por master | 02/08/11 | Ultimas Notícias
Alertada por líderes empresariais da necessidade de medidas de forte impacto na nova política industrial, a presidente Dilma decidiu, com seus ministros, garantir o corte de impostos sobre as folhas de salários em empresas que empregam muita mão de obra, como as dos setores de têxteis, calçados e móveis. Ela também anunciará hoje decreto para privilegiar fabricantes nacionais em compras de governo nos setores de Informática e Telecomunicações, Defesa e Saúde
Conjuntura: Nova política industrial inclui decreto que favorece produto nacional em compras do governo
Alertada para o risco de fiasco na política industrial, a presidente Dilma Rousseff exigiu e obteve do Ministério da Fazenda medidas de redução da carga tributária sobre investimentos, exportações e grandes empregadores de mão de obra. As medidas farão parte do plano Brasil Maior, a ser anunciado hoje no Palácio do Planalto. Empresas com grande número de empregados, como as do setor têxtil, de calçados e de móveis, terão reduzida a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos, como ensaio para desoneração da folha em todo o setor privado.Como parte da nova política industrial, Dilma pretende anunciar hoje, também, um decreto para privilegiar fabricantes nacionais nas compras de governo nos setores de informática e telecomunicações, defesa e saúde. O decreto regulamenta medida provisória baixada no início do ano, que permite ao governo aceitar preços até 25% maiores de fornecedores com fábricas instaladas no país.
Fardas confeccionadas no Brasil, por exemplo, poderão ganhar licitações mesmo com preços 25% acima do similar importado. A presidente criará uma comissão de ministros para detalhar as condições de preferência aos fornecedores nacionais. Os detalhes foram decididos em uma reunião, ontem à noite, entre a presidente e os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, além do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Mantega foi repreendido por Dilma, pela resistência da Fazenda em apresentar medidas de desoneração, o que quase levou ao adiamento do anúncio da nova política industrial.
Dilma quer diversificar exportações e reverter a tendência de perda de importância dos bens manufaturados na pauta de exportação e na economia brasileiras. O Brasil Maior, prevê até 2014, a redução em até 40% do déficit, que chegou a US$ 33,5 bilhões em 2010 e pode ultrapassar US$ 51 bilhões neste ano. Como parte das medidas de reforço das ações de defesa comercial a Polícia Federal será convocada a participar de um grupo formado pela Receita Federal e a Secretaria de Comércio Exterior, para combater fraudes nas importações. O plano prevê também reforço na equipe encarregada de investigar importações a preços desleais ou fraudulentos.
O Brasil Maior buscou inspiração na legislação de compras governamentais dos EUA, o Buy American Act, para conceder às empresas instaladas no país preferência nas licitações e aquisições do governo federal, nas compras de bens de alta tecnologia, informática e comunicações, e nas encomendas para defesa e saúde. Além de autorizado a pagar até 25% a mais por produtos fabricados no país, o governo poderá encomendar diretamente a consórcios de empresas nacionais projetos de desenvolvimento tecnológico de itens como programas de computador.
Entre as medidas de desoneração incluídas no Brasil Maior está a permissão para desconto imediato dos impostos pagos na aquisição de máquinas para a indústria. Entre as principais metas do plano estão o aumento de investimentos em capital fixo no país, de 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 23% até 2014, elevação do gasto privado com ciência e tecnologia, de 0,55% para 0,9%, e ampliação da parcela da indústria no PIB, de 18,3% para 19,5%.
por master | 02/08/11 | Ultimas Notícias
Diante de novas denúncias envolvendo desvio de dinheiro público em ministérios, a Casa Civil voltará a ter papel mais político. Por determinação da presidente Dilma Rousseff, a ministra Gleisi Hoffmann já começou a cobrar pessoalmente dos colegas explicações para cada acusação. Depois da “faxina” nos Transportes, que derrubou 22 pessoas, a estratégia consiste em impedir que a crise bata à porta do gabinete de Dilma.
Na volta das férias parlamentares, o governo não quer esticar a corda com sua base de sustentação no Congresso. Nos últimos dias, Dilma ouviu ponderações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem é importante fazer uma repactuação com os aliados. Com estilo discreto, a petista Gleisi – que substituiu Antonio Palocci, abatido por denúncias de enriquecimento ilícito – será agora uma espécie de “facilitadora” na Esplanada.
Longe dos holofotes, a chefe da Casa Civil – batizada de “Dilma da Dilma” – fará a triagem dos assuntos espinhosos para encaminhar à presidente. Além disso, o site da Casa Civil abrigará, nos próximos dias, um espaço com perguntas e respostas sobre programas e projetos do governo federal. A ordem é afastar a turbulência do Planalto e diminuir os “ruídos”.
Foi Gleisi quem recebeu as justificativas do ministro das Cidades, Mário Negromonte. Ex-deputado, Negromonte foi acusado de promover o loteamento da pasta para abastecer o caixa de seu partido, o PP, a exemplo do que ocorreu com o PR nos Transportes. Por enquanto, não há ordem para qualquer afastamento naquela seara.
Gleisi também conversou com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB). Afilhado do vice-presidente Michel Temer, Rossi foi acusado por Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de comandar um esquema de corrupção na Agricultura, em parceria com o PMDB e o PTB. Jucá Neto era diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e foi demitido por Rossi, depois de autorizar um pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa de fachada.
Desculpas. Após a reunião de ontem da coordenação de governo – com participação de integrantes do PMDB -, Romero Jucá foi ao Palácio do Planalto e pediu desculpas a Dilma, em nome do irmão. Ele também se encontrou com Temer. “Meu irmão teve uma postura incompreensível. O que ele disse não tem pé nem cabeça. Eu não conheço os dados da área, mas não é possível o Oscar sair atirando no ministro e no Temer”, insistiu o senador.
De acordo com seu relato, Dilma deu o assunto por encerrado e disse que Rossi está averiguando as denúncias, apresentadas pelo irmão de Jucá à revista Veja. “Cada ministro cuidará da sua área”, observou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). “Na política, não existem posições extremadas. Existem ponderações.”
Na prática, o PMDB agiu para abafar as acusações contra Rossi desde sábado, quando o ministro divulgou nota negando as denúncias. O próprio líder do governo no Senado telefonou para Temer e desqualificou as acusações do irmão. “Não sei o que deu nele”, comentou.
Agora, Dilma quer evitar o efeito dominó das denúncias e a prática do “olho por olho, dente por dente”. O receio do governo é que dirigentes de partidos aliados produzam dossiês para mascarar disputas políticas e atrapalhem as votações no Congresso. Em mais de uma ocasião, Dilma disse que a “reestruturação” – termo empregado por ela para definir a “faxina” – vai se restringir aos Transportes. Observou, porém, que estará atenta às brechas para verificar o que está ou não funcionando no governo. Gleisi será sua “olheira” nessa tarefa. / COLABOROU LEONENCIO NOSSA
por master | 02/08/11 | Ultimas Notícias
O HSBC pode cortar outros 25 mil postos de trabalho nos próximos anos, além das 5 mil vagas que vão ser eliminadas com a reestruturação operacional na América Latina, Estados Unidos, Reino Unido, França e Oriente Médio em curso desde o começo deste ano.
A notícia foi conhecida no dia em que o banco apresentou seu balanço semestral.
A notícia evidencia como o capitalismo funciona a despeito e contra a classe trabalhadora.
O banco anunciou lucro de US$ 8,9 bilhões no primeiro semestre deste ano, que serão provisionados para novos investimentos e distribuídos entre os acionistas. Os trabalhadores, concebidos como custos, são premiados com o desemprego.
Enxugando custos
O executivo-chefe da instituição, Stuart Gulliver, revelou que podem ser necessários cortar 25 mil empregos de uma força de trabalho global de 296 mil pessoas, conforme o Guardian.
O porta-voz do HSBC, Patrcik Humphris, também confirmou a possibilidade de enxugar o quadro até 2013.
No primeiro semestre deste ano, o HSBC teve lucro líquido de US$ 8,929 bilhões, ou 34,7% acima dos US$ 6,629 bilhões registrados nos mesmos seis meses de 2010. Diluído por ação, o lucro saiu de US$ 0,38 para US$ 0,50.
Antes de impostos, o lucro foi de US$ 11,474 bilhões, com crescimento de 3,3% na comparação com a primeira metade do calendário anterior. A receita total do grupo foi de US$ 35,7 bilhões, praticamente estável perante o primeiro semestre de 2010.
A provisão para risco de crédito e depreciação no valor de empréstimos ficou em US$ 5,3 bilhões, com queda de 30% ante os seis primeiros meses do ano passado.
O Tier 1 principal do grupo, que é a taxa monitorada mais de perto pelas autoridades reguladoras, avançou para 10,8% em 30 de junho de 2011, ante os 10,5% em dezembro de 2010 e 9,9% em junho de 2010. (Fonte: Valor Online)
por master | 02/08/11 | Ultimas Notícias
O governo gasta com juros atualmente mais do que o triplo do que despende com o Ministério da Educação. Na primeira metade do ano, as despesas com pagamento de juros da dívida foram de R$ 120 bilhões, segundo o Banco Central.
O orçamento da pasta da Educação para o ano todo é de R$ 69 bilhões. Um semestre de pagamento de juros são 343% do orçamento estimado o Ministério da Educação por meio ano.
A diferença já foi maior. Em 2007, as despesas com juros eram mais do que o quádruplo do orçamento da Educação, como mostram os números abaixo.
Aperto
O esforço do Brasil para pagar juros da dívida não é pequeno. Só neste ano, o setor público juntou R$ 78 bilhões para isso, o que equivale a 4% do PIB (produto interno bruto). Mas esse valor foi insuficiente para pagar todos os juros que incidiram sobre os títulos públicos do País.
Para atingir os R$ 120 bilhões, o governo precisou “rolar a dívida”, como se diz no mercado, ou seja, tomar dinheiro emprestado para pagar os credores. No primeiro semestre, o setor público fez empréstimos de R$ 42 bilhões.
por master | 02/08/11 | Ultimas Notícias
Ministro da Defesa afirma que presidente é “extraordinária”, mas que ficará “tudo bem” se ela decidir tirá-lo do governo
Peemedebista irritou a chefe ao declarar voto em Serra; ele prometeu examinar as suspeitas de fraude no Exército
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
Com o cargo em risco há uma semana, o ministro Nelson Jobim (Defesa) admitiu ontem, pela primeira vez em público, que pode deixar o governo Dilma Rousseff.
Ele disse que deseja permanecer no cargo, mas que ficará “tudo bem” caso seja substituído: “A presidente é quem decide essas coisas. Se puder continuar, tudo bem. Se não puder, tudo bem”.
A relação entre os dois se deteriorou no último dia 26, quando ele declarou no programa “Poder e Política”, parceria da Folha e do UOL, ter votado em José Serra (PSDB) na eleição de 2010.
Ontem, no “Roda Viva” da TV Cultura, Jobim mudou de tom e rasgou elogios à chefe.
“A presidente Dilma é extraordinária. Minha relação com ela é ótima”, disse. “Ela tem uma grande visão de Estado, uma visão de futuro.”
Jobim afirmou não se sentir desconfortável com a presidente, que estuda substituí-lo. “Não tenho nenhum problema, nenhuma dificuldade”, disse. “Sou ministro por prazer. Desejo continuar a fazer o que estou fazendo.”
Questionado se planejava sair, foi enfático: “Absolutamente. Não mesmo.” E negou ter sido desleal com Dilma: “Alguém pode não acreditar, mas não sou dissimulado. Sempre fui assim”.
“Aprendi com o dr. Ulysses [Guimarães]: em política, até a raiva é combinada.”
O ministro se reuniria com Dilma dia 11, mas o encontro foi antecipado para amanhã.
Ele disse acompanhar a investigação sobre o suposto envolvimento de oito generais, entre eles o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, no desvio de R$ 11 milhões em obras de rodovias.
“Não costumo adiantar juízos nem antecipar a culpa”, disse. “Se houver problema, vão pagar. Se não, as coisas continuarão iguais.”
Apesar de estar contrariada com Jobim, Dilma não deve tomar uma decisão sobre o ministro -que mantém o apoio de Lula- nesta semana. A Folha apurou que suas declarações ao “Roda Viva” foram vistas com simpatia no Planalto, embora possam ter chegado “um pouco tarde”.