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Paraná também bateu recorde, com 154 mil vagas abertas

Paraná também bateu recorde, com 154 mil vagas abertas

O Paraná fechou o ano com o saldo de 154 mil novas vagas, o quinto melhor desempenho dentre os estados da federação, posição equivalente à participação da economia do estado na composição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O resultado, recorde histórico, foi 123% maior que o de 2009, quando o saldo entre contratações e demissões no estado foi de 69 mil – número que, ainda impactado pela crise internacional, havia ficado bem abaixo da média dos anos anteriores. Encabeçam a lista de maiores empregadores os estados de São Paulo (726,4 mil vagas), Minas Gerais (296,2 mil), Rio de Janeiro (217,8) e Rio Grande do Sul (178,9).

Região metropolitana

A região metropolitana de Curitiba (RMC) foi responsável pela criação de 65 mil novas vagas, ou 42% do total de empregos criados no estado durante o ano, enquanto que o interior criou 89 mil postos (58%). O desempenho da RMC ficou 135% acima do resultado de 2009, quando a região criou 27,6 mil empregos.

Em termos absolutos, o setor de serviços foi o que mais contratou no estado durante o ano, com saldo de 53,7 mil empregos, seguido pelo comércio (38,6 mil) e pela construção civil (19,4 mil). A agricultura foi o único setor da economia nacional a apresentar saldo negativo na geração de empregos, com o fechamento de 2,5 mil postos de trabalho em 2010 – um saldo bastante influenciado pelas demissões no Paraná, onde o setor fechou 2,2 mil vagas.

Demissões em dezembro

Apesar do bom resultado obtido no ano, em dezembro o desempenho do mercado de trabalho formal foi negativo, já que as demissões superaram as contratações em 407 mil. O mês tradicionalmente é de fechamento de vagas, devido a fatores como entressafras agrícolas, término de ciclo escolar e dispensa de temporários, por exemplo. No Paraná, as demissões superaram as contratações em 31,8 mil.

Fonte: Gazeta do Povo

Paraná também bateu recorde, com 154 mil vagas abertas

Congresso irá custar em 2011 R$ 860 milhões a mais, diz Contas Abertas

São Paulo – O aumento salarial dos parlamentares e um novo plano de carreira dos servidores terão um impacto de R$ 860 milhões na folha de pagamento do Congresso este ano, segundo estimativa feita pela ONG Contas Abertas.

No ano passado, foram gastos R$ 5,3 bilhões para as despesas de pessoal e encargos sociais de parlamentares, servidores e aposentados da Câmara dos Deputa­­dos e do Senado. Agora, o valor estimado no orça­­mento é de R$ 6,2 bilhões – um aumento de 16%.

Pelos cálculos da Contas Abertas, uma ONG especializada em acompanhamento de gastos públicos, o aumento dos deputados e servidores da Câmara irá representar um gasto extra de R$ 549,2 milhões. De acordo com a Câmara, o crescimento das despesas na folha de pagamento é consequência das despesas com reajustes do plano de carreira.

Há ainda a contratação de 385 servidores e a substituição de funcionários contratados com carteira assinada, o que cria encargos sociais.

Senado

No Senado, o acréscimo na folha será de R$ 312 mi­­­lhões. Um novo plano de carreira dos servidores aprovado no ano passado terá impacto de R$ 247 milhões em 2011, de acordo com a Casa.

Em dezembro do ano passado, o Congresso aprovou o projeto que aumenta o salário dos deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil. Pelo texto, os deputados e senadores terão um reajuste de 61,8%, uma vez que recebem atualmente R$ 16,5 mil, além dos benefícios.

Fonte: FolhaPress

Paraná também bateu recorde, com 154 mil vagas abertas

PSTU entra com ação popular contra aumentos no Legislativo e Executivo

BRASÍLIA. O PSTU decidiu entrar com ação popular contra os reajustes no Legislativo e no Executivo. Os deputados aumentaram seus próprios subsídios em 62%. Já o da presidente Dilma Rousseff foi elevado em 134%, e os salários dos ministros de Estado e do vice-presidente Michel Temer, em 149%. O aumento foi dado para equiparar os salários aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na ação, o PSTU argumenta que ministros do STF são funcionários de carreira, diferentemente de parlamentares, do presidente, do vice-presidente e dos ministros de Estado: “Não são equiparáveis as funções de ministro do Supremo Tribunal Federal com as exercidas por agentes políticos em exercício de mandato”.

O reajuste, que passa a valer no dia 1º de fevereiro, e a anualização de reajustes no plano de carreira dos servidores impactarão em R$860 milhões a folha de pagamento das duas Casas do Congresso em 2011. O levantamento dos gastos extras nas folhas de pagamento da Câmara e do Senado foi feito pelo site Contas Abertas e leva em conta o valor efetivamente pago pelas duas Casas com esse tipo de despesa em 2010. Com o aumento, aprovado no fim do ano passado, os subsídios de deputados e senadores passarão de R$16,5 mil para R$26,7 mil.

Fonte: O Globo

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Centrais sindicais reclamam de tratamento dispensado por Dilma

Na tentativa de pressionar o governo federal a abrir as negociações, as centrais sindicais cumpriram a promessa e realizaram ontem a primeira manifestação em favor de um reajuste maior para o salário mínimo. O ato ocorreu paralelamente em 20 Estados da Federação. Na capital paulista, o discurso inflamado de alguns líderes revelou que as entidades não estão satisfeitas com o tratamento dispensado até o momento pela presidente Dilma Rousseff. Os sindicalistas já solicitaram uma audiência com a presidente, mas ainda não tiveram resposta.

 

 

Com um discurso unificado, representantes da CUT, Força Sindical, CGBT, CTB, Nova Central e UGT, conseguiram levar cerca de 500 pessoas à Avenida Paulista, segundo estimativa da Polícia Militar. Na pauta de reivindicações, também está um aumento de 10% para os aposentados que ganham acima do mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2010, que foi de 6,47%. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, evocou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reclamar do tratamento dado às centrais sindicais por Dilma.

“Estamos incomodados com esse início de governo. Antes de assumir o cargo de presidente, Lula se reuniu conosco duas vezes. Na época, disse que, se não pudesse atender às demandas, continuaria a conversar. Se Dilma ficar ouvindo seus burocratas, vai ter muito trabalho conosco”, disse Paulinho. Apesar da tentativa de intimidação, as centrais sindicais sinalizaram que já estão preparadas para o caso de o governo federal bater o pé e fixar o mínimo em R$ 545, conforme medida provisória editada na semana passada. Nesse caso, segundo o deputado pedetista, a batalha será travada no Congresso Nacional, que é mais suscetível às pressões.

Na mesma linha de Paulinho, o presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que Dilma está cercada de “economistas burocratas que querem implantar a agenda dos derrotados nas urnas”. Uma prova disso, argumentou ele, seria o fato da equipe econômica ter pregado a necessidade de fazer um ajuste fiscal. “O mínimo é um poderoso instrumento para a presidente cumprir a promessa de erradicar a pobreza até 2014”, disse Henrique, que lembrou do apoio oferecido pelas centrais à Dilma na campanha presidencial. “Sem aumento real, vamos para rua com autonomia”, declarou.

O modelo atual de cálculo de reajuste do salário mínimo, que vale até 2023, garante a correção anual pela inflação e tem também como base o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior ao envio da proposta orçamentária ao Congresso, que nesse caso seria o de 2009. Os sindicalistas, no entanto, reivindicam uma correção diferenciada para 2011, pois, em 2009, por causa dos efeitos da crise financeira mundial, o crescimento do PIB foi praticamente nulo. Por isso pedem um mínimo de R$ 580.

Ontem, as centrais também entraram com ações na Justiça Federal em cada um dos 20 Estados onde houve manifestações para conquistar a correção da tabela do Imposto de Renda. “Cuidado, Dilma. O FHC [ex-presidente Fernando Henrique Cardoso] começou assim. Não corrigiu a tabela. Foi o primeiro erro dele. Ninguém está botando a faca no pescoço, mas espero que esta seja a última manifestação”, enfatizou Paulinho, em um sinal de que a pressão deve aumentar. No Dia do Aposentado, 24 de janeiro, deve ocorrer mais um ato.

Fonte: Valor Econômico

Paraná também bateu recorde, com 154 mil vagas abertas

Metalúrgicos do ABC lucram na era Lula

Em quase uma década em que o presidente da República foi o ex-líder sindical dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) Luiz Inácio Lula da Silva, os reajustes salariais envolvendo os operários das quatro montadoras da região do ABC paulista registraram o avanço mais expressivo entre quatro tradicionais categorias. Enquanto os petroleiros tiveram ganhos de 1,3% acima da inflação entre 2000 e 2010 e os bancários, de 3,4%, os operários das fabricantes de veículos do ABC obtiveram 37,4%, mais que o dobro do resultado expressivo alcançado pelos químicos: 15,2%.

Numa década governada em 80% do tempo por um ex-líder sindical dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), as negociações salariais envolvendo os operários das quatro montadoras da região do ABC paulista registraram o avanço mais expressivo num grupo de quatro categorias tradicionais. Enquanto os petroleiros da Petrobras acumularam ganhos de 1,3% acima da inflação registrada entre 2000 e 2010 e os bancários viram seus rendimentos reais crescerem 3,4%, os operários das montadoras do ABC registraram ganho real de 37,4%, mais que o dobro do já expressivo resultado alcançado pelos químicos – 15,2% acima da inflação no período.

Contando com uma das mais estruturadas organizações sindicais do país, e negociando com empresas estimuladas por políticas de incentivos fiscais e expansão do crédito, metalúrgicos da Ford, Scania, Volkswagen e Mercedes obtiveram acordos acima da média mesmo em uma década marcada pela descentralização da indústria automobilística no país – em 2000, a GM começou a operar em Gravataí (RS), e em 2001, a Ford iniciou a produção em Camaçari (BA).

“Não se pode falar em vantagens aos metalúrgicos simplesmente porque na maior parte da década o presidente era o Lula, mas porque o processo de reestruturação das montadoras, dos anos 90, acabou e, ao mesmo tempo, o crescimento econômico se acelerou”, avalia Sérgio Mendonça, supervisor técnico das pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De maneira geral, o período entre 2000 e 2010 foi caracterizado por um movimento coordenado dos sindicatos, que viram suas prioridades passarem da “resistência” às demissões para o “medo” de ver o acelerado ritmo de crescimento ser abortado por falta de mão de obra qualificada.

A demanda por trabalhadores especializados deu aos sindicatos um poder de barganha inédito nas últimas três décadas. Diante do quadro de falta de pessoal qualificado na quantidade exigida pelas empresas, os sindicatos passaram a negociar salários maiores e benefícios, como reduções de jornada e aumento do preço da hora extra. Entre os metalúrgicos, as vantagens foram ainda mais claras, pois a indústria automobilística foi o principal alvo da política anticíclica de combate à crise mundial.

O cenário vivido por metalúrgicos, químicos, bancários e petroleiros nos últimos dez anos é resumido por Sérgio Novais, secretário de administração e finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria Química (CNQ): “A década começou péssima, melhorou rapidamente e terminou muito bem, mas há muitas ressalvas quanto ao futuro”.

Eleito presidente da República em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva surgiu no cenário nacional em 1975, quando se tornou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, posição que ocupou até 1982 – protagonizando, no período, o auge das greves, então proibidas pelo regime militar, que aceleraram o debate sobre a redemocratização do país. Com Lula na Presidência, o cenário vivido pelos metalúrgicos do ABC nos anos 90 foi deixado rapidamente para trás.

A queda da inflação facilitou o trabalho dos sindicatos, pois aumentos reais pequenos tinham mais impacto na renda. Mas, segundo os sindicalistas, o ritmo da economia foi preponderante para explicar a mudança de patamar. “Era uma fase terrível [o começo da década]”, diz Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, “na esteira do que foi a década de 90, isto é, com cortes de pessoal, inflação alta e falta de perspectivas quanto a mudanças”.

Nas negociações salariais de 2000, conduzidas pelo então presidente sindicato Luiz Marinho – hoje prefeito de São Bernardo – o caso foi parar, pela primeira e única vez, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que concedeu 3% de reajuste real. Dez anos depois, as negociações foram fechadas uma semana após o início formal e diante de uma ameaça de greve.

Entre 2001 e 2003, os bancários tiveram reajustes salariais inferiores à inflação. No primeiro ano do governo Lula, a perda frente à inflação foi a pior desde 1994 – o reajuste ficou 4,92% abaixo da variação acumulada do INPC em outubro daquele ano (17,5%), na data-base da categoria.

“Não tínhamos sequer negociações iguais, porque os bancos públicos não sentavam para negociar”, diz Carlos Cordeiro, coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). “Chegamos a entregar uma pauta de reivindicações para um dos seguranças da portaria da Caixa Econômica Federal, em Brasília. Hoje o cenário é completamente diferente”, afirma Cordeiro.

O fraco desempenho nas negociações salariais foi ampliado pelo enxugamento das categorias, que atingiram o fundo do poço entre 2002 e 2003 e, nos seguintes, recuperaram parte do tamanho que tinham em 1990, quando se iniciou o processo de abertura da economia.

Quando assumiu pela primeira vez um cargo na direção do Sindicato dos Químicos do ABC, em 1991, Novais respondia por uma categoria de 45 mil trabalhadores. “Só fui voltar a ver uma categoria desse tamanho no ABC no ano passado”, diz Novais. Em 2002, a base recuou para 32 mil trabalhadores, patamar que passou a crescer aceleradamente a partir de 2006.

“O processo de recuperação começou pelo pessoal que trabalha na indústria farmacêutica, impulsionada, no começo da década, pelos genéricos. Em seguida, foi o segmento dos plásticos, acompanhando um movimento mundial da economia, passando por papel e celulose e atingindo, agora, a petroquímica”, afirma o sindicalista.

Segundo João Moraes, presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o setor petroleiro acompanhou, na década, o desenvolvimento da Petrobras. Eram cerca de 60 mil funcionários, em 1994, antes da abertura do setor, base que caiu pela metade até 2002, antes de iniciar uma recuperação acelerada, atingindo os atuais 75 mil trabalhadores.

“No começo da década, os investimentos em inovação e perfuração eram tímidos, então a demanda por trabalhadores era fraca e as negociações complicadas. A partir de 2005 e 2006, os investimentos aumentaram muito, fechando a década com o descobrimento do pré-sal e o debate sobre o regime de partilha”, conta o líder da FUP, entidade que comandou a greve dos petroleiros, em 1995, quando o governo Fernando Henrique Cardoso, em seu primeiro ano, aprovou a reforma do marco regulatório do setor.

Entre os bancários, no entanto, o processo de terceirização – criticado pelos sindicalistas de todos os setores – foi central para explicar o enxugamento da base, que não conseguiu se recuperou ao longo da década. Segundo dados da Contraf, em 2000 os bancos tinham 800 mil funcionários, quase o dobro dos atuais 430 mil. “A tecnologia aumentou muito, claro, mas o número de correntistas também. A redução de trabalhadores não foi apenas produtividade, mas terceirização”, diz Cordeiro.

Para Nobre, dos metalúrgicos do ABC, a principal mudança na década foi na “mentalidade do empresariado” e, principalmente, “na percepção da sociedade como um todo” quanto aos efeitos benéficos de aumentar os salários. “Na década de 90 e primeiros anos da década passada, se alguém falava em aumentar salário, logo vinha algum membro do governo ou da sociedade levantar a voz e dizer que aquilo geraria inflação”, diz o líder metalúrgico. “Isso foi totalmente desmistificado nos últimos anos, quando os salários, a começar pelo mínimo, subiram muito e a inflação não foi um terror.”

Puxado pelo mercado interno, o Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado passou por avanço superior a 7,5% pela primeira vez em 24 anos, desencadeando problemas na oferta de mão de obra qualificada. Os gastos do governo federal com programas de qualificação foram 73,3% menores sob o governo Lula que durante o governo FHC, quando, no entanto, o saldo de empregos formais foi 150% inferior. “Nosso medo hoje é que o crescimento seja travado por um gargalo de mão de obra qualificada”, diz Novais, líder dos trabalhadores do setor químico.

Fonte: Valor Econômico