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Teto de gastos foi ‘furado’ cinco vezes no governo Bolsonaro; veja a lista

Teto de gastos foi ‘furado’ cinco vezes no governo Bolsonaro; veja a lista

Impacto das mudanças chega a R$ 236,5 bilhões, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente.

Por g1

teto de gastos, principal regra fiscal do país que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior, foi alterado por cinco vezes durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Boa parte das mudanças serviu para ampliar a verba de programas sociais durante a pandemia ou em ano eleitoral.

 

As alterações, patrocinadas pelo Congresso Nacional, somam um impacto fiscal de R$ 236,5 bilhões em relação ao desenho original da regra, de acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão atrelado ao Senado Federal. Alguns tornaram-se custos fixos, que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) herdará no seu primeiro ano de governo.

De 2019 para cá, as alterações permitiram que despesas fossem realizadas fora das regras, além de uma mudança que alterou o período de correção do teto, expandindo o espaço para novos gastos. (veja abaixo)

Teto foi criado em 2016

 

Criado em 2016 pelo governo Michel Temer, o teto de gasto se transformou na principal âncora das contas públicas do país desde a sua implementação.

 

À época, a equipe econômica justificou a medida como uma forma de controle do rumo das finanças do governo. O Brasil gastava mais do que arrecadava, passou a acumular déficits primários sucessivos, e viu a dívida crescer. Com a piora das contas públicas, o país perdeu, em 2015, o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador e que assegurava a confiança dos investidores internacionais na economia brasileira.

 

Sem uma âncora fiscal clara, a economia brasileira passou a enfrentar sucessivos períodos de incerteza, o que provocou a valorização do dólar em relação ao real em diversos momentos.

 

Na ponta, para o cidadão, um real desvalorizado pode se refletir em mais inflação e, consequentemente, em aumento da taxa básica de juros, o que encarece os empréstimos para as famílias e os investimentos para as empresas.

Relembre as mudanças já feitas no teto de gastos

  • Setembro de 2019

 

O Congresso aprovou uma PEC que permitiu ao governo federal não contabilizar no teto de gastos as transferências federais para estados e municípios relacionadas à repartição da cessão onerosa do pré-sal. Ao todo, foram repassados R$ 46,1 bilhões fora do teto.

 

A cessão onerosa é o nome que se dá ao direito de contrato de exploração de petróleo em uma área do pré-sal. Antes das mudanças, os repasses dos recursos arrecadados com a cessão onerosa eram considerados uma despesa do governo, o que entrava na conta do teto.

  • Março de 2021

 

aprovação da PEC Emergencial abriu um espaço de R$ 44 bilhões fora do teto para o governo gastar. À época, o valor foi utilizado para bancar uma nova rodada do Auxílio Emergencial.

 

O governo condicionou a volta do auxílio à aprovação da PEC, porque ela criou mecanismos para tentar compensar esse gasto adicional. Passou a permitir que sempre que as despesas obrigatórias da União superassem 95% da despesa total sujeita ao teto de gastos, alguns gatilhos de contenção, para evitar descontrole fiscal, fossem automaticamente acionados.

 

Também proibiu o reajuste salarial de servidores e contratação de novos funcionários.

 

  • Dezembro de 2021

 

PEC dos Precatórios provocou duas alterações no teto de gastos, com impacto de R$ 105,2 bilhões, de acordo com a IFI.

 

Desse montante, o impacto de R$ 69,6 bilhões tem como origem a mudança no período de correção do teto, agora de janeiro a dezembro – antes, era corrigido com base na inflação registrada em 12 meses até junho do ano anterior.

 

A outra mudança tem a ver com o pagamento fora do teto de R$ 35,6 bilhões de precatórios.

 

  • Julho de 2022

A PEC Kamikaze criou benefícios sociais a poucos meses da eleição. O custo estimado fora do teto é de R$ 41,2 bilhões. A proposta ampliou o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, dobrou o benefício do vale gás e criou um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos e taxistas.

Perda de credibilidade fiscal

 

Ao assumir o comando do país, a atual equipe econômica se comprometeu com a manutenção do teto de gastos e defendeu a redução de despesas obrigatórias. No primeiro ano da gestão Bolsonaro, o time do ministro Paulo Guedes teve sucesso ao obter, no Congresso Nacional, a aprovação da reforma da Previdência.

 

Mas as outras reformas acabaram ficando pelo caminho, como é o caso da administrativa, que reduziria os gastos com pessoal, e a tributária, que aumentaria o potencial de crescimento e arrecadação do país.

 

Com reformas travadas e eleições se aproximando enquanto o cenário era de pandemia e inflação elevada, governo e Congresso começaram a patrocinar uma série de investidas contra o teto de gastos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, justificava a medida como proteção aos vulneráveis e que havia melhora de arrecadação, o que permitia que o país ampliasse os seus gastos.

Nem todo gasto realizado fora do teto é alvo de críticas dos especialistas em contas públicas: no início da pandemia, com o país em estado de calamidade pública, o Congresso aprovou o chamado “Orçamento de Guerra”, o que permitiu separar as despesas emergenciais relacionadas à pandemia de coronavírus do Orçamento geral da União.

 

Com o “Orçamento de guerra”, o governo não precisou cumprir exigências aplicadas ao orçamento regular, como a “regra de ouro”, que impede a União de contrair dívidas para pagar despesas correntes, e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

Dessa forma, a União pôde contar com crédito extraordinário para novos gastos, sem afetar o teto de gastos. Por ter sido uma manobra realizada dentro da regra do jogo, o montante do “Orçamento de guerra” não entrou no acompanhamento da IFI.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/11/04/teto-de-gastos-foi-furado-cinco-vezes-no-governo-bolsonaro-veja-a-lista.ghtml

Teto de gastos foi ‘furado’ cinco vezes no governo Bolsonaro; veja a lista

IBGE revisa PIB de 2020 de -3,9% para -3,3% e pandemia deixa de representar tombo recorde da economia do país

Segundo o IBGE, maior impacto na revisão ocorreu a partir da incorporação de novos dados do setor de Serviços, que é o de maior peso na economia do país. Queda da indústria também foi menor que apurada inicialmente, enquanto crescimento da Agropecuária foi maior.

Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

A queda Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020 foi revisada, em definitivo, para -3,3%, conforme divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a pandemia deixou de representar tombo recorde da economia brasileira – a maior retração econômica do país voltou a ser a apurada em 2015, de -3,5%.

 

Trata-se da segunda revisão das contas nacionais do ano em que a crise sanitária global derrubou a economia do país. No primeiro anúncio dos resultados da economia em 2020, feito em março do ano passado, o cálculo do IBGE apontava para uma queda de 4,1% do PIB. Já em março deste ano, junto à divulgação das contas de 2021, a revisão inicial apontou que a queda havia sido de 3,9% no ano anterior.

Em valores correntes, o PIB de 2020 foi de R$ 7,6 trilhões e o PIB per capita, de R$ 35.935,74, montantes superiores aos que haviam sido apurados no primeiro anúncio, quando somaram, respectivamente, de R$ 7,4 trilhões e R$ 35.172.

 

“Sempre ocorrem revisões dos dados preliminares em relação aos definitivos, com mais fontes de informações. Entretanto, em épocas atípicas, como a pandemia de 2020, elas podem ser maiores, fato que ocorreu em todo o mundo”, explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Queda menor em Serviços e Indústria, alta maior na Agropecuária

 

De acordo com o IBGE, esta segunda revisão dos dados de 2020 decorreu, principalmente, da incorporação de novos dados sobre os Serviços, que atenuaram a queda do setor de -4,3% para -3,7%.

 

A queda da Indústria foi revisada de -3,4% para -3,0%, enquanto o crescimento da Agropecuária foi revisado de 3,8% para 4,2%.

 

O maior impacto dos dados revisados se deu em Outras atividades de serviços, cuja queda de -12,3% foi revisada para -9,3%.

 

“Foi uma queda muito localizada nos serviços, principalmente nos serviços presenciais, paralisados durante a pandemia, como hotéis, restaurantes, cinema e entretenimento, viagens e os serviços domésticos”, apontou Cristiano Martins, gerente de bens e serviços de Contas Nacionais do IBGE.

 

O setor de serviços é o de maior peso no cálculo, uma vez que ele representa cerca de 70% da atividade econômica no Brasil. Foi justamente este o setor mais afetado pela pandemia, devido às medidas de restrição para conter o avanço da Covid-19, e partiu dele a principal revisão do cálculo.

 

O valor adicionado bruto caiu 3,2%. Em termos de impacto, -2,7 pontos percentuais do PIB de 2020 se devem à queda dos Serviços, segundo o IBGE. A Indústria contribuiu com -0,6 p.p e a Agropecuária com 0,2 p.p.

Recuo em 7 dos 12 grupos de atividade econômica

 

O IBGE destacou que, em 2020, sete dos 12 grupos de atividades econômicas recuaram na comparação com o ano anterior.

 

Além da queda no grupo de outras atividades de serviços, que representou o maior impacto no resultado geral, destacou-se a queda das atividades de transporte, armazenagem e correios, também muito impactadas pelas medidas de restrição.

 

Teto de gastos foi ‘furado’ cinco vezes no governo Bolsonaro; veja a lista

FGTS: conheça situações que permitem saque da conta

Além do saque extraordinário e o saque-aniversário, conheça ainda outras situações em que é possível sacar valores da conta do FGTS; veja ainda como fazer consulta ao saldo.

Por Renata Baptista, g1

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito de todos os trabalhadores com carteira assinada.

 

Todos os meses, os empregadores têm de depositar 8% do salário dos funcionários naquela reserva. Por isso, cria-se uma poupança compulsória para emergências ou necessidades específicas do trabalhador.

 

Nos últimos anos, o saque de valores vem sendo liberado pelo governo federal em algumas ocasiões com o objetivo de estimular a economia – como foi o caso do saque extraordinário no valor de até R$ 1.000 liberado este ano.

Há ainda uma modalidade, criada em 2019, que é o saque-aniversário – em que o trabalhador pode fazer uma retirada por ano de parte do valor das contas do Fundo de Garantia de acordo com o mês em que nasceu, mas perde direito à retirada do saldo total de sua conta do FGTS em caso de demissão sem justa causa.

 

Contudo, a ideia é que o dinheiro deve permanecer no FGTS para ser resgatado em apenas algumas situações.

 

Entre elas estão as seguintes:

 

  1. Demissão sem justa causa, pelo empregador;
  2. Término do contrato por prazo determinado;
  3. Rescisão por falência, falecimento do empregador individual, empregador doméstico ou nulidade do contrato;
  4. Rescisão do contrato por culpa recíproca ou força maior;
  5. Aposentadoria;
  6. Necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural causado por chuvas ou inundações que tenham atingido a área de residência do trabalhador, quando a situação de emergência ou o estado de calamidade pública for assim reconhecido, por meio de portaria do governo federal;
  7. Suspensão do Trabalho Avulso;
  8. Falecimento do trabalhador;
  9. Quando o titular da conta vinculada tiver idade igual ou superior a 70 anos;
  10. Quando o trabalhador ou seu dependente for portador do vírus HIV;
  11. Quando o trabalhador ou seu dependente estiver com câncer;
  12. Quando o trabalhador ou seu dependente estiver em estágio terminal, em razão de doença grave;
  13. Permanência do trabalhador titular da conta vinculada por três anos ininterruptos fora do regime do FGTS, com afastamento a partir de 14/07/1990;
  14. Aquisição de casa própria, liquidação ou amortização de dívida ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional.

Como consultar o saldo?

 

A consulta ao saldo pode ser feita pessoalmente, no balcão de atendimento de agências da Caixa, no site da Caixa ou pelo aplicativo FGTS.

 

No site da Caixa, é preciso informar o NIS (PIS/Pasep), que pode ser consultado na carteira de trabalho ou em algum extrato antigo que o trabalhador tenha, e usar uma senha cadastrada pelo próprio trabalhador. É possível usar ainda a Senha Cidadão. A página oferece a opção de recuperar a senha, mas é preciso informar o NIS. Clique aqui e veja como consultar o número do PIS/NIS.

 

Já o aplicativo pode ser baixado nos seguintes links:

Teto de gastos foi ‘furado’ cinco vezes no governo Bolsonaro; veja a lista

Por que Lula vai precisar de um ministro mais político do que técnico para a Economia?

Principais políticas propostas por Lula precisam passar por aprovação do Congresso, com uma composição com bastante oposição ao presidente eleito. Capacidade de negociar vai ser necessária para garantir cumprimento das promessas de campanha.

Por Thaís Matos, g1

Além dos desafios naturais da gestão da economia em um governo, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará que seu ministro ou ministra da pasta tenha capacidade de barganhar com o Congresso Nacional para conseguir tocar promessas feitas durante a campanha.

 

Por isso, analistas dizem que o ocupante da pasta precisará ser mais político do que técnico.

 

“Técnico é aquele que tem um grande conhecimento da economia. Já o político possui boa capacidade de dialogar com diferentes setores da sociedade e tende a ter maior habilidade em atingir os resultados desejados. Muitos de nossos problemas são de ordem política”, explica Michael França, professor de economia do Insper.

O ministro vai precisar ter trânsito livre no Congresso para negociar espaço no Orçamento para gastos não obrigatórios, como expansão dos pagamentos do Auxílio Brasil, aumento do salário mínimo acima da inflação e correção da tabela do imposto de renda, entre outros. Hoje, o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e o senador eleito Wellington Dias (PT) estão responsáveis por essas negociações para o Orçamento de 2023, enviado pelo governo Jair Bolsonaro em agosto sem espaço para esses gastos.

 

Alessandra Ribeiro, diretora da área de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências Consultoria, diz que a junção de uma equipe política e técnica garantiu a aprovação das reformas no governo de Michel Temer, entre 2016 e 2017.

 

“Teve muita gente muito boa e ele conseguiu aprovar um montante de reformas muito expressivo em pouquíssimo espaço de tempo. Essa composição funcionou muito bem”, avalia.

 

Ribeiro ressalta que o Congresso era outro. “Nesse contexto que vamos enfrentar a partir de janeiro, temos um congresso mais desafiador. Obviamente que o governo Lula está tentando montar uma coalizão mais ampla possível, com partidos que vão ajudar nesse processo e facilitar o jogo, mas vai exigir muito mais negociação. O contexto é desafiador até pelo próprio resultado das eleições, que foi muito dividido, além de estarmos em um momento da sociedade extremamente delicado”, afirma.

 

A economista diz que, caso o governo opte por uma pessoa mais técnica na Economia, vai precisar compensar a habilidade de negociação em alguma outra pasta importante, como a Casa Civil, para poder articular as mudanças que quer e precisa fazer. Uma escolha “política e moderada” agradaria também o mercado financeiro, segundo apurou o colunista Valdo Cruz.

Reformas, outro desafio

 

Ao longo de 2023, executivo e legislativo precisarão criar uma nova regra para garantir o equilíbrio fiscal, já que Lula sinalizou, durante a campanha, que pretende eliminar o teto de gastos como regra oficial.

 

“Essa alternativa tem que ser muito bem pensada. Se o mercado entender que vai haver trajetória de endividamento, cresce a percepção de risco, os ativos pioram, isso afeta economia e emprego e entramos em uma espiral de crise. Precisamos de uma regra que sinalize a sustentabilidade das contas públicas ao longo do tempo. O mercado vai olhar a proposta, todo mundo vai fazer conta e ver se para em pé”, explica Ribeiro.

 

Para França, a recepção do mercado vai depender dessa agenda. “Uma escolha política afetará positivamente o mercado se a agenda adotada pelo ministro estiver alinhada com determinados interesses como, por exemplo, melhorar o desequilíbrio fiscal”, explica.

 

A solução para o problema esbarra em outra grande batalha que o governo precisará travar: a reforma tributária. Ribeiro diz que, na avaliação do mercado, o governo vai partir para um cenário de gastos maiores e, para dar conta disso, precisará de uma compensação via aumento de tributação.

 

“Estão apontando tributação de rendas mais altas e de lucros e dividendos. São batalhas difíceis, principalmente a dos dividendos. Mas a reforma tributária é muito mais ampla que o Imposto de Renda, com muitos interesses em jogo e que demanda muita articulação. Nessas mudanças, sempre há perdedores e ganhadores. E a briga vai ser para suavizar essas perdas”, conclui.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/11/05/por-que-lula-vai-precisar-de-um-ministro-mais-politico-do-que-tecnico-para-a-economia.ghtml

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Cesta básica em Curitiba volta a apresentar alta, indica Dieese; preço médio em outubro foi de R$ 696,31

Registro ocorre após cinco meses seguidos de queda. Especialista diz que ‘chuvarada’ influenciou na alta de alguns produtos.

Por g1 PR e RPC Curitiba

O preço da cesta básica voltou a subir em Curitiba após cinco meses seguidos de queda, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em outubro, a alta foi de 2,59%. No ano, o acumulado está em 10,80%.

 

Segundo pesquisa, o preço médio da cesta na capital chegou a R$ 696,31, impactado pelo preço de produtos como banana (10,51%), tomate (23,13%) e batata (27,83%). No mês, os gastos com a cesta representaram mais de 60% do salário mínimo.

Em outubro, entre os produtos que apresentaram queda estão o leite integral (-11,50%), e com menos intensidade, o quilo do feijão preto (-3,99%) e o óleo de soja (-2,63%).

Impacto

 

Para o economista Rafael Durlo, o fim da safra de alguns produtos e o período chuvoso que permeou outubro ajuda a explicar o atual movimento dos preços.

 

“A gente teve uma safra de inverno e acabou, então tem redução da oferta do produto, faz aumentar o preço, além do volume de chuvas que afeta também a quantidade ofertada […] A demanda costuma afetar o preço dos produtos, fatores de oferta e demanda”.

Até o fim de dezembro, o economista prevê que o sobe e desce dos preços pode sofrer influência das festas de fim de ano, do ambiente político e outros fatores como os combustíveis, que voltaram a apresentar alta.

G1

https://g1.globo.com/pr/parana/economia/noticia/2022/11/07/cesta-basica-em-curitiba-volta-a-apresentar-alta-indica-dieese-preco-medio-em-outubro-foi-de-r-69631.ghtml

Teto de gastos foi ‘furado’ cinco vezes no governo Bolsonaro; veja a lista

Guru dos mercados emergentes diz estar animado para investir no Brasil após vitória de Lula

“No passado, estávamos preocupados quando Lula seria eleito, mas essas preocupações se mostraram infundadas”, diz Mark Mobius à BBC News Brasil.

Por BBC

O megainvestidor alemão-americano Mark Mobius afirmou estar animado para continuar investindo no Brasil durante um terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu as eleições presidenciais no mês passado..

 

“No passado, estávamos preocupados quando Lula seria eleito, mas essas preocupações se mostraram infundadas”, disse.

 

Mobius, que em maio de 2018 lançou sua própria gestora de investimentos, a Mobius Capital Partners LLP, antes trabalhou na Franklin Templeton Investments por mais de 30 anos, mais recentemente como CEO do Templeton Emerging Markets Group.

 

Sua gestora administra um fundo destinado exclusivamente a mercados emergentes, o Mobius Emerging Markets Fund, disponível para investidores brasileiros.

 

Durante seu comando, o grupo expandiu os ativos sob gestão de US$ 100 milhões para mais de US$ 50 bilhões.

 

Considerado um “guru dos mercados emergentes”, por ter colocado as nações em desenvolvimento no radar dos investidores globais, Mobius concedeu, por e-mail, a seguinte entrevista à BBC News Brasil.

BBC News Brasil – Em entrevista à BBC News Brasil no ano passado, o senhor disse que “um regime liderado por Lula não nos assusta”. Suas opiniões continuam as mesmas? E por quê?

 

Mark Mobius – Sim, como você pode ver o mercado de ações não caiu após a vitória eleitoral de Lula e há razões para acreditar que o governo Lula continuará com uma política fiscal sensata.

BBC News Brasil – O mercado reagiu de forma bastante positiva depois que Lula foi declarado vencedor das eleições. Isso é um sinal de que ele vai fazer um governo favorável ao mercado?

 

Mobius – No passado, estávamos preocupados quando Lula seria eleito, mas essas preocupações se mostraram infundadas.

BBC News Brasil – Alguma preferência pessoal para substituir Paulo Guedes como novo Ministro da Fazenda? Qual abordagem o senhor gostaria que o novo ministro tivesse?

 

Mobius – Nenhuma preferência especial, mas a chave será um Ministro das Finanças que busca políticas de gastos sensatas para garantir que qualquer gasto do governo resulte em maior produtividade para a economia.

BBC News Brasil – Enquanto os preços das commodities forem favoráveis, os títulos do Brasil devem continuar com bom desempenho? Que desafios o senhor vê pela frente?

 

Mobius – Espera-se que haja uma desaceleração na demanda por commodities por causa da desaceleração da China e do ambiente geral na Europa como resultado da guerra na Ucrânia. Isso seria negativo para as exportações de commodities do Brasil, mas o mercado interno no Brasil está ativo com o Índice de Confiança do Consumidor da FGV subindo.

BBC News Brasil – Da última vez o senhor nos disse que “investiria no Brasil com qualquer um deles (Bolsonaro e Lula)”. O senhor está animado para continuar investindo — ou até mesmo investir mais — no Brasil durante o terceiro governo de Lula?

 

Mobius – Sim. O país instituiu uma série de medidas para prevenir a corrupção na extensão dos escândalos da Lava Jato. Há também vários impedimentos à má gestão de empresas controladas pelo governo, incluindo a atribuição de responsabilidades a indivíduos e a limitação de indicações políticas.

 

Além disso, a porcentagem de empréstimos concedidos por bancos controlados pelo governo caiu nos últimos anos, de modo que o crédito ao setor privado é mais prevalente, o que significa que haverá uma redução nos empréstimos com motivações políticas e irresponsáveis.

Também é bom ver que a Petrobras, a gigante do petróleo, vem vendendo ativos não essenciais e pagando dívidas, tornando-se uma das maiores pagadoras de dividendos do mundo.

 

Portanto, não estamos vendo uma indústria petrolífera diversificada em vez de um monopólio.

 

Um desenvolvimento muito significativo é um novo quadro legal de saneamento e água que permitirá a mais e mais pessoas o acesso adequado a esses serviços.

 

Por fim, concessões e autorizações nas áreas de transporte, dutos e outras resultarão em vários novos investimentos.