alice é formada em Administração de Empresas e tem formação técnica em segurança do trabalho e em meio ambiente.
A operadora de gruas iniciou sua relação com a construção civil como estagiária e quando surgiu a oportunidade de participar de um curso de operação de gruas, não hesitou. Depois de concluído o curso, ela conseguiu superar 45 candidatos, a maioria deles homens, e se tornou a primeira mulher operadora do equipamento da cidade. ”No começo é complicado e posso dizer que não foi nada fácil até conseguir dominar todos os macetes da função”, relata.
De acordo com a gerente de recursos humanos da Plaenge, Luciana Siqueira, a diferença entre Alice e os outros homens que desempenham a função é que, além do cuidado ser diferenciado e da atenção aos detalhes, ela possui uma forma de conversar própria que resulta em uma maneira diferente de liderar. ”A forma de delegar tarefas é menos brusca que a dos homens, que geralmente possuem um jeito mais autoritária”, destaca Luciana, ressaltando que as mulheres conseguem ser firmes sem deixar de serem cuidadosas.
por master | 05/12/11 | Ultimas Notícias
A exemplo de outras áreas, segmento também registra aumento de mulheres nos cargos de chefia.
A construção civil, área dominada durante muito tempo pelos homens, tem registrado cada vez mais a presença de mulheres. De acordo com o Ministério do Trabalho e do Emprego, entre 2002 e 2008 as mulheres aumentaram a sua participação em postos formais de emprego de 40,9% contra 34,5% dos homens. Na construção civil, há uma década elas eram 83 mil em 1.094.000 de pessoas empregadas; em 2008 esse número passou para 137.969 entre 2 milhões de trabalhadores. Mais do que isso, elas têm assumido cada vez mais cargos de chefia.
Kozue Imai deixou de ser uma dona-de-casa e aos 51 anos assumiu o desafio de se tornar a presidente da construtora da Artenge, uma das empresas responsáveis pela construção do residencial Vista Bela e chegou a comandar mais de mil funcionários. Kozue recebeu o posto apenas uma semana após a morte do marido e afirma que não possuía experiência nenhuma na construção civil. ”Contei com a ajuda de colaboradores de meu marido, que eram pessoas leais e preparadas. De outra forma não teria conseguido”, afirma. Ela destaca que precisou se preparar para assumir tamanha responsabilidade e fez um curso de administração de empresas e passou a frequentar todos os eventos e cursos possíveis para adquirir conhecimento. ”Nunca pensei em desistir e nem em delegar a função a outra pessoa, pois nunca tive um momento de desânimo”, relata. Ela aconselha todas as mulheres a acreditarem em seu potencial, pois todas as mulheres possuem potencial em estado latente que pode aflorar no momento em que é exigido. ”Não desista de aceitar desafios, pois o medo é o pior dos conselheiros”, ressalta.
Na construtora Plaenge as mulheres representam 15% da mão-de-obra contratada pela empresa, totalizando 53 mulheres. É o caso de Alice Mayumi Kasahara, de 33 anos, que foi contratada para uma das funções mais difíceis na construção civil, a operação de gruas, responsável por levar os materiais para mais de 30 pessoas, desde carpinteiros até armadores. A função exige que ela seja firme nas decisões, definindo o que pode ou não ser realizado com a grua. ”Temos que obedecer certos procedimentos e às vezes me pedem coisas que tenho que recusar, caso contrário pode cair toda a carga e resultar em prejuízos materiais e humanos”, relata. A grueira explica que a carga precisa ser amarrada com todo o cuidado. Além disso, a própria montagem do equipamento exige atenção aos detalhes para que nada saia errado. Alice é formada em Administração de Empresas e tem formação técnica em segurança do trabalho e em meio ambiente.
A operadora de gruas iniciou sua relação com a construção civil como estagiária e quando surgiu a oportunidade de participar de um curso de operação de gruas, não hesitou. Depois de concluído o curso, ela conseguiu superar 45 candidatos, a maioria deles homens, e se tornou a primeira mulher operadora do equipamento da cidade. ”No começo é complicado e posso dizer que não foi nada fácil até conseguir dominar todos os macetes da função”, relata.
De acordo com a gerente de recursos humanos da Plaenge, Luciana Siqueira, a diferença entre Alice e os outros homens que desempenham a função é que, além do cuidado ser diferenciado e da atenção aos detalhes, ela possui uma forma de conversar própria que resulta em uma maneira diferente de liderar. ”A forma de delegar tarefas é menos brusca que a dos homens, que geralmente possuem um jeito mais autoritária”, destaca Luciana, ressaltando que as mulheres conseguem ser firmes sem deixar de serem cuidadosas.