por master | 02/03/12 | Ultimas Notícias
Além de previsível, por estranho que pareça, julgo positiva a nova insubordinação de cerca de cem chefes militares da reserva contra a comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Vana Rousseff, que, coincidentemente, é também a presidente da República Federativa do Brasil, eleita em 31 de outubro de 2010 com 55.752.529 votos, os quais contabilizaram 56,05% do total de votos válidos.
Por Eduardo Guimarães, no blog da Cidadania
Os militares da reserva – que muitos chamam de militares de pijama, mas que adotam discurso grandiloqüente e ameaçador que obriga a duvidar de que sejam só velhinhos mal-humorados – deixam ver que continuam dando tão pouco valor ao voto popular quanto davam há pouco menos de meio século, quando jogaram no lixo outros tantos milhões de votos e puseram o eleito para correr, após o que passaram a impedir que a sociedade expressasse seus desejos políticos devido a que certamente achavam que estes não seriam de seu agrado.
Como na época em que os militares aplicaram seu peculiar conceito de democracia, conceito esse que passava pela nulidade do voto popular, também temos hoje setores da imprensa falando pelos possíveis golpistas, mandando recados ameaçadores a quem a vontade dos brasileiros transmudou em comandante suprema das Forças Armadas.
Um peão que disputa com extensa fila de concorrentes o posto que Carlos Lacerda ocupou um dia, saiu recitando trecho dos Lusíadas em que a personagem de Camões recomenda “cuidado” aos portugueses, e faz isso no mesmo texto em que critica a presidente por ter exigido de cada uma das Forças Armadas que repreenda seus membros inativos e insubordinados.
Este blog vive recebendo comentários iguais. Recentemente, leitor postou que se Dilma tentar aprovar uma lei da mídia os seus amigos militares a derrubarão como derrubaram Jango Goulart. Esse tipo de comentário, neste blog, é freqüente. Alguns dos que postam essas coisas se dizem militares e dão a entender que são da reserva, apesar de que não dão seus nomes.
A diferença desses para o tal colunista é a de que este está ligadão a militares da reserva, aos amigos desses militares na política e, supõe-se – devido à grandiloqüência de suas ameaças –, também aos militares da ativa…
Nesse aspecto, julgo que esse episódio é positivo. Há, na esquerda, uma moçada que não consegue sequer cogitar a hipótese de que hoje os militares ousariam deixar os quartéis para derrubar o governo, fechar o Congresso, estabelecer a censura, prender sem mandado, torturar e assassinar como ocorreu há quase 50 anos e durante os vinte anos seguintes.
Quem está certo, este cinqüentão ultrapassado ou a garotada confiante na força da nossa democracia? Eles que se entendam com o tal colunista que todos sabem que não passa de um boneco de ventríloquo, de forma a descobrirem se a sua ameaça a Dilma é só para contentar idosos preocupados em ter que prestar contas da valentia de há meio século ou se é algo mais.
De qualquer modo, é bom que tenha ocorrido essa insubordinação. Se realmente estivermos em 2012 em vez de em 1964, esses militares terão que baixar a bola, terão que adotar o silêncio a que a opção pela caserna os obriga constitucionalmente. Do contrário… Bem, prefiro nem descrever o contrário.
Neste momento, portanto, há que saber se essas pessoas que o Estado sustenta na aposentadoria podem ou não ser enquadradas nas leis que regem a nação por questionarem a legitimidade do Poder Legislativo para aprovar a Comissão da Verdade e por policiarem as opiniões da superior hierárquica.
De uma coisa podemos estar certos: o desenlace desse episódio revelará se estivemos brincando de democracia no último quarto de século ou se ela é para valer. Se houver o risco de o voto dos brasileiros ser novamente rasgado, pelo menos já iremos escolhendo logo entre lutar ou capitular diante da ditadura até então camuflada, pois é melhor um fim terrível do que um terror sem fim.
*Eduardo Guimarães é jornalista e integra o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe)
por master | 02/03/12 | Ultimas Notícias
Em sua coluna na Folha desta semana, Aécio Neves voltou a revelar todo o seu vazio político. Talvez isto ajude a explicar porque Serra – agora “revitalizado”, segundo FHC – disse ontem que o seu sonho de ser presidente está apenas “adormecido”. Diante das platitudes do senador mineiro, o ex-governador paulista percebe que ainda tem chances da bancar o seu nome no PSDB.
Aécio Neves é “óbvio” demais! No artigo, ele critica o governo por ter maioria no parlamento. “A presidenta Dilma encena um monólogo a dois no qual uma das partes – o governo – fala e determina, e a outra – o Congresso – cala e obedece”, ataca o ex-governador de Minas Gerais. A sua revolta é contra o recente corte no Orçamento da União das emendas parlamentares.
Autoritarismo do executivo? Aonde?
Para o inepto e apagado senador, esta medida seria mais uma “demonstração do autoritarismo do Executivo sobre o Legislativo… Blindada pela muralha das alianças de conveniência, o governo ignora o Congresso como instituição e apequena a relação entre os Poderes. Sou um dos que se perguntam até quando os próprios aliados resistirão em silêncio ao desrespeito continuado”.
Para quem conhece como funciona o rolo compressor na Assembléia Legislativa de Minas Gerais e qual a política “amplíssima” de alianças do ex-governador, o artigo é risível. É de um cinismo descomunal. Aécio Neves sempre “apequenou” o poder legislativo local, traficou com os partidos e cooptou a mídia mineira – já a sua irmã manda demitir e censurar os jornalistas mais críticos.
Sem propostas e sem rumo
Além de conservador e provinciano, Aécio Neves é autoritário e truculento – que o digam os professores mineiros. A encarniçada disputa no interior do PSDB, entre o “revitalizado” Serra e o “óbvio” senador mineiro, revela bem o vazio da direita nativa. Sem propostas e sem rumo, o seu discurso é cansativamente “monótono” – conforme indica o título do artigo de Aécio Neves.
por master | 02/03/12 | Ultimas Notícias
Durante a reocupação da Fazenda Rio dos Sonhos, em Bom Jesus das Selvas (MA), por cerca de 300 trabalhadores no último sábado (25), o agropecuarista e grileiro José Osvaldo Damião atropelou a gestante de seis meses Fagnea Carvalho de Oliveira, que acabou perdendo seu filho.
Por Reynaldo Costa, do Portal do MST
Na ação violenta realizada pelo fazendeiro e por seus jagunços, outros trabalhadores também foram agredidos, entre eles um senhor de 72 anos de idade.
Fagnea foi levada para o hospital municipal de Bom Jesus das Selvas, onde perdeu a criança tamanha gravidade dos ferimentos causados pelo atropelamento. Apesar de estar em estado de choque, a trabalhadora passa bem.
Três dias do acontecimento, os trabalhadores ainda não conseguiram prestar ocorrência, pois a delegacia local ignorou seus relatos. Deslocaram-se, portanto, ao município de Açailândia, mas também não foram atendidos.
No final da tarde desta terça-feira (28), militantes de direitos humanos organizados pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia, visitaram o acampamento, colheram informações sobre as agressões e exigiram que um delegado fizesse o registro das ocorrências.
A área
A área ocupada tem cerca de oito mil hectares e está sendo pleiteada pelo programa Terra Legal, responsável por regularizar terras na Amazônia. O dito proprietário se empossou indevidamente da área e não poderá ser beneficiado pelo programa por já ser proprietário de outras áreas na região.
A superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Maranhão já solicitou a transferência de competência desta área para a justiça federal, para que se evite o despejo das famílias acampadas na fazenda.
Os trabalhadores que ocupam a área são Sem Terras da região e famílias que moravam em áreas de risco. Junto ao grupo está cerca de 25 famílias que viviam no lixão da cidade.
O Fazendeiro
Conhecido por Zé Osvaldo, este é mais um dos pecuaristas com histórico de truculência contra trabalhadores rurais. Dono de várias fazendas no sudeste do estado, na década de 90, Zé Osvaldo foi acusado de ser o responsável por vários crimes no campo.
Em dezembro de 2005, um de seus filhos invadiu o Assentamento Califórnia com uma caminhonete, onde acontecia o encontro estadual do MST e tentou atropelar trabalhadores que andavam pelas ruas da comunidade.
por master | 02/03/12 | Ultimas Notícias
Sob uma enorme bandeira que dizia “Em toda a Europa, já chega. Existem alternativas para o emprego e a justiça social”, milhares de pessoas desfilaram em Paris e nas principais cidades do velho continente para protestar contra as políticas neoliberais de austeridade que os dirigentes da União Europeia se preparam para aprovar quinta e sexta-feira em Bruxelas.
Convocados pela Confederação Europeia de Sindicatos, (CES), e sob o lema “¡Basta ya!” (“Basta!”), a Europa sindical lotou as ruas de Bruxelas, Atenas, Paris, Lisboa e Madrid. “Não queremos essa austeridade que nos impõe uma vez que é economicamente absurda. A Europa deve mudar de rumo. Na Grécia, com cada plano de austeridade as coisas pioram”, declarou Claude Rolin, dirigente do sindicato belga CSC.
As confederações sindicais não escolheram a data ao acaso. O momento é grave para o mundo do trabalho e para as sociedades que gozam ainda do famoso “Estado de bem estar”. Os chefes de Estado e de governo dos 27 países da União Europeia vão ratificar, até sexta-feira, o pacto fiscal de governança europeia.
No final de janeiro, 25 dirigentes da União Europeia – menos o Reino Unido e a República Checa – se pronunciaram a favor do pacto fiscal que obrigará cada um dos subscritores a incorporar em sua legislação a “regra de ouro” do equilíbrio orçamentário ao mesmo tempo em que abre as portas a uma bateria de sanções em caso de descumprimento. O acordo entrará em vigor assim que pelo menos 12 Estados europeus o assinarem.
Ante a perspectiva de cortes massivos nos orçamentos públicos em obediência ao dogma liberal, os sindicatos moveram suas peças na rua para manifestar o que André, um sindicalista da CGT parisiense, qualificou à Carta Maior como “a espoliação organizada pelas gravatas capitalistas contra os magros direitos dos trabalhadores”.
O modelo liberal europeu que se perfila nem sequer oculta suas intenções: em uma entrevista publicada no Wall Street Journal, Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), anunciou o “fim” do modelo social europeu e, de passagem, excluiu qualquer opção que não fosse a das políticas de austeridade que estão se gestando na Europa. ”Não, senhor Draghi, o modelo social europeu não morreu. É a política neoliberal que pode matá-lo”, respondeu a secretária-geral do sindicato socialista belga FGTB, Anne Demelenne.
Os sindicatos estão conscientes da crise e das mudanças, mas impugnaram a metodologia do “sentido único”, quer dizer sacrifícios, que postula o pacto fiscal. François, Secretário Geral do sindicato francês CFDT, admitiu que ”é preciso controlar os gastos públicos para as gerações futuras, mas, ao mesmo tempo, tem que investir na economia do amanhã”.
O casal franco-alemã composto pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã Angela Merkel foi objeto de todas as antipatias. Na Bélgica, os manifestantes jogaram ao rio Meuse – cidade de Lieja – manequins com a imagem de Sarkozy e Merkel. A dupla franco-alemã, pioneira na promoção dos cortes do gasto público e na decapitação do modelo social europeu, leva o apelido de “Merkozy”.
Com a Grécia como exemplo mais drástico, Espanha, Portugal e Irlanda no patíbulo de uma onda de ajustes sociais, o pacto orçamentário europeu é uma ameaça que também divide os próprios europeus. A Irlanda, por exemplo, já anunciou que organizará referendo sobre este novo pacto. Dublin não está sozinha. Outros 11 países, liderados pelo Presidente do Conselho Italiano Mario Monti, questiona o manto de austeridade com que este novo presente, envenenado de ortodoxia do liberalismo, vai cobrir as sociedades. O sindicalismo do Velho Continente recém começa a esboçar uma resposta comum: pela frente tem um muro poderoso e tão sólido como os dentes de ouro.
por master | 02/03/12 | Ultimas Notícias
O desemprego na Zona do Euro aumentou para uma nova máxima da era da unificação monetária, enquanto a inflação ficou basicamente estável no início de 2012, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (1º/3).
O Banco Central Europeu atribuiu a elevação dos preços a uma queda abrupta das temperaturas na Europa e ao aumento dos preços do petróleo provavelmente estiveram por trás da ligeira alta nos preços ao consumidor em fevereiro, que levou a inflação para 2,7%, comparada a 2,6% em janeiro, mostraram dados da agência de estatísticas da União Europeia (Eurostat).
A crise econômica da Zona do Euro ajudou a trazer para baixo os preços de bens, alimentos e combustíveis em relação ao pico de 3% do ano passado, mas os preços do petróleo atingiram máximas recordes em euros neste mês e minaram a tendência de queda da inflação.
Isso sugere que o BCE deve deixar de lado qualquer decisão rápida para levar as taxas de juros para abaixo de 1% pela primeira vez e os economistas vêem o banco em “compasso de espera”.
O banco quer manter a inflação baixa, mas próxima de 2% no médio prazo. Excluindo os preços voláteis da energia e dos alimentos, a inflação de janeiro foi de 1,9% em uma base anual, disse a Eurostat nesta quinta-feira.
A queda dos preços pode ajudar as famílias européias, mas a Zona do Euro caminha para sua segunda recessão em três anos e o desemprego é um dos maiores desafios para os líderes da União Européia que se reúnem em um encontro de cúpula nesta quinta e sexta-feira.
O número de pessoas desempregadas aumentou para 10,7% em janeiro, acima do número de dezembro, revisado para cima, de 10,6%. A taxa é bem mais alta do que os 8% de quando o euro começou a circular, em 2000, e esconde a divisão Norte-Sul na situação vivida pela Zona do Euro.
O desemprego na Espanha subiu para 23,3% em janeiro, o nível mais alto entre os 17 países do bloco monetário, mas ficou em apenas 4% cento na Áustria. Ao todo, mais 185 mil pessoas estavam sem trabalho na Zona do Euro em janeiro na comparação com dezembro, disse a Eurostat. O desemprego ficou acima dos 10,4% previstos pelos economistas.