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Juiz pode rejeitar testemunha que considere desnecessária

Juiz pode rejeitar testemunha que considere desnecessária

O juiz pode dispensar a apresentação de testemunhas ou qualquer outro tipo de prova apresentada pelas partes que considere inútil e impertinente para a formação de seu livre convencimento.

Com esse entendimento, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso da Schlumberger Serviços de Petróleo Ltda. com o objetivo de anular sentença do juiz de primeiro grau que se negou a ouvir testemunha considerada importante pela empresa para elucidação dos fatos referentes ao processo.

De acordo com o ministro Vieira de Mello Filho, relator do recurso na Primeira Turma, “tendo o Juízo formado a sua convicção com base na prova produzida nos autos pelas partes, e indicando na decisão os motivos que formaram o seu convencimento, afasta-se de plano a negativa de prestação jurisdicional e o alegado cerceamento de defesa”.

No caso, a empresa pretendia que o juiz aceitasse a testemunha que poderia comprovar a sua versão sobre as horas extraordinárias reivindicadas por um ex-empregado. Isso porque a jornada de trabalho foi analisada na sentença sem os cartões de pontos e com documentação impugnada pela defesa. Para a empresa, ao agir dessa forma, o juiz lhe teria negado o “direito constitucional” de produzir prova testemunhal (arts. 5º, XXXV, LIV e LV, e 93, IX, da CF).

Quando analisou o processo, o Tribunal Regional Trabalho da 12ª Região (SC) entendeu que, de acordo, com o art. 131 do CPC, “o juiz não é obrigado a apreciar ponto por ponto os fundamentos expostos pelos litigantes (partes) quando se encontram presentes no decisum (decisão) os motivos que estabeleceram o convencimento do Órgão Julgador”. “Se por mais de um fundamento, por exemplo, for possível acolher o pedido (ou rejeitá-lo), torna-se desnecessário o exame de todos os argumentos explanados na inicial ou na defesa”, concluiu o Regional.

Por último, a empresa recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho. No entanto, a Primeira Turma entendeu que o juiz tem o dever de velar pela rápida solução do processo, “bem como indeferir as diligências inúteis, sopesando as indispensáveis e indeferindo e desconsiderando as provas desnecessárias, impertinentes e inoportunas.” (RR – 177500-10.2005.5.12.0005)

(Augusto Fontenele)

Fonte: TST

Juiz pode rejeitar testemunha que considere desnecessária

Empresa é condenada por dificultar cirurgia de redução de estômago de empregada

Ao impedir, por diversas vezes, que uma vendedora se afastasse do trabalho, cancelando suas férias programadas, quando a empregada iria se submeter à cirurgia bariátrica (procedimento que reduz o estômago), a Telelok Central de Locações e Comércio Ltda. cometeu assédio moral. Condenada na instância regional a pagar indenização por danos morais, a empresa recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho, mas a decisão da Sexta Turma não modificou o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP).

A empregada, com problemas de obesidade e hipertensão, teve recomendação médica para a intervenção. Mesmo sabendo disso, a empresa dificultou seu afastamento. Por fim, a funcionária conseguiu sair de férias, mas foi demitida um mês depois de seu retorno ao trabalho. Ela estava na empresa há vinte meses, exercendo suas atividades na filial de Campinas. Após sua demissão, a trabalhadora ajuizou reclamação pleiteando, entre outros itens, a indenização por danos morais. O pedido, porém, foi julgado improcedente pela 10ª Vara do Trabalho de Campinas.

A vendedora, então, recorreu ao Tribunal Regional, que, pelas provas dos autos, julgou que a empresa teve conduta causadora de dor moral à trabalhadora, ao impossibilitar, ou ao menos dificultar, seu afastamento do trabalho para tratamento de saúde. O Regional destacou que, mesmo não tendo apresentado atestado médico, ficou comprovado que a autora comunicou a empresa da necessidade do procedimento cirúrgico.

Segundo o Regional, se não foi provada ameaça expressa de demissão, “pode-se presumir que tenha ocorrido, ao menos, de forma velada, pela simples negativa do afastamento”, concluindo que a presunção se confirma por ter sido a vendedora dispensada logo depois do retorno ao trabalho, pouco mais de um mês após ter finalmente se submetido à cirurgia. Diante disso, o TRT reformou a sentença e determinou que a empresa pague R$ 5 mil por dano moral à ex-funcionária.

Para chegar a esse valor, o TRT levou em conta, entre outros aspectos, os princípios da proporcionalidade e da lógica razoável, as circunstâncias do dano, sua gravidade e dor imposta à trabalhadora, além da condição social e a capacidade econômica de ambas as partes, especialmente o porte da ré, a duração do contrato de trabalho – vinte meses – e o maior salário recebido pela vendedora – R$ 882,00. Após esse resultado, a Telelok interpôs recurso de revista, cujo seguimento foi negado no TRT. A empresa, então, apelou ao TST com agravo de instrumento, cujo relator foi o ministro Aloysio Corrêa da Veiga, que concluiu pela existência de assédio moral na situação ocorrida com a vendedora.

O relator verificou ter sido comprovada a necessidade da intervenção cirúrgica e confirmado, inclusive por testemunhas, de que a vendedora comunicou à empregadora a necessidade deste procedimento, tendo havido resistência da empresa quanto ao afastamento da autora. O ministro Aloysio esclareceu que, para se chegar a conclusão distinta do acórdão do TRT/Campinas, seria necessária a análise do conjunto de fatos e provas dos autos, o que, pela Súmula 126 do TST, é inviável, na fase recursal em que se encontra a ação.

Diante desse contexto, destacou o relator, “não há que se falar em violação dos artigos 5º, II, e X, 7º, XXVIII, da Constituição e 186, 927 e 944 do Código Civil, indicados pela empresa, ante a comprovação da existência da conduta ilícita praticada pela reclamada, da existência do dano sofrido pela autora, e do nexo de causalidade”. A Sexta Turma, então, acompanhou o voto do relator, negando provimento ao agravo de instrumento. (AIRR – 6103-35.2010.5.15.0000)

(Lourdes Tavares)

TST

Juiz pode rejeitar testemunha que considere desnecessária

Arrocho deve ser maior do que no 1º ano de Lula

Para atingir superávit primário proposto por Guido Mantega, corte no início do governo Dilma terá de ser maior que o de 2003

O governo federal terá de fazer um arrocho fiscal maior que o de 2003, primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, para que o superávit primário do setor público consolidado atinja 3,3% do PIB em 2011. Essa meta foi sinalizada recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A estimativa foi feita por economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O superávit de 3,3% se justifica para auxiliar o Banco Central (BC), já que o risco inflacionário está em alta, como prova o recente aumento dos recolhimentos compulsórios, anunciado na sexta-feira. O controle dos gastos públicos segura a demanda da economia, e ajuda no combate à inflação. A presidente eleita, Dilma Rousseff, porém, já deixou claro que é contra ajustes fiscais drásticos como o de 2003.

Chefiada por Samuel Pessôa, uma equipe do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV no Rio, fez uma projeção detalhada das medidas fiscais necessárias para a obtenção do superávit primário de 3,3% em 2011, sem artifícios contábeis. Eles partem do princípio de que o salário mínimo será reajustado para apenas R$ 540,00, e que o PIB vai crescer 4,9% no próximo ano.

Ao contrário de uma expressiva corrente do mercado financeiro, Pessôa acha possível se chegar aos 3,3% de primário em 2011. Mas isso não significa que ele considere a meta politicamente fácil: “Vai ser muito duro, mas impossível não é”. Pessôa vê riscos, inclusive, para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a viga principal da plataforma eleitoral de Dilma.

Os economistas do Ibre compararam o esforço fiscal prometido para 2011 com aquele realizado pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em 2003. A conclusão é que a contenção de despesas em 2011 terá de ser maior, seja qual for o critério, para se atingir o primário de 3,3%.

Segundo os cálculos do Ibre, a parte do governo federal no superávit primário total do setor público, para que este atinja 3,3% em 2011, terá de ser de 2,28% do PIB. Isso significa um grande salto, de 1,12 ponto porcentual do PIB, ou R$ 43,8 bilhões, ante a economia realizada em 2010.

Para que essa economia seja alcançada, o governo federal terá de limitar a 0,7% o crescimento da sua despesa, em termos reais. É um desafio e tanto, dada a forma quase automática como os gastos federais aumentam, impulsionados pelo salário mínimo, pelo salário dos funcionários e pelas aposentadorias do setor público e privado. Para se ter uma medida de comparação, o crescimento real médio anual das despesas federais entre 2004 e 2010 foi de 9%. O aumento em 2010, projetado pelo Ibre, é de 11,6%.

A expansão da despesa real em 2011, na verdade, terá de ser ainda menor do que a de 2003, um ano de arrocho, quando o crescimento foi de apenas 1,3%. Pela ótica da comparação com o PIB, a coisa não melhora. As despesas federais terão de recuar de 19,04% do PIB, em 2010, para 18,25% em 2011 – um queda de 0,79 ponto porcentual. Em 2003, o corte de despesa federal foi menor, de 0,58 ponto porcentual do PIB.

Um dos problemas do ajuste fiscal em 2011 é que as despesas obrigatórias correspondem a 77% do total, e nelas o espaço para economia é limitadíssimo. A equipe do Ibre prevê – na comparação com 2010 – um leve recuo, de 0,19 ponto porcentual do PIB, na folha salarial de ativos e inativos do Executivo e no INSS, a aposentadoria do setor privado. Em ambos os casos, há crescimento vegetativo (em termos reais, não como proporção do PIB) mesmo na ausência de aumentos, por causa de contratações, promoções de planos de carreira, expansão do números de aposentadorias, etc.

No grosso das outras despesas obrigatórias, composto por benefícios assistenciais, abono salarial, seguro-desemprego, subsídios e subvenções, o Ibre projeta que o governo federal, na verdade, aumente os gastos em 0,28 ponto porcentual do PIB.

O restante dos gastos federais, que está projetado para atingir 5,36%% do PIB em 2010, inclui ainda algumas despesas obrigatórias, como sentenças judiciais, folhas do Legislativo e do Judiciário e créditos extraordinários, e um bloco de 4,57% de despesas discricionárias.

É um conjunto variado, em que constam o custeio e os investimentos dos ministérios e o PAC. Nesse conjunto, tem de haver um recuo de 0,68 ponto porcentual do PIB em 2011 para se chegar ao superávit primário de 2,28% do governo federal projetado pelo Ibre. Os economistas acham difícil fazer isso sem mexer nos investimentos, e talvez até no próprio PAC, que cresceu de R$ 8,6 bilhões, ou 0,28% do PIB em 2007 para R$ 24,7 bilhões, ou 0,7% do PIB em 2010.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Juiz pode rejeitar testemunha que considere desnecessária

EUA querem dar fim aos vazamentos feitos pelo WikiLeaks

O mais recente vazamento de informações secretas promovido pelo WikiLeaks.org levou o go­­verno dos Estados Unidos a colocar em andamento um novo plano para restringir substancialmente a circulação de informações internas, numa reversão dos esforços realizados nos anos que se seguiram aos atentados de 11 de Setembro de 2001 para incentivar as autoridades norte-americanas a compartilharem do­­cumentos considerados sensíveis.

O Departamento de Defesa (Pentágono) já de­­talhou novos parâmetros de segurança para tentar dificultar ao má­­ximo que alguém consiga copiar ou revelar tantos segredos quantos os vazados pelo Wi­­kiLeaks ao longo dos últimos meses. E os esforços se estenderão a diferentes agências do governo norte-americano.

Militarmente, isso representa um recuo das iniciativas adotadas para permitir que mais agências tivessem acesso à enorme quantidade de dados coletada pe­­lo Pentágono. A nova atitude tam­­bém pode fazer com que um me­­nor número de informações im­­portantes esteja disponível a soldados de patentes mais baixas, que servem nas frentes de batalha no Iraque e no Afe­­ga­­nis­­tão.

A restrição à circulação de in­­for­­ma­­ções sensíveis ocor­­re em um mo­­men­­to no qual os Es­­tados Uni­­dos ainda as­­similam o golpe do vazamen­­to de mais de 250 mil telegramas diplomáticos. O episódio foi qualificado pelo governo co­­mo um ataque aos EUA e levou as au­­toridades norte-americanas a tentarem vislumbrar meios de levar o WikiLeaks à Justiça.

A secretária de Estado dos EUA, Hil­­lary Clinton, alega que o WikiLeaks agiu ilegalmente ao divulgar os documentos, considerados secretos pelo governo norte-americano. Durante um giro pelo exterior nos dias que se seguiram ao vazamento, Hil­­lary afirmou que o governo estava tomando “medidas agressivas para responsabilizar aqueles que roubaram essas informações”.

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciou que o governo está investigando o vazamento como crime. As mais recentes revelações, as quais envolvem documentos secretos e sensíveis da chancelaria norte-americana, colocam em risco a segurança da nação, seus diplomatas, suas informações e suas relações com governos estrangeiros, argumentou Holder.

Advogados de diversas agências governamentais dos EUA investigam se é possível processar o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, e outras pessoas envolvidas no va­­zamento com base na Lei de Es­­pionagem, avaliou uma fonte do setor de defesa.

Na Austrália, o governo considera possível que algumas leis tenham sido violadas e a Polícia Federal Australiana está analisando a situação. As autoridades locais, no entanto, têm feito questão de enfatizar que a investigação sobre o WikiLeaks está sendo realizada pelos EUA e que a Austrália desempenha meramente um papel de suporte.

Nos EUA, funcionários co­­mentam que já é possível observar evidências de que os vazamentos levaram a uma postura de mais cautela na forma como as informações mais delicadas são manuseadas e disseminadas. Um funcionário do governo em contato com militares e diplomatas norte-americanos no Iraque disse que o Departamento de Es­­tado e outras agências estão restringindo a partilha de informações e o acesso entre as Forças Ar­­madas e as agências civis. A fonte pediu para não ser identificada.

O acesso a grande parte do material diplomático foi facilitado depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001 contra os Esta­­dos Unidos. O sucesso do complô da rede extremista Al-Qaeda foi em parte atribuído a evidências segundo as quais a comunidade dos serviços secretos norte-americanos tinha informações adequadas indicando a iminência dos atentados, mas não foram capazes de ligar os pontos a tempo porque essas informações não eram compartilhadas entre as diferentes agências do governo.

Depois dos atentados, diversas agências governamentais norte-americanas passaram a ter acesso mútuo a sistemas de dados de acesso restrito. Nos casos do Pentágono e do Departamento de Estado, as informações eram plenamente compartilhadas e po­­diam ser acessadas sem a necessidade de se desconectar de um sistema e conectar-se a outro.

Essa facilidade de acesso pode ter aberto caminho para que um simples soldado raso conseguisse acesso a documentos sensíveis. O militar Bradley Manning, apontado co­­mo responsável por entregar in­­formações secretas do governo ao WikiLeaks, está preso em uma penitenciária de segurança má­­xi­­ma em Quantico, no estado nor­­te-americano de Virginia. Apesar de ele não ter sido acusado do mais recente vazamento, o WikiLeaks o celebra como um herói.

Autoridades norte-americanas consideram Manning o principal suspeito pelos vazamentos em parte por causa de seu próprio relato sobre o caso. “Nin­­guém suspeitou de nada”, gabou-se Manning a um confidente de­­pois do roubo das informações. “Não precisei nem mesmo esconder”, prosseguiu ele, segundo um trecho de uma conversa via computador publicada no Wi­­red.com.

Manning é acusado por um tribunal militar de ter roubado outros materiais sensíveis que posteriormente acabaram divulgados pelo WikiLeaks. Apesar disso, ainda não é possível afirmar se outras pessoas, inclusive executivos do WikiLeaks, poderão ser julgadas em separado por cortes civis.

Caçada

Procurado pela Interpol, Julian Assange não pode aparecer

Agência Estado

A lei está fechando o cerco em torno de Julian Assange, o homem que fundou o site WikiLeaks. Autoridades suecas têm o apoio da Justiça local em sua tentativa de prender o australiano para interrogá-lo em um caso no qual é considerado suspeito de estupro; nos Estados Unidos, políticos e estudiosos defendem que ele seja caçado implacavelmente, ou coisa pior.

O ex-hacker de computador que causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos e a líderes mundo afora com a divulgação de documentos secretos da diplomacia norte-americana sofreu um revés na justiça nesta semana, quando a Suprema Corte da Suécia manteve em vigor um mandado de prisão expedido contra ele – o que pode levar a sua extradição, caso seja encontrado.

Assange, de 39 anos, é acusado de estupro e coerção sexual em um caso que veio à tona em agosto na Suécia. Autoridades do país alertaram a Interpol e emitiram um mandado de busca válido em território europeu. O australiano nega as acusações (veja box ao lado).

Assange não faz nenhuma aparição pública há quase um mês, mas um de seus advogados insiste em que as autoridades sabem onde encontrá-lo. “Tanto as autoridades britânicas como as suecas sabem como contatá-lo, e os serviços de segurança sabem exatamente onde ele está”, assegura Mark Stephens.

A Suécia emitiu na sexta-feira um novo pedido de prisão internacional contra Assange, dessa vez com elementos processuais exigidos pela polícia britânica. “Enviamos as informações reclamadas pela polícia britânica”, declarou Karin Rosander. “Eles reclamvam informações suplementares relativas à pena máxima de cada um dos crimes e delitos do expediente. Habitualmente nós enviamos a pena correspondente ao crime mais grave”, explicou Rosander.

Em um comunicado, o advogado de Assange na Suécia, Bjorn Hurtig, sugeriu que seu cliente está sofrendo retaliações por causa do vazamento. “Eu realmente acho isso um pouco estranho e no mínimo uma ‘coincidência’ que a Interpol tenha tornado público o mandado de prisão simultaneamente à libertação das últimas revelações do WikiLeaks”, disse Hurtig.

Um porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse que a organização está tentando manter Assange em um local secreto, por razões de segurança.

Em Washington, o Comitê de Inteligência do Senado, que reúne graduados republicanos e democratas, pediu ao procurador-geral Eric Holder que processe Assange por espionagem. Advogados do governo norte-americano estão investigando se Assange pode ser processado por espionagem, disse um alto funcionário da Defesa, pedindo anonimato.

Caso complicado

Entenda o processo contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na Justiça da Suécia:

Quais são as acusações contra Julian Assange, o fundador do WikiLeaks?

– Segundo a Justiça sueca, ele cometeu estupro, assédio sexual e coerção ilegal contra duas mulheres. Os argumentos usados pela promotoria não estão claros, mas a prática de sexo desprotegido pode ser considerada uma categoria leve de estupro na Suécia. Assange manteve relações sexuais com duas mulheres, em datas distintas, enquanto dava palestras em Estocolmo.

Como ele se defende?

– Assange afirma que as relações foram consensuais. Segundo depoimentos das vítimas, o preservativo estourou com uma delas e com a outra Assange teria se recusado a usá-lo. A defesa de Assange alega que a ação da Suécia é uma retaliação em relação a vazamentos divulgados pelo WikiLeaks sobre o país.

Qual é a pena máxima?

– Quatro anos de prisão.

O que não está claro?

– Se a polícia sabe onde Assange está escondido e o motivo de a Justiça sueca ter retomado a ação, mesmo depois de uma juíza ter concluído que não houve estupro.

Fonte: Folhapress

Juiz pode rejeitar testemunha que considere desnecessária

Campanha no PR: De cada R$ 5 arrecadados, R$ 1 foi de doação oculta

A origem real de R$ 7,5 milhões arrecadados pela bancada do Paraná nunca será conhecida. O dinheiro foi doado pelos partidos, que podem ter recebido a verba de terceiros

De cada R$ 5 doados para as campanhas dos 30 deputados federais eleitos no Paraná, R$ 1 não teve a origem identificada. As chamadas “doações ocultas” foram feitas por diretórios partidários e comitês de campanha. Elas chegaram a R$ 7,3 milhões, ou seja, 20% do total de R$ 36,2 milhões arrecadados pelos eleitos.

Os recursos foram doados por pessoas ou empresas inicialmente para partidos e comitês, mas passaram por outros comitês até chegar aos candidatos. Nesse trajeto, podem ter percorrido até quatro intermediários. A manobra é legal, mas impede que os doadores sejam identificados.

A prática não é popular apenas entre os paranaenses. Dos R$ 318 milhões arrecadados por to­­dos os governadores eleitos, R$ 120 milhões (38%) foram por meio de doações ocultas. Em 2008, a ONG Contas Abertas, que fiscaliza o poder público, chegou a enviar um ofício ao TSE cobrando providências para garantir transparência à divulgação das doações, mas não houve uma solução efetiva.

Para o secretário-geral da ONG, Gil Castello Branco, há vários interessados em manter a situação como está. “A doação oculta atende o interesse do político, que não identifica o seu patrocinador, e o das empresas privadas, que não ficam com seus nomes atrelados aos políticos. Só não interessam ao eleitor, que tem o direito de saber de onde veio o financiamento das campanhas.”

Entre os deputados paranaenses, 18 receberam doações dos diretórios nacionais e estaduais dos partidos, que totalizaram R$ 6 milhões. O diretório nacional do PT doou para os cinco eleitos da legenda.

Secretário nacional de Co­­­municação do PT, André Vargas o petista eleito que mais recebeu verbas por meio desse tipo de financiamento eleitoral, com R$ 806 mil. Zeca Dirceu ficou com R$ 665 mil; Dr. Rosinha, R$ 102 mil; Assis do Couto, R$ 97 mil; e Angelo Vanhoni, R$ 63 mil.

Já o diretório nacional do PSDB só auxiliou Luiz Carlos Hauly, a quem destinou R$ 1,2 milhão. Além disso, o tucano recebeu R$ 100 mil do diretório estadual do partido. Hauly, que não irá para a Câmara porque será secretário da Fazenda no Paraná a partir do ano que vem, foi o paranaense que mais recebeu dinheiro dessa forma.

Os dois reeleitos pelo DEM também tiveram apoio do diretório nacional. Abelardo Lupion recebeu R$ 370 mil e o vice-presidente nacional da legenda, Eduardo Sciarra, R$ 260 mil. Fernando Giacobo, único eleito pelo PR, foi ajudado com R$ 500 mil pelo partido.

O comitê de campanha do governador Beto Richa (PSDB) doou R$ 200 mil para Dilceu Sperafico (PP) e R$ 17,5 mil para Rubens Bueno (PPS). Também há colaborações abaixo de R$ 10 mil feitas pelos comitês dos senadores eleitos Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB).

Autodoação

21% da verba saiu do bolso dos deputados

Dezessete dos 30 deputados federais eleitos pelo Paraná declararam à Justiça Eleitoral ter usado dinheiro do próprio bolso nas campanhas. O volume total de autodoações de pessoas físicas foi de R$ 7,5 milhões, o que corresponde a 21% do total de R$ 36,2 milhões arrecadados. O mais generoso com a própria campanha foi o novato Edmar Arruda (PSC), que doou a si próprio R$ 2,9 milhões do total de R$ 3,1 milhões arrecadados.

Já Alfredo Kaeffer (PSDB) doou para sua própria campanha R$ 1,4 milhão como pessoa física e outros R$ 2,7 milhões por meio de suas empresas. Depois dele aparece André Zacharow (PMDB), que empenhou R$ 484 mil do patrimônio pessoal para se eleger. Eles são seguidos no ranking por Moacir Micheletto (PMDB), com R$ 436 mil; e Dr. Rosinha (PT), com R$ 294 mil. (AG)

Ratinho foi bancado pelo pai e Arruda, pelo sogro

Doações em família impulsionaram as arrecadações dos deputados federais eleitos Ratinho Júnior (PSC) e João Arruda (PMDB, foto). O primeiro contou com doações que totalizaram R$ 988,5 mil do pai, o apresentador de televisão Carlos Roberto Massa, o Ratinho. Já o peemedebista recebeu R$ 562 mil do sogro, o empresário Joel Malucelli.

Ratinho Júnior foi o mais votado no Paraná, com 357.815 votos. Sobrinho do ex-governador Roberto Requião (PMDB), Arruda ficou em sexto, com 124.750 votos. No total, Ratinho Júnior declarou ao TSE ter arrecadado R$ 2,387 milhões e Arruda, R$ 1,083 milhão. Do total de 53 doações individuais ao peemedebista, 11 foram de empresas ligadas ao grupo J. Malucelli e 18 de pessoas da família. (AG)

Campeão de gastos

Alfredo Kaefer teve a campanha mais cara

Pela segunda vez seguida, o deputado Alfredo Kaefer (PSDB, foto) teve a campanha mais cara entre os parlamentares federais eleitos pelo Paraná. O tucano declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 4,2 milhões – R$ 1,14 milhão a mais do que o segundo no ranking, o novato Edmar Arruda (PSC). Em 2006, campanha de Kaefer custou R$ 2,95 milhões e foi a mais cara entre todos os 513 deputados federais do Brasil.

O deputado, que chega ao segundo mandato, diz não saber se o investimento valeu a pena. “Não vejo isso como uma questão financeira.” Mas ele concorda que as campanhas estão cada vez mais caras. “A solução seria adotarmos o voto distrital misto ou o voto em lista partidária.” (AG)

Fonte: Gazeta do Povo