por master | 06/06/11 | Ultimas Notícias
Na última quarta-feira (1º), em Genebra, teve início a 100ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em clima de forte agitação social provocada pelo aumento do desemprego entre os jovens no mundo.
Entre as muitas questões em debate, a aprovação de um novo instrumento jurídico internacional para melhorar radicalmente a condição dos trabalhadores domésticos.
Em declaração à imprensa no início da semana, o vice-diretor geral da OIT, Guy Ryder, descreveu o jubileu como “um momento histórico para a nossa organização, que se reflete no número de convidados”.
A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, estão entre os 5 mil representantes de governos, patrões e trabalhadores que participam do encontro anual, que acontece até 17 de junho.
Durante o evento serão discutidas as “grandes mudanças sociais” e o desdobramento em certas partes do Oriente Médio e do norte da África, bem como os desafios que o mundo continua enfrentando, tais como a crise econômica mundial e o desemprego, destaca a OIT.
No último relatório da OIT sobre o estado do mundo do trabalho, intitulado “Uma nova era de justiça social”, o diretor-geral Juan Somavia lamenta o crescimento contínuo das desigualdades e dos desequilíbrios insustentáveis no desenvolvimento e na área social.
“A desigualdade na distribuição de renda aumentou na maioria dos países, com os altos salários saindo consideravelmente da média. Nas economias desenvolvidas as desigualdades salariais se traduziram em desigualdades de riqueza e podem prejudicar a mobilidade social nos próximos anos”, alertou.
Desempregados e desigualdades
No mundo, 80% da população tem que dividir 30% das riquezas. 70% da riqueza mundial estão nas mãos de apenas 20% da população global.
De acordo com as estatísticas mais recentes, desde 2009 o desemprego global aumentou em níveis recordes. Em 2010 havia 205 milhões de pessoas desempregadas e 2011 não parece que vai ser melhor, especialmente nas nações industrializadas, atingidas pela falta de crescimento.
Os jovens – 80 milhões estão desempregados – são os mais afetados pelo atual modelo de crescimento que já não funciona mais, diz a OIT.
Ryder diz que a OIT está incitando “mudanças fundamentais para a globalização”, embora reconheça que ela precisa de uma “locomotiva política” para fazer passar a ideia de “crescimento efetivo e socialmente responsável”, onde os interesses financeiros são substituídos “pelas necessidades dos empresários e trabalhadores da economia real”.
“Essa situação é uma bomba-relógio, como mostram os recentes acontecimentos no mundo árabe. É nossa responsabilidade coletiva evitar uma crise social”, disse Somavia.
A crise econômica deu uma nova legitimidade à organização sediada em Genebra, cujo discurso “social” foi muitas vezes ignorado e mais tarde adotado por outras organizações internacionais.
Tratado Internacional
Durante as duas semanas de reunião, os Estados membros da OIT vão analisar se adotam um novo instrumento jurídico – uma convenção acompanhada de uma recomendação – sobre as condições dignas de trabalho para os empregados domésticos.
Ryder disse que a convenção reflete a vontade da OIT de dar enfoque à “mais excluída, menos visível e mais explorada” das forças de trabalho.
Ele disse à swissinfo.ch que alguns países e empregadores ainda se mostram hesitantes sobre a aprovação do tratado, mas “não vejo grandes blocos de oposição ou obstáculos”.
Os problemas remanescentes são de natureza estritamente técnica e há amplo apoio à iniciativa, que foi negociada em Genebra no ano passado, acrescentou.
Otimismo
Giangiorgio Gargantini, especialista na questão dos trabalhadores domésticos na sede em Genebra do Sindicato Interprofissional dos Trabalhadores, também disse estar otimista de que um acordo seja adotado na reunião.
“Ele deve passar, mas não vai ter uma influência imediata, já que precisa ainda ser ratificado pelos Estados”, observou.
Existem atualmente cerca de 50 mil empregadas domésticas não registradas na Suíça, mas isso pode ser só metade da realidade, dizem os especialistas.
A partir de primeiro de janeiro de 2011, os trabalhadores domésticos empregados na Suíça devem ganhar pelo menos 18,20 francos por hora (17,40 dólares), como parte do novo padrão nacional de contrato de trabalho.
Todos os estados serão obrigados a adotar as normas do salário mínimo em 31 de dezembro de 2013, com exceção do Cantão de Genebra, que já apresentou as diretrizes do salário mínimo em vigor.
por master | 06/06/11 | Ultimas Notícias
O fator previdenciário é nocivo para o trabalhador e é necessária a construção de uma alternativa que possibilite sua extinção. Esse foi o único consenso ao qual chegaram os participantes da reunião realizada, na tarde da última quinta-feira (2), entre representantes das seis centrais sindicais e os ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, e Garibaldi Alves Filho, da Previdência Social, para debater o fim do fator previdenciário.
Para os líderes sindicais, o encontro reforça as articulações do movimento sindical contra um mecanismo que reduz os valores dos proventos e retarda a aposentadoria. O fim do fator previdenciário une todas as correntes do sindicalismo brasileiro e foi uma das reivindicações aprovadas na Conclat 2010.
Os sindicalistas lembram que o fator previdenciário fez parte do pacote de reformas neoliberais do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.
Sem acordo, ficou acertado que será agendado um próximo encontro logo que o governo construa uma proposta concreta para acabar com o fator. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, disse que se as negociações com o governo não prosperarem, as centrais devem trabalhar para derrubar o veto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à emenda, já aprovada no Congresso, que acabou com o fator previdenciário.
O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, apresentou a proposta que chegou a ser negociada no ano passado com os aposentados e trabalhadores. De acordo com a proposição, o fator previdenciário daria lugar à fórmula 85/95.
As mulheres poderiam se aposentar sem redução no seu benefício, contanto que alcançasse o total de 85 pontos quando somado o tempo de contribuição previdenciária e a sua idade. Para os homens, o resultado dessa soma teria que ser 95.
Os sindicalistas não concordam em começar a discussão a partir das negociações do ano passado. E pediram o reinício do debate para tentar chegar a um novo acordo.
O secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Francisco Canindé Pegado, foi o primeiro a se posicionar contrário, alegando que a UGT já se posiciona contra a fórmula 85/95 desde o ano passado. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, também antecipou que a CTB não concorda com essa fórmula.
Por sua vez, Antônio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), lembrou que, no ano passado, a CGTB concordou com a alternativa 85/95, mas, como não se chegou a um consenso naquele momento, agora é preciso que uma nova proposta seja construída.
O presidente da Confederação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Cobap), Warley Martins, disse que sua entidade acompanhará o que a maioria das centrais decidir. Na mesma linha, o senador Paulo Paim (PT-RS) garantiu que o acordo que for fechado pelas centrais será defendido por ele no Congresso Nacional.
Ao final da reunião prevaleceu a sugestão do assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República, José Lopes Feijó: o governo vai detalhar uma proposta para apresentar aos aposentados no próximo encontro a ser agendado.
Feijó substituiu o ministro Gilberto Carvalho, que teve que se ausentar da reunião logo no seu início, em virtude do assassinato de um trabalhador rural em Eldorado dos Carajás (PA). (Fonte: Ministério da Previdência Social)
por master | 06/06/11 | Ultimas Notícias
A Comissão Especial sobre o Trabalho Terceirizado, instalada na última terça-feira (2), realiza reunião para elaboração do roteiro de trabalho, eleição de vice-presidentes e votação de requerimentos.
O encontro vai acontecer no plenário 15, às 14h30.
Na semana passada, a Comissão de Trabalho só não votou parecer favorável ao PL 4.330/04, do deputado Sandro Mabel (PR-GO) porque houve pedido de vista. Nesta semana, a CCJ pautou o PL 4.302/98, cujo parecer favorável foi apresentado pelo petista João Paulo Lima (PE).
O movimento sindical precisa pressionar a Câmara para que estes projetos sejam sobrestados, a fim de que a comissão especial possa construir alternativa a estes projetos que são nefastos aos interesses da classe trabalhadora.
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
Terceirização: projeto de FHC na pauta da CCJ
Está na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados o substitutivo do Senado ao PL 4.302/98, que altera dispositivos da Lei 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas. A matéria dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros.
O relator, deputado João Paulo Lima (PT-PE) ofereceu parecer é pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa ao substitutivo do Senado. Caso seja aprovado, o projeto vai à sanção presidencial.
Redações finais na CCJ
Profissionais diplomados
O PL 2.827/08, do deputado Vicentinho (PT-SP), altera a ementa e os artigos 1º e 4º da Lei 4.950-A, de 22 de abril de 1966, que dispõe sobre a remuneração de profissionais diplomados em Escolas de Engenharia, Química, Arquitetura, Agronomia e Veterinária.
Repouso semanal remunerado
Outro projeto que está na agenda do colegiado para ser apreciado redação final é o PL 3.898/08, do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), que altera a redação do artigo 12 da Lei 605, de 5 de janeiro de 1949, que dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos, para atualizar o valor da multa administrativa devida pelas infrações àquela Lei.
A comissão se reúne, nesta terça-feira (7), às 14h30 no plenário 1.
Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público
Práticas contra sindicatos
Nesta terça-feira (7), às 14h30, as comissões de Trabalho; e de Direitos Humanos e Minorias realizam mesa-redonda sobre práticas contra sindicatos em desacordo com a Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A reunião acontece no plenário 12.
Saúde do trabalhador
A Comissão de Trabalho pode votar Requerimento 47/11, do deputado Assis Melo (PCdoB-RS), para realização de audiência pública, com objetivo de debater as políticas públicas adotadas nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador.
Outro requerimento em pauta é o de número 48/11, da deputada Flávia Morais (PDT-GO), para realização de audiência pública sobre a desoneração da folha de pagamento das empresas.
Gorjeta
O colegiado pode votar PL 7.443/10, do Senado Federal, (no Senado PLS 471/2009), que acrescenta parágrafos 4º a 6º ao artigo 457 CLT, para tipificar a apropriação indébita de gorjeta. A matéria tem como relator o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), cujo parecer é pela aprovação da matéria.
Contribuição sindical
A Comissão pode votar ainda o PL 6.688/09, do Senado Federal (no Senado, PLS 281/2008), que altera dispositivos da CLT para fixar prazo para recolhimento da contribuição sindical. O relator da matéria, deputado Augusto Coutinho (DEM-PE) ofereceu parecer pela aprovação da iniciativa.
De acordo com o projeto, fica o dia 5 de abril de cada ano como data para o recolhimento da contribuição sindical dos empregados e trabalhadores avulsos.
A comissão se reúne às 10h, desta quarta-feira (8) no plenário 12.
Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
Cooperativas dos profissionais de Saúde
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio pode votar o PL 318/11, do deputado Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), que regulamenta o exercício da atividade das Cooperativas de Profissionais da Saúde. O relator, deputado Giacobo (PR-PR) ofereceu parecer pela aprovação da matéria.
A Comissão se reúne, nesta quarta-feira (8), às 9h no plenário 5.
Comissão de Seguridade Social e Família
Saúde dos trabalhadores ferroviários
A Comissão de Seguridade Social e Família realiza audiência pública sobre a situação do Serviço Social das Estradas de Ferro e o plano de saúde dos ferroviários. Foram convidados o diretor-executivo do Serviço Social das Estradas de Ferro, Jorge Moura; o diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários, João Morais; os presidentes da Federação Nacional Independente dos Trabalhadores sobre Trilhos, Jerônimo Neto; e da Associação Mútua Auxiliadora dos Empregados da Estrada de Ferro Leopoldina, Raimundo de Araújo.
A reunião vai ser, nesta terça-feira (7), às 14h30, no plenário 7.
Braskem: segurança dos trabalhadores
Está na pauta da Comissão de Seguridade Social e Família Requerimento 50/11 para realização de audiência pública para avaliar a segurança dos trabalhadores da empresa Braskem, e as condições do vazamento de cloro que vitimou 130 pessoas.
Perícia médica
Outro requerimento em pauta é o 51/11, para realização de audiência pública, em data a ser oportunamente marcada, com o objetivo de discutir o modelo de realização de perícia médica, adotado atualmente pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), para fins de concessão do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC).
O colegiado se reúne, nesta quarta-feira (8), às 9h30, no plenário 7.
Comissão Especial
Reforma política
A Comissão Especial sobre a Reforma Política realiza, nesta terça-feira (7), debates a respeito de domicílio eleitoral, tempo de filiação partidária e fidelidade partidária.
A reunião vai ser no plenário 11, às 14h.
por master | 06/06/11 | Ultimas Notícias
Campinas (SP) – A Justiça do Trabalho concedeu liminar nos autos da ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho em Ribeirão Preto, impedindo a empresa Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S.A., localizada na cidade de Jaboticabal (SP), de terceirizar sua atividade-fim. A partir de sua citação, a usina deve contratar diretamente a mão de obra destinada ao setor de mecanização e transporte da cana-de-açúcar.
O pedido partiu da constatação de fraude em esquemas de terceirização. Segundo investigações, a empresa transferiu todo o seu maquinário para empregados que manifestaram interesse em abrir empresa e manter contrato exclusivo com a LDC no corte mecanizado e transporte de cana. O contrato previa o repasse de parte dos lucros à usina como pagamento pelo maquinário, durante toda a safra.
Os trabalhadores que adquiriram o equipamento não dispunham de estrutura administrativa e condições financeiras para manter a mão de obra contratada, o que provocou o surgimento de diversas irregularidades trabalhistas, entre elas, atrasos salariais, jornadas de trabalho excessivas – cerca de quatorze horas trabalhadas por dia, sem folgas – e atos discriminatórios contra empregados que exerceram o direito de ação, tendo sido dispensados por ajuizar reclamação trabalhista.
Em audiência realizada em 2010, a empresa se comprometeu a adotar medidas de forma a enquadrar o processo de terceirização às determinações legais. Porém, o sindicato da categoria denunciou ao MPT a continuidade do ilícito, com a utilização de forma indiscriminada de empresas terceirizadas. As irregularidades decorrentes da terceirização, como o não pagamento de salários, persistiam.
“O processo de terceirização adotado pela LDC Bioenergia foi interpretado pelo Ministério Público do Trabalho como uma manobra ilegal para a contratação de mão de obra barata, com consequente fraude de direitos trabalhistas, tendo por finalidade a redução dos custos do empreendimento. A lei impede a terceirização sem limites e a alienação da força de trabalho, por meio da qual se obtém o lucro com o agenciamento dos trabalhadores”, observa o procurador Élisson Miessa dos Santos, autor da ação.
A Justiça reconheceu a prática de terceirização ilícita e precarização das condições de trabalho, além de fraude nas contratações de trabalhadores para a realização das atividades-fim da empresa e “pejotização”, situação na qual os trabalhadores se convertem em pessoas jurídicas para fornecer mão de obra à empresa. Com a decisão liminar, a LDC fica impedida de utilizar empresas terceirizadas em atividades de preparo, plantio, trato cultural, corte, colheita e carregamento de cana, ou de contratar pessoas jurídicas que agenciem mão de obra, conforme os artigos 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
“Omitir-se diante de tais condutas implicaria em verdadeiro retrocesso social, propiciando ambiente favorável à configuração do dumping social e obtenção de vantagens indevidas (através da fraude na contratação de trabalhadores) em relação às concorrentes que cumprem com suas obrigações legais, notadamente aquelas atinentes aos direitos trabalhistas. O ser humano não pode ser considerado como mero instrumento na busca do desenvolvimento econômico-social, deve ser considerado como um fim em si mesmo, não podendo a conduta ilícita da ré se sobrepor ao principal fundamento dos Direito Humanos: a dignidade da pessoa humana”, fundamenta o juiz Ismar Cabral Menezes, da 1ª Vara do Trabalho de Jaboticabal.
Caso não cumpra a medida judicial, a LDC está sujeita ao pagamento de multa no valor mínimo de R$ 500 mil para cada relação de trabalho irregular. No mérito da ação, o MPT pede a condenação da usina em R$ 5 milhões por danos morais causados à coletividade.
por master | 06/06/11 | Ultimas Notícias
No dia seguinte ao confronto com policiais, categoria faz manifestação em frente à Assembleia Legislativa fluminense
A prisão de 439 bombeiros na manhã de sábado, após a invasão do quartel-general da corporação carioca na noite de sexta-feira, não inibiu o restante da categoria, que deu continuidade aos protestos por reajuste salarial. Acampados em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ontem, cerca de 300 pessoas cobravam a reabertura das negociações por aumento nos salários, melhores condições de trabalho e a libertação dos detidos. Hoje, a Associação dos Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros deve se reunir com representantes de outras entidades para avaliar os rumos do movimento. “Tivemos informações de que o novo comandante está disposto a nos receber”, destacou o presidente da entidade, Nilo Guerreiro. Segundo ele, os profissionais recebem cerca de R$ 950 por mês e querem que o valor suba para R$ 2 mil.
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que demonstrou grande irritação com o incidente e substituiu o comandante da corporação, voltou a criticar os manifestantes por meio de uma nota oficial divulgada ontem. “Ninguém planeja levar marretas para ‘manifestações pacíficas’. E é incomensurável a gravidade de unir armas a crianças — expondo-as a todo tipo de risco — por parte daqueles que se apresentaram como líderes da manifestação.” Apesar da desaprovação, o comunicado sugere uma possibilidade de negociação: “Os milhares de bombeiros que orgulham o nosso estado e são leais à premissa do salvamento têm e merecem do governo do Rio de Janeiro o diálogo — sempre e reafirmadamente aberto —, no caso, por meio da Secretaria de Saúde e Defesa Civil e do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros”.
Segundo a Secretaria de Saúde e Defesa Civil, os 439 presos deixaram ontem a Corregedoria da Polícia Militar e seguiram de ônibus para a sede da Academia dos Bombeiros em Jurujuba, Niterói. Lá, foram acomodados com colchões e agasalhos em um ginásio. Uma mulher, quatro oficiais e cinco praças foram enviados a outras unidades.
Encontro
O titular da Secretaria de Saúde, Sérgio Cortês, voltou de uma viagem oficial aos Estados Unidos assim que soube do início dos transtornos causados pelo acirramento da manifestação. A primeira medida, ontem, foi encontrar o novo comandante do Corpo de Bombeiros, Sérgio Simões, indicado para o lugar do coronel Pedro Machado. Os dois verificaram as instalações do quartel-general para avaliar os danos causados durante o incidente.
Os líderes da invasão podem ser condenados a até 12 anos de reclusão, de acordo com Código Penal Militar. No entanto, como cada caso será avaliado individualmente, ainda não é possível dizer quais punições serão aplicadas, como destacou a Secretaria de Segurança Pública do estado neste domingo.
Danos
De acordo com o Grupamento Operacional do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros, a invasão ao quartel, no Centro da cidade, por cerca de 2 mil pessoas, entre integrantes da corporação e familiares, ocasionou diversos danos ao patrimônio público. Há vários sinais de arrombamento em portas e janelas, portões de ferro e vidros quebrados. Na área de convivência, a mesa de sinuca foi destruída, assim como cadeiras e uma geladeira. As viaturas tiveram ainda vidros danificados e pneus esvaziados ou perfurados por projéteis. O órgão ainda não informou o prejuízo financeiro causado pelos estragos, nem a previsão de conserto.
por master | 06/06/11 | Ultimas Notícias
Das 16 fábricas de automóveis no Brasil hoje apenas uma não foi ainda citada nos vultosos programas de investimentos anunciados pela indústria automobilística. Essa mesma fábrica está paralisada há um mês em consequência de uma greve. Os motivos que teriam levado a Volkswagen a excluir a unidade do Paraná dos planos de ampliação industrial e projetos de novos carros não são revelados.
Mas um impasse nas relações trabalhistas em proporções que fugiram ao controle de ambas as partes torna ainda mais incerto o futuro dessa operação.
Uma greve tão longa provoca surpresas por diversas razões. O motivo do movimento – pagamento de participação nos resultados, a PLR – já foi acertado com todos os demais empregados da indústria automobilística, incluindo as outras duas fábricas da Volkswagen – em Taubaté, no interior de São Paulo, e São Bernardo do Campo. Temida no passado, a base metalúrgica do ABC, aliás, não fala em greve há cinco anos.
Poucas vezes a indústria automotiva mostrou-se incapaz de reverter um movimento grevista em épocas de mercado aquecido como o de hoje. O setor há meses trabalha freneticamente para atender à demanda. As vendas de veículos em maio superaram 26% de crescimento na comparação com um ano atrás e o volume acumulado no ano é 8,8% maior que o dos cinco primeiros meses de 2010.
A unidade do Paraná, apesar de moderna, acumula uma série de problemas desde a sua inauguração, em 1999
Os fornecedores confirmam que estão abarrotados de pedidos. Para completar, a chegada de mais concorrentes, como as marcas chinesas, desestimula qualquer montadora a desacelerar o ritmo.
A direção da Volks queixa-se da intransigência do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. Os trabalhadores rejeitaram a última proposta da empresa, de pagar R$ 5,2 mil na primeira parcela do PLR. Eles reivindicam R$ 6 mil na primeira parcela do PLR que totalizaria R$ 12 mil. E recusam trabalho adicional para compensar a greve.
Além dos cerca de 3 mil empregados da Volks, o movimento afeta, diz o sindicato, outras dez empresas da vizinhança, que empregam mais cerca de 3 mil. Cerca de 18 mil carros deixaram de ser produzidos desde o início da greve.
Impasses com o sindicato paranaense são comuns não só na Volks, com a fábrica em São José dos Pinhais, como nas outras duas montadoras do Paraná – Volvo e Renault. As três se acostumaram com greves, que acabam sendo decididas na Justiça.
Antes de Volks e Renault investirem, no final da década de 90, a participação do Paraná na produção nacional de veículos não passava de 0,5%. Com o reforço, a fatia subiu para quase 11%. Isso, na visão de alguns executivos, teria fortalecido subitamente o sindicato – ligado à Força Sindical.
Mas a questão não se limita à esfera sindical. No caso da Volks, a fábrica do Paraná, apesar de moderna, acumula problemas desde a inauguração, em 1999. A instalação surgiu para produzir carros da marca Volkswagen e da Audi, outra empresa do grupo Volks.
O empreendimento começou com a do modelo Audi A3 e Golf, que usavam a mesma plataforma. A ideia fracassou a partir do momento em que versões mais modernas foram lançadas na Europa.
As novas gerações do A3 na Europa eram mais caras, o que inviabilizou a produção no Brasil. O A3 passou a ser importado. No caso do Golf, a equipe de engenharia no Brasil criou um modelo específico para o mercado local, mais simples que a versão feita na Europa.
Com a suspensão da produção da Audi, a fábrica paranaense teve de mudar de vocação. Continuou a produzir o Golf, mas também recebeu a linha de um carro menor, o Fox, lançado em 2003.
O Fox e sua versão utilitária Crossofox são hoje a forças da fábrica do Paraná. O modelo é o quarto mais vendido no mercado brasileiro. Mas a unidade paranaense ficou fora do último programa de investimentos de R$ 6,2 bilhões, entre 2010 e 2014.
Quando anunciou a divisão dos recursos, a direção da Volks citou São Bernardo, Taubaté e a fábrica de motores de São Carlos. Nessas instalações as mudanças têm sido visíveis. ABC e Taubaté já receberam reforços nas cabines de pintura, uma forma de poder ampliar a capacidade produtiva.
Os problemas da Volks no Paraná também revelam as dificuldades que surgiram a partir da descentralização do parque automotivo. Na guerra fiscal durante o regime automotivo, em meados da década de 90, o governo do Paraná teve sucesso ao atrair investimentos em troca de benefícios, como dilação do prazo d recolhimento do ICMS. Os acordos foram fechados na gestão de Jaime Lerner.
Mas as coisas mudaram com o governo de Roberto Requião (PMDB), que passou as duas gestões combatendo incentivos para grandes empresas. Fontes do setor lembram os problemas que surgiram com a falta de acordos com as empresas de dragagem, o que acabou levando dificultando o uso do porto de Paranaguá.
O quadro mudou nas últimas eleições e, segundo fontes das empresas, o governador Roberto Richa (PSDB) tem agradado as multinacionais. Já aparecem esforços para voltar a atrair investimentos.
Para Ricardo Barros, secretário da Indústria e Comércio do Paraná, a greve da Volks atrapalha os planos do novo governo, de atrair indústrias para o estado. “Cria um ambiente de ABC que não temos”, diz.
Segundo ele, o governo tenta ajudar a resolver o caso. Ontem, ele recebeu a visita de representantes da fabricante de autopeças japonesa THK, que estuda investimento em uma fábrica de barras de direção para automóveis.
Há pouco tempo, a americana Paccar sondou o Paraná para investimentos em fábrica de caminhões e a japonesa Sumitomo, anunciou a construção de uma fábrica de pneus no estado. (Fonte: Valor Econômico)