Um grupo de 15 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão foi resgatado na Ilha de Itamaracá (PE) em operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho. A empresa alvo atuava na área de telecomunicações.
Segundo a fiscais que participaram da ação, realizada no último dia 29, foram verificadas condições degradantes impostas aos trabalhadores — dos quais 12 eram mulheres —, com falhas graves em aspectos essenciais como segurança, higiene, privacidade e conforto.
Após o resgate, foram adotadas as medidas administrativas, incluindo a emissão de guias para acesso ao seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados.
No local, auditores-fiscais encontraram homens e mulheres alojados no mesmo espaço, sem qualquer separação, e em condições precárias. Trabalhadoras dividiam camas de casal, enquanto outros dormiam em colchões no chão ou em estruturas improvisadas, como bobinas de fibra óptica utilizadas nas atividades da empresa.
Além de dormitório, o local também funcionava como refeitório e ponto de apoio para trabalhadores em trânsito, chegando a concentrar cerca de 40 pessoas em determinados momentos. O alojamento também não tinha espaço ou armário para que os trabalhadores pudessem guardar seus pertences.
A fiscalização identificou ainda número insuficiente de banheiros, o que levava trabalhadores a se revezarem para utilizá-los. Um dos sanitários ficava na área externa, dificultando o deslocamento à noite e em dias de chuva.
Também foi constatado que, no mesmo espaço, eram armazenados equipamentos de trabalho, como cabos e roteadores, caracterizando o uso simultâneo como alojamento e depósito.
Dados do MTE apontam que, neste ano, até o final de março, outros 271 trabalhadores expostos a essas condições foram resgatados. Em 2025, foram 2.772. Ao todo, no ano passado, foram recebidas 4,8 mil denúncias de crimes desse tipo.
Lista Suja
Além das fiscalizações, outra ação que tem sido tomada sistematicamente contra o trabalho escravo é a Lista Suja, com nomes de empresas que adotam esse crime como prática laboral.
A atualização mais recente, divulgada no início de abril, incluiu 169 empregadores, sendo 102 pessoas físicas e 67 pessoas jurídicas, um aumento de 6,28% em relação à atualização anterior. A lista passou então a conter um total de 613 empregadores. Os novos casos incluídos no cadastro resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores.
Além das punições já previstas em lei a quem pratica esse tipo de crime, a exposição dessas empresas evita que negócios sejam fechados por aqueles que não querem seu nome associado ao trabalho análogo ao escravo, o que tornou a lista um importante instrumento internacionalmente reconhecido.
