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Juntos, Sisu e Prouni abrem mais de 300 mil vagas no Ensino Superior

Juntos, Sisu e Prouni abrem mais de 300 mil vagas no Ensino Superior



A presidenta Dilma Roussef destaca a democratização do acesso ao ensino superior a partir do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), para universidades públicas, e o Prouni (Programa Universidade para Todos), de bolsas para instituições privadas. Somente com os dois programas foram abertas mais de 300 mil vagas neste início de ano, com seleção a partir da pontuação que os estudantes tiveram no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
 
Transcrição
 
Apresentador: Olá, eu sou Luciano Seixas e você acompanha agora o Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta! 
 
Presidenta: Bom dia, Luciano! Bom dia aos nossos ouvintes! 
 
Apresentador: Hoje, vamos falar de educação universitária, presidenta? 
 
Presidenta: Vamos sim, Luciano. Eu quero começar dando os meus parabéns aos jovens que foram selecionados, na semana passada, pelo Sistema de Seleção Unificada, o Sisu. Quero também dar os parabéns ao ministro Fernando Haddad, que é responsável por essa grande realização. O Sisu, Luciano, garante vagas nas universidades públicas e nos institutos federais de educação. São 108 mil estudantes que conquistaram suas vagas, em 95 instituições públicas de Ensino Superior. 
 
Apresentador: E como funciona essa seleção, presidenta? 
 
Presidenta: Olha, Luciano, o Sisu seleciona o estudante com base na nota que ele teve no Enem, o Exame Nacional de Ensino Médio. Cada instituição informa as vagas que tem em cada curso, o estudante então se candidata pela internet. Assim, Luciano, o jovem, que vive em Manaus, por exemplo, pode escolher um curso na Universidade Federal do Amazonas, mas também pode se candidatar a uma vaga em qualquer outro estado.
 
Apresentador: Então, o Sisu amplia muito mesmo as oportunidades para os nossos jovens, não é, presidenta? 
 
Presidenta: Sem dúvida, Luciano. Muitas vezes, um jovem quer estudar em outro estado ou fazer um curso que não tem no local em que ele vive. Para isso, ele tem de viajar centenas de quilômetros para prestar o vestibular em outra universidade, o que, para ele, pode ser inviável. Com o Sisu, este obstáculo deixa de existir. Sabe por que, Luciano? Porque ele fez a prova do Enem perto de sua casa, já que o exame foi aplicado em 1.600 cidades brasileiras. Olha, Luciano, os nossos estudantes estão tão atentos a essas oportunidades, que mais de 1,7 milhão de candidatos se inscreveram no Sisu este ano. 
Apresentador: Quer dizer que o Enem é fundamental para que sonha em conquistar logo uma vaga na universidade? 
Presidenta: Ah, é sim. Com o Enem, nós estamos democratizando o acesso ao Ensino Superior. Além de poder escolher entre as 95 instituições públicas do Sisu, com a nota do Enem, o candidato também pode pleitear uma bolsa de estudos do Prouni, o Programa Universidade para Todos, para estudar em uma faculdade particular. Justamente em janeiro vamos conceder a milionésima bolsa do Prouni. Isso quer dizer, Luciano, que 1 milhão de jovens chegaram ao Ensino Superior com o apoio do Prouni. Somente na seleção desse primeiro semestre de 2012, vamos oferecer 195 mil bolsas de estudos. É bom saber, Luciano, que as inscrições para o Prouni estão abertas até a próxima quinta-feira. Essas bolsas são para estudantes que fizeram o Ensino Médio em escolas públicas, são bolsas integrais ou parciais em 1.321 instituições em todo o país. Isso significa que, apenas com o Sisu e o Prouni, vamos ter mais de 300 mil estudantes ingressando no Ensino Superior agora no começo de 2012, selecionados a partir da prova do Enem. O desenvolvimento do país, Luciano, depende da educação e por isso esses programas são tão importantes, são tão estratégicos para o jovem, para a sua família e, sobretudo, para o Brasil. 
 
Apresentador: E quem não conseguiu uma vaga no Sisu ou no Prouni, presidenta? 
 
Presidenta: Nossa intenção é garantir a todos os jovens que queiram frequentar a universidade uma chance, uma oportunidade. Por isso, nós temos também o Fies, que é o programa de Financiamento Estudantil para o Ensino Superior. Com o Fies, Luciano, o estudante pode financiar até 100% da mensalidade, com juros bem baixos, de 3,4% ao ano. Ele só vai começar a pagar o empréstimo um ano e meio depois que terminar o curso. E o prazo para pagar o financiamento, Luciano, é três vezes maior do que a duração do curso, mais um ano. Tem um detalhe fundamental que pouca gente sabe, além disso, é que os jovens que fizerem o curso de licenciatura ou medicina e que forem trabalhar dando aulas nas escolas públicas ou atendendo pacientes do Sistema Único de Saúde em locais em que há carência de médicos, poderão ter o débito com o Fies reduzido. Eu quero dizer para os estudantes e também para os seus pais e suas mães, que batalham tanto pela formação de seus filhos, que nós vamos continuar, Luciano, trabalhando para educar bem os nossos jovens. Porque eu acredito, Luciano, que a educação é a principal ferramenta para a conquista dos sonhos de cada um e, também, para que o Brasil continue crescendo, distribuindo renda e que seja um país de oportunidade para todas as pessoas. Nada é mais importante que a educação quando se trata de distribuição de renda e de garantia de futuro. 
 
Apresentador: Infelizmente o nosso tempo acabou, presidenta. Obrigado por sua presença aqui no Café. 
 
Presidenta: Muito obrigada, e até a próxima semana! 
 
Apresentador: Você que nos ouve pode acessar este programa na internet, o endereço é www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira, até lá!
 
Juntos, Sisu e Prouni abrem mais de 300 mil vagas no Ensino Superior

Idosos na força de trabalho sobem 65% em dez anos

Outro recorte nos dados do Censo 2010 mostra forte tendência de envelhecimento do trabalhador brasileiro na última década. A quantidade de pessoas com mais de 60 anos que está no mercado de trabalho cresceu 65% desde 2000. O número pulou de 3,3 milhões para 5,4 milhões em 2010.

A reportagem é de Luiz Guilherme Gerbelli e Rodrigo Burgarelli
São dois os principais motivos que servem de estímulo para os trabalhadores com mais de 60 anos voltarem ao mercado de trabalho: complemento da renda e satisfação pessoal.

A professora aposentada Maria Gisella Puglisi, de 73 anos, ficou 18 anos sem exercer atividade remunerada e “depois que os filhos casaram” voltou a procurar emprego. Hoje, já tem três netos. “Eu sou dada a mudanças, gosto de me manter ativa”, diz ela, que há oito anos trabalha numa unidade da Pizza Hut. “Cada dia tem uma novidade. Aqui sempre tem novidade, trabalho com muitos jovens”, enfatiza. “Eu falo sempre para eles (os jovens) serem bons profissionais, porque é muito importante. Eles estão construindo o alicerce da carreira”, diz Maria Gisella. Ela garante que o ritmo do trabalho não a assusta – são seis dias por semana, das 11 às 17 horas.

Além do salário complementar, a professora aposentada destaca os benefícios. “Além da ajuda (financeira), tem também o seguro saúde, o que acho fantástico.” Desde 2003, a empresa contrata pessoas com mais de 60 anos e essa faixa etária já responde por 10% dos 700 funcionários da rede. O trabalho inicial é no atendimento, mas há casos de profissionais que já chegaram a gerente.

A presença dos trabalhadores com mais de 60 anos no mercado também é reflexo da falta da mão de obra qualificada. Segundo o diretor de Operações da consultoria de RH Human Brasil, Fernando Montero da Costa, com o aquecimento do mercado de trabalho, as empresas estão tendo de recorrer aos profissionais mais velhos para preencher vagas de nível técnico mais alto.

“Existia no mercado uma onda dizendo que as pessoas mais jovens têm mais energia, disposição. Depois da crise econômica, houve uma mudança e passou-se a valorizar também a experiência”, diz. “Os selecionadores começaram a enxergar as pessoas mais seniores e também uma distribuição maior entre jovens e seniores nas equipes”, diz Costa.

O aquecimento do mercado de trabalho foi importante para compensar a queda no número de empregadores, como indica o último Censo. Enquanto no início da década 2,9% dos brasileiros empregavam outros trabalhadores, hoje esse porcentual caiu para 1,9%. Isso significa que houve maior concentração no tamanho das empresas.

O crescimento foi registrado em todas as regiões. Prova disso é que, entre os Estados que lideram o ranking, estão locais tão distantes quanto Distrito Federal (151%), Amapá (135%) e Santa Catarina (104,7%).

Traduzidos na realidade, os números indicam tanto um aumento absoluto na média de idade da população quanto a disposição dos brasileiros em trabalhar por mais tempo, mesmo depois de se aposentar. As regiões Norte e Centro-Oeste, locais de forte crescimento econômico nos últimos anos e recente formalização do mercado de trabalho, concentram a maior proporção de trabalhadores acima de 60 anos na sua força de trabalho.

Nessas duas regiões, quase 30% da população economicamente ativa tem mais de 60 anos. Já os Estados do Nordeste, com população mais jovem e baixa escolaridade nas gerações mais velhas, registram média menor que 25%. Pesa também o fato de a qualidade de vida do Brasil aumentar gradativamente, ajudando a elevar a expectativa de vida do brasileiro, hoje em 73,5 anos, segundo a última medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Motivos

Juntos, Sisu e Prouni abrem mais de 300 mil vagas no Ensino Superior

Idosos na força de trabalho sobem 65% em dez anos

Outro recorte nos dados do Censo 2010 mostra forte tendência de envelhecimento do trabalhador brasileiro na última década. A quantidade de pessoas com mais de 60 anos que está no mercado de trabalho cresceu 65% desde 2000. O número pulou de 3,3 milhões para 5,4 milhões em 2010.

A reportagem é de Luiz Guilherme Gerbelli e Rodrigo Burgarelli
São dois os principais motivos que servem de estímulo para os trabalhadores com mais de 60 anos voltarem ao mercado de trabalho: complemento da renda e satisfação pessoal.

A professora aposentada Maria Gisella Puglisi, de 73 anos, ficou 18 anos sem exercer atividade remunerada e “depois que os filhos casaram” voltou a procurar emprego. Hoje, já tem três netos. “Eu sou dada a mudanças, gosto de me manter ativa”, diz ela, que há oito anos trabalha numa unidade da Pizza Hut. “Cada dia tem uma novidade. Aqui sempre tem novidade, trabalho com muitos jovens”, enfatiza. “Eu falo sempre para eles (os jovens) serem bons profissionais, porque é muito importante. Eles estão construindo o alicerce da carreira”, diz Maria Gisella. Ela garante que o ritmo do trabalho não a assusta – são seis dias por semana, das 11 às 17 horas.

Além do salário complementar, a professora aposentada destaca os benefícios. “Além da ajuda (financeira), tem também o seguro saúde, o que acho fantástico.” Desde 2003, a empresa contrata pessoas com mais de 60 anos e essa faixa etária já responde por 10% dos 700 funcionários da rede. O trabalho inicial é no atendimento, mas há casos de profissionais que já chegaram a gerente.

A presença dos trabalhadores com mais de 60 anos no mercado também é reflexo da falta da mão de obra qualificada. Segundo o diretor de Operações da consultoria de RH Human Brasil, Fernando Montero da Costa, com o aquecimento do mercado de trabalho, as empresas estão tendo de recorrer aos profissionais mais velhos para preencher vagas de nível técnico mais alto.

“Existia no mercado uma onda dizendo que as pessoas mais jovens têm mais energia, disposição. Depois da crise econômica, houve uma mudança e passou-se a valorizar também a experiência”, diz. “Os selecionadores começaram a enxergar as pessoas mais seniores e também uma distribuição maior entre jovens e seniores nas equipes”, diz Costa.

O aquecimento do mercado de trabalho foi importante para compensar a queda no número de empregadores, como indica o último Censo. Enquanto no início da década 2,9% dos brasileiros empregavam outros trabalhadores, hoje esse porcentual caiu para 1,9%. Isso significa que houve maior concentração no tamanho das empresas.

O crescimento foi registrado em todas as regiões. Prova disso é que, entre os Estados que lideram o ranking, estão locais tão distantes quanto Distrito Federal (151%), Amapá (135%) e Santa Catarina (104,7%).

Traduzidos na realidade, os números indicam tanto um aumento absoluto na média de idade da população quanto a disposição dos brasileiros em trabalhar por mais tempo, mesmo depois de se aposentar. As regiões Norte e Centro-Oeste, locais de forte crescimento econômico nos últimos anos e recente formalização do mercado de trabalho, concentram a maior proporção de trabalhadores acima de 60 anos na sua força de trabalho.

Nessas duas regiões, quase 30% da população economicamente ativa tem mais de 60 anos. Já os Estados do Nordeste, com população mais jovem e baixa escolaridade nas gerações mais velhas, registram média menor que 25%. Pesa também o fato de a qualidade de vida do Brasil aumentar gradativamente, ajudando a elevar a expectativa de vida do brasileiro, hoje em 73,5 anos, segundo a última medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Motivos

Juntos, Sisu e Prouni abrem mais de 300 mil vagas no Ensino Superior

Salário maior e mais empregos formais reduzem jornada de trabalho no País

O brasileiro passa cada vez menos tempo no trabalho. Dados do Censo 2010 revelam que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana caiu quase pela metade em uma década. Em 2000, 44% dos trabalhadores do País passavam mais tempo que isso no serviço, número que baixou para 28% em 2010. Isso significa que, em números absolutos, 5 milhões de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia.
 
A reportagem é de Luiz Guilherme Gerbelli e Rodrigo Burgarelli 

O número impressiona ainda mais quando se leva em conta que mais de 20 milhões de brasileiros – o equivalente a toda população da Grande São Paulo – ingressaram no mercado de trabalho nos últimos dez anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana – o salto foi de 3% para 8,3% do total da população economicamente ativa, um ganho de 5 milhões de trabalhadores. A maior parcela da população tem uma jornada semanal que varia entre 40 horas e 44 horas.

A redução da jornada de trabalho nos últimos anos está diretamente ligada ao aumento real no salário do brasileiro – hoje, ganha-se mais por hora trabalhada que em 2000 – e também à formalização do mercado de trabalho. A porcentagem de trabalhadores com carteira assinada pulou de 36% para 44% entre 2000 e 2010 – na contramão, os funcionários sem carteira de trabalho caíram de 24% para 18%. “A formalização do trabalho regula a jornada de trabalho e a hora extra. A empresa ou o empregador vão evitar de pagar hora extra, portanto, vão reduzir a jornada para o que é oficial”, diz Arnaldo Mazzei Nogueira, professor doutor da FEA-USP e PUC-SP.

Pizza

Isso aconteceu, por exemplo, com grande parte dos entregadores da pizzaria Dídio, da Lapa. A profissão era bastante informal no início da década, mas pouco a pouco mais vagas com carteira assinada foram surgindo. Hoje, na Dídio, todos os entregadores trabalham em horário definido, com direito a férias e 13.º. “Dá uma tranquilidade que eu não tinha alguns anos atrás, quando trabalhava em outra pizzaria, não tinha hora para sair e ainda ganhava menos que aqui”, conta Eduardo Evangelista Nunes, de 50 anos.

No Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, os trabalhadores com carteira assinada já são maioria da população. Mas alguns Estados ainda mantém um baixo contingente de profissionais com carteira de trabalho. Um exemplo é o Maranhão, onde apenas 20,8% são registrados. “Ainda há um grande contingente de trabalhadores sem regulação e que pode estar trabalhando jornadas insuportáveis”, lembra Nogueira.

Mulheres

O mercado de trabalho mais feminino, tendência da última década, também colaborou para reduzir a jornada. A diferença da participação entre homens e mulheres em postos de trabalho caiu de 20 pontos porcentuais para apenas seis em dez anos. “As mulheres costumam trabalhar menos horas do que os homens e a inclusão delas deve ter reduzido a média de horas semanais”, afirmou Regina Madalozzo, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

No Piauí, Paraíba e Ceará, a mão de obra feminina já supera a masculina. Os outros Estados do Nordeste também lideram a porcentagem de mulheres no mercado. “Isso ocorreu por causa da melhora econômica da região, urbanização e expansão dos serviços e comércio”, analisa Nogueira. O professor lembra que essa redução da diferença entre gêneros não reflete uma igualdade salarial. Levantamento de maio do ano passado, também do IBGE, mostrou que o salário médio da mulher é 20% menor que o do homem.

Qualificação

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, outro fator que pode ter influenciado a redução da jornada de trabalho foi o aumento da quantidade de pessoas que divide o dia entre trabalho e estudos, de olho numa melhor qualificação. “Pode ser que essas pessoas tenham diminuído um pouco a carga de trabalho para poder ter mais tempo de estudo.”

A formalização e o aumento da idade média dos trabalhadores deverá se acentuar nas próximas décadas. A perspectiva do País de se tornar a quinta maior economia do mundo até 2015 deverá exigir, sobretudo, um aumento da capacitação dos trabalhadores. “A palavra mais importante nos próximos anos será capacitação. O País vai precisar de pessoas capacitadas e qualificadas”, afirma Regina.

‘Workaholics’ se concentram no Centro-Oeste

São Paulo pode até levar a fama, mas os paulistas não são os mais “workaholics” do País. Quem passa mais horas por dia trabalhando são os moradores do Centro-Oeste. Em Goiás, que ocupa o primeiro lugar, 32,6% das pessoas ocupadas trabalham mais de 45 horas por semana, ante 28,4% em São Paulo. Em segundo e terceiro lugar, estãoMato Grosso e Mato Grosso do Sul, respectivamente.

A explicação, segundo especialistas, é a alta concentração de pessoas trabalhando em zonas rurais e a falta de sindicatos fortes e estruturados, já que a formalização do mercado de trabalho nesses locais é mais recente.

As regiões Norte e Nordeste, por sua vez, são onde proporcionalmente há mais gente trabalhando menos de 14 horas por semana. O líder é o Maranhão, com 11,8% dos trabalhadores, seguido por Acre, Pará, Amazonas, Bahia e Pernambuco. Os motivos são o trabalho temporário em atividades extrativistas ou na agricultura de subsistência.

Outra prova da conexão entre formalização do mercado e jornada semanal média são os Estados que mais têm trabalhadores que passam de 40h a 44h semanais no serviço – a conexão entre os dois rankings é nítida. São Paulo e Santa Catarina, líderes na proporção de carteira assinada, ficam em 4º e 1º lugar na lista de Estados com mais gente trabalhando essa quantidade de horas por semana.

Juntos, Sisu e Prouni abrem mais de 300 mil vagas no Ensino Superior

Salário maior e mais empregos formais reduzem jornada de trabalho no País

O brasileiro passa cada vez menos tempo no trabalho. Dados do Censo 2010 revelam que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana caiu quase pela metade em uma década. Em 2000, 44% dos trabalhadores do País passavam mais tempo que isso no serviço, número que baixou para 28% em 2010. Isso significa que, em números absolutos, 5 milhões de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia.
 
A reportagem é de Luiz Guilherme Gerbelli e Rodrigo Burgarelli 

O número impressiona ainda mais quando se leva em conta que mais de 20 milhões de brasileiros – o equivalente a toda população da Grande São Paulo – ingressaram no mercado de trabalho nos últimos dez anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana – o salto foi de 3% para 8,3% do total da população economicamente ativa, um ganho de 5 milhões de trabalhadores. A maior parcela da população tem uma jornada semanal que varia entre 40 horas e 44 horas.

A redução da jornada de trabalho nos últimos anos está diretamente ligada ao aumento real no salário do brasileiro – hoje, ganha-se mais por hora trabalhada que em 2000 – e também à formalização do mercado de trabalho. A porcentagem de trabalhadores com carteira assinada pulou de 36% para 44% entre 2000 e 2010 – na contramão, os funcionários sem carteira de trabalho caíram de 24% para 18%. “A formalização do trabalho regula a jornada de trabalho e a hora extra. A empresa ou o empregador vão evitar de pagar hora extra, portanto, vão reduzir a jornada para o que é oficial”, diz Arnaldo Mazzei Nogueira, professor doutor da FEA-USP e PUC-SP.

Pizza

Isso aconteceu, por exemplo, com grande parte dos entregadores da pizzaria Dídio, da Lapa. A profissão era bastante informal no início da década, mas pouco a pouco mais vagas com carteira assinada foram surgindo. Hoje, na Dídio, todos os entregadores trabalham em horário definido, com direito a férias e 13.º. “Dá uma tranquilidade que eu não tinha alguns anos atrás, quando trabalhava em outra pizzaria, não tinha hora para sair e ainda ganhava menos que aqui”, conta Eduardo Evangelista Nunes, de 50 anos.

No Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, os trabalhadores com carteira assinada já são maioria da população. Mas alguns Estados ainda mantém um baixo contingente de profissionais com carteira de trabalho. Um exemplo é o Maranhão, onde apenas 20,8% são registrados. “Ainda há um grande contingente de trabalhadores sem regulação e que pode estar trabalhando jornadas insuportáveis”, lembra Nogueira.

Mulheres

O mercado de trabalho mais feminino, tendência da última década, também colaborou para reduzir a jornada. A diferença da participação entre homens e mulheres em postos de trabalho caiu de 20 pontos porcentuais para apenas seis em dez anos. “As mulheres costumam trabalhar menos horas do que os homens e a inclusão delas deve ter reduzido a média de horas semanais”, afirmou Regina Madalozzo, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

No Piauí, Paraíba e Ceará, a mão de obra feminina já supera a masculina. Os outros Estados do Nordeste também lideram a porcentagem de mulheres no mercado. “Isso ocorreu por causa da melhora econômica da região, urbanização e expansão dos serviços e comércio”, analisa Nogueira. O professor lembra que essa redução da diferença entre gêneros não reflete uma igualdade salarial. Levantamento de maio do ano passado, também do IBGE, mostrou que o salário médio da mulher é 20% menor que o do homem.

Qualificação

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, outro fator que pode ter influenciado a redução da jornada de trabalho foi o aumento da quantidade de pessoas que divide o dia entre trabalho e estudos, de olho numa melhor qualificação. “Pode ser que essas pessoas tenham diminuído um pouco a carga de trabalho para poder ter mais tempo de estudo.”

A formalização e o aumento da idade média dos trabalhadores deverá se acentuar nas próximas décadas. A perspectiva do País de se tornar a quinta maior economia do mundo até 2015 deverá exigir, sobretudo, um aumento da capacitação dos trabalhadores. “A palavra mais importante nos próximos anos será capacitação. O País vai precisar de pessoas capacitadas e qualificadas”, afirma Regina.

‘Workaholics’ se concentram no Centro-Oeste

São Paulo pode até levar a fama, mas os paulistas não são os mais “workaholics” do País. Quem passa mais horas por dia trabalhando são os moradores do Centro-Oeste. Em Goiás, que ocupa o primeiro lugar, 32,6% das pessoas ocupadas trabalham mais de 45 horas por semana, ante 28,4% em São Paulo. Em segundo e terceiro lugar, estãoMato Grosso e Mato Grosso do Sul, respectivamente.

A explicação, segundo especialistas, é a alta concentração de pessoas trabalhando em zonas rurais e a falta de sindicatos fortes e estruturados, já que a formalização do mercado de trabalho nesses locais é mais recente.

As regiões Norte e Nordeste, por sua vez, são onde proporcionalmente há mais gente trabalhando menos de 14 horas por semana. O líder é o Maranhão, com 11,8% dos trabalhadores, seguido por Acre, Pará, Amazonas, Bahia e Pernambuco. Os motivos são o trabalho temporário em atividades extrativistas ou na agricultura de subsistência.

Outra prova da conexão entre formalização do mercado e jornada semanal média são os Estados que mais têm trabalhadores que passam de 40h a 44h semanais no serviço – a conexão entre os dois rankings é nítida. São Paulo e Santa Catarina, líderes na proporção de carteira assinada, ficam em 4º e 1º lugar na lista de Estados com mais gente trabalhando essa quantidade de horas por semana.