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DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Aprovado parecer que extingue contribuição de aposentado aos 65 anos

Aprovado parecer que extingue contribuição de aposentado aos 65 anos

O texto da PEC 555/06, do ex-deputado Carlos Mota, já está em condições de ser incluída na pauta para votação no plenário da Câmara, para que seja transformado em emenda à Constituição, depende da aprovação em dois turnos nas duas Casas do Congresso – Câmara e Senado

A comissão especial que analisou o fim da cobrança de contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas do regime próprio dos servidores públicos aprovou, no último dia 14 de julho de 2010, o voto em separado do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/BA) em substituição ao parecer do relator, deputado Luiz Alberto (PT/BA), que também propunha a extinção gradual da contribuição.

 

O voto em separado, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP), que foi aprovado, estabelece:

1) extinção imediata da cobrança dos aposentados por invalidez,

2) extinção da contribuição dos aposentados e pensionistas que tiverem 65 ou mais anos de idade,

3) extinção gradual, a razão de 20% ao ano, a partir dos 61 anos de idade do titular do benefício, até a completa extinção aos 65 anos,

4) determina anda a imediata vigência dos itens de 1 a 3, para todos os aposentados e pensionistas dos três níveis de governo – União, estados e municípios – e nos Poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário – e órgãos da Administração Pública, e

5) esclarece também que enquanto não for extinta, a contribuição incidirá apenas sobre a parcela do provento de aposentadoria ou pensão que exceda ao teto de benefício do INSS, atualmente de R$ 3.467,40.

A diferença entre os textos era apenas na regra de transição para eliminação completa da contribuição, que no substitutivo aprovado é de cinco anos (dos 61 a 65) e no parecer rejeitado era de dez (de 61 a 70), ambos contados a partir dos 61 anos de idade.

O argumento do autor do voto em separado, Arnaldo Faria de Sá, para a eliminação da contribuição a partir dos 65 anos de idade, é de que a expectativa de vida da população brasileira é de 72,86 (setenta e dois anos, dez meses e dez dias) e, caso fosse cobrada até os 70 anos, o aposentado ou pensionista iria morrer sem ficar isento da contribuição.

Assim, a contribuição, na prática, ficará limitada a 11% da parcela que exceder ao teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), atualmente de R$ 3.416,54, e será cobrada apenas dos aposentados e pensionistas com idade inferior a 65 anos.

O texto da PEC 555, que já está em condições de ser incluída na pauta para votação no plenário da Câmara, para que seja transformado em emenda à Constituição, depende da aprovação em dois turnos nas duas Casas do Congresso – Câmara e Senado.

Leia mais:
PEC 555/06: comissão aprova parecer de Faria de Sá. Isenção aos 65 anos

Aprovado parecer que extingue contribuição de aposentado aos 65 anos

Bancada sindical: 47 dos 61 parlamentares irão tentar reeleição em outubro

Para efeito de comparação, na legislatura passada, de 2003 a 2007, havia 74 sindicalistas no Legislativo federal. No início da atual legislatura (2007 a 2011), a bancada tinha 64 sindicalistas, ou seja, 10% da composição do Parlamento federal, com 594 congressistas – deputados e senadores

Levantamento do DIAP revela que 47 dos 61 parlamentares que compõem a atual bancada sindical são candidatos à reeleição – são 45 deputados e dois senadores – que irão tentar renovar o mandato parlamentar. A bancada sindical representa 10,27% da composição do Congresso.

 

Para efeito de comparação, na legislatura passada, de 2003 a 2007, havia 74 sindicalistas no Legislativo federal. No início da atual legislatura (2007 a 2011), a bancada tinha 64 sindicalistas, ou seja, 10% da composição do Parlamento.

Baixou para 61 em razão da eleição de Maria do Carmo Lara (PT/MG) para a Prefeitura de Betim (MG) e Tarcísio Zimmermann (PT/RS) para a Prefeitura de Novo Hamburgo (RS), além do falecimento do deputado Adão Pretto (PT/RS), em 5 de fevereiro.

Dentre os que não irão tentar renovar o mandato, uma é candidata à Presidência da República (Marina Silva), um não irá concorrer a nenhum cargo eletivo (Cláudio Magrão), três vão disputar o governo do estado (Eduardo Valverde, Ideli Salvatti e Tião Viana), seis tentarão uma vaga para o Senado (Carlos Abicalil, José Pimentel, Paulo Rocha, Vanessa Grazziotin, Vignatti e Walter Pinheiro), um vai disputar mandato estadual (José Nery) e um é suplente de senador (Virgílio Guimarães).

Senado Federal
Da atual bancada sindical no Senado, composta de sete parlamentares, apenas dois irão tentar a reeleição – Fátima Cleide (PT/RO) e Paulo Paim (PT/RS).

Os demais – Ideli Salvatti (PT/SC) vai disputar o governo de estado; José Nery (PSol/PA) disputa mandato de deputado estadual; Marina Silva (PV/AC) concorre ao Planalto; e Tião Viana (PT/AC) vai tentar manter a hegemonia do partido no estado concorrendo ao governo. Ele tem mandato até 2015.

Força no Congresso
A atual bancada composta por 61 congressistas terá nesta eleição, pelo menos, que manter seu número e tentar ampliar sua força, do contrário não conseguirá fazer frente às demandas dos trabalhadores na próxima legislatura.

Nos próximos anos, mesmo que seja eleita a candidata do presidente Lula, não há garantia de fácil acesso ao poder, como existe no governo atual, nem tampouco a certeza de respeito empresarial e dos outros níveis de governo – estados e municípios – aos pleitos da classe trabalhadora.

Por isso, é fundamental que elejamos parlamentares – deputados federais e estaduais e senadores – para mediar conflitos, intermediar demandas e criar condições para as saídas negociadas para os impasses. Do contrário, podemos voltar aquele tempo de conflitos e impasses e, para piorar, sem os interlocutores, no caso os parlamentares, que davam suporte ao movimento sindical nos períodos anteriores aos governos Lula.

Pequena, mas combativa
A atual bancada, apesar de pequena, reagiu às investidas do neoliberalismo no Congresso, como a aprovação da Emenda 3, vetada pelo presidente da República, e foi pró-ativa na luta pelo aumento real do salário mínimo, no arquivamento do projeto de flexibilização da CLT, na defesa de aumentos reais do salário mínimo e dos aposentados, na atualização da tabela do imposto de renda, no apoio ao reajuste dos servidores e na luta pela eliminação do fator previdenciário.

Mas teve seu trabalho facilitado na relação com o Governo Federal e foi pouco demandada na mediação de conflitos com o setor privado.

Uma bancada do tamanho da atual, ainda que com a mesma combatividade, não dará conta dos desafios de uma conjuntura diferente da vivenciada no segundo mandato do presidente Lula.

No cenário de hoje, há afinidade entre o Governo central e o movimento sindical. Para completar, os empresários se sentem constrangidos em agredir um segmento defendido por um presidente da República popular. Qual é a garantia que esse quadro irá se repetir?

Leia também:
Ampliar a bancada sindical: desafio dos trabalhadores em 2010* 

Veja a lista com os nomes da atual bancada sindical e a situação de cada um para as eleições:

Deputados

Alice Portugal (PCdoB/BA) – reeleição
Ângelo Vanhoni (PT/PR) – reeleição
Anselmo de Jesus (PT/RO) – reeleição
Antônio Carlos Biffi (PT/MS) – reeleição
Arlindo Chinaglia (PT/SP) – reeleição
Assis Miguel do Couto (PT/PR) – reeleição
Augusto Carvalho (PPS/DF) – reeleição
Cândido Vaccarezza (PT/SP) – reeleição
Carlos Abicalil (PT/MT) – Senado
Carlos Santana (PT/RJ) – reeleição
Carlos Zarattini (PT/SP) – reeleição
Cláudio Magrão (PPS/SP) – não concorre a cargo eletivo
Chico D’Angelo (PT/RJ) – reeleição
Chico Lopes (PCdoB/CE) – reeleição
Dalva Figueiredo (PT/AP) – reeleição
Daniel Almeida (PCdoB/BA) – reeleição
Devanir Ribeiro (PT/SP) – reeleição
Domingos Dutra (PT/MA) – reeleição
Dr. Rosinha (PT/PR) – reeleição
Edmilson Valentim (PCdoB/RJ) – reeleição
Eduardo Valverde (PT/RO) – governo de estado
Emília Fernandes (PT/RS) – reeleição
Eudes Xavier (PT/CE) – reeleição
Fátima Bezerra (PT/RN) – reeleição
Fernando Ferro (PT/PE) – reeleição
Fernando Lopes (PMDB/RJ) – reeleição
Geraldo Magela (PT/DF) – reeleição
Gilmar Machado (PT/MG) – reeleição
Henrique Afonso (PT/AC) – reeleição
Ivan Valente (PSol/SP) – reeleição
João Dado (PDT/SP) – reeleição
João Paulo Cunha (PT/SP) – reeleição
Jorge Bittar (PT/RJ) – reeleição
José Pimentel (PT/CE) – Senado
Leonardo Monteiro (PT/MG) – reeleição
Luiz Aberto (PT/BA) – reeleição
Luiz Bassuma (PV/BA) – governo de estado
Luiz Sérgio (PT/RJ) – reeleição
Manuela D’Ávila (PCdoB/RS) – reeleição
Marcelo Serafim (PSB/AM) – reeleição
Maurício Rands (PT/PE) – reeleição
Nelson Pellegrino (PT/BA) – reeleição
Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) – reeleição
Paulo Rocha (PT/PA) – Senado
Paulo Rubem Santiago (PDT/PE) – reeleição
Pepe Vargas (PT/RS) – reeleição
Perpétua Almeida (PCdoB/AC) – reeleição
Ricardo Berzoini (PT/SP) – reeleição
Roberto Santiago (PV/SP) – reeleição
Vander Loubet (PT/MS) – reeleição
Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) – Senado
Vicentinho (PT/SP) – reeleição
Vignatti (PT/SC) – Senado
Virgílio Guimarães (PT/MG) – suplente de senador
Walter Pinheiro (PT/BA) – Senado
Zé Geraldo (PT/PA) – reeleição
Zezéu Ribeiro (PT/BA) – reeleição

Senadores

Fátima Cleide (PT/RO) – reeleição
Ideli Salvatti (PT/SC) – governo de estado
Inácio Arruda (PCdoB/CE) – mandato até 2015
José Nery (PSol/PA) – deputado estadual
Paulo Paim (PT/RS) – reeleição
Marina Silva (PV/AC) – presidente da República
Tião Viana (PT/AC) – governo de estado

Aprovado parecer que extingue contribuição de aposentado aos 65 anos

TSE divulga perfil dos candidatos

A maioria dos políticos brasileiros é homem, casado, não tem ensino superior, passou dos 45 anos e disputa uma vaga nas assembleias estaduais. Os dados são do último levantamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que contabilizou 20.335 candidatos em todo o país.

O cargo mais disputado é o de deputado estadual, em que a concorrência envolve 63% dos candidatos. O levantamento mostra que a política brasileira ainda está longe da juventude. Apenas 12% dos políticos têm entre 18 e 34 anos, enquanto 61% passaram dos 45 anos.

A lei eleitoral ainda não é respeitada à risca pelos partidos. Apenas 20% dos candidatos são mulheres, enquanto a lei prevê um quarto das candidaturas. O desempenho, contudo, é melhor que em 2006: elas representavam 14%. O TSE, contudo, ainda não discriminou os dados por partido.

Nas profissões, a principal é “outros”, que é quando o candidato prefere não categorizar sua ocupação, e representa 16% das 20 mil candidaturas. Em segundo lugar, aparece empresário, com 8%. Em quinto lugar, consta “deputado”. Ou seja, 1.027 políticos adotaram o cargo temporário como profissão e disputam a reeleição.

Embalado pela candidatura de Marina Silva à Presidência, o PV divide com o PT e PMDB o topo da quantidade de candidaturas. O PV tem 6,25%, enquanto PMDB e PT têm 6,11% e 6,02%, respectivamente. Os tucanos aparecem logo em seguida, com 5% dos candidatos. Abalado pelo mensalão e ausência de governos estaduais, o DEM representa 3,8% dos políticos.

A depender do número de candidaturas, a coligação da presidenciável Dilma Rousseff (PT) tem o apoio de 48% dos políticos. A chapa de José Serra (PSDB) representa 20% dos candidatos e Marina Silva (PV), 6,25%. Os apoios partidários, entretanto, obedecem a lógicas estaduais e nem sempre representam apoio aos presidenciáveis.

Os números do TSE foram atualizados ontem e serão consolidados até o dia 20. A expectativa é adicionar até duas mil candidaturas às estatísticas.

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Proteção para a hora trabalhada

Empresas serão obrigadas a adotar novo sistema que comprove a presença do funcionário e evite a marcação irregular do ponto

O horário da jornada de trabalho dos brasileiros passará a ser controlado com maior transparência pelas empresas que utilizam sistemas eletrônicos para o registro de ponto de seus empregados. No mês que vem, entra em vigor a Portaria nº 1.510 do Ministério do Trabalho, que disciplina o registro de marcações de pontos automatizados nas organizações. A intenção é regulamentar o uso desses marcadores e melhorar o controle das horas trabalhadas pelos funcionários, além de evitar sonegação de impostos e adulterações em casos de ações judiciais. De acordo com estimativas de fabricantes, a medida deve afetar 480 mil empresas com aproximadamente 1 milhão desses equipamentos instalados em todo o país.

Desse modo, todas as organizações com mais de 10 funcionários que utilizam mecanismos de marcação eletrônica deverão se enquadrar nas normas estabelecidas pelo governo. A principal delas diz respeito ao novo tipo de registrador que deverá ser utilizado. Diferente dos aparelhos vendidos atualmente no mercado, o equipamento incorpora uma pequena impressora, com bobina de papel, para que o empregado possa imprimir e guardar os comprovantes de entrada e saída cada vez que bater o ponto durante o expediente. Esses registros poderão ser utilizados pelo funcionário em caso de uma eventual necessidade de comprovação de horas-extras trabalhadas em ações na Justiça. Além disso, a portaria exige que o novo aparelho tenha um software inviolável que impede a alteração dos dados armazenados relacionados à folha de pessoal.

Prejuízo
Análises realizadas pelo governo revelam que a falta de uma regulamentação nessa área facilita fraudes e manipulação de dados — sobretudo em relação aos registros de horas-extras —, causando prejuízos, inclusive, aos cofres públicos. Um levantamento da Secretaria de Inspeção do Trabalho mostra que R$ 20,3 bilhões referentes a hora-extras não são pagos aos trabalhadores brasileiros todos os anos. Ao deixar de registrar o trabalho adicional dos empregados, a sonegação à Previdência Social pode chegar a R$ 4,1 bilhões. Ao analisar os desvios referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o rombo é de mais de R$ 1,6 bilhão.

A empresa de engenharia Multicon trocou o ponto mecânico pelo eletrônico no ano passado e, desde então, os seus 150 funcionários têm as jornadas devidamente registradas no fim do mês. “Para a organização, é mais prático, já que não precisamos mais calcular as horas-extras manualmente. Tudo é feito por meio do software, o que agiliza nossa vida”, relatou o coordenador de obras da empresa, Jorge Cunha. No entanto, ele também assinala um ponto negativo. “Os trabalhadores saem para o almoço na mesma hora, então se forma uma fila em frente ao equipamento. Como o custo para se adquirir mais um aparelho não é barato, eles perdem um tempo para anotar a entrada e a saída”, disse. Os produtos homologados custam entre R$ 2 mil a R$ 4 mil.

Nem todas
A portaria não obriga, porém, o uso do novo aparelho em todas as empresas. Aquelas que já utilizam sistemas de marcação de ponto manual ou mecânico não precisam fazer a mudança. Para o vice-presidente da fabricante Dimep Sistemas, Dimas de Melo Pimenta III, as vantagens não atingem somente as empresas e os trabalhadores. “A própria Justiça brasileira será beneficiada, já que existe um volume enorme referente a processos trabalhistas circulando nos tribunais”, destacou. Ele acredita que aproximadamente 40% das empresas que utilizam sistemas eletrônicos deverão trocar seus equipamentos para atender à nova legislação até o fim do ano.

DO CÓDIGO DE BARRAS À ÍRIS
O registro do horário de entrada e saída dos funcionários nas empresas não é algo necessariamente novo, mas, ao longo dos anos, as tecnologias utilizadas nesses processos evoluíram e incorporaram recursos, principalmente no que diz respeito a identificação dos funcionários. Para realizar essas marcações, diferentes tipos de mecanismos podem ser utilizados, como a leitura de código de barras, de tarjas magnéticas ou smart cards (cartões inteligentes com chip que armazena informações). Duas outras alternativas também começam a ganhar força: os cartões de proximidade, que se comunica por meio de rádio para liberar o acesso do funcionário em um estabelecimento, e sistemas baseados em biometria, que utilizam identificações físicas das pessoas, como a digital ou a íris, para liberar o acesso a um local.

Fiesp dispara contra medida

O novo ponto eletrônico regulamentado pelo Ministério do Trabalho não é uma medida de consenso. Por meio de nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) declarou que as micro e pequenas empresas sentirão um impacto maior por conta do elevado custo dos equipamentos. A entidade acredita ainda que, além do comprometimento no orçamento dessas organizações, outro aspecto a ser considerado é a possibilidade de se aumentar a animosidade nas relações de trabalho.

O argumento é que novos mecanismos de fiscalização e manutenção da regularidade poderão ser entendidos como um ato de desconfiança do empregador pelo funcionário. Além disso, segundo a Fiesp, a obrigatoriedade da entrega de um comprovante físico a cada marcação do empregado é altamente dispendiosa e não resolve os problemas existentes. “Os empregados serão obrigados a guardar os comprovantes fornecidos durante toda a relação contratual, pois eles serão as únicas provas dos horários que de fato trabalharam”, afirmou a entidade.

A federação também alertou que as regras não serão a solução para os problemas de fraudes e imprecisões nos registros de frequência. “O sistema apresenta pontos de alta vulnerabilidade, como a porta USB para coleta de informações existentes no equipamento de registro. O mecanismo expõe dados pessoais dos trabalhadores, desrespeitando seu direito constitucional à privacidade”, disparou. A entidade defende a suspensão temporária da nova regra para que a indústria e os representantes dos trabalhadores tenham mais tempo para discutir a questão. O governo, no entanto, já bateu o martelo e deu como prazo final o dia 21 de agosto para a portaria entrar em vigor.

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Dilma e Serra: diferenças na margem

A crise europeia e as dificuldades enfrentadas ainda pelo governo dos Estados Unidos para retomar a atividade economica, combalida pelo tsunami financeiro de 2008, têm gerado inquietude nos economistas que pensam o Brasil, às vésperas de uma eleição presidencial.

As opiniões se dividem. Em recente seminário fechado na Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), promovido pelo Departamento de Economia da PUC-Rio, reunindo, entre outros nomes, Pedro Malan, Affonso Celso Pastore e André Lara Resende, a questão foi abordada em uma pauta onde o prato principal era político: a palestra do cientista político Cesar Romero sobre “A Geografia do Voto nas Eleições Presidenciais do Brasil: 1989-2006”.

A hipótese de uma piora no cenário mundial em 2011 com repercussões na economia brasileira não foi afastada nas discussões no encontro, podendo obrigar o futuro presidente, seja Dilma Rousseff ou José Serra, a adotar medidas mais austeras para tocar o país nos próximos dois anos.

Os economistas da PUC avaliaram que a crise, que abate hoje Grécia, Portugal e Espanha, pode se alastrar para outros países europeus e para os Estados Unidos, caso seus governos não consigam administrar a monstruosa dívida pública criada com a estatização da dívida privada de bancos e montadoras, após a queda do Lehman Brothers.

Agora, esses mesmos governos estão às voltas com gigantescos déficits públicos, numa sinalização de que o fantasma de 2008 voltou a rondar o mundo. E pode pegar o Brasil pelo lado do mercado externo, reduzir exportações, fluxo de capitais e negócios na Bolsa de Valores. O crescimento menor das economias desenvolvidas já está afetando o volume de investimentos diretos estrangeiros no país.

Carlos Langoni diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, não crê num desfecho pessimista para a crise europeia. “O cenário externo não é impedimento para o crescimento do Brasil em 2011. Nosso grande desafio ano que vem será sustentar um crescimento acelerado como teremos este ano . Para mim, 7% é uma taxa de crescimento pontual. O problema brasileiro, ao contrário da China e da Índia, é encontrar um padrão de crescimento sustentado. Esse é o desafio para o futuro presidente.”

Acontece, porém, que uma contração nas exportações e nos investimentos diretos estrangeiros, por conta de menor crescimento dos países desenvolvidos, pode vir a requerer, em 2011, medidas para conter as importações e/ou para desacelerar a economia, incluindo ajuste fiscal. Uma receita para evitar o descontrole do déficit em conta corrente no médio prazo passa por juros mais baixos, moeda menos valorizada (pois o país deixa de atrair “smart money” com menor custo de capital) e política fiscal mais restritiva para segurar a expansão do gasto público.

Dilma e Serra não terão dificuldade em conduzir tal política, avalia Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia da UFRJ. Ambos, segundo ele, apoiam juros menores e câmbio mais desvalorizado para o Brasil. “Quem está concorrendo tem experiência de governo. A diferença entre o pensamento econômico de Dilma e Serra é na margem”, aposta.

O sentimento de que Serra e Dilma não terão receitas muito diferentes de política econômica para enfrentar situações mais adversas é compartilhado por Romero. “Não vejo muita diferença de condução da economia entre os dois candidatos, quer o vencedor [da eleição] seja Dilma ou Serra”. A percepção do cientista político é que os legados positivos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva Lula vão ter continuidade, seja quem for o próximo presidente. O segundo mandato de FHC foi marcado pela estabilidade economica. O segundo de Lula retomou o crescimento da economia com distribuição de renda. As duas coisas se complementam e vão continuar a orientar a economia brasileira.

Mesmo a questão do tamanho do Estado, que aparentemente cria um fosso entre ortodoxos e heterodoxos, não é vista pelo cientista político como uma muralha que separa os dois candidatos. “Serra é tão estatista quanto a Dilma. Serra não é Alckmin. É muito mais Mario Covas, que nunca se deixou enganar pela sereia das privatizações”, afirma Romero.

A dúvida é qual dos candidatos terá condições de governabilidade para enfrentar situações de maior restrição no campo econômico, como corte de gastos que envolvam aposentadorias

A crise europeia e as dificuldades enfrentadas ainda pelo governo dos Estados Unidos para retomar a atividade economica, combalida pelo tsunami financeiro de 2008, têm gerado inquietude nos economistas que pensam o Brasil, às vésperas de uma eleição presidencial.

As opiniões se dividem. Em recente seminário fechado na Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), promovido pelo Departamento de Economia da PUC-Rio, reunindo, entre outros nomes, Pedro Malan, Affonso Celso Pastore e André Lara Resende, a questão foi abordada em uma pauta onde o prato principal era político: a palestra do cientista político Cesar Romero sobre “A Geografia do Voto nas Eleições Presidenciais do Brasil: 1989-2006”.

A hipótese de uma piora no cenário mundial em 2011 com repercussões na economia brasileira não foi afastada nas discussões no encontro, podendo obrigar o futuro presidente, seja Dilma Rousseff ou José Serra, a adotar medidas mais austeras para tocar o país nos próximos dois anos.

Os economistas da PUC avaliaram que a crise, que abate hoje Grécia, Portugal e Espanha, pode se alastrar para outros países europeus e para os Estados Unidos, caso seus governos não consigam administrar a monstruosa dívida pública criada com a estatização da dívida privada de bancos e montadoras, após a queda do Lehman Brothers.

Agora, esses mesmos governos estão às voltas com gigantescos déficits públicos, numa sinalização de que o fantasma de 2008 voltou a rondar o mundo. E pode pegar o Brasil pelo lado do mercado externo, reduzir exportações, fluxo de capitais e negócios na Bolsa de Valores. O crescimento menor das economias desenvolvidas já está afetando o volume de investimentos diretos estrangeiros no país.

Carlos Langoni diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, não crê num desfecho pessimista para a crise europeia. “O cenário externo não é impedimento para o crescimento do Brasil em 2011. Nosso grande desafio ano que vem será sustentar um crescimento acelerado como teremos este ano . Para mim, 7% é uma taxa de crescimento pontual. O problema brasileiro, ao contrário da China e da Índia, é encontrar um padrão de crescimento sustentado. Esse é o desafio para o futuro presidente.”

Acontece, porém, que uma contração nas exportações e nos investimentos diretos estrangeiros, por conta de menor crescimento dos países desenvolvidos, pode vir a requerer, em 2011, medidas para conter as importações e/ou para desacelerar a economia, incluindo ajuste fiscal. Uma receita para evitar o descontrole do déficit em conta corrente no médio prazo passa por juros mais baixos, moeda menos valorizada (pois o país deixa de atrair “smart money” com menor custo de capital) e política fiscal mais restritiva para segurar a expansão do gasto público.

Dilma e Serra não terão dificuldade em conduzir tal política, avalia Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia da UFRJ. Ambos, segundo ele, apoiam juros menores e câmbio mais desvalorizado para o Brasil. “Quem está concorrendo tem experiência de governo. A diferença entre o pensamento econômico de Dilma e Serra é na margem”, aposta.

O sentimento de que Serra e Dilma não terão receitas muito diferentes de política econômica para enfrentar situações mais adversas é compartilhado por Romero. “Não vejo muita diferença de condução da economia entre os dois candidatos, quer o vencedor [da eleição] seja Dilma ou Serra”. A percepção do cientista político é que os legados positivos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva Lula vão ter continuidade, seja quem for o próximo presidente. O segundo mandato de FHC foi marcado pela estabilidade economica. O segundo de Lula retomou o crescimento da economia com distribuição de renda. As duas coisas se complementam e vão continuar a orientar a economia brasileira.

Mesmo a questão do tamanho do Estado, que aparentemente cria um fosso entre ortodoxos e heterodoxos, não é vista pelo cientista político como uma muralha que separa os dois candidatos. “Serra é tão estatista quanto a Dilma. Serra não é Alckmin. É muito mais Mario Covas, que nunca se deixou enganar pela sereia das privatizações”, afirma Romero.

A dúvida é qual dos candidatos terá condições de governabilidade para enfrentar situações de maior restrição no campo econômico, como corte de gastos que envolvam aposentadorias e salários. Talvez Dilma possa contar com mais apoio dos movimentos sociais. Talvez eles não infernizem a vida dela. Lula teve paz social bastante grande, sem fortes ondas grevistas, mas também não cortou benefícios. O risco maior, nesse caso, pode ser de Serra.

Romero concorda. Ele crê que o PT possa usar os movimentos sociais para queimar o capital político do adversário. Mas reconhece que as chances disso acontecer são pequenas. “PT e PSDB têm mais coisas em comum do que pensam, e só brigam porque são rivais em São Paulo.”

e salários. Talvez Dilma possa contar com mais apoio dos movimentos sociais. Talvez eles não infernizem a vida dela. Lula teve paz social bastante grande, sem fortes ondas grevistas, mas também não cortou benefícios. O risco maior, nesse caso, pode ser de Serra.

Romero concorda. Ele crê que o PT possa usar os movimentos sociais para queimar o capital político do adversário. Mas reconhece que as chances disso acontecer são pequenas. “PT e PSDB têm mais coisas em comum do que pensam, e só brigam porque são rivais em São Paulo.”