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UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

>>INDICADORES
Estimativa do Ipardes para 2011 considera a alta de mais de 5% na produção industrial, que aliviou os efeitos das quebras no campo
A economia paranaense deve crescer acima da média nacional neste ano. A previsão do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná terá uma expansão de 4,1%, contra os 3% previstos para todo o país pelo Banco Central. A indústria, principalmente a de veículos automotores, puxa o crescimento estadual, que poderia até ser maior se não fossem as deficiências na infraestrutura.
De janeiro a outubro de 2011, a produção industrial paranaense cresceu 5,2%, bem acima da média nacional (0,7%). No Rio Grande do Sul, a alta foi de apenas 2,4% e, em Santa Catarina, houve retração de 4,4%. No Paraná, o destaque ficou para os segmentos de veículos automotores, aparelhos e materiais elétricos e refino de petróleo e álcool. “O bom resultado reflete ainda o aumento nas vendas industriais e na folha de pagamento na indústria. Em ambos os casos, o crescimento no Paraná ficou acima da média nacional”, diz Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Ipardes.
 
Exportação, emprego e varejo cresceram
As exportações paranaenses bateram recorde neste ano. De janeiro a novembro, as vendas ao exterior somaram US$ 16 bilhões, 13% a mais que nos 12 meses de 2010 (US$ 14,2 bilhões). Os principais produtos exportados foram soja em grão (US$ 3,2 bilhões) e carne de frango in natura (US$ 1,6 bilhão).
 
Segundo o Ipardes, a região metropolitana de Curitiba fecha o ano com a menor taxa de desemprego do país. O índice de desocupação na região de Curitiba ficou, em outubro, em 3,6%, contra 5,8% na média nacional.
 
Outro dado positivo é a variação de vendas do comércio varejista – de janeiro a outubro, o setor cresceu 8,9%. “Este dado é superior à média nacional, de 7,3%, e coloca o estado na liderança no Sul. Isso reflete os estímulos de crescimento da massa salarial entre os trabalhadores paranaenses”, destaca o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço.
 
Em relação à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Curitiba, medido pelo Ipardes, ficou em 5,19% no acumulado de janeiro a novembro, menor que a inflação brasileira, de 5,97%. “As tarifas de ônibus, de água e esgoto puxaram esse índice em Curitiba. A região metropolitana apresenta um IPCA maior, de 6,67% no acumulado do ano, mas isso acontece porque o mercado não é tão dinâmico quanto o da capital”, ressalta Lourenço. (JPS)
Por outro lado, a produção agrícola do estado teve retração de 3%, com queda no cultivo de trigo, aveia e café, devido a problemas climáticos. “As geadas no inverno prejudicaram a produção, tanto para a aveia quanto para o café, cujo cultivo é bianual. Alguns grãos, porém, tiveram bons resultados, apesar do esgotamento das fronteiras agrícolas no estado”, diz Suzuki. A produção de soja fecha 2011 em 15,4 milhões de toneladas, quase 10% superior ao volume colhido em 2010.
Com base nesses dados, o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, afirma que o Paraná vive uma inversão de tendências. Ele lembra que entre 2003 e 2010, a média anual de crescimento da economia paranaense foi de 3,6%, contra 4% da economia brasileira. “Agora o Paraná está crescendo mais que o Brasil, mostrando uma tendência que reflete o estímulo da articulação entre o setor público e privado. Está se investindo mais no estado e, com desaceleração ou não, há agora uma capacidade maior da economia”, diz Lourenço.
Segundo o Ipardes, os investimentos anunciados para o estado neste ano somam R$ 8 bilhões, nos setores de veículos e autopeças, eletroeletrônica, embalagens e telecomunicações, entre outros. Entretanto, Lourenço reconhece que a carteira de investimentos do Paraná poderia ser maior não fossem os gargalos de infraestrutura, em especial a de transportes. “Se essas questões estivessem redondinhas, a carteira de investimentos seria maior”, avalia.
A mesma regra valeria para o crescimento do PIB paranaense, que, mesmo crescendo mais que a média nacional, poderia ter um incremento ainda maior. “Hoje há uma mudança de postura do setor público, que dialoga com a iniciativa privada. Essa mudança, aliada a alguns fatos concretos, como os investimentos das concessionárias nas rodovias, sinalizam que no médio prazo o Paraná retoma sua competitividade e pode crescer perto de 5% ao ano”, diz o diretor-presidente do Ipardes, que é subordinado ao governo estadual.
 

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

>>INDICADORES
Estimativa do Ipardes para 2011 considera a alta de mais de 5% na produção industrial, que aliviou os efeitos das quebras no campo
A economia paranaense deve crescer acima da média nacional neste ano. A previsão do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná terá uma expansão de 4,1%, contra os 3% previstos para todo o país pelo Banco Central. A indústria, principalmente a de veículos automotores, puxa o crescimento estadual, que poderia até ser maior se não fossem as deficiências na infraestrutura.
De janeiro a outubro de 2011, a produção industrial paranaense cresceu 5,2%, bem acima da média nacional (0,7%). No Rio Grande do Sul, a alta foi de apenas 2,4% e, em Santa Catarina, houve retração de 4,4%. No Paraná, o destaque ficou para os segmentos de veículos automotores, aparelhos e materiais elétricos e refino de petróleo e álcool. “O bom resultado reflete ainda o aumento nas vendas industriais e na folha de pagamento na indústria. Em ambos os casos, o crescimento no Paraná ficou acima da média nacional”, diz Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Ipardes.
 
Exportação, emprego e varejo cresceram
As exportações paranaenses bateram recorde neste ano. De janeiro a novembro, as vendas ao exterior somaram US$ 16 bilhões, 13% a mais que nos 12 meses de 2010 (US$ 14,2 bilhões). Os principais produtos exportados foram soja em grão (US$ 3,2 bilhões) e carne de frango in natura (US$ 1,6 bilhão).
 
Segundo o Ipardes, a região metropolitana de Curitiba fecha o ano com a menor taxa de desemprego do país. O índice de desocupação na região de Curitiba ficou, em outubro, em 3,6%, contra 5,8% na média nacional.
 
Outro dado positivo é a variação de vendas do comércio varejista – de janeiro a outubro, o setor cresceu 8,9%. “Este dado é superior à média nacional, de 7,3%, e coloca o estado na liderança no Sul. Isso reflete os estímulos de crescimento da massa salarial entre os trabalhadores paranaenses”, destaca o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço.
 
Em relação à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Curitiba, medido pelo Ipardes, ficou em 5,19% no acumulado de janeiro a novembro, menor que a inflação brasileira, de 5,97%. “As tarifas de ônibus, de água e esgoto puxaram esse índice em Curitiba. A região metropolitana apresenta um IPCA maior, de 6,67% no acumulado do ano, mas isso acontece porque o mercado não é tão dinâmico quanto o da capital”, ressalta Lourenço. (JPS)
Por outro lado, a produção agrícola do estado teve retração de 3%, com queda no cultivo de trigo, aveia e café, devido a problemas climáticos. “As geadas no inverno prejudicaram a produção, tanto para a aveia quanto para o café, cujo cultivo é bianual. Alguns grãos, porém, tiveram bons resultados, apesar do esgotamento das fronteiras agrícolas no estado”, diz Suzuki. A produção de soja fecha 2011 em 15,4 milhões de toneladas, quase 10% superior ao volume colhido em 2010.
Com base nesses dados, o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, afirma que o Paraná vive uma inversão de tendências. Ele lembra que entre 2003 e 2010, a média anual de crescimento da economia paranaense foi de 3,6%, contra 4% da economia brasileira. “Agora o Paraná está crescendo mais que o Brasil, mostrando uma tendência que reflete o estímulo da articulação entre o setor público e privado. Está se investindo mais no estado e, com desaceleração ou não, há agora uma capacidade maior da economia”, diz Lourenço.
Segundo o Ipardes, os investimentos anunciados para o estado neste ano somam R$ 8 bilhões, nos setores de veículos e autopeças, eletroeletrônica, embalagens e telecomunicações, entre outros. Entretanto, Lourenço reconhece que a carteira de investimentos do Paraná poderia ser maior não fossem os gargalos de infraestrutura, em especial a de transportes. “Se essas questões estivessem redondinhas, a carteira de investimentos seria maior”, avalia.
A mesma regra valeria para o crescimento do PIB paranaense, que, mesmo crescendo mais que a média nacional, poderia ter um incremento ainda maior. “Hoje há uma mudança de postura do setor público, que dialoga com a iniciativa privada. Essa mudança, aliada a alguns fatos concretos, como os investimentos das concessionárias nas rodovias, sinalizam que no médio prazo o Paraná retoma sua competitividade e pode crescer perto de 5% ao ano”, diz o diretor-presidente do Ipardes, que é subordinado ao governo estadual.
 

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

Uma forma de diminuir a desigualdade e gerar renda

COOPERATIVAS
Um sexto da população mundial está organizado em ações associativistas para garantir o desenvolvimento regional com responsabilidade social
 
A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu 2012 como o ano internacional do cooperativismo. As cooperativas congregam um sexto da população mundial e são apontadas pela ONU como uma forma de combater a desigualdade social e de gerar renda. No Brasil, as modalidades mais comuns ainda estão ligadas à agricultura, mas há também outras iniciativas em diversos setores que vêm auxiliando o crescimento do país.
Segundo a Aliança Inter­­nacional das Cooperativas, que congrega 267 organizações de 97 países, em todo o mundo são empregadas diretamente 100 milhões de pessoas nesse modelo de associativismo. O cooperativismo está presente tanto em países desenvolvidos como em nações pobres. Nos Estados Unidos há mais de 30 mil iniciativas que geram anualmente US$ 500 bilhões em receitas (cerca de R$ 930 bilhões) e US$ 25 bilhões em salários (R$ 46 bilhões). No Quênia, uma das nações mais pobres do mundo, as cooperativas são responsáveis por 45% do Produto Interno Bruto.
 
Perfil
Saiba que características definem as cooperativas:
1. Adesão livre e voluntária
As organizações devem ser abertas a todos, sem discriminação social, racial, política ou religiosa.
2. Controle democrático pelos membros
Os cooperados devem participar ativamente do estabelecimento de políticas e tomada de decisões.
3. Participação econômica dos membros
A contribuição deve ser equitativa e deve haver controle democrático sobre o capital da empresa.
4. Autonomia e independência
Os cooperados podem gerir e controlar o negócio. Mesmo associada a outros parceiros, deve ser assegurada a autonomia aos integrantes.
5. Partilha da educação, formação e informação
Representantes eleitos, administradores e funcionários devem ter acesso à educação e formação para contribuir com o desenvolvimento da cooperativa. O público em geral também deve receber informações.
6. Cooperação com demais cooperativas
Cooperativas podem trabalhar juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.
7. Interesse pela comunidade
As cooperativas devem ter responsabilidade corporativa e trabalhar pela sustentabilidade das comunidades onde atuam.
 
Fonte: International Cooperative Alliance
 
O cooperativismo no mundo
Em todos os países, as cooperativas têm posições estratégicas e ajudam a alavancar a economia:
Finlândia
São responsáveis por 74% da produção de carne, 96% do leite, 50% de ovos, 34% dos produtos florestais e manipulados e 34% do total de depósitos em bancos finlandês.
Japão
As cooperativas agrícolas congregam 91% de todos os agricultores.
Noruega
O cooperativismo de laticínios é responsável por 99% da produção de leite, as cooperativas de consumo representam 25% do mercado, as relativas à pesca foram responsáveis por 8,7% do total das exportações. Já as florestais foram responsáveis por 76% da madeira produzida.
Uruguai
Respondem por 90% da produção de leite, 34% do mel e 30% do trigo. Mais da metade delas exporta para 40 países.
França
21 mil cooperativas oferecem empregos para 700 mil pessoas.
Polônia
As cooperativas são responsáveis por 75% da produção leiteira.
Cingapura
As cooperativas de consumo congregam 55% das compras de supermercado e têm um volume de negócios de US$ 700 milhões.
Fonte: International Cooperative Alliance
 
Vice-coordenador da Incu­­badora Tecnológica de Iniciativas Populares da Universidade Federal do Paraná (ITCP-UFPR), Denys Dozsa diz que o cooperativismo é uma forma de organização do trabalho pautada por valores e princípios. Ele ressalta que todos os processos são coletivos e não individuais, além de o foco estar além dos benefícios econômicos. Ao atuar em uma determinada comunidade, por exemplo, os cooperados precisam ter responsabilidade social.
 
Desenvolvimento
 
No Brasil, durante a década de 1970, a legislação previu um tipo de cooperativa que ajudasse a impulsionar o desenvolvimento do país, por isso é comum haver grandes cooperativas voltadas principalmente para setores como agronegócio e crédito. Para Dozsa, durante os anos 1990 se iniciou um movimento para recuperar os antigos valores das cooperativas, que não têm características de grandes empresas. Surgem então movimentos de cooperativas populares e de economia solidária.
 
Na UFPR, a incubadora é um projeto de extensão que tem o objetivo de aproximar os alunos e a sociedade, como um espaço de formação. Os estudantes e professores acompanham alguns projetos e fazem a divulgação do conhecimento científico produzido. Um dos casos mais bem-sucedidos do projeto é uma cooperativa de mulheres em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. A ITCP acompanhou as artesãs da Coopermandi desde a fundação, auxiliando-as nos aspectos legais e qualificação profissional. Outro projeto atua em Tunas do Paraná, município com 38% da população considerada pobre.
 
No Brasil, uma das principais formas de cooperativismo que emergiu na última década foi a organização de catadores de materiais recicláveis. Para tentar diminuir a influência de “atravessadores” e assim conseguir maior valor com os produtos coletados, esses trabalhadores vêm criando cooperativas.
 
Em Curitiba, a Catamare se tornou um caso de sucesso. Valdomiro Ferreira da Luz, 50 anos e 25 como catador, foi um dos principais mobilizadores do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e ajudou a fundar a entidade. A Catamare tem hoje 47 associados diretos e recebe praticamente todo o material de órgãos federais em Curitiba. Além da contribuição com a previdência social, os cooperados ganham mais com os produtos. Com o intermédio de “atravessadores”, os catadores obtêm apenas R$ 0,08 com o quilo do papelão e, na cooperativa, a média é R$ 0,25.
 
Oportunidade para as famílias assentadas
Em novembro deste ano, 20 integrantes de assentamentos rurais do Paraná se formaram no primeiro curso de Tecnologia em Gestão de Cooperativas, que tem o objetivo de qualificar trabalhadores rurais sem terra. Existem hoje 312 assentamentos no estado, com 19,8 mil famílias. A criação de cooperativas e empresas sociais é uma alternativa para a geração de renda dessa população. A reivindicação dos assentados é de que não basta apenas fazer a reforma agrária, mas é preciso oferecer condições materiais para o estabelecimento da população no campo, com possibilidade de produção agrícola.
 
O curso é uma parceria do Instituto Nacional de Coloni­­za­­ção e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR) com o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceagro). Os custos são financiados pelo Incra, que investiu neste ano R$ 2,6 milhões em cursos de nível médio-técnico e superior. Superintendente do Incra-PR, Nilton Bezerra Guedes explica que até os anos 2000, o objetivo do governo federal era oferecer o acesso à terra e agora é ga­­rantir o desenvolvimento dos assentados.
 
Arroz e leite
Os trabalhadores rurais sem-terra do Paraná criaram 14 cooperativas para comercializar a produção. A cooperativa do Assenta­­mento Pontal do Tigre, em Que­­rência do Norte, Região Noroeste, produz 33% do arroz do estado, com 250 mil sacas anuais. No local também são produzidos 20 mil litros de leite por dia. O as­­sentamento Santa Maria, em Pa­­ranacity, também no Noroeste, es­­tá convertendo toda a produção para o modelo agroecológico. Com a produção de leite e de­­rivados e hortaliças, a coopera­­tiva tem receita bruta de R$ 715 mil ao ano.
 
 

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

Uma forma de diminuir a desigualdade e gerar renda

COOPERATIVAS
Um sexto da população mundial está organizado em ações associativistas para garantir o desenvolvimento regional com responsabilidade social
 
A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu 2012 como o ano internacional do cooperativismo. As cooperativas congregam um sexto da população mundial e são apontadas pela ONU como uma forma de combater a desigualdade social e de gerar renda. No Brasil, as modalidades mais comuns ainda estão ligadas à agricultura, mas há também outras iniciativas em diversos setores que vêm auxiliando o crescimento do país.
Segundo a Aliança Inter­­nacional das Cooperativas, que congrega 267 organizações de 97 países, em todo o mundo são empregadas diretamente 100 milhões de pessoas nesse modelo de associativismo. O cooperativismo está presente tanto em países desenvolvidos como em nações pobres. Nos Estados Unidos há mais de 30 mil iniciativas que geram anualmente US$ 500 bilhões em receitas (cerca de R$ 930 bilhões) e US$ 25 bilhões em salários (R$ 46 bilhões). No Quênia, uma das nações mais pobres do mundo, as cooperativas são responsáveis por 45% do Produto Interno Bruto.
 
Perfil
Saiba que características definem as cooperativas:
1. Adesão livre e voluntária
As organizações devem ser abertas a todos, sem discriminação social, racial, política ou religiosa.
2. Controle democrático pelos membros
Os cooperados devem participar ativamente do estabelecimento de políticas e tomada de decisões.
3. Participação econômica dos membros
A contribuição deve ser equitativa e deve haver controle democrático sobre o capital da empresa.
4. Autonomia e independência
Os cooperados podem gerir e controlar o negócio. Mesmo associada a outros parceiros, deve ser assegurada a autonomia aos integrantes.
5. Partilha da educação, formação e informação
Representantes eleitos, administradores e funcionários devem ter acesso à educação e formação para contribuir com o desenvolvimento da cooperativa. O público em geral também deve receber informações.
6. Cooperação com demais cooperativas
Cooperativas podem trabalhar juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.
7. Interesse pela comunidade
As cooperativas devem ter responsabilidade corporativa e trabalhar pela sustentabilidade das comunidades onde atuam.
 
Fonte: International Cooperative Alliance
 
O cooperativismo no mundo
Em todos os países, as cooperativas têm posições estratégicas e ajudam a alavancar a economia:
Finlândia
São responsáveis por 74% da produção de carne, 96% do leite, 50% de ovos, 34% dos produtos florestais e manipulados e 34% do total de depósitos em bancos finlandês.
Japão
As cooperativas agrícolas congregam 91% de todos os agricultores.
Noruega
O cooperativismo de laticínios é responsável por 99% da produção de leite, as cooperativas de consumo representam 25% do mercado, as relativas à pesca foram responsáveis por 8,7% do total das exportações. Já as florestais foram responsáveis por 76% da madeira produzida.
Uruguai
Respondem por 90% da produção de leite, 34% do mel e 30% do trigo. Mais da metade delas exporta para 40 países.
França
21 mil cooperativas oferecem empregos para 700 mil pessoas.
Polônia
As cooperativas são responsáveis por 75% da produção leiteira.
Cingapura
As cooperativas de consumo congregam 55% das compras de supermercado e têm um volume de negócios de US$ 700 milhões.
Fonte: International Cooperative Alliance
 
Vice-coordenador da Incu­­badora Tecnológica de Iniciativas Populares da Universidade Federal do Paraná (ITCP-UFPR), Denys Dozsa diz que o cooperativismo é uma forma de organização do trabalho pautada por valores e princípios. Ele ressalta que todos os processos são coletivos e não individuais, além de o foco estar além dos benefícios econômicos. Ao atuar em uma determinada comunidade, por exemplo, os cooperados precisam ter responsabilidade social.
 
Desenvolvimento
 
No Brasil, durante a década de 1970, a legislação previu um tipo de cooperativa que ajudasse a impulsionar o desenvolvimento do país, por isso é comum haver grandes cooperativas voltadas principalmente para setores como agronegócio e crédito. Para Dozsa, durante os anos 1990 se iniciou um movimento para recuperar os antigos valores das cooperativas, que não têm características de grandes empresas. Surgem então movimentos de cooperativas populares e de economia solidária.
 
Na UFPR, a incubadora é um projeto de extensão que tem o objetivo de aproximar os alunos e a sociedade, como um espaço de formação. Os estudantes e professores acompanham alguns projetos e fazem a divulgação do conhecimento científico produzido. Um dos casos mais bem-sucedidos do projeto é uma cooperativa de mulheres em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. A ITCP acompanhou as artesãs da Coopermandi desde a fundação, auxiliando-as nos aspectos legais e qualificação profissional. Outro projeto atua em Tunas do Paraná, município com 38% da população considerada pobre.
 
No Brasil, uma das principais formas de cooperativismo que emergiu na última década foi a organização de catadores de materiais recicláveis. Para tentar diminuir a influência de “atravessadores” e assim conseguir maior valor com os produtos coletados, esses trabalhadores vêm criando cooperativas.
 
Em Curitiba, a Catamare se tornou um caso de sucesso. Valdomiro Ferreira da Luz, 50 anos e 25 como catador, foi um dos principais mobilizadores do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e ajudou a fundar a entidade. A Catamare tem hoje 47 associados diretos e recebe praticamente todo o material de órgãos federais em Curitiba. Além da contribuição com a previdência social, os cooperados ganham mais com os produtos. Com o intermédio de “atravessadores”, os catadores obtêm apenas R$ 0,08 com o quilo do papelão e, na cooperativa, a média é R$ 0,25.
 
Oportunidade para as famílias assentadas
Em novembro deste ano, 20 integrantes de assentamentos rurais do Paraná se formaram no primeiro curso de Tecnologia em Gestão de Cooperativas, que tem o objetivo de qualificar trabalhadores rurais sem terra. Existem hoje 312 assentamentos no estado, com 19,8 mil famílias. A criação de cooperativas e empresas sociais é uma alternativa para a geração de renda dessa população. A reivindicação dos assentados é de que não basta apenas fazer a reforma agrária, mas é preciso oferecer condições materiais para o estabelecimento da população no campo, com possibilidade de produção agrícola.
 
O curso é uma parceria do Instituto Nacional de Coloni­­za­­ção e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR) com o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceagro). Os custos são financiados pelo Incra, que investiu neste ano R$ 2,6 milhões em cursos de nível médio-técnico e superior. Superintendente do Incra-PR, Nilton Bezerra Guedes explica que até os anos 2000, o objetivo do governo federal era oferecer o acesso à terra e agora é ga­­rantir o desenvolvimento dos assentados.
 
Arroz e leite
Os trabalhadores rurais sem-terra do Paraná criaram 14 cooperativas para comercializar a produção. A cooperativa do Assenta­­mento Pontal do Tigre, em Que­­rência do Norte, Região Noroeste, produz 33% do arroz do estado, com 250 mil sacas anuais. No local também são produzidos 20 mil litros de leite por dia. O as­­sentamento Santa Maria, em Pa­­ranacity, também no Noroeste, es­­tá convertendo toda a produção para o modelo agroecológico. Com a produção de leite e de­­rivados e hortaliças, a coopera­­tiva tem receita bruta de R$ 715 mil ao ano.
 
 

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

Justiça do Trabalho anula demissões da Vulcabras

A juíza Ana Lúcia Moreira Álvares, plantonista da Justiça do Trabalho, acatou nessa quarta-feira, 21, pedido de antecipação de tutela e medida cautelar do Ministério Público do Trabalho (MPT), e declarou abusivas todas as dispensas de empregados sem justa causa ocorridas de novembro de 2010 a dezembro deste ano realizadas pela de fábrica de calçados Vulcabras/Azaléia na matriz, em Itapetinga, a 560 km de Salvador, ou filiais.
  
Na ação civil pública, cumulada com ação civil coletiva, o procurador regional do Trabalho, Antônio Marcos da Silva de Jesus, também teve atendido o pedido para que a Justiça declarasse abusivas todas as dispensas sem justa causa de trabalhadores ocorridas a partir de 16 de dezembro deste ano. As dispensas foram em razão do fechamento de suas filiais situadas nos Municípios de Itarantim, Maiquinique, Potiraguá, Ibicuí, Iguaí e distrito de Itati, em Itororó. A Justiça do Trabalho sinalizou positivamente, também, pelo pedido de declaração de nulidade de todas as dispensas de sem justa causa de empregados da Vulcabras/Azaléia, eventuais homologações e de todas as transferências ocorridas em razão do fechamento dessas filiais.
No total, segundo comunicado da empresa, houve 1,5 mil demissões em Itapetinga e 1,8 mil operários colocados à disposição. A empresa, que tem prazo de 10 dias, a contar dessa quarta-feira, para estabelecer negociação com o sindicato da categoria, sob pena de multa diária de R$ 5 mil “por trabalhador afetado pelas medidas abusivas”, foi contatada, por meio da sua assessoria, mas até o momento não se manifestou sobre o assunto. A Justiça concedeu liminar favorável, ainda, ao pedido de condenação por “danos morais coletivos – equivalente a R$ 14 milhões – causados aos empregados despedidos, nesse mesmo período” e de “reintegração de todos os despedidos em dezembro deste ano, nas mesmas unidades e na mesma função e com a remuneração e condições compatíveis com as que teriam se não tivessem sido despedidos”.
 
Dois dias após o fechamento, cerca de 1,5 mil operários, dos 1,8 mil foram colocados à disposição, recusaram a proposta de relocação para outras unidades fabris do Sudoeste baiano após o fechamento das fábricas.
 
“Na verdade a empresa não está interessa na transferência dos seus empregados, e sim, na sua dispensa”, acusou o procurador, durante audiência dia 16. “A empresa, conforme consta na ata, deixa claro que os trabalhadores que aceitarem a transferência não têm garantia de quanto tempo permanecerão no emprego”, emendou. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Calçados de Itapetinga e Região (Sindicato de Verdade), Sidney Mendes,classificou como “um desrespeito a atitude da Azaléia ao conceder prazo de 24 horas para o trabalhador decidir sua vida”. Mendes antecipou que o sindicato vai reforçar a postura de cobranças na defesa da manutenção dos empregos e na reversão do quadro atual.
 
Maior fabricante de artigos esportivos da América Latina e maior empregadora do setor no continente, com 40 mil empregados a empresa mantinha, antes das últimas demissões anunciadas, 18 mil colaboradores, distribuídos na matriz e em 18 unidades, incluindo as que foram fechadas. Ainda estão em atividade 12 unidades.