NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

CORRUPÇÃO

Anualmente, lideranças do Congresso Nacional se reúnem na Comissão Mista do Orçamento para apreciar primeiro a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, em seguida, o projeto de orçamento enviado pelo governo para o ano seguinte. Apesar de a competência para elaboração dessa proposta ser do poder Executivo, uma pequena parcela dos recursos é sempre reservada para atender a propostas de deputados e senadores: as chamadas emendas parlamentares ao orçamento. A partir de 2019, uma série de reformas no funcionamento dessas emendas originou o que hoje é conhecido como orçamento secreto.

O orçamento secreto se tornou um ponto de preocupação tanto do governo quanto da oposição. Os oposicionistas veem nele um mecanismo de cooptação do Congresso, facilitação de desvio de verbas e de compra de votos de parlamentares. Já o governo nega haver qualquer problema. Quando questionado sobre o assunto, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputa a reeleição, insiste na narrativa de que não tem nada a ver com o assunto e que o instrumento foi criado pelo próprio Legislativo. Essa versão foi prontamente rebatida pelo ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia enquanto Bolsonaro tentava transferir ao deputado a responsabilidade pelo artifício durante o debate na Band.

Os temores da oposição e o receio do governo ao tratar do assunto não se dão por acaso. Os empenhos do orçamento secreto, que entre 2020 e 2022 já ultrapassam R$ 44 bilhões, são indicações de verbas feitas por deputados e senadores sem a necessidade de identificação, possibilitando a indicação de contratos superfaturados de parceiros de cada parlamentar.  A ausência de uma assinatura do responsável pela indicação desses recursos é o que o torna secreto.

Em entrevista ao Flow Podcast, a ex-candidata presidencial e senadora Simone Tebet (MDB-MS) chegou a declarar que o orçamento secreto, por conta de seu elevado volume e da facilidade para a realização de fraudes, pode ser “o maior esquema de corrupção do planeta Terra”, apontando um exemplo de fraude no interior do Maranhão, onde pequenos municípios receberam dinheiro para atender demandas inexistentes, como exames médicos em quantidade superior à própria população.

O caso citado pela senadora inclusive é motivo de preocupação pela Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão mantém um monitoramento de larga escala sobre mais de 500 municípios, sob suspeita de desvio de verbas da saúde por meio do orçamento secreto. Wagner Rosário, ministro da CGU, chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais ensinando usuários a identificar essas emendas no Portal da Transparência, visando promover a fiscalização por parte dos cidadãos.

No debate eleitoral, tanto Simone Tebet quanto Lula se sentiram lesados em concorrer contra um governo que a cada ano aumenta a oferta de recursos para o orçamento secreto. Além de cristalizar sua posição diante do Congresso Nacional, Bolsonaro se beneficia eleitoralmente desse mecanismo, que direciona verba às bases dos deputados com quem divide o palanque.

Bolsonaro tenta negar sua participação na criação desse tipo de mecanismo ao mesmo tempo que mantém alianças próximas com aqueles que mais o utilizam: seu ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, enviou R$ 460 milhões ao Acre em 2021 por meio do orçamento secreto. Já Arthur Lira (PP-AL), principal parceiro de Bolsonaro na Câmara e presidente da Casa, conseguiu indicar o destino de mais de R$ 300 milhões por meio do orçamento secreto entre 2020 e 2021.

Tipos de emendas

Emendas parlamentares não são uma exclusividade da política brasileira. Trata-se de um mecanismo orçamentário comum em democracias. Com elas, deputados e senadores conseguem encaminhar recursos para o cumprimento de propostas em suas bases, muitas vezes em regiões afastadas do radar do governo federal. Além disso, funcionam como meio de negociação para parlamentares da minoria, que conseguem utilizar sua parcela das emendas como moeda de troca por apoio em seus projetos de lei.

Essas emendas originalmente eram divididas em quatro categorias: as individuais, cuja destinação fica a critério de cada parlamentar; as de bancada, definidas em conjunto pelas bancadas estaduais e regionais; as de comissão, definidas pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado; e as de relator (RP9), de origem mais recente, definidas conforme critérios do relator geral do orçamento, selecionado anualmente.

Esse tipo de emenda foi criado com a premissa de permitir ao relator corrigir falhas técnicas na elaboração do orçamento anual. Em dezembro de 2019, o Congresso Nacional tentou tornar obrigatória a aplicação desses empenhos, proposta recusada pelo presidente Jair Bolsonaro, que voltou atrás quando recebeu um texto semelhante do ministro da Secretaria-Geral do Governo, Luiz Eduardo Ramos.

A justificativa de Ramos, na mensagem oficial enviada ao presidente, seria de melhor direcionar recursos para saneamento básico em municípios com menos de 50mil habitantes, aprimorar os procedimentos de execução orçamentária das autarquias ligadas a programas de desenvolvimento e otimizar o controle e execução nos repasses de projetos públicos dos entes federativos.

Confira a seguir o projeto original de Ramos e Bolsonaro:

Orçamento secreto

Em 2020, as emendas de relator passaram a funcionar com as novas regras propostas por Ramos, que foram alvo de críticas. Um desses críticos é o deputado Aliel Machado (PV-PR), que ressalta que o problema não está na imposição em si. “Em momentos em que o governo se mantém inerte e não apresenta projetos, a participação direta do parlamento na execução do orçamento acaba se tornando necessária”, disse o deputado ao Congresso em Foco.

Essa possibilidade de preenchimento de eventuais vácuos do Executivo, porém, vem acompanhada de uma armadilha: o risco de parlamentares solicitarem emendas de forma anônima. “Isso se tornou uma brecha para as solicitações ficarem às escondidas. Quem quer ajudar seu município não tem o que esconder, mas quem quer fazer algo errado, encontra ali um caminho para se ocultar”, alertou.

Em maio de 2021, foi revelado o primeiro escândalo de corrupção utilizando as emendas de relator, em uma investigação do Estadão que deu origem ao termo “orçamento secreto”. A possibilidade de solicitar emendas utilizando critérios próprios e sem revelar o próprio nome permitiu com que diversos parlamentares realizassem compras superfaturadas ou realizassem obras que trouxessem apenas benefícios pessoais, às vezes fora de seus estados. Na investigação, foi destacado o “tratoraço”: uma compra de trator por mais de 200% de seu valor, utilizando recursos do poder executivo.

O próprio Aliel Machado é um dos deputados que investigam o escândalo das Escolas Fake: a destinação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento em Educação, atualmente mantido em grande parte por verba do orçamento secreto, a municípios em valores insuficientes para a realização das obras registradas. Diversas prefeituras chegaram a receber valores inferiores a R$ 10 mil sob a premissa de construção de escolas e creches.

Na última sexta-feira (14), chegaram a acontecer as primeiras prisões em decorrência do orçamento secreto. No Maranhão, o município de Igarapé Grande obteve recursos vindos de emendas de relator para o pagamento de radiografias de dedo em uma quantidade superior à sua própria população, indicando a possibilidade de se tratar de uma tentativa de desvio de verba. Dois servidores públicos foram presos, e a Polícia Federal investiga o caso.

O orçamento secreto também é constantemente apontado como uma ferramenta do atual governo para comprar votos de parlamentares. Com a porcentagem do orçamento da União destinada às emendas de relator aumentando a cada ano e o encolhimento das verbas ministeriais, a possibilidade de enviar esses recursos para obras em suas bases acaba se tornando um convite para deputados cooperarem com o relator geral do orçamento.

A escolha desse relator se dá por meio do presidente da Comissão Mista do Orçamento. Este, por sua vez, é eleito pelo bloco majoritário da comissão, que atualmente é o do governo. Com isso, bons termos e adesão a projetos do governo acabam se tornando um fator de peso para que um deputado ou senador consiga acessar os recursos do orçamento secreto. Preservando o aumento anual da verba para emendas de relator, o governo acaba conseguindo preservar o apoio da maioria.

AUTORIA

Lucas Neiva

LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.

CONGRESSO EM FOCO
Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

Lula bate recorde com 1 milhão de espectadores em podcast

Durante entrevista, ex-presidente chamou população a votar no dia 30, defendeu melhorias na vida do povo e disse que Jair Bolsonaro é “mentiroso compulsivo”

Foto: Ricardo Stuckert

Com mais de um milhão de espectadores simultâneos atingidos em uma hora, a entrevista do ex-presidente Lula (PT) ao podcast Flow bateu recorde de audiência nesta terça-feira (18). Além de superar Jair Bolsonaro (PL) nos números – o presidente teve 550 mil num programa que durou mais de cinco horas –, o ex-presidente também o desbancou no conteúdo de suas falas. Lula defendeu a necessidade de melhorar a vida das pessoas, chamou a população a votar e, em dois dos momentos mais contundentes, declarou que Bolsonaro é “um mentiroso compulsivo” e que, no caso das meninas venezuelanas, o presidente teve “comportamento de pedófilo”.

 

Logo no início, após comentários sobre implantes capilares e formato de debates, Lula declarou ao apresentador Igor Coelho que as fake news são “um liberou geral”, que os bolsonaristas “são capazes de dizer que vaca voa” e que a campanha do presidente é uma fábrica de mentiras. “Eu aprendi a fazer política no movimento sindical. Era uma política que você defendia um projeto de país. Isso não se tem com eles”, completou. Lula também criticou o fato de muitas vezes a imprensa colocar todos os políticos “no mesmo caixote”, criando uma percepção deturpada e negativa da atividade.

 

Questionado sobre o comportamento de Bolsonaro no caso envolvendo as adolescentes venezuelanas, Lula pontuou que naquele momento o presidente teve “comportamento de pedófilo”. A repercussão negativa das declarações com esse teor, lembrou Lula, gerou desespero em Bolsonaro, ao ponto dele se dedicar a uma live na madrugada de domingo (16) para tentar se explicar.

 

Lula também desmentiu uma das fake news que mais têm sido usadas contra ele pelos bolsonaristas, negando que fecharia igrejas e lembrando que sancionou a lei que garantiu liberdade de organização e estruturação às igrejas em 2003 e a Marcha para Jesus em 2010. “As pessoas devem poder exercer sua religião como bem entenderem”, defendeu.

 

Lula também apontou que há pessoas qualificadas pensando o Brasil dentro e fora do campo da esquerda e defendeu a necessidade de dialogar com amplos setores. Além disso, convocou a população – inclusive o apresentador – a votar. “Se você não vota, você não tem direito de cobrar depois”, pontuou.

 

“Ninguém quer ser pobre”

 

O ex-presidente também criticou setores da elite e da classe média brasileira que nunca engoliram as conquistas dos governos petistas e destacou: “Fizemos a maior política de inclusão social do Brasil. As pessoas passaram a ganhar mais, o salário mínimo aumentava todo ano, criamos o Pronaf Mulher, o Minha Casa Minha Vida – e a casa era no nome da mulher. Invertemos a lógica de que o pobre não podia ter ascensão social”. E salientou que “ninguém quer ser pobre, comer mal, se vestir mal, o cara não consegue porque não teve oportunidade”.

 

Ao ser questionado sobre o fato de que os êxitos de seu governo seriam mero reflexo do “boom das commodities”, Lula apontou: “o fato é que fizemos com que as coisas acontecessem colocando o pobre no orçamento”.

 

Ele defendeu ainda a proposta de abrir linha de crédito para micro e pequenos empreendedores. “Já que o emprego hoje não é como antes, vamos dar oportunidade para a criatividade do brasileiro”, apontou. Ao mesmo tempo, o ex-presidente defendeu que haja mais direitos aos informais, que hoje trabalham sem nenhuma proteção social.

 

Lula voltou a chamar o ex-juiz Sérgio Moro de mentiroso, apontou que sua prisão possibilitou a eleição de Bolsonaro e lembrou da anulação dos processos que o condenaram por “ato indeterminado”.

 

Próximo do encerramento da entrevista, Lula enfatizou: “Voltei porque acredito que é possível melhorar a vida do povo”.

Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

Pesquisa Ipesp mostra quadro estável, com 53% dos votos válidos para Lula

Nos votos totais, o candidato da Federação Brasil Esperança tem 49% das intenções de voto.

Nova pesquisa Ipespe, feita sob encomenda da Abrapel ((Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais), mostra estabilidade na corrida presidencial. O ex-presidente Lula tem 49% das intenções de voto, contra 43% do atual presidente.

Considerando os votos válidos, Lula tem 53% contra 47% de Bolsonaro, números muito parecidos com todas as pesquisas divulgadas neste segundo turno.

Na comparação com a pesquisa Ipespe/Abrapel anterior, publicada na terça-feira passada (11), Lula oscilou um ponto para baixo e Bolsonaro manteve o mesmo patamar.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/18/pesquisa-ipesp-mostra-quadro-com-53-votos-validos-para-lula/

Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

Com tombo do PIB, economistas alertam para gravidade do cenário atual

Prévia do PIB mostra queda de 1,13% em agosto. Para especialistas, situação demonstra as fragilidades e inconsequências da política econômica do governo Bolsonaro

por Priscila Lobregatte

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentar fazer parecer que a economia está às mil maravilhas, a percepção do povo com base em seu cotidiano e indicadores do setor mostram que as coisas não são bem assim. É o que aponta, por exemplo, a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) do Banco Central, que apontou um tombo de 1,13% em agosto. Com base neste e outros dados, economistas alertam para a gravidade do cenário atual.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-BR) do BC, que antecede a medição do PIB, apontou que o percentual apurado foi a maior queda do nível da atividade econômica desde março de 2021, quando a retração foi de 3,6%. Com base no PIB, foi detectado crescimento de 1,2% na economia no segundo trimestre deste ano, porém, houve desaceleração quando comparado com igual período de 2021.

O economista e pesquisador Marcio Pochmann declarou, via redes sociais, que a “prévia do Bacen aponta queda de 1,13% do PIB em agosto, indicando o quanto a bolha gerada por dinheiro público distribuído por auxílios se esgota. Com o preço do combustível subindo novamente, resta a contagem regressiva do estouro da realidade da inflação e recessão econômica”.

Neste mesmo sentido, também pelas redes sociais, o economista Eduardo Moreira destacou: “A gasolina começou a subir — o governo não está conseguindo conter o aumento; o PIB começou a cair — teve a maior queda desde março de 2021; a arrecadação do ICMS despencou 14% no mês passado — e os estados e municípios estão desesperados sem verbas para educação e saúde. A bomba econômica está explodindo. A gente avisou e está acontecendo antes do que a gente disse que iria acontecer”.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/18/com-tombo-do-pib-economistas-alertam-para-gravidade-do-cenario-atual/

Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

Reservas internacionais do Brasil atingem patamar mais baixo desde abril de 2011

Nível foi registrado após queda de quase US$ 12 bilhões entre 9 de setembro e 10 de outubro. Apesar das perdas, reservas ainda estão em situação confortável, avaliam economistas.

Por André Catto, g1

As reservas internacionais do Brasil estão no patamar mais baixo em mais de 11 anos, segundo dados do Banco Central (BC). O colchão de dólares do país entrou, entre o fim de agosto e o início deste mês, na casa dos US$ 326 bilhões, o mesmo registrado em abril de 2011.

 

Reservas internacionais são valores que um país possui em moeda estrangeira. Funcionam como uma espécie de “seguro” para fazer frente às suas obrigações no exterior e a choques externos, como crises cambiais — caracterizadas pela desvalorização acentuada da moeda local.

 

Essas reservas são distribuídas entre títulos (tipo de investimento feito a partir da compra de papéis de dívida de uma entidade emissora, que se compromete a devolver o valor com juros), depósitos em moedas, ouro, entre outros formatos. (Entenda melhor sobre as reservas mais abaixo.)

As reservas brasileiras tiveram, no último mês, as perdas mais acentuadas de 2022. Entre 9 de setembro e 10 de outubro, o recuo soma quase US$ 12 bilhões, 3,5% do valor total no período.

 

Para efeito de comparação, a queda ao longo dos 30 dias imediatamente anteriores foi de quase metade da cifra: US$ 6,2 bilhões, uma redução de 1,8%.

Por que caiu?

 

Para o economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, André Galhardo, as perdas recentes podem ter relação com a volatilidade da moeda brasileira e a atuação do Banco Central para controlar a desvalorização do real diante do dólar norte-americano.

 

“O governo pode ter utilizado esses recursos para quitar obrigações de curto prazo. O Banco Central também voltou a vender dólar no mercado à vista, o que ajudou a diminuir essa volatilidade do câmbio”, explica Galhardo.

O cenário é diferente quando voltamos mais 30 dias. Entre 8 de julho e 8 de agosto, o país registrou aumento de US$ 3,5 bilhões nas reservas cambiais.

Apesar da alta no meio do ano, as quedas recentes ajudaram a puxar o resultado de 2022 para o negativo. No ano, o montante passou de US$ 361,4 bilhões, em 3 de janeiro, para os atuais US$ 326,2 bilhões, em 10 de outubro, uma perda nominal de US$ 35,1 bilhões – ou 9,7% no período.

Se comparado com o maior nível nominal da história, registrado em 2019, a queda é ainda maior, de US$ 64,2 bilhões. O montante foi reduzido de US$ 390,5 bilhões, no dia 25 de junho daquele ano, para US$ 326,2 bilhões, em 10 de outubro de 2022, um recuo de 16%.

 

Confira, abaixo, a série histórica das reservas internacionais brasileiras.

 

Mas a queda preocupa?

 

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, não.

 

“A perspectiva é de redução [das reservas] pelo menos nos próximos meses. Mas, no meu ponto de vista, nada preocupante, porque o nosso nível de passivo externo líquido é muito positivo”, explica.

Ele também destaca que, como o Brasil tem, atualmente, um nível de reservas muito próximo à dívida externa total, está em um patamar que pode ser considerado confortável.

 

“A gente tem muito mais recursos no nosso ativo do que no passivo. Então, ele é líquido, ou seja, está sobrando dinheiro para honrar todos os compromissos que o Brasil tem”, diz.

 

André Galhardo também descarta um cenário preocupante, mas pondera: “diversos estudos mostram que o patamar brasileiro é confortável. Ainda assim, essa diminuição tão rápida nos últimos dias liga um ponto de alerta. Por ter chegado a um nível que não era visto desde 2011, é um ponto de atenção”, afirma.

 

Cenário global

 

Alex Agostini explica que o cenário global atual — de aumento nas taxas juros pelas grandes economias — tem gerado impactos diretos sobre as reservas brasileiras.

 

Isso porque as reservas são formadas a partir da entrada de moeda estrangeira no país. Nesse contexto, a alta taxa de juros de economias como a dos Estados Unidos e de países da Europa se torna um entrave: são muito mais atrativas para os investidores quando comparadas ao Brasil.

 

O motivo é que são economias consolidadas, com riscos muito menores do que a brasileira, que acaba atraindo menos investidores, mesmo que nosso país tenha a maior taxa de juros real do planeta.

 

Agostini destaca que há ainda a incerteza diante da política brasileira, em meio às eleições, o que gera cautela por parte do mercado.

Entenda as reservas internacionais

 

Galhardo resume as reservas como “recursos em moeda estrangeira ou equivalente em títulos financeiros, que o Banco Central guarda para eventuais problemas nas contas externas”.

 

O gestor desses recursos é o BC. Mas o governo também pode usar as reservas para, por exemplo, abater dívidas externas e para interferir no câmbio.

 

Alex Agostini explica que essa atuação pode interferir diretamente na inflação do país. “Caso o real tenha muita desvalorização, isso tem impacto nos preços internacionais de commodities. Por sua vez, impacta a inflação. Então, o BC atua justamente dessa forma, para garantir a estabilidade da moeda estrangeira aqui no Brasil.”

Para que servem as reservas internacionais?

 

O Brasil adota um regime de câmbio flutuante. Isso significa que o valor do dólar flutua livremente sobre o real, de acordo com a oferta e a demanda da moeda pelo mercado. Na prática, quanto mais dólar no país, menos valorizado ele vai estar frente ao real.

 

As reservas internacionais funcionam, nesse contexto, como um colchão de segurança. Ajudam a atenuar oscilações bruscas do real diante do dólar (com o BC comprando ou vendendo dólares), dando maior previsibilidade e segurança para os agentes do mercado.

 

Segundo o Banco Central, a “alocação das reservas internacionais (ou seja, onde o dinheiro é investido) é feita de acordo com o tripé segurança, liquidez e rentabilidade, nessa ordem”.

Se um país tem reservas em volume confortável, fica menos sujeito a ataque especulativo e tem menor volatilidade cambial.

 

“De modo geral, se você tem reservas internacionais, você tem segurança internacional. Os empresários não vão pensar duas vezes antes de fazer um ataque especulativo [retirada volumosa de dinheiro ao mesmo tempo]. Isso esvazia as reservas rapidamente e cria um processo de desvalorização do câmbio”, explica Galhardo.

 

“Então, além de blindar o país e atenuar essas volatilidades, ter boas reservas estrangeiras também permite que o Banco Central atue no mercado vendendo dólar à vista e quite obrigações internacionais no curto prazo”, finaliza.

Qual a composição das reservas brasileiras?

 

Segundo o último relatório de Gestão das Reservas Internacionais do Banco Central, as reservas brasileiras encerraram 2021 distribuídas da seguinte forma, em moedas:

 

  • dólar norte-americano: 80,34%
  • euro: 5,04%
  • renminbi (China): 4,99%
  • libra esterlina (Reino Unido): 3,47%
  • ouro: 2,25%
  • iene (Japão): 1,93%
  • dólar canadense: 1,01%
  • dólar australiano: 0,97%

 

Divisão considerando os tipos de investimentos da reserva brasileira:

 

  • títulos governamentais: 89,26%
  • depósitos em bancos centrais e em organismos supranacionais: 3,61%
  • títulos de agências: 1,64%
  • ETFs de índices de ações: 1,13%
  • títulos de organismos supranacionais: 0,63%
  • depósitos em bancos comerciais: 0,47%
  • ETFs de Corporates Investment Grade: 0,44%
  • ouro: 2,25%
  • outras classes de ativos, como títulos de governos locais: 0,58%

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/10/19/reservas-internacionais-do-brasil-atingem-patamar-mais-baixo-desde-abril-de-2011.ghtml

Entenda o que é o orçamento secreto, e por que ele é criticado

FGTS: depósitos futuros poderão ser utilizados na compra de casa própria; entenda

Em vez de acumular o saldo no FGTS e usar o dinheiro para amortizar ou quitar o financiamento, como ocorre atualmente, o empregado terá bloqueados os depósitos futuros do empregador no Fundo de Garantia. Veja quem tem direito e quais os riscos da operação.

Por g1

O Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) — formado pelo governo, representantes dos empregados e dos patrões — aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (18), a possibilidade do uso de depósitos futuros nas contas vinculadas dos trabalhadores na compra de casas populares.

A proposta é fazer com que a previsão dos depósitos entre no cálculo de renda de quem tenta comprar a casa própria, e, com isso, os valores fiquem bloqueados para o pagamento do financiamento imobiliário.

Quem tem direito?

 

A medida vale somente para famílias com renda mensal bruta de até R$ 2,4 mil.

 

Na prática, a medida institui uma espécie de consignado do FGTS. Em vez de o dinheiro depositado mensalmente ir para a conta do trabalhador, será descontado para ajudar a pagar as prestações e diminuir mais rápido o saldo devedor do imóvel popular.

 

“Uma família [com as regras anteriores] consegue acessar um financiamento com prestação de R$ 500. Mas o imóvel que ela deseja teria que pegar um financiamento com a prestação de R$ 600. Com a medida, vai poder utilizado o crédito futuro que ela tem pra fazer a complementação e acessar esse imóvel que não conseguiria sem essa medida”, explicou Helder Lopes Cunha, do Ministério do Desenvolvimento Regional.

De acordo com ele, a medida será importante para famílias de renda mais baixa.

Quando começa a valer?

 

Foi estabelecido um prazo de três meses para regulamentação dos procedimentos operacionais pelas instituições financeiras. Deste modo, a modalidade estará disponível somente a partir de janeiro de 2023.

Quais são os riscos?

 

Esse tipo de operação não está isento de riscos. Em vez de acumular o saldo no FGTS e usar o dinheiro para amortizar ou quitar o financiamento, como ocorre atualmente, o empregado terá bloqueados os depósitos futuros do empregador no FGTS.

 

Caso o trabalhador perca o emprego, ficará com a dívida, que passará a incidir sobre parcelas de maior valor. Se ficar desempregado durante muito tempo, além de ter a casa tomada, o mutuário ficará sem o FGTS.

 

O Ministério do Desenvolvimento Regional informou, por meio de nota, que o risco das operações será assumido pelos bancos e que continua valendo a regra atual de pausa no pagamento das prestações por até seis meses por quem fica desempregado. O valor não pago é incorporado ao saldo devedor, conforme acordo entre a Caixa Econômica Federal e o Conselho Curador do FGTS.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/10/18/fgts-depositos-futuros-poderao-ser-utilizados-na-compra-de-casa-propria-entenda.ghtml