por NCSTPR | 13/03/26 | Ultimas Notícias
A inflação brasileira voltou a desacelerar e alcançou um marco importante em 2026. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 3,81% no acumulado de 12 meses, recuando em relação aos 4,44% registrados anteriormente.
É a primeira vez desde maio de 2024 que o indicador fica abaixo de 4%, sinalizando uma tendência de estabilidade de preços após um período de pressão inflacionária.
O resultado mantém a inflação dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central do Brasil, que estabelece objetivo de 3% ao ano, com limite máximo de 4,5%.
Governo aposta em medidas para reduzir preços
A desaceleração ocorre em meio a iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltadas para conter a alta do custo de vida, especialmente em setores sensíveis ao orçamento das famílias.
Entre os fatores apontados por analistas estão políticas voltadas à redução do preço de combustíveis, estímulo à produção agrícola e ampliação da oferta de alimentos, além de medidas para estabilizar cadeias de abastecimento.
Essas ações têm impacto direto na formação de preços, especialmente no setor de alimentação e transporte, que possuem peso significativo na composição do índice de inflação.
Educação e transportes pressionam índice mensal
Apesar da desaceleração no acumulado anual, o IPCA registrou alta de 0,7% em fevereiro, acima dos 0,33% de janeiro, movimento considerado típico do início do ano.
O principal impacto veio do grupo Educação, que subiu 5,21%, refletindo reajustes anuais de mensalidades escolares e cursos.
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, cerca de 44% do índice mensal está associado ao setor educacional, especialmente aos cursos regulares. Os maiores reajustes ocorreram no ensino médio, fundamental e pré-escola.
Outro grupo com influência relevante foi o de Transportes, responsável por parte significativa do resultado do mês.
Combustíveis e alimentos ajudam a conter inflação
Por outro lado, alguns itens importantes do orçamento das famílias registraram queda de preços.
No grupo de combustíveis, houve retração média de -0,47%, com destaque para a queda da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%).
No setor de alimentos, o comportamento foi moderado, com variação de 0,26%. Alguns produtos apresentaram reduções expressivas, como:
- frutas (-2,78%)
- óleo de soja (-2,62%)
- arroz (-2,36%)
- café moído (-1,20%)
O arroz, por exemplo, acumula queda de 27,86% nos últimos 12 meses, reflexo da ampliação da oferta do cereal no mercado interno.
Cesta básica registra queda em metade das capitais
Outro indicador que reforça a tendência de desaceleração dos preços é a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O levantamento mostrou queda no custo da cesta básica em 13 das 27 capitais brasileiras em fevereiro, resultado associado principalmente à redução de preços de produtos como óleo de soja, açúcar, café e leite.
Para especialistas, a redução nesses itens tem impacto direto no poder de compra das famílias de renda média e baixa.
Tendência de estabilidade
Economistas avaliam que o recuo do IPCA em 12 meses indica uma trajetória de maior estabilidade inflacionária, ainda que pressões pontuais possam surgir ao longo do ano.
A leitura predominante é que, mantido o controle sobre combustíveis, alimentos e serviços essenciais, o país poderá consolidar um cenário de inflação moderada — fator considerado decisivo para sustentar crescimento econômico e preservar o poder de compra da população.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/03/12/inflacao-recua-063-e-fica-abaixo-de-4-pela-primeira-vez-em-2-anos/
por NCSTPR | 13/03/26 | Ultimas Notícias
Uma nova pesquisa sobre o regime de trabalho no Brasil reforça que a choradeira do patronato contra os impactos negativos do fim da escala 6×1 não se sustenta em dados da própria realidade do país. Atualmente, 66,8% dos vínculos trabalhistas (29,7 milhões de trabalhadores) já cumprem o modelo 5×2. Essa redução foi acompanhada pelo aumento direto sobre as receitas em 72% das empresas que a adotaram.
É o que revela o relatório “O futuro do trabalho no Brasil: viabilidade e impactos da redução da jornada e fim da escala 6×1”, elaborado pela Subsecretaria de Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento reúne dados do eSocial e de pesquisa de produtividade da Fundação Getulio Vargas (FGV).
De acordo com o estudo, o impacto da adoção dessa escala sobre a folha de pagamento foi de apenas de 4,7%, com uma variação entre 1,6% a 10,5% para setores como alimentos e transporte aeroviários. Segundo o MTE, esse custo é considerado “perfeitamente absorvível pelas empresas, visto que é amplamente compensado por ganhos de produtividade e pela redução de custos indiretos, como rotatividade (turnover) e absenteísmo”.
Nesse sentido, vale destacar que o relatório ainda indica que 44% das empresas relataram melhoria significativa no cumprimento de prazos operacionais.
Segundo o MTE, isso demonstra que “a modernização da jornada não é um custo, mas um investimento estratégico na sustentabilidade do negócio e na saúde da força de trabalho brasileira”.
Espaço natural de transição
O relatório também indica que apesar de 74% dos vínculos com carteira assinada (37,2 milhões de pessoas) serem formalmente contratados para o teto de 44 horas semanais, nem todos esses empregados cumprem efetivamente seis dias de trabalho. Para o MTE, isso sinaliza “um espaço natural de transição para modelos mais flexíveis”.
Além dos ganhos para a classe trabalhadora e do baixo impacto para o empresariado, o cenário atual da economia favorece a redução dos dias trabalhados, na avaliação do ministro do MTE, Luiz Marinho. “Nesse exato momento, a economia brasileira está pronta para suportar 40 horas semanais. É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo”, explicou o titular da pasta em audiência pública dedicada ao tema, realizada na terça-feira (10) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Autora do Projeto de Lei 67/25 (estabelece que a duração da jornada não poderá exceder 40 horas semanais e ao menos dois dias semanais de repouso, sem redução salarial), a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) diz que a proposta “nasceu justamente da urgência histórica de avançarmos nessa luta por uma jornada de trabalho que garanta dignidade, saúde e qualidade de vida”. Ela concorda que a medida é “viável e madura”. A matéria deverá ser votada na próxima semana na Comissão do Trabalho da Câmara.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/03/12/no-brasil-72-das-empresas-que-adotaram-escala-5×2-tiveram-aumento-de-receita/
por NCSTPR | 13/03/26 | Ultimas Notícias
Para muitas mulheres, a carreira não para no topo. Ela desacelera antes.
Uma pesquisa da plataforma de empregos InfoJobs mostra que quase metade das profissionais acredita que o crescimento trava justamente na passagem para cargos de gestão — etapa que costuma ser a porta de entrada para a liderança nas empresas.
Segundo o levantamento, 49% das mulheres dizem sentir um “teto de crescimento’ na transição de funções técnicas para posições de gestão, enquanto 20% apontam que a barreira aparece apenas na chegada à diretoria ou nível executivo.
Na prática, isso indica que muitas carreiras encontram obstáculos antes mesmo de alcançar o topo da hierarquia corporativa.
O estudo faz parte da Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026, realizada pela InfoJobs com 1.022 profissionais. O levantamento, divulgado com exclusividade para o g1, reúne percepções sobre crescimento profissional e ambiente de trabalho.
Especialistas costumam explicar esse fenômeno apontando na pesquisa com dois conceitos que ajudam a entender a desigualdade de gênero nas empresas:
- 🪟 Teto de invisível / vidro : barreira invisível que impede o avanço até as posições mais altas da hierarquia;
- 🪜 Degrau quebrado: dificuldade que muitas mulheres enfrentam para conquistar a primeira promoção para cargos de liderança.
Hosana Azevedo, gerente de RH do Redarbor – grupo responsável pelo InfoJobs – explica que, embora muitas mulheres avancem bem em funções técnicas, a passagem para a liderança costuma depender de outros fatores além da entrega individual.
“Esse é um momento em que as promoções passam a depender menos de entrega individual e mais de visibilidade, networking interno e confiança da liderança — fatores que historicamente favoreceram trajetórias masculinas”.
Hosana também ressalta que o problema não está na qualificação das profissionais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres já têm, em média, níveis de escolaridade mais altos que os homens no Brasil. Ainda assim, permanecem sub-representadas em posições de liderança.
Para ela, o desafio aparece justamente na transição entre a performance técnica e o reconhecimento como potencial líder dentro das empresas.
Quando esse primeiro obstáculo aparece cedo, o efeito se espalha ao longo da carreira. Menos mulheres conseguem avançar para os níveis seguintes da estrutura corporativa. E a presença feminina diminui conforme os cargos se tornam mais altos.
Os próprios dados da pesquisa ajudam a ilustrar esse cenário.
Entre as mulheres entrevistadas na pesquisa da InfoJobs, a maior parte ainda está distante das posições de liderança — ou sequer conseguiu permanecer no mercado de trabalho.
Mais da metade das participantes (54%) afirmou que não está trabalhando atualmente. Outras 21% estão no início da carreira e 17% ocupam cargos de especialista ou analista. Já os postos de liderança aparecem com participação bem menor: 5% disseram atuar em coordenação ou gestão, enquanto apenas 3% chegaram à liderança sênior ou à diretoria.
A pesquisa também analisou como as empresas distribuem projetos estratégicos — tarefas que costumam aumentar a visibilidade dentro das organizações e influenciar decisões de promoção.
Quase metade das entrevistadas (46%) avalia que a distribuição ocorre de forma equilibrada e baseada em competência. Ainda assim, uma parcela relevante percebe diferenças. Cerca de 31% dizem que mulheres recebem projetos estratégicos, mas com maior nível de cobrança, enquanto 23% afirmam que há tendência de direcionar projetos críticos para perfis masculinos.
Hosana afirma que projetos estratégicos costumam funcionar como uma vitrine dentro das empresas, pois são eles que aumentam a visibilidade de profissionais e influenciam decisões de promoção.
Segundo a executiva, quando mulheres têm menos acesso a essas experiências — ou precisam comprovar resultados sob níveis mais altos de exigência — cria-se um desequilíbrio que se acumula ao longo da trajetória profissional.
Ambiente de trabalho ainda exige cautela
A percepção sobre o ambiente corporativo também ajuda a entender por que o avanço nem sempre ocorre no mesmo ritmo.
Quase metade das entrevistadas (45%) afirma que precisa ter mais cautela ao se posicionar no trabalho em comparação aos colegas homens. Outras 22% dizem que o ambiente não favorece erros ou discordâncias quando se trata de mulheres. Apenas 33% relatam sentir a mesma liberdade e confiança que os pares masculinos.
A percepção de que as organizações ainda precisam evoluir nesse tema também aparece com força no levantamento.
Segundo a pesquisa, 78% das mulheres afirmam que temas como igualdade salarial, apoio à dupla jornada e oportunidades iguais ainda não recebem a atenção necessária dentro das empresas. Apenas 22% acreditam que essas questões são tratadas de forma adequada.
Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor, empresas que não monitoram de forma efetiva indicadores de equidade e inclusão correm o risco de perder talentos e reduzir o engajamento das equipes.
Segundo ela, promover equidade não é apenas uma pauta social, mas também uma estratégia para melhorar a gestão de pessoas e fortalecer a competitividade das organizações.
“As empresas precisam traduzir equidade em ações concretas. Quando as mulheres percebem que seus direitos e oportunidades são tratados de forma superficial, o resultado aparece em diferentes dimensões da organização, como menor retenção, queda de engajamento e enfraquecimento da confiança institucional”, pontua.
Desafios aumentam ao longo da carreira
Outro fator que influencia essa percepção de estagnação aparece em determinadas fases da vida profissional.
Segundo Hosana, o sentimento costuma se intensificar a partir dos 30 anos, momento em que muitas mulheres tentam avançar para posições de liderança ao mesmo tempo em que enfrentam decisões pessoais importantes, como a maternidade.
“As mulheres dedicam quase o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e ao cuidado familiar em comparação aos homens, o que ainda influencia a percepção de disponibilidade para cargos de gestão”.
A executiva acrescenta que alguns setores apresentam desafios adicionais. Áreas tradicionalmente masculinas, como tecnologia, engenharia e indústria, ainda registram barreiras maiores para a ascensão feminina.
As dificuldades também se tornam mais evidentes quando o recorte considera mulheres de grupos minorizados.
Segundo a pesquisa da Infojobs, 62% das entrevistadas acreditam que existem oportunidades para mulheres pretas, pessoas com deficiência e LGBTQIA+, mas que elas ainda não são igualitárias. Apenas 19% dizem que essas oportunidades são distribuídas de forma equivalente.
Nos comentários abertos do levantamento, muitas participantes também relataram preferência por homens em cargos de chefia, menor presença feminina em posições estratégicas e diferenças salariais entre homens e mulheres, além de obstáculos para avançar na carreira.
Para Hosana, parte da solução passa por tornar mais claros e estruturados os processos de promoção dentro das empresas. Segundo ela, critérios objetivos para liderança ajudam a reduzir vieses e ampliam as chances de reconhecimento do desempenho feminino.
A executiva também destaca o papel de iniciativas como programas de mentoria, patrocínio profissional e trilhas de desenvolvimento voltadas à liderança feminina.
Apesar das barreiras, o levantamento mostra que parte das profissionais ainda acredita em mudanças.
Metade das entrevistadas (50%) afirma ter uma visão otimista sobre o futuro do mercado de trabalho para as mulheres, com expectativa de maior igualdade salarial, mais benefícios relacionados à maternidade e oportunidades mais equilibradas. Outros 30% dizem não esperar mudanças significativas, enquanto 21% demonstram uma visão pessimista.
por NCSTPR | 13/03/26 | Ultimas Notícias
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizou na manhã desta quinta-feira (12) uma audiência pública para debater a validade de normas coletivas que autorizam a prorrogação da jornada de trabalho em ambientes insalubres sem licença prévia das autoridades competentes. A discussão tem relevância por se tratar de normas de saúde, segurança e higiene do trabalho e ocorre no âmbito do Tema 149 da tabela de Recursos de Revista Repetitivos, servindo de subsídio para orientar a solução de diversos processos semelhantes sobre o tema.
A definição da tese jurídica poderá impactar diretamente empresas e trabalhadores expostos a condições insalubres, além de orientar a elaboração de acordos e convenções coletivas em todo o país.
Participação popular
Na abertura da audiência, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho destacou que o Tribunal está passando por um processo de consolidação da segurança de precedentes. “Isso claramente necessita que haja uma participação popular e de todos aqueles que são destinatários da norma que será construída, por seu efeito prospectivo no futuro”, observou.
O ministro ressaltou ainda que o TST tem de estar democraticamente aberto às entidades sindicais e entidades patronais, “para que possamos construir uma jurisprudência mais estável, segura e mais eficaz”.
Releitura da autonomia negocial coletiva
Por sua vez, o ministro Douglas Alencar Rodrigues, relator do recurso repetitivo, que preside a audiência, lembrou que esse é um dos temas que desafiam o TST desde 2017, com o advento da Reforma Trabalhista (Lei 13.467), que impôs ao tribunal, por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), “uma releitura da autonomia negocial coletiva”. O ministro salientou que, como desdobramento do próprio Tema 1.046 da tabela de repercussão geral do STF, a discussão busca delimitar os espaços de negociação coletiva assegurados pela ordem jurídica aos atores sociais.
Definições claras
O subprocurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT) Francisco Gérson Marques de Lima destacou a importância de as empresas e os trabalhadores deixarem bem claro, no instrumento de acordo coletivo, que determinadas tarefas são insalubres, bem como os indícios e os elementos das atividades, para que se possa depois verificar e fiscalizar.
Expositores
Participaram da audiência, na condição de expositores, representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional da Saúde (CNS), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado do Rio Grande do Sul, da Associação Brasileira de Agroindústria Exportadora de Carnes (Abiec), da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa), das Federações da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan) e do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Grupo Hospitalar Conceição S.A.
Confira a íntegra das exposições:
Recurso Repetitivo
A questão está sendo analisada no Incidente de Recursos de Revista Repetitivos IRR-100225-49.2020.5.03.0041, afetado ao Pleno do TST em maio de 2025. O objetivo é definir se, após o entendimento firmado pelo STF no Tema 1.046, é válida a negociação coletiva que dispensa a licença prévia para a prorrogação da jornada em atividades consideradas insalubres.
O debate envolve o alcance do princípio da prevalência do negociado sobre o legislado, previsto no artigo 611-A da CLT. O dispositivo foi introduzido pela Reforma Trabalhista, que ampliou a possibilidade de acordos e convenções coletivas regularem diversas condições de trabalho.
Legislação e jurisprudência
O artigo 60 da CLT exige autorização prévia da autoridade competente para a prorrogação da jornada em atividades insalubres, mediante verificação das condições de trabalho. A Súmula 85 do TST considera inválido o acordo de compensação de jornada em ambiente insalubre sem essa autorização, ainda que previsto em norma coletiva.
Já o artigo 71, parágrafo 3º, da CLT permite a redução do intervalo intrajornada mínimo de uma hora por ato do Ministério do Trabalho, desde que a empresa atenda às exigências relativas aos refeitórios e que os empregados não estejam submetidos a regime de horas extras.
(Dirceu Arcoverde/CF)
Processo: IRR-100225-49.2020.5.03.0041
TST JUS
https://www.tst.jus.br/en/-/audiencia-publica-no-tst-reune-pluralidade-de-pontos-de-vista-sobre-jornada-em-ambiente-insalubre
por NCSTPR | 13/03/26 | Ultimas Notícias
Decisão liminar reconheceu nulidade das dispensas por falta de negociação sindical prévia.
Da Redação
A Justiça do Trabalho determinou, nesta quinta-feira, 12, a reintegração de cerca de 370 trabalhadores demitidos em massa sem negociação prévia com o sindicato da categoria.
A liminar foi concedida pela juíza do Trabalho Rita de Cássia Martinez, da 20ª vara do Trabalho de São Paulo, no âmbito de ação civil pública proposta pelo Sindpd-SP, Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de São Paulo.
A magistrada reconheceu a nulidade das demissões imotivadas realizadas a partir de 10 de março de 2026 e determinou que as empresas procedam à reintegração imediata dos empregados dispensados no prazo de dez dias a contar da intimação. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 500 por trabalhador prejudicado.
Também ficou determinado que as rés se abstenham de promover novas dispensas coletivas sem a participação prévia do sindicato profissional, sob pena de multa de R$ 10 mil por trabalhador demitido após a intimação da decisão.
Entenda o caso
A ação foi ajuizada pelo Sindpd-SP com apoio da Fenati – Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação. Segundo as entidades, as demissões ocorreram sem negociação com os representantes da categoria e durante o período de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho. A última reunião entre empresa e sindicato teria ocorrido em 5 de março.
Para o sindicato, os desligamentos caracterizam demissão em massa e configuram prática antissindical.
O presidente da entidade, Antonio Neto, afirmou que a decisão reforça a necessidade de diálogo coletivo nas relações de trabalho.
“Essa decisão da Justiça deixa uma mensagem clara: trabalhador não é descartável e nem estatística para ser eliminada em um processo de ‘reestruturação’. As empresas precisam respeitar a lei, o diálogo social e a negociação coletiva. Demitir em massa sem conversar com o sindicato é desrespeitar a dignidade de quem constrói diariamente os resultados dessas empresas”, declarou.
Demissões irregulares
Ao analisar o pedido, a juíza considerou presentes os requisitos da tutela provisória de urgência previstos no art. 300 do CPC, destacando a probabilidade do direito alegado e o risco de dano decorrente das dispensas coletivas.
Na fundamentação, a magistrada citou entendimento do STF firmado no Tema 638, segundo o qual a intervenção sindical prévia constitui requisito procedimental imprescindível para a dispensa em massa de trabalhadores, embora não se confunda com autorização prévia da entidade sindical.
Com base nesse entendimento, a juíza concluiu pela nulidade das dispensas realizadas sem a participação da entidade sindical e determinou a reintegração dos trabalhadores afetados.
Processo: 1000399-62.2026.5.02.0020
Leia a decisão: https://arq.migalhas.com.br/arquivos/2026/3/C2F464AF6B7A00_Documento_b89cff4(1).pdf
MIGALHAS
https://www.migalhas.com.br/quentes/451743/juiza-manda-stone-reintegrar-370-trabalhadores-demitidos-em-massa