por master | 03/05/11 | Ultimas Notícias
Categorias com data-base nos primeiros meses do ano tiveram aumentos acima da inflação. Mas as negociações tendem a ser mais difíceis daqui em diante
Os trabalhadores no Paraná que tiveram data-base nos primeiros meses do ano conseguiram aumentos reais, apesar de a inflação mais alta já dificultar as conversas sobre reajustes. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), até agora a maioria das categorias obteve ganhos acima da inflação.
Os trabalhadores gráficos conseguiram aumento real de 1,44%; o setor de asseio e limpeza, de 10% no piso salarial da categoria e de 1,22% nos demais níveis; os vigilantes, de 2,57%; e os servidores de São José dos Pinhais, de 1,3%. Os funcionários públicos de Curitiba tiveram aumento nominal de 6,5% e os do Estado, de 6,39% – em ambos os casos, pouco acima da inflação acumulada em 12 meses.
Apesar desses ganhos, a previsão é de um ano de negociações mais duras, principalmente no segundo semestre, quando a inflação acumulada em 12 meses deve alcançar seu pico – de 7,4%, em setembro – e ocorrem dissídios de categorias de peso, como bancários, petroleiros e metalúrgicos.
Os trabalhadores vêm de um 2010 com recorde de reajustes. No ano passado, 85% dos aumentos reais do Paraná foram acima de 1% e 76% superiores a 2%, segundo o economista Sandro Silva, analista do Dieese. “Ainda teremos aumentos reais em 2011, mas o ritmo será menor. Não teremos uma quantidade tão grande de ganhos na faixa de 4%, 5%”, afirma.
Se por um lado a inflação mais alta tende a achatar os ganhos, a continuidade do crescimento da economia e o mercado de trabalho aquecido têm pesado na negociação não apenas no reajuste dos salários, mas também nas conversas sobre a Participação dos Lucros e Resultados (PLR).
Um exemplo é a negociação do PLR dos metalúrgicos da Grande Curitiba. Os 3,2 mil funcionários de chão de fábrica da Volvo decretaram ontem uma greve por tempo indeterminado depois de rejeitar a proposta da empresa. A Renault, por sua vez, aceitou a reivindicação dos trabalhadores, de PLR de 12 mil em duas parcelas. No ano passado, os empregados da montadora ganharam R$ 9 mil. Os funcionários da Volkswagen definem na quinta-feira se entram ou não em greve.
Para os metalúrgicos, o PLR é uma espécie de “termômetro” do que está por vir no segundo semestre. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelson Silva de Souza, a intenção é que 2011 seja mais um ano de aumento real. Em setembro do ano passado, a categoria conseguiu um reajuste de 3,5% acima da inflação. As vendas de automóveis e comerciais leves seguem em alta, o que dá fôlego para as discussões. “Quando a situação está ruim, as montadoras dividem o problema. Quando estão indo bem, não querem dividir os ganhos”, critica Souza.
Fonte: Gazeta do Povo
por master | 03/05/11 | Ultimas Notícias
Começa a assumir proporções de desastre a falta de mão de obra qualificada no mercado brasileiro, numa fase da economia do país em que é absolutamente essencial que empresas e governos possam contar com trabalhadores treinados, já que se configura um cenário de crescimento robusto do Produto Interno Bruto (PIB), na casa dos 4%, em que se aceleram – ou deveriam se acelerar – os preparativos para as grandes obras de infraestrutura necessárias tanto para a Copa do Mundo quanto para os Jogos Olímpicos.
O problema, na verdade, não é novo, mas tornou-se mais grave exatamente por causa do aumento da demanda. Nos últimos anos, cresceram as manifestações de preocupação de companhias e de setores empresariais quanto à escassez de mão de obra treinada – um dos primeiros segmentos em que se identificou esse estrangulamento foi o de engenharia, depois de décadas em que os profissionais da área não tiveram outra opção a não ser buscar trabalho em outras atividades, as mais diversas possíveis.
Em parte, a responsabilidade pela falta de trabalhadores com instrução e preparo adequados pode ser atribuída aos governos federal, estaduais e municipais – e não apenas pelas falhas no sistema geral de ensino, que resultam na formação de grande número de brasileiros com dificuldades quase instransponíveis para ler e escrever e fazer cálculos, mesmo os mais simples.
Como mostrou o Valor na sua edição de terça-feira, há graves dificuldades também nos programas específicos de treinamento dos trabalhadores. Para cada R$ 100 gastos com o seguro-desemprego, o governo federal despende só R$ 1 em programas de qualificação de mão de obra. Nos EUA, para cada US$ 100 gastos com os benefícios aos desempregados, o governo de Barack Obama gastou US$ 11,25 com qualificação no ano passado. Sete em cada dez empresários sofrem com a falta de qualificação profissional, de acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1,6 mil empresas.
No governo federal, o gasto com qualificação de trabalhadores aumentou 32% entre 2009 e 2010, mas os R$ 227,9 milhões aplicados no ano passado foram muito inferiores aos R$ 961,1 milhões empregados no já distante ano de 2001, recorde da última década e meia. No governo do Estado de São Paulo, onde não há utilização de recursos federais para cursos de qualificação desde 2006, as despesas ficaram em torno de R$ 90 milhões nos últimos dois anos.
É certo que o governo da presidente Dilma Rousseff dá sinais de que pretende corrigir essas deficiências com vários programas para melhorar de forma ampla a formação de trabalhadores. Está sendo traçado, assim, um projeto específico para a crise na construção civil – segmento considerado essencial tanto para sustentar os níveis de crescimento econômico do país quanto para minorar a escassez de moradias de amplas faixas da população. Uma ação coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego vai ampliar a oferta de cursos para a qualificação profissional no setor. O plano, conforme publicou o Valor na quarta-feira da semana passada, é aumentar a oferta de trabalhadores que atuam na base da pirâmide do setor, oferecendo cursos básicos para profissões como pedreiro, armador, ajudante de obra, mestre de obra e carpinteiro, entre outros.
Até junho, o Ministério do Trabalho quer lançar um novo programa de formação para construção civil com 25 mil vagas. As aulas serão dadas por várias organizações de ensino técnico espalhadas pelo país. Em maio, o projeto, que tem custo estimado em R$ 25 milhões, passará por uma audiência pública. Os recursos usados saem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Outro pacote de formação voltado para as obras de infraestrutura da Copa do Mundo será lançado no segundo semestre, com mais 25 mil vagas. Nesse caso, além de construção civil, serão realizados cursos técnicos ligados às áreas de transporte e turismo. Somados a outras iniciativas em andamento no Ministério do Trabalho, os programas tocados pelo governo deverão colocar no mercado cerca de 80 mil pessoas com formação básica para atuarem em obras pelo país. É um número relevante, mas que não chega a fazer sombra à demanda atual. O volume atual de obras em andamento no país exige, segundo cálculos do próprio Ministério, a formação de 500 mil profissionais.
Valor Econômico
por master | 03/05/11 | Ultimas Notícias
Casos aumentaram 84% entre 2002 e 2009 e presidente do tribunal teme que estatística piore com as obras do PAC
Os acidentes de trabalho no Brasil correm o risco de aumentar com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa do Mundo e da Olimpíada. O alerta é do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen.
Segundo dados divulgados por Dalazen, depois de anos de redução nos índices, os acidentes voltaram a ficar mais frequentes, totalizando um crescimento de 84% no período de 2002 a 2009. “É urgente a adoção de uma política de prevenção de acidentes do trabalho, com ações concretas.”
Em 2002, foram registrados 393.071 acidentes de trabalho. Em 2009, o número subiu para 723.452 – sendo que em 2008, o quadro tinha sido ainda pior, com 755.980 acidentes. No mesmo período de 2002 a 2009, o contingente de trabalhadores formais passou de 28.683.913 para 41.207.546, o que representou uma elevação de 43,7%.
Houve uma redução no número de mortes, de 2.968 para 2.496. Mas mesmo assim todos os dias em média sete trabalhadores morrem no Brasil em decorrência de acidentes de trabalho. A soma das mortes aos casos de invalidez permanente por acidente de trabalho totaliza 43 registros diários.
Sobre as grandes obras atuais, o presidente do TST afirma que há notícias de que as condições de trabalho não são as ideais. “Vejam o que aconteceu em Jirau. Em Belo Monte, serão 100 mil pessoas na construção de uma usina”, afirma. “Vemos tudo isso com muita preocupação. Um aspecto desse fenômeno social grave é o risco de mais acidentes de trabalho.”
O ministro ressalta que de 1975 até 2000 houve uma queda constante e firme nos índices de acidente. No entanto, segundo Dalazen, isso começou a mudar depois de 2001.
Notificação. O diretor do Departamento de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério da Previdência, Remígio Todeschini, garante que não houve aumento nos acidentes de trabalho. “O que houve foi uma melhora na notificação acidentária no Brasil.
Dalazen afirma que recebeu uma informação segundo a qual desde 2000 o Brasil não envia à Organização Internacional do Trabalho (OIT) dados estatísticos sobre os acidentes trabalhistas no País. “Parece que não queremos nos submeter à transparência nessa área”, afirma. Todeschini nega que exista essa suposta falta de transparência. Conforme ele, os dados são divulgados periodicamente no site da Previdência.
Dalazen avalia que as estatísticas disponíveis são precárias e inconsistentes, entre outros motivos, porque os números não incluem os funcionários públicos e os trabalhadores informais que também estão sujeitos a sofrer acidentes de trabalho.
A campanha de prevenção de acidentes do trabalho deverá ser lançada hoje em Brasília com a participação de representantes da Justiça do Trabalho, que completa 70 anos no Brasil, da Advocacia Geral da União (AGU) e dos Ministérios da Saúde, Trabalho e Previdência Social. O vice-presidente Michel Temer confirmou a presença no evento, segundo informações do TST.
Uma das medidas a ser tomada pela Justiça Trabalhista será tentar priorizar o julgamento de ações decorrentes de acidentes de trabalho.
Também deverão ser veiculadas campanhas institucionais com conteúdo pedagógico e tendo como público alvo trabalhadores e empresários.
Fonte: O Estado de S. Paulo
por master | 03/05/11 | Ultimas Notícias
Os cerca de 2 mil metalúrgicos do primeiro turno da Volvo do Brasil, instalada na Cidade Industrial de Curitiba, no Paraná, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado na manhã de ontem. A principal reivindicação dos trabalhadores é um aumento na proposta da empresa para o pagamento da primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2011.
Outros mil funcionários do setor administrativo, que realizaram assembleia logo após os metalúrgicos, aceitaram a proposta e estão trabalhando normalmente. Os metalúrgicos realizam nova assembleia na manhã de hoje.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba pede R$ 10 mil para cada funcionário, divididos em R$ 8 mil em dinheiro e R$ 2 mil em vale mercado.
A Volvo, por sua vez, reafirmou a proposta que já tinha sido rejeitada no dia 26 de abril, que prevê R$ 5,5 mil a serem pagos ainda este mês. A segunda parcela do PLR seria discutida somente em outubro.
De acordo com a assessoria da Volvo, a empresa considerou a proposta do sindicato “muito acima dos valores de mercado”. A empresa informou, ainda, que a decisão pela greve deixou a direção “surpreendida e indignada”, pois não teria havido diálogo.
“A empresa está tendo crescimento na produção e nada mais justo que dividir com os trabalhadores”, afirmou o diretor do sindicato, Nelson de Souza. De acordo com o sindicato, com a paralisação dos trabalhadores, deixam de ser produzidos diariamente 14 ônibus, 63 caminhões pesados e 47 caminhões leves.
A assessoria da Volvo informou que a direção ainda estudaria as medidas a serem tomadas para que haja o retorno mais rápido possível da linha de produção.
Negociações. Na Volkswagen, instalada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, os trabalhadores decidiram dar um prazo de 48 horas para que a empresa apresente uma proposta para a PLR.
Os trabalhadores pedem R$ 12 mil para o cumprimento de 100% das metas, com uma primeira parcela de R$ 6 mil a ser antecipada já neste mês. Como pressão, os metalúrgicos pararam uma hora em cada turno na semana passada.
Na Renault, também em São José dos Pinhais, os trabalhadores já acertaram a PLR nos mesmos moldes pedidos à Volks.
Fonte: O Estado de S. Paulo
por master | 03/05/11 | Ultimas Notícias
As condições de trabalho nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não são as melhores e a expectativa é de aumento nos acidentes com trabalhadores, caso as obras para a Copa do Mundo de futebol de 2014 tenham de ser concluídas em regime de urgência. A opinião é do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro João Oreste Dalazen.
“Nós vemos com preocupação as obras do PAC“, disse Dalazen. Segundo o ministro, as condições de trabalho, em algumas obras, “não são um primor”. “Veja o que aconteceu em Jirau”, exemplificou, lembrando as revoltas dos trabalhadores que atuam na construção da usina do rio Madeira, em Rondônia.
No caso da Copa do Mundo, o presidente do TST lamentou o atraso no cronograma das obras, pois a conclusão de estádios e a reforma de aeroportos, em regime de urgência, certamente podem levar a mais acidentes de trabalho.
Segundo o TST, o Brasil vive um movimento de crescimento gradual no número de acidentes com trabalhadores. Em 2007, o país registrou 653 mil acidentes. Em 2009, foram 723 mil. Essas estatísticas são consideradas precárias pelo tribunal, pois vêm do Ministério do Trabalho que, desde o ano 2000, não informa a Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre acidentes.
Dalazen criticou a falta dessa comunicação e advertiu que os acidentes não são um problema isolado da Justiça do Trabalho. “Eles resultam em perdas econômicas para as empresas.” Os trabalhadores acidentados não contribuem para a Previdência e a empresa tem o custo de substitui-los. Além disso, há um custo elevado para o Sistema Único de Saúde no atendimento desses trabalhadores. E, por fim, os acidentes levam a inúmeras ações de indenização. “O impacto de algumas indenizações pode quebrar as empresas”, ressaltou.
Segundo a OIT, os custos de acidentes de trabalho chegam a 4% do PIB mundial. No Brasil, a Previdência gasta R$ 10,4 bilhões por ano com acidentes de trabalho.
Hoje, o TST assina um termo de cooperação técnica com representantes dos Ministérios da Saúde, Trabalho, Previdência e a Advocacia-Geral da União (AGU) com o objetivo de implementar programas para a prevenção de acidentes de trabalho. Segundo Dalazen, a cooperação terá três frentes: identificar as condições necessárias para a prevenção; mobilizar juízes para ações de conscientização (como palestras, cursos e aulas); produzir estatísticas e verificar os setores da economia mais atingidos por acidentes.
Fonte: Valor Econômico