por master | 15/08/11 | Ultimas Notícias
Sem o ‘efeito China’, superávit da balança se transformaria em déficit e saldo negativo da conta corrente saltaria de 2%
para 4% do PIB
No mercado financeiro, o Brasil é considerado hoje um “derivativo” da China. Derivativos são contratos cujos preços dependem da cotação de outro ativo. “A performance do mercado brasileiro é muito ligada à China. O Brasil tem o ônus e o bônus dessa relação”, diz Ricardo Lacerda, presidente da BR Partners, uma das principais empresas de fusões e aquisições do País.
Dependência
Traduzindo para a economia real: se a crise nos Estados Unidos e na Europa atingir a China, o Brasil será castigado. A percepção dos investidores vem do aumento da dependência do país em relação ao gigante asiático depois da quebra do Lehman Brothers em 2008. O apetite chinês garantiu a alta das commoditiesem meio à recessão global, reduzindo a vulnerabilidade externa brasileira.
Nos 12 meses até junho, o Brasil teve déficit em conta corrente (inclui todas as transações com exterior) de US$ 49 bilhões, ou 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Sem o “efeito China” da alta das commodities, o superávit comercial se transformaria em déficit e o saldo negativo da conta corrente chegaria a US$ 89 bilhões, ou 4% do PIB, revela cálculo da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
Ponto mais crucial
É por isso que a economia chinesa está no radar do governo. Segundo uma fonte do Ministério da Fazenda, o Brasil tem um mercado interno robusto, o que limita o contágio externo, mas a situação asiática é seguida com lupa. “A China é o ponto mais crucial, porque afetaria a economia real imediatamente”, disse o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, esta semana em Brasília.
Nos últimos três anos, a China se consolidou como o maior parceiro comercial do Brasil e anunciou investimentos bilionários no País. Para driblar o real forte, a indústria brasileira compra mais insumos na China. “A dependência dos fornecedores chineses cresceu. Se a crise piorar e secar o crédito para a importação, a indústria para. Estamos mais vulneráveis”, disse José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados.
Cliente preferencial
Em 2008, a China absorvia 6,7% das vendas externas do País. No primeiro semestre deste ano, representou 17%. “A demanda dos países ricos caiu, enquanto a China continuou a consumir “, explica Mônica de Bollle, sócia da Galanto Consultoria. Em 2008, a Vale vendia 28% do seu minério de ferro para a China. No segundo trimestre deste ano, destinou aos chineses 41,9% do total.
O apetite chinês baliza os preços das commodities, que representam quase 70% do que o Brasil vende no exterior, conforme cálculo da Rede Agro. A alta das commodities pós-2008 proporcionou termos de troca recordes para o Brasil, variável que compara preços de produtos exportados e importados.
Torcer pela China
“É um ganho de renda para o País, que pode importar mais com a mesma quantidade de exportação”, diz José Júlio Senna, sócio-diretor da MCM Consultores.
Até agora o Brasil colheu o bônus da relação com a China, mas se o país asiático sucumbir à crise pode ser a hora do ônus. Os especialistas esperam uma desaceleração gradual da China e manutenção de demanda forte por commodities. Mas, se a situação piorar, o efeito para o Brasil seria em cascata:commodities em queda, menos exportação, mais déficit em conta corrente, queda do real e inflação.
Para Fernando Ribeiro, economista-chefe da Funcex, essa “catástrofe” reduziria a capacidade do governo de reagir à crise com corte de juros ou estímulos fiscais. “É o dilema que o governo Dilma quer evitar: perder o controle da inflação ou deixar o País entrar em recessão?”, questionou. Só resta torcer pela China.
por master | 15/08/11 | Ultimas Notícias
Trabalhadores da construção civil da Bahia realizaram, na última quarta-feira (10), uma série de manifestações nos canteiros, um dia após o acidente em um elevador que matou 9 operários na obra do edifício Empresarial Paulo VI, da Construtora Segura.
Os sindicatos da categoria fizeram uma paralisação de 24 horas contra a negligência dos empresários na segurança do trabalho e cobraram mais investimentos em materiais de segurança e em capacitação profissional.
Em uma das manifestações, cerca de 2 mil trabalhadores reuniram-se no terreno do maior condomínio em construção na Bahia, chamado Le Parc, na Avenida Paralela – que liga o aeroporto ao centro de Salvador -, às 8h, e seguiram em passeata até o Cemitério Bosque da Paz, a cerca de três quilômetros, onde foram enterrados duas das vítimas.
“Este é um ato de solidariedade pelos colegas que foram vitimados pela negligência dos patrões”, disse o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira no Estado da Bahia (Sintracom-BA), Raimundo Brito.
As vítimas do acidente foram Antônio Reis do Carmo; Antônio Elias da Silva; Antônio Luis Alves dos Reis; Hélio Sampaio; José Roque dos Santos; Jairo de Almeida Correia; Lourival Ferreira, armador; Martinho Fernandes dos Santos; Manuel Bispo Pereira.
por master | 15/08/11 | Ultimas Notícias
A Frente Parlamentar Mista pela Erradicação do Trabalho Escravo vai aproveitar a 4ª Marcha das Margaridas, a ser realizada em Brasília na próxima quarta-feira (17), para pressionar o presidente da Câmara dos Deputados e os líderes da chamada base aliada a fim de que seja dada prioridade à votação da proposta de emenda constitucional (PEC 438/2001).
A proposta prevê o confisco de propriedades rurais onde forem constatadas “condutas que favoreçam ou configurem trabalho forçado ou escravo, com a reversão dessas áreas aos programas de assentamento de colonos”.
A PEC – que passou pelo crivo do Senado – está desde 2001 na Câmara, onde já foi aprovada, em primeiro turno, há sete anos.
A Marcha das Margaridas é promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que representa 27 federações e cerca de 4 mil sindicatos.
Manifestação
O deputado Domingos Dutra (PT-MA), presidente da Frente Parlamentar Mista, espera que a manifestação do dia 17 reúna mais de 50 mil trabalhadores rurais. Os manifestantes farão uma passeata até a Praça dos Três Poderes, e esperam que a presidente Dilma Rousseff os receba.
Esta será a quarta Marcha das Margaridas (a primeira foi em 2000), em memória de Margarida Alves, assassinada em agosto de 1983 – a mando de fazendeiros, conforme a Contag – quando presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba.
A PEC – que passou pelo crivo do Senado – está desde 2001 na Câmara, onde já foi aprovada, em primeiro turno, há sete anos
De acordo com o deputado Domingos Dutra, o governo não mobilizou sua maioria na Câmara por que – além das graves denúncias de irregularidades surgidas nos ministérios dos Transportes, da Agricultura e do Turismo, com reflexos no Congresso – “não está querendo abrir para a votação de emendas constitucionais”, temendo a repercussão financeira de propostas como a que equipara os salários de policiais militares e bombeiros (PEC 300) e a que cria a Polícia Penitenciária (PEC 308).
“Queremos que a PEC do Trabalho Escravo seja logo votada em segundo turno, mas precisamos de que a proposta seja adotada como bandeira pelo Executivo. Se a presidente Dilma tem como bandeira a erradicação da miséria, ela tem de dar apoio efetivo à PEC, pois é a pobreza que alimenta o trabalho escravo. Queremos que o Planalto entre no assunto”, afirma o presidente da Frente Parlamentar, que já solicitou audiência à presidente da República.
O deputado Claudio Puty (PT-PA), também integrante da Frente Parlamentar do Trabalho Escravo, lembra que a bancada de seu partido, em reunião realizada há duas semanas, decidiu que a aprovação em segundo turno da PEC 438/01 é uma de suas prioridades.
O deputado requereu a inclusão na pauta da Câmara da proposta de emenda no último dia 4, em face da “relevante importância da matéria”, já que “a exploração do trabalho escravo é, por si só, uma vergonha”. Além disso, “o Parlamento brasileiro historicamente se compromete com a dignidade nas relações de trabalho”.
por master | 15/08/11 | Ultimas Notícias
Emprego
A partir do dia 29 de agosto, as 252 Agências do Trabalhador do Paraná, que realizam a intermediação gratuita entre trabalhadores e empregadores, passam a utilizar o sistema informatizado Mais Emprego.
Desenvolvido pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o novo sistema conta com uma base unificada de dados, que integra informações de todo o território nacional. Um dos principais objetivos do serviço é facilitar a recolocação do profissional no mercado de trabalho.
O MTE determina que todos os estados do País passem a utilizar a ferramenta até o fim de 2011, nas unidades de atendimento do Sistema Nacional de Emprego (Sine). A Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego e Economia Solidária (Sets), gestora do Sine no Paraná, fará a migração da base de dados para o novo sistema. Em termos de demanda, só no período de janeiro a julho deste ano 511.986 trabalhadores foram cadastrados e 257.977 novas vagas de emprego foram disponibilizadas nas Agências do Trabalhador.
EXPEDIENTE – Entre os dias 22 e 26 de agosto, além da migração para o novo sistema, a Sets também realiza o treinamento de todos os agentes de atendimento das agências. Neste período, portanto, não haverá expediente nas unidades. O atendimento normal aos trabalhadores e às empresas será normalizado no dia 29 de agosto, já com o sistema Mais Emprego.
Segundo o secretário Luiz Claudio Romanelli, nos primeiros 15 dias de operação do novo sistema haverá uma equipe técnica, qualificada e equipada, em cada escritório regional da secretaria. “Os técnicos irão prestar apoio virtual e presencial aos operadores das agências, com o objetivo de garantir melhor organização e agilidade nos atendimentos”, destacou. Nesta segunda-feira (15), o secretário apresentará mais informações sobre o novo sistema durante uma coletiva de imprensa.
SEGURO DESEMPREGO – O Mais Emprego prioriza o serviço de intermediação de mão de obra antes da habilitação do seguro desemprego. Assim, ao buscar o benefício, o trabalhador receberá uma ou mais opções de emprego com carteira assinada e condições iguais ou superiores à que ocupava, como remuneração e jornada de trabalho. A pesquisa de vagas compatíveis ao perfil do profissional será feita automaticamente pelo sistema, no ato do requerimento do seguro.
Caso o trabalhador recuse seu encaminhamento ao mercado de trabalho, sem justificativa aceitável pelo ministério, ele deverá assinar uma carta de recusa do emprego oferecido. Nesse caso, o benefício será cancelado. Para ser aceita, a justificativa apresentada deve estar relacionada a problemas de saúde ou a participação de qualificação profissional. “A intenção não é negar o direito ao trabalhador, mas modificar a cultura que existe em relação ao serviço”, explicou Romanelli. No Paraná, as agências oferecem, por mês, a média de 17 mil vagas de emprego com carteira de trabalho assinada.
De acordo com a Lei nº 7.998, resolução nº 467, de 2005, o Programa Seguro-Desemprego tem por finalidade prover assistência financeira temporária ao trabalhador desempregado e, além disso, auxiliá-lo na busca de novo emprego. Para tanto, são promovidas ações integradas de recolocação, orientação e qualificação profissional. A lei garante ainda que a recusa por parte do desempregado de outro emprego condizente com sua qualificação e remuneração anterior cancelará o benefício.
Serviço:
Coletiva de imprensa sobre o novo sistema Mais Emprego
Dia: 15/08 (segunda-feira)
Horário: 8h30
Local: Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Economia Solidária (Sets)
Rua Pedro Ivo, 750, Centro
por master | 15/08/11 | Ultimas Notícias
Banco fechou o primeiro semestre deste ano com R$ 2,7 bilhões em financiamentos do setor, totalizando 42 mil contratos
Curitiba – A Caixa Econômica Federal fechou o primeiro semestre deste ano com R$ 2,7 bilhões em financiamentos de crédito imobiliário no Paraná com o fechamento de 42.072 contratos. O crescimento nos seis primeiros meses do ano foi de 29,3%. A previsão é chegar a R$ 5,5 bilhões até o final de 2011 no Estado. No ano passado, foram R$ 4,8 bilhões.
O aumento reflete a confiança do mercado no crescimento da renda da população, a elevação no número de empregos e a estabilidade econômica. De acordo com o superintendente regional da Caixa, Vilmar José Smidarle, todos esses fatores têm feito o paranaense sair do aluguel para a compra da casa própria.
Do total financeiro, R$ 716 milhões – o que equivale a 26% – foram dentro do Programa Minha Casa Minha Vida, com 11.232 contratos. Segundo ele, o valor só não foi maior porque as novas regras para o MCMV para a primeira faixa de renda que vai até R$ 1.600,00 foram liberadas há pouco tempo. Essa parcela deve trazer impacto no balanço do crédito imobiliário neste segundo semestre. Só em Curitiba, há 2.529 unidades em análise pela Caixa junto às construtoras dentro da faixa 1 do MCMV 2. ”Os projetos ainda estão em análise, as pessoas que vão assinar os contratos ainda não foram nem selecionadas”, disse. A faixa 2 de renda do MCMV 2 vai até R$ 3,1 mil e a faixa 3 até R$ 5 mil.
No Paraná, os financiamentos com recursos da poupança foram responsáveis por R$ 1,2 bilhão dos valores contratados. Os contratos com recursos do FGTS corresponderam a R$ 1,5 bilhão. O financiamento para material de construção teve um volume de R$ 205,8 milhões com um crescimento de 36%.
Em Curitiba, foram R$ 980 milhões com um total de 13.502 contratos no primeiro semestre do ano. Segundo Smidarle, o que puxou o volume de contratos na Capital foi o MCMV, com R$ 425 milhões até 10 de agosto e um total de 4.685 novas moradias.
O MCMV faixas dois e três permite contratos de imóveis de até R$ 150 mil em Curitiba e R$ 130 mil no interior do Estado. Os apartamentos têm até 56 m2 e as casas até 55 mil m2 em Curitiba e Região. No interior, os imóveis têm até 52 mil m2.
Outro aspecto que chama a atenção é que 51% dos valores aplicados em crédito imobiliário em 2011 estão na faixa de renda de até dez salários mínimos, 14% até três salários, 27% de três a seis salários, 9% de seis a dez salários e 49% acima de dez salários.
A Caixa tem quase 75% do market share do crédito imobiliário no País. O perfil da carteira é formado por contratos com um prazo médio de 181 meses e as pessoas com idade até 45 anos representam 80,4% do total. A inadimplência é de 1,7%. A maior parte dos contratos (55%) é fechada com pessoas de até 35 anos. Segundo Smidarle, são casais novos com poucos filhos. ”Isso ficou bem evidente no último Feirão Imobiliário da Caixa”, disse. A maior parte do valor dos imóveis (44%) é de até R$ 50 mil e 37% são de R$ 50 mil a R$ 100 mil, alinhado com o MCMV. Cerca de 36% do público é feminino. A taxa de juros média varia de 5% a 9%.
A partir de 2013 ou 2014, a Caixa prevê que ocorra uma escassez de recursos da poupança para o crédito imobiliário. O banco já iniciou estudos de alternativas que poderiam ser certificados de recebíveis imobiliários.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha