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6 trabalhos que a Inteligência Artificial está criando e como se preparar para eles

6 trabalhos que a Inteligência Artificial está criando e como se preparar para eles

Embora a ameaça de que a IA destrua empregos preocupe milhões de pessoas em todo o mundo, há especialistas que veem oportunidades de emprego.

Margarita Rodríguez – BBC News Mundo

Novas carreiras estão nascendo e a tecnologia “está fazendo evoluir as profissões tradicionais em absolutamente todos os setores”.

É o que diz Elena Ibáñez, CEO da Singularity Experts, uma startup que fornece consultoria sobre o mercado de trabalho.

“Há muitos estudos que dizem que a Inteligência Artificial (IA) está criando mais empregos do que destruindo”, afirma à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC).

A questão, diz a especialista, não é para onde apontam as oportunidades de trabalho, mas em que devemos nos especializar dentro de nossas profissões para aproveitar as oportunidades que a IA está gerando.

“O que estamos vendo no mercado, especialmente quando conversamos com clientes tanto do setor de tecnologia quanto de indústrias mais tradicionais, não é que a IA esteja vindo para destruir empregos”, disse Francisco Scasera, líder de tecnologia na Argentina na empresa de recrutamento Michael Page.

“Provavelmente ainda pensamos em humanos para tarefas básicas demais. Acho que o grande desafio é fazer com que os cargos que já existem evoluam para ter uma valorização diferente. A IA pode cuidar disso.”

Acreditar que a IA é uma questão apenas do Vale do Silício e das grandes tecnologias é não enxergar a realidade por completo.

Em 2022, por exemplo, o Departamento de Operações de Manutenção de Paz da ONU procurava um especialista em IA e Machine Learning (aprendizado de máquina). O Instituto Inter-regional de Pesquisa para o Crime e Justiça das Nações Unidas (UNICRI) tem um Centro de IA e Robótica.

‘Imparável’

Apesar da perspectiva negativa com que muitas pessoas veem a IA, não só devido ao seu efeito no mercado de trabalho, mas também devido ao poder que temem que ela possa desenvolver, nem todos enxergam apenas o lado ruim.

Embora o Fórum Econômico Mundial tenha indicado, em um relatório de 2020, que a força de trabalho estava se tornando automatizada “mais rapidamente do que o esperado, deslocando 85 milhões de empregos” até 2025, observou que “a revolução robótica criará 97 milhões de novos empregos”.

Em abril, Gilbert F. Houngbo, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), foi contundente: “A Inteligência Artificial é imparável. Temos que aceitar que isso irá cada vez mais longe.”

“Mas, de modo geral, os avanços tecnológicos e digitais criam frequentemente mais empregos do que são eliminados. Sabemos disso”, disse à agência de notícias EFE.

“Não é o fim do trabalho”, disse Janine Berg, economista da OIT, à BBC Mundo. “Trata-se de incorporar esta tecnologia para nos tornar mais eficientes, para nos ajudar a fazer nosso trabalho.”

O especialista reconhece que “há muitas pessoas que estão formando sistemas de IA, em determinadas empresas, cujas condições de trabalho não são tão boas”.

Este é um dos muitos desafios que esse setor enfrenta: as centenas de milhares de trabalhadores, muitos deles de baixa renda e em países pobres, sem os quais vários sistemas de IA não existiriam.

Apesar das muitas controvérsias, a IA já está integrada em nossas vidas.

“O importante é se sentir confortável com a tecnologia e isso não significa ter que estudar programação, mas sim ter consciência de que no mercado de trabalho os empregadores vão procurar pessoas que usem a IA como ferramenta para o seu trabalho, para ser mais produtivo”.

E, segundo Berg, não é necessário fazer especializações caras no exterior, já que na América Latina existem centros de estudos e iniciativas de formação sintonizadas com as demandas do mercado.

“O segredo é estar disposto a aprender e fazer perguntas.”

Listamos a seguir sobre alguns empregos que estão sendo criados na área de IA:

1. Engenheiro de prompts

O prompt engineer, ou engenheiro de prompts, é a pessoa que projeta prompts, solicitações, instruções ou premissas, para posteriormente enviar para uma ferramenta de IA.

A chave para que os vários modelos de IA generativa respondam aos pedidos dos usuários com o melhor resultado possível depende, em grande parte, da capacidade do engenheiro de desenvolver instruções realmente eficazes (em forma de texto), nas quais a precisão e o contexto são essenciais.

Em março, o Fórum Econômico Mundial listou a profissão como parte dos “3 empregos novos e emergentes”, enquanto a publicação Business Insider classifica a engenharia de prompt como uma das áreas mais interessantes da IA generativa.

A Forbes e a Universidade Arizona State ainda chamaram o posto de “um dos novos empregos mais quentes”.

Em abril, a revista Time observou que esse tipo de trabalho não exigia “um diploma em engenharia da computação, nem mesmo habilidades avançadas de programação”.

E embora algumas fontes concordem que não é imprescindível ter formação tecnológica e destaquem que a chave para esta posição é ter competências como pensamento crítico, análise de dados e criatividade, diversas ofertas de emprego encontradas pela BBC Mundo também pedem o conhecimento de programação em linguagens como Python e TensorFlow, além de experiência com modelos de aprendizado de máquina.

Nem todos os especialistas, no entanto, encaram a engenharia de prompt com entusiasmo desenfreado. Para muitos, é uma ocupação que pode ter vida curta devido ao rápido avanço da IA.

“Tenho uma forte suspeita de que a ‘engenharia de prompt’ não será um grande negócio no longo prazo… não é o trabalho do futuro”, escreveu Ethan Mollick, professor associado da Universidade da Pensilvânia, no X (antigo Twitter).

Outros veem o conhecimento na área como uma forma dos candidatos serem mais competitivos, assim como o conhecimento em Microsoft Excel foi no passado.

“Dizem que se você for bom em engenharia de prompt, poderá evitar ser substituído pela IA e poderá até almejar um salário mais alto. Mas ainda não se sabe se esse continuará a ser o caso”, escreveu Richard Fisher, autor e editor da BBC Future.

2. Pesquisador de IA

O papel desse profissional é identificar maneiras de usar a IA para superar problemas e limitações que as organizações possuem.

Quem ocupa esse cargo é especialista em “compreender grandes conjuntos de dados e transformar esse aprendizado em ideias e planos para desenvolver novas tecnologias de IA para as quais os cientistas de dados darão vida”, segundo a Universidade de Leeds (Reino Unido).

Um pesquisador de IA deve possuir o que chamamos de soft skills, aquelas que estão relacionadas à inteligência emocional, pensamento crítico, resiliência, adaptabilidade, entre outras.

São competências fundamentais, segundo a instituição acadêmica, porque o seu “papel envolverá brainstorming frequente para encontrar novos métodos e abordagens”.

Tecnicamente, “habilidades matemáticas para usar estatísticas e prever como os programas de IA serão executados, e a capacidade de analisar dados com experiência em ferramentas como RapidMiner ou SketchEngine” também serão importantes.

Para Ibáñez, esse profissional deve ser especialista em três áreas: engenharia de software, estatística e negócios.

“Ou seja, é um perfil muito completo que aplica todo o seu conhecimento técnico para melhorar um negócio.”

3. Especialista em Processamento de Linguagem Natural (PLN)

É o especialista que domina os modelos linguísticos e apoia a equipe de desenvolvimento de software no processamento da linguagem, explicam analistas.

Normalmente, é necessária uma licenciatura em Filologia, Linguística ou Tradução e Interpretação.

E, embora não exija conhecimentos tecnológicos profundos, especializações em Processamento de Linguagem Natural ou mestrado em Linguística Computacional podem enriquecer o perfil do candidato.

A Linguística Computacional, que é um campo interdisciplinar que nos acompanha há décadas, busca traduzir a lógica da linguagem escrita e falada em máquinas para que posteriormente, por meio do treinamento de modelos, elas possam executar tarefas.

Por isso, não existem apenas cientistas de dados e desenvolvedores de software por trás dos chatbots, mas também membros de outras disciplinas humanísticas, como Filosofia e Psicologia.

4. Especialista em Automação de Processos Robóticos ou RPA (Robotic Process Automation)

Trata-se do gerenciamento de sistemas de software que automatizam tarefas repetitivas e manuais em uma empresa.

Segundo Ibáñez, para se formar nessa área, existem diversas graduações como Programação e, principalmente, especializações relacionadas a RPA (Robotic Process Automation ou Automação de Processos Robóticos).

Empresas como a Microsoft associam a adoção de RPA pelas organizações a aumentos de produtividade.

“O RPA beneficia o seu negócio ao automatizar diversas atividades, incluindo transferência de dados, atualização de perfil de cliente, entrada de dados, gerenciamento de estoque e outras tarefas mais complexas”, afirma em seu site.

5. Auditor de algoritmos

Ibáñez explica que este trabalhador analisa algoritmos de sistemas ou aplicativos para garantir que estejam livres de preconceitos que discriminem as pessoas com base em gênero, raça, idade etc.

É preciso tanto uma formação técnica (Desenvolvimento de software, Informática) quanto uma preparação mais humanística que se aprofunda na ética.

Na verdade, os auditores de algoritmos devem ter uma compreensão prática de como os algoritmos podem afetar as pessoas.

Daí a importância de trabalhar em estreita colaboração com os cientistas de dados para rever regularmente os algoritmos, garantir que “são transparentes, justos e explicáveis” e que, uma vez publicados, mantêm a imparcialidade, diz a Singularity Experts.

“Além disso, fornecerá recomendações aos desenvolvedores sobre como tornar o modelo mais ético e compreensível para a população”.

6. Especialista em Ética e Direito com conhecimento de IA

“Independentemente de onde você esteja na cadeia da IA, quer você produza a tecnologia, use-a ou crie conteúdo para treiná-la, é importante que você tenha ao seu lado advogados e especialistas em ética com experiência em IA”, disse à BBC Mundo Mathilde Pavis, professora associada da Faculdade de Direito da Universidade de Reading, na Inglaterra.

“Isso permitirá que você tenha certeza de que não está fazendo algo que mais tarde terá que ser removido.”

Como especialista em direito de propriedade intelectual, ética e novas tecnologias, Pavis também aconselha governos, organizações e empresas sobre o impacto da IA ??no tratamento de dados sensíveis.

Ela afirma que algumas das principais questões que a IA gera são: os direitos de propriedade intelectual são violados quando ela é treinada com informações que estão na internet ou nas redes sociais? Fazer isso viola os direitos à privacidade?

“Obviamente, existe um risco potencial de que a tecnologia que você desenvolve seja mal utilizada por terceiros, mesmo que essa nunca tenha sido sua intenção”, alerta a professora. “Que seja utilizado, por exemplo, para difundir informações falsas, cometer fraudes, desestabilizar eleições.”

Por este motivo, é fundamental que sejam implementados desde o início mecanismos de controle relativos ao impacto legal, social e ético da tecnologia de IA que é criada ou utilizada.

E esse é um dos campos do Direito que a IA está abrindo.

São necessários advogados que possam compreender e conectar dois mundos: o do Direito Comercial, que inclui a propriedade intelectual; e o do Direito Penal e da Cibersegurança.

São mundos que normalmente não se comunicam entre si. Mas, “a IA oscila nesse espectro: é um produto com grande potencial comercial e, ao mesmo tempo, potencial para uso indevido”.

Um advogado que queira se aventurar na área da IA ??deve, por exemplo, aconselhar uma empresa que queira trazer “um grande produto, uma inovação em IA, para o mercado”, com o enquadramento jurídico comercial e com o enquadramento regulatório da internet.

Pavis é especializada no uso de IA nas indústrias criativas. Mais especificamente, nos conteúdos gerados com IA: vozes e rostos, a “clonagem digital de seres humanos”.

Ele presta consultoria a startups que “querem ter certeza” de que a tecnologia de clonagem que estão desenvolvendo não infringe a lei.

“Também trabalho com artistas que desejam participar da ‘revolução da IA’, mas querem ter certeza de que os recursos que eles trazem para a mesa – as gravações de suas vozes, suas performances – não estão sendo mal utilizados ou que, de alguma forma, eles se tornem seus próprios concorrentes no mercado”.

“E também trabalho com empresas e meios de comunicação que desejam encomendar produtos que envolvam IA, mas querem garantir que tudo seja feito de maneira adequada e ética”, finaliza.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2023/09/5122522-6-trabalhos-que-a-inteligencia-artificial-esta-criando-e-como-se-preparar-para-eles.html

6 trabalhos que a Inteligência Artificial está criando e como se preparar para eles

Operação resgatou em agosto 532 trabalhadores em situação análoga à escravidão, informa ministério

Fiscalizações ocorreram em 22 estados e no Distrito Federal. Ação foi a maior já realizada para investigar esse tipo de violação.

Por Kevin Lima, Paloma Rodrigues, José Vianna, g1 e TV Globo — Brasília

A terceira fase da Operação Resgate retirou, em todo o mês de agosto, 532 pessoas de situações de trabalho análogo à escravidão. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5), em coletiva à imprensa, pelo Ministério do Trabalho.

A fiscalização ocorreu em 22 estados e no Distrito Federal. Resultado de uma parceria entre seis órgãos federais, a ação foi a maior já realizada para investigar esse tipo de violação.

O número equivale a um quinto do total de resgates registrado em 2022. No último ano, segundo a pasta, 2.575 trabalhadores foram resgatados dessas condições.

trabalho análogo à escravidão é definido pelo Código Penal como o ato de submeter alguém a “trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou seu preposto”.

À imprensa, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo mantém o desejo de “zerar esses números” e que há um esforço para operações de combate ao trabalho análogo à escravidão.

“Estamos imbuídos de esforço grande nas operações de combate ao trabalho análogo à escravidão e trabalho infantil […] Não é possível que a gente continue tendo em instituições, empresas e pessoas físicas que coloque o ser humano em trabalho análogo à escravidão. Isso é uma agressão aos direitos humanos, é inaceitável. Precisamos dizer chega, basta, não é possível.”

“Precisamos zerar esses números e é o que nós desejamos”, acrescentou.

O Ministério do Trabalho estima que os trabalhadores que sofreram violações já receberam cerca de R$ 5 milhões em verbas rescisórias e danos morais coletivos. O valor, segundo a pasta, pode subir com o término de negociações em andamento.

Os números

De acordo com o Ministério Público do Trabalho, cinco estados concentraram quase 90% dos resgates realizados em agosto. Minas Gerais e Goiás encabeçam a lista.

Segundo os dados, o maior número de vítimas está no campo. As principais atividades exercidas pelos trabalhadores violados são o cultivo de café (98), cultivo de alho (97) e cultivo de batata e cebola (84).

Nos centros urbanos, o Ministério Público do Trabalho destacou que foram retirados trabalhadores em restaurantes (17), oficinas de costura (13) e construção civil (10).

O trabalho doméstico registrou 10 resgates, entre os quais de uma idosa de 90 anos — vítima mais velha já resgatada no Brasil.

Além de adultos, a operação resgatou também 6 crianças em condições semelhantes à escravidão.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/09/05/operacao-resgatou-em-agosto-532-trabalhadores-em-situacao-analoga-a-escravidao-informa-ministerio.ghtml

6 trabalhos que a Inteligência Artificial está criando e como se preparar para eles

Bolsonaristas fracassam na CPI do MST e anunciam fim da linha para a farsa

Ministro do STF suspendeu depoimento e presidente do colegiado anunciou que a CPI só voltará a ser reunir para votar relatório

por Iram Alfaia

Última trincheira dos bolsonaristas na Câmara dos Deputados, a CPI do MST fracassou no propósito de criminalizar as ações de um dos mais importantes movimentos sociais do país.

Depois do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender os depoimentos mercados para a sessão desta segunda-feira (4), o presidente do colegiado, deputado Coronel Zucco (Republicanos-RS) jogou de vez a toalha.

Ele disse que o colegiado só voltará a se reunir para votar o relatório final do deputado Ricardo Salles (PL-SP), previsto para o dia 14 deste mês.

Para fúria do presidente e relator, Barroso considerou que o colegiado ultrapassou sua competência ao convocar gestores do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas.

A resposta veio por meio da Secretaria da CPI: “Por determinação do Presidente, Deputado Zucco, informo que tendo em vista as recentes medidas regimentais e judiciais que inviabilizaram a continuidade das ações, depoimentos, quebras de sigilo e outras providências necessárias ao esclarecimento dos fatos relacionados à indústria de invasões de terras no Brasil, esta Presidência informa aos Senhores e Senhoras Parlamentares integrantes desta Comissão Parlamentar de Inquérito que não haverá nenhuma outra reunião ou audiência até a oportuna apreciação do relatório final.”

A deputada Daina Santos (PCdoB-RS) considerou uma “grande vitória” a derrota dos bolsonaristas no colegiado.

“Aquilo que questionávamos e denunciávamos como um ataque aos movimentos sociais e ao MST, agora fica muito evidente a partir do momento em que o presidente retira e cancela as últimas sessões”, disse a deputada.

Na avaliação dela, a dificuldade deles é pelo fato de não haver objeto definido. “Nós tivemos aí muitos e muitos depoimentos que não foram de forma alguma utilizados porque não conseguem se sustentar. O MST é um grande produtor de orgânico e da agricultura familiar”, defendeu.

Daiana disse que continuará atuante e atenta diante do relatório que está por vir. “Sem dúvida alguma vamos seguir nessas bases, trazendo a verdade como parte da nossa atuação, seguindo e acompanhando, porque aonde há luta existe a bancada do PCdoB”, afirmou.

“Lógico, a gente avisou que essa CPI estava fadada ao fracasso. Cometeram abusos e ilegalidades regimentais e jurídicas e achavam que ia ficar por isso mesmo. Acabou o palco para os bolsonaristas mentirem ao vivo”, afirmou a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) considerou mais uma derrota para Zuco e Salles.

“Agora é reta finalíssima. Dia 14 é o último dia. Bolsonaristas insistem, mas não têm força para prorrogar a comissão nem para aprovar o relatório. Vamos enterrar de vez essa CPI!”, postou a deputada na sua rede social.

Vice-líder do governo na Câmara, a deputada Adriana Accorsi (PT-GO) criticou a fala do presidente da CPI que determinou o fim das atividades dizendo que “os trabalhos foram inviabilizados”.

“Todo mundo sabia que a tentativa de criminalizar o MST ia fracassar e que eles estavam lá para promover mentiras. Não colou! MST é gigante!”, disse a líder.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/09/06/bolsonaristas-fracassam-na-cpi-do-mst-e-anunciam-fim-da-linha-para-a-farsa/

6 trabalhos que a Inteligência Artificial está criando e como se preparar para eles

Uma reflexão sobre a desigualdade

A nossa reflexão parte do tema “Debate sobre Desigualdade”, livro de James K. Galbraith, Inequality: What Everyone Needs to Know; Oxford University Press, 2016. Faremos um breve resumo e, em seguida, direcionaremos a reflexão sobre uma questão específica, com o olhar voltado para o Brasil.

O autor, Galbraith, detalhou diferentes pensamentos de diversos pensadores, filósofos e economistas quanto ao que originaria a desigualdade, ao longo da história. Compartilharemos alguns deles com vocês:

No século 18, segundo Jean J. Rousseau, em “Discurso sobre a origem da Desigualdade” (1755), a mesma nasceria com os direitos de propriedade, em choque contra as leis da natureza. Porém, para Adam Smith, desigualdades são produto da criação de privilégios legais e sociais como proteções, subsídios e poder de monopólio. Em “Uma Investigação sobre a Natureza e a Causa da Riqueza das Nações” Smith (1776), defende que ela ocorre dentro do funcionamento do mercado, diferentemente de Rousseau, segundo o qual a desigualdade se origina de acordo com as leis da natureza, em sintonia com ideal igualitário da competição de mercado.

No século 19, Thomas Robert Malthus destacou a Lei de Ferro dos salários nas suas publicações entre 1798 e 1826, ao passo em que David Ricardo, em 1815, desenvolveu a Teoria da Renda da Terra, que era diferente da Teoria dos Lucros; para ele, a renda da terra era dependente de fatores específicos: a produtividade, o diferencial do solo e o preço do produto final. Karl Marx, com a obra “O Capital”, 1867–1883, desenvolveu a Teoria da Exploração do Trabalho, conhecida como mais-valia, que alguns chamam atualmente de mais-valor, onde destacou a desigualdade e os conflitos de classes como características inevitáveis do sistema capitalista e preconizou o ideal de igualdade social. De acordo com Marx, a desigualdade é produto do capitalismo, por meio de um processo de exploração, extraindo mais-valia das massas trabalhadoras. Marx vê ainda o processo de crise no capitalismo pela falta de demanda, ou seja, se a classe trabalhadora não consome porque está apertada, oprimida, se desenvolve crises no capitalismo e conflitos de classe gerado pelo processo de acumulação.

Já no século 20, John Maynard Keynes discorreu sobre a distribuição desigual da riqueza nas sociedades capitalistas. Segundo ele, a classe trabalhadora fica sempre com a menor fatia do bolo e a maior fatia vai para os capitalistas. Na visão de Keynes, observamos a influência da era vitoriana e como ele percebeu o risco e as incertezas do sistema capitalista e seu papel. Destacou ainda o Animal Sprint ou Spiritus Animale: segundo Keynes, é um dos fatores que provoca as oscilações no ciclo econômico, baseado em crenças e otimismo – quando está presente nas decisões dos agentes, públicos ou privados, a economia cresce, ao passo em que quando está ausente a economia enfrentaria problemas. Keynes aborda ainda o papel do Estado no desenvolvimento econômico: muitos inclusive, acreditam na falácia de que Keynes teria aformado que o Estado teria que “gastar, gastar, gastar”. Mas ele nunca disse isso.

Neste mesmo século, Thorstein Veblen, em 1899, ficou conhecido pela Teoria da Classe Ociosa; segundo ele, esta classe resolveria o problema do consumo; destacou em sua economia institucionalista a importância do foco nas regras informais de conduta das quatro classes ociosas, masculinas e motivadas pelo prestígio.

Ainda no século 20, destacamos a visão de Joseph Schumpeter, para quem as desigualdades são essenciais, e são produto da mudança e inovação tecnológica, que por sua vez premiaria os promotores dessa mudança: é a chamada destruição criativa ou criadora. Para ele, o problema da desigualdade é a interferência do Estado, o qual encarnaria o leviatã.

Finalmente, merece destaque no mesmo período o autor Kuznets, vencedor do Nobel de Economia em 1971, tratando do tema da desigualdade versus crescimento econômico. Ele procurou entender a força por trás das desigualdades. Para ele, existiam as “desigualdades categóricas”, com características específicas relacionadas à raça, gênero, nacionalidade e status legal, destacando que separação, segregação e práticas discriminatórias reforçam desigualdades econômicas e analisando o gênero como uma construção social. Segundo Kuznets, onde há desigualdades categóricas institucionalizadas, não há democracia; esse autor descarta que a renda seria uma maneira adequada de estudar desigualdades categóricas. Aqui, chamamos a atenção para o debate essencial, que é o da interseccionalidade, que trata do cruzamento de várias desigualdades.

Em que pese todo o levantamento teórico-histórico e de dados que resgatam as questões relativas à desigualdade no mundo, Galbraith, nesta obra que estamos analisando, acaba focando no caso dos Estados Unidos para aprofundar o debate ao qual se propõe. Mas antes, alertamos que, quando se fala em desigualdade, é necessário ter em mente de qual desigualdade estamos falando – social, econômica, cultural ou educacional, e em que contexto, no mínimo histórico e geográfico, a mesma está sendo abordada. Além disso, é preciso cuidado ao pensar sobre o nível de desigualdade, que pode, na visão de alguns ser aceitável como a existente em uma “pressão arterial” desejável; porém, cabe lembrar que uma medição de pressão muito alta ou muito baixa pode levar o indivíduo à morte.

Lamentavelmente, essa pressão tem aumentado no mundo inteiro de tal forma que tem se tornado cada vez mais desigual e as consequências têm explodido em questões sociais, alterando o próprio sentido de justiça internamente e entre as nações. Esse problema, quando agravado, por exemplo, ao ponto de se desdobrar em desigualdades categóricas de uma maneira institucionalizada em uma nação, implica na incompatibilidade de convivência com a própria democracia; ou no mínimo, onde houver discriminação categórica, mesmo informal, a democracia não funcionará de maneira plena.

Pensando sobre a situação dos países mais ricos do mundo, o autor faz também algumas reflexões que são vistas por alguns como dilemas não resolvidos: foi a riqueza quem trouxe a redução das desigualdades ou foi a redução das desigualdades quem trouxe a riqueza? O autor fala ainda ao final de um dos capítulos que a desigualdade é importante dentro de limites; mas, nesse caso, questionamos: que limites? Galbraith, considerando que as desigualdades sejam um problema, aponta as principais discussões a respeito de possíveis medidas para redução das mesmas, tais como: política antitruste, pelo fim de monopólios, impérios industriais construídos e mantidos em benefício de uma pequena plutocracia; livre comercio; imposto sobre operações financeiras; sindicatos e salários mínimos fortes em relação à produtividade média do país; educação e formação profissional; impostos de renda progressivos; seguro social e de saúde. Ao final do texto, contribuiremos com mais algumas sugestões de acordo com a nossa visão/opinião.

Conforme anunciamos anteriormente, direcionaremos a reflexão para o Brasil contemporâneo. A nossa contribuição se dará especificamente em relação a um tópico que nos chamou bastante atenção, especialmente no que diz respeito a uma colocação do autor sobre:

“se as desigualdades têm efeitos bons ou ruins sobre o desempenho econômico e social geral de um sistema econômico. Todos concordamos que algum grau de desigualdade é essencial – e, sendo assim, é praticamente inevitável que alguns grupos tenham persistentemente renda e riqueza mais altas, em média, do que outros”. (Galbraith, 2016, p. 7)

Coincide que, dias antes de ler esse livro sobre desigualdades, nos deparamos com matéria jornalística com o título “Empresário bolsonarista diz que precisamos de mais desigualdade”, a qual reproduziremos abaixo:

No momento em que o governo turbina benefício social às vésperas da eleição com o argumento de que é preciso enfrentar a fome, o empresário bolsonarista Winston Ling foi às redes sociais defender que “nós precisamos de mais desigualdade, não menos”. Para sustentar o argumento, compartilhou um texto do instituto Mises, think tank de difusão de ideias liberais: “a desigualdade impulsionada pelo mercado é fonte de progresso”. “As atividades dos indivíduos talentosos desencadeiam mudanças econômicas e tecnológicas que impulsionam o crescimento econômico a longo prazo e criam oportunidades para as pessoas medianas ingressarem nos círculos da elite”. Dentre as ideias defendidas, o autor afirma que pessoas mais talentosas seriam responsáveis por criar um padrão de vida melhor para cidadãos medianos. O mercado, por sua vez, agiria como um “observador imparcial do valor”. (Cunha et al, 2022, grifo nosso).

Ora, chocados nós já estávamos por ver a olho nu, o reflexo gritante dos números das desigualdades no Brasil, traduzido e materializado nas ruas de todo o país: pessoas dormindo, morando e às vezes, quando possível, comendo nas ruas, tudo isso aos milhares. Daí nos deparamos com essa matéria acima e em seguida com o texto, objeto dessa resenha crítica. A sensação era a de um nó na mente: será possível que a desigualdade é realmente necessária?
No caso brasileiro, quando se pensa nas razoes para as desigualdades, em geral nos deparamos com uma teoria hegemônica: a desigualdade é parte de um processo natural e o remédio que se utiliza para tratar é à base de políticas públicas, especialmente as sociais. Os recentes dados da Oxfam Brasil/Datafolha (2022), ilustrados nos gráficos abaixo, mostram o apoio crescente da população à tributação de impostos em geral para financiar políticas sociais com o objetivo de combater a pobreza. Apoio maior ainda quando o questionamento se dá em relação à tributação dos mais ricos:

Se considerarmos o que foi dito por Galbraith, “a desigualdade é importante dentro de limites”, devemos no mínimo perguntar, dentro de que limites, pois os atuais números apresentados pelo Brasil são desumanos e inaceitáveis. Segundo dados do World Inequality Lab – Laboratório das Desigualdades Mundiais – que integra a Escola de Economia de Paris e é codirigido pelo economista francês Thomas Piketty:

“O Brasil permanece um dos países com maior desigualdade social e de renda do mundo”; Os 10% mais ricos no Brasil ganham quase 59% da renda nacional total; Os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos do que os 10% mais ricos; A metade mais pobre no Brasil possui menos de 1% da riqueza do país; e o 1% mais rico possui quase a metade da fortuna patrimonial brasileira”. (Fernandes, 2021)

Os dados são corroborados pela sequência de pesquisas da Oxfam Brasil, que inclusive captam a percepção dos brasileiros sobre o tema, em parceria com o Instituto Datafolha, e trazem informações sobre a questão da relação entre a interseccionalidade e a desigualdade, mostrando tendência consolidada inclusive em relação às diferenças de oportunidades e realidades vivenciadas por mulheres e homens e pessoas brancas e negras, conforme ilustrado no gráfico abaixo pela Oxfam Brasil/Datafolha (2022):

De acordo com Oxfam Brasil/Datafolha, na visão dos pesquisados, sem redução de desigualdades não há progresso: 85% creem que o progresso do Brasil está condicionado à redução de desigualdade entre pobres e ricos e 87% concordam que é obrigação dos governos diminuir a diferença entre muito ricos e muito pobres (85% em 2021). Por outro lado, para 69% o fato de ser mulher impacta a renda (67% em 2021) e 59% concordam que negros ganham menos (58% em 2021); temos ainda que para 75% a cor da pele influencia na contratação por empresas (em 2021, eram 76%) e 86% acreditam que a cor da pele influencia a decisão de uma abordagem policial (em 2021, eram 84%). Mais ainda: 79% concordam que a Justiça é mais dura com negros (78% em 2021).

Para concluir, considerando a obra de Galbraith, a matéria de Cunha e os dados obtidos em Fernandes e Oxfam Brasil/Datafolha, temos a dizer que: se de algum modo – ainda não nos convencemos – a desigualdade é importante, há um descompasso terrível entre o que seria remédio e veneno no Brasil: a dose por aqui é tão alta, ou seja, a desigualdade em nosso solo é tão gritante, que duela com os maiores índices de desigualdades globais e choca com qualquer possibilidade de experiência real de democracia. No caso do Brasil, responderíamos aos que defendem uma dose de desigualdade – até mais alta da que já temos hoje: “aqui não”!

Em relação ao combate e à redução das desigualdades, especialmente no caso brasileiro, compreendemos que essa é uma tarefa que tem a sua responsabilidade passando pela ação do Estado, não só pelo caminho da implementação de políticas públicas intersetoriais. É urgente reavaliar a ínfima tributação sobre o valor das grandes propriedades de terra, diminuir a cobrança do imposto no consumo – direcionando a cobrança sobre renda e distribuição dos lucros e dividendos das empresas, taxar as grandes fortunas, ampliar o imposto sobre as grandes heranças; e o Banco Central, agora “independente”, não praticar juros abusivos que freiam investimentos no capital produtivo que gera riqueza, emprego e renda de modo mais sustentável em detrimento dos investimentos dos rentistas no capital financeiro especulativo e volátil. Pois, por mais que reclamem, comparado aos demais países do mundo, inclusive ao império capitalista da América do Norte, o Brasil, nesses aspectos, é um paraíso.

SUGESTÕES DE LEITURAS

ROBSON CARVALHO Doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), é apresentador de TV na Band Nordeste e na TVT, de São Paulo.

6 trabalhos que a Inteligência Artificial está criando e como se preparar para eles

Lula defende que STF mantenha votos dos ministros em sigilo

O presidente Lula (PT) disse ser a favor de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não divulgue como cada um dos seus ministros votou em julgamentos. Segundo o presidente, isso diminuiria a “animosidade” com os integrantes da Corte.

A declaração foi feita na manhã desta terça-feira (5) no programa “Conversa com o Presidente”, transmitido semanalmente na página oficial do presidente da República em redes sociais. Assista à íntegra do programa abaixo (declaração do presidente em 51:35).

https://www.youtube.com/watch?time_continue=3095&v=3Wry0xrXQT4&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fcongressoemfoco.uol.com.br%2Farea%2Fjustica%2Flula-defende-que-stf-mantenha-votos-dos-ministros-em-sigilo%2F&source_ve_path=Mjg2NjY&feature=emb_logo&ab_channel=Lula

No programa, o presidente falava sobre respeito às instituições, dizendo que não cabe ao presidente da República avaliar as decisões da Corte. Lula responde: “Eu, aliás, se eu pudesse dar um conselho, é o seguinte: a sociedade não tem que saber como é que vota um ministro da Suprema Corte. Sabe, eu acho que o cara tem que votar e ninguém precisa saber. Votou a maioria 5 a 4, 6 a 4, 3 a 2. Não precisa ninguém saber – foi o Uchôa que votou, foi o Camilo que votou. Aí cada um que perde fica com raiva, cada um que ganha fica feliz”.

Atualmente, a TV Justiça transmite julgamentos do STF em sessão plenária ao vivo. Além disso, o sistema virtual da Corte arquiva os documentos anexados a cada processo. Algumas das peças ficam disponíveis para download quando se acessa os processos na página oficial da Suprema Corte. Também é possível entrar em contato e requisitar algum documento específico – incluindo votos dos ministros. Não é claro como seria o funcionamento de um sistema que mantivesse os votos em sigilo.

O ministro Cristiano Zanin, indicado por Lula para assumir uma cadeira no Supremo com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, tem sido alvo de críticas na esquerda política depois de dar votos contrários a essa corrente, como quando foi contra a tipificação da homofobia como injúria racial e contra a descriminalização da maconha para uso pessoal. Mas a animosidade com os ministros do STF a que Lula se refere foi uma marca do governo anterior, de Jair Bolsonaro. O ex-presidente fazia declarações frequentes contra os magistrados da Corte, chegando a insultar publicamente os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Flávio Dino relativiza

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, relativizou a declaração de Lula. Segundo ele, a discussão de um novo sistema para o STF é “válida” e não representa menos transparência, apenas “a primazia do colegiado por sobre as vontades individuais”. Também disse, porém, que “não é um debate para agora”.

Dino é um nome noticiado como possível nomeação para o STF, ocupando a vaga da atual presidente da Corte, Rosa Weber, que se aposenta em outubro de 2023. O ministro nega ter a intenção de ocupar uma cadeira no Supremo e costuma dizer que está “muito feliz onde está”.

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