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Para evitar especulação, governo zera tarifa de importação do arroz

Para evitar especulação, governo zera tarifa de importação do arroz

O governo alterou a alíquota para que a Conab possa comprar o produto de outros países

Rafaela Gonçalves

Em reunião extraordinária, realizada nesta segunda-feira (20), o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a proposta para zerar o imposto de importação de três tipos de arroz para evitar que a oferta nacional do produto seja comprometida pelas enchentes no Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional.

Dois tipos de arroz não parboilizados e um tipo polido foram incluídos na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec). A isenção, que tem prazo de validade até 31 de dezembro, atende pedido do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, a ação do governo visa garantir a segurança alimentar. “Ao zerar as tarifas, buscamos evitar problemas de desabastecimento ou de aumento do preço do produto no Brasil, por causa da redução de oferta”, disse.

Em nota, a pasta informou que vai monitorar a situação para reavaliação do período de vigência, caso necessário. Atualmente, a maior parte das importações de arroz no Brasil é do Mercosul, nas quais a alíquota já é de 0%. “Mas há potencial para importação de outras origens, como a da Tailândia. Em 2024, até abril, as compras de arroz da Tailândia já representam 18,2% do total importado”, apontou.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reforçou que não há risco de faltar arroz no Brasil, visto que a maior parte da safra já estava colhida e que a medida é para evitar especulação de preços e recompor os estoques públicos. “O objetivo não é concorrer com os produtores gaúchos. O governo não seria insensível de criar uma concorrência, fazer baixar o preço do arroz para o produtor. Inclusive, queremos tranquilizar os produtores em relação a isso”, disse o ministro.

Diversos supermercados por todo o país aumentaram os preços do grão e começaram a limitar a compra do grão devido a problemas logísticos após a tragédia climática. Em relatório, o Bradesco estimou uma alta de cerca de 20% nos preços do arroz. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) começou a monitorar os valores na prateleira para identificar uma eventual especulação no preço do produto em diversos estados. De acordo com o Procon-SP, a medida foi necessária após “informações equivocadas sobre os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul no abastecimento do mercado, uma vez que o estado é o maior produtor de arroz do país.”

“A informação é a ferramenta mais adequada para os consumidores identificarem práticas contraindicadas, como a formação de estoques sem necessidade, que causam aumento de preços e falta do produto”, explicou Luiz Orsatti Filho, diretor-executivo do Procon-SP. Sobre o racionamento na venda de arroz, adotado por alguns mercados.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que é prática abusiva condicionar o fornecimento de produto a limites quantitativos sem justa causa. “É justificável que fornecedores disponibilizem os produtos com alguma restrição quantitativa, com o objetivo de atender ao maior número possível de consumidores e, assim, ajudar no combate à especulação. Mas, é importante que esta situação de exceção e dado ao contexto, a limitação nas quantidades vendidas por parte dos estabelecimentos seja informada de maneira clara, precisa e ostensiva”, informou a entidade, em nota.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2024/05/6861383-para-evitar-especulacao-governo-zera-tarifa-de-importacao-do-arroz.html

Para evitar especulação, governo zera tarifa de importação do arroz

Desemprego de longa duração é o menor para o 1º trimestre desde 2015, mas deve frear junto com a economia; entenda

Dados do IBGE indicam que, nos primeiros três meses deste ano, 1,9 milhão de brasileiros procuravam trabalho há mais de dois anos. Mas o indicador agrega trabalhadores com pouca capacitação, que ficam fragilizados quando o mercado de trabalho começa a arrefecer.

Por Isabela Bolzani, g1

Com a melhora do mercado de trabalho nos últimos três anos, o número de trabalhadores que busca emprego há mais de dois anos caiu ao menor patamar para um 1º trimestre em nove anos.

Dados divulgados na sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram que a chamada “taxa de desemprego de longa duração” ficou em 22,2% no primeiro trimestre deste ano, com 1,9 milhão de pessoas desocupadas há dois anos ou mais.

Em comparação:

  • Esse número é 6,1% maior do que o observado no trimestre imediatamente anterior, mas representa uma queda de 14,5% em comparação ao mesmo período de 2023.
  • No primeiro trimestre de 2015, eram cerca de 1,4 milhão de desocupados há mais de dois anos.

Em geral, o trabalhador que fica mais tempo sem trabalhar tem baixa qualificação, seja pela falta de experiências profissionais ou de formação acadêmica. É uma camada mais vulnerável, que dificilmente consegue aplicar e ser escolhido para vagas melhores, de remuneração mais alta.

Por isso, esse recuo é uma mostra de força do mercado de trabalho brasileiro desde o impacto da pandemia de Covid. Por outro lado, especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a desaceleração econômica prevista para este ano e, agora, a perspectiva de juros mais altos do que o esperado devem reduzir essa onda positiva.

A recomendação dos analistas é que o segmento procure investir em estudo e qualificação, para enfrentar um cenário de mudanças que deve se estabelecer nos próximos anos.

Nesta reportagem você vai entender:

  • O que é e como está a taxa de desemprego de longa duração?
  • Qual a qualidade do emprego e o rendimento médio desses trabalhadores?
  • Por que o mercado de trabalho deve desacelerar à frente?

O que é e como está a taxa de desemprego de longa duração?

A taxa de desemprego de longa duração é aquela que representa o percentual de pessoas que estão desocupadas há dois anos ou mais no país.

Desde o terceiro trimestre de 2021, o indicador vem em plena queda. Foram cinco trimestre seguidos de queda, uma pequena interrupção no primeiro trimestre de 2023, e mais três quedas nos períodos seguintes.

Na mesma base de comparação, aproximadamente 4 milhões de pessoas (46% dos desocupados) buscavam emprego entre um mês a menos de um ano. Esse grupo aumentou 5,5% em relação ao trimestre anterior e caiu 6,5% ante igual período de 2023.

O movimento acompanha o quadro positivo para o mercado de trabalho geral — que, por sua vez, tem se beneficiado da resiliência que a economia brasileira tem demonstrado nos últimos meses, trazendo maior confiança e recursos para os empresários.

“Nenhuma variável explica melhor o cenário do emprego se não o próprio desempenho da economia. O que temos notado é que a atividade doméstica está mais aquecida do que se esperava e o mercado de trabalho está acompanhando isso”, afirma o assessor econômico da FecomercioSP Jaime Vasconcellos.

O economista ainda destaca influência da política fiscal expansionista do atual governo — ou seja, um aumento de gastos para estímulo da economia —, que também acaba se refletindo nos números do mercado de trabalho.

“Estamos em um cenário de emprego retroalimentando emprego. Isso significa que o emprego que é gerado impulsiona o consumo das famílias, que por sua vez se transforma em receita das empresas e gera mais emprego”, acrescenta Vasconcellos.

E esse cenário mais otimista, dizem especialistas, é observado mesmo nos períodos de sazonalidade (que considera eventos que acontecem regularmente em uma determinada época).

É o caso das festas de fim de ano, por exemplo. Nesse período, é normal acontecer uma melhora do mercado de trabalho, já que uma série de empresas fazem contratos temporários com novos trabalhadores para atender à demanda da época.

Esse evento também reflete no indicador do começo do ano, período em que há um aumento do desemprego em meio ao fim desses contratos temporários.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua referentes a março, por exemplo, indicam que apesar de a taxa de desocupação ter aumentado 0,5 ponto percentual (p.p.) em relação ao quarto trimestre de 2023, de 7,4% para 7,9%, houve uma queda de 0,9 p.p. em comparação ao mesmo período do ano passado.

E o bom desempenho geral do mercado de trabalho ao longo dos últimos trimestres tem melhorado também a taxa de desemprego de longa duração.

“Quando olhamos a desocupação de longo prazo, ela vem caindo ao longo dos trimestres, porque o país continuou gerando vagas. E quando o mercado de trabalho está muito aquecido, ele acaba conseguindo incorporar as pessoas que normalmente têm maior dificuldade de acesso ao emprego”, explica o economista da LCA Consultores Bruno Imaizumi.

Qual a qualidade do emprego e o rendimento médio desses trabalhadores?

No geral, a melhora do mercado de trabalho também tem se refletido nos indicadores de renda. Dados da Pnad de março, por exemplo, indicam que o rendimento real habitual teve uma alta de 1,5% em relação ao trimestre anterior e passou a R$ 3.123. No ano, o crescimento foi de 4%.

Para os trabalhadores que estavam há muito tempo procurando emprego, no entanto, os especialistas destacam que a média tende a ser menor.

“A qualidade das vagas geradas para esse pessoal que estava em um desemprego mais longo tende a ser de menor qualidade, com uma renda menor”, diz o pesquisador da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Daniel Duque.

Nesse sentido, especialistas destacam a importância da qualificação profissional, principalmente pela leitura de que o trabalhador sem experiências e estudos fica fragilizado quando o mercado de trabalho começa a arrefecer.

E esse cenário já começa a fazer parte das projeções de economistas para os próximos anos.

Por que o mercado de trabalho deve desacelerar à frente?

Apesar do quadro ainda positivo para o emprego no Brasil, a sinalização dos economistas há algum tempo é que haja uma desaceleração na geração de vagas ao longo dos próximos anos, acompanhando os sinais de desaceleração da economia e juros mais altos.

“Alguns dos limitadores do mercado de trabalho são as condicionantes de comércio e consumo, que são inflação e juros. Se tivermos uma inflação maior e se os juros não caírem tanto quanto esperamos, isso afeta o consumo das famílias. E isso tudo reduz a capacidade de crescimento da economia e se reflete no emprego”, afirma Vasconcellos.

O economista também destaca que parte desses indicativos já começa a ser visível nos próprios números do Produto Interno Bruto (PIB).

Os últimos dados de atividade, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de março e referentes ao último trimestre de 2023, indicam que houve uma queda de 3% dos investimentos feitos no país.

“No curto prazo, o emprego até está melhor do que o esperado, mas há um risco no longo prazo porque os investimentos não crescem e isso também tende a limitar o crescimento da atividade. Não é só através de demanda que o emprego e a economia se sustentam”, diz Vasconcellos, reiterando, no entanto, que os sinais de desaceleração do mercado de trabalho só devem vir ao longo dos próximos anos.

Além disso, outro ponto de atenção fica com o cenário internacional. Isso porque além das indicações de inflação e juros elevados em economias desenvolvidas, os especialistas também já consideram, em suas projeções, a sinalização de uma desaceleração econômica mundial.

“Nossas projeções para o mercado de trabalho já consideram um cenário de desaceleração da economia global impactando a geração de vagas, especialmente na indústria. A perspectiva é que o setor de serviços siga como o principal motor na criação de vagas do país”, diz o economista sênior da Tendências Consultoria Lucas Assis.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2024/05/21/desemprego-de-longa-duracao-e-o-menor-para-o-1o-trimestre-desde-2015-mas-deve-frear-junto-com-a-economia-entenda.ghtml

Para evitar especulação, governo zera tarifa de importação do arroz

RS tem perdas bilionárias e infraestrutura pode levar 10 anos para ser recuperada

Para reerguer o Rio Grande do Sul, serão necessários, segundo o governo estadual, cerca de R$ 19 bilhões no médio e longo prazo; retração no PIB pode ser de R$ 40 bilhões

por Priscila Lobregatte

Além da destruição de vidas e das perdas ambiental e habitacional, a magnitude do desastre climático que assola o Rio Grande do Sul se reflete com força também na infraestrutura e na economia. Projeção inicial da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) indica que poderá ser preciso cerca de uma década para que a infraestrutura seja recuperada no território gaúcho.

A tarefa, de fato, é monumental, considerando o trágico cenário vivido pela maioria dos municípios gaúchos. Cerca de 93% do estado e 2,3 milhões de pessoas foram afetadas até o momento, segundo dados do governo do RS, e cidades inteiras foram destruídas ou seriamente prejudicadas. Mais de 581 mil habitantes estão desalojados e 157 perderam a vida.

Em meio a esse quadro, a contabilidade dos prejuízos ainda está em aberto em várias áreas, inclusive porque em muitas cidades a água ainda não baixou o suficiente para que a avaliação possa ser feita.

Mas, segundo explicou ao jornal Valor Econômico o presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, é inevitável que pesados aportes sejam investidos.  “Não há o que fazer. Os mais céticos em relação a questões fiscais sabem que esses recursos efetivamente vão ter que ser gastos”, explicou.

No último dia 9, o governador Eduardo Leite (PSDB) afirmou que para reerguer o estado serão necessários cerca de R$ 19 bilhões no médio e longo prazo.

Reflexos na economia

Segundo a Federação das Indústrias do RS (Fiergs), 96% dos empregos industriais e 80% da atividade econômica do estado foram afetados pelas enchentes.

Dentre os principais segmentos estão o metalmecânico e de móveis, na Serra; veículos, máquinas, autopeças, derivados do petróleo e alimento, concentrados na Região Metropolitana de Porto Alegre; calçados, no Vale dos Sinos; alimentos (carnes, massas) e tabaco, no Vale do Rio Pardo, e de carnes, calçados e químicos, no Vale do Taquari.

A Região Metropolitana de Porto Alegre responde por R$ 107 bilhões em valor adicionado bruto ao estado, seguida do Vale dos Sinos, com R$ 60 bilhões e Serra, com R$ 41 bilhões. Na avaliação da Fecomércio-RS, no pior cenário, as perdas patrimoniais das famílias podem chegar a R$ 2,3 bilhões.

No campo, os prejuízos ultrapassam R$ 2,5 bilhões, de acordo com dados parciais da Confederação Nacional de Municípios (CNM), R$ 2,3 bilhões somente na agricultura e R$ 226 milhões na pecuária.

Recuo no PIB

Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), a calamidade pode levar o PIB do RS a encolher R$ 40 bilhões, o que corresponde a uma queda de 6,2 pontos percentuais em relação a 2023, quando o PIB foi de R$ 640 bilhões.

Conforme assinalou a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o PIB do RS “deverá registrar perdas principalmente no segundo trimestre, parcialmente compensadas ao longo dos trimestres posteriores”.

Considerando que o Rio Grande do Sul tem o quarto maior PIB do país, com 6,5% do total segundo o IBGE, o impacto também poderá ter reflexos na economia brasileira como um todo. Agências do mercado estimam que as perdas no PIB nacional pode, ficar entre de 0,2 e 0,3 ponto percentual.

No dia 16, o Ministério da Fazenda aumentou a projeção para o PIB de 2,2% em março para 2,5% — porém, não foram levados em conta as possíveis perdas do RS. “A magnitude do impacto depende da ocorrência de novos eventos climáticos, de transbordamentos desses impactos para estados próximos e do efeito de programas de auxílio fiscal e de crédito nas cidades atingidas pelas chuvas”, explicou a pasta.

Recursos federais

Para enfrentar os problemas vividos pelo estado, o governo federal vem fazendo grandes aportes financeiros, para além daqueles voltados ao socorro e auxílio imediato. Entre as medidas estão a suspensão, por três anos, da dívida do RS com a União, de maneira que o estado poderá direcionar R$ 11 bilhões para as ações de reconstrução. Já o perdão dos juros da dívida, de 4% ao ano, gerará economia de cerca de R$ 12 bilhões aos cofres do estado, segundo o governo.

Além disso, na semana passada foi anunciado o repasse de uma parcela adicional do Fundo de Participação dos Municípios a 47 cidades gaúchas que se encontram em situação mais grave, num total de R$ 192,7 milhões, a ser feito em parcela única.

Na sexta-feira (17), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou o empenho do Governo Federal em apoio à recuperação da atividade econômica e à manutenção do emprego no Rio Grande do Sul, durante reunião com a Fiergs.

Outra medida é a emenda de resgate emergencial, que soma R$ 1,33 bilhão para os municípios em situação de calamidade. Com isso, ficou autorizado o pagamento de R$ 733,4 milhões, dos quais R$ 630,77 milhões foram pagos (86%), além de transferências especiais de R$ 464 milhões disponíveis para aceite dos municípios: 467 (99,57%) dos 469 municípios indicados já confirmaram o aceite, totalizando R$ 459 milhões (98,91% do total disponível).

Segundo a plataforma Brasil Participativo, que concentra as ações do governo federal no RS, o total de recursos destinados ao estado somam, até o momento, R$ 60,7 bilhões em medidas de apoio.

Desse total, R$ 46,2 bilhões são considerados recursos novos, tais como medidas de crédito, segurança alimentar, defesa civil, saúde (medicamentos, atendimento, vigilância epidemiológica), alimentação escolar, aquisição de arroz, reconstrução de rodovias, Força Nacional, Polícia Federal e Defesa (atendimento à emergência).

No item “medidas de crédito” constam, por exemplo, R$ 30 milhões para subvenção do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e R$ 5 milhões para o Programa Emergencial de Acesso a Crédito.

O restante dos recursos novos, R$ 14,5 bilhões, dizem respeito à antecipação de benefícios e prorrogação de tributos, entre os quais auxílio-gás, abono salarial, FGTS, Imposto de Renda, Bolsa Família  Benefício de Prestação Continuada.

Com agências

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2024/05/20/rs-tem-perdas-bilionarias-e-infraestrutura-pode-levar-10-anos-para-ser-recuperada/

Para evitar especulação, governo zera tarifa de importação do arroz

Polarização e desinformação, o papel da internet e dos influenciadores na tragédia do sul do país

A internet desempenhou um papel fundamental no combate ao horror estabelecido no Rio Grande do Sul. Desde doações de comida, água, roupas e colchões até a arrecadação de recursos para enfrentar esta primeira fase de falência total do estado, a rede mostrou seu valor no combate a crises humanitárias.

A pesquisadora Pappacharissi afirmou que a rede é fundamental para conectar políticas e promover ações populares, mais do que apenas conectar pessoas. No entanto, a exposição excessiva das pessoas, a desinformação e a polarização também estiveram presentes nas redes sociais, com efeitos muito ruins para a superação da crise, dificultando a ajuda, as doações e o trabalho das autoridades.

Parece cruel, mas constatamos golpes com PIX falsos para doações, além de uma politização extrema, com acusações falsas contra governos que estariam socorrendo apenas uma parte das vítimas ou criando dificuldades logísticas para o salvamento.

A desinformação é uma das maiores preocupações em nível internacional, conforme revela o Relatório lançado em janeiro deste ano no Fórum Econômico Mundial. De acordo com o Global Risk Report 2024, as informações falsas, alavancadas pelo uso da inteligência artificial, como os deep fakes, são consideradas os maiores riscos, especialmente neste cenário de eleições globais nos próximos dois anos. Entre os riscos previstos no relatório, estão a disrupção de processos eleitorais, visões polarizadas, que podem levar a agitações civis e escalada de conflitos sociais, além de novos tipos de crimes, por meio das deep fakes, as imagens sintéticas. Quando um país tenta se unir, como vimos na tragédia do Rio Grande do Sul, a desinformação torna-se uma ameaça à sociedade, criando questionamentos sobre a legitimidade, tanto de governos quanto da própria sociedade, que vem da mobilização popular e de grupos da internet, como influenciadores.

Então isso é ruim, quer dizer que é preciso que as pessoas parem de falar dos temas importante? Se elas falam, estão sendo oportunistas. Se calam, estão sendo indiferentes. Qual é o paradoxo neste caso?

A resposta aqui é a transparência e a regulação, que infelizmente, nós não temos. É preciso que esteja claro quanto essas pessoas ganham para circular aquele conteúdo. É necessário que elas também deixem claro quais são suas posições políticas e ideológicas e quais os seus objetivos de curto e médio prazo.

Por que não posso comparar um jornalista com um influenciador, por exemplo? Porque os jornalistas estão ligados a uma empresa que tem a submissão de regras e códigos de ética e normas da empresa e das leis.

O influenciador não está ligado a nada e alguns deles funcionam como seitas, misturando política, religião e gerando muitas ilusões nas pessoas. A persuasão é a maior ferramenta de poder na internet, e ela funciona muito bem, tanto que não pode ser usada sem regras claras de responsabilização.

Então estamos querendo colocar uma mordaça na boca dos influenciadores digitais? E como fica a liberdade de expressão? Quando você fala em responsabilidade, está sugerindo implicitamente a censura?

Como destaca Ana Frazão, existe um trade-off entre a prevenção da desinformação e a preservação da liberdade de expressão, ou seja, é preciso equilibrar os dois direitos, para que o controle da desinformação esteja nos limites dos direitos humanos de livre opinião.

A liberdade de expressão é a chuva, mas embaixo dela há um guarda-chuva que protege as pessoas de crimes de opinião, como calúnia, difamação, injúria e diversos outros crimes que estão listados no PL 2630, que está em tramitação nesta Casa.

Essa separação entre opinião e desinformação tem que ser feita por meio da responsabilização, não é isso?

Na última coluna no site Jota, Ana Frazão afirma que nunca houve um momento tão crítico para a democracia, e lembramos que estamos em ano eleitoral. As plataformas exercem enorme poder sobre o debate público e têm a capacidade de espalhar inverdades sobre o processo eleitoral, os candidatos ou as instituições, desestabilizando a democracia. A Meta, uma das mais acusadas de serem omissas, criou um comitê, o Oversight Board, que aponta que o design e as escolhas da plataforma, por meio dos algoritmos de recomendação, potencializam as narrativas promovidas por redes ou influenciadores, levando à violência offline.

Os influenciadores não apenas informam, mas também se conectam emocionalmente com seus seguidores, a partir de interações genuínas.

Em outro artigo, Ana Frazão argumenta que o problema desse mercado é que ele funciona à margem das regulações sobre publicidade e sem a devida transparência, o que já levou alguns países, como a França, a elaborar uma legislação para disciplinar a influência comercial, deixando claro que se trata de uma atividade lucrativa.

As consequências, em caso de descumprimento, são graves, incluindo até restrição da liberdade. As obrigações vão desde a transparência e informação até a vedação de alguns produtos, como remédios e fumígeros.

Nos Estados Unidos, os influenciadores devem identificar os conteúdos pagos.

A tragédia do Rio Grande do Sul é uma oportunidade para discutir a responsabilidade desses atores. Entre elas, respeitar as normas de defesa do consumidor, que inclui o direito à informação e à verdade. Também devem ser responsabilizados por danos pelos produtos que vendem, quando for o caso, igual às agências de publicidade.

Além de deixar claro qual a relação com as ideias que defendem e os produtos que promovem. As questões que ficam são:

  1. Teremos coragem de responsabilizar os influenciadores que pregam discursos de ódio e polarização quando vivemos uma das maiores tragédias humanitárias deste país?
  2. Conseguiremos nos unir para uma ação coletiva para as próximas etapas da luta pela reconstrução do Rio Grande do Sul, com uma internet tão polarizada?
  3. Vamos revisar a agenda ambiental do legislativo para retirar as propostas que possam contribuir ou reforçar desastres ambientais dessa natureza, sem apelo à desinformação?
  4. Vamos nos articular para as próximas etapas de recuperação do estado, quando o pior passar?

São as reflexões que ficam, dentre tantas outras, desta triste tragédia.

Sigam nossas redes sociais para mais conteúdos que informam, esclarecem e educam sobre as mídias digitais.

AUTORIA

Beth Veloso
Para evitar especulação, governo zera tarifa de importação do arroz

A privatização da Sabesp e a face sombria da violência política

Recentemente, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o projeto de lei que autoriza a privatização da Sabesp. Como vereadora, votei a favor desse projeto porque acredito em seu potencial para mudar vidas. O governo estadual propôs a privatização com metas claras: fornecer saneamento básico universal para a população, priorizando as comunidades vulneráveis, e reduzir as tarifas para os consumidores.

A reação ao meu apoio ao projeto foi rápida e severa. Um agressor, em um e-mail ameaçador e covarde, referiu-se a mim de forma depreciativa e me intimidou a abandonar a política, ameaçando a mim e meus familiares indicando que sabia onde vivíamos. Também incluiu ofensas antissemitas e zombou da minha alopecia areata, condição que me faz não ter cabelos. Nas redes sociais, as ofensas persistem, com chacotas direcionadas à minha aparência e minha ideologia política. Como mulher experiente, não me deixo abalar facilmente, mas não deixa de ser difícil, afinal, estou fazendo meu trabalho representando os mais de 18 mil paulistanos que confiaram seus votos em mim. Em vez de me intimidar, essa ameaça reforçou a importância de continuar defendendo pautas que acredito serem necessárias.

A resistência ao projeto da Sabesp me faz lembrar outra privatização significativa na história do Brasil: a Telebrás. Na década de 1990, o custo de uma simples linha telefônica era de 1000 dólares, o equivalente a oito salários mínimos. Era tão caro que as poucas pessoas que tinham esse privilégio declaravam a linha no Imposto de Renda e a incluíam em seus testamentos. Paralelamente, menos de 5% dos brasileiros tinham um celular. A privatização da Telebrás transformou por completo esse cenário, tornando os serviços de telefonia mais baratos e acessíveis. Hoje, o Brasil tem a 32ª internet móvel mais barata do mundo, e não é raro encontrar planos acessíveis de telefonia com ligações ilimitadas. Na época,  houve uma série de protestos contra a privatização sob o coro: “Privatizar a Telebrás é calar o Brasil.” Hoje, mal conseguimos nos imaginar sem esse meio de comunicação.

A privatização da Telebrás não foi um caso isolado. Vários exemplos, como a melhoria dos serviços de água e esgoto em Niterói após a privatização, demonstram os benefícios que podem surgir da abertura de mercado. Na década de 1990, 120 mil dos 450 mil habitantes de Niterói não tinham acesso à água. Com a privatização, o serviço foi universalizado, e a cidade hoje tem o 6º melhor saneamento básico do Brasil.

A privatização da Sabesp segue essa lógica. Com R$ 10 bilhões adicionais ao orçamento já previsto de R$ 56 bilhões até 2033, haverá um aumento significativo nos investimentos, modernizando a infraestrutura atual, expandindo o atendimento e levando saneamento a áreas vulneráveis. Essa iniciativa deve beneficiar 600 mil paulistanos, assegurando o acesso universal ao saneamento até 2029 sem aumentar tarifas. Levando em consideração que cerca de 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e 92 milhões estão sem coleta de esgoto, o que corresponde a 44,2% da população, a universalização dos serviços de água e esgoto até 2029, como previsto pela privatização da Sabesp, pode ser um salto qualitativo para o estado de São Paulo.

Quando decidi ingressar na política, sabia que o ambiente seria hostil. Mas esse é o caminho que escolhi e vou respondendo às críticas com dados e evidências. Mesmo diante das ameaças, sigo firme porque essa privatização representa mais do que um simples projeto de mudança na estrutura de gestão. Ela simboliza uma chance de universalizar serviços básicos que em pleno 2024 não são acessíveis para todos. Convido os críticos a olharem para esse projeto não como uma simples mudança de gestão, mas como uma iniciativa que trará dignidade a muita gente.

CRIS MONTEIRO Vereadora em São Paulo pelo Novo. Bacharel em ciências contábeis, com pós-graduação em finanças, foi diretora em grandes bancos de investimentos americanos como JPMorgan, Bank of America e Goldman Sachs.

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