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Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

O custo da cesta de produtos alimentícios essenciais registrou queda, em agosto, em 16 das 17 capitais analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O recuo foi maior em Natal, onde a cesta ficou 6,39% mais barata, e depois em Recife, 6,28%.

Retrações menores foram registradas em Florianópolis (0,08%), Goiânia (0,49%), no Rio de Janeiro (0,57%) e em Curitiba (0,71%).

A única capital onde foi registrada elevação foi Porto Alegre (1,36%).

Entre os itens que influenciaram o recuo, na maioria das capitais, está o tomate, que registrou queda em 14 das localidades pesquisadas.

As maiores reduções foram registradas em Natal (45,74%), Fortaleza (38,78%), Salvador (37,10%) e Recife (31,60%). Os aumentos foram apurados em Florianópolis (5,08%), Goiânia (5,97%) e Porto Alegre (12,97%).

O feijão foi outro item que influenciou a queda no custo da cesta, com o preço ficando menor em 13 capitais, com destaque para Belo Horizonte (12,44%), Recife (11,67%), São Paulo (10,34%) e Natal (9,11%).

O preço do arroz ficou menor em 12 cidades, especialmente em Brasília (8,37%), Aracaju (5,10%) e Vitória (3,93%).

O coordenador da pesquisa, José Maurício Soares, explicou que a queda do preço do tomate, em quase todas as capitais, ocorreu porque o custo do produto estava muito alto em meses anteriores e, não havendo sustentação para manter o preço elevado por mais tempo, veio a redução.

“A melhora do clima, com menos geada e frio intenso, também contribuiu”, disse. (Fonte: Agência Brasil)

Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

Desigualdade cai, mas rendimento dos muito pobres sobe menos

O rendimento médio real do trabalho cresceu 2,2%, chegando a R$ 1.106 por mês. A renda média mensal real por domicílio cresceu 1,5%, alcançando R$ 2.085. O Índice de Gini, que mede o grau de desigualdade de zero (igualdade plena) a um (desigualdade total), melhorou tanto pela renda do trabalho quanto do pela renda domiciliar.

O desemprego aumentou, mas o emprego formal, de melhor qualidade, também. E a ocupação subiu, mesmo sem acompanhar o crescimento populacional.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada anualmente pelo IBGE, mostrou que a crise econômica iniciada em setembro de 2008 teve impacto, mas não foi suficiente para reverter a trajetória favorável da maioria dos indicadores sócio-econômicos brasileiros nos últimos anos.

“Na verdade, esta não é uma Pnad tão boa quanto a do [começo do] real, nem como a do real do Lula [presidente Luiz Inácio Lula da Silva], de 2003 a 2008. Não é tão pungente, mas é um dado bastante razoável”, destaca o economista Marcelo Néri, especialista em indicadores sociais da Fundação Getulio Vargas.

De 2008 para 2009, a Pnad mostra que o índice de Gini do rendimento do trabalho andou três milésimos a favor da redução da desigualdade, passando de 0,521 para 0,518, ritmo inferior aos dos outros anos.

Os dados revelam também que desta vez, diferentemente dos últimos anos, a queda não beneficiou os 10% mais pobres da população que tiveram aumento zero no rendimento do trabalho, que foi de R$ 127 em média nos dois anos. No grupo seguinte, dos 10% a 20% mais pobres, o rendimento só subiu 0,65%. Em 2008, a renda deste dois grupos subiu muito mais – 4,1% e 6,9%.

Já os 10% mais ricos alcançaram uma renda média mensal de R$ 4.702, 1,75% maior do que em 2008 e, no topo da pirâmide, a faixa de 1% de renda mais elevada obteve ganho de 3,3%. Em 2008, esta parcela mais rica da população teve ganhos menores, de 0,3% e 1,1%, respectivamente.

O que sustentou a queda da desigualdade foram as camadas intermediárias de renda, os grupos na faixa entre R$ 459 e R$ 710 de receita média mensal do trabalho (a Pnad divide os grupos de renda de 10% em 10%).

Para os analistas Sônia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), e Jorge Abraão, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, o fenômeno tem a ver com a política de ganhos reais do salário mínimo.

Quando a conta é feita com base na renda domiciliar, que conta rendimentos de outras fontes que não a do trabalho, como aposentadorias, benefícios sociais (Bolsa Família, por exemplo) e outras fontes, o valor médio alcançado em 2009 foi mais bem distribuído, com crescimento de 1,46% entre os 10% mais pobres e de apenas 0,1% entre os 10% mais ricos.

Sônia, do Iets, avalia que os benefícios como o Bolsa Família são importantes, mas muito pequenos para influenciar de forma significativa nas estatísticas de renda e prefere, mesmo ressalvando ainda não ter estudado os números em detalhes, atribuir a melhora na distribuição da renda familiar – o Índice de Gini sob esse ponto de vista caiu de 0,514 para 0,509 – a fatores como o próprio salário mínimo e a aspectos demográficos, como a redução do número de crianças e jovens (a população de 0 a 24 anos baixou em 642 mil pessoas em relação a 2008), liberando mais adultos para trabalhar.

Néri, da FGV, elaborou os dados da Pnad, transformando a renda bruta domiciliar em renda domiciliar per capita, concluindo que, apesar da crise, a renda média do brasileiro subiu no ano passado 2,04%, passando de R$ 618 para R$ 630.

Ainda segundo suas contas, houve aumento de 3,15% na renda dos 40% mais pobres e de apenas 1,09% na dos 10% mais ricos, fazendo com que houvesse uma queda da taxa de pobreza do país de 16,02% para 15,32% da população, uma queda de 4,37%.

De acordo com Neri, os números significam que o total de pobres no Brasil ficou 1,02 milhão menor, passando de 29,86 milhões para 28,84 milhões.

O economista trabalhou com a linha de pobreza adotada pela FGV que considera pobre quem ganha até R$ 140 por mês. Segundo ele, se a linha adotada for a de meio salário mínimo, o total de pobres foi reduzido em três milhões no ano passado.

O economista destacou o que considera uma discrepância entre os dados da Pnad e os das Contas Nacionais (medem o Produto Interno Bruto-PIB). Pelos dados do PIB, que caiu 0,2% no ano passado, cada brasileiro ficou cerca de 1,5% mais pobre em 2009, enquanto os números da Pnad mostram crescimento da renda.

Mesmo ressalvando que os números da pesquisa social tendem a convergir para os mesmos do PIB ao longo do tempo, Neri ressaltou a tese de um grupo de economistas, entre eles o Prêmio Nobel americano Joseph Stiglitz, de que não se deve olhar apenas para o PIB na hora de medir os avanços de um país ou região.

Para Abraão, do Ipea, os resultados da Pnad foram positivos se considerarmos que eles foram coletados em setembro de 2009, justamente no ponto de saída da crise. Para ele, a alta da taxa de desemprego, de 7,2% para 8,4%, “tem tudo a ver com a crise”, bem como a queda de 57,5% para 56,8% no nível de ocupação (população ocupada em relação à população em idade ativa) de um ano para outro.

Apesar da pequena queda na taxa de analfabetismo, de 9,8% para 9,6%, dando sequência a uma redução histórica, Sônia, do Iets destacou que a qualidade da educação segue sendo o calcanhar de aquiles da trajetória sócio-econômica brasileira.

Outro destaque levantado pelos analistas, neste caso negativo, foi o baixo crescimento do saneamento básico. Entre 2008 e 2009 a quantidade de domicílios com rede coletora ou fossa séptica ligada à rede coletora de esgoto pulou de 34,1 milhões para 34,6 milhões.

Em números relativos, houve queda no volume de residências com esse serviço – de 59,3% do total em 2008 para 59,1% no ano passado.

Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

‘Fichas Sujas’ lideram arrecadação de campanha, segundo TREs

Segundo a Folha de S.Paulo, a receita atual de R$ 6,9 milhões, aumentou R$ 3,8 milhões nos dois últimos meses.

Cinco entre os nove “fichas-sujas” foram financiados por terceiros, um principalmente por pessoas jurídicas e quatro via doações indiretas (partidos ou comitês).

Dois entre os nove “fichas-sujas” foram financiados por comitês eleitorais.

O candidato ao Senado Ivo Cassol (PP-RO), por exemplo, incrementou em 955% sua campanha, sobretudo com recursos do comitê. São R$ 611 mil, ou 84% do total (R$ 721 mil).

Entre os 9 “fichas-sujas”, 2 receberam recursos transferidos do partido. Raimundo Carvalho da Silva (PV-CE), que disputa o governo, foi 100% financiado pelo PV, que doou R$ 50 mil.

Joaquim Roriz (PSC-DF) teve como principal financiador pessoas jurídicas. Empresas ou entidades doaram R$ 1 milhão (92% do total).

Roriz foi o único que recebeu doações de pessoas físicas: 7% dos recursos (R$ 91 milhões) vêm desta fonte. (Fonte: Última Instância)

Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

Aplicação com FGTS deve ser mantida por um ano

Uma circular da Caixa Econômica Federal, publicada no Diário Oficial da União de ontem, estabeleceu os procedimentos para a utilização do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) no processo de capitalização da Petrobras. Pela regra, somente após 12 meses da data da aplicação, os recursos poderão retornar à conta vinculada do FGTS. O documento confirma ainda o que já se sabia há meses: somente poderão adquirir ações da estatal aqueles trabalhadores que já sejam cotistas de Fundo Mútuo de Privatização (FMP) e já detenham ações da Petrobras – compradas em 2000, quando a companhia fez uma oferta pública.

O trabalhador que quiser acompanhar a capitalização da Petrobras com parte de seu Fundo de Garantia deverá dirigir-se diretamente ao banco onde tem aplicação e levar o extrato de sua conta vinculada ao FGTS, documento enviado pela Caixa ao cotista a cada dois meses. Se o trabalhador tiver perdido o documento, poderá obter uma segunda via na internet, em terminais da Caixa ou nas agências do banco.

O investidor prioritário – categoria em que se incluem as pessoas que investem parte do FGTS na Petrobras – deverá respeitar o prazo de reserva de ações, de 13 a 16 deste mês, para aderir à oferta pública. Nesse momento, o trabalhador deverá definir quanto quer gastar e quantas ações vai comprar, levando em conta o teto de 30% do saldo na conta vinculada do FGTS.

Pela estimativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), existem hoje cerca 89 mil cotistas que poderão acompanhar a operação usando seu FGTS. Segundo o prospecto da capitalização, documento editado pela CVM que detalha a operação, o investimento mínimo para uma pessoa física será de R$ 1 mil, e o máximo, de R$ 300 mil.

Se a Caixa aprovar a aplicação, o valor ficará indisponível na conta do FGTS até a liquidação da oferta pública, marcada para o dia 29 deste mês. Durante o período de oferta de ações, as contas bloqueadas para FMP não poderão ser movimentadas. Após a aplicação, caso o trabalhador queira desfazer a operação e reaver o valor em sua conta, deverá aguardar o período de carência, de um ano, contado a partir da data da liquidação da oferta.

Depois do período de reservas para os acionistas prioritários, grupo em que estão incluídos também acionistas da Petrobras sem o uso do FGTS, haverá a oferta ao varejo, para qualquer brasileiro. O prazo para essa reserva vai do dia 13 a 22 deste mês.

Tendência de alta

Depois de amargar quase 30% de queda desde janeiro, os papéis da Petrobras retomaram a curva de alta na semana passada com a definição do processo da capitalização, marcada para 30 de setembro. Para analistas, a reversão da curva é só uma amostra do que pode acontecer com o papel da companhia depois da capitalização. Os especialistas em investimentos explicam que a definição, na quarta-feira, do preço do barril que irá compor a cessão onerosa tirou os receios do mercado sobre o desempenho futuro da companhia. “Agora voltamos a ter a Petrobras, seus fundamentos, projetos e investimentos. Até então, tínhamos apenas dúvidas sobre o que ocorreria com a empresa”, avalia Max Bueno, analista da corretora Spinelli.

Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

Ficha limpa chega ao Supremo Tribunal Federal

Depois de ser considerada aplicável nas eleições de outubro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), agora é a vez da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10) passar pelo crivo da mais alta corte de Justiça do país. Dois candidatos barrados com base nas novas regras de inelegibilidade entraram, na última segunda-feira (6), com reclamações no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando o uso da norma no pleito de 2010. Ao julgar os dois recursos, o STF vai colocar um ponto final na discussão se a Ficha Limpa é ou não constitucional.

Os casos, de acordo com o Supremo, ainda não foram distribuídos para os ministros da corte, responsáveis por cuidar da aplicação correta da Constituição Federal de 1988. Porém, já que trata de uma lei que pode alterar o resultado de eleições, existe a expectativa que a análise de casos concretos questionando a ficha limpa possam ocorrer antes de 3 de outubro. Contando com esta quarta-feira, faltam 26 dias para o brasileiro ir às urnas e escolher o novo presidente da República, governadores, senadores, deputados estaduais, distritais (no caso do Distrito Federal) e federais.

Entraram com reclamações no Supremo Joaquim Roriz (PSC), ex-governador do DF e candidato ao quinto mandato à frente do Executivo local, e Francisco das Chagas Rodrigues Alves (PSB), candidato a deputado estadual no Ceará. A história de ambos é similar. Os dois foram barrados pelas cortes eleitorais locais com base nas novas regras de inelegibilidade. Depois, ambos recorreram das decisões dos TREs no TSE. E ambos foram derrotados no Tribunal Superior Eleitoral. Agora, questionam no STF a aplicabilidade da lei para 2010.

As duas reclamações são assinadas pelos mesmos advogados. Alberto Pavie Ribeiro, Pedro Gordilho e Emiliano Alves Aguiar usaram as peças jurídicas para atacar, especialmente, o princípio da anualidade, previsto no artigo 16 da Constituição Federal. O recurso no nome de Joaquim Roriz é dedicado fundamentalmente à tentativa de desmontar o entendimento do TSE, na análise de duas consultas e de quatro casos concretos, de que a Lei da Ficha Limpa não muda o processo eleitoral e, portanto, pode ser aplicada para outubro.

Em 31 de agosto, os ministros do TSE decidiram por seis votos a um que Roriz não pode se candidatar ao governo por ter renunciado ao mandato de senador, em 2007, para escapar de um processo por quebra de decoro parlamentar. Enquanto não houver decisão final – trânsito em julgado -, a legislação eleitoral permite que ele continue sua campanha normalmente.

A representação do Psol à Mesa Diretora do Senado, em 2007, referia-se aos fatos investigados pela Operação Aquarela, da Polícia Civil do DF, que obteve gravações de ligações telefônicas em que Roriz aparecia discutindo a partilha de um cheque de R$ 2 milhões do empresário Nenê Constatino, dono da empresa Gol Linhas Aéreas. Na defesa, o então senador afirmou que a conversa era para fechar a compra de uma bezerra.

A ação de Roriz usa como base para questionar o uso da ficha limpa neste ano cinco decisões do Supremo que, em algum momento, trataram do princípio da anualidade. O artigo 16 da Carta Magna diz que “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”. Entre os casos citados pelos advogados de Roriz, estão a emenda constitucional que aumentou o número de vereadores nas Câmaras Municipais, e as leis que proibiram a divulgação de pesquisas eleitorais 15 dias antes do pleito e que determinaram o fim da verticalização.

Além disso, também é usada como base para contestar a aplicação da Lei da Ficha Limpa o julgamento de um recurso contra a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90) em maio de 1990 pelo Supremo. Na época, por maioria – seis votos a cinco –, os ministros entenderam que a norma deveria ser aplicada sem a necessidade de atender ao princípio do artigo 16 da Constituição. A Ficha Limpa atualizou e endureceu a 64/90.

“Ao final, restando demonstrado que a decisão do TSE proferida no RO 161660 desafiou a autoridade dos fundamentos e dos motivos determinantes das decisões proferidas nas ADI´s 354, 3685, 3741, 4307 e 3345, cuja eficácia e efeito vinculante devem ser observados por todos os órgãos da Justiça Eleitoral”, afirmaram os advogados. Eles pedem que o registro de candidatura de Roriz ao governo local seja aceito. Caso não, que, ao menos, o TSE julgue novamente o caso, sem poder aplicar a Lei da Ficha Limpa.

Em momento algum da reclamação, os advogados de Roriz tratam da questão da renúncia. No julgamento do TSE, o argumento mais usado pela defesa era que ele não poderia ser considerado inelegível por ter renunciado ao cargo três anos antes da ficha limpa existir. Para eles, abandonar o mandato para evitar a cassação foi o último passado do “ato jurídico perfeito”.

Compra de votos

O caso de Francisco das Chagas, conhecido como Neném de Itapipoca, difere do de Roriz na origem. Enquanto o ex-governador do DF foi barrado por conta da renúncia ao cargo de senador, o candidato a deputado estadual foi condenado, com decisão transitada em julgado, por compra de votos. A condenação ocorreu em 2004, e a possibilidade de recursos se esgotou dois anos depois.

Em 25 de agosto, os ministros do TSE concluíram o julgamento de Francisco das Chagas, que foi interrompido duas vezes por pedidos de vista. Com a análise do caso específico, a corte firmou o entendimento de que a Lei da Ficha Limpa vale para outubro e que atinge condenações ocorridas antes da sanção da nova lei, em 4 de junho. A demora no julgamento é um dos argumentos da defesa, que diz que “está havendo, no caso, uma exploração indevida de adversários políticos sobre o fato de a Justiça Eleitoral ter recusado o registro”.

A defesa do candidato do PSB é dividida em duas partes. A primeira trata de um recurso extraordinário apresentado ao TSE e até hoje não apreciado pelo presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski. A segunda é uma cópia dos argumentos apresentados na reclamação de Joaquim Roriz. Os advogados reforçam que aplicar a Ficha Limpa nas eleições de outubro é irregular, ao ir de encontro ao artigo 16 da Constituição.

No entanto, os advogados fazem uma série de críticas ao TSE. Em especial, ao presidente da corte, Ricardo Lewandowski. A defesa de Francisco das Chagas entende que o ministro já deveria ter analisado o recurso extraordinário apresentado logo após o julgamento da ação de impugnação de registro de candidatura. Ao apresentar esse tipo de recurso, os advogados querem que o caso seja analisado pelo Supremo.

Porém, para haver a mudança de corte, o recurso precisa primeiro ser admitido por Lewandowski. Se ele considerar que não há embasamento para o recurso ser enviado ao Supremo, o caso termina no próprio TSE. “Resta demonstrada, pois, que a sucessão de fatos ocorridos nos presentes autos está impedindo que ele chegue ao STF para que essa Corte Constitucional possa apreciar as várias questões de natureza eminentemente constitucionais deduzidas”, dizem os advogados.

Recursos

Os casos de Roriz e de Francisco das Chagas são os primeiros a chegar no STF questionando a Lei da Ficha Limpa. No entanto, a corte suprema ainda possui uma série de recursos solicitando a anulação ou suspensão de decisões que resultaram no indeferimento de registros de candidatura com base nas novas regras de inelegibilidade. É o caso, por exemplo, do candidato a deputado federal Carlos Alberto Pereira (PDT), que foi barrado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

O pedetista foi condenado pela Justiça de Lavras por improbidade administrativa a pedido do Ministério Público estadual, devido à “publicação de matérias jornalísticas pagas pelo poder público”, quando prefeito de Lavras (MG). Ele recorreu ao TJ-MG, que manteve a condenação. Logo em seguida interpôs recursos para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e para o STF na tentativa de suspender a execução da sentença.

No STJ, conseguiu uma decisão provisória que afasta “a suposta inelegibilidade decorrente da LC 135 (Lei da Ficha Limpa)”. No STF, o empresário argumenta que está em “pleno gozo de seus direitos políticos” e salienta a urgência do pedido para que se julgue a cautelar no Supremo, antes que o TSE aprecie o recurso originário lá interposto contra o indeferimento do registro de candidatura.

Outro que entrou no Supremo foi Francisco Edilmo Costa (PR). Candidato a deputado estadual no Ceará, ele contesta decisão do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará (TCM-CE). De acordo com a ação, o TCM-CE rejeitou a prestação de contas relativas ao período que Francisco Edilmo exerceu o poder executivo municipal de 2001 a 2004. Por conta disso, o TRE local barrou a candidatura dele à Assembleia Legislativa. Este é o mesmo caso do candidato a deputado estadual Cirilo Antonio Pimenta Lima (PSDB), que também entrou com recurso no Supremo.

Também está nas mãos dos ministros do Supremo o recurso apresentado por Sueli Alves Aragão (PMDB), candidata a deputada estadual que foi barrada pelo TRE de Rondônia. Ela foi condenada por improbidade administrativa e com isso perdeu seus direitos políticos por cinco anos. Ela argumenta que a corte não poderia ter negado seu registro já que sua condenação não transitou em julgado ainda.

Diante da condição de inelegível, o TRE-RO rejeitou seu registro de candidatura com base na chamada Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010). Contra essa rejeição, a política ajuizou no STF uma Reclamação (Rcl 10501), com pedido de liminar, alegando ofensa ao princípio constitucional da presunção de inocência, uma vez que não houve trânsito em julgado de sua sentença condenatória.

Sueli Aragão pretende disputar uma vaga de deputado estadual e alega na reclamação que a decisão da Justiça Eleitoral de Rondônia afronta entendimento firmado pelo STF no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 144. Ao julgar essa ADPF, em agosto de 2008, o Supremo decidiu que a Justiça eleitoral não pode negar registro de candidatos que pretendem concorrer a cargos eletivos, sem que tenham condenação com trânsito em julgado.

Custo da cesta básica cai em 16 capitais, segundo dados do Dieese

Expansão do emprego cria círculo virtuoso

Pelo quinto ano seguido, geração de vagas no estado ocorre em ritmo mais acelerado do que em todo o país. Benefícios se espalham por vários setores

O Paraná gerou 114 mil empregos formais nos sete primeiros meses de 2010, elevando em 5,2% o número total de empregados. É o quinto ano consecutivo em que o mercado de trabalho do estado cresce além da média nacional – que teve aumento de 5% de janeiro a julho. Consequência do crescimento do PIB, a expansão do emprego acaba por estimular ainda mais a economia, gerando um círculo virtuoso.

A curitibana Pelissari, prestadora de serviços especializada em softwares de gestão, não deixou de crescer (e contratar) nem mesmo durante a crise. Entre seus 50 clientes há grandes multinacionais, que são muito influenciadas pelo desempenho da economia internacional e penaram um pouco em 2009, mas também companhias de médio porte mais voltadas ao mercado interno, “motor” do PIB brasileiro nos últimos anos.

Com esse “mix”, a Pelissari conseguiu manter sua taxa de crescimento em 35% em 2009. E só está reduzindo o ritmo neste ano, para algo entre 10% e 15%, para ter mais tempo de capacitar seus funcionários, explica o presidente, Rudi Pelissari. “Precisamos garantir que o faturamento de hoje seja transferido, em grande parte, para a formação de pessoas. É o que nos permitirá absorver mais trabalhos no futuro, crescendo com sustentabilidade.”

Incluída pela revista Época na lista das cem melhores empresas para se trabalhar no país, a Pelissari contratou 40 novos funcionários em 2010, elevando o total para 240 – dos quais 77% têm nível superior ou pós-graduação, e 22% estão cursando faculdade. “Com nosso investimento em treinamento e desenvolvimento dos funcionários, conseguimos manter baixos níveis de rotatividade. O que é fundamental em Curitiba, que tem atraído muitas empresas do setor”, conta o presidente da empresa, Rudi Pelissari.

Saúde

O crescimento do mercado de trabalho formal produz efeitos nos segmentos mais insuspeitos. Como, por exemplo, no ramo de análises clínicas. Quem explica é Marcos Kozlowski, sócio-proprietário do Lanac, laboratório curitibano que viu suas receitas crescerem cerca de 30% desde o início do ano.

“Investimos em marketing e na qualidade do atendimento. Mas, independentemente disso, de 90% a 95% das análises que fazemos são para clientes de planos de saúde. Então o que mais impulsiona nosso faturamento é o aumento da carteira de clientes dos planos de saúde. O que, por sua vez, ocorre principalmente quando há um crescimento do mercado de trabalho, pois a maioria das pessoas tem plano de saúde oferecido pela empresa onde trabalha”, diz Kozlowski. Criado há 19 anos, o Lanac acaba de se instalar em um novo endereço, onde ocupa 1,2 mil metros quadrados – quatro vezes o tamanho da antiga sede.

Veículos

Ao lado das facilidades de crédito, o incremento da massa salarial e a confiança na manutenção do emprego são os combustíveis do persistente aquecimento do mercado automobilístico brasileiro. Um movimento que tem efeito óbvio nas montadoras instaladas na Grande Curitiba – revertendo o tombo de 2009, a produção local bate recordes em 2010 – e também em fabricantes de peças e componentes. “O mercado nacional de veículos deve crescer uns 7% neste ano. Como nós conquistamos novos projetos, nossa produção aumenta em ritmo maior que esse”, conta Lucio Pinto, diretor comercial e de engenharia da Jtekt, multinacional japonesa com fábrica em São José dos Pinhais. Segundo ele, a empresa deve produzir 900 mil sistemas de direção neste ano, com alta de mais de 30% em relação a 2009.

Alimentos e bebidas

Com mais dinheiro no bolso, o trabalhador também pode “incrementar” um pouco mais suas compras no supermercado. O suco de uva premium (natural e sem conservantes), cujo mercado cresce cerca de 40% ao ano, vem ajudando a Vinhos Campo Largo a reverter a sazonalidade típica das vinícolas, cujas vendas se concentram no inverno. “No acumulado do ano já crescemos 14%. Mas com nossa consolidação no mercado do Nordeste e a expansão da linha de produtos, acreditamos em uma aceleração nos próximos meses, fechando o ano com alta de 22%”, conta Giorgeo Zanlorenzi, diretor-presidente da empresa.

Na Vapza, que produz alimentos cozidos e embalados a vácuo em Castro (Campos Gerais), o aumento de faturamento neste ano – estimado entre 40% e 50% – é atribuído à nova linha de carnes. “São produtos de valor agregado mais alto, que têm tido recepção muito boa tanto no mercado doméstico quanto no mercado externo”, explica o presidente da Vapza, Welliton Milani.