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JUSTIÇA SOCIAL

Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

DE LONDRES

Um relatório divulgado ontem mostrou que 23,4% da população da União Europeia -cerca de 115 milhões de pessoas- estava em situação de risco de pobreza ou de exclusão social no ano de 2010.

Os dados são fornecidos pela Eurostat, agência oficial de estatísticas da União Europeia, e mostram uma situação ainda pior na faixa etária até 18 anos: 27% dessa população está na zona de risco.

A situação, quando comparada aos anos anteriores, é de estabilidade: em 2009, o índice era de 23,1%. Quando confrontado com o compromisso dos países europeus de reduzir esse número em 20 milhões até 2020, torna-se pouco provável que a meta seja alcançada, especialmente com o continente em crise.

Para a Eurostat, esse índice de 23,4% engloba pessoas vivendo em risco de pobreza, com baixo padrão de vida ou morando em casas com baixa intensidade de trabalho.
 
Em 2010, os maiores índices estavam concentrados em países do Leste Europeu: Bulgária (42%), Romênia (41%), Letônia (38%), Lituânia (33%) e Hungria (30%). Os países com menor risco são República Tcheca (14%), Suécia e Holanda (15%), seguidos de Áustria, Finlândia e Luxemburgo (17%).

Nos países mais ameaçados pela crise econômica, o índice apresenta pequena variação entre 2009 e 2010. Na Espanha, subiu de 23,4% para 25,5%; em Portugal, foi de 24,9% para 25,3%; na Grécia, ligeira mudança, de 27,6% para 27,7%.

Para o estudo, pessoas em risco de pobreza são aquelas que vivem em casas com renda abaixo da linha de pobreza, estabelecida como 60% da renda mediana de cada país (considerando-se as transferências sociais).
 
Considera-se que tem baixa condição de vida aquele que não se enquadra em quatro dos seguintes itens: pagamento de aluguel e contas da casa em dia; manter a casa aquecida; lidar com despesas imprevistas; comer carne, peixe ou proteína a cada dois dias, férias de uma semana; carro, máquina de lavar; TV em cores e um telefone.

BRASIL

A linha de extrema pobreza no Brasil tem como limite renda mensal de $ 70.
 
A população que vive abaixo dessa linha soma 16,2 milhões de pessoas, 8,5% do total de habitantes do país.

A linha de pobreza é demarcada pela renda mensal de R$ 140, com cerca de 30 milhões de pessoas (15,5% da população) vivendo nesta condição no Brasil. (RR)
Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

Inflação menor e alta do mínimo vão puxar ganho real em 2012

TRABALHO
Reajustes tendem a ser mais altos que os do ano passado, mas dificilmente vão superar o recorde de 2010. Negociações devem ser mais duras no primeiro semestre
A inflação mais baixa, o reajuste de 14% no salário mínimo e o baixo nível de desemprego prometem favorecer os trabalhadores na hora de negociar salários em 2012. A expectativa é de que boa parte das categorias alcance ganhos reais – acima da inflação – neste ano. Mas os reajustes dificilmente vão superar o recorde de 2010, já que a desaceleração da economia global também deve pesar na queda de braço entre patrões e empregados.

O escritório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná estima que, na média, os ganhos reais devem superar os registrados no ano passado, estimados em 1,4% (os números oficiais ainda não foram fechados), mas não devem ultrapassar os de 2010, de 1,55%.
Análise

Com famílias endividadas, reajustes não devem forçar a inflação

Em 2012, ao contrário dos dois últimos anos, o ganho real nos reajustes salariais dificilmente será revertido totalmente em consumo e pressionará a inflação. “As famílias estão mais endividadas. O ganho real não vai significar grandes pressões de demanda e inflação”, diz Luciano D’Agostini, diretor da Inva Capital, que prevê que a inflação deve convergir para o centro da meta no começo do segundo semestre.

O crescimento da economia deve garantir geração de vagas no mercado de trabalho, ainda que em ritmo menor, o que é um fator que pesa a favor do empregado, segundo Cid Cordeiro, do Dieese-PR. “Um crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] de 2% significa estabilidade no mercado. A partir de 3% teremos crescimento de emprego”, diz.

A previsão é de que o ganho seja destinado ao pagamento de dívidas, uma vez que a desaceleração da economia ao longo de 2011 já se refletiu na queda de consumo no Natal – que veio combinada a uma maior inadimplência.


O primeiro semestre deve ser mais difícil para as negociações, principalmente pelo fato de a economia ainda estar se recuperando da desaceleração do fim do ano passado. Segundo Cid Cordeiro, analista do Dieese-PR, essa dificuldade, somada ao mercado de trabalho ainda aquecido, favorece a realização de greves – recentemente, cerca de 1,8 mil trabalhadores de transporte de valores cruzaram os braços por quase uma semana para reivindicar um aumento nominal de 13%. Além dos vigilantes, gráficos, comerciários, motoristas de transporte urbano e funcionários municipais negociam salários na primeira metade do ano.

Para o segundo semestre, quando são realizadas as negociações de categorias de peso, como metalúrgicos, petroquímicos e bancários, a expectativa é mais otimista. “Na segunda metade do ano, a economia já estará crescendo na casa dos 4%, o que vai contribuir para as negociações fluírem mais”, afirma Cordeiro.

Para o economista Luciano D´Agostini, diretor da Inva Capital, será um bom ano para o trabalhador negociar reajustes salariais, mas setores mais afetados pela crise internacional, como a indústria, tendem a ser mais resistentes na mesa de negociação. Segmentos exportadores, que viram a demanda encolher lá fora, permanecem com mais dificuldade para negociar ganhos acima da inflação.

A LCA Consultores estima que o rendimento médio real do brasileiro cresça 3,1% em 2012, contra os 2,75% registrados em 2011, mas ainda abaixo do de 2010 (3,8%). Esse ganho reflete, segundo a consultoria, o efeito do salário mínimo, que é um indexador de 25% da população ocupada, e a inflação menor.

“Contudo, com o arrefecimento da atividade econômica doméstica no fim de 2011 e seus efeitos defasados sobre o mercado de trabalho em 2012, é possível que parte das rodadas de negociação salarial (sobretudo ao longo do 1.º semestre) de 2012 não sejam tão frutíferas como as vistas na primeira metade de 2011”, diz a LCA em relatório.

Acordo antecipado

Este ano também será diferente porque alguns aumentos já foram fechados antecipadamente. A Renault, por exemplo, acertou no ano passado um acordo em que vai pagar em 2011 um reajuste real de 3% para os funcionários, além de R$ 15 mil de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e abono de R$ 5 mil corrigido pela inflação.

O aumento nominal de 14% no salário mínimo, que passou a valer em janeiro, também deve influenciar o salário mínimo regional, que no ano passado acompanhou o nacional, com reajuste de 6,9%. O salário regional é pago a cerca de 1,3 milhão de pessoas no Paraná.

Aumento do piso move R$ 500 mi no Paraná

O aumento do salário mínimo, em vigor desde janeiro, deve colocar em circulação na economia do Paraná aproximadamente R$ 500 milhões em 2012, segundo estimativa do Dieese-PR. Serão cerca de R$ 38,5 milhões a mais por mês, pelos cálculos do analista Cid Cor­deiro. Em todo o Brasil, o au­­mento deve gerar um adicional de R$ 47 bilhões.

A conta do Paraná considera apenas a população ocupada que ganha um mínimo – cerca de 500 mil pessoas. Mas o aumento de 14% no valor do benefício, que passou de R$ 545 para R$ 644, pressionará também outras categorias, sobretudo aquelas que tradicionalmente têm pisos mais baixos.

Em janeiro, os cerca de 46 mil trabalhadores da área de asseio e conservação do estado fecharam um acordo para um reajuste nominal de 14,97% – 8,4% de aumento real. No ano passado, com a inflação mais salgada, o ganho real foi bem inferior, de 0,7%.

Achatamento

“A alta do mínimo acaba achatando os pisos, o que, por sua vez, aumenta a pressão para reajustes maiores. No ano passado a inflação estava maior, o que dificultou o ganho real”, lembra Vilson Trevisan, consultor econômico do Sin­dicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac) no Paraná.

Com reajustes elevados nos últimos anos, o salário mínimo vem “engolindo” os pisos salariais das categorias. Entre 2004 e 2011, o mínimo mais que dobrou; o valor médio dos pisos, por sua vez, subiu 68%.

Em 2004, os menores salários das categorias sindicalizadas representavam, em média, 1,7 salário mínimo. Em 2011, a relação caiu para 1,3, e deve recuar mais em 2012, dada a expectativa de crescimento mais lento da economia.
Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

Inflação menor e alta do mínimo vão puxar ganho real em 2012

TRABALHO
Reajustes tendem a ser mais altos que os do ano passado, mas dificilmente vão superar o recorde de 2010. Negociações devem ser mais duras no primeiro semestre
A inflação mais baixa, o reajuste de 14% no salário mínimo e o baixo nível de desemprego prometem favorecer os trabalhadores na hora de negociar salários em 2012. A expectativa é de que boa parte das categorias alcance ganhos reais – acima da inflação – neste ano. Mas os reajustes dificilmente vão superar o recorde de 2010, já que a desaceleração da economia global também deve pesar na queda de braço entre patrões e empregados.

O escritório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná estima que, na média, os ganhos reais devem superar os registrados no ano passado, estimados em 1,4% (os números oficiais ainda não foram fechados), mas não devem ultrapassar os de 2010, de 1,55%.
Análise

Com famílias endividadas, reajustes não devem forçar a inflação

Em 2012, ao contrário dos dois últimos anos, o ganho real nos reajustes salariais dificilmente será revertido totalmente em consumo e pressionará a inflação. “As famílias estão mais endividadas. O ganho real não vai significar grandes pressões de demanda e inflação”, diz Luciano D’Agostini, diretor da Inva Capital, que prevê que a inflação deve convergir para o centro da meta no começo do segundo semestre.

O crescimento da economia deve garantir geração de vagas no mercado de trabalho, ainda que em ritmo menor, o que é um fator que pesa a favor do empregado, segundo Cid Cordeiro, do Dieese-PR. “Um crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] de 2% significa estabilidade no mercado. A partir de 3% teremos crescimento de emprego”, diz.

A previsão é de que o ganho seja destinado ao pagamento de dívidas, uma vez que a desaceleração da economia ao longo de 2011 já se refletiu na queda de consumo no Natal – que veio combinada a uma maior inadimplência.


O primeiro semestre deve ser mais difícil para as negociações, principalmente pelo fato de a economia ainda estar se recuperando da desaceleração do fim do ano passado. Segundo Cid Cordeiro, analista do Dieese-PR, essa dificuldade, somada ao mercado de trabalho ainda aquecido, favorece a realização de greves – recentemente, cerca de 1,8 mil trabalhadores de transporte de valores cruzaram os braços por quase uma semana para reivindicar um aumento nominal de 13%. Além dos vigilantes, gráficos, comerciários, motoristas de transporte urbano e funcionários municipais negociam salários na primeira metade do ano.

Para o segundo semestre, quando são realizadas as negociações de categorias de peso, como metalúrgicos, petroquímicos e bancários, a expectativa é mais otimista. “Na segunda metade do ano, a economia já estará crescendo na casa dos 4%, o que vai contribuir para as negociações fluírem mais”, afirma Cordeiro.

Para o economista Luciano D´Agostini, diretor da Inva Capital, será um bom ano para o trabalhador negociar reajustes salariais, mas setores mais afetados pela crise internacional, como a indústria, tendem a ser mais resistentes na mesa de negociação. Segmentos exportadores, que viram a demanda encolher lá fora, permanecem com mais dificuldade para negociar ganhos acima da inflação.

A LCA Consultores estima que o rendimento médio real do brasileiro cresça 3,1% em 2012, contra os 2,75% registrados em 2011, mas ainda abaixo do de 2010 (3,8%). Esse ganho reflete, segundo a consultoria, o efeito do salário mínimo, que é um indexador de 25% da população ocupada, e a inflação menor.

“Contudo, com o arrefecimento da atividade econômica doméstica no fim de 2011 e seus efeitos defasados sobre o mercado de trabalho em 2012, é possível que parte das rodadas de negociação salarial (sobretudo ao longo do 1.º semestre) de 2012 não sejam tão frutíferas como as vistas na primeira metade de 2011”, diz a LCA em relatório.

Acordo antecipado

Este ano também será diferente porque alguns aumentos já foram fechados antecipadamente. A Renault, por exemplo, acertou no ano passado um acordo em que vai pagar em 2011 um reajuste real de 3% para os funcionários, além de R$ 15 mil de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e abono de R$ 5 mil corrigido pela inflação.

O aumento nominal de 14% no salário mínimo, que passou a valer em janeiro, também deve influenciar o salário mínimo regional, que no ano passado acompanhou o nacional, com reajuste de 6,9%. O salário regional é pago a cerca de 1,3 milhão de pessoas no Paraná.

Aumento do piso move R$ 500 mi no Paraná

O aumento do salário mínimo, em vigor desde janeiro, deve colocar em circulação na economia do Paraná aproximadamente R$ 500 milhões em 2012, segundo estimativa do Dieese-PR. Serão cerca de R$ 38,5 milhões a mais por mês, pelos cálculos do analista Cid Cor­deiro. Em todo o Brasil, o au­­mento deve gerar um adicional de R$ 47 bilhões.

A conta do Paraná considera apenas a população ocupada que ganha um mínimo – cerca de 500 mil pessoas. Mas o aumento de 14% no valor do benefício, que passou de R$ 545 para R$ 644, pressionará também outras categorias, sobretudo aquelas que tradicionalmente têm pisos mais baixos.

Em janeiro, os cerca de 46 mil trabalhadores da área de asseio e conservação do estado fecharam um acordo para um reajuste nominal de 14,97% – 8,4% de aumento real. No ano passado, com a inflação mais salgada, o ganho real foi bem inferior, de 0,7%.

Achatamento

“A alta do mínimo acaba achatando os pisos, o que, por sua vez, aumenta a pressão para reajustes maiores. No ano passado a inflação estava maior, o que dificultou o ganho real”, lembra Vilson Trevisan, consultor econômico do Sin­dicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac) no Paraná.

Com reajustes elevados nos últimos anos, o salário mínimo vem “engolindo” os pisos salariais das categorias. Entre 2004 e 2011, o mínimo mais que dobrou; o valor médio dos pisos, por sua vez, subiu 68%.

Em 2004, os menores salários das categorias sindicalizadas representavam, em média, 1,7 salário mínimo. Em 2011, a relação caiu para 1,3, e deve recuar mais em 2012, dada a expectativa de crescimento mais lento da economia.
Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

Israel: Meio milhão de trabalhadores iniciam greve geral

Cerca de meio milhão de trabalhadores dos setores público e privado de Israel entraram nesta quarta-feira (8) em greve geral por melhores condições de trabalho para os temporários. O movimento foi convocado pela Central Sindical Histadrout.

No Aeroporto Internacional Bem Gourion, próximo a Tel Aviv, pelo menos 25 partidas foram antecipadas para permitir a saída do país de cerca de 10 mil passageiros. Os aviões vão ficar em terra até o meio-dia (horário local).

As negociações entre a Histadrout e o governo deverão ser retomadas ainda hoje, depois de a Justiça ter apelado aos parceiros sociais para encontrarem uma solução sobre as condições de trabalho dos temporários.

A Histadrout exige que uma parte dos trabalhadores temporários seja integrada ao setor público ou que obtenham os mesmos direitos dos seus colegas efetivados.

Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

Israel: Meio milhão de trabalhadores iniciam greve geral

Cerca de meio milhão de trabalhadores dos setores público e privado de Israel entraram nesta quarta-feira (8) em greve geral por melhores condições de trabalho para os temporários. O movimento foi convocado pela Central Sindical Histadrout.

No Aeroporto Internacional Bem Gourion, próximo a Tel Aviv, pelo menos 25 partidas foram antecipadas para permitir a saída do país de cerca de 10 mil passageiros. Os aviões vão ficar em terra até o meio-dia (horário local).

As negociações entre a Histadrout e o governo deverão ser retomadas ainda hoje, depois de a Justiça ter apelado aos parceiros sociais para encontrarem uma solução sobre as condições de trabalho dos temporários.

A Histadrout exige que uma parte dos trabalhadores temporários seja integrada ao setor público ou que obtenham os mesmos direitos dos seus colegas efetivados.

Pobreza afetou um em cada quatro europeus em 2010

Ipea constata modesta recuperação da renda do trabalho no Brasil

A renda do trabalho tem uma participação relativamente baixa na economia brasileira. O fenômeno, que não é novo, foi mais uma vez constatado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), em estudo intitulado Evolução da Parcela do Rendimento do Trabalho durante a Recente Estabilidade Monetária, divulgado nesta quarta (8).


De acordo com o Ipea, entre 1995 e 2002, a participação da renda do trabalho na economia brasileira, que define a chamada distribuição funcional da renda, despencou 11,8%, passando de 48% em 1995 para 42,4% em 2002.

Brasil: evolução da participação da renda do trabalho no PIB

Fonte: IBGE – Contas nacionais e PNAD (Elaboração Ipea)


Políticas neoliberais

A queda reflete os efeitos das políticas neoliberais impostas pelo governo de FHC sobre o mercado de trabalho, que empreendeu uma feroz ofensiva contra a classe trabalhadora e pretendia liquidar com direitos trabalhistas como férias, 13º e outros, previstos na CLT.

FHC não teve tempo de completar sua obra contra a classe trabalhadora. O projeto tucano de reforma trabalhista, que previa a prevalência do negociado sobre o legislado e foi condenado pelo movimento sindical classista (apesar do lastimável apoio da Força Sindical), foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas não chegou a ser votado no Senado. Acabou arquivado no início do governo Lula.

Modesta recuperação

Felizmente a política de arrocho dos salários (em relação ao PIB) foi interrompida com a eleição de Lula, cuja vida política teve início no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. O novo governo adotou uma orientação de moderada valorização dos salários, com destaque para o mínimo, que durante os oitos anos de seu governo (2003-2010) obteve um aumento real superior a 50%.

Com isto, verificou-se um aumento de 2,5% na participação da renda do trabalho, passando de 42,4% para 43,4%. É um avanço modesto, tendo em vista a dimensão do arrocho patrocinado pelos tucanos e o fato de que no passado a remuneração dos trabalhadores já representou mais de 50% do produto no Brasil. Além disto, em vários países considerados mais desenvolvidos o quinhão da classe trabalhadora na renda nacional ultrapassa 60%. “Apesar desta recuperação, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional encontra-se ainda 9,6% abaixo do que observado em 1995, início da recente estabilização monetária no Brasil”, ressalva o estudo do Ipea.

Desigualdades regionais

O estudo detecta também a desigualdade na distribuição regional da renda e respectiva participação da força de trabalho. No ano de 2009, por exemplo, as regiões Norte (6,0%) e Centro-Oeste (9,3%) apresentaram os menores indicadores de contribuição na parcela nacional do rendimento do trabalho, enquanto as regiões Sudeste (50,8%) e Sul (17,8%) registraram os maiores índices de participação relativa.

Apesar dessa diferença, que reflete principalmente a assimetria do peso industrial relativo das regiões, nota-se que, no período, houve uma redução da distância entre os números da região com maior peso e com menor peso renda do trabalho na economia. Em 1995, a diferença entre as regiões Norte e Sudeste era de 14,5 vezes e, em 2009, essa diferença passou para 8,5 vezes.

Desconcentração

Entre 1995 e 2002, a Região Sudeste diminui sua participação na renda em 3,8% e a Região Norte aumentou em 16,1%. No período de 2002 a 2009, a queda foi maior para o Sudeste, 6,9%. Na Região Norte, houve um aumento de 31,5%.

Segundo o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, isso se deve a uma desconcentração da economia entre as regiões brasileiras. “O que notamos na primeira década do século 21 é uma descentralização da produção e das ocupações. As regiões onde mais cresceram os salários e a ocupação não são aquelas mais ricas, são as regiões Nordeste e Centro-Oeste do país”, disse.

O Sudeste foi a grande região que decresceu continuamente sua participação na renda do trabalho, enquanto as demais melhoraram as suas posições relativas na parcela nacional do rendimento do trabalho durante a estabilização monetária. Com isso, a diferença que separa a posição relativa de cada grande região reduziu-se, embora sozinha a região Sudeste representasse, em 2009, um pouco mais da metade de toda a participação relativa do rendimento do trabalho na renda nacional. Nesse mesmo sentido, o estado de São Paulo perdeu acumuladamente 18,9% em sua participação.

Estados

De todo modo, a região Sudeste segue ainda respondendo pela metade de toda parcela do rendimento do trabalho na renda nacional. Se adicionarmos o peso relativo do Sul ao do Sudeste, constata-se que mais de 2/3 de toda a parcela nacional do rendimento do trabalho encontra-se localizada em apenas duas grandes regiões geográficas brasileiras.

O estudo mostra ainda como o movimento observado nas regiões afetou os estados. O Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, estados tradicionalmente com maior participação na renda do trabalho, demonstraram queda. Já estados como o Ceará, Rio Grande no Norte e Pará aumentaram sua participação relativa.