NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Pedido ainda vai ser analisado pelo tribunal de contas. Procurador alega que viu intenção meramente eleitoreira na concessão dessa modalidade de empréstimo.

Por Camila Bomfim, GloboNews — Brasília

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu para a Corte suspender a concessão de crédito consignado do Auxílio Brasil pela Caixa Econômica Federal. O pedido foi feito pelo subprocurador Lucas Furtado, que viu indícios de desvio de finalidade e objetivo meramente eleitoral no benefício.

Segundo o pedido, há risco de prejuízo para a Caixa e para o erário.

 

O procurador pede que “seja adotada medida cautelar determinando à Caixa Econômica Federal que, independentemente de eventuais arranjos legais e infralegais, se abstenha de realizar novos empréstimos consignados para os beneficiários do Auxílio Brasil até que essa Corte de Contas se manifeste definitivamente sobre o assunto”.

No despacho, Furtado também pede que o TCU tome medidas para “conhecer e avaliar os procedimentos adotados pela Caixa Econômica Federal para a concessão de empréstimos consignados aos beneficiários do Auxílio Brasil, de modo a impedir sua utilização com finalidade meramente eleitoral e em detrimento das finalidades vinculadas do banco, relativas à proteção da segurança nacional ou ao atendimento de relevante interesse coletivo”.

Regras do consignado do Auxílio Brasil

 

Desde terça-feira (11) passada, a Caixa oferece o empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil com juros de 3,45% ao mês. Outras 11 instituições financeiras também estão habilitadas a conceder o empréstimo.

 

Alguns dos bancos habilitados, no entanto, informaram que não darão continuidade à operação, ainda não disponibilizaram ou ainda estão estudando como será a oferta.

 

De acordo com o Ministério da Cidadania, o valor máximo que poderá ser contratado será aquele em que as parcelas comprometam até 40% do valor mensal do benefício. Mas em vez de ser considerado o valor mínimo atual do benefício de R$ 600, que só vale até dezembro, valerá o de R$ 400. Assim, o valor da parcela será de no máximo R$ 160.

O número máximo de parcelas será de 24, e a taxa de juros não poderá ser superior a 3,5% ao mês. Cada instituição financeira pode adotar taxas menores, dependendo da negociação com o tomador do empréstimo.

Críticas

 

A oferta de crédito consignado por meio do Auxílio Brasil tem sido criticada por especialistas e entidades. Eles alegam que a medida pode ser danosa à população, porque os recursos do programa de transferência de renda costumam ser utilizados para gastos básicos de sobrevivência.

 

Com o empréstimo, no entanto, o cidadão pode ter até 40% do benefício descontado antes do pagamento. Bancos privados já teriam manifestado ausência de interesse em operar a linha de crédito.

 

Fazer um empréstimo consignado ligado ao Auxílio Brasil pode valer a pena para quem tem alguma necessidade urgente e inadiável – mas não para pagar as contas do dia a dia, ou para fazer compras desnecessárias.

 

Isso porque o crédito pode comprometer a renda disponível do beneficiário por um longo prazo. Assim, pode faltar dinheiro por vários meses para fazer gastos essenciais, como alimentação.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/10/18/ministerio-publico-junto-ao-tcu-pede-suspensao-do-consignado-do-auxilio-brasil.ghtml

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Custo de vida alto e cenário econômico incerto freiam vontade de consumir, mostra pesquisa

Estudo da EY mostra que famílias têm eliminado a compra de itens supérfluos e aumentado o consumo de produtos de marca própria e de itens essenciais em uma tentativa de evitar o corte de produtos considerados importantes em sua cesta de consumo.

Por Marta Cavallini, g1

A instabilidade macroeconômica e a incerteza em relação ao mercado de trabalho aumentam o pessimismo dos brasileiros nos próximos meses, independentemente do resultado das urnas.

 

É o que mostra a 10ª edição do estudo Future Consumer Index (FCI), produzido pela EY e que analisa o comportamento de consumo em diversos países do mundo.

 

Se, em outubro de 2021, 50% dos entrevistados tinham perspectiva positiva para os 3 ou 4 meses seguintes, esse número caiu para 33% em julho deste ano.

 

No caso do Brasil, a principal preocupação dos entrevistados no curto prazo é a deterioração do ambiente macroeconômico. A alta da inflação, em especial no preço dos alimentos, deixa 73% dos entrevistados extremamente preocupados com os custos de produtos e serviços básicos. Isso faz com que 42% se preocupem com o acesso às necessidades básicas e 91% tenham algum grau de preocupação com suas finanças.

Apesar da perspectiva menos otimista no curto prazo, o brasileiro segue com boas expectativas futuras: 79% acreditam que sua vida será melhor daqui a 3 anos.

 

As gerações Z (12 a 25 anos) e milennials (26 a 41 anos) foram as únicas que superaram o índice geral: a perspectiva futura positiva abrange 91% da geração Z e 88% dos milennials.

 

Os mais pessimistas em relação às perspectivas futuras são os baby boomers (58 a 74 anos) e a geração silenciosa (acima de 75 anos), com índices de 62% e 24%, respectivamente.

 

Na visão dos consumidores entrevistados, o cenário deverá continuar em 2023: o custo de vida segue sendo a principal preocupação para o próximo ano, com itens como a alta dos combustíveis (75%), energia/água /serviços públicos (72%), das compras básicas (67%) e de saúde (66%) se mostrando muito relevantes para a formação das expectativas.

 

Consumidor prioriza novas marcas e produtos essenciais

 

A alta da inflação diminuiu o poder de compra de grande parte da população e fez com que o preço se tornasse, desde o ano passado, o principal critério de compra. Assim, as famílias têm eliminado a compra de itens supérfluos e aumentaram o consumo de produtos de marca própria (private label) e de itens essenciais, em uma tentativa de evitar o corte de produtos considerados importantes em sua cesta de consumo.

Esse movimento é mais intenso na população de menor poder aquisitivo, em que 67% estão comprando proporcionalmente mais itens essenciais, contra 40% na classe alta.

 

Além disso, mais pessoas deixaram de comprar produtos não-essenciais – 58% dos entrevistados acreditam que gastarão menos com esses itens nos próximos 3 ou 4 meses e 56% estão comprando somente itens essenciais.

 

Para driblar os reajustes de preços, 46% buscam novas marcas de produtos e 36% estão trocando marcas tradicionais por marcas próprias (private label), inclusive na cesta básica. As categorias que mais entram nessa preferência são alimentos frescos (58%), cuidados com a casa (56%) e roupas, sapatos e acessórios (40%).

 

Apesar da intenção de realizar compras alinhadas a seus ideais e aspirações, o preço é um impeditivo para que isso aconteça: 83% dos brasileiros dizem que serão mais cuidadosos com seus gastos futuros e 78% afirmam que serão mais focados no valor do dinheiro.

Meios digitais ajudam na pesquisa de preços

 

Na busca dos consumidores por opções mais baratas, os meios digitais ganham força como ferramenta de consulta.

 

Redes sociais, aplicativos e mecanismos de busca são considerados as principais formas de obter informações confiáveis sobre preço e desempenho. Além disso, os brasileiros estão dispostos a fornecer dados pessoais para receber promoções personalizadas (71%) e recomendações de produtos mais baratos (68%).

 

As gerações mais novas se dizem mais dispostas a compartilhar seus dados, apesar de a preocupação com a privacidade ser similar à das gerações mais velhas (75% contra 78%). Além disso, 54% se dizem preocupados com a segurança ao comprar produtos e serviços online.

Pandemia mudou hábitos

 

A ideia de retorno ao cotidiano nos moldes pré-pandemia parece descartada. Os dados da pesquisa mostram que 39% dos brasileiros dizem que vão ficar mais tempo em casa e 42% pedirão mais produtos online no futuro, ao mesmo tempo em que 35% voltarão a visitar lojas físicas como faziam no passado.

Menos dinheiro e mais digital

 

O avanço da digitalização também se reflete na hora de pagar o produto adquirido. No total, 73% dos respondentes pretendem usar menos dinheiro vivo em suas compras nos próximos três anos.

 

Além disso, 20% usaram moedas digitais nos últimos 3 meses, mostrando uma mudança de comportamento e de aceitação das novas modalidades de pagamento.

 

Pagamentos instantâneos, como o PIX, ganharam espaço, ao mesmo tempo em que soluções como carteiras digitais e cashback se tornaram elementos mais importantes na decisão de compra dos consumidores.

 

Para os consumidores, o uso conjunto de canais físicos e digitais agrega valor à experiência de compra.

 

Embora 37% dos entrevistados considerem que as marcas são importantes na decisão de compra, essa importância está sujeita à possibilidade de transitar sem atritos do físico para o digital e vice-versa.

 

Canais de compra por categorias de produtos — Foto: Reprodução

Canais de compra por categorias de produtos — Foto: Reprodução

 

Ainda que 46% dos entrevistados acreditem que farão compras online com mais frequência no curto prazo, eles consideram que no futuro o principal canal de compras de alimentos serão as lojas físicas. Nos demais segmentos do varejo, o consumidor já se enxerga comprando predominantemente online.

 

De acordo com o estudo, nesse período de pós-pandemia, o crescimento do digital perdeu força, em parte pela forte base de comparação, mas principalmente devido à queda do poder de compra dos brasileiros.

“Mesmo tendo crescido menos, o digital continua tendo grande importância para o contexto competitivo das empresas, uma vez que o consumidor transita muito bem entre canais físicos e digitais e, especialmente em categorias de maior valor agregado, o digital tem um papel chave no processo de decisão de compra”, informa o estudo.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/10/18/custo-de-vida-alto-e-cenario-economico-incerto-freiam-vontade-de-consumir-mostra-pesquisa.ghtml

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Eleições 2022: pastores fazem pressão por voto e ameaçam fiéis com punição divina e medidas disciplinares

Líderes e associação religiosa ameaçaram aplicação de medidas disciplinares contra membros que adotem filosofias alinhadas à esquerda.

Por BBC

Em um vídeo com mais de 300 mil visualizações no Instagram, a ministra evangélica Valnice Milhomens instiga os fiéis a não votarem em candidatos à Presidência que apresentam “um programa contrário ao reino de Deus”.

Toda vestida de verde, amarelo e azul, ela afirma que cada fiel “vai responder diante de Deus pelo seu voto”.

 

Milhomens tem 320 mil seguidores no Instagram e 137 mil inscritos em seu canal no YouTube. Ela é uma das muitas líderes religiosas evangélicas que têm feito campanha pelo presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

 

A ministra e presidente da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo não menciona Bolsonaro nominalmente em suas postagens e discursos, mas as cores escolhidas para os vídeos e o discurso são os da campanha do atual mandatário. Ela também já participou de celebrações religiosas ao lado do presidente e sua família.

Milhomens ainda tem promovido um movimento de oração e jejum nos dias que antecedem o segundo turno das eleições presidenciais. Em um guia divulgado no site do Conselho Apostólico Brasileira (CAB), os fiéis podem seguir um roteiro de orações, entre as quais há uma com o nome de Jair Bolsonaro.

 

O programa de 21 dias vai até 29 de outubro e tem sido divulgado nas redes sociais por diversos pastores de diferentes denominações.

 

Já o pastor André Valadão é muito mais direto em seus pronunciamentos. “Vamos para cima! A vitória do Bolsonaro nesse segundo turno tem que ser grande!”, diz em um dos vídeos postados em seu Instagram, onde acumula 5,3 milhões de seguidores.

 

“Tem que votar certo, se não você não é crente não”, afirmou também em um vídeo gravado ao lado do atual presidente, usando o bordão que se popularizou em suas redes sociais.

Valadão é fundador da Lagoinha Orlando Church, na Flórida, nos Estados Unidos, e cantor gospel. Em suas redes, responde com frequência perguntas de fiéis e seguidores sobre religião e política.

 

E tão comum quanto as postagens que exaltam Bolsonaro, são as que criticam a esquerda e, em especial, o ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Em uma postagem do dia 4 de outubro, pouco após o primeiro turno das eleições, uma usuária mandou o seguinte comentário para o perfil do pastor: “Sou cristã e não votei no Bolsonaro #forabolsonaro”.

 

Valadão respondeu: “Você pode até ser cristã, mas é desinformada. Ou talvez escolhe caminhar na ignorância, sem entender que tudo o que a esquerda oferece é tudo que é fora dos valores cristãos”.

 

Em reação a outra pergunta, o religioso escreveu que crente que vota em Lula é “um absurdo”.

Punição a membros de esquerda

 

O discurso político combativo se repete entre outros pastores que possuem uma ampla gama de seguidores, algumas vezes até com ameaças contra os fiéis que se recusam a seguir a orientação de voto.

 

Um vídeo em que um pastor da Assembleia de Deus afirma que os evangélicos que declararem voto em Lula serão proibidos de tomar a Santa Ceia circulou nas redes sociais em agosto.

“Eu ouço crentes dizendo: vou votar no Lula. Você não merece tomar a ceia do Senhor se você continuar com esse sistema”, diz o pastor Rúben Oliveira Lima, da Assembléia de Deus em Botucatu, interior de São Paulo.

 

Em outro momento do vídeo, ele afirma, se referindo ao ex-presidente Lula: “Se eu souber de um crente membro dessa igreja que votou nesse infeliz, eu vou disciplinar”. Ele não deixa claro o que quer dizer com disciplinar.

Um documento discutido em plenário durante uma assembleia em 4 de outubro da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus do Estado de São Paulo (Confradesp), um dos braços mais fortes da Assembleia de Deus, fala de “aplicação de medidas disciplinares” contra membros que adotem filosofias que, segundo eles, entram em choque com os princípios cristãos.

O texto a que a BBC News Brasil teve acesso afirma que a Convenção não aceitará em seus quadros ministros que defendam, pratiquem ou apoiem, por quaisquer meios, ideologias contrárias aos princípios morais e éticos defendidos por ela. O documento cita um posicionamento contrário à “Desconstrução da Família Tradicional, Erotização das Crianças, Ampla Liberação do Aborto” e outros.

 

“Os Ministros que comprovadamente defenderem pautas de esquerda, dentro da cosmovisão marxista, serão passíveis de representação perante o Conselho de Ética e Disciplina, assegurado o contraditório e a ampla defesa”, diz a carta.

 

A resolução foi aprovada pouco depois de o presidente Jair Bolsonaro participar de um culto para os fiéis presentes à assembleia, na Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste de São Paulo.

 

Durante esse mesmo culto, diversos líderes religiosos falaram a favor do presidente e a primeira-dama Michelle Bolsonaro cobrou das igrejas evangélicas um posicionamento no segundo turno das eleições de 2022.

“A gente queria vitória, sim, no primeiro turno. Mas a gente entendeu, irmãos, que se a gente tivesse recebido a vitória no primeiro turno, talvez a igreja não estivesse preparada para isso. A gente precisa se voltar ao Senhor. A igreja precisa se posicionar, a igreja precisa aprender”, disse ela.

A Confradesp é liderada por José Wellington Bezerra da Costa, um dos pastores mais influentes do Brasil. Seu filho, o também pastor e líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) José Wellington Costa Junior, disse em um culto no início de maio que o ex-presidente Lula não deve ser recebido nas igrejas que ele comanda.

“O inferno não tem como entrar em lugar santo. Aqui é lugar santo”, disse, em referência ao PT e a Lula. “É bom que nos conscientizemos disso. Você, pastor, vai ser procurado sorrateiramente [por petistas], dizendo que é só uma visita. É um laço do Diabo!”.

‘Não vamos impor nossa vontade a ninguém’

 

Outro líder religioso que declarou seu apoio à candidatura de Bolsonaro foi o apóstolo Estevam Hernandes, pastor da Renascer em Cristo e idealizador da Marcha para Jesus. Ele é hoje um dos principais cabos eleitorais do atual presidente.

 

O apóstolo, que é dono do canal de televisão Rede Gospel e apresenta um programa de rádio e televisão na emissora, utiliza frequentemente as cores verde e amarelo durante cultos e nas fotos e vídeos que posta nas redes sociais.

 

Em sua página no Instagram, que tem 1 milhão de seguidores, o líder religioso utiliza uma foto de perfil em que aparece ao lado de Bolsonaro. Ele também compartilha com frequência cliques ao lado de outros candidatos, entre eles o aspirante a governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

 

Em suas participações na televisão, o apóstolo não cita nominalmente nenhum candidato, mas fala de temas como a “destruição da família” e o “apoia ao aborto”. Ele também costuma divulgar eventos com a participação de outras lideranças religiosas em que se discute política e o apoio a Bolsonaro.

 

À BBC News Brasil, Hernandes afirmou que ele e sua igreja defendem “os valores cristãos, mas não vamos impor nossa vontade a ninguém”. “Acredito que ele defende os mesmos valores que nós cristãos, da importância da família, e contra o aborto, por exemplo”, disse sobre o atual presidente.

“Eu acredito que temos o direito de defender os candidatos que representam os valores e demandas da igreja, mas de maneira nenhuma fazemos disso uma imposição. Da mesma forma, tenho o direito de me posicionar em minhas redes sociais sobre o que acredito. Mas não estamos impondo nada a ninguém e nem usando o púlpito para isso”, afirmou o fundador e líder da Igreja Renascer em Cristo em respostas enviadas por escrito à reportagem.

 

Assim como a ministra Valnice Milhomens, o apóstolo tem divulgado o programa de jejum e oração para o período que antecede o segundo turno das eleições. O líder religioso afirma que sua igreja realiza jejuns com frequência desde a sua fundação.

 

“O objetivo do jejum é ter um período especial de consagração em que buscamos orar e estar ainda mais próximos de Deus. Neste jejum, em especial, estaremos orando também pelo país e pelas próximas eleições, mas, como falei, jejuamos sempre.”

‘Falso cristão’

 

Bolsonaro não é o único que recebeu apoio de lideranças religiosas. O ex-presidente Lula também tenta reunir votos do eleitorado cristão por meio de pastores e padres. O petista também vem tentando reforçar sua imagem como cristãos em suas campanhas e redes sociais, rebatendo algumas das críticas e acusações feitas contra ele.

Mas enquanto o atual presidente recebeu apoio de grandes igrejas e denominações e de pastores midiáticos com uma ampla rede de seguidores, Lula é apoiado principalmente por quadros dissidentes e igrejas menores.

 

O petista tem ao seu lado, por exemplo, Paulo Marcelo Schallenberger, que se identifica em suas mídias como “o pastor solitário de Lula”.

 

O religioso faz parte da Assembleia de Deus, mas afirma ter sido afastado dos cultos formais na igreja por conta de seus posicionamentos. Hoje se dedica principalmente a palestras em outras igrejas. “Passei a me posicionar primeiro contra o governo Bolsonaro, só depois me aliei publicamente ao Lula. Mas sempre votei nele e na ex-presidente Dilma [Rousseff]”, disse à BBC Brasil.

 

Além de pastor, Schallenberger concorreu a deputado federal neste ano pelo Solidariedade, mas não foi eleito.

 

Ele afirma guardar as discussões de políticas e suas opiniões pessoais para discussões após o culto ou fora da igreja. “Há um exagero na discussão de política dentro das igrejas, especialmente entre aqueles que cultivam uma certa idolatria em relação ao Bolsonaro.”

 

O pastor também usa as redes sociais com frequência para falar da corrida eleitoral. Em uma postagem compartilhada no Instagram após o primeiro turno das eleições, Bolsonaro é classificado como “falso cristão”. O post cita a relação do atual presidente com a Arábia Saudita e o príncipe Mohammad bin Salman.

“Um cristão não pode se comportar da forma que ele se comporta, seja na forma de falar ou na vida”, diz. “Não tem como se dizer cristão e não sentir empatia, se solidarizar ou derramar uma lágrima sequer por quem morreu na pandemia.”

 

Há cerca de duas semanas, o pastor também publicou em suas redes sociais um vídeo adulterado em que o atual presidente afirma que a primeira-dama cumpriu três anos de prisão por tráfico de drogas. Trata-se de um áudio falso, manipulado a partir de uma declaração dada em 2019. Na realidade, Bolsonaro comentava sobre a avó de sua esposa.

 

Questionado pela reportagem sobre o post, o líder religioso afirmou que não sabia que se tratava de uma fake news quando postou, mas que foi avisado posteriormente. “Já apaguei do meu Twitter, mas alguém da minha equipe deve ter esquecido de deletar do Instagram. Vou verificar”, disse. O vídeo foi apagado posteriormente.

 

Outra liderança religiosa que declarou seu voto em Lula foi o bispo Romualdo Panceiro, ex-número 2 da Universal e atual líder da Igreja das Nações do Reino de Deus.

 

A Aliança de Batistas do Brasil, uma organização que prega a “livre interpretação da Bíblia”, a “liberdade congregacional” e a “liberdade religiosa” para todas as pessoas, também se posicionou a favor do petista, afirmando ser contra o “governo perverso e mau que está no poder”.

Lei proíbe propaganda eleitoral em igrejas

 

Segundo a lei eleitoral, é proibido veicular propaganda eleitoral de qualquer natureza em templos religiosos. Esses espaços são definidos como “bens de uso comum”, assim como clubes, lojas, ginásios e estádios.

 

“Falar bem de um determinado candidato não é propaganda eleitoral, mas comparar dois nomes e dizer, por exemplo, que um representa o bem e o outro o mal, pode ser considerado propaganda”, explica o advogado eleitoral Alberto Rollo.

 

A Lei das Eleições, de 1997, estabelece como propaganda eleitoral não apenas declarações, mas também exposição de placas, faixas, cavaletes, pinturas ou pichações. O mesmo vale para ataques a outros candidatos – a chamada campanha negativa.

 

O descumprimento da lei pode gerar multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil. “A multa é aplicada para quem fez a propaganda ou para o candidato beneficiado”, diz Rollo.

 

O especialista explica ainda que igrejas são consideradas pessoas jurídicas e, pela lei, nenhum candidato pode ser financiado por empresas. Transgressões são consideradas abuso de poder econômico e podem levar ao cancelamento do registro da candidatura ou à perda do cargo.

 

Veículos ou meios de comunicação social, incluindo os religiosos, também não podem atuar em benefício de candidato ou de partido político.

Segundo Rollo, porém, declarações feitas nas redes sociais pessoais de líderes religiosos não se enquadram na regra. “Os pastores são cidadãos e pessoas físicas, não jurídicas, portanto aquilo que dizem em suas redes sociais pessoais não está sujeito a essa lei. Mas essas declarações não podem acontecer nas redes sociais da própria igreja, por exemplo.”

 

Há também, no Código Eleitoral, um artigo que proíbe o uso de ameaças para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido, sob pena de reclusão de até quatro anos e pagamento de multa.

‘Não vamos votar no novo papa’

 

Pastores moderados e lideranças religiosas criticam o uso da religião e do palanque de igrejas para fazer campanha e coagir fiéis a darem seus votos para determinados candidatos.

 

A pastora Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), ressalta que para além de qualquer proibição da lei eleitoral brasileira, fazer uso da posição de autoridade, de celebrações ou de canais de televisão religiosos para esse fim não é ético.

 

“Não creio que seja correto que lideranças religiosas se utilizem de sua autoridade perante os fiéis para estimular votos em candidatos específicos”, diz. “As lideranças religiosas são respeitadas, escutadas e têm uma legitimidade em suas comunidades.”

Para Valdinei Ferreira, professor de teologia e pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, há uma linha muito tênue que separa as convicções pessoais de pastores e outros religiosos de seu papel público. “Mas devemos evitar cruzar essa linha e usar a autoridade religiosa para respaldar ou legitimar nossa opção político partidária”, afirma.

 

“Eu me sinto tentado a me pronunciar em alguns momentos, mas resisto a fazer isso na condição de pastor e mais ainda usando o púlpito e o culto.”

 

Ferreira critica ainda o uso de discursos camuflados para apoiar determinadas ideologias políticas a partir de preceitos religiosos. “Há valores tanto da direita quanto da esquerda que são compatíveis com o evangelho. Dizer que cristão não vota em candidatos de uma determinada ideologia é manipulação”, afirma.

 

“No dia 30 de outubro [dia do segundo turno], não vamos votar no presidente de uma igreja ou no novo papa, mas no presidente do Brasil. As mobilizações precisam ser laicas, até porque a pessoa eleita vai governar ao longo de quatro anos um Brasil que é plural em termos de religião”, completa Romi Bencke.

 

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Ciro Gomes repete 2018 e ‘vai a Paris’ sem sair do Brasil

Derrotado na eleição presidencial, candidato se recusou a dizer nome de Lula ao declarar apoio e vive recluso em Fortaleza desde os 3% obtidos em 2 de outubro.

Por Bárbara Carvalho, da GloboNews

Fortaleza, 2 de outubro de 2022. Primeiro turno das eleições. Depois de votar, conceder uma breve entrevista coletiva e dizer que ia comprar figurinhas para o álbum da Copa do Mundo para o filho e tomar sorvete, Ciro Gomes foi para o seu apartamento, de frente para a praia, na Avenida Beira-Mar. Não acompanhou nenhum candidato votando. Como afirmou, foi para casa acompanhar a apuração e, sem sair do prédio, às 20h59, convocou os jornalistas para um pronunciamento no saguão do edifício.

Naquele momento se disse “profundamente preocupado” com o que estava assistindo acontecer no Brasil. “Eu nunca vi uma situação tão complexa, desafiadora e ameaçadora. Por isso, peço a vocês que me deem umas horas para conversar com meus amigos, com meu partido para decidir que rumo iremos tomar para melhor servir à nação brasileira”, complementou Ciro diante de nós, jornalistas.

Cheguei a perguntar se ele responderia uma pergunta sobre o apoio no segundo turno, mas ele já estava caminhando em direção ao elevador, e os assessores disseram que o encontro já tinha terminado.

 

A curiosidade e a preocupação sobre o apoio de Ciro não surgiram à toa. Em 2018, ele deu origem a uma série de memes –e críticas– ao viajar para Paris sem declarar apoio ao candidato do PTFernando Haddad.

 

O único ponto que deixou claro ao conceder uma entrevista – ao fim da apuração do primeiro turno, em frente ao mesmo prédio residencial – foi o de que não apoiaria Bolsonaro: “ele não”.

Naquele momento se disse “profundamente preocupado” com o que estava assistindo acontecer no Brasil. “Eu nunca vi uma situação tão complexa, desafiadora e ameaçadora. Por isso, peço a vocês que me deem umas horas para conversar com meus amigos, com meu partido para decidir que rumo iremos tomar para melhor servir à nação brasileira”, complementou Ciro diante de nós, jornalistas.

Cheguei a perguntar se ele responderia uma pergunta sobre o apoio no segundo turno, mas ele já estava caminhando em direção ao elevador, e os assessores disseram que o encontro já tinha terminado.

 

A curiosidade e a preocupação sobre o apoio de Ciro não surgiram à toa. Em 2018, ele deu origem a uma série de memes –e críticas– ao viajar para Paris sem declarar apoio ao candidato do PTFernando Haddad.

 

O único ponto que deixou claro ao conceder uma entrevista – ao fim da apuração do primeiro turno, em frente ao mesmo prédio residencial – foi o de que não apoiaria Bolsonaro: “ele não”.

Um assessor disse que ele não viajou e permanece em Fortaleza. O presidente do PDT, Carlos Lupi, também confirmou que ele segue em casa. O telefone utilizado pelo candidato durante a campanha está desligado e a ligação cai direto na caixa postal. O número não está vinculado a uma conta de WhatsApp.

 

No Twitter e no Instagram, a única postagem dele depois do pronunciamento foi uma foto ao lado de crianças e apoiadores em comemoração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, no dia 12 de outubro. Na TV Ciro e no YouTube, o último vídeo postado foi justamente o de apoio à decisão do PDT.

A campanha de Bolsonaro não esqueceu Ciro. No programa de rádio desta terça-feira, 18 de outubro, a campanha do candidato do PL usou uma fala de Ciro atacando Lula durante a corrida eleitoral.

G1

https://g1.globo.com/politica/blog/octavio-guedes/post/2022/10/18/ciro-gomes-repete-2018-e-vai-a-paris-sem-sair-do-brasil.ghtml

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Lula marca 47% das intenções totais de voto, Bolsonaro tem 42%, aponta Quaest

Segundo a pesquisa, 94% dos eleitores de Lula classificam a própria decisão como definitiva. No caso de Bolsonaro, a taxa é de 97%

Por Fabiana Holtz, Valor — São Paulo

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (19) mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções totais de voto, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, registra 42%. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 13, Lula pontuou 49% e Bolsonaro 41%. Eleitores dispostos a votar nulo ou em branco somam 6%. Outros 5% não souberam responder.

 

No critério votos válidos – que descarta votos nulos e em branco e é usado pela Justiça Eleitoral na totalização – a Quaest tem aplicado o cálculo conhecido como “likely voter”. Por esse critério, Lula tem 52,8% e Bolsonaro 47,2%. Trata-se de um instrumento que busca estimar o percentual de cada concorrente considerado, além das intenções de voto, a probabilidade de simpatizantes de cada candidato comparacer às urnas.

Bolsonaro segue liderando em rejeição, com 46%, enquanto 43% dizem conhecer e não votar em Lula. Na pesquisa anterior, a taxa de rejeição estava em 50% e 42%, respectivamente.

 

Com 2 mil entrevistas, com margem de erro do levantamento de 2 pontos, a pesquisa realizada entre os dias 16 e 18 de outubro tem taxa de confiança de 95%. Contratada pelo Banco Genial, está registrada com o código BR04387/2022.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/10/19/lula-marca-47percent-das-intencoes-totais-de-voto-bolsonaro-tem-42percent-aponta-quaest.ghtml

Ministério Público junto ao TCU pede suspensão do consignado do Auxílio Brasil

Denúncias de assédio eleitoral saltam de 45 para 431 entre 1º e 2º turnos, aponta MPT

Segundo procurador-geral do Trabalho, José de Lima Ramos Pereira, há uma ‘banalização’ desse tipo de ato, quando empregador ameaça ou intimida trabalhador para que vote em determinado candidato

Por Isadora Peron, Valor — Brasília

O procurador-geral do Trabalho, José de Lima Ramos Pereira, afirmou há pouco que o Ministério Público do Trabalho (MPT) já registrou 431 denúncias de assédio eleitoral e que houve um aumento do número de trabalhadores que tem procurado o órgão em relação ao primeiro turno, quando 45 denúncias foram relatadas.

 

Segundo Lima, há uma “banalização” desse tipo de ato, que é quando o empregador ameaça ou intimida o trabalhador para que ele vote em determinado candidato, ou ofereça algum tipo de benefício para tentar influenciar a escolha do trabalhador.

 

As declarações do chefe do MPT aconteceram depois de ele se reunir com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o encontro teve como objetivo trocar informações e alinhar a atuação dos órgãos. O vice-procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, também participou da reunião.

 

Lima apontou ainda que os números registrados este ano já ultrapassam os da eleição de 2018, quando houve 212 denúncias relativas a 98 empresas.

 

Segundo ele, é importante que se divulgue que esse tipo de prática por configurar tanto um ilícito trabalhista quanto crime eleitoral, para inibir novos casos.

 

Ele também afirmou que o MPT não investiga “candidatos” e sim empresas que praticam esse tipo de ato ilícito. Em representação apresentada ao órgão, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirmou que a maioria dos casos está relacionada a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

 

“A nossa preocupação não é com o candidato, a nossa preocupação é que a relação de trabalho não seja utilizada [para este fim]. Normalmente esses assédios, moral, sexual, são mais discretos. Agora não, houve uma banalização, como se fosse algo normal”, disse.

 

Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/10/18/denuncias-de-assedio-eleitoral-saltam-de-45-para-431-entre-1o-e-2o-turnos-aponta-mpt.ghtml