por NCSTPR | 20/03/26 | Ultimas Notícias
A Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea lançou a Nota Técnica “Mudanças na jornada e na escala de trabalho: elementos empíricos para o debate”, que analisa, com base em dados da RAIS 2023, os impactos econômicos e sociais de propostas de redução da jornada semanal no Brasil, destacando efeitos sobre custo do trabalho, setores produtivos e perfil dos trabalhadores mais afetados.
O estudo evidencia que a jornada superior a 40 horas ainda predomina entre vínculos formais, especialmente em ocupações de menor escolaridade e renda, e aponta que eventuais mudanças exigem avaliação setorial e políticas de transição, diante da ausência de dados consolidados sobre escalas de trabalho no país .
O documento completo está disponível AQUI
DIAP
https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/92816-ipea-divulga-nota-tecnica-sobre-mudancas-na-jornada-e-escala-de-trabalho
por NCSTPR | 20/03/26 | Ultimas Notícias
Clemente Ganz Lúcio[1]
Recentemente foi instalado no Conselho Nacional de Justiça o Observatório do Trabalho Decente[2]. O significado desde ato vai além da criação de uma instância técnica. Ele sinaliza que o sistema de justiça reconhece que o mundo do trabalho ocupa lugar estratégico na conformação do desenvolvimento brasileiro e que a qualidade desse trabalho é elemento estruturante da democracia, da proteção social e trabalhista, da coesão social e da produtividade econômica.
A criação do Observatório ocorre em um momento crucial. O Brasil carrega um déficit acumulado de trabalho decente. Esse déficit não é episódico nem conjuntural, é histórico e estrutural.
O déficit acumulado de trabalho decente
Desde a formação do mercado de trabalho brasileiro, a marca predominante foi a exclusão: trabalho escravizado por mais de três séculos, tardia universalização de direitos, elevada informalidade, desigualdades raciais e de gênero persistentes, baixa proteção social para amplos contingentes e frágil institucionalização da negociação coletiva em diversos setores.
Mesmo nos períodos de crescimento econômico e formalização, parte expressiva da força de trabalho permaneceu à margem da proteção integral. A informalidade estrutural, as formas atípicas de contratação, a rotatividade elevada, os acidentes de trabalho e as disparidades salariais evidenciam que o país nunca consolidou plenamente um padrão universal de trabalho decente.
O conceito de trabalho decente, formulado pela Organização Internacional do Trabalho, articula quatro dimensões indissociáveis: geração de emprego produtivo, garantia de direitos, proteção social e diálogo social. O Brasil avançou em cada uma delas em diferentes momentos históricos, mas nunca as consolidou simultaneamente de forma abrangente e estável. Esse é o ponto de partida do Observatório: reconhecer o déficit acumulado.
Transformações disruptivas e um mundo inédito do trabalho
Entretanto, o desafio não está apenas no passado. O mundo do trabalho atravessa transformações disruptivas que alteram profundamente as bases produtivas, organizacionais e tecnológicas.
A digitalização, a inteligência artificial, a automação avançada, as plataformas digitais, a transição energética, a reorganização das cadeias globais de valor e as mudanças demográficas estão conformando um mundo inédito. Não se trata de mera adaptação incremental. Trata-se de uma mutação estrutural que afeta a forma de organizar o processo produtivo; o local e o tempo de trabalho; a gestão e a hierarquia nas empresas; a qualificação exigida; a própria noção de subordinação e vínculo; a saúde e segurança no trabalho.
Esse novo cenário pode ampliar o déficit de trabalho decente — intensificando precarizações, fragmentando vínculos, deslocando riscos para o trabalhador e reduzindo a capacidade regulatória do Estado.
Mas também pode representar um salto disruptivo na direção de novos padrões de qualidade no trabalho. Tecnologias que elevam produtividade podem reduzir jornadas, ampliar autonomia, melhorar condições de saúde e segurança e qualificar ocupações. A transição ecológica pode gerar empregos verdes com maior valor agregado. A digitalização pode ampliar transparência e formalização.
Nada disso é automático. O resultado depende de escolhas institucionais, políticas públicas, capacidade regulatória e da organização e mobilização da classe trabalhadora por meio das suas organizações sindicais.
O papel estratégico do Observatório
É nesse contexto que o Observatório do Trabalho Decente ganha centralidade. Seu papel não pode ser apenas o de registrar dados sobre violações ou consolidar estatísticas retrospectivas. Ele precisa olhar o futuro do trabalho.
O sistema de justiça não é ator passivo nas transformações sociais. Suas decisões moldam incentivos, delimitam fronteiras de direitos e influenciam comportamentos empresariais e sindicais. Ao produzir conhecimento qualificado sobre as tendências emergentes, o Observatório pode antecipar conflitos; identificar riscos regulatórios; mapear novas formas de subordinação e dependência econômica; subsidiar decisões que preservem direitos fundamentais; fortalecer a negociação coletiva e a solução direta de conflitos.
Mais do que observar, trata-se de incidir indiretamente nos processos sociais, fornecendo ao Judiciário instrumentos para agir em tempo real diante de rápidas transformações.
A regulação em tempo real e o papel da negociação coletiva
Contudo, nenhuma instância judicial consegue sozinha regular com velocidade e capilaridade suficientes as transformações do mundo do trabalho. A legislação é, necessariamente, mais lenta. A jurisprudência consolida entendimentos ao longo do tempo. Se as mudanças são aceleradas, a regulação precisa ter um instrumento capaz de operar em tempo real.
Esse instrumento é a negociação coletiva. A negociação coletiva permite ajustar normas gerais às especificidades setoriais, tecnológicas e territoriais. Ela cria soluções customizadas para realidades produtivas diversas. Permite pactuar jornadas diferenciadas, requalificações profissionais, novos regimes de organização do trabalho, protocolos de saúde e segurança, regras para uso de tecnologias e mecanismos de proteção diante da automação.
Fortalecer a negociação coletiva não é enfraquecer a lei, é complementar a legislação com um mecanismo dinâmico de adaptação regulatória.
Negociação coletiva para todos os âmbitos e temas
Durante décadas, a negociação coletiva no Brasil ficou concentrada, predominantemente, em cláusulas salariais e benefícios diretos. O novo mundo do trabalho exige ampliar seu escopo. É preciso que a negociação coletiva aborde: introdução de novas tecnologias; impactos da inteligência artificial; organização do tempo e do local de trabalho; proteção de dados; formação e requalificação profissional; transição ecológica e empregos verdes; igualdade de gênero e raça; saúde mental, entre outros assuntos complexos.
Além disso, ela precisa alcançar setores marcados por alta informalidade, fragmentação produtiva e novas formas de intermediação digital. A diversidade de realidades produtivas demanda uma negociação plural, adaptativa e abrangente.
Sindicatos fortes: condição da regulação democrática
Mas a negociação coletiva só é eficaz se houver sindicatos fortes, estruturados e representativos. Uma negociação equilibrada exige simetria mínima entre as partes. Sindicatos fragilizados financeiramente, com baixa densidade de representação ou estrutura precária, não conseguem acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas nem formular propostas sofisticadas.
Fortalecer sindicatos significa ampliar a base de representação, garantir alta representatividade, investir em formação sindical e técnica, assegurar sustentabilidade institucional na diversidade dos setores econômicos, promover transparência e democracia interna com capacidade de autorregulação.
Sindicatos fortes não são obstáculo ao desenvolvimento, são condição fundamental para que ele seja inclusivo.
O Observatório como catalisador institucional
O Observatório do Trabalho Decente pode cumprir papel decisivo ao sistematizar boas práticas de negociação coletiva, mapear cláusulas inovadoras; identificar lacunas regulatórias, promover diálogo institucional entre Judiciário e atores sociais; valorizar o diálogo social como dimensão estruturante do trabalho decente.
Ao reconhecer a negociação coletiva como instrumento central de regulação dinâmica, o sistema de justiça sinaliza que conflitos trabalhistas não se resolvem apenas pela via judicial, mas principalmente pela construção de soluções pactuadas.
Entre risco e oportunidade
Estamos diante de uma encruzilhada histórica. Se o país permitir que as transformações tecnológicas ocorram sem mediação institucional robusta, o déficit histórico de trabalho decente poderá se aprofundar. Precarização, desigualdade e fragmentação podem se ampliar.
Mas se as mudanças forem acompanhadas por instituições fortes, diálogo social estruturado e negociação coletiva abrangente, o Brasil poderá dar um salto qualitativo na construção de um novo padrão de trabalho — mais produtivo, mais protegido e mais democrático.
O Observatório nasce nesse cruzamento entre passado e futuro. Ele carrega a responsabilidade de não apenas registrar déficits, mas de iluminar caminhos.
O futuro do trabalho não está dado, ele será resultado de escolhas. E uma das escolhas centrais será fortalecer o instrumento capaz de regular em tempo real as transformações produtivas, ou seja, a negociação coletiva, sustentada por sindicatos fortes, representativos e preparados para os desafios do século XXI.
Se o sistema de justiça compreender essa centralidade e atuar como aliado da construção institucional do diálogo social, o Observatório poderá se tornar mais do que um espaço de monitoramento — poderá ser um catalisador de um novo ciclo de trabalho decente no Brasil.
[1] Sociólogo, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, membro do CDESS – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República, membro do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, Enviado Especial para COP-30 sobre Trabalho, Coordenador do Grupo de Facilitação do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades consultor e ex-diretor técnico do DIEESE (2004/2020).
[2] Solenidade foi realizada no dia 02 de março de 2026 na sede do Conselho Nacional de Justiça em Brasília. Contou com a participação do Presidente do STF e do CNJ Edson Fachin, do Presidente do TST, Luiz Phillippe Vieira de Mello Filho, de representantes do MPT, MTE, organizações sindicais de trabalhadores e empresários, organizações da sociedade civil e academia, entre outras personalidades.
DIAP
https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/92812-observatorio-do-trabalho-decente-entre-o-deficit-historico-e-a-disputa-pelo-futuro-do-trabalho
por NCSTPR | 20/03/26 | Ultimas Notícias
Bloqueio do PL 67/25 expõe medo da derrota no voto e revela a força do empresariado para travar mudanças na jornada de trabalho.
Marcos Verlaine*
Trata-se de a votação que não ocorreu, nesta quarta-feira (18), na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Isso não foi um simples adiamento regimental. Foi uma demonstração explícita de força e poder.
O PL 67/25, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), sequer chegou a ser debatido. A proposta, que estabelece a escala 5×2 sem redução salarial, foi travada antes mesmo de enfrentar o contraditório parlamentar.
Não se trata de falta de tempo. Trata-se de interdição deliberada das entidades patronais.
Nos bastidores, a orientação das entidades patronais é cristalina: impedir a votação. Não por convicção no debate, mas por cálculo político. Como admitem, se o projeto for a voto, há risco real de derrota.
MEDO DO VOTO
Há dado revelador nesse episódio: o empresariado não está apenas tentando vencer. Está tentando evitar o jogo.
A articulação que reúne setores da indústria, comércio, agronegócio e sistema financeiro atua com objetivo direto: empurrar a discussão para depois das eleições de outubro. O argumento público fala em “prudência” e “impactos econômicos”. A prática revela outra coisa: medo da correlação de forças atual.
Isso desnuda a contradição central. Se a proposta é tão prejudicial quanto alegam, por que não enfrentá-lo no voto?
A resposta parece evidente: porque o ambiente político e social já não é tão favorável à manutenção da escala 6×1 quanto já foi.
TEMPO DE VIDA COMO CAMPO DE DISPUTA
A redução da jornada de trabalho é, historicamente, uma das pautas mais estruturantes do mundo do trabalho. Não se trata apenas de organizar horários. Trata-se, pois, de definir como a vida será distribuída entre trabalho, descanso e existência.
O PL 67/25 toca exatamente nesse ponto. Ao propor a escala 5×2 sem redução salarial, desloca o debate do campo técnico para o campo político: quem deve arcar com os ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas?
De um lado, trabalhadores que reivindicam tempo: para viver, estudar, cuidar e existir.
De outro, setores empresariais que operam sob a lógica de maximização do uso da força de trabalho para ampliar e ampliar os lucros, em detrimento da saúde dos trabalhadores.
O conflito é estrutural. E o adiamento, longe de resolvê-lo, apenas o explicita.
CAPTURA DO PROCESSO LEGISLATIVO
O episódio desta quarta-feira expõe problema mais profundo: a capacidade de grupos econômicos organizados de bloquear o funcionamento regular do processo legislativo.
Não se trata de lobby no sentido clássico: pressão legítima dentro do jogo democrático. O que se viu foi algo além: a suspensão prática do debate.
Quando um projeto não é derrotado, mas impedido de existir na pauta, o que está em jogo não é maioria. É veto.
Esse tipo de atuação corrói silenciosamente o princípio democrático mais básico: o de que ideias devem ser confrontadas, não sufocadas.
PRÉVIA DO QUE VIRÁ
O que ocorreu na Comissão de Trabalho funciona como espécie de ensaio geral; avant-première do embate que tende a se intensificar no plenário e nas demais comissões. A estratégia patronal está delineada:
- evitar votação no curto prazo;
- deslocar o debate para cenário eleitoral mais favorável; e
- ganhar tempo até reconfigurar a correlação de forças.
Do outro lado, movimentos sociais e sindicais ainda operam em ritmo desigual frente à capacidade de articulação empresarial.
Se essa assimetria persistir, o desfecho também tende a ser desigual.
SEM PRESSÃO, NÃO HÁ AVANÇO
A história da legislação trabalhista no Brasil — e no mundo — mostra padrão recorrente: nenhuma conquista relevante ocorreu sem pressão social organizada.
O PL 67/25 não será exceção.
Sem mobilização dentro e fora do Congresso, a tendência é que o adiamento se transforme em arquivamento informal. E que a escala 6×1 continue operando como norma, não por consenso social, mas por inércia política induzida.
O recado dado nesta quarta-feira é claro: o empresariado está disposto a travar o debate.
Resta saber se haverá força social suficiente para destravá-lo.
(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP
DIAP
https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/92814-sob-pressao-patronal-trabalho-barra-votacao-e-blinda-escala-6-1
por NCSTPR | 19/03/26 | Ultimas Notícias
A gestão de riscos ocupacionais, tradicionalmente, sempre teve um “corpo padrão” em mente: o masculino. Por décadas, a segurança do trabalho focou em evitar quedas, cortes e ruídos excessivos. No entanto, a nova redação da NR-1 rompe essa barreira ao colocar os riscos psicossociais no mesmo patamar de periculosidade que uma máquina sem proteção.
A nova redação da NR-1 representa um avanço significativo, estabelecendo diretrizes claras para a gestão de riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais, que afetam diretamente o bem-estar psíquico dos trabalhadores.
Para a mulher trabalhadora, essa mudança não é apenas semântica; é uma questão de sobrevivência profissional. Não existe Programa de Gerenciamento de Riscos eficiente que ignore o gênero. Para as mulheres, a gestão de riscos deve considerar o estresse crônico vindo da desigualdade salarial e a ameaça constante de assédio, que são riscos ocupacionais reais sob a nova ótica da norma.
A atualização da NR-1, que passará a vigorar a partir de 25 de maio, impõe às empresas o dever de identificar, avaliar e controlar os riscos presentes no ambiente de trabalho. A grande novidade é a inclusão explícita dos fatores de risco psicossociais, que englobam desde a pressão por metas abusivas até o assédio moral e sexual. Essa mudança obriga os empregadores a adotarem uma postura proativa, não apenas reativa, diante do sofrimento mental de suas colaboradoras.
A Justiça do Trabalho tem reforçado essa obrigação. Em decisão recente, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo destacou que o novo texto da NR-1 exige a identificação de riscos como o assédio e a violência, obrigando os empregadores a implementar planos de ação com medidas preventivas e corretivas. Segundo o Tribunal, a norma vai ao encontro da Convenção 190 da OIT, que visa a eliminação da violência e do assédio no mundo do trabalho.
Importante conceituar que um meio ambiente de trabalho hígido é fundamental e vai além da segurança física, que era o objeto da NR-1. Ele abrange a criação de um espaço psicologicamente seguro, onde a dignidade e a integridade psíquica das trabalhadoras são respeitadas. A jurisprudência é pacífica ao afirmar que a responsabilidade por garantir esse ambiente é do empregador.
A aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem sido um diferencial na análise de casos envolvendo a saúde mental da mulher. O protocolo orienta que as decisões judiciais considerem as assimetrias de poder e as vulnerabilidades específicas de gênero.
Casos de assédio moral e sexual, que infelizmente ainda são comuns, têm recebido uma análise mais aprofundada sob essa ótica. As formas de discriminação que afetam as mulheres no trabalho possuem caráter estrutural, e atos como tratamento vexatório, assédio, precisam estar mapeados, monitorados e enfrentados pelos departamentos pessoais e de RH das empresas. A omissão também pode servir como critério de condenação nos tribunais, pois os empregadores tem o dever de garantir um ambiente seguro para suas empregadas.
E o que as empresas devem fazer na prática?
Além de promover uma cultura de apoio e inclusão no ambiente corporativo, as empresas devem possuir práticas de acolhimento e bem-estar mental de suas colaboradoras.
A atualização da NR-1 consolida o canal de denúncia como instrumento operacional essencial do Programa de Gerenciamento de Riscos, permitindo a atuação tempestiva pelo empregador na adoção de medidas de contenção, detecção e correção.
E para tratar das denúncias, há que se formar um Comitê Interno de Ética e Compliance, constituído por profissionais qualificados e de diferentes áreas, incluindo mulheres para a devida paridade de gênero, atuando com autonomia e independência funcional. E a esse colegiado compete receber, analisar e apurar as denúncias, assegurando que todas as investigações sejam conduzidas com imparcialidade, observância do devido processo interno, registro documental e preservação do sigilo.
Ressalta-se que a adoção de um canal de denúncias e de um comitê interno vai além do cumprimento da lei: constitui diferencial competitivo, fortalece a confiança de investidores e parceiros e reduz significativamente a exposição da empresa a passivos judiciais e administrativos.
A implementação e prática dos novos pontos da NR-1, alinhada a essa visão, além de fortalecerem o arcabouço jurídico de proteção à mulher, também tendem a reter talentos, melhorando o clima organizacional e o desenvolvimento das empregadas. Ao exigir a gestão dos riscos psicossociais, a norma instrumentaliza a luta contra o assédio e a discriminação, promovendo um ambiente corporativo mais justo e saudável.
A mensagem é clara: a saúde mental não pode ser ignorada, pois é um direito, e a responsabilidade por sua proteção no trabalho é, inequivocamente, do empregador. A negligência pode e deve ser combatida, assegurando a conformidade legal, protegendo sua reputação e mitigando riscos trabalhistas, regulatórios e reputacionais.
No mês da mulher, a maior homenagem que uma empresa pode prestar não é um cartão ou flores, mas a garantia técnica e ética de um ambiente onde o trabalho não adoeça a mente.
Angélica Petian é sócia-diretora do Vernalha Pereira
Ruy Barbosa Jr é head trabalhista do Vernalha Pereira
DM TEM DEBATE
https://www.dmtemdebate.com.br/o-peso-do-risco-psicossocial-para-as-mulheres-no-trabalho/
por NCSTPR | 19/03/26 | Ultimas Notícias
Ser influenciador digital se tornou uma das carreiras mais desejadas pelas novas gerações. A promessa de autonomia, visibilidade e dinheiro rápido atrai milhões de brasileiros para as redes sociais em busca de uma oportunidade de ascensão. Mas o que está por trás desse fascínio? Os números contam uma história bem diferente do glamour ostentado nos perfis.
Segundo dados da plataforma Influenci.me, o Brasil já tem mais de 2 milhões de criadores de conteúdo cadastrados, um aumento de 64% em apenas um ano. No entanto, cerca de 60% deles declaram ganhar até R$ 2 mil por mês com as redes. Ao BdF Entrevista, Issaaf Karhawi, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e autora do livro “De Blogueira a Influenciadora”, falou sobre esse mercado em expansão, mas ainda bastante desigual.
Para Karhawi, o desejo de se tornar influenciador está ancorado em uma narrativa cuidadosamente construída nas próprias redes. “Os influenciadores compartilham aspectos da própria vida o tempo inteiro. Isso faz parte da dinâmica da influência: uma mescla entre conteúdo pessoal e comercial. Mas nessa possibilidade de falar da própria vida, se constrói também uma narrativa muito encantadora de uma vida luxuosa, de recebidos, presentes de marcas, viagens, convites.”
Essa vida espetacular se associa a uma suposta democracia de acesso. “Eu posso ter um perfil no Instagram, no YouTube, meu próprio canal. Preciso de um login, de um celular. Essa ideia supostamente democrática de entrada livre no mercado, associada à narrativa do luxo, constrói esse desejo”, explica a pesquisadora.
Karhawi alerta que o mercado de influenciadores se assemelha às indústrias criativas, regido pela lógica do “vencedor que leva tudo”, o chamado “winner takes it all”. “Essa ideia de que alguém vai ser o blockbuster, o filme mais assistido, a música mais ouvida, se replica na lógica dos influenciadores. O mercado altamente saturado vai gerando diversas precariedades numa base importantíssima, enquanto a gente tem uma pirâmide que vai ficando cada vez menos ocupada.”
Apenas cerca de 30% dos criadores vivem integralmente dos ganhos da influência, segundo pesquisas do setor. A última edição do estudo “Creators e Negócios” mostrou que 53% daqueles que se intitulam criadores de conteúdo ainda dependem de um trabalho com carteira assinada. “Isso já descortina um pouco esse luxo e mostra que a gente está falando de um trabalho que, como qualquer outro, depende de tempo de atuação para se consolidar”, afirma Karhawi.
Um dos pontos centrais da análise da professora é a compreensão do influenciador como um trabalhador de plataforma. “Não se trata só de uma atuação que tem a ver com empreendedorismo digital, com uma suposta autonomia. O influenciador depende quase que integralmente das dinâmicas das plataformas. Está à mercê das lógicas algorítmicas, que definem as regras do jogo, o que pode e não pode ser feito, e também o ritmo de trabalho.”
Ela explica que muitos influenciadores buscam a profissão pela liberdade, por não ter um chefe, mas “existe um chefe invisível, maquínico, que define a regra, diz quantos vídeos você tem que fazer por dia, te penalizando quando você produz menos do que o esperado, na velocidade esperada, no formato esperado”.
Karhawi observa uma transformação no mercado nos últimos anos, com a passagem do que se chamava “mercado de influência” para a “creator economy” (ou economia dos criadores, na tradução). “Essa mudança tenta dar contorno a um mercado que mudou sobretudo por conta das plataformas”, explica.
Na lógica tradicional, os influenciadores dependiam exclusivamente das publicidades com marcas, uma relação frágil, pois o conteúdo pode não alcançar o público esperado devido às ingerências algorítmicas. “Quando tem muita gente produzindo conteúdo, não vai ter publicidade para todo mundo fazer”, pontua.
A saída encontrada por muitos foi diversificar as formas de monetização: venda de cursos, comunidades pagas, clubes de leitura, vaquinhas virtuais, produtos próprios. “Os influenciadores tentam não colocar todos os ovos na mesma cesta, apostando em uma pluralidade de atuação para ter uma carreira mais longa e escapar dessa lógica das plataformas. Mas é muito difícil, porque a lógica da plataformização penetra todas as instâncias do trabalho do criador.”
A pesquisadora aponta que a própria arquitetura das plataformas é desenhada para que, ao final de qualquer interação, se realize uma transação comercial. “Mesmo que o influenciador escape dessa prática, a plataforma se organiza assim. A gente vê tentativas, movimentos para sair disso, mas há sempre uma contradição inerente.”
Ela cita pesquisas que realizou com influenciadores políticos e de saúde para a Unesco: “Uma questão que aparecia com muita frequência era a constante sensação de contradição. Como falar de política pensando de forma contrária à política das plataformas dentro das plataformas? Como falar de saúde tendo que combater um discurso desinformativo que é propulsionado pelas plataformas, que ganha ainda mais visibilidade nessa economia da atenção?”
Sobre a regulamentação da profissão, Karhawi considera a discussão “importante, urgente e dificílima”. O primeiro desafio é definir quem é e quem não é influenciador. “Como enquadrar um aspirante, alguém que ainda não vive da renda da influência? Temos um problema de categoria que precisa ser resolvido.”
Ela defende que a regulamentação das plataformas impacta diretamente o trabalho dos influenciadores, tenhamos ou não uma profissão regulamentada. “O trabalho dos influenciadores é organizado a partir de instâncias legitimadoras diferentes: os públicos, a mídia, os pares, o mercado publicitário e as plataformas. As plataformas legitimam, mesmo sem querer, no sentido de que a pessoa está jogando o jogo das plataformas e conquistando visibilidade. Precisamos questionar como se dá esse processo.”
Karhawi cita o exemplo das casas de aposta e da amplificação algorítmica de discursos de ódio. “O que é permitido fazer, dizer, construir nesse ambiente? A regulamentação do que circula nas plataformas é importante e vai impactar parcialmente a atuação dos influenciadores quando a gente conseguir pensar estratégias de regulamentação do debate público nas plataformas de maneira geral.”
Questionada sobre propostas de formação acadêmica obrigatória para influenciadores — como uma lei recentemente aprovada na China para determinadas temáticas —, a professora pondera. “Sou professora universitária, defendo educação gratuita e formação crítica. Mas quando se fala em criar uma faculdade para influenciadores, questiono: o que estamos deixando de fora? Como formar um trabalhador de plataforma?”
Ela aponta o desafio dos “borrões entre o conteúdo pessoal e o comercial”, que geram crises éticas no mercado. “Esse borrão faz com que influenciadores enganem seguidores quando vão fazer uma publicidade, ou se posicionem sobre temas de saúde como se fossem autoridades. Há espaços nebulosos que geram problemáticas gravíssimas.”
Karhawi defende a educação midiática como caminho fundamental. “Os influenciadores não se veem como trabalhadores, se enxergam como empreendedores, sujeitos empresários de si, nessa lógica de subjetividades neoliberais. Um trabalho importante que a gente tenta fazer é falar sobre isso, mostrar que existe esse outro universo da influência.”
Para ela, jogar luz sobre a base da pirâmide, esse “exército de influenciadores trabalhando honestamente todos os dias sem enganar ninguém”, é essencial para entender a sociedade e as dinâmicas das redes. “Entender isso faz a gente também entender qual é o nosso papel como seguidores, como públicos que legitimam cada influenciador em cada curtida, cada decisão de seguir ou não seguir alguém.”
Fonte: Brasil de Fato
Texto: Luana Ibelli e Thabita Ramalho
DM TEM DEBATE
https://www.dmtemdebate.com.br/53-dos-influenciadores-digitais-dependem-de-trabalho-clt/
por NCSTPR | 19/03/26 | Ultimas Notícias
Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira (18) a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano. Para justificar a redução na taxa Selic de apenas 0,25 ponto percentual, o Banco Central (BC) alegou ambiente externo incerto, em “função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”.
Desse modo, o Brasil segue entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo. O país é o segundo no ranking liderado pela Turquia. Em terceiro seguem empatadas a Rússia e a Argentina.
Além do cenário internacional, o comunicado do BC diz que no país a situação é de moderação no crescimento, embora o mercado de trabalho continue resiliente.
“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência”, diz nota do órgão.
Com seu vocabulário enfadonho, o Copom afirma que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.
Os riscos para a inflação, diz o comitê, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio.
“O Copom julgou que a manutenção prolongada de juros altos cumpriu seu papel de frear a atividade econômica, permitindo agora uma redução. No entanto, o BC reafirma uma postura de serenidade e cautela”, acrescenta.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), considerou um pequeno avanço, mas ainda insuficiente diante dos desafios do país.
“As taxas seguem muito altas, travando investimentos, dificultando o crédito e limitando o crescimento econômico. É fundamental avançar mais, com reduções consistentes, para estimular o desenvolvimento, gerar empregos e impulsionar a economia brasileira”, lamenta.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/03/18/bc-cita-oriente-medio-e-reduz-juros-a-1475-taxa-segue-no-topo-do-mundo/