NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou ontem (16) que a crise da dívida europeia piorou nos últimos meses e classificou a situação como sendo “muito grave”. “Não podemos negar a gravidade da situação”, afirmou Draghi.
A declaração foi dada em audiência no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde compareceu na qualidade de chefe do Conselho Europeu de Risco Sistêmico. Draghi afirmou que a crise foi classificada em outubro, por seu antecessor, Jean-Claude Trichet, como “sistêmica”, mas que vem piorando desde então.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nesta segunda-feira, de “AAA” (a mais alta existente) para “AA+” a nota de risco da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), o fundo constituído para auxiliar no “resgate” das economias do bloco em dificuldades.

A redução da nota do EFSF vem em seguida do rebaixamento dos ratings de nove países europeus na sexta-feira (13). Na prática, essa mudança, segundo a agência, aponta que os títulos do fundo já não são mais completamente respaldados por seus membros garantidores.

com agências

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou ontem (16) que a crise da dívida europeia piorou nos últimos meses e classificou a situação como sendo “muito grave”. “Não podemos negar a gravidade da situação”, afirmou Draghi.
A declaração foi dada em audiência no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde compareceu na qualidade de chefe do Conselho Europeu de Risco Sistêmico. Draghi afirmou que a crise foi classificada em outubro, por seu antecessor, Jean-Claude Trichet, como “sistêmica”, mas que vem piorando desde então.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nesta segunda-feira, de “AAA” (a mais alta existente) para “AA+” a nota de risco da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), o fundo constituído para auxiliar no “resgate” das economias do bloco em dificuldades.

A redução da nota do EFSF vem em seguida do rebaixamento dos ratings de nove países europeus na sexta-feira (13). Na prática, essa mudança, segundo a agência, aponta que os títulos do fundo já não são mais completamente respaldados por seus membros garantidores.

com agências

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

França: Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica

Semana se inicia com pressão sobre a França para que adote cortes em investimentos sociais como forma de atender às expectativas de melhora
Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica
O presidente Nicolas Sarkozy prepara medidas para satisfazer o mercado, com sacrifício da população francesa (Foto: ©Charles Platiau/Reuters)
São Paulo – A semana econômica terá início com a França como bola da vez na crise que atinge as nações europeias e afeta boa parte do mundo. Após o rebaixamento da classificação de risco de sua dívida pública, os franceses entraram para a lista das nações que precisarão provar sua capacidade de reverter o quadro atual, e isto deve significar, a exemplo dos demais casos, cortes em investimentos sociais.
Durante o fim de semana, o presidente Nicolas Sarkozy e os integrantes de seu gabinete esforçaram-se por mostrar reação ao rebaixamento da nota do país pela agência Standard and Poor’s. A notícia divulgada na sexta-feira (13) significa, em linhas gerais, que o chamado “mercado” confia menos na capacidade francesa de organizar sua economia, de reagir aos atuais problemas e de honrar as crescentes dívidas. 
“Eu direi a eles (o povo francês) as decisões importantes que precisamos adotar sem perder tempo”, afirmou Sarkozy no domingo (15). “A crise pode ser superada desde que tenhamos o desejo coletivo e a força para reformar nosso país”. Para ele, como para os demais líderes europeus envolvidos nas negociações para minimizar os problemas, “desejo coletivo” é a expressão usada para definir corte de direitos trabalhistas, a flexibilização dos direitostrabalhistas e o corte do custeio do bem-estar social. Sarkozy anunciou que se encontrará com líderes sindicais nesta semana para anunciar rapidamente um pacote de reformas estruturais.
O ministro das Finanças, François Baroin, foi um pouco mais explícito ao indicar que tais reformas implicam, de fato, em mudanças para “melhorar a competitividade”, o que passa pela redução dos custos com os trabalhadores. “Assim, não haverá novas medidas para a consolidação orçamentária”, disse Baroin ao ser questionado sobre a necessidade de outros ajustes na economia.
No sábado, a Standard & Poors havia argumentado que as medidas anunciadas pelos líderes europeus estavam voltadas em demasia à redução da dívida. A agência rebaixou, além da França, a nota de nove dos 17 membros da zona do euro. “O risco de recessão está aumentando e agora calculamos uma probabilidade de recessão de 40 por cento para este ano”, pontuou a analista de crédito Moritz Kraemer em uma teleconferência, acrescentando que a contração pode chegar a 1,5% na comparação com 2011, um ano já bastante ruim.
O descrédito criado em torno da França deixou a Alemanha fortalecida e praticamente sozinha na condição de líder das mudanças a serem impostas às nações e, por consequência, à população da União Europeia. “Temos agora o desafio de implementar um acordo fiscal ainda mais rapidamente. E fazer isso de forma decidida, sem tentar atenuar a questão”, cobrou a chanceler Angela Merkel. 
Portugal, Itália, Grécia e Espanha são as nações da região que já tiveram seu momento de “bola da vez”. Pressionados pelos líderes do bloco e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a impor cortes em investimentos sociais, os governos destes países sofreram forte reprovação popular e dois deles, o grego e o italiano, caíram. O FMI considera que os ajustes são necessários neste momento para que dentro de alguns anos as economias locais possam começar a saldar as dívidas, que em alguns casos superam o Produto Interno Bruto (PIB). Até lá, porém, espera-se baixo crescimento econômico ou recessão, com enxugamento de salários e de direitos laborais.
Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

França: Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica

Semana se inicia com pressão sobre a França para que adote cortes em investimentos sociais como forma de atender às expectativas de melhora
Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica
O presidente Nicolas Sarkozy prepara medidas para satisfazer o mercado, com sacrifício da população francesa (Foto: ©Charles Platiau/Reuters)
São Paulo – A semana econômica terá início com a França como bola da vez na crise que atinge as nações europeias e afeta boa parte do mundo. Após o rebaixamento da classificação de risco de sua dívida pública, os franceses entraram para a lista das nações que precisarão provar sua capacidade de reverter o quadro atual, e isto deve significar, a exemplo dos demais casos, cortes em investimentos sociais.
Durante o fim de semana, o presidente Nicolas Sarkozy e os integrantes de seu gabinete esforçaram-se por mostrar reação ao rebaixamento da nota do país pela agência Standard and Poor’s. A notícia divulgada na sexta-feira (13) significa, em linhas gerais, que o chamado “mercado” confia menos na capacidade francesa de organizar sua economia, de reagir aos atuais problemas e de honrar as crescentes dívidas. 
“Eu direi a eles (o povo francês) as decisões importantes que precisamos adotar sem perder tempo”, afirmou Sarkozy no domingo (15). “A crise pode ser superada desde que tenhamos o desejo coletivo e a força para reformar nosso país”. Para ele, como para os demais líderes europeus envolvidos nas negociações para minimizar os problemas, “desejo coletivo” é a expressão usada para definir corte de direitos trabalhistas, a flexibilização dos direitostrabalhistas e o corte do custeio do bem-estar social. Sarkozy anunciou que se encontrará com líderes sindicais nesta semana para anunciar rapidamente um pacote de reformas estruturais.
O ministro das Finanças, François Baroin, foi um pouco mais explícito ao indicar que tais reformas implicam, de fato, em mudanças para “melhorar a competitividade”, o que passa pela redução dos custos com os trabalhadores. “Assim, não haverá novas medidas para a consolidação orçamentária”, disse Baroin ao ser questionado sobre a necessidade de outros ajustes na economia.
No sábado, a Standard & Poors havia argumentado que as medidas anunciadas pelos líderes europeus estavam voltadas em demasia à redução da dívida. A agência rebaixou, além da França, a nota de nove dos 17 membros da zona do euro. “O risco de recessão está aumentando e agora calculamos uma probabilidade de recessão de 40 por cento para este ano”, pontuou a analista de crédito Moritz Kraemer em uma teleconferência, acrescentando que a contração pode chegar a 1,5% na comparação com 2011, um ano já bastante ruim.
O descrédito criado em torno da França deixou a Alemanha fortalecida e praticamente sozinha na condição de líder das mudanças a serem impostas às nações e, por consequência, à população da União Europeia. “Temos agora o desafio de implementar um acordo fiscal ainda mais rapidamente. E fazer isso de forma decidida, sem tentar atenuar a questão”, cobrou a chanceler Angela Merkel. 
Portugal, Itália, Grécia e Espanha são as nações da região que já tiveram seu momento de “bola da vez”. Pressionados pelos líderes do bloco e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a impor cortes em investimentos sociais, os governos destes países sofreram forte reprovação popular e dois deles, o grego e o italiano, caíram. O FMI considera que os ajustes são necessários neste momento para que dentro de alguns anos as economias locais possam começar a saldar as dívidas, que em alguns casos superam o Produto Interno Bruto (PIB). Até lá, porém, espera-se baixo crescimento econômico ou recessão, com enxugamento de salários e de direitos laborais.
Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

Tijolo, Cimento e … Livros

Visando compensar a precariedade do ensino básico e a baixa oferta de cursos profissionalizantes, um número cada vez maior de companhias está bancando a formação de seus funcionários, numa tentativa de manter a produtividade. Para os empregados, o estudo é a chance de mudar de patamar no mercado de trabalho
 
O mestre de obras José Tadeu Cruz Vieira sempre valorizou os livros. Aos 48 anos, apoiado pela empresa, está cursando engenharia (Monique Renne/CB/D.A Press)
 
O mestre de obras José Tadeu Cruz Vieira sempre valorizou os livros. Aos 48 anos, apoiado pela empresa, está cursando engenharia
O piauiense José Tadeu Cruz Vieira, 48 anos, não é homem de meias palavras. Muito menos se rende às dificuldades que, ao longo da vida, insistem em testar sua capacidade de reação. Mas a força do mestre de obras que comanda uma equipe de mais de 80 pessoas empregadas pela incorporadora Brookfield não resulta apenas da boa criação que o enche de orgulho. Ela se agiganta a cada dia que se senta no banco da universidade na qual está estudando para se tornar um engenheiro. “Não há um só dia que não pense: meu Deus, muito obrigado por me dar a oportunidade de ser alguém na vida”, diz.

José sabe muito bem o valor das suas palavras. Nascido na cidade de Castelo do Pará, onde fez o ensino fundamental, ele se mudou para Brasília em 1989, cheio de esperança. Consciente da deficiência na sua formação escolar, buscou, na construção civil, agarrar uma chance de fazer uma revolução em seu futuro. Logo depois de contratado como pedreiro, matriculou-se em uma escola de olho no diploma de ensino médio. Sabia que o desgaste das atividades nos canteiros de obras não o afastaria dos livros.

“Concluí o ensino médio, mas não me acomodei. Fiz vários cursos técnicos, de especialização em edificação, de eletricista. Isso me permitiu galgar várias posições nas empresas em que trabalhei”, afirma. Agora, com as filhas do primeiro casamento formadas ou na universidade e os enteados do segundo indo na mesma direção, decidiu que era hora de ter o sonhado diploma de curso superior e aproveitou o fato de a empresa bancar até 70% da mensalidade da faculdade para fazer engenharia.

José tem a clara noção de que, ao se formar, mudará de patamar no mercado. Hoje, um mestre de obras ganha entre R$ 3,5 e R$ 6 mil mensais. Um engenheiro pode embolsar R$ 12 mil. “Sempre digo aos que trabalham comigo: estudem. É o único caminho para melhorar de vida”, ressalta. No quarto ano da faculdade, ele já planeja a pós-graduação.

Alerta
Para um Brasil que caminha em direção ao pleno emprego — o índice de desocupação está apontando para 5%, mesmo com a gravidade da crise mundial —, o exemplo do mestre de obras é alentador. Sem conhecimento e qualificação, o país corre o risco de sucumbir. Se em setores básicos já falta mão de obra especializada, em segmentos mais sofisticados, especialmente o de alta tecnologia, o alerta já foi ligado. A situação só não é de calamidade porque muitas empresas decidiram não esperar pelo Estado e estão capacitando profissionais.

O assustador quadro atual, dizem os especialistas, deriva da precariedade do ensino básico e da baixa oferta de cursos profissionalizantes. “Felizmente, devido à ação das empresas, a oferta de trabalhadores qualificados melhorou em 2011. Mas ainda está muito difícil encontrar gente capacitada no mercado”, destaca Lygia Villar, diretora de Recursos Humanos da Brookfield. Além de bancar uma parte dos custos das faculdades de seus empregados, a companhia criou a sua Universidade Corporativa. “Sai mais barato formar profissionais dentro da empresa, pois diminuímos os custos com seleção e contratação, além da certeza de que teremos o colaborador com o conhecimento de que precisamos”, explica.

Cansada de disputar com o mercado financeiro os engenheiros aeronáuticos saídos das principais universidades do país, a fabricante de helicópteros Helibras decidiu formar seu pessoal e fechou uma parceria com a Universidade Federal de Itajubá, sul de Minas Gerais. Os profissionais ali preparados têm a oportunidade de estagiar na sede da Eurocopter, sócia da companhia, na França. No ano passado, em parceria com a prefeitura de Itajubá, abriu um curso gratuito de mecânico de manutenção aeronáutica. Recebeu mais de mil inscrições, das quais 500 foram aprovadas.

Mesmo com tais iniciativas, a escassez de mão de obra qualificada já impacta os resultados do setor produtivo. Segundo de José Pastore, professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP), isso acontece quando as empresas passam a pagar salários mais altos, sem que a produtividade dos empregados acompanhe. Ele ressalta que, em 2010, a lucratividade média das 100 maiores empresas brasileiras, excluídas a Vale e a Petrobras, caiu 1,5%. “Na prática, isso significa menos investimentos, menos crescimento para o país. As companhias que não lucram, não investem”, sentencia.

Garantindo o futuro

Para garantir a qualificação desejada de seus funcionários, o grupo Vale criou, em 2003, um departamento de educação, o Valer, responsável por administrar desde treinamentos básicos a bancar cursos de pós-graduação em renomadas universidades estrangeiras. Desde então, mais de 80 mil pessoas, no Brasil e no exterior, passaram pelo programa. “A ideia é que cada um possa se desenvolver ao longo da carreira e assumir novos desafios. Dessa maneira, mantemos o padrão das operações e preparamos sucessores dentro de casa”, diz Carla Gama, diretora de educação da Vale. Ela lembra que a mineração requer mão de obra qualificada, de maquinistas de trem a engenheiros de portos, que não são facilmente encontrados no mercado. O grupo tem investimentos programados de US$ 21,4 bilhões em vários projetos, para os quais pretende contratar 7,1 mil profissionais, sendo 4,5 mil no Brasil.

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

Tijolo, Cimento e … Livros

Visando compensar a precariedade do ensino básico e a baixa oferta de cursos profissionalizantes, um número cada vez maior de companhias está bancando a formação de seus funcionários, numa tentativa de manter a produtividade. Para os empregados, o estudo é a chance de mudar de patamar no mercado de trabalho
 
O mestre de obras José Tadeu Cruz Vieira sempre valorizou os livros. Aos 48 anos, apoiado pela empresa, está cursando engenharia (Monique Renne/CB/D.A Press)
 
O mestre de obras José Tadeu Cruz Vieira sempre valorizou os livros. Aos 48 anos, apoiado pela empresa, está cursando engenharia
O piauiense José Tadeu Cruz Vieira, 48 anos, não é homem de meias palavras. Muito menos se rende às dificuldades que, ao longo da vida, insistem em testar sua capacidade de reação. Mas a força do mestre de obras que comanda uma equipe de mais de 80 pessoas empregadas pela incorporadora Brookfield não resulta apenas da boa criação que o enche de orgulho. Ela se agiganta a cada dia que se senta no banco da universidade na qual está estudando para se tornar um engenheiro. “Não há um só dia que não pense: meu Deus, muito obrigado por me dar a oportunidade de ser alguém na vida”, diz.

José sabe muito bem o valor das suas palavras. Nascido na cidade de Castelo do Pará, onde fez o ensino fundamental, ele se mudou para Brasília em 1989, cheio de esperança. Consciente da deficiência na sua formação escolar, buscou, na construção civil, agarrar uma chance de fazer uma revolução em seu futuro. Logo depois de contratado como pedreiro, matriculou-se em uma escola de olho no diploma de ensino médio. Sabia que o desgaste das atividades nos canteiros de obras não o afastaria dos livros.

“Concluí o ensino médio, mas não me acomodei. Fiz vários cursos técnicos, de especialização em edificação, de eletricista. Isso me permitiu galgar várias posições nas empresas em que trabalhei”, afirma. Agora, com as filhas do primeiro casamento formadas ou na universidade e os enteados do segundo indo na mesma direção, decidiu que era hora de ter o sonhado diploma de curso superior e aproveitou o fato de a empresa bancar até 70% da mensalidade da faculdade para fazer engenharia.

José tem a clara noção de que, ao se formar, mudará de patamar no mercado. Hoje, um mestre de obras ganha entre R$ 3,5 e R$ 6 mil mensais. Um engenheiro pode embolsar R$ 12 mil. “Sempre digo aos que trabalham comigo: estudem. É o único caminho para melhorar de vida”, ressalta. No quarto ano da faculdade, ele já planeja a pós-graduação.

Alerta
Para um Brasil que caminha em direção ao pleno emprego — o índice de desocupação está apontando para 5%, mesmo com a gravidade da crise mundial —, o exemplo do mestre de obras é alentador. Sem conhecimento e qualificação, o país corre o risco de sucumbir. Se em setores básicos já falta mão de obra especializada, em segmentos mais sofisticados, especialmente o de alta tecnologia, o alerta já foi ligado. A situação só não é de calamidade porque muitas empresas decidiram não esperar pelo Estado e estão capacitando profissionais.

O assustador quadro atual, dizem os especialistas, deriva da precariedade do ensino básico e da baixa oferta de cursos profissionalizantes. “Felizmente, devido à ação das empresas, a oferta de trabalhadores qualificados melhorou em 2011. Mas ainda está muito difícil encontrar gente capacitada no mercado”, destaca Lygia Villar, diretora de Recursos Humanos da Brookfield. Além de bancar uma parte dos custos das faculdades de seus empregados, a companhia criou a sua Universidade Corporativa. “Sai mais barato formar profissionais dentro da empresa, pois diminuímos os custos com seleção e contratação, além da certeza de que teremos o colaborador com o conhecimento de que precisamos”, explica.

Cansada de disputar com o mercado financeiro os engenheiros aeronáuticos saídos das principais universidades do país, a fabricante de helicópteros Helibras decidiu formar seu pessoal e fechou uma parceria com a Universidade Federal de Itajubá, sul de Minas Gerais. Os profissionais ali preparados têm a oportunidade de estagiar na sede da Eurocopter, sócia da companhia, na França. No ano passado, em parceria com a prefeitura de Itajubá, abriu um curso gratuito de mecânico de manutenção aeronáutica. Recebeu mais de mil inscrições, das quais 500 foram aprovadas.

Mesmo com tais iniciativas, a escassez de mão de obra qualificada já impacta os resultados do setor produtivo. Segundo de José Pastore, professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP), isso acontece quando as empresas passam a pagar salários mais altos, sem que a produtividade dos empregados acompanhe. Ele ressalta que, em 2010, a lucratividade média das 100 maiores empresas brasileiras, excluídas a Vale e a Petrobras, caiu 1,5%. “Na prática, isso significa menos investimentos, menos crescimento para o país. As companhias que não lucram, não investem”, sentencia.

Garantindo o futuro

Para garantir a qualificação desejada de seus funcionários, o grupo Vale criou, em 2003, um departamento de educação, o Valer, responsável por administrar desde treinamentos básicos a bancar cursos de pós-graduação em renomadas universidades estrangeiras. Desde então, mais de 80 mil pessoas, no Brasil e no exterior, passaram pelo programa. “A ideia é que cada um possa se desenvolver ao longo da carreira e assumir novos desafios. Dessa maneira, mantemos o padrão das operações e preparamos sucessores dentro de casa”, diz Carla Gama, diretora de educação da Vale. Ela lembra que a mineração requer mão de obra qualificada, de maquinistas de trem a engenheiros de portos, que não são facilmente encontrados no mercado. O grupo tem investimentos programados de US$ 21,4 bilhões em vários projetos, para os quais pretende contratar 7,1 mil profissionais, sendo 4,5 mil no Brasil.