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Os limites de Lula na reforma ministerial

Os limites de Lula na reforma ministerial

O presidente Lula acha que os líderes do Centrão estão com pressa para entrar no governo. De Bruxelas, esfriou as expectativas, ao declarar   que as conversas sobre mudanças no Ministério vão ocorrer  “no momento adequado”, depois do recesso parlamentar. Só então, disse, “chamaria as pessoas pra conversar e aí ofereceria aquilo que eu acho que é necessário oferecer”. Segundo Lula, é preciso “ir devagar para fazer um acordo maduro e duradouro”.

As férias dos deputados e os compromissos no exterior estão dando a Lula o tempo que ele precisa para redesenhar o primeiro escalão do governo. A entrada do Centrão  — PP e Republicanos — é um desejo do presidente e está decidida, mas  ele tenta não entregar o “ouro” àqueles que até há pouco estavam do lado adversário. Não significa que não o fará, dado seu pragmatismo e a necessidade de formar uma base parlamentar.

Lula tratou de blindar o Ministério da Saúde — “Nísia (Trindade) não é ministra do Brasil, ela é minha ministra”, disse. Agora, precisa decidir se dispensará o mesmo tratamento a Wellington Dias (PT), ministro do Desenvolvimento Social (MDS) e outros que estão nas pastas desejadas pelo Centrão.

Com quatro mandatos no governo do Piauí, Dias comanda o programa Bolsa Família, principal marca das gestões petistas. No segundo turno da eleição presidencial de 2022, Lula alcançou 76,86% dos votos do estado — e oito entre as dez cidades do país em que teve melhor desempenho estão no Piauí. Não é fácil dispensar um cabo eleitoral tão eficiente.

Essa foi uma das razões para a demora na demissão de Daniela Carneiro do Turismo. Ela e o marido, Waguinho, foram para Lula fortes eleitores num território até então hostil ao PT, a Baixada Fluminense. Prefeito de Belford Roxo, Waguinho declarou apoio a Lula no segundo turno. Não conseguiram ganhar de Jair Bolsonaro, mas o presidente reconheceu o empenho do casal — e, num “pacote de saída”, turbinou verbas de Saúde para a prefeitura.

Há outras limitações para Lula entregar aos novos aliados cargos  considerados estratégicos como o de Dias: as eleições de 2024. O PT vem perdendo força nos municípios. Atualmente, administra apenas 179 cidades, e não há capitais na lista. Já o PP de Arthur Lira passou de 495 prefeitos eleitos em 2016 para 682 em 2020. O PT precisa crescer, e estar à frente de políticas públicas populares é um ativo eleitoral.

Há todo tipo de especulação em torno da minirreforma, e, enquanto a decisão não vem, os ministros têm se esforçado para mostrar serviço. Procuram ocupar espaços na mídia e anunciar novidades. Lula ainda pode surpreendê-los com o sacrifício de alguns dos mais próximos. Há precedentes. No início da campanha eleitoral, pediu a um senador do PT que não disputasse a reeleição, reivindicando a vaga para a montagem de uma aliança regional importante. Com a eleição ganha, na fase de montagem do governo, convidou-se para jantar na casa do quase ex-senador, que nutria expectativas de integrar a equipe. Ao final do encontro, Lula informou-lhe que não seria ministro, mas consolou-o: teria vaga garantida no segundo escalão.

AUTORIA

Lydia Medeiros

LYDIA MEDEIROS Jornalista formada pela Universidade de Brasília, foi titular da coluna Poder em Jogo, em O Globo (2017-2018). Atuou ainda em veículos como O Globo, Folha de S.Paulo, Época e Correio Braziliense. Foi diretora da FSB Comunicações, onde coordenou o atendimento a corporações e atuou na definição de políticas de comunicação e gestão de imagem.

CONGRESSO EM FOCO
Os limites de Lula na reforma ministerial

Concurso público e racismo estrutural

por Diogo Lima*

Basta entrar na sala de qualquer curso preparatório para concursos públicos e observar a cor majoritária dos aspirantes ao serviço público: branca. O modelo de exames hoje privilegia quem pode se dar ao luxo de se dedicar aos estudos exclusivamente, o que exclui parte considerável da população negra brasileira, que se encontra em desigualdade educacional e de renda. Há um profundo distanciamento entre pessoas pobres e mais abastadas, e particularmente entre pessoas negras e brancas.

Não por acaso hoje muitos do que passam nos concursos públicos – especialmente naqueles que oferecem os maiores rendimentos e requerem maior escolaridade – são brancos. Dados do Atlas do Estado Brasileiro (2020) mostram que pessoas negras representam apenas 13% da carreira de procurador federal, 12% da carreira de auditor da Receita Federal e 10% da carreira de diplomata, ainda que para este último cargo sejam promovidas ações afirmativas.

É possível se perguntar: mas, e as cotas? Bem, com a lei que garantiu 20% da reserva de vagas para pessoas negras tivemos avanços na representatividade do serviço público brasileiro, mas muito aquém do desejado. Dados evidenciam que, mesmo com as cotas, a proporção de pessoas negras nos vínculos ativos do executivo federal subiu muito pouco: de 30,8% em 1999 para 35,1%, em 2020. Quando olhamos para os dados desagregados por remuneração e escolaridade, observamos uma diferença expressiva entre a população negra e branca: a maior parte da população negra com pós-graduação ganha entre R$ 6 a R$ 12 mil, enquanto a maioria dos brancos com esse mesmo nível de escolaridade ganha mais de R$ 12 mil, de acordo com levantamento da Enap (Escola Nacional de Administração Pública) de 2018.

Um estudo mais aprofundado lançado pela Enap em 2021 evidenciou que, dos servidores públicos que foram identificados nas listas de aprovados das bancas examinadoras, o número máximo de servidores cotistas que teríamos no Poder Executivo Federal seria de 15,4%, muito abaixo do valor previsto na Lei.

A vocação para o serviço público pode ser medida não só pelo quanto um candidato estudou, mas também por sua vontade de transformação social, por seus valores democráticos e por seu entendimento – muitas vezes sentido na própria pele – dos problemas públicos do país. Um modelo de concurso mais abrangente, que possa avaliar competências, por exemplo, pode tornar o processo menos elitista.

Muitos países já diversificaram as formas de seleção de profissionais públicos. O Chile, por exemplo, fez reformas no sistema de gestão das lideranças, garantindo processos abertos de seleção por competências. O país também tem um sistema de ingresso que permite avaliar competências, habilidades e até a experiência prévia.

Se melhorar a qualidade da educação pública e garantir equidade racial no desenvolvimento da população é uma solução de médio/longo prazo, expandir as ações afirmativas – inclusive nos cursos preparatórios – e diversificar a estrutura dos concursos pode ser uma solução mais imediata para aumentar a representatividade e atrair cada vez mais gente comprometida com o Estado e com as políticas públicas.


* Diogo Lima é cientista social e especialista em Gestão Pública pelo Insper. É gerente de projetos da República.org.

Os limites de Lula na reforma ministerial

PL tem oito entre os 20 deputados com mais gastos no primeiro semestre

 

Do início de janeiro até o final de junho de 2023, a Câmara dos Deputados acumulou um gasto superior a R$ 79 milhões em cota parlamentar, conforme registrado no Portal da Transparência da Casa. Esse valor é distribuído mediante solicitação dos parlamentares, havendo diferença na demanda entre eles. Entre as bancadas, o PL se destaca ao contar com oito entre os 20 deputados com maiores gastos no primeiro semestre (leia a tabela com os dados de todos os deputados no final da reportagem).

Cota parlamentar é o orçamento disponibilizado aos deputados para o exercício de seus mandatos. Ela é calculada além do salário, e é paga mediante a apresentação de recibos, que são reembolsados aos parlamentares. Trata-se de um recurso destinado, por exemplo, para a compra de passagens aéreas, envio de correspondência e serviços de telefonia, entre outros.

Os 20 deputados com maiores gastos em cota parlamentar são de sete partidos: o PL, com oito parlamentares; o PT, com cinco; o PSD com três e, cada um com um nome, o PSC, PCdoB, PDT e PP. O parlamentar que mais gastou nos seis primeiros meses do ano foi Ruy Carneiro (PSC-PB), que reembolsou mais de R$ 293 mil até o final de julho.

 

Na via oposta, o PL empata com o PT e PSD na presença entre os 20 nomes com menores gastos, cada um com três parlamentares. Em seguida, estão MDB, Cidadania e PP, cada um com dois nomes. Novo, PDT, PV, Podemos e União contam com um deputado cada. Parte desses nomes, porém, são suplentes que assumiram por poucos dias, ou ministros de Estado, cujos gastos funcionais são pagos pelo Poder Executivo.

 

Entre os titulares em exercício que não assumiram ministérios, o deputado com menores gastos no primeiro semestre foi Amom Mandel (Cidadania-AM), gastando cerca de R$ 19,8 mil. Todos os seus gastos foram com a compra de passagens aéreas, mais da metade delas solicitadas no mês de março.

Entre os tipos de gastos, a publicidade assumiu a liderança. Entre os 20 deputados com maiores gastos, 16 adotaram a divulgação de atividades do mandato como principal destinação de recursos. Ruy Carneiro e Rubens Pereira Júnior (PT-MA) chegaram a utilizar mais de R$ 200 mil cada um no setor. Outros dois tiveram gastos majoritários com passagens aéreas, e mais dois com frete de aeronaves.

 

Confira a seguir a lista de gastos de cada deputado no primeiro semestre:

 

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1 Ruy Carneiro PSC PB
293 230
293 230
2 Giovani Cherini PL RS
277 903
277 903
3 Maria do Rosário PT RS
274 457
274 457
4 João Maia PL RN
271 635
271 635
5 Bibo Nunes PL RS
265 709
265 709
6 Capitão Augusto PL SP
263 697
263 697
7 Rubens Pereira Júnior PT MA
262 636
262 636
8 Domingos Neto PSD CE
259 346
259 346
9 Joseildo Ramos PT BA
250 821
250 821
10 General Girão PL RN
247 658
247 658
11 Covatti Filho PP RS
247 246
247 246
12 Átila Lins PSD AM
246 354
246 354
13 Delegado Éder Mauro PL PA
245 375
245 375
14 Silvia Cristina PL RO
242 851
242 851
15 Coronel Chrisóstomo PL RO
242 845
242 845
16 Vander Loubet PT MS
242 731
242 731
17 José Airton Félix Cirilo PT CE
241 097
241 097
18 Eduardo Bismarck PDT CE
239 877
239 877
19 Alice Portugal PCdoB BA
239 813
239 813
20 Marcos Aurélio Sampaio PSD PI
239 100
239 100
Os limites de Lula na reforma ministerial

Fazenda seleciona 17 propostas para reformas financeiras

O Ministério da Fazenda apresentou, nesta quinta-feira (20), segundo a Agência Brasil, 17 propostas para reformas financeiras no país. As ações, apresentadas por entidades do setor privado, envolvem medidas nos segmentos de tributação, seguros, previdência, mercado de capitais e crédito.

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Agenda de Reformas Financeiras – Ciclo 2023-2024, começou com o convite a 40 associações do setor privado | ©Valter Campanato/Agência Brasil

Agenda de Reformas Financeiras – Ciclo 2023-2024, começou com o convite a 40 associações do setor privado, que enviaram 120 propostas para o governo, das quais 17 foram selecionadas pelo Ministério da Fazenda, a fim de receberem prioridade.

“São diversas propostas que a gente está fazendo em diálogo com o setor privado para implementar uma série de pequenas reformas que, em conjunto, vão ter um impacto muito significativo na economia brasileira. É a melhor forma de fazer reformas, e talvez seja a única forma de fazer reformas, seja mediante o diálogo com a sociedade”, afirmou o secretário nacional de Reformas Econômicas, Marcos Barbosa Pinto.

Cada proposta será trabalhada por equipe temática, a partir de agosto. Durante 1 ano, a equipe discutirá o assunto e, ao final, preparará relatório, que deverá ser entregue em maio de 2024.

Transformar em projeto de lei
“A ideia dessa agenda é fazer subgrupos de discussão para cada um desses 17 temas, para que, a partir do ano que vem, a gente comece a transformá-lo em projetos de lei, em iniciativas de política pública para implementar essas reformas que são muito importantes para o País”, disse o secretário.

“Nós recebemos uma centena de propostas. E nós selecionamos as 17 que podem efetivamente impactar mais e no curto prazo, se nós trabalharmos juntos, em equipe, e formularmos soluções inovadoras para problemas específicos bem identificados. Se a gente souber lidar com isso, a cada semestre, a gente vai ter uma agenda nova”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante apresentação das propostas, no Rio de Janeiro.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/91400-fazenda-seleciona-17-propostas-para-reformas-financeiras

Os limites de Lula na reforma ministerial

Dados do Censo pressionam Câmara por nova divisão de vagas

As novas estimativas de população dos estados, divulgadas há 2 semanas na prévia do Censo 2022, devem pressionar a Câmara dos Deputados a recalcular a divisão do número de cadeiras por estado para as eleições de 2026. Na Folha de S.Paulo

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Plenário da Câmara dos Deputados em sessão deliberativa | Foto: MyKe Sena -14.jun.23 / Câmara dos Deputados

Projeção realizada a pedido da Folha pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) aponta para mudanças na atual distribuição das 513 cadeiras das Câmara, com perdas de vagas em sete estados e ganhos em outros sete.

Leia também:
Câmara: Censo mostra necessidade de redistribuição das cadeiras

Perde e ganha
O Rio de Janeiro lideraria a perda de assentos na Câmara, caindo de 46 para 42 vagas. Bahia, Rio Grande do Sul, Piauí e Paraíba perderiam 2 vagas cada um. Já os estados de Pernambuco e de Alagoas teriam menos 1 cadeira na Câmara.

Por outro lado, as bancadas de Santa Catarina e Pará cresceriam, com mais 4 vagas para cada estado. O Amazonas ganharia mais 2 vagas, enquanto Minas Gerais, Ceará, Goiás e Mato Grosso teriam um assento a mais cada. Os demais estados e o Distrito Federal manteriam o mesmo número de vagas.

Mínimo de 8 máximo de 70
A Constituição Federal determina que a representação na Câmara dos Deputados deve ser proporcional à população de cada estado. Mas os constituintes definiram o mínimo de 8 e o máximo de 70 deputados por Unidade da Federação.

O número de cadeiras por estado, contudo, não é alterado desde dezembro de 1993, ano em que ocorreu o último redesenho das vagas na Câmara a partir da aprovação de lei complementar. Não houve atualização do tamanho das bancadas a partir dos dados dos Censos de 2000 e 2010.

Resolução do TSE
Em 2013, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) chegou a emitir resolução sobre a redistribuição das vagas por estado na Câmara com base no Censo anterior, realizado em 2010.

No ano seguinte, porém, o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou que a resolução era inconstitucional e definiu que caberia à própria Câmara fazer esta divisão por meio de lei complementar, o que nunca ocorreu.

“Mexer em questões regionais sempre tem um aspecto político muito forte. Quem ganha vai pressionar para mudar o cálculo, quem perde vai trabalhar para manter tudo como está”, avalia Neuriberg Dias, analista político e assessor do Diap.

Representação dos estados e do DF
Na esteira dos dados do novo Censo, o deputado federal Rafael Pezenti (MDB-SC) protocolou nos últimos dias projeto de lei complementar que altera a representação dos estados e do Distrito Federal na Câmara dos Deputados a partir da legislatura que inicia em fevereiro de 2027.

A proposta prevê ainda mecanismo permanente de reconfiguração das bancadas, de forma que novo projeto de lei complementar se tornasse desnecessário a cada Censo.

Pezenti justifica a proposta argumentando que há sub-representação na Câmara Federal dos estados cuja população mais cresceu nos últimos 30 anos e que é preciso corrigir as distorções.

O estado de Santa Catarina, por exemplo, possui população de 7,7 milhões de habitantes segundo o Censo de 2022 e apenas 16 deputados federais. O tamanho da bancada é inferior ao de estados com menor população, caso do Maranhão, que tem 6,8 milhões de moradores e 18 deputados federais.

“Só quero fazer justiça e garantir que os estados tenham uma representação mais igualitária. O voto do catarinense não pode valer menos do que o dos eleitores de outros estados”, argumenta Pezenti, lembrando que o menor número de deputados também representa menos recursos em emendas.

Tema espinhoso
Ele reconhece que o tema é espinhoso por mexer diretamente nos interesses dos parlamentares que devem tentar a reeleição em 2026. Mas se diz otimista e destaca que quem sai perdendo no recálculo é minoria: os 7 estados que perderiam vagas têm 172 deputados.

Os estados cujas bancadas cresceriam somam 141 votos e outros 200 são de unidades da Federação que não teriam mudanças no tamanho. O projeto precisa de maioria simples para ser aprovado.

A expectativa, contudo, é de forte oposição das bancadas dos estados que teriam redução, caso de Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

Coordenador da bancada federal do Rio de Janeiro, o deputado federal Áureo Ribeiro (Solidariedade) questiona a confiabilidade dos dados do Censo 2022 e diz ver dificuldades para redistribuição das vagas: “É um tema muito sensível, seria um consenso muito difícil de construir”.

O deputado federal Carlos Veras (PT), um dos coordenadores da bancada de Pernambuco, diz não acreditar na possibilidade de alteração na composição por estado. “A última modificação é de 1993, o que revela a dificuldade de o tema ser apreciado na Câmara dos Deputados.”

Outro possível obstáculo para colocar o projeto em pauta pode ser o próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Isso porque o estado de Alagoas seria um dos prejudicados com o recálculo: a bancada do estado seria reduzida de 9 para 8 deputados federais.

Maioria favorável ao projeto
O deputado Rafael Pezenti diz acreditar que Lira não vai colocar os próprios interesses à frente da vontade do plenário, caso se construa maioria favorável ao projeto.

A bancada catarinense já começou a discutir estratégias para convencer os líderes dos partidos e tentar emplacar o projeto no retorno do recesso parlamentar.

Na avaliação do cientista político Cláudio André de Souza, professor da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), o Congresso não deveria postergar o recálculo das vagas: “Quanto maior a defasagem, mais brusca será uma possível mudança no futuro”.

Novas federações partidárias
Caso a proposta seja aprovada, haverá aumento do quociente eleitoral e maior competição em 2026 nos estados em que o número de cadeiras for reduzido. Com isso, diz Souza, a tendência é de maior dificuldade para pequenos partidos nas disputas legislativas destes estados, o que pode impulsionar novas federações partidárias.

A mudança também tende a dar maior força às bancadas de estados com perfil mais conservador, caso de Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás. Por outro lado, haveria perda de 6 deputados na bancada nordestina, que nas últimas legislaturas tem se alinhado mais aos governos de esquerda.

Possível alteração no tamanho das bancadas federais dos estados também se refletiria nas assembleias legislativas. O número de vagas segue a mesma proporção da Câmara dos Deputados, mas com mínimo de 24 e máximo de 94 deputados estaduais.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/noticias/91396-dados-do-censo-pressionam-camara-por-nova-divisao-de-vagas

Os limites de Lula na reforma ministerial

Não consigo trabalhar por causa da ansiedade, o que fazer? Confira!

Suzana Poletto Maluf

Se a doença não for tratada, pode acabar agravando a situação, podendo desencadear uma incapacidade de trabalho.

Você sabia que os transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamento do trabalhador pelo INSS? Então, se a sua preocupação é: “Não consigo trabalhar por causa da ansiedade”, saiba que a depender da situação, é possível pedir afastamento e receber benefícios.

Se a doença não for tratada, pode acabar agravando a situação, podendo desencadear uma incapacidade de trabalho. Por isso, é importante saber que existe a possibilidade de afastamento para tratamento, garantindo a remuneração, através de benefícios do INSS.

Dessa forma, confira no conteúdo a seguir quais os direitos trabalhistas e previdenciários de quem sofre ansiedade. Boa leitura!

Quem sofre de ansiedade pode receber benefício do INSS
A ansiedade, depressão, síndrome de burnout são exemplos de doenças psiquiátricas que podem gerar a necessidade de afastamento do trabalho.

A depender das condições do funcionário, é possível até mesmo receber benefício por incapacidade.

Essas doenças podem ser causadas pela alta pressão no ambiente de trabalho, em ambientes não saudáveis para desempenhar as atividades diárias.

Além disso, diante de como a empresa lida com essa situação, é possível também que o caso se agrave, gerando condições ainda piores ou a pausa total do trabalhador.

Diante desse cenário agravante, o INSS passou a conceder benefícios previdenciários para que os trabalhadores possam ter suporte para o tratamento e recuperação do funcionário.

Principais direitos trabalhistas e previdenciários de quem sofre ansiedade
É preciso ter muito cuidado ao lidar com transtornos mentais no trabalho. Isso porque as doenças podem acabar se agravando se não são tratadas. No caso da ansiedade, o seu agravamento pode ocasionar síndromes de pânico, depressão e doenças psiquiátricas.

Portanto, se você está passando por isso, o ideal é começar um tratamento o quanto antes. Dessa forma, confira a seguir os direitos de quem sofre de doenças de transtorno mental que podem ajudar no momento de recuperação e capacitação para o retorno ao trabalho.

Direitos previdenciários
Auxílio-doença
É importante entender que o trabalhador que sofre de ansiedade não receberá o auxílio por causa da doença e sim pela incapacidade.

Isso acontece porque o INSS libera o benefício quando a doença causa incapacidade temporária ou permanente. Assim, o funcionário que precisar se afastar por mais de 15 dias das atividades, sendo segurado do INSS e cumprido a carência, poderá solicitar o auxílio-doença.

Dessa forma, durante o período de tratamento, o salário é garantido pelo INSS. Isso garante que o trabalhador possa restabelecer sua saúde para retornar às suas atividades.

Aposentadoria por incapacidade permanente
Caso o trabalhador tenha se afastado para tratamento, mas esse não teve progresso, então é possível solicitar a aposentadoria por incapacidade permanente.

Neste caso, deve ser comprovado que o funcionário não consegue mais realizar nenhum tipo de atividade. Isto quer dizer, o trabalhador deve estar incapacitado para qualquer tipo de trabalho, seja ele no mesmo setor ou diferente do que já exercia.

Esse benefício do INSS também pede que o trabalhador tenha a qualidade de segurado e tenha cumprido com a carência, que é de no mínimo 12 contribuições.

BPC Loas
Se a ansiedade causar incapacidade para o trabalho e o profissional não tiver a qualidade de segurado do INSS, existe o benefício do BPC-Loas. Esse é um benefício assistencial, portanto não precisa ter contribuído ao INSS.

O BPC Loas é dedicado a idosos e pessoas com algum tipo de deficiência ou impedimento de qualquer natureza, isso inclui doenças de transtorno mental. Essa comorbidade deve incapacitar o trabalhador de exercer qualquer atividade, bloqueando sua capacidade e subsistência.

Direitos trabalhistas
Neste caso, existem alguns direitos que podem ser pedidos pelo trabalhador que desenvolveu ansiedade por conta do trabalho. Essa dependência precisa ser comprovada mediante perícia. Confira quais são esses direitos:

Estabilidade no trabalho durante o tratamento
O trabalhador que sofrer de ansiedade, sendo comprovada ter relação direta com o trabalho, pode ter estabilidade de até 12 meses após o retorno do período de afastamento.

A única forma de receber demissão nesse período é se cometer uma falta grave.

Danos morais
Se o trabalhador comprovar que a doença foi desenvolvida em detrimento da atividade exercida, então é possível entrar com o pedido de danos morais.

O funcionário poderá receber uma indenização que poderá ter o valor de até 50 vezes o seu salário, a depender da situação.

Danos materiais
Assim como os danos morais, o trabalhador que desencadeou ansiedade por conta do trabalho também pode pedir reembolso de gastos médicos.

Uma vez comprovado os gastos, através de notas fiscais, o funcionário poderá receber por gastos em consultas, psicoterapias e medicamentos.

Rescisão indireta
A empresa tem o dever de oferecer aos seus funcionários um ambiente saudável de trabalho. Por isso, se comprovada a causa da ansiedade com relação ao trabalho exercido, então o funcionário pode deixar o emprego e receber todos os seus direitos.

Isso acontece porque ele pode solicitar a rescisão indireta do contrato de trabalho por uma falta grave da empresa, que não cumpriu com sua responsabilidade.

Dessa forma, essa é a melhor saída para quem quer deixar um emprego tóxico, e ainda receber todos os direitos como uma demissão sem justa causa.

Também é possível entrar com uma ação judicial e pedir, além da rescisão, também danos morais e multa por demissão em período de estabilidade.

Pensão mensal vitalícia
Esse é um direito de quem desenvolve a incapacidade permanente. Dessa forma, ela pode ser cumulada com a aposentadoria por invalidez.

Se for comprovado que a doença foi causada ou agravada pelo trabalho, então o trabalhador pode entrar com processo judicial e solicitar a pensão mensal vitalícia.

Suzana Poletto Maluf
Especialista em direito previdenciário, benefícios sociais e aposentadorias.

Migalhas: https://www.migalhas.com.br/depeso/390338/nao-consigo-trabalhar-por-causa-da-ansiedade-o-que-fazer-confira