Alckmin quer manter reforma trabalhista que Fernando Henrique critica

Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso foram Constituintes. O primeiro, deputado discreto; o segundo, senador destacado. O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) avaliou o voto de cada parlamentar, nas matérias de interesse trabalhista. FHC ficou com nota média 5. Alckmin tirou 7.


Em outubro, mês das eleições, a Carta Magna produzida por aquela Assembleia Nacional Constituinte completa 30 anos. Fernando Henrique está fora da disputa. Já Geraldo Alckmin é forte candidato à presidência, pelo PSDB, partido que ambos ajudaram a fundar.


Divergências - Hoje, há divergências entre eles. Alckmin, que tirou nota maior pelo Diap, disse reiteradas vezes ser favorável ao fim da contribuição sindical - falou em seminário da UGT, em entrevista recente à Globo News etc. Também defende a nova lei trabalhista. E mais: coloca a reforma neoliberal da Previdência no centro de seu plano de governo.


Ainda neste ano, Fernando Henrique publicou o livro “Crise e reinvenção da política no Brasil”, pela Companhia das Letras. Das páginas 66 a 68, ele fala sobre sindicalismo. Escreve o professor: “É verdade que o fim abrupto da contribuição sindical obrigatória coloca um desafio enorme para o financiamento dos Sindicatos dos trabalhadores. Como o benefício dos acordos coletivos está assegurado para todos, muitos trabalhadores preferirão não ter o ônus de pagar pela atuação do Sindicato. Nesse ponto, é urgente corrigir a reforma trabalhista”.


Mais adiante, sugere FHC: “É preciso dar aos Sindicatos o direito de cobrar uma taxa negocial sobre os acordos coletivos de trabalho firmados em benefício da categoria que representam”.


Embora mantenha sua posição uspiana contra o getulismo, o professor FHC avança na crítica e chega ao bilionário Sistema S, sobre o qual quer a lupa do Tribunal de Contas da União. Propõe: “A fiscalização do TCU daria mais transparência à aplicação dos recursos transferidos às Centrais, a mesma transparência que se demanda das confederações e federações empresariais, que, além da contribuição sindical, contam com recursos do ‘Sistema S’, recolhidos obrigatoriamente das empresas”.


“Esquece” - O Portal Terra noticiou em 23 de julho: “Geraldo Alckmin negou nesta segunda, 23, que tenha concordado com a volta do imposto sindical”. “Não há hipótese de voltar o imposto sindical. Imposto sindical, esquece”, disse o tucano no Roda Viva, da TV Cultura. Foi claro: "Os trabalhadores é que vão se organizar. Se vai ter ou não contribuição é uma questão dos trabalhadores".

Fonte: Agência Sindical

 

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