NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Um por cento da população mundial possui 40% das riquezas do planeta. Eis como vive, onde vive, o que faz e como ele gasta o seu dinheiro aquela parte da humanidade contra a qual (e em nome dos 99% restantes) o movimento Occupy Wall Street está lutando.

A reportagem é de Federico Rampini

“Mãe, o que fazem todas essas pessoas no nosso avião?”. O filho de Jacqueline Siegel não conseguia dar uma explicação a si mesmo, na primeira vez que se encontrou na fila de embarque (primeira classe, obviamente) com tantos desconhecidos, ele que estava acostumado a viajar com o seu pai no jato particular da empresa. Bem-vindos ao mundo do 1%.

Uma categoria social que acabou ficando sob os holofotes da atenção pública graças ao movimento Ocuppy Wall Street: aquele que se autodefine como “os 99%” e denuncia os privilégios da oligarquia. Se você mora em Manhattan, isto é, no coração do protesto, por meio de quais sinais pode-se perceber se você pertence ao vituperado ou invejado 1%?

Eis 12 mandamentos que traçam a linha de demarcação na vida diária. É um teste empírico, a prova da verdade que trai os verdadeiros privilegiados.

  • Primeiro: você se veste rigorosamente made in Italy (com exceção dos sapatos Louboutin), comprando na Bergdorf Goodman da Quinta Avenida.
  • Segundo: janta no Masa (o japonês com menus sem preços), Per Se, Marea, Babbo, e pelo menos uma vez por ano você se concede o personal chef com catering de três estrelas.
  • Terceiro: mensalidade fixa da Metropolitan Opera, mais doação fiscalmente dedutível.
  • Quarto: voa apenas na BusinessFirst, se o Gulfstream não estiver acessível.
  • Quinto: nunca anda de metrô, nem mesmo que esteja nevando.
  • Sexto: presença assídua em um spa-fitness, com massagista e personal trainer.
  • Sétimo: assina o Wall Street Journal.
  • Oitavo: férias de verão na Toscana, em Aspen para esquiar, fins de semana na casa nos Hamptons.
  • Nono: seus filhos estudam em uma escola privada do tipo Waldorf (pedagogia progressista, mas competitiva), mensalidade a partir dos 30 mil dólares por ano.
  • Décimo: nada de conta corrente, mas sim um telefone direto com o serviço personalizado Wealth Management de um grande banco.
  • Décimo primeiro: a mansão onde você mora deve ter porteiros uniformizados.
  • Décimo segundo: você gosta de cães de raça, mas é o dog sitter que os leva todas as manhãs ao Central Park.

Essas regras de vida do 1% mudam pouco se você estiver na China, país que recém cruzou o limiar de um milhão de milionários: foi na República Popular que a Burberrys viu suas vendas crescer em 34% em seis meses, que a Zegna inaugurou a sua 70º loja, que a casa de leilões Christie’s vendeu por 4 milhões de euros um par de pistolas da era Qing com cabo de ouro incrustado de pedras preciosas.

Não varia muito no Brasil, onde o poder de compra dos ricos é tão próspero que a Louis Vuitton cobra um ágio de 100% em comparação com os mesmos produtos da sua loja nos Champs-Elysées.

Estamos falando de uma exígua minoria de extrarricos? São os banqueiros de sempre, magnatas da indústria, estrelas do espetáculo? Não apenas. Nos EUA, os indivíduos com um patrimônio líquido de 1 a 5 milhões – é o limiar acima do qual os gestores patrimoniais os classificam como “altos patrimônios” – são 26,7 milhões. Outros 2 milhões de norte-americanos têm um patrimônio entre 5 e 10 milhões líquidos. Um milhão de pessoas estão sentadas em um ninho de ovos de ouro de 10 a 100 milhões. Por fim, 29 mil estão sentado em cima de 100 milhões de dólares. Todos juntos fazem mais da metade da população italiana.

Se quisermos ficar com a definição precisa do 1%, isto é, apenas três milhões de norte-americanos, o limite de ingresso é medido com base na renda. Os dados do Internal Revenue Service (a Receita Federal norte-americana) marcam a fronteira exata: é preciso receber uma renda de, pelo menos, 506 mil dólares brutos anuais (375 mil euros) para entrar no círculo dos três milhões de pessoas que são o 1% da população norte-americana.

Em nível global, para isolar o 1% que está no topo da pirâmide, é preciso voltar às estatísticas sobre o patrimônio, por serem mais homogêneas. O Global Wealth Report do Credit Suisse indica que eles controlam 38,5% da riqueza mundial, e que os seus bens cresceram 29% em apenas um ano: é uma velocidade dupla com relação ao crescimento da riqueza total do planeta.

Portanto, o Occupy Wall Street denuncia um fenômeno real, aqueles que estão “lá em cima” alçaram voo, distanciando-se cada vez mais da maioria da população. Um fascinante estudo dos historiadores Peter Lindert e Jeffrey Williamson demonstra que nunca na história passada o 1% teve uma cota tão grande da riqueza nacional. Em 1774, quando ainda havia o colonialismo inglês e, portanto, a aristocracia, o 1% dos privilegiados na New England controlavam apenas 9% do total. A nobreza da época vivia em condições menos distantes da média, com relação às novas oligarquias do terceiro milênio.

Na história norte-americana, a dilatação enorme das desigualdades tem uma data de nascimento: 1982. Não por acaso, é o início da era de Ronald Reagan, marcada por um sistemático ataque ao welfare state, ao poder dos sindicatos, juntamente com políticas fiscais cada vez menos progressivas. É desde 1982 que o 1% se separa do resto, sobe para a estratosfera, amplia as distâncias: no quarto de século posterior, a sua cota da renda nacional mais do que dobrou, subindo acima dos 20%. A parcela de riqueza sobe ainda mais, superando os 33%.

É a trajetória que última capa da revista The Nation mostra: “Wall Street inventou a luta de classes”. Quando esse conceito já havia se tornado um tabu no debate político norte-americano, os ricos se apropriaram dele, e o conflito social sobre a distribuição dos recursos foi vencido por eles.

Mas também há aqueles que convidam a se compadecer deles. Robert Frank, no seu livro The High-Beta Rich relata a história da família Siegel, aquela do filho que não entende por que tem que subir no avião com desconhecidos. Depois de ter feito sua fortuna no setor imobiliário e ter construído “a Versalhes dos Estados Unidos“, em Orlando, na Flórida (23 banheiros, uma garagem para 20 carros, duas salas de cinema), a família teve a sua mansão penhorada pelos bancos quando o mercado entrou em colapso. “Os extrarricos jamais sofreram uma volatilidade tão exasperada da sua fortuna, ligada aos mercados financeiros”, explica Frank.

Portanto, o 1% é uma categoria em risco, de alta mobilidade. Nela se entra e dela se sai com a porta giratória em alta velocidade. Por isso, em 2008, foi aprovado o welfare dos banqueiros: 600 bilhões apenas para salvar Wall Street.

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Um por cento da população mundial possui 40% das riquezas do planeta. Eis como vive, onde vive, o que faz e como ele gasta o seu dinheiro aquela parte da humanidade contra a qual (e em nome dos 99% restantes) o movimento Occupy Wall Street está lutando.

A reportagem é de Federico Rampini

“Mãe, o que fazem todas essas pessoas no nosso avião?”. O filho de Jacqueline Siegel não conseguia dar uma explicação a si mesmo, na primeira vez que se encontrou na fila de embarque (primeira classe, obviamente) com tantos desconhecidos, ele que estava acostumado a viajar com o seu pai no jato particular da empresa. Bem-vindos ao mundo do 1%.

Uma categoria social que acabou ficando sob os holofotes da atenção pública graças ao movimento Ocuppy Wall Street: aquele que se autodefine como “os 99%” e denuncia os privilégios da oligarquia. Se você mora em Manhattan, isto é, no coração do protesto, por meio de quais sinais pode-se perceber se você pertence ao vituperado ou invejado 1%?

Eis 12 mandamentos que traçam a linha de demarcação na vida diária. É um teste empírico, a prova da verdade que trai os verdadeiros privilegiados.

  • Primeiro: você se veste rigorosamente made in Italy (com exceção dos sapatos Louboutin), comprando na Bergdorf Goodman da Quinta Avenida.
  • Segundo: janta no Masa (o japonês com menus sem preços), Per Se, Marea, Babbo, e pelo menos uma vez por ano você se concede o personal chef com catering de três estrelas.
  • Terceiro: mensalidade fixa da Metropolitan Opera, mais doação fiscalmente dedutível.
  • Quarto: voa apenas na BusinessFirst, se o Gulfstream não estiver acessível.
  • Quinto: nunca anda de metrô, nem mesmo que esteja nevando.
  • Sexto: presença assídua em um spa-fitness, com massagista e personal trainer.
  • Sétimo: assina o Wall Street Journal.
  • Oitavo: férias de verão na Toscana, em Aspen para esquiar, fins de semana na casa nos Hamptons.
  • Nono: seus filhos estudam em uma escola privada do tipo Waldorf (pedagogia progressista, mas competitiva), mensalidade a partir dos 30 mil dólares por ano.
  • Décimo: nada de conta corrente, mas sim um telefone direto com o serviço personalizado Wealth Management de um grande banco.
  • Décimo primeiro: a mansão onde você mora deve ter porteiros uniformizados.
  • Décimo segundo: você gosta de cães de raça, mas é o dog sitter que os leva todas as manhãs ao Central Park.

Essas regras de vida do 1% mudam pouco se você estiver na China, país que recém cruzou o limiar de um milhão de milionários: foi na República Popular que a Burberrys viu suas vendas crescer em 34% em seis meses, que a Zegna inaugurou a sua 70º loja, que a casa de leilões Christie’s vendeu por 4 milhões de euros um par de pistolas da era Qing com cabo de ouro incrustado de pedras preciosas.

Não varia muito no Brasil, onde o poder de compra dos ricos é tão próspero que a Louis Vuitton cobra um ágio de 100% em comparação com os mesmos produtos da sua loja nos Champs-Elysées.

Estamos falando de uma exígua minoria de extrarricos? São os banqueiros de sempre, magnatas da indústria, estrelas do espetáculo? Não apenas. Nos EUA, os indivíduos com um patrimônio líquido de 1 a 5 milhões – é o limiar acima do qual os gestores patrimoniais os classificam como “altos patrimônios” – são 26,7 milhões. Outros 2 milhões de norte-americanos têm um patrimônio entre 5 e 10 milhões líquidos. Um milhão de pessoas estão sentadas em um ninho de ovos de ouro de 10 a 100 milhões. Por fim, 29 mil estão sentado em cima de 100 milhões de dólares. Todos juntos fazem mais da metade da população italiana.

Se quisermos ficar com a definição precisa do 1%, isto é, apenas três milhões de norte-americanos, o limite de ingresso é medido com base na renda. Os dados do Internal Revenue Service (a Receita Federal norte-americana) marcam a fronteira exata: é preciso receber uma renda de, pelo menos, 506 mil dólares brutos anuais (375 mil euros) para entrar no círculo dos três milhões de pessoas que são o 1% da população norte-americana.

Em nível global, para isolar o 1% que está no topo da pirâmide, é preciso voltar às estatísticas sobre o patrimônio, por serem mais homogêneas. O Global Wealth Report do Credit Suisse indica que eles controlam 38,5% da riqueza mundial, e que os seus bens cresceram 29% em apenas um ano: é uma velocidade dupla com relação ao crescimento da riqueza total do planeta.

Portanto, o Occupy Wall Street denuncia um fenômeno real, aqueles que estão “lá em cima” alçaram voo, distanciando-se cada vez mais da maioria da população. Um fascinante estudo dos historiadores Peter Lindert e Jeffrey Williamson demonstra que nunca na história passada o 1% teve uma cota tão grande da riqueza nacional. Em 1774, quando ainda havia o colonialismo inglês e, portanto, a aristocracia, o 1% dos privilegiados na New England controlavam apenas 9% do total. A nobreza da época vivia em condições menos distantes da média, com relação às novas oligarquias do terceiro milênio.

Na história norte-americana, a dilatação enorme das desigualdades tem uma data de nascimento: 1982. Não por acaso, é o início da era de Ronald Reagan, marcada por um sistemático ataque ao welfare state, ao poder dos sindicatos, juntamente com políticas fiscais cada vez menos progressivas. É desde 1982 que o 1% se separa do resto, sobe para a estratosfera, amplia as distâncias: no quarto de século posterior, a sua cota da renda nacional mais do que dobrou, subindo acima dos 20%. A parcela de riqueza sobe ainda mais, superando os 33%.

É a trajetória que última capa da revista The Nation mostra: “Wall Street inventou a luta de classes”. Quando esse conceito já havia se tornado um tabu no debate político norte-americano, os ricos se apropriaram dele, e o conflito social sobre a distribuição dos recursos foi vencido por eles.

Mas também há aqueles que convidam a se compadecer deles. Robert Frank, no seu livro The High-Beta Rich relata a história da família Siegel, aquela do filho que não entende por que tem que subir no avião com desconhecidos. Depois de ter feito sua fortuna no setor imobiliário e ter construído “a Versalhes dos Estados Unidos“, em Orlando, na Flórida (23 banheiros, uma garagem para 20 carros, duas salas de cinema), a família teve a sua mansão penhorada pelos bancos quando o mercado entrou em colapso. “Os extrarricos jamais sofreram uma volatilidade tão exasperada da sua fortuna, ligada aos mercados financeiros”, explica Frank.

Portanto, o 1% é uma categoria em risco, de alta mobilidade. Nela se entra e dela se sai com a porta giratória em alta velocidade. Por isso, em 2008, foi aprovado o welfare dos banqueiros: 600 bilhões apenas para salvar Wall Street.

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Atraso em obras da Copa gera extra de R$ 720 mi

Valor se refere a turnos adicionais criados para evitar estouro maior de prazo
Dezesseis estádios e aeroportos deverão ser erguidos em ‘regime de urgência’, o que inclui expediente noturno

DIMMI AMORA
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO

DE BRASÍLIA

Os atrasos nos projetos de estádios e aeroportos vão fazer o país gastar, no mínimo, R$ 720 milhões a mais para realizar a Copa do Mundo de 2014. O montante seria suficiente para a construção de um novo estádio.

O valor se deve à despesa adicional com turnos extras de trabalhadores (incluindo expediente noturno) para que as obras não estourem ainda mais o prazo.
O “regime de urgência” implica um custo extra de 8%, segundo indicam as planilhas dos estádios do Mundial.

Nove arenas e sete aeroportos já são, ou deverão ser, erguidos em esquema de três turnos, varando a noite.

Esses projetos somam R$ 9 bilhões -incluídos os R$ 720 milhões de despesa adicional devido ao atraso. Entre eles está o Itaquerão, com obras noturnas já contratadas.

Segundo os órgãos de fiscalização e controle, quando a obra tem que ser feita de forma urgente, há redução em custos com locação de maquinário, por exemplo, devido ao menor tempo de uso. Por outro lado, há acréscimos nos gastos com energia e aluguel de equipamentos para iluminação. Na prática, reduções e acréscimos se anulam.

O que pesa no aumento dos custos são os encargos trabalhistas. Num empreendimento normal, o valor gasto com encargos equivale a 113% do salário do trabalhador da construção civil, segundo estudos de órgãos de controle. Quando há turnos extras e à noite, esse índice vai a 145%.

José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia), diz que cada obra terá acréscimos de custo específicos e que dificilmente alguma deixará de tê-lo. “Faltou controle para a gestão, o tempo foi perdido.” Em alguns casos, o atraso dos projetos passou de dois anos.

Obras noturnas já estão sendo adotadas em metade dos 12 estádios da Copa. Em todos eles, o preço para a execução de forma urgente já estava previsto na licitação. Outros dois estádios, Beira-Rio (RS) e Arena das Dunas (RN), em que a construção está em estágio inicial, consideram provável o turno extra. Manaus diz que pode usá-lo.
Apenas os responsáveis pelo Mineirão (MG), Arena Pantanal (MT) e Arena da Baixada (PR) descartam hoje o “regime de urgência”.

No caso dos aeroportos, em pelo menos sete o valor será elevado pelos atrasos.

Um alerta já foi dado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O preço da construção do Terminal Remoto de Guarulhos (SP), uma das várias obras projetadas para o aeroporto, será no mínimo R$ 15 milhões acima do normal.

O aumento de custo deve acontecer com outros projetos da Infraero. Alguns estão previstos desde a década de 90, mas não foram iniciados.

O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, diz que foi decisão do governo adotar a urgência em Guarulhos. “Se fosse pelo ritmo normal, a obra ficaria pronta em junho de 2012 e teríamos problemas no fim do ano. Mas será o único contrato emergencial.”

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Atraso em obras da Copa gera extra de R$ 720 mi

Valor se refere a turnos adicionais criados para evitar estouro maior de prazo
Dezesseis estádios e aeroportos deverão ser erguidos em ‘regime de urgência’, o que inclui expediente noturno

DIMMI AMORA
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO

DE BRASÍLIA

Os atrasos nos projetos de estádios e aeroportos vão fazer o país gastar, no mínimo, R$ 720 milhões a mais para realizar a Copa do Mundo de 2014. O montante seria suficiente para a construção de um novo estádio.

O valor se deve à despesa adicional com turnos extras de trabalhadores (incluindo expediente noturno) para que as obras não estourem ainda mais o prazo.
O “regime de urgência” implica um custo extra de 8%, segundo indicam as planilhas dos estádios do Mundial.

Nove arenas e sete aeroportos já são, ou deverão ser, erguidos em esquema de três turnos, varando a noite.

Esses projetos somam R$ 9 bilhões -incluídos os R$ 720 milhões de despesa adicional devido ao atraso. Entre eles está o Itaquerão, com obras noturnas já contratadas.

Segundo os órgãos de fiscalização e controle, quando a obra tem que ser feita de forma urgente, há redução em custos com locação de maquinário, por exemplo, devido ao menor tempo de uso. Por outro lado, há acréscimos nos gastos com energia e aluguel de equipamentos para iluminação. Na prática, reduções e acréscimos se anulam.

O que pesa no aumento dos custos são os encargos trabalhistas. Num empreendimento normal, o valor gasto com encargos equivale a 113% do salário do trabalhador da construção civil, segundo estudos de órgãos de controle. Quando há turnos extras e à noite, esse índice vai a 145%.

José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia), diz que cada obra terá acréscimos de custo específicos e que dificilmente alguma deixará de tê-lo. “Faltou controle para a gestão, o tempo foi perdido.” Em alguns casos, o atraso dos projetos passou de dois anos.

Obras noturnas já estão sendo adotadas em metade dos 12 estádios da Copa. Em todos eles, o preço para a execução de forma urgente já estava previsto na licitação. Outros dois estádios, Beira-Rio (RS) e Arena das Dunas (RN), em que a construção está em estágio inicial, consideram provável o turno extra. Manaus diz que pode usá-lo.
Apenas os responsáveis pelo Mineirão (MG), Arena Pantanal (MT) e Arena da Baixada (PR) descartam hoje o “regime de urgência”.

No caso dos aeroportos, em pelo menos sete o valor será elevado pelos atrasos.

Um alerta já foi dado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O preço da construção do Terminal Remoto de Guarulhos (SP), uma das várias obras projetadas para o aeroporto, será no mínimo R$ 15 milhões acima do normal.

O aumento de custo deve acontecer com outros projetos da Infraero. Alguns estão previstos desde a década de 90, mas não foram iniciados.

O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, diz que foi decisão do governo adotar a urgência em Guarulhos. “Se fosse pelo ritmo normal, a obra ficaria pronta em junho de 2012 e teríamos problemas no fim do ano. Mas será o único contrato emergencial.”

Quem são os ricos e porque estão cada vez mais ricos

Etapa Nordeste traça realidade regional: concentra 60% dos pobres do Brasil

A Etapa Nordeste do 5º Congresso Nacional do PDT, promovida pela Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini e realizada em Fortaleza, nos dias 20 e 21 de outubro, retratou que, ainda hoje, os 9 estados do Nordeste, que detêm 28% da população brasileira, concentram 60% dos pobres do pais.

Com a palestra do professor Adriano Sarquis Bezerra de Menezes, diretor de Estudos Econômicos do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), foi possível conhecer a dinâmica do desenvolvimento sócio-econômica da região.

Adriano sistematizou dados de demografia, de pobreza e da economia da região. Apontou que regionalmente, até os anos 70, havia a expulsão dos nordestinos para o centro-sul do país e a partir dos anos 80, a migração passou a ser intra-regional. “isso porque tivemos algumas cidades de porte médio que passaram a ter uma dinâmica maior. Nessa nova morfologia da demografia de transmigração , as cidades pequenas perderam população com a migração para as cidades de médio e grande porte”, disse o professor.

Hoje um verdadeiro cinturão de miséria pode ser visto em todas as grandes cidades do Nordeste e a zona rural sofre pela pobreza que se caracteriza na baixa produtividade do trabalhador agrícola, que sofre com a falta de capacitação e assistência, apesar do novo padrão de desenvolvimento adotado pelo governo Lula pela inclusão social, que tirou da miséria e pobreza extrema boa parte dos moradores da região.

Na opinião do professor, o Nordeste que detém 28% da população do país e tem apenas 13% do PIB brasileiro, e ainda apresenta essa grande desigualdade interna: 10% dos municípios, em torno de 24 cidades, concentram a metade da riqueza do Nordeste, “concentração de renda e de desigualdade muito grande”.

Adriano acredita que o desafio é o de criar políticas para que a população não migre para os grandes e médios centros do Nordeste. “É melhor reduzir a desigualdade do que estimular o crescimento econômico”. Ele aponta à necessidade de distribuição de ativos: ativos de capital humano, como melhorar a escola pública, pois “com uma escola de qualidade você está redistribuindo renda do capital humano”.

Ele não considera mais possível a redistribuição capital físico, a reforma agrária, que deveria ter sito feita anteriormente, não mais no momento. Em relação ao capital financeiro, o professor afirmou que poucas são as pessoas que têm acesso aos fundos públicos de desenvolvimento.

Economicamente, Adriano, que também é do BnB – Banco do Nordeste do Brasil, considera necessário priorizar programas de estruturação econômica da região para gerar efeitos de longo prazo.

Atualmente a atividade econômica do Nordeste é de desenvolvimento monocêntrico, com tendência concentradora na faixa litorânea e forte dependência extra-regional: importa de outros estados muitos produtos que poderiam ser produzidos na região.

As indústrias, na sua maioria de alimentos, bebidas e têxtil, são de setores que não têm encadeamentos muito forte e não geram mudanças estruturadoras.

Adriano defende que, para equilibrar o desenvolvimento do Nordeste e as desigualdades urbanas e rurais, é preciso rediscutir o papel do estado, o papel da Sudene, criar critérios para políticas de incentivos e estabelecer quais são as estratégias mais importantes. “É preciso reavaliar o arcabouço institucional e revitalizar o planejamento na escala urbana das grandes e médias cidades”.

Na avaliação dos participantes do debate das perspectivas para o Nordeste, há necessidade de se discutir um novo modelo de desenvolvimento do conhecimento para a região, um modelo mais moderno e que privilegie a integração dos estados, a inclusão social e a educação integral de qualidade.