por master | 22/07/11 | Ultimas Notícias
O governo rejeitou ontem o pedido dos servidores públicos de conceder um reajuste linear, ou seja, para todas as carreiras, de 14,75%. Só essa medida custaria R$ 19 bilhões, praticamente metade de toda a pauta de reivindicações apresentada ao governo, que soma R$ 40 bilhões. “Há restrição orçamentária”, argumentou o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva.
A recusa irritou dirigentes sindicais. “Isso é uma encenação”, reclamou Josevaldo Cunha, diretor do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), ao sair da reunião. Para a entidade, a decisão do governo demonstra a falta de interesse em construir uma política salarial para o funcionalismo. A entidade tem plenária marcada para os dias 6 e 7 próximos. “Estamos construindo a greve”, avisou.
Praticamente todas as entidades representativas do funcionalismo público aprovaram indicativo de greve, irritadas com a falta de resultados nas negociações com o governo. Elas começaram no dia 13 de abril, numa reunião com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. O período decisivo sobre o início ou não das greves é o início de agosto.
A Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras lidera uma paralisação há cerca de um mês. Por isso, ela foi excluída das negociações ontem com o governo. Duvanier argumenta que foi a própria entidade que recusou diálogo, ao iniciar a greve antes de as negociações começarem. Ele não descarta deixar outras entidades fora dos entendimentos. “Vamos avaliar caso a caso.” De concreto, o governo avisou ontem aos sindicalistas que não dará reajuste linear. Mas continuará negociando, caso a caso, a recomposição salarial e ajustes em carreiras específicas. Não foi informado quanto há disponível para esses acertos.
O presidente da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal, Josemilton Costa, disse que o resultado da reunião será analisado pela categoria no próximo dia 25 para então decidir um encaminhamento. Se por um lado a falta do reajuste linear não agradou, a disposição de negociar a recomposição em determinadas categorias foi bem recebida. Ele lamentou que o governo não tenha acenado com a possibilidade de construir uma regra de reajuste automático para o funcionalismo.
Fonte: O Estado de S. Paulo
por master | 22/07/11 | Ultimas Notícias
Educação : Na indústria, renda de trabalhador com diploma médio profissional é até 20% maior
Em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido e é forte a demanda por mão de obra com qualificação técnica, o resultado de uma pesquisa da Fundação Itaú Social mostra que os jovens com diploma do ensino médio profissionalizante têm salários até 12% maiores do que aqueles que cursaram o médio regular.De acordo com o estudo “Avaliação Econômica do Ensino Médio Profissional”, a diferença de remuneração é ainda maior – de quase 20% – em favor dos trabalhadores que frequentaram algum curso técnico na área industrial, como mecânica, metalurgia, manutenção automotiva, petroquímica, entre outros. Os jovens que apostaram na educação profissional voltada aos setores agropecuário (agronomia, agronegócio), de gestão (contabilidade, administração) e de saúde (enfermaria, radiologia) recebem, respectivamente, um contracheque 13% e 9% mais gordo do que aqueles que optaram pelo ensino médio tradicional.
Baseado em microdados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD) cruzados com informações dos censos escolares oficiais, a pesquisa também revela que dos 8,8 milhões de alunos no último nível do ensino básico nas escolas públicas e particulares do Brasil, pouco mais de 10% estão matriculados em algum curso de educação profissional. Um contingente de cerca de 1 milhão de estudantes está distribuído em cursos integrados de ensino médio tradicional e técnico (2%), concomitantes (35%) e subsequentes (60%). As escolas particulares respondem por metade das matrículas na educação profissional, enquanto as unidades estaduais ofertam 35% da vagas e as federais, 15%.
Na opinião de Lígia Vasconcellos, gerente de avaliação de projetos do grupo Itaú Unibanco, a constatação do ganho salarial maior para trabalhadores que cursaram o ensino médio profissionalizante carrega duas mensagens para os formuladores de políticas educacionais no país. “Embora o custo da educação técnica seja bem superior ao do ensino regular, o retorno em termos de salários vale o investimento. O outro recado é que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente por mão de obra de nível médio com bom nível de qualificação”, diz ela.
Para o professor do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa Naercio Menezes Filho, economista especializado em educação, o poder público deve concentrar esforços para ampliar a rede de escolas com ensino médio tradicional integrado ao profissionalizante. “É uma política que tem tudo para dar certo e vem sendo bastante discutida no país atualmente. O ensino regular tem uma cobertura muito ampla de disciplinas, mas uma parcela muito grande dos jovens têm pouco interesse nesse tipo de formação, preferem cursos que priorizem a capacitação para o mercado”, avalia Menezes Filho, para quem o chamado colegial deve ser preservado para pessoas com vocação acadêmica e interessadas em ingressar no ensino superior.
Apesar de contar com apenas seis escolas de segundo grau com ensino regular e profissional integrados, o governo do Rio de Janeiro trabalha com uma meta de unificar educação tradicional e técnica nos mais de 500 colégios da rede estadual em 20 anos. Parte dessa transformação ocorrerá em parceria com a iniciativa privada, conta o subsecretário de gestão do ensino da Secretaria de Educação, Antonio Vieira Neto.
Nesse modelo de parceria, as empresas “adotam” a escola, investindo na infraestrutura, e o Estado se encarrega do aspecto pedagógico. “Já temos experiência com a Oi para uma escola técnica focada em mídias digitais e telecomunicações, com o Pão de Açúcar para a formação de jovens para a indústria de alimentos e com a ThyssenKrupp para a área de gestão. Essas escolas têm processos seletivos muito disputados e suas notas no Ideb estão acima da média da rede estadual”, conta Vieira Neto.
Mas o processo de integração das escolas estaduais de ensino médio do Rio tem pela frente um obstáculo difícil de ser superado: o alto custo. De acordo com o planejamento em andamento no sistema educacional fluminense, juntar ensino médio regular e técnico numa única escola implica ampliar o horário de aula, contratar novos professores e modernizar totalmente a estrutura dos colégios. Atualmente, o gasto por aluno do governo estadual no ensino médio regular é de R$ 2,6 mil por ano. Já o custo estimado por aluno nas escolas com as duas opções de ensino integradas é quase o dobro, de aproximadamente R$ 5 mil.
A principal estratégia do governo estadual de São Paulo nessa área é a oferta de cursos técnicos a alunos já matriculados no ensino médio regular no contraturno das aulas, medida anunciada recentemente pela Secretaria de Educação. Os programas profissionalizantes serão descentralizados ao Centro Paula Souza, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia e a instituições de ensino particulares. O Estado programou investimentos de cerca de R$ 60 milhões para criar 30 mil vagas a partir de outubro. A expectativa do governo é que até 2014, 450 mil jovens concluam o ensino médio com uma formação geral e técnica.
“Com esse modelo não foi preciso fazer um grande esforço orçamentário, mas o principal objetivo é estabelecer um projeto pedagógico unificado que contribua para melhorar a qualidade do ensino médio”, conclui Lucia Helena Lodi, assessora da coordenadoria de estudos e normas pedagógicas da Secretaria de Educação de São Paulo.
Valor Econômico
por master | 22/07/11 | Ultimas Notícias
Os alimentos são a principal fonte de pressões inflacionárias da economia brasileira a partir de 2006, ano em que houve mudança na dinâmica do aumento de preços, seguidos do grupo serviços, conclui estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem e denominado “A dinâmica da inflação brasileira: considerações a partir da desagregação do IPCA”. Os preços de itens monitorados, administrados por contrato, e de produtos industrializados, por sua vez, têm segurado a inflação nos últimos anos.
“Uma inflação ao redor de 5% é um nível adequado e aceito pela sociedade e uma redução rápida nesse nível arcaria com custos maiores, com impacto direto na geração de renda”, avalia o coordenador de regimes monetários e cambiais do Ipea, Thiago Martinez. “A inflação não é um obstáculo estrutural para o modelo de continuidade do crescimento brasileiro e não há risco dela explodir”, disse depois de apresentar o estudo.
“A distribuição de renda gera impacto sobre a inflação, e é bom que gere. É bom que suba o salário do empregado doméstico”, disse. No estudo, o Ipea conclui que a melhora da distribuição de renda e a política de ganhos reais do salário mínimo são os principais fatores que mantêm os preços de serviços pressionados acima da meta de inflação nos últimos anos.
Segundo Martinez, não é necessária no atual momento da economia uma política para reduzir rapidamente a inflação, que está em 6,71% em 12 meses, acima do teto da meta de 6,5% estabelecida pelo governo. “Agora estamos um pouco acima da meta, mas um nível em cerca de 5% é adequado para atingir níveis de distribuição de renda”, concluiu o coordenador.
Segundo o instituto, a alta das commodities no mercado externo nos últimos anos é o principal responsável pela escalada interna no preço dos alimentos, junto ao fortalecimento do mercado interno e aquecimento da economia, que também pressionam os serviços.
Os preços monitorados foram responsáveis por mais da metade de toda a pressão inflacionária para cima das metas entre 2000 e 2005, mas passaram a contribuir negativamente para os índices a partir de 2006 devido à mudança em regras de contrato com novos indexadores.
Os serviços de telefonia deixaram de ser reajustados pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e foi criado um indicador específico, o Índice de Serviços de Telecomunicações (IST). As tarifas de energia passaram a ser reajustadas pelo IPCA.
O Ipea aponta a atuação do governo sobre o preço dos combustíveis como fator atenuante para a inflação dos monitorados, já que a Petrobras demora a repassar altas do petróleo no mercado internacional e também controla os preços por meio de variação na alíquota da Contribuição por Intervenção de Domínio Econômico (Cide). A popularização do carro flex também ajuda a manter os preços da gasolina estáveis, com a concorrência do etanol.
Sobre os produtos industriais, o Ipea afirma que a taxa de câmbio é determinante para que eles continuem contribuindo com a inflação, já que a concorrência do produto importado pressiona os produtores nacionais a manter os preços em níveis menos pressionado.
Fonte: Valor Econômico
por master | 22/07/11 | Ultimas Notícias
Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocuparam a Reitoria no final da manhã de ontem, depois de uma assembleia no Restaurante Universitário (RU). Eles decidiram ir até o gabinete para falar com o reitor em exercício, Rogério Mulinari, mas ele estava em uma atividade externa. A ocupação durou aproximadamente 40 minutos e foi pacífica. Cerca de cem pessoas participaram do ato.
Ontem, o comando de greve se reuniu com a diretoria do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba e um representante do Ministério Público Federal. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba e do Litoral (Sinditest), Wilson Messias, foi fechado um acordo para que os setores mais críticos do hospital não fiquem sem funcionários, entre eles a unidade de obstetrícia, pronto atendimento e terapia intensiva. “Não temos a intenção de prejudicar o atendimento, mas mesmo sem greve a população já sofre com a falta de estrutura. Conversamos para fazer este ajuste de funcionários para evitar maiores transtornos em caso da greve se estender”, disse Messias.
Os servidores da UFPR, do HC e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado no dia 15 de junho. Eles pedem a reabertura de 130 leitos no Hospital de Clínicas, que teriam sido fechados por falta de pessoal, e pedem que o governo federal estabeleça e coloque em prática um plano de cargos e salários para a categoria. Outra reivindicação dos servidores é o aumento do piso salarial de R$ 1.034 para R$ 1.635, o equivalente a três salários mínimos, e o aumento de benefícios como o vale-alimentação, além da correção de distorções.
Matrículas
O calendário acadêmico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) poderá sofrer alterações por causa da greve dos servidores técnico-administrativos. O Centro de Computação Eletrônica (CCE), localizado no câmpus Centro Politécnico, foi fechado e lacrado pelos grevistas na manhã de quarta-feira. As aulas seriam retomadas em 1.º de agosto, mas as atividades do segundo semestre poderão ser adiadas.
Gazeta do Povo
por master | 22/07/11 | Ultimas Notícias
O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, afirmou ontem que “o ideal” seria não fazer a desoneração da contribuição patronal ao INSS sobre a folha de salários. Mas admitiu que as discussões dentro do governo caminham para a criação de um novo tributo, incidente sobre o faturamento das empresas, para cobrir a perda de arrecadação previdenciária que a medida irá gerar. Garibaldi afirmou que já há consenso de que a eliminação da alíquota, hoje de 20%, será gradual, com uma redução imediata para 14% neste primeiro momento. “O país precisa crescer e nós não queremos ser impedimento para esse crescimento. Agora, que esse crescimento não termine por criar outro problema. Mas acho que todos estão conscientes nesse sentido.”
Fonte: Gazeta do Povo