por master | 28/10/11 | Ultimas Notícias
Por Eduardo Milléo Baracat
Após 23 anos, foi regulamentado o inciso XXI do art. 7º da Constituição que prevê ser direito dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, “aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei”. Trata-se da Lei 12.506/2011, que entrou em vigor no último dia 13 de outubro.
O aviso prévio tem por objetivo impor à parte que pretende rescindir contrato de trabalho por tempo indeterminado, sem justo motivo, a obrigação de comunicar a outra, com certa antecedência, a fim de que esta possa precaver-se de eventuais prejuízos. A ausência do aviso prévio acarreta a obrigação, da parte que deveria concedê-lo, de pagar à outra indenização equivalente ao salário do período correspondente.
Até a edição da Lei 12.506/2011, o único prazo legal era de 30 dias, inclusive para os domésticos (Constituição, artigo 7º, inciso XXI, parágrafo único), sem prejuízo de outros prazos previstos em convenções ou acordos coletivos de trabalho. No entanto, a Lei 12.506/2011 alterou este prazo, estabelecendo que, para os empregados dispensados sem justa causa com até um ano de serviço, o aviso prévio será de 30 dias.
Já aos empregados despedidos sem justa causa, com mais de um ano de serviço para o mesmo empregador, serão acrescidos ao prazo de 30 dias, mais três dias por ano de serviço, até o máximo de 60 dias, perfazendo um total de até 90 dias. Assim, se o empregado trabalhar dois anos completos para a mesma empresa, fará jus ao aviso prévio de 33 dias, e se forem três anos completos, a 36 dias.
Para fazer jus aos 90 dias de aviso prévio, o trabalhador terá de trabalhar para a mesma empresa por, pelo menos, 21 anos completos: trinta dias serão pelo primeiro ano, e 60 dias pelos 20 anos seguintes. O empregado com mais de 21 anos de serviço para a mesma empresa terá sempre direito a 90 dias de aviso prévio, diante do limite máximo legal.
Uma das questões que têm suscitado debate inicial é a da reciprocidade dos novos prazos, ou seja, se também deve se aplicar a mesma proporcionalidade ao empregado que se demite. Desse modo, o empregado com 21 anos de serviços completos, se fosse se demitir, deveria avisar a empregadora com 90 dias de antecedência da data da rescisão, sob pena de ter de pagar a esta o valor dos salários deste período (CLT, artigo 487, parágrafo 2º).
Um olhar mais atento à nova lei, e ao próprio artigo 7º da Constituição, não permite a controvertida reciprocidade. Com efeito, a Lei em comento prevê a proporcionalidade como um direito do trabalhador, já que expressamente dispõe, no artigo 1º, que o aviso prévio “será concedido na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados”, enquanto o parágrafo único assevera que “ao aviso prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por ano…”. Se pretendesse a lei que o novo aviso prévio também fosse direito do empregador, teria feito referência às partes ou a empregado e empregador.
E de outra forma não poderia ser, já que o artigo 7º, caput, da Constituição, reconhece a proporcionalidade do aviso prévio como direito do trabalhador, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. Se a lei previsse a reciprocidade – o que se admite apenas para argumentar –, seria inconstitucional.
O aviso prévio devido pelo empregado que se demite, portanto, é de 30 dias, qualquer que seja a duração do contrato de trabalho. Por outro lado, o empregado doméstico, a partir de interpretação literal, não terá direito a esta nova regra, já que a lei refere-se a “serviço prestado na mesma empresa”. O trabalhador doméstico não presta serviço a empresa, mas a pessoa ou família, no âmbito residencial destas, nos termos da Lei 5.859/72. A menos que se reconheça a inconstitucionalidade da expressão “mesma empresa”, por contrariar o referido artigo 7º, caput, inciso XXI da Constituição, visto que estes preceitos reconhecem a proporcionalidade do aviso prévio também ao doméstico.
Por fim, saliente-se que a nova lei é aplicável aos avisos prévios concedidos a partir de 13 de outubro de 2011, inclusive de contratos celebrados anteriormente. De fato, o ato jurídico do aviso prévio deve ser disciplinado pela lei vigente quando da sua concessão, ou quando deveria ter sido concedido. Apenas o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada não são regulados pela nova lei (Constituição, artigo 5º, XXXVI). No caso, apenas o aviso prévio concedido antes de 13 de outubro é que não será regulado pela nova lei, seja porque é ato jurídico já consumado, visto que cumprido integralmente antes da referida data (LICC, artigo 6º, parágrafo 1º); seja porque uma vez concedido o aviso prévio, o prazo não pode ser alterado no seu curso, já que o empregador apenas aguarda o advento do termo para se consumar o direito (LICC, artigo 6º, parágrafo 2º).
Eduardo Milléo Baracat é juiz titular da 9ª Vara do Trabalho de Curitiba, doutor em Direito pela UFPR e professor universitário.
por master | 28/10/11 | Ultimas Notícias
Pedido ocorre em meio a pressão por aumento
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
No mesmo dia em que coordenou o início de uma operação padrão para pressionar o governo por aumento de salários, a Ajufe (Associação dos Juízes Federais) retomou na Justiça um pedido pelo pagamento de auxílio-moradia aos magistrados federais.
No último dia 17, o presidente da entidade, Gabriel Wedy, entrou com um recurso no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) reivindicando em nome da categoria o pagamento de auxílio-moradia para todos os juízes federais.
O pedido foi visto como uma tentativa de obter alguma compensação diante da dificuldade em conseguir o aumento de salário.
A proposta de reajuste tramita no Congresso vinculada ao aumento de outras categorias do Judiciário, com previsão de um impacto de R$ 7,7 bilhões.
Na ação, a Ajufe sugere que o valor do benefício seja igual ao pago aos juízes auxiliares do STF (Supremo Tribunal Federal), de R$ 3.384,00 – cerca de 14% do salário de um juiz federal.
Procurado pela Folha, Wedy disse que houve coincidência entre a data do início da operação padrão e a do recurso no CNJ. Ele afirma que o auxílio está previsto na Lei Orgânica do Judiciário e que é um direito baseado na isonomia entre os magistrados.
por master | 28/10/11 | Palavra do Presidente
Criação da Secretaria Estadual dos Servidores Públicos da Nova Central reitera compromisso da entidade com a luta do funcionalismo público
Hoje, dia 28 de outubro, comemora-se o Dia do Servidor Público – trabalhador essencial para o funcionamento dos serviços mais essenciais para o povo brasileiro. A Nova Central desde a sua fundação se preocupa em lutar pela valorização do funcionalismo público, seja ele federal, estadual ou municipal. Prova disso é que entre os principais pilares que compõem a NCST desde sua fundação, está a Confederação Nacional dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), entidade sindical de terceiro grau que tem encabeçado as principais discussões em defesa destes trabalhadores no Congresso Nacional.
Muitos sindicatos de servidores públicos não estão filiados a nenhuma central sindical por não concordarem com a incoerência como algumas tem se portado. A Nova Central tem como uma de suas premissas principais não ter vínculo partidário, o que garante idoneidade para apoiar abertamente os trabalhadores, independente de qual partido esteja no poder.
Secretaria Estadual dos Servidores Públicos
|

Juliano (à direita) com Denilson na audiência sobre a regulamentação da Convenção 151 da OIT no Congresso Nacional
|
Entre os dias 17 e 18 de outubro a NCST/Paraná realizou sua Plenária Estadual e criou a Secretaria Estadual dos Servidores Públicos, que tem à frente os companheiros William José da Silva Costa (Secretário) e Juliano Castagnoli (Secretário Adjunto). Apenas uma semana depois da criação da pasta, o novo secretário adjunto já esteve em Brasília para acompanhar a audiência pública sobre a regulamentação da Convenção 151 da OIT.
Dinamismo e luta incondicional pelo avanço dos trabalhadores tem sido a marca da Nova Central no Paraná. Com os Servidores Públicos não será diferente. Neste dia tão especial, saudamos todos os servidores e conclamamos todos os sindicatos que os representam a conhecer o trabalho da NCST/Paraná. Estamos de portas abertas e prontos a dar toda a assistência necessária para a luta por melhores salários e condições de trabalho desta categoria.
*Denilson Pestana da Costa é presidente da NCST/Paraná e do Sintracom Londrina.
por master | 28/10/11 | Ultimas Notícias
Número indica desaquecimento porque época costuma ser de contratações; IBGE considera precipitadas projeções para o Natal
A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do país ficou em 6% em setembro, mesmo patamar de agosto e menor taxa para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, em março de 2002, informou o IBGE. Foi o terceiro mês consecutivo em que o desemprego no país ficou estável em 6%.
A população desocupada totalizou 1,5 milhão de pessoas no mês passado, resultado estável em relação ao mês anterior. Na comparação com setembro de 2010, também houve estabilidade. A população ocupada foi estimada em 22,7 milhões em setembro deste ano, sem variação significativa em relação a agosto. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, houve aumento de 1,7%.
Desaquecimento
Ao apresentar estabilidade pelo terceiro mês consecutivo em setembro, em um momento em que tradicionalmente há aumento na geração de postos de trabalho, a taxa de desemprego reflete o atual cenário de desaquecimento da economia. Houve elevação de 0,1% na população ocupada de agosto para setembro, mas cresceram também as populações desocupada (0,7%) e economicamente ativa (0,2%).
“O mercado de trabalho não está mostrando processo de expansão, mas também não se deteriora”, ressaltou Cimar Azeredo, gerente da PME no IBGE. “O mercado não está gerando postos de trabalho, você não vê a desocupação cedendo e isso pode estar relacionado ao cenário econômico atual, que não está favorável, não está estimulando os investidores a gerar postos”, analisou.
Segundo Azeredo, ainda não é possível dizer que a estabilidade no emprego permanecerá até o fim do ano e que o Natal de 2011 gerará menos vagas do que em 2010. “A gente está em um momento de estabilidade agora, em que qualquer opinião sobre o comportamento da taxa de desocupação no fim do ano será conjectura. Podemos até ter um aumento na desocupação em outubro, mas uma redução forte em dezembro”, afirmou Azeredo. “O momento no Brasil é de expansão, com queda expressiva na desocupação. Até quando vai cair a gente não tem como saber. Mas nunca vimos taxas nessa metodologia de pesquisa tão baixas quanto agora”, acrescentou.
por master | 28/10/11 | Ultimas Notícias
O medo de ser despedido é o que mais assusta os trabalhadores americanos, seguido de cortes no salário, excesso na carga de trabalho e falar em público, mostrou uma pesquisa do site CareerBuilder com mais de 4 mil funcionários.
Por Letícia Arcoverde, do Valor
Para 36%, o maior temor é enfrentar uma demissão. Uma queda na remuneração é o que mais assusta 13% dos pesquisados e 9% dizem ter receio do excesso de funções e de fazer apresentações na frente dos outros.
A pesquisa também enumerou as profissões consideradas mais assustadoras pelos trabalhadores. Técnico de esquadrão de desarmamento de bombas, limpador de janelas de arranha-céus e membro das forças armadas foram as três carreiras mais temidas. Também fazem parte do ranking agente funerário, dublê, professor de ensino médio e político.
por master | 28/10/11 | Ultimas Notícias
Em mais um sinal dos novos tempos, que confirmam o deslocamento do poder econômico mundial do Ocidente para o Oriente e parecem carregar o germe de uma nova ordem mundial, líderes europeus voltam os olhos para a China na esperança de uma solução para a renitente crise da dívida que abala o velho continente e ameaça a União Europeia e o euro.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy informou que pretende conversar por telefone com seu colega chinês Hu Jintao para pedir socorro. A idéia é que a China, assim como outros países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul) apliquem parte de suas reservas no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, que teve sua capacidade elevada pelos líderes da União Europeia nesta quinta de 440 bilhões para 1 trilhão de euros.
Potência financeira
Pelo visto, o dinheiro à disposição dos governos europeus, quase todos atormentados por altos déficits públicos, parece insuficiente para fazer frente à crise. Já a China dispõe de reservas estimadas em US$ 3,2 trilhões, valor bem superior ao do fundo europeu ampliado. Líderes do país asiático já anunciaram a disposição de ajudar, mas os europeus estão preocupados com as contrapartidas.
O episódio revela a transformação da China, que já é a maior credora dos EUA, numa potência financeira. O dinheiro de Pequim não virá de graça. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, já tinha adiantado, em setembro, que espera uma contrapartida para a ajuda.
Ele indicou que a China quer ampliar investimentos na Europa, mas, preferencialmente, em empresas, ao invés de adquirir títulos de dívidas públicas de valor duvidoso. Para socorrer a eurozona, o governo comunista quer que a União Europeia conceda rapidamente o status de economia de mercado ao país. Isso dificultaria a aplicação de medidas de defesa comercial, como sobretaxas antidumping, que têm se multiplicado contra produtos chineses baratos. Para Jiabao, a União Europeia deveria acelerar a concessão desse status para a China porque “é assim que a gente se comporta entre amigos”.
Autoridades chinesas asseguraram nesta quinta (27) que “apoiam as medidas ativas da Europa para responder à crise financeira”.
Reservas
“Devemos explorar os meios para reforçar a cooperação bilateral sobre a base de um benefício mútuo”, afirmou um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores. O bloco dos 27 países europeus é o maior parceiro comercial e principal receptor das exportações chinesas, razão pela qual a estabilidade e prosperidade da região interessa diretamente à China.
E do lado europeu a tentação é grande: a China está “sentada” em suas confortáveis reservas de 3,2 trilhões de dólares, investe uma parte crescente de seus ativos em euros e já prometeu apoiar Grécia, Espanha ou Portugal.
Segundo especialistas franceses e alemães, a China possui o equivalente a 500 bilhões de dólares em títulos de dívida pública europeia, mas a maior parte de suas reservas está em dólares, e busca diversificá-las.
O diretor do fundo europeu (Feef), Klaus Regling, chegará na sexta-feira a Pequim antes de seguir para o Japão, outro dos potenciais candidatos a resgatar a Europa. De qualquer forma, ainda há poucos detalhes sobre como a China poderia utilizar esse fundo de emergência para ajudar os europeus.
Preocupação
Mas alguns líderes europeus, pouco afeitos à humildade, estão preocupados com os riscos tanto financeiros como morais de pedir ajuda a países não europeus. As ofertas de ajuda de Pequim a países como Grécia e Portugal, poucos meses atrás, provocaram resistências e manifestações de protesto contra o “colonialismo chinês”.
“Podemos imaginar que se Pequim resgatar a Zona Euro, o fará sem nenhuma contrapartida?”, questionou o candidato socialista à presidência François Hollande. “Seria se colocar em uma situação de fragilidade diante de um país, é necessário estar preparado”, disse o deputado francês Michel Sapin.
“Aberração”
A necessidade, porém, tende a falar mais alto e calar a arrogância imperialista dos líderes europeus. A iniciativa do presidente francês é um claro sinal disto. A decadência da Europa, assim como dos EUA, e o deslocamento do poder econômico para a China são fenômenos objetivos da história, aos quais os líderes europeus, conduzidos pelo pragmatismo, terão que se adaptar, engolindo a própria arrogância.
Para o deputado europeu Daniel Cohn-Bendit, trata-se de uma “aberração”. “Não podemos negociar uma proteção ao meio ambiente com um país e ao mesmo tempo pedir que ele pague sua crise financeira”, opinou.A União Europeia e as autoridades do Feef ainda finalizam os detalhes de como e quando colocarão em andamento um “veículo” financeiro ligado ao Fundo Monetário Internacional que atrairá “investidores do setor privado, público ou de países emergentes”.