por NCSTPR | 09/03/23 | Ultimas Notícias
Pelo menos 59% dos franceses apoiam os protestos contra a legislação regressiva de Macron, enquanto os sindicatos intensificam a luta
por Cézar Xavier
Mais de 250 protestos foram realizados na capital francesa, Paris, e em todo o país contra as reformas previdenciárias do presidente Emmanuel Macron, desde terça-feira (7), pelo sexto dia. Houve participação de coletores de lixo, trabalhadores de serviços públicos, maquinistas, incluindo refinarias, energia e transportes, onde a greve se renova, paralisando o país contra a legislação em discussão no Senado. Os distúrbios prometem ser ainda maiores, nesta quinta (9), com paralisação de transportes, inclusive em aeroportos.
Em toda a França, o dia internacional dos direitos das mulheres também esteve sob o signo das aposentadorias e das desigualdades salariais entre mulheres e homens. Milhares de mulheres fizeram sua manifestação em apoio às greves em 150 localidades. Mulheres aposentadas recebem em média 28% menos que os homens na França.
Estima-se que 1,28 milhão de pessoas se manifestaram em todo o país na terça-feira contra os planos de Macron de reduzir a idade de aposentadoria para 64 anos, informou o Ministério do Interior. Os protestos acontecem semanas depois que cerca de 1,27 milhão de pessoas participaram da rodada de protestos de 31 de janeiro.
A maioria dos franceses apoia atualmente o princípio de greves prorrogáveis (56%) e o objetivo sindical de “paralisar a França” (59%) para forçar o governo a recuar, de acordo com uma pesquisa da Elabe, publicada nesta segunda-feira (6).
Grandes multidões foram às ruas em Paris, Marselha, Nice e outras cidades. Alguns confrontos menores com a polícia ocorreram em Nantes, Rennes e Lyon. Na capital francesa, trabalhadores, famílias e ativistas se reuniram em clima de alegria, entoando palavras de ordem.
Casos esporádicos de confrontos aconteceram, com algumas pessoas lançando projéteis contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.
Impasse no legislativo
A reforma pretende aumentar a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos e exigir 43 anos de trabalho até 2030 para receber uma pensão completa, entre outras medidas. O governo argumentou que o sistema deve mergulhar no déficit dentro de uma década, à medida que a população da França envelhece e a expectativa de vida aumenta.
Os sindicatos dizem que pequenos aumentos nas contribuições podem mantê-lo solvente. Eles dizem que as medidas propostas são injustas e afetariam desproporcionalmente os trabalhadores pouco qualificados em empregos insalubres que começam suas carreiras cedo.
O partido de extrema-direita de Marine Le Pen tenta se aproveitar do clima antigovernista, declarando apoio ao movimento e suas propostas, além de expressar preocupação com os efeitos das greves. A extrema-direita ignora que Macron só foi eleito, porque era preciso derrotar o grupo de Le Pen. A esquerda dividida não conseguiu chegar ao segundo turno.
O projeto de lei está em debate no Senado francês esta semana. Os senadores devem decidir esta noite sobre o artigo 7º, o mais simbólico da reforma, que prevê o adiamento da idade de aposentadoria de 62 para 64 anos. Os debates no Palácio de Luxemburgo azedaram durante a noite de terça para quarta-feira, com uma guerra de procedimento parlamentar entre a maioria de direita e de centro, favorável ao texto, e a oposição das bancadas de esquerda. Ainda faltam dezenas de emendas antes da votação do artigo 7º. Vale lembrar que os deputados não haviam chegado ao ponto de examinar esse artigo, pelo impasse nos debates e pela estratégia de obstrução adotada pelos eleitos “rebeldes”.
Enquanto os representantes sindicais pedem, desde a noite de terça-feira, para serem recebidos diretamente por Emmanuel Macron, devido à força do protesto social, Elisabeth Borne e o governo, por enquanto, se opõem. “Se os sindicatos quiserem levantar alguns pontos específicos, a porta do ministro do Trabalho, Olivier Dussopt, permanece sempre aberta”, declarou o primeiro-ministro durante perguntas ao governo no Senado.
País paralisado
Os sindicatos ameaçaram congelar a economia francesa com paralisações em vários setores. A ponta mais visível da greve ocorre na autoridade ferroviária nacional SNCF.
Alguns sindicatos convocaram greves em setores como refinarias e depósitos de petróleo, até instalações de eletricidade e gás. Os trabalhadores de cada setor decidirão localmente à noite sobre isso.
Todos os embarques de petróleo no país foram interrompidos na terça-feira, em meio a greves nas refinarias dos grupos TotalEnergies, Esso-ExxonMobil e Petroineos, segundo a CGT (Central Geral de Trabalhadores).
Os caminhoneiros bloquearam esporadicamente as principais artérias e cruzamentos de rodovias em ações lentas perto de várias cidades nas regiões francesas.
A navegação no Reno foi retomada na tarde desta quarta-feira (8) após a intervenção da polícia contra o bloqueio da eclusa da EDF em Marckolsheim, iniciada na noite de segunda-feira por “centenas” de trabalhadores que se revezavam, disse a prefeitura de Baixo Reno. Quarenta gendarmes e uma companhia CRS foram mobilizados para a operação que garantiu o encalhe de 70 grandes barcos.
Um quinto dos voos foram cancelados no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e cerca de um terço dos voos no Aeroporto de Orly e devem chegar a um terço com a greve dos controladores de tráfego aéreo. Os trens para a Alemanha e a Espanha devem parar, e os do Reino Unido e da Bélgica serão reduzidos em um terço, de acordo com a autoridade ferroviária SNCF.
A maioria dos trens de alta velocidade e trens regionais foram cancelados.
O transporte público e outros serviços foram interrompidos na maioria das cidades francesas. Em Paris, a Torre Eiffel foi fechada, assim como o Palácio de Versalhes, a oeste da capital.
De acordo com o Ministério da Educação, cerca de um terço dos professores estavam em greve em todo o país.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/03/08/franceses-reunem-128-milhao-nas-ruas-por-greve-contra-reforma-da-previdencia/
por NCSTPR | 09/03/23 | Ultimas Notícias
Dados da CNI ainda revelam que o preconceito e a cultura machista são indicados como as maiores barreiras para a igualdade de gênero nas empresas.
por Murilo da Silva
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa que revela que somente 29% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres na indústria nacional. Divulgado nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, a pesquisa “Indústria & Mercado de Trabalho – Igualdade de gênero e principais desafios” ainda revelou que apenas 14% das empresas têm uma área específica para tratar sobre igualdade de gênero. No entanto, somente 5% dessas empresas (dentro do universo de 14%) contam com orçamento próprio para se dedicar ao assunto, os outros 9% dependem de outros orçamentos para trabalhar a igualdade de gênero.
Entre as principais barreiras/obstáculos para a promoção da igualdade de gênero nas empresas, de acordo com o levantamento, o preconceito (21%) e a cultura machista (17%) foram apontados como as principais barreiras.
Ainda foi indicado que a proporção média de ocupação nas indústrias fica em 70% de homens e 30% de mulheres.
Entre as principais políticas de gênero adotadas pelas empresas para reduzir a desigualdade estão: apoio ao retorno ao trabalho das mulheres após o término da licença-maternidade (81%); paridade salarial (77%); política que proíbe discriminação em razão do gênero (70%); programa de qualificação de mulheres para desenvolvimento profissional (56%); e programa de liderança que estimule a ocupação de cargos de chefia pelas mulheres (42%).
Confira aqui a pesquisa completa.
A CNI encomendou o estudo para o Instituto FSB Pesquisa que entrevistou, por telefone, 500 executivos de indústrias pequenas e 500 executivos de indústrias médias e grandes. As pesquisas foram realizadas entre 6 e 23 de fevereiro de 2023, sendo que 60% dos entrevistados se identificam como homens e 40% mulheres.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/03/08/apenas-29-dos-cargos-de-lideranca-na-industria-sao-ocupados-por-mulheres/
por NCSTPR | 09/03/23 | Ultimas Notícias
Observa-se ao passar dos tempos mudanças profundas no mundo do trabalho, sobretudo a partir da integração das tecnologias da informação com os setores de serviços e de produtos, cujo desenvolvimento deu origem ao trabalho por plataformas, fenômeno de repercussões globais que abrange em fortes proporções os esforços laborais baseados em localização.
Wenceslau Augusto dos Santos Junior1 e
Dayvid Souza Santos2
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) compreende as plataformas como “transações mediadas por um programa de software de finalidade específica, geralmente projetado para uso em dispositivo móvel ou em site, ambos programados por algoritmos”. Ressalta-se que suas aplicações abrangem as diversas formas de usuários que prestam serviços em troca de remuneração.
Até onde se sabe, não existe um único tipo de plataforma digital.
Estudos relatam a classificação de ao menos 5, a seguir os exemplos:
1) plataformas publicitárias – Twitter, Instagram e Facebook;
2) plataformas em nuvem (cloud) – AWS e Salesforce;
3) plataformas industriais – Siemens e Huawei;
4) plataformas de produto – Deezer e Netflix; e
5) plataformas enxutas – IFood e 99.
No entanto, seus impactos no mundo do trabalho em termos globais são profundos, a exemplo da supressão total de direitos e da proteção social, bem como da transferência dos riscos e custos das operações para os trabalhadores.
No Brasil, no início de 2019, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) realizada pelo IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística), 3,8 milhões de brasileiros tinham no trabalho por plataforma a principal fonte de renda. A pesquisa do Instituto Locomotiva demonstrou que, aproximadamente, 17 milhões de pessoas obtêm regularmente algum rendimento por meio do trabalho por aplicativo no Brasil.
À medida que o trabalho de plataforma, organizado por empresas, avança mundo afora, o mesmo acontece com os litígios movidos por trabalhadores contra essas corporações. Parte proeminente destes processos judiciais concentram-se na natureza da relação entre os trabalhadores da plataforma e as próprias plataformas, uma vez que a relação trabalhador x patrão é negada veementemente pelos empresários do setor.
Ressalta que a OIT (Organização Internacional do Trabalho) busca construir governança global entre governos, empregados e empregadores para a garantia dos direitos trabalhistas fundamentais:
1) liberdade de associação e negociação coletiva;
2) fim do trabalho forçado;
3) erradicação do trabalho infantil; e
4) eliminação da discriminação em termos de emprego e ocupação. Isso passa pela necessidade de pactos institucionais no âmbito internacional altamente complexos devido às características heterogêneas em termos de desenvolvimento de cada país.
Regulamentar as plataformas digitais é desafio de gestores em todo o mundo, vez que este modelo de negócio determina de forma unilateral os termos e condições de relacionamento com os usuários e, ainda, comumente, classificam especificamente os trabalhadores como “autônomos” ou “contratados independentes, ou seja, trabalho precário.
Neste ambiente, o governo Lula inicia o terceiro mandato, em 2023, colocando como uma de suas agendas prioritárias a regulamentação do trabalho por plataformas. Inicialmente, as centrais sindicais, foram convidadas a enviar sugestões com objetivo de se pavimentar framework jurídico sobre o tema. Outras iniciativas devem ocorrer para se encontrar consensos entre os pontos mais quentes da legislação, já que, até o fim deste semestre, segundo o Ministro do Trabalho, o Congresso Nacional deverá aprovar legislação sobre o tema.
As inciativas que visam regulamentar o trabalho por plataformas são observadas na França, por meio da Lei 1.088, de 8 de agosto de 2016, que concedeu algum grau de proteção social para os trabalhadores, exigindo por exemplo que as plataformas paguem os seguros de acidentes de trabalho. Na Colômbia, projeto de lei apresentado ao Congresso afirma que o trabalhador de plataformas é economicamente dependente e sugere a criação de categoria intermediária, ou seja, nem autônomo nem assalariado. O projeto de lei prevê ainda o gozo de direitos trabalhistas coletivos, como a liberdade de associação e o direito de negociação coletiva.
A promulgação de leis que regulamentem as plataformas digitais, sejam essas com objetivo de reconhecer prioritariamente a relação empregador e empregado ou de criar categoria intermediária, é de fundamental importância para mitigar os efeitos deletérios sobre os trabalhadores deste segmento. No entanto, estes tendem a continuar submetidos a processos precarizantes, principalmente pelo fato de não possuírem a propriedade da tecnologia a que estas plataformas tradicionais operam.
Assim, essas seguem livres para reduzir ainda mais o custo da força de trabalho, ou seja, explorar os trabalhadores e recompor os níveis de taxa de lucro por meio da reprodução do capital.
É nesta lacuna citada anteriormente que as Cooperativas de Plataforma, organizadas sobre os fundamentos da Economia Solidária, se apresentam como alternativa às grandes corporações do ambiente digital e solução ao trabalho subordinado e alienado.
Para o professor Trebor Scholz, The New School, em Nova Yorque, nos Estados Unidos, essas cooperativas podem ser de propriedade dos trabalhadores e, portanto, possuir os seguintes princípios:
1) propriedade – ou seja, a tecnologia é de propriedade coletiva;
2) pagamentos decentes e seguridade de renda – todos precisam de pagamento justo e benefícios para sobreviver;
3) transparência e portabilidade dos dados – deve haver transparência no modo como os dados sa?o coletados, analisados e estudados;
4) apreciação e reconhecimento – existência de bom relacionamento no ambiente de trabalho;
5) trabalho codeterminado – envolver os trabalhadores desde a criação da plataforma;
6) moldura jurídica protetora – necessidade de legislação que ampare os anseios destas organizações;
7) proteções trabalhistas e benefícios – todos os cooperados devem possuir proteções sociais e estar submetidos às legislações do trabalho;
8) proteção contra comportamento arbitrário – não cancelar os trabalhadores sem garantir ampla defesa;
9) rejeição de vigilância excessiva – não exercer práticas de vigilância que violam a dignidade dos trabalhadores;
10) direito de desconexão – o trabalho digital decente deve ter limites bem definidos, portanto, precisam deixar um tempo para atividades de lazer.
Experiências com as características citadas anteriormente são observadas em várias partes do mundo. O site Platform.coop possui cadastro com mais de 500 organizações oriundas de mais de 30 países. No Reino Unido, por exemplo, existe a Co-operative Newsé, um dos jornais cooperativos mais antigo do planeta. Foi fundado em 1871, por jornalistas e leitores, e o sucesso foi tamanho que logo outras inciativas surgiram formando rede de cooperativas global dedicada a fornecer cobertura jornalística em todo o mundo.
Na França, trabalhadores criaram a CoopCycle, federação de cooperativa de entrega por meio de bicicletas. Esta desenvolveu infraestrutura tecnológica que apoia a criação de novas cooperativas de plataforma em todo o mundo. A iniciativa possui mais de 70 cooperativas associadas, cujo objetivo é tornar a remuneração mais justa e propiciar o trabalho com mais qualidade de vida.
No Brasil, as experiências ainda são embrionárias e carecem fundamentalmente de apoio público. Destaca-se, por exemplo, projeto desenvolvido pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esportes da Bahia, que prevê apoio técnico especializado para a criação de aplicativo para o gerenciamento da logística de entrega, bem como de cooperativa de plataforma fundada a partir dos próprios trabalhadores do setor. Ou seja, com moto e bike-entregadores e considerando, sobretudo, os fundamentos da economia solidária.
É importante destacar que a experiência baiana é pioneira no Brasil e prevê a doação da propriedade da tecnologia à própria cooperativa ao final do projeto. Assim, se constituindo como mecanismo importante para a luta de classe. Já que, à medida que o capitalismo se desenvolve por meio de novas formas de produção, há também a possibilidade desses mesmos instrumentos tecnológicos serem experimentados, a partir da lógica dos trabalhadores como classe social.
Nesse sentido, a regulamentação do Trabalho Digital no Brasil deve considerar também o desenvolvimento de política nacional que reconheça o cooperativismo de plataforma de característica solidário e autogestionária, bem como a disponibilidade de incentivos diversos que permitam a criação de forte ecossistema cooperativista solidário, composto por governos, universidades e trabalhadores, para que se possa abrir caminhos para se desenvolver soluções tecnológicas livres, associadas a melhores renda e aumento da qualidade de vida no ambiente familiar.
1 Superintendente de Economia Solidária e Cooperativismo da Secretaria do Trabalho da Estado da Bahia. Professor universitário. Mestrando em Direito / Unifacs
2 Coordenador de Formação em Economia Solidária e Cooperativismo da Superintendência de Economia Solidária e Cooperativismo. Pesquisador. Doutorando em Engenharia Industrial/PEI-UFBA
DIAP
por NCSTPR | 09/03/23 | Ultimas Notícias
Na população brasileira, elas são 5 milhões a mais. São 82 milhões (52,65%) entre os mais de 156 milhões de eleitores.
Vilson Antonio Romero*

Porém estes números não se refletem nos diversos setores da sociedade, seja nos parlamentos, tribunais e governo, nas posições de chefia e liderança das empresas, nos postos decisórios da Nação.
São somente 96 entre os 594 congressistas federais, 18% dos deputados estaduais e distritais, 16% dos vereadores, 12% dos prefeitos e 2 governadoras entre as 27 UF.
No Poder Judiciário, melhora um pouco a representatividade, com cerca de 38% de magistradas em todo o Brasil. No Executivo federal, houve avanço no atual governo, com mulheres ocupando 11 dos 37 ministérios.
Nas 250 maiores empresas nacionais pesquisadas pela consultoria Grant Thornton, 6% responderam, em 2021, que não mantêm nenhuma mulher em cargos de liderança, mas cerca de 35% dos postos de presidente executivo (CEO) são do sexo feminino.
Além desse empoderamento tímido, como nunca, a mulher tem sido muito atacada na sociedade brasileira.
Todas as formas de violência aumentaram no Brasil em 2022, com 18,6 milhões de mulheres vítimas de agressão segundo o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
A lista de ataques envolve ofensas verbais e sexuais, perseguição, ameaças com faca, arma de fogo ou físicas, espancamento ou tentativa de estrangulamento, lesão provocada por algum objeto que foi atirado nelas e esfaqueamento ou tiro.
A pesquisa também apresentou outro dado repudiável: 1 em cada 3 brasileiras com mais de 16 anos sofreu violência física e sexual provocada por parceiro íntimo ao longo da vida.
As medidas protetivas, a proliferação de delegacias de mulheres, as prisões em flagrante, o respaldo da Lei Maria da Penha e diversas formas de acolhimento têm sido insuficientes para cessar essa tragédia diária que deixa vítimas e órfãos por todo o Brasil.
O FBSP reuniu as estatísticas de feminicídio e estupro dos primeiros semestres dos últimos 4 anos e registrou total de 2.671 mortes. 699 somente de janeiro a junho de 2022. A misoginia e o machismo estão à solta. Temos que combater isto, para preservar, proteger e defender nossas mulheres.
Basta de violência! Reflexões e atitudes indispensáveis neste Dia Internacional da Mulher e em todos os demais dias de nossa existência.
(*) Jornalista, vice-presidente da ARI (Associação Riograndense de Imprensa)
DIAP
https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/91270-mulheres-empoderamento-e-protecao
por NCSTPR | 09/03/23 | Ultimas Notícias
Rede Nossa São Paulo revela que 67% das moradoras da capital paulista já sofreram algum tipo de assédio.
A reportagem é de Clara Assunção, publicada por Rede Brasil Atual, 07-03-2023.
Mais da metade das mulheres que vivem na cidade de São Paulo,– 67% –, já sofreu algum tipo de assédio. O que representa mais de 3,8 milhões de paulistanas, de acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo: Mulheres“, divulgada nesta terça-feira (7) pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec).
De acordo com o levantamento, 53% da população feminina da capital já passou por alguma abordagem desrespeitosa. De gestos a olhares incômodos e comentários invasivos. Ao menos 45% delas também compartilharam terem sido vítimas de assédio dentro do transporte coletivo. Assim como 29% no ambiente de trabalho, 21% no ambiente familiar e 32% que já foram agarradas, beijadas ou desrespeitadas.
As questões sobre a percepção da violência contra a mulher foram aplicadas à elas em dezembro do ano passado. Para o estudo, a Rede Nossa São Paulo e o Ipec entrevistaram, ao todo, 800 moradores da cidade, entre homens e mulheres, com 16 anos ou mais, de todas as regiões e diferentes classes sociais. A maioria das pessoas ouvidas (55%) foi de mulheres. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Assédio no transporte público
Esse é também o quinto ano consecutivo que o transporte público permanece no topo das menções como o local em que a maioria das mulheres se sentem mais amedrontadas e acreditam que correm maior risco de sofrerem algum tipo de assédio. Pelo menos 39% delas indicaram se sentir inseguras nesses espaços. Apesar de alto, o índice é o menor da série histórica, iniciada em 2019. Nos últimos quatros anos, o transporte vinha em alta, como o mais citado, por 44%, em 2019, 46%, em 2020 e 52% nas duas últimas edições.
Houve um crescimento, porém, da rua como o lugar mais perigoso. Ao todo, 23% a mencionaram, ante 17%, na pesquisa de 2022. “Acende uma luz amarela de que aumentou o assédio na rua, mas o transporte ainda é o campeão”, observa o doutor em Sociologia e assessor de coordenação da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis, Igor Pantoja. De acordo com o pesquisador, as condições do transporte explicam em parte ele ocupar o topo das situações de importunação sexual contra mulheres.
“Muita gente em um único lugar. Tem a coisa do anonimato, de passar muito rapidamente pelo lugar, e até você procurar o funcionário e identificar (o agressor). (…) No transporte acaba que há um aglomerado, é difícil identificar quem é que foi que fez o comentário ou a ação de agressão. Então tem essa questão mais física, da grande quantidade de pessoas. Mas acho que, por outro lado, é importante ver que houve uma diminuição”, pondera.
E no privado
O assessor avalia que as medidas de prevenção adotadas desde 2016, como a lei da gestão de Fernando Haddad (PT) que autorizou motoristas de ônibus a parar fora dos pontos para mulheres, podem estar contribuindo para essa queda. “A gente vê que tem um certo esforço nesse sentido, de melhorar a comunicação, de deixar as mulheres descerem fora do ponto à noite, há treinamentos para os funcionários dos ônibus. Então a gente quer acreditar que isso vai nesse sentido de tender a uma redução”, afere Pantoja.
A pesquisa também identificou um aumento no número de mulheres que sofreram assédio no transporte particular. Nesse caso, envolvendo táxis e serviços de aplicativo, como Uber e 99. Desde 2018, o índice vem em alta, de 4% para 10% em 2020, até atingir 12% em 2021, e passar para 19% neste ano.
O dado, segundo o especialista, é “preocupante” e indica a importância do poder público de regular e reconhecer “o transporte particular como de fato um serviço de transporte”. Pantoja adverte que “quase todo mundo que você pergunta já teve alguma história para contar nesse sentido (de denúncia de assédio)”.

Pelo quinto ano consecutivo, a pesquisa da Rede Nossa São Paulo também mostra que o transporte público continua sendo o local mais inseguro para as mulheres, apesar da queda
(Imagem: Rede Nossa São Paulo/Reprodução)
Sobrecarregadas de trabalho
“É super importante que a gente comece a entender – e que a prefeitura também entenda – que sim, é um transporte que deve ser tratado como tal. Inclusive no sentido de punições das empresas, de investigação dos casos, de campanhas voltadas diretamente para os motoristas, de que tenham que passar por treinamentos, porque eles não passam por nada. Os motoristas de ônibus vêm tendo uma série de treinamentos e campanhas que as empresas são obrigadas a fazer, enquanto as empresas de aplicativo não têm absolutamente nada”, acrescenta.
Pelo quarto ano seguido, a pesquisa da Rede Nossa São Paulo também dedicou um capítulo à igualdade de gênero, buscando mapear a divisão dos afazeres domésticos entre as mulheres e os homens. O levantamento, porém, mostra um quadro praticamente inalterado, em que as paulistanas continuam sendo responsáveis por toda ou a maior parte do trabalho doméstico. São 29% que dizem que elas fazem a maior parte. Outros 16% avaliam que essas tarefas são responsabilidade exclusiva das mulheres. E 36% responderam que o trabalho doméstico é dividido igualmente entre homens e mulheres. Em 2022, esse dado era de 37%.
Novamente, o estudo também mostra um descompasso na percepção deles e delas sobre a divisão igualitária das tarefas domésticas. Para 44% dos homens, o trabalho é dividido igualmente. Enquanto que essa percepção é compartilhada por 30% das mulheres. A novidade, deste ano, fica por conta das descrições das tarefas mais realizadas pela população masculina e feminina.
Peso do machismo
A separação mostrou que elas realizam mais tarefas centrais, como limpeza da casa e cuidados diários dos filhos. Enquanto eles tendem a se dedicar aos afazeres mais “complementares”. O que segundo a Rede Nossa São Paulo indica que, sem as mulheres, “não há comida, casa limpa e organizada e nem filhos e filhas prontos para serem levadas pelos homens para a escola”.
A avaliação do assessor da entidade é que tantos os dados de violência contra a mulher, como a sobrecarga de trabalho, “escancaram os estereótipos do papel de cada um”. O acúmulo de responsabilidade sobre as mulheres é sobretudo maior em segmentos mais desfavorecidos economicamente, com apenas o ensino fundamental e entre a população negra. Em média, 30% avaliam que essas atividades são de responsabilidade apenas da mulher. E mesmo nos segmentos com maior renda e escolaridade, o total que reconhece a divisão do trabalho não passa de 36%.
“O que a gente identifica nas respostas é que as mulheres acabam, na prática, fazendo mais esse papel, seja por uma questão socialmente imposta, ou porque a estrutura social ainda é muito machista e acaba colocando as mulheres nesse papel. Não só porque ela necessariamente se identifica como cuidadora. Mas porque, se ela não fizer, talvez ninguém faça. Acaba que ela tem que assumir esse papel por conta dessa necessidade. Estarmos na maior cidade da América Latina, uma das maiores cidades do mundo, mas ainda tem uma prática tradicional e conservadora em que as mulheres acabam sendo sobrecarregadas”, resume Pantoja.

A limpeza da casa é a segunda atividade mais citada pelas mulheres. Enquanto que, entre homens, ela aparece na sétima posição. Já o cuidado diário dos filhos é o sexto mais mencionado por elas, mas o nono entre eles (Imagem: Rede Nossa São Paulo/Reprodução)
A parte do Estado
O especialista completa que “é ruim reiterar essas questões ano a ano”. “Gostaríamos de ter um cenário de evolução mais rápido, mas a ideia é trazer isso para o debate e provocar o poder público”, comenta. Pantoja diz que, ainda que tardias, há mudanças, mas que a prefeitura de São Paulo deve fazer mais.
“Tem muitos recursos para fazer isso, tem uma iniciativa privada muito forte também. As empresas podem cumprir um papel nesse sentido que é muito importante. Elas acabam tendo ações muito pontuais, da porta para dentro delas. Mas elas poderiam ter uma responsabilidade maior do ponto de vista social mesmo em relação a isso e a outros temas. É mais provocar e chamar a responsabilização das instituições públicas e privadas para melhorar essa condição de vida da mulher”, conclui Igor Pantoja.
IHU-UNISINOS
https://www.ihu.unisinos.br/626787-assedio-no-transporte-e-sobrecarga-de-trabalho-pesquisa-mostra-como-e-ser-mulher-em-sao-paulo
por NCSTPR | 09/03/23 | Ultimas Notícias
Elas ainda têm maiores taxas de subocupação e desalento. Dados pioram quando se trata de trabalhadoras negras.
A reportagem foi publicada por Rede Brasil Atual, 07-03-2023.
O mercado de trabalho brasileiro segue mostrando distorções entre homens e mulheres. Elas são minoria na força de trabalho, mas maioria entre os desempregados, por exemplo. Também têm maiores taxas de subocupação e de desalento. E ganham, em média, 21% a menos do que os homens. Os dados foram divulgados pelo Dieese às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quarta-feira (8).
De acordo com o boletim, no terceiro trimestre do ano passado as mulheres representavam 44% da força de trabalho, mas eram 55,5% dos desempregados no país. A taxa de desemprego era de 6,9% para os homens e subia a 11% no caso das mulheres. Esses dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE. Eram 5,3 milhões de desempregadas, sendo 3,4 milhões negras.
Fora do mercado e desalentadas
Além disso, do total de pessoas fora da força de trabalho, quase dois terços (64,5%) eram mulheres. Elas também representam mais da metade (55%) dos desalentados, que são aqueles que desistiram de procurar vaga. De 2,3 milhões de desalentadas, havia 1,6 milhão de negras.
Além disso, as subocupadas, mulheres que fizeram jornada menor que 40 horas semanais, mas precisariam trabalhar mais, representavam 7,8% do total, ante 5,1% dos homens. Com isso, a taxa de subutilização chegou a 25,3%, bem acima da masculina (15,9%). A diferença também é grande no recorte por raça: 30,2% entre as negras e 19,2% para as não negras.
Ainda segundo os dados da Pnad Contínua reunidos pelo Dieese, enquanto as mulheres ganhavam em média R$ 2.305, o salário dos homens era de R$ 2.909, ou seja, 21% a menos. Essa diferença persiste mesmo em setores onde as mulheres são maioria, como o doméstico: 91% de mulheres, mas salários 20% menores.
“Quando se olha por cor, a renda das famílias negras foi sempre menor que a das não negras, independentemente do arranjo familiar”, diz o Dieese. “No caso das famílias chefiadas por mulheres negras com filhos, a renda média foi de R$ 2.362,00.” Já entre casais com filhos, a renda média é de R$ 6.587 para os não negros e de R$ 3.767 para negros (-42,8%).
A maioria dos domicílios no Brasil é chefiada por mulheres, informa ainda o Dieese. “Dos 75 milhões de lares, 50,8% tinham liderança feminina, o que correspondente a 38,1 milhões de famílias.”
IHU-UNISINOS
https://www.ihu.unisinos.br/626786-mulheres-ganham-21-menos-que-homens-e-sao-maioria-entre-desempregados-diz-dieese