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América Latina: a cada 10 mulheres, 3 não têm renda própria

América Latina: a cada 10 mulheres, 3 não têm renda própria

Três em cada dez mulheres da América Latina não recebem nenhum tipo de renda, o que significa que dependem de outras pessoas para subsistir, segundo resultado de levantamento da Cepal (Econômica para a América Latina e o Caribe) divulgado nesta segunda-feira (28). Segundo o mesmo estudo, apenas um em cada dez homens se encontra nessa mesma situação.
A informação foi divulgada por Alicia Bárcena, secretária executiva da Cepal, cuja sede em Santiago recebe desta segunda até a quarta-feira a 46ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional Sobre a Mulher, um órgão subsidiário da comissão.
A reunião dá sequência ao denominado “Consenso de Brasília”, que foi adotado em julho de 2010 na capital federal e considera oito grandes desafios para a ação, entre elas conquistar uma maior autonomia econômica para as mulheres.
A dependência econômica feminina “é pior em caso de separações ou de viuvez”, destacou Alicia diante de ministras e autoridades de organismos vinculados à igualdade de 19 países da América Latina e do Caribe.
No caso das áreas urbanas da América Latina, a porcentagem de mulheres sem renda própria, ou seja, sem nenhum tipo de salário, subsídio ou pensão, está em 31,6%, enquanto a proporção de homens chega a somente 10,6%.
Por outro lado, nas zonas rurais o índice sobe para 43,9%, em comparação aos 13,6% dos homens, segundo dados de 2008 divulgados no relatório anual de 2011 do Observatório de Igualdade e Gênero da região, que foi entregue durante o encontro.
Entre os dados positivos está a alta da taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho desde 1990, o que está relacionado com uma diminuição da porcentagem de mulheres sem renda própria, que nas estatísticas são classificadas como inativas.
No caso das mulheres urbanas, essa taxa de participação alcançava 52% em 2008, dez pontos a mais do que em 1990.
Estas mulheres sem renda própria se dedicam a afazeres domésticos não remunerados cujo valor, no entanto, equivaleria a entre 25% e 30% do PIB (Produto Interno Bruto) de cada país da América Latina.
Segundo indicou Iriny Lopes, ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Brasil e presidente da Mesa Diretiva da Conferência, no encontro também será analisado o aumento da participação política feminina.
Na reunião também participarão a ministra da Mulher da República Dominicana, Alexandrina Germán; sua colega peruana, Aída García Naranjo, a ministra do Serviço Nacional da Mulher do Chile, Carolina Schmidt, e a secretária interina de Estado de Igualdade da Espanha, Laura Seara.
América Latina: a cada 10 mulheres, 3 não têm renda própria

“Nova Classe Média” ocupa 63% das vagas de universidades

O número de jovens da classe C que chega a universidade continua em movimento ascendente. De acordo com pesquisa do Instituto Data Popular, hoje, 55% dos brasileiros com idade entre 18 e 25 anos da classe C (renda familiar per capita entre R$ 323 e R$ 1.387) são alunos de cursos superiores. Em 2004, eram apenas 42%. Um aumento de 31% em seis anos.
 
Atraídos por mensalidades reduzidas e ascensão social, jovens de baixa renda buscam espaço no ensino superior
 
Os jovens da chamada nova classe média já ocupam 63% das vagas nas universidades. No país, 53% da população se encaixa nesse perfil de renda.

A pesquisa mostra que o domínio das classes A e B no ensino superior está diminuindo. Entre 2004 e 2010, a parcela de universitários do topo da pirâmide social (renda acima de R$ 2.886 per capita) e daqueles que estão logo abaixo (renda entre R$ 1.388 e R$ 2.886) caiu de 37% para 29%.

A diferença de anos de estudo entre as faixas de renda também está ficando menor de acordo com a idade da população. Entre aqueles com idade entre 48 e 55, a diferença de anos de estudo entre a elite e a classe média é de 63%. Já quando a idade avaliada fica entre 18 e 25 anos, essa discrepância cai para 20%.

Para o sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, houve uma mudança de mentalidade dos jovens. “A educação deixou de ser vista como um gasto e agora é um investimento”. Segundo Meirelles, o jovem da classe C entra na faculdade para melhorar a renda. “Não existe um pensamento ideológico de educação. Ele entra pensando no mercado de trabalho.”
A opinião é compartilhada pelo vice-presidente de Marketing da Anhanguera, Roberto Valério. “O jovem entra na faculdade para melhorar a vida financeira.”
Com 400 mil alunos, a Anhanguera ocupa o posto de maior centro de ensino superior do país. Para assegurar a posição, a instituição mantém mensalidades a partir de R$ 199, um atrativo à classe C.
América Latina: a cada 10 mulheres, 3 não têm renda própria

“Nova Classe Média” ocupa 63% das vagas de universidades

O número de jovens da classe C que chega a universidade continua em movimento ascendente. De acordo com pesquisa do Instituto Data Popular, hoje, 55% dos brasileiros com idade entre 18 e 25 anos da classe C (renda familiar per capita entre R$ 323 e R$ 1.387) são alunos de cursos superiores. Em 2004, eram apenas 42%. Um aumento de 31% em seis anos.
 
Atraídos por mensalidades reduzidas e ascensão social, jovens de baixa renda buscam espaço no ensino superior
 
Os jovens da chamada nova classe média já ocupam 63% das vagas nas universidades. No país, 53% da população se encaixa nesse perfil de renda.

A pesquisa mostra que o domínio das classes A e B no ensino superior está diminuindo. Entre 2004 e 2010, a parcela de universitários do topo da pirâmide social (renda acima de R$ 2.886 per capita) e daqueles que estão logo abaixo (renda entre R$ 1.388 e R$ 2.886) caiu de 37% para 29%.

A diferença de anos de estudo entre as faixas de renda também está ficando menor de acordo com a idade da população. Entre aqueles com idade entre 48 e 55, a diferença de anos de estudo entre a elite e a classe média é de 63%. Já quando a idade avaliada fica entre 18 e 25 anos, essa discrepância cai para 20%.

Para o sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, houve uma mudança de mentalidade dos jovens. “A educação deixou de ser vista como um gasto e agora é um investimento”. Segundo Meirelles, o jovem da classe C entra na faculdade para melhorar a renda. “Não existe um pensamento ideológico de educação. Ele entra pensando no mercado de trabalho.”
A opinião é compartilhada pelo vice-presidente de Marketing da Anhanguera, Roberto Valério. “O jovem entra na faculdade para melhorar a vida financeira.”
Com 400 mil alunos, a Anhanguera ocupa o posto de maior centro de ensino superior do país. Para assegurar a posição, a instituição mantém mensalidades a partir de R$ 199, um atrativo à classe C.
América Latina: a cada 10 mulheres, 3 não têm renda própria

Editoriais: Atenção com a China

Brasil precisa exigir mais reciprocidade dos chineses, que não cumprem promessas e impõem restrições aos investidores estrangeiros
 
Não causa surpresa o fato de que metade dos grandes projetos de investimento chineses no Brasil, anunciados em 2009 e 2010, ainda não se tenha concretizado. O país asiático tem-se mostrado muitas vezes lento e pouco confiá-vel em suas intenções de investir.
 
No caso brasileiro, a prioridade chinesa reside na infraestrutura e no acesso a matérias primas, indispensáveis para sustentar sua enorme população e o acelerado ritmo de crescimento.
 
Não por acaso, os maiores negócios concretizados pela China no Brasil, em 2010, aconteceram na área de energia, com a compra de participação em empresas estrangeiras que atuam no país: US$ 7,1 bilhões por 40% da espanhola Repsol, US$ 3,1 bilhões por 40% de um campo de petróleo da norueguesa Statoil e US$ 3,5 bilhões por 30% da operação da portuguesa Galp no setor.
 
Ainda assim, na mineração, os asiáticos não concretizaram nem a compra da Itaminas, por US$ 1,2 bilhão, nem o investimento de US$ 3,5 bilhões na EBX, com vistas à construção de uma siderúrgica -investimentos que foram anunciados em março e abril de 2010.
 
No que se refere a produtos manufaturados, os chineses parecem ainda menos animados com a ideia de montar unidades no Brasil. Mesmo que venham a investir em algumas delas, deverá ser apenas o preço para obter acesso ao mercado interno, como é o caso dos R$ 900 milhões aplicados na montadora JAC, com o óbvio intuito de fugir do aumento do IPI. Mesmo assim, 80% desse valor sairá do bolso do sócio local da montadora.
 
Também a intenção de investir US$ 12 bilhões, anunciada pela Foxconn quando da visita da presidente Dilma Rousseff ao país, em abril, mostrou-se aquém das expectativas. Posteriormente, a empresa deixou claro que não pretendia aportar recursos, apenas transferir tecnologia em troca de financiamento do BNDES.
 
As relações econômicas do Brasil com a China são marcadas por assimetrias, que precisam ser, o mais breve possível, corrigidas. Além do desequilíbrio da pauta de exportações, composta quase exclusivamente de produtos primários, há restrições e exigências por parte da China quando se trata de investir em seu mercado interno.
 
Cabe ao governo -que já vem agindo nesse sentido- avançar com medidas que ajudem a compensar tais distorções. É preciso impor contrapartidas equivalentes às que são pedidas ao empresário brasileiro. Além disso, seria prudente restringir o acesso de estatais chinesas a recursos minerais, terras e cadeias de produção do agronegócio.
 
Reciprocidade nas condições de investimentos, acesso ao mercado consumidor chinês e cooperação tecnológica são, do lado brasileiro, os itens mais importantes para uma relação mais equilibrada.
América Latina: a cada 10 mulheres, 3 não têm renda própria

Editoriais: Atenção com a China

Brasil precisa exigir mais reciprocidade dos chineses, que não cumprem promessas e impõem restrições aos investidores estrangeiros
 
Não causa surpresa o fato de que metade dos grandes projetos de investimento chineses no Brasil, anunciados em 2009 e 2010, ainda não se tenha concretizado. O país asiático tem-se mostrado muitas vezes lento e pouco confiá-vel em suas intenções de investir.
 
No caso brasileiro, a prioridade chinesa reside na infraestrutura e no acesso a matérias primas, indispensáveis para sustentar sua enorme população e o acelerado ritmo de crescimento.
 
Não por acaso, os maiores negócios concretizados pela China no Brasil, em 2010, aconteceram na área de energia, com a compra de participação em empresas estrangeiras que atuam no país: US$ 7,1 bilhões por 40% da espanhola Repsol, US$ 3,1 bilhões por 40% de um campo de petróleo da norueguesa Statoil e US$ 3,5 bilhões por 30% da operação da portuguesa Galp no setor.
 
Ainda assim, na mineração, os asiáticos não concretizaram nem a compra da Itaminas, por US$ 1,2 bilhão, nem o investimento de US$ 3,5 bilhões na EBX, com vistas à construção de uma siderúrgica -investimentos que foram anunciados em março e abril de 2010.
 
No que se refere a produtos manufaturados, os chineses parecem ainda menos animados com a ideia de montar unidades no Brasil. Mesmo que venham a investir em algumas delas, deverá ser apenas o preço para obter acesso ao mercado interno, como é o caso dos R$ 900 milhões aplicados na montadora JAC, com o óbvio intuito de fugir do aumento do IPI. Mesmo assim, 80% desse valor sairá do bolso do sócio local da montadora.
 
Também a intenção de investir US$ 12 bilhões, anunciada pela Foxconn quando da visita da presidente Dilma Rousseff ao país, em abril, mostrou-se aquém das expectativas. Posteriormente, a empresa deixou claro que não pretendia aportar recursos, apenas transferir tecnologia em troca de financiamento do BNDES.
 
As relações econômicas do Brasil com a China são marcadas por assimetrias, que precisam ser, o mais breve possível, corrigidas. Além do desequilíbrio da pauta de exportações, composta quase exclusivamente de produtos primários, há restrições e exigências por parte da China quando se trata de investir em seu mercado interno.
 
Cabe ao governo -que já vem agindo nesse sentido- avançar com medidas que ajudem a compensar tais distorções. É preciso impor contrapartidas equivalentes às que são pedidas ao empresário brasileiro. Além disso, seria prudente restringir o acesso de estatais chinesas a recursos minerais, terras e cadeias de produção do agronegócio.
 
Reciprocidade nas condições de investimentos, acesso ao mercado consumidor chinês e cooperação tecnológica são, do lado brasileiro, os itens mais importantes para uma relação mais equilibrada.